domingo, 10 de julho de 2016

Por uma esquerda que conheça a sua história e fundamentos

ESCRITO POR ELSON DE MELO
DOM. 10 DE JULHO DE 2016
E-mail: elsonpmelo@gmail.com

Passou a ser comum no âmbito da esquerda, ouvir e ver pessoas que se apresentam como socialistas fazerem afirmações e até defesa de “um novo socialismo, um outro socialismo é possível, por uma nova esquerda...”. De onde vem esses argumentos? Qual a base cientifica e prática que os leva a proferirem esses jargões? De onde vem e para ode vão esses propagandistas do pensamento eclético que sempre sustentou o liberalismo ao longo da história? O certo é, que, a maioria desses confusos esquerdistas, ou não conhecem, ou negam deliberadamente a história da esquerda socialista no mundo, na verdade, são vendedores de concepções liberais tingidas de socialistas.

Não e de agora que esses ativistas se esquivam de assumir o comunismo como forma de sociedade onde os meios de produção são coletivos, e, por isso, ignoram a base cientifica do socialismo e renegam ao esquecimento a teoria marxista como método dialético de transformação social e econômico. A luz da história, essa batalha teórica no âmbito da esquerda socialista, vem de longe, parte por avaliações equivocadas da conjuntura, parte pelo proposito de apenas reformar o capital e manter os privilégios dos teóricos revisionista e oportunista. A mais conhecida nitidez dessa disputa, foram a concepção dos mencheviques contra os bolcheviques no seio do Partido Operário Social Democrata Russo – POSDR.

O deslocamento teórico de um projeto pratico de sociedade socialista, para diversas outra nomenclatura, sem teoria revolucionária, desorienta parte da militância da esquerda socialista, e os transformam, em apenas ativistas reformistas, dogmáticos e imediatistas. O mais inconsequente desse proposito, está no fato, de essas tendências reformistas, valerem-se de uma ótica baseada em um esquerdismo ultrarradical, com leitura de conjunturas pré-revolucionária subjetiva e sem nenhum compromisso pratico de transformação social em direção ao socialismo.

A tradição dos partidos da esquerda socialista manda que a sua organização, seja uma escola de formação ideológica, filosófico e política, deve o mesmo adotar uma pedagogia capaz de dotar seus componentes de conhecimento sobre as leis do desenvolvimento do capitalismo e as vias de chegada ao socialismo e ao comunismo, onde os militantes devem aprender que a luta é de classe, que a correlação de força se dá na relação capital e trabalho, ou seja no modo de produção da sociedade capitalista.

O processo revolucionário não é um proposito sem objetivos, é em função dos objetivos que se organiza um partido político, cuja função é dinamizar a luta política e disputar os espaços institucionais no âmbito do estado burguês. Compreender essa dinâmica é fundamental para que cada militante, entenda qual é a sua vocação e o papel que melhor pode desempenhar para contribuir e alcançar esses objetivos.

No Brasil e no mundo, estamos vendo uma grande ofensiva ideológica do capital, as guerras que provocam milhões de refugiados em todo mundo, usa o fundamentalismo como seu principal pretexto, para que o imperialismo, se aproprie das riquezas naturais dos territórios em litígio. Entender essa realidade, só será possível, se pelo menos a vanguarda dirigente dos partidos socialistas e comunistas, forem capazes de retomar o processo histórico através da leitura de como acontece a exploração do homem pelo capital e a luta inconciliável pelo controle dos meios de produção (terra, maquinas...).

O Manifesto do Partido Comunista nos ensina que:
A história de todas as sociedades até o presente é a história das lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, membro de corporação e ofícial-artesão, em síntese, opressores e oprimidos estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora dissimulada, ora aberta, que a cada vez terminava com uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou com a derrocada comum das classes em luta. ”.

Os ecléticos, fazem questão de passar ao lado dessa história, tentam esconder a luta de classe entre explorados e exploradores, para tanto, os ecléticos exploram fragmentos de teses e documentos para compor um pensamento sem objetivos claros, mas pintados de um esquerdismo voluntarioso e desprovido de estudo da realidade objetiva e de um projeto de superação do capital e a conquista da sociedade socialista e comunista.

