MANAUS,
31/10/2018
ELSON DE
MELO
Por motivos de saúde fiquei impossibilitado de
participar ativamente das discussões e dos encaminhamentos sobre o processo
eleitoral do PSOL Amazonas, porém, acompanhei as decisões resultadas dos debates
no interior do partido (se é que houveram debates) que levaram o partido mais
uma vez a não obter um resultado eleitoral mais expressivo que particularmente eu
esperava que acontecesse.
Os motivos do insucesso são muitos; primeiro uma
total ausência de planejamento estratégico que fosse capaz de envolver todo o
conjunto do partido nas ações eleitorais, que motivasse a militância a se
doarem em defesa de um objetivo; segundo a falta de debate interno e transparência
na condução do processo; terceiro as contendas internas que levaram mais uma
vez o partido a sair para um processo eleitoral todo dividido, com discursos
diferentes, com estratégias inconsequentes, com um total descaso a ética
partidária, ou seja, o partido virou uma torre de babel onde ninguém se
entendia.
O PSOL não foi capaz de organizar um plano de
governo que observasse com clareza todos os objetivos a serem propostos, tudo
foi na base do improviso, de frases feitas, de formatação enlatadas feito por
iluminados sem o menor cuidado de inserir os principais pontos da plataforma e
projeto estratégico do partido a nível nacional.
As candidaturas em todos os níveis foram
muito limitadas seja na perspectiva de voto, como no conteúdo politico, teve
candidatos que recorreram a uma linguagem rebuscada e não se fizeram entender
pelos eleitores, outros abusaram da linguagem chula e levaram o partido para o
lado folclórico da politica, outros sequer conseguiram definir uma linguagem,
já no conteúdo, cada um disse o que pensava e a maioria sem nenhum nexo com o
programa do partido ou mesmo do fragilizado plano de governo da candidatura
majoritária, se hoje perguntarmos a um ex-candidato qual foi a melhor proposta
do PSOL Amazonas na eleição, possivelmente não saberão responder.
Diante de toda desse excesso de muvuca, o
resultado só poderia ser de total insucesso. A direção do partido e as tendências
internas se comportaram de forma tão amadora que não foram capazes de buscar um
entendimento mínimo para viabilizar um projeto para o partido, o que ficou
patente, foi que cada tendência, atuou no processo politico eleitoral, como se
estivessem disputando o Congresso do PSOL e não os votos dos eleitores do
Amazonas. Não posso qualificar isso de infantilidade, mas sim, de uma total inconsequência
para com o partido.
O marketing dos nossos candidatos não
existiu, todos se limitaram a sobreviver em uma campanha eleitoral com o
minguado recurso vindo do fundo eleitoral, ninguém organizou campanhas
arrecadação, não montaram equipes de trabalho, não se apresentaram para o eleitorado com convicção, foram apáticos o tempo todo, cada um limitou o menor território
possível, uma campanha sem planejamento, nunca terá resultado positivo,
confesso que não sei se é culpa da direção, mas se não for, pelo menos ela foi
incapaz de conduzir o processo, portanto negligenciou.
Pela primeira vez o PSOL teve como candidato
majoritário uma liderança sindical reconhecida, também pela primeira vez o
partido teve todas as portas da mídia local a sua disposição, para um bom marqueteiro
não existe candidatura ruim, também não sei se houve marqueteiro na campanha,
mas seu houve, ele foi de uma mediocridade exemplar, primeiro abandonou o candidato
a própria sorte, não foi capaz de fazer o candidato superar as suas limitações com
o mundo da comunicação, ou seja, não fez o candidato se comunicar com os
eleitores, isso não é falha do candidato e sim de quem estava lhe orientando,
mas como eu disse, não sei se houve marqueteiro. Para piorar ainda mais, resolveram limitar a candidatura ao adotarem "Berg da UGT" como nome oficial do candidato, isso causou constrangimento interno uma vez que no interior do PSOL existe uma pluralidade sindical como também no próprio apoio sindical fora do partido.
A programação visual foi outro desastre,
tivemos uns banners que espremeu os candidatos, a combinação de cores não
combinavam com nada, principalmente no que se refere a propaganda na internet,
por falar em internet, o PSOL Amazonas foi o partido mais amador nesse quesito,
não tinha pagina própria, a pagina do candidato não foi administrada
corretamente, as dos demais candidatos nem se conta, foi um desastre.
Mas vamos falar do período pré-eleitoral,
desde a conferência eleitoral estadual, deu para perceber que a direção do
partido queria levar o partido para a candidatura David Almeida, ou seja, abriu
mão da candidatura própria para fazer um projeto estranho a todos os princípios
que o PSOL defende isso se confirmou com a presença do partido no lançamento da
candidatura do mesmo. Depois não sei por que cargas d’agua as coisas não deram
certo, resolveram convencer o camarada Berg a deixar o projeto dos
sindicalistas que o apoiavam para deputado federal e lança-lo a uma aventura
para a qual ele não havia se preparado, isso foi ruim para ele que perdeu o
apoio dos sindicalistas e para o PSOL que não assegurou ao Berg um ambiente saudável
para viabilizar com sucesso a candidatura majoritária.
Por tudo que foi possível eu observar, foi
uma campanha tensa internamente, contaminada pela disputa da estrutura
partidária, sem o menor respeito entre os membros da direção, prevaleceu o
divisionismo, a prepotência, a arrogância e o autoritarismo das partes
envolvidas, para os grupos envolvidos, o que menos importou foi o futuro do
PSOL seja no Amazonas, como na sua estratégia de superar a cláusula de barreira
a nível nacional.
Sobre o período pós primeiro turno. Acho um
equivoco imensurável a direção do partido não se preocupar em fazer um debate
transparente dentro da própria direção sobe que caminho seguir e sugerir aos
filiados e militantes no segundo turno da eleição no Amazonas, não sei se foi
proposital, mas os fatos deixam evidencias que fora, principalmente quando
dirigentes e ex-candidatos do partido, sem a menor preocupação com o conjunto
de militantes e filiados do PSOL declinam apoio a uma candidatura ligada
diretamente a estrutura politica do Bolsonaro, cujo o partido é vetado pela
resolução que orienta as alianças do PSOL e outros ao outro candidato que não titubeou
em declarar imediatamente apoio a candidatura Bolsonaro, mas o pior é, se a
direção estadual não foi capaz de reunir seus membros para avaliar o quadro
apresentado e se fosse o caso deliberar a favor de uma das duas candidaturas,
ou mesmo, diante da complexidade liberar os dirigentes, filiados e militantes a
votarem conforme a sua consciência, não houve nada disso, e tudo leva crer que
por conveniência, a direção do PSOL Amazonas preferiu formalizar sem deliberar
na sua instância apoio a candidatura Wilson Lima do PSC/PRTB/REDE. Confesso que
eu nunca tinha visto algo semelhante antes, mas deixo os esclarecimentos para a
direção do PSOL Amazonas. Particularmente, entendo que atitudes como essas,
precisam ser evitadas, no âmbito do PSOL, afinal, o PSOL não é um partido
qualquer, por pior que sejam os debates internos, prefiro enfrenta-los que
afrontar a democracia interna e a confiança dos filiados.
Espero que a direção do PSOL Amazonas tenha a
maturidade suficiente para fazer uma avaliação criteriosa sobre mais esse
processo eleitoral, no momento, não vejo nada a ser comemorado, só consegui
identificar retrocesso e muito autoritarismo entre as tendências que compõem o
PSOL Amazonas.
Viva a luta por democracia!
Elson de Melo, é militante do PSOL Amazonas.
