Para quem acompanhou atentamente esses três episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo ex-presidente Lula
Sábado 05/03/2016
Por: Elson de Melo
Os três últimos acontecimentos;
prisão do marqueteiro João Santana, a delação premiada do Senador Delcidio do
Amaral (PT) ex-líder do governo no Senado e a condução coercitiva do
ex-presidente Lula, determinou ao PT uma dramática decisão que ele vai ter que
tomar – tentar salvar, Lula ou Dilma! Para quem acompanhou atentamente esses três
episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo
ex-presidente Lula.
A Presidente Dilma já vinha sendo
preterida pelo PT desde o inicio do ano, confirmado com a não inclusão da
Presidente no programa do partido levado ao ar no dia 23 de fevereiro no rádio
e televisão, depois a Presidente foi aconselhada a não participar da festa de
aniversário do PT no Rio de Janeiro, onde ela teve que arrumar uma visita de
ultima hora ao Chile e por ultimo no episódio da delação premiada do Senador
Delcidio do Amaral o PT limitou-se a emitir uma nota burocrática em relação as
acusações contra a Presidente.
Acompanhando o rompimento dessa
barragem de rejeitos (comparação a barragem da Samarco em Mariana-MG) do governo petista ocorrido nos últimos dias (prisão de João Santana, denuncias de Delcidio e depoimento do Lula na PF), o IBGE divulgou o PIB – Produto Interno Bruto de 3.8% negativo, apontando quedas nos
setores industriais, comércio e serviços, o pior resultado da economia nos últimos
25 anos. Emaranhado nessa teia de denuncias, o Ministro da Fazenda Nelson
Barbosa, ligado ao ex-presidente Lula simplesmente sumiu e a Presidente Dilma
sequer deu alguma explicação referente a mais um fracasso do seu governo, da
mesma forma, o PT também não comentou os números negativos da economia, uma
clara evidencia que o partido cada vez mais se distancia de Dilma.
A 24º etapa da operação Lava
Jato, ficou marcada pela condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor
no inquérito do Ministério Publico Federal sobre uma seria de indícios de o
mesmo se beneficiário de mimos, vantagens e pagamentos feito por empresas
investigadas pelo MPF por pratica de propinas (corrupção) em contratos da
Petrobras.
Lula reagiu de forma incisiva
afirmando que ficou “intimamente magoado” com a forma que o Justiça agiu,
porém, não esclareceu nada sobre as acusações que levaram o MPF a fazer busca e
apreensão na sua residência e de outros, no Instituto Lula e no sitio
em Atibaia e no Apartamento em Guarujá.
Lula usou o episódio para lançar
a sua candidatura a Presidente em 2018 e mobilizar o PT para defender a sua “inocência”.
O PT e PCdoB usaram toda a estrutura dos dois partidos e dos seus governos estaduais, municipais e Federal para mobilizar os filiados desses partidos, no entanto, não foi suficiente para uma demonstração
de força capaz de fazer frente as insatisfações da imensa maioria da população
brasileira.
A reação do PT na defesa de Lula
e Dilma é proporcionalmente desproporcional, isso mostra que a opção do partido
é por Lula, já a Presidente Dilma ficará entregue a sua própria sorte.
Em relação a sucessão
presidencial, é importante entender que embora Lula e o PT tentem mostrar uma
reação forte, não será de forma alguma, como as de 1989 e 2002. Em 1989 Lula e
o PT emplacaram uma reação popular que superou Brizola na segunda colocação e
quase elegia Lula