Com essas teorias compostas de fragmentos, eles conseguem confundir parte da vanguarda que reivindica a luta pelo socialismo, são diversionistas e burocráticos ao extremo. Assim, os partidos socialistas, dedicam um tempo precioso em lutas internas, enquanto o conservadorismo, amplia sua hegemonia, impondo sua ideologia e prolongando a exploração capitalista.

É urgente que a esquerda socialista, reassuma seu papel na história, tendo como prioridade o aprofundamento do conhecimento das relações de produção e os caminhos para o socialismo e o comunismo.  Para tanto, a educação política a luz do materialismo histórico, se faz necessário. Uma esquerda socialista consequente, não pode prescindir dos estudos marxista-leninista.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Pela utopia de uma esquerda que dialogue com a sociedade

ESCRITO POR MARCELO CASTAÑEDA
QUI. 30 DE JUNHO DE 2016

A “esquerda”, esse campo imaginário que deve ser dito no plural pela diversidade de seus elementos componentes, não cansa de brigar entre si, a ponto de ter desaprendido a dialogar com corações e mentes em prol das mudanças sociais que afetem a todos. Nesse movimento não consegue mais sequer se contrapor ao processo de direitização que toma conta do mundo em que vivemos.

A questão que coloco vai além de entender se é a divisão da(s) esquerda(s) que viabiliza o avanço da direita (ou do conservadorismo em suas vertentes governamentais e comportamentais que se tecem no terreno das sociedades contemporâneas). Obviamente, não é neste curto espaço e a partir do meu argumento que se resolverá o impasse. Aqui a pretensão é tão somente sinalizar um processo que me parece evidente: nós, da(s) esquerda(s), desaprendemos a dialogar com a sociedade. E por diálogo quero destacar a capacidade de ouvir o outro sem a pretensão de convencer a arrebanhar.

Quando falo da sociedade, esse ente abstrato, não me refiro ao adorador de Bolsonaro ou Le Pen, mas aquela pessoa que está no trem da Central do Brasil voltando para a Baixada depois de um dia de trabalho e vai se informar jantando, já bem cansado, com o Jornal Nacional, ou nem isso, pois o cansaço pode o levar para longe até mesmo das notícias.

Estou pintando um cenário dramático, pois me parece ser disso que precisamos tratar. No tempo pós-junho de 2013 que vivemos, enxergamos concretamente os limites que nos tolhem a capacidade de mobilizar as pessoas para se manifestarem por causas que lhes afetem. Nas redes sociais, pessoas próximas escrevem “vamos para a rua” como se fosse fácil empreender uma mobilização nos dias de hoje, que posso caracterizar como “precariedade da maioria”. Não se repete um fenômeno como junho de 2013, mas podemos imprimir novas dinâmicas de mobilização, como mostram os estudantes secundaristas com sucesso, mesmo sem tanta visibilidade para suas conquistas. Eles nos mostram que não precisa ser possível, basta fazer.

Esses novos personagens que entram em cena, para lembrar o saudoso Eder Sader dos anos 1980, vêm nos mostrar ser possível que as lutas se teçam para além da cacofonia esquizofrênica entre o apoio e a contestação ao golpe que tirou Dilma e o PT do governo federal. Esse golpe está em curso e, apesar do processo de resistência que se configura, não parece que terá como desfecho a volta de Dilma.

É preciso resistir ao que o governo de Temer com tucanos pode nos trazer como retrocessos, em especial na questão trabalhista, previdenciária ou mesmo com privatizações. Mas é necessário enxergar que o próprio PT foi nesta direção, agora intensificada com Temer.

E por que destaco o papel do PT na fragmentação e dispersão da(s) esquerda(s) no Brasil? Não se trata de qualquer fixação no partido, mas tão somente de deixar claro que o próprio partido assume que enfraqueceu a esquerda em resolução recente do Diretório Nacional (que analisei aqui: https://goo.gl/iLRdrb). No fundo, precisamos nos desprender do PT e do seu projeto de poder (Lula-2018, indo direto ao ponto) para nos concentrar em como dialogar múltiplas pautas com a sociedade de uma forma humilde e não crente-missionária ou proselitista. Eis o desafio.

