segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Educação política no PSOL

Elson de Melo
23-10-2017

A educação política no campo da esquerda é sempre o grande desejo de todos os partidos socialistas contemporâneo, digo desejo, pelo fato de, embora exista como meta nos programas partidários, nas teses e resoluções, porém, pouco investimento ou quase nenhum, são disponibilizados pelos partidos para, a consecução de um programa de educação política voltado para a capacitação dos militantes socialistas, um programa que seja capaz de elevar o conhecimento do indivíduo socialista sobre as necessidades coletivas, do comprometimento humano com a causa e principalmente sobre a teoria socialista e a sua pratica na construção do socialismo.

O PSOL chegou aos seus doze anos de existência sem um programa de educação política. São muitos as variantes que determinaram essa lacuna; o primeiro é a pluralidade interna, ou seja, o partido é composto por tendências e filiados independentes.

Originalmente, o PSOL foi fundado por uma maioria de militantes trotskistas (CST MÊS), com a entrada da APS no partido, o PSOL passa a se organizar em dois blocos interno, hoje alinhados entre a US – Unidade Socialista de um lado e o BE – Bloco Esquerdismo de outro, os dois blocos, comportam tendência de orientação marxista trotskista e marxista leninista. Essa composição heterogênea do partido, produz um debate interminável sobre concepção de organização e prática partidária. Em tempo de Congresso, as duas concepções, travam uma verdadeira briga de rua sem limites.

Onde está a maior divergência?

A principal divergência está na concepção defendida pelos marxistas trotskistas que o PSOL deve ser um partido de quadros dirigentes, formado por uma vanguarda de quadros dirigentes com profundos conhecimentos da literatura socialista, onde a prioridade é o pensamento de Trotsky de “revolução internacionalista permanente”, contrapondo-se a essa concepção, estão os marxistas leninistas e alguns trotskista que defendem que o PSOL seja um partido popular, um partido de massa com profunda inserção nos movimentos sociais, que dispute e ocupe os espaços institucionais no parlamento e no executivo, aberto ao diálogo e composições com outros partidos que conjunturalmente, se afine com a tática eleitoral do PSOL.

Essa composição heterogênea do PSOL, se por um lado, dá uma aparência de hegemonia plural e unidade na ação, na pratica, gera um grande conflito de ideias que determina uma permanente disputa pelo aparelho partidário (direção). Essa disputa pela estrutura partidária, dificulta a consecução de um programa de educação política e de uma estratégia de participação nos movimentos sociais e sindical. Assim, a educação politica ou formação politica fica a cargo de cada tendência interna. 

Como vencer essa dificuldade?

O melhor caminho ainda é a educação política, a polarização interna marxista trotskista X marxista leninista, não pode ser tratada como uma dicotomia, principalmente quando identificamos que as duas visões estratégias, se resumem ao processo revolucionário da Rússia (Trotsky X Lênin). Portanto, diante dessa constatação, se faz necessário um estudo aprofundado sobre o papel dos dois líderes no processo revolucionária russo.

Particularmente, este escrevente, depois de olhar algumas obras dos dois, tem uma admiração profunda por Lênin, entendo, que são poucos os lideres ou militante socialista revolucionários com a capacidade de produzir teoricamente e ter uma prática efetiva com tamanha eficiência sobre os ensinamentos marxistas. Lênin conseguiu ser esse revolucionário socialista completo.

Destaco três obras que além de da biografia de Lênin, são fundamentais para entender a importância de Lênin em qualquer processo de organização política contemporâneo, que busque a transformação social, são elas: “Por onde Começar” escrita por Lênin em 1901, “Carta a um camarada” escrita por Lênin em 1902 e “Que fazer? Escrito por Lênin entre 1901/1902”. Basicamente, essas obras falam de estratégia de organização, da importância da educação política e principalmente da pratica dos militantes revolucionários.

Para nós lutadores sociais contemporâneos, estudar o processo revolucionário russo, trará um grande acumulo as nossas ações, desmistifica muitos dogmas que insistem em aparecer nos discursos raivosos recheados de citações como se fossem verdades absolutas.

A construção do socialismo, é uma obra para ser executada por todos que estão inquietos com as injustiças, descontentes com a realidade perversa que o capitalismo nos impõe, decididos a transformar toda miséria feita pelos capitalistas. Para facilitar a nossa compreensão sobre esse mundo perverso, a educação política é mais que uma necessidade, é o motor que vai conduzir a nossa consciência a enfrentar com firmeza, os percalços da nossa luta cotidiana.  

Por um PSOL à altura dos desafios.
Viva o PSOL popular!
Viva o socialismo!

Elson de Melo, é secretário de comunicação do PSOL Manaus-AM.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...