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terça-feira, 26 de abril de 2011

1º DE MAIO: A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Cultura
Elson de Melo
A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Distrito Industrial de Manaus(AM)
Dia 1º de maio é dia do Trabalhador,
Trabalhador da roça e do nosso pescador,
Num dia é seringueiro, no outro é agricultor,
Batalha sol a pino, para manter seu sustento,
Cria gado, planta juta e ninguém lhe dá valor.

Num dia triste da vida, o caboclo ouviu no rádio, a conversa do doutor,
Que na cidade sorriso, havia relógio barato, emprego e muita festa,
Correu arrumou sua boroca, para seguir sua sina,
Numa noite de magia, embarcou, no primeiro motor da linha,
Alegre todo contente, na escadaria dos Remédios desembarcou.

Uma vez na capital, estava selado seu destino,
De ser trabalhador operário, ou ser um eterno menino,
Conheceu a Zona Franca, seu comércio e a indústria,
Correu foi ser empregado, numa fabrica juta,
Depois quebrou castanha, trabalhou na construção,
Nas fabricas do Distrito, a idade foi a condição,
De não ser admitido, na linha de produção.

O caboclo agora anda triste, resmunga com toda razão,
Convidaram para festa, mas, não lhe deram a opção,
De escolher a camisa do terno de estimação,
Sobrou-lhe apenas a lembrança, do seu torrão que morava,
De onde veio sem volta, só saudade e lamentação.

Agora seu filho trabalha, numa fabrica de televisão,
Monta as mais modernas Tvs, mas, não pode comprar não!
Uma Tv de plasma, ou de HD digital com alta definição,
Contenta-se com a noticia, de ter dado lucro de bilhões... de dólares,
Que só enriquece o patrão. Veja só a contradição!

A saga desse caboclo parece coisa de ficção,
Caramba! Isso é verdade, é pura confissão,
Ainda falta dizer, aonde mora esse peão,
E o salário que recebe, só dá pra comprar o pirão,
As outras coisas da vida ficam para outra encarnação.

Pra não pensarem que o poeta, só fala de solidão,
Vamos unir nossas forças, para aumentar a pressão,
É hora de garantir conquistas, que eles sempre dizem não.
O caminho para o intento está na nossa união,
Nesse 1º de maio, eis a convocação, solidariedade e luta, pra fortalecer nossa razão.

Trabalhadores do mundo. Uni-vos!

Elson de Melo - Sindicalista

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa de Vida Digna

*Heloisa Helena

Eis um período – para mim - maravilhosamente propício para a reflexão sobre Vida, Liberdade, Renascimento, Ritos de Passagem... Hipocrisia, Angústia, Poder, Solidão! Desde criança – na catequese por queridas freiras holandesas e padres católicos - que eu achava muito estranho o fato de Jesus ter sido recebido de forma imensamente triunfal “como Rei e Salvador” pelo mesmo povo que em poucos dias gritavam “Crucifica-o, Crucifica-o”... Eu - pequeninha, magrela e de imensas tranças – ficava pensando “que gente mais falsa...”

O Domingo de Ramos é exemplar! Jesus – debochado por muitos como o “filho do carpinteiro e de Maria” (aliás, pensemos o que sofreu Maria diante das línguas cínicas e ferinas das víboras fofoqueiras...) – que já tinha, de chicote na mão, literalmente botado pra quebrar no templo cheio de farsantes e vendilhões... entra de Jumentinho e é saudado entusiasticamente pela multidão! O Poder Local – César, Pilatos e Cia – em conluio mais que atual, demonstra à multidão que quem estiver ao lado do Rei dos Céus estará contra o Rei da Terra... aí o coeficiente de trairagem popular aumentou velozmente e foram aplaudidas todas as formas de humilhações (da brutalidade nas agressões físicas às cusparadas e xingamentos preconceituosos!). E se faz necessário lembrar que, com raríssimas exceções masculinas, a linda coragem da solidariedade a Jesus, no episódio, ficou mesmo para as mulheres!

O Monte das Oliveiras é outro momento de imensa intensidade espiritual e angústia absolutamente humana... onde Jesus, mesmo tomado pela Fé e Orações, demonstra tanto sofrimento, tristeza e medo... o retrato da humildade das nossas fraquezas humanas, seja nos apóstolos que dormiam ou na extrema exaustão emocional de Jesus que o leva a suar gotas de sangue. E durante a Crucificação, além do perdão e da opção pelo sacrifício, se apresenta também o doloroso sentimento de abandono e solidão gemendo na frase “Eloí Eloí, lema sabactâni...Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste...”