As pessoas que não estão engajadas em lutas que não sejam referentes à própria sobrevivência não estão querendo ser convencidas do que é melhor para elas e isso pode servir de fio da meada para explicar porque a(s) esquerda(s) se tornam cada vez mais gueto, e por isso briga cada vez mais entre seus pares (ainda que estes possam ser bem desiguais e assimétricos). O drama é precisarmos de um tempo que não teremos para nos organizar para além dos sujeitos tradicionais (sindicatos, partidos) para dar conta do que temos pela frente.

Neste sentido, não vou concluir. Vou encerrar abrindo questões: como dar vazão a sujeitos políticos como os estudantes secundaristas, que no Rio de Janeiro eram tidos como despolitizados, em especial se olharmos para o fato de a maioria das ocupações se dar em colégios da periferia, do subúrbio e do interior? E o que dizer dos favelados cariocas que resistem bravamente e se organizam contra a violência policial, rejeitando cada vez mais as instituições que seriam canalizadoras dessa revolta, pois são vistas com desconfiança por colocarem seus fins acima das demandas concretas por que passam? Onde está a esquerda nessas lutas que, a meu ver, são aquilo que traz novo vigor e possibilidades de renovação e abertura a novas conexões, quando esta esquerda se mostra enredada em processos como plenárias e reuniões de cúpula?

Marcelo Castañeda é sociólogo e pesquisador do Programa de Pós-Gradução da UERJ.

 

Pela utopia de uma esquerda que dialogue com a sociedade

ESCRITO POR MARCELO CASTAÑDA
QUI. 30 DE JUNHO DE 2016

A “esquerda”, esse campo imaginário que deve ser dito no plural pela diversidade de seus elementos componentes, não cansa de brigar entre si, a ponto de ter desaprendido a dialogar com corações e mentes em prol das mudanças sociais que afetem a todos. Nesse movimento não consegue mais sequer se contrapor ao processo de direitização que toma conta do mundo em que vivemos.

A questão que coloco vai além de entender se é a divisão da(s) esquerda(s) que viabiliza o avanço da direita (ou do conservadorismo em suas vertentes governamentais e comportamentais que se tecem no terreno das sociedades contemporâneas). Obviamente, não é neste curto espaço e a partir do meu argumento que se resolverá o impasse. Aqui a pretensão é tão somente sinalizar um processo que me parece evidente: nós, da(s) esquerda(s), desaprendemos a dialogar com a sociedade. E por diálogo quero destacar a capacidade de ouvir o outro sem a pretensão de convencer a arrebanhar.

Quando falo da sociedade, esse ente abstrato, não me refiro ao adorador de Bolsonaro ou Le Pen, mas aquela pessoa que está no trem da Central do Brasil voltando para a Baixada depois de um dia de trabalho e vai se informar jantando, já bem cansado, com o Jornal Nacional, ou nem isso, pois o cansaço pode o levar para longe até mesmo das notícias.

Estou pintando um cenário dramático, pois me parece ser disso que precisamos tratar. No tempo pós-junho de 2013 que vivemos, enxergamos concretamente os limites que nos tolhem a capacidade de mobilizar as pessoas para se manifestarem por causas que lhes afetem. Nas redes sociais, pessoas próximas escrevem “vamos para a rua” como se fosse fácil empreender uma mobilização nos dias de hoje, que posso caracterizar como “precariedade da maioria”. Não se repete um fenômeno como junho de 2013, mas podemos imprimir novas dinâmicas de mobilização, como mostram os estudantes secundaristas com sucesso, mesmo sem tanta visibilidade para suas conquistas. Eles nos mostram que não precisa ser possível, basta fazer.

Esses novos personagens que entram em cena, para lembrar o saudoso Eder Sader dos anos 1980, vêm nos mostrar ser possível que as lutas se teçam para além da cacofonia esquizofrênica entre o apoio e a contestação ao golpe que tirou Dilma e o PT do governo federal. Esse golpe está em curso e, apesar do processo de resistência que se configura, não parece que terá como desfecho a volta de Dilma.

É preciso resistir ao que o governo de Temer com tucanos pode nos trazer como retrocessos, em especial na questão trabalhista, previdenciária ou mesmo com privatizações. Mas é necessário enxergar que o próprio PT foi nesta direção, agora intensificada com Temer.