E a Páscoa? Ah! Além dos deliciosos ovos de chocolate para alguns que podem comprar... A Páscoa verdadeira em nosso tempo não chegou! Muitos de nós estamos lutando por ela irmanados nos Ritos de Passagem: Escravidão e Liberdade do Povo de Deus, Morte e Renascimento de Jesus! Infelizmente ainda persistem o sofrido caminhar de muitos nas travessias dos desertos de indigência social; nas peregrinações de humilhações extremas por vagas nas escolas e assistência à saúde; nas horas de angústia e desespero em ônibus superlotados; nos escombros sob as chuvas soterrando crianças; nas infames vendas de órfãos para ricos pedófilos e virgindades de meninas para bandidos políticos; na exploração insaciável e predatória da natureza... e em tantas outras formas de Violência, Escravidão e Morte...

A Páscoa chegará quando a música, em belos adágios por violinos e flautas, estiver sendo tocada por pequenas mãos pobres e frágeis de crianças que o maldito narcotráfico machucou, mas não aniquilou... A Páscoa chegará quando não ensinarmos às nossas crianças a prática desrespeitosa das palavras humilhantes e malditas “negrinha, doido, aleijado, bicha”... A Páscoa chegará quando os idosos estiverem sendo contemplados com profundo respeito às marcas que o tempo deixou... A Páscoa chegará quando não se ostentar por vaidade luxuosa as peles de animais no vestuário... A Páscoa chegará quando a intolerância religiosa for extirpada e o oportunismo vulgar e comercial em nome de Deus for superado...

Alguns dirão que tudo isso é romantismo ridículo e impossível de se concretizar... Alguns vão preferir simplesmente fazer de conta que nada vêm nas dores e sofrimento do mundo crucificado... E euzinha e muitos outros mais repetiremos Cecília: “É preciso não esquecer nada...nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante... O que é preciso esquecer... é o dia carregado de atos e a idéia de recompensa e glória...”

Felizes todos os dias em que buscamos a Páscoa... nas Travessias em Lágrimas pelos Desertos ou em Caminhos Perfumados de Jasmins, Angélicas, Lírios e todas as Flores que anunciam a Generosa Festa da Colheita de Paz e Justiça Social que um dia chegará!

*HELOÍSA HELENA é vereadora pelo PSOL em Maceió.

O Calvário do Encontro das Águas

Elson de Melo

Desde a chegada dos portugueses nas terras dos Manaús, o Encontro das Aguas tem sido palco das atrocidades do capital contra os seres vivos deste pedaço da Amazônia. Uma das primeiras vitima dessa ganância foi o Tuxaua Ajuricaba, o Líder de uma das maiores guerras indígenas de resistência na Amazônia, acontecida no século XVIII.

A foz dos rios Negro e Solimões onde começa o rio Amazonas, local sagrado dos nossos antepassados, conhecido como Encontro das Águas, vem sendo dilapidado desde que o dito homem civilizado aqui chegou, esses representantes do capital trouxeram consigo a maldição que passou ser a Via Crúcis do nosso majestoso Encontro das água em direção ao seu Calvário.

Hoje os cristãos celebram o dia da paixão de Cristo, como penitencia, percorrem juntos os caminhos de Jesus até o Calvário, lá simbolizam a crucificação do senhor, na cruz do meio está Jesus, ao seu lado estão dois ladrões, um se arrepende dos pecados e o outro ironiza Jesus – esse é o Deputado Sinésio Campos do PT no Calvário que ele quer levar o Encontro das Águas –  o outro, simboliza os demais defensores da construção do porto da Vale naquele lugar, que ainda podem arrepender-se desse propósito.

A Quaresma período que compreende quarenta dias é marcada pela Campanha da Fraternidade que teve neste ano um fato relevante para a vida na terra, com o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” que foi voltada para o meio ambiente; e o lema, “A Criação Geme Com Dores de Parto”, teve no Amazonas suas ações voltada para a preservação do Encontro das Águas, pugnando pela homologação do seu tombamento como Patrimônio Cultural do Povo Brasileiro.

Indiferente a esse apelo dos lideres cristãos, o Deputado Sinésio Campos do PT/AM, comandou uma caravana até Brasília para, em nome do Governador e da empresa Vale do Rio Doce, pressionar a Ministra da Cultura a modificar o perímetro do Tombamento desse majestoso complexo paisagístico, arqueológico, cultural e humanitário.

O Deputado e a Secretária Nádia da SDS querem transformar a Ministra em o Pilatos do Encontro das águas, exigindo que ela venha deixar o povo amazonense apenas ver a “banda passar!” no sentido literal da musica de seu irmão, o renomado cantor e compositor Chico Buarque de Holanda.

Acreditamos que a Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda, não se impressionou com as ponderações do Deputado e sua comitiva, sua sensibilidade artística e cultural, somada a determinação de mulher, são atributos suficientes para ela analisar a luz dos interesses ecológicos e sociais o trabalho que o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, apreciou e aprovou, cabendo apenas a sua homologação.

Hoje, sexta feira da paixão de Cristo, apelamos a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, que homologue o tombamento do Encontro das Águas, na forma como o Conselho aprovou, para o bem do Amazonas e felicidade daquele ecossistema.

Ministra, não seja o Judas e muito menos o Pilatos do Encontro das Águas!

Feliz Pascoa.
Elson de Melo – Sindicalista

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...