E por que destaco o papel do PT na fragmentação e dispersão da(s) esquerda(s) no Brasil? Não se trata de qualquer fixação no partido, mas tão somente de deixar claro que o próprio partido assume que enfraqueceu a esquerda em resolução recente do Diretório Nacional (que analisei aqui: https://goo.gl/iLRdrb. No fundo, precisamos nos desprender do PT e do seu projeto de poder (Lula-2018, indo direto ao ponto) para nos concentrar em como dialogar múltiplas pautas com a sociedade de uma forma humilde e não crente-missionária ou proselitista. Eis o desafio.

As pessoas que não estão engajadas em lutas que não sejam referentes à própria sobrevivência não estão querendo ser convencidas do que é melhor para elas e isso pode servir de fio da meada para explicar porque a(s) esquerda(s) se tornam cada vez mais gueto, e por isso briga cada vez mais entre seus pares (ainda que estes possam ser bem desiguais e assimétricos). O drama é precisarmos de um tempo que não teremos para nos organizar para além dos sujeitos tradicionais (sindicatos, partidos) para dar conta do que temos pela frente.

Neste sentido, não vou concluir. Vou encerrar abrindo questões: como dar vazão a sujeitos políticos como os estudantes secundaristas, que no Rio de Janeiro eram tidos como despolitizados, em especial se olharmos para o fato de a maioria das ocupações se dar em colégios da periferia, do subúrbio e do interior? E o que dizer dos favelados cariocas que resistem bravamente e se organizam contra a violência policial, rejeitando cada vez mais as instituições que seriam canalizadoras dessa revolta, pois são vistas com desconfiança por colocarem seus fins acima das demandas concretas por que passam? Onde está a esquerda nessas lutas que, a meu ver, são aquilo que traz novo vigor e possibilidades de renovação e abertura a novas conexões, quando esta esquerda se mostra enredada em processos como plenárias e reuniões de cúpula?

Marcelo Castañeda é sociólogo e pesquisador do Programa de Pós-Gradução da UERJ.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sobre as manifestações de 13 de março: Questão de ordem!

Que o governo da presidente Dilma é uma desastre, é fato!

Segunda, 14 de março de 2016
Por: Elson de Melo 

Passado um ano, Dilma só conseguiu retirar direitos dos trabalhadores e não recuperou a economia do país, uma prova que não são os direitos trabalhistas e previdenciários que impedem o desenvolvimento do Brasil, mas sim a má gestão publica, até aqui estamos juntos.

Por outro lado, não será o impeachment de Dilma que vai repor os direitos dos trabalhadores e recuperar a economia.

A crise politica é decorrente da total ausência de confiança do povo em relação aos políticos, como explicar isso um ano pós-eleição que elegeu o parlamento e esse governo? A resposta é simples, o sistema politico brasileiro foi corrompido, cuja consequência foi à contaminação das eleições com a proliferação da compra de votos e uso desproporcional do poder econômico pela maioria dos parlamentares e governos eleitos.  

As manifestações de ontem (13 de março) ficaram marcadas pela rejeição tanto aos partidos políticos como aos políticos ligados ao PT e do PSDB com o fora Dilma e o tratamento dado ao governador de São Paulo e o Senador Aécio Neves que foram hostilizados na Av Paulista.

Portanto, a questão não se resume em querer fazer um perfil das pessoas que participaram das manifestações, mas sim, de encontrar uma solução a luz do processo democrático, capaz de compor uma pauta positiva para o Brasil, que contemple avanços sociais para os trabalhadores que produzem a riqueza do país, invertendo a logica que o governo adotou até agora de retirar direitos, por mais direitos e compor um cronograma de revitalização da economia, começando por uma moratória temporária do pagamento da divida publica, usando as contenções decorrentes do superávit primário para investimentos em moradia e recuperação da indústria.

É um erro afirmar que as manifestações são apenas dos que votaram contra Dilma, ou é de predominância de pessoas ricas ou de classe média, ou ainda de mais brancos que negras, ou então de mais bonitos que feios, querer caracterizar isso, é no mínimo não atentar para a necessidade e responsabilidade com o momento delicado que o país está sendo envolvido.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Condução coercitiva de Lula e a expulsão de Ribeirinhos e Índios em Belo Monte feito por Lula e Dilma

Pior que condução coercitiva é a expulsão de Índios e Ribeirinhos em Belo Monte feito por Lula e Dilma em Belo Monte no Rio Xingu-Pará!

Quarta-feira, 9 de março de 2016
Por Elson de Melo

Durante toda minha vida de militante das lutas sociais, já presenciei e muitas formas de autoritarismo do Estado. Condução coercitiva é o menor dos males que esse Estado autoritário pode e faz contra as pessoas.

Quem acompanha a expulsão de índios, Ribeirinhos feitos pelo governo Lula e Dilma no Rio Xingu (PA) e no Madeira (RO) sabe o que é ser humilhado por oficias de justiça, com um mandado judicial na mão e com força policial truculenta a mando de um governo que hoje reclama respeito ao direito individual do ex-presidente Lula.

É claro que uma coisa não justifica a outra, mas se comparamos quantas vezes o ex-presidente Lula e a presidente Dilma se valeu e se valem dos rigores da Lei para expulsar índios e ribeirinhos dos seus territórios para entregar as empreiteiras que hoje estão sendo investigadas pela Lava Jato onde estão matando rios, peixes e outras vidas animal e vegetal, para erguer hidrelétricas.

Da mesma forma a Ministra da Agricultura Kátia Abreu vem praticando uma verdadeira perseguição aos índios e pequenos agricultores para tomar suas terras e entregar ao agronegócio que responde apenas por 5% do PIB-Produto Interno Bruto brasileiro.

Vivemos sobre a tutela de um Estado autoritário e de um governo que se vale dos rigores da Lei quando lhe é conveniente, para humilhar pessoas simples que não tem a sua disposição parlamentares, sindicatos e partidos políticos para defendê-los!


Somos por direitos iguais para todos.

sábado, 5 de março de 2016

Lula ou Dilma – quem o PT vai tentar salvar?

Para quem acompanhou atentamente esses três episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo ex-presidente Lula

Sábado 05/03/2016
Por: Elson de Melo

Os três últimos acontecimentos; prisão do marqueteiro João Santana, a delação premiada do Senador Delcidio do Amaral (PT) ex-líder do governo no Senado e a condução coercitiva do ex-presidente Lula, determinou ao PT uma dramática decisão que ele vai ter que tomar – tentar salvar, Lula ou Dilma! Para quem acompanhou atentamente esses três episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo ex-presidente Lula.

A Presidente Dilma já vinha sendo preterida pelo PT desde o inicio do ano, confirmado com a não inclusão da Presidente no programa do partido levado ao ar no dia 23 de fevereiro no rádio e televisão, depois a Presidente foi aconselhada a não participar da festa de aniversário do PT no Rio de Janeiro, onde ela teve que arrumar uma visita de ultima hora ao Chile e por ultimo no episódio da delação premiada do Senador Delcidio do Amaral o PT limitou-se a emitir uma nota burocrática em relação as acusações contra a Presidente.

Acompanhando o rompimento dessa barragem de rejeitos (comparação a barragem da Samarco em Mariana-MG) do governo petista ocorrido nos últimos dias (prisão de João Santana, denuncias de Delcidio e depoimento do Lula na PF),  o IBGE divulgou o PIB – Produto Interno Bruto de 3.8% negativo, apontando quedas nos setores industriais, comércio e serviços, o pior resultado da economia nos últimos 25 anos. Emaranhado nessa teia de denuncias, o Ministro da Fazenda Nelson Barbosa, ligado ao ex-presidente Lula simplesmente sumiu e a Presidente Dilma sequer deu alguma explicação referente a mais um fracasso do seu governo, da mesma forma, o PT também não comentou os números negativos da economia, uma clara evidencia que o partido cada vez mais se distancia de Dilma.  

A 24º etapa da operação Lava Jato, ficou marcada pela condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor no inquérito do Ministério Publico Federal sobre uma seria de indícios de o mesmo se beneficiário de mimos, vantagens e pagamentos feito por empresas investigadas pelo MPF por pratica de propinas (corrupção) em contratos da Petrobras.

Lula reagiu de forma incisiva afirmando que ficou “intimamente magoado” com a forma que o Justiça agiu, porém, não esclareceu nada sobre as acusações que levaram o MPF a fazer busca e apreensão na sua residência e de outros, no Instituto Lula e no sitio em Atibaia e no Apartamento em Guarujá.

Lula usou o episódio para lançar a sua candidatura a Presidente em 2018 e mobilizar o PT para defender a sua “inocência”. O PT e PCdoB usaram toda a estrutura dos dois partidos e dos seus governos estaduais, municipais e Federal para mobilizar os filiados desses partidos, no entanto, não foi suficiente para uma demonstração de força capaz de fazer frente as insatisfações da imensa maioria da população brasileira.

A reação do PT na defesa de Lula e Dilma é proporcionalmente desproporcional, isso mostra que a opção do partido é por Lula, já a Presidente Dilma ficará entregue a sua própria sorte.

Em relação a sucessão presidencial, é importante entender que embora Lula e o PT tentem mostrar uma reação forte, não será de forma alguma, como as de 1989 e 2002. Em 1989 Lula e o PT emplacaram uma reação popular que superou Brizola na segunda colocação e quase elegia Lula Presidente. Já em 2002, Lula e o PT se rendem ao capital com a famosa “Carta ao povo brasileiros” e consegue eleger Lula Presidente.

Lula em seu pronunciamento na sede nacional do PT após prestar depoimento a Policia Federal e ao MPF no aeroporto de Congonhas-SP, afirmou que vai “recomeçar”. Uma afirmação um tanto quanto intempestiva. Lula não representa mais a esperança de um país melhor, ético, prospero e livre da corrupção. Da mesma forma o PT não tem mais nenhum sinal do partido de 1989 e 2000 época em que a sua militância não dependia de cargos comissionados em governos estaduais, municipais e Federal.

O pronunciamento de Lula foi muito confuso em seu conteúdo, condenou as elites, mas defendeu as empresas investigadas pelo MPF. Lula mesmo acenando em ‘recomeçar’, dá uma demonstração clara que está muito ligado ao capital e os mimos que ele proporciona, portanto, esse recomeço não será para um novo projeto, mas sim para salvar o que ainda resta da história do próprio Lula.

A esquerda socialista no período do lulopetismo, ainda não conseguiu reagir positivamente na construção de um projeto de poder popular, vem se limitando criticar pontualmente as distorções do governo petista, sem se aprofundar na construção de uma alternativa concreta ao velho PT.

O momento é muito delicado do ponto de vista imediato, mas importante para nós da esquerda socialista, é tempo de dar mais ênfase na construção do projeto de poder popular, isso implica em manter-se firme na defesa da democracia e estrategicamente contra o impeachment de Dilma.

O 'recomeço' de Lula não pode ser confundido pela esquerda socialista como a solução dos problemas sociais do país, o caráter caudilhista em que Lula se transformou, mostra claramente que esse 'recomeço' que ele pretende, tem um único objetivo – manter o Estado autoritário a serviço do capital, remediando os problemas com medidas paliativas que só aprofundam a exploração dos trabalhadores..

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

PSOL Amazonas 2016: Candidatura própria para unir a esquerda e os descontentes

Por: Elson de Melo* - O Amazonas há 33 anos é governado pelo mesmo grupo politico. Quando Gilberto Mestrinho tomou posse em 1983 no governo do Amazonas, ele disse a celebre frase: “meu grupo vai governar o Amazonas por 20 anos”.

Passado 33 anos, o grupo da ‘maldição da rodela’ continua governando o Estado do Amazonas. A receita para eles se manterem por tanto tempo no poder é a mesma; corrupção, intimidação, cooptação e polarização, alia-se a isso a ausência de uma oposição consequente e determinada a romper com as amarras que esse grupo envolveu o nosso povo.

O único movimento de oposição que ameaçou esse grupo foi o “Muda Amazonas”, mas sucumbiu com a cooptação do seu principal líder Artur Neto que ao chegar a Prefeitura em 1988, pulou para o colo do velho caudilho Gilberto Mestrinho e, desde então, permanece fiel ao grupo da ‘rodela’.

O PT que em 1982 concorreu pela primeira vez ao governo com o professor Osvaldo Coelho, que em 1985 obteve mais de 11% de votos para prefeito com o professor Aloysio Nogueira, teve um excelente desempenho com a candidatura do médico Marcos Barros a governo em 1986, em 1988 lançou o advogado José Barroncas a prefeito, só conseguiu laçar mais uma candidatura própria ao governo com o então Vereador Aloysio Nogueira concorrendo ao cargo. Depois, e até hoje, o PT passou a ser um puxadinho do grupo da ‘rodela’.

Hoje estamos assistindo mais um episódio da polarização desse grupo com ele mesmo comandado por Eduardo Braga e José Melo, nessa versão, é possível constatar o quanto são envolventes e dissimulados. Simulam uma polarização com apelo midiático tão forte e envolvente que, até setores da esquerda socialista se sentem na obrigação de serem solidários com uma parte desse grupo (veja o episódio das notas na ALEAM) que, descaradamente os grupos esquerdistas, se escondem atrás de uma suposta onda de solidariedade e, sem nenhuma ressalva, declararam sua preferencia por um dos membros do grupo da ‘rodela’.

O PSOL que há 10 anos está presente no Amazonas estreou na disputa eleitoral, apoiando o camarada Herberte Amazonas (PSTU) para governo, depois lançou o professor Ricardo Bessa a Prefeito de Manaus e em seguida apresentou Carlos Sena ao governo EM 2010, em 2012 resolveu servir de puxadinho do PSB apoiando Serafim Correia a prefeito de Manaus.  Por oito anos o PSOL no Amazonas amargou as piores votações, um fiasco!

A saída é pela esquerda

Não vemos saída com os partidos ou pessoas remanescentes do grupo da ‘maldição da rodela’! Foi por pensar assim e preocupados com o fraco desempenho do PSOL nas eleições anteriores e, visando construir uma alternativa capaz de se contrapor objetivamente ao grupo da ‘rodela’, que nós militantes do PSOL Amazonas (Unidade Socialista - US), rompemos todos os entraves burocráticos e boicotes internos, e, lançaram a candidatura do ex-deputado Abel Alves ao governo do Amazonas em 2014, enfrentamos uma luta desigual em todos os aspectos, primeiro o forte boicote de parte das tendências interna do partido, depois a forte polarização entre os dois candidatos do grupo da ‘rodela’ [Eduardo e Melo], essas duas candidaturas eram poderosas economicamente, que conseguiram agregar outras candidaturas a governo, para servir de apoio ao seu projeto. Abel Alves e o PSOL/AM mesmo com as limitações permaneceram firmes e conseguimos tirar o partido do rol de partidos nanicos. Com a candidatura do Abel, conseguimos quadruplicar a votação do PSOL para governador do Amazonas, melhoramos todas as outras votações que nas eleições anteriores eram deploráveis.

Aproximam-se as eleições de 2016 para prefeitos e vereadores. Dentro dos interesses eleitorais de pessoas e partidos remanescentes do grupo da ‘rodela’ não faltarão propostas imediatistas tentando fazer acreditar que suas ideias são contrarias aos de Eduardo Braga, José Melo, Omar Aziz, Artur Neto, Amazonino Mendes e Alfredo Nascimento (todos do grupo da 'rodela'). Na politica, isso é muito natural, como é natural também, avaliarmos com toda pericia os propósitos desses pretensos opositores, no entanto, acho importante que, o PSOL pelo seu potencial, deva apenas se concentrar em oferecer aos amazonenses da capital e do interior, um projeto estratégico se superação desse grupo da ‘rodela’.

Dentro desse proposito, mais uma vez, os militantes da Unidade Socialista, vão se empenhar na construção de candidaturas próprias em Manaus e nos municípios do interior. As narrativas históricas, dão conta que, a maioria dos pretensos candidatos a prefeitura de Manaus, são remanescentes do grupo da ‘rodela’, da mesma forma, a maioria apoia o prefeito Artur, o governador caçado Melo ou o Ministro Braga e o ex-prefeito Alfredo Nascimento, portanto, todos estão comprometidos com mesmo sistema que há 33 anos comanda a politica no Amazonas. Apoiar um deles é continuar levando o nosso povo ao sofrimento.

A Candidatura do PSOL a ser construída, precisa e deve atender a um projeto de união da esquerda socialista no Amazonas, precisa ser capaz de unir os descontentes com esse modelo podre cultivado pelo grupo da ‘rodela’. Assim, os militantes da Unidade Socialista-por um PSOL popular, não medirão esforços para dar continuidade ao projeto iniciado em 2014, qual seja, construir o projeto de poder popular e libertar o Amazonas das garras dessa oligarquia corrupta (grupo maldição da rodela) que governa o Amazonas há 33 anos.

Viva o PSOL popular!
Viva a esquerda socialista!

*Elson de Melo é militante do PSOL Amazonas 


Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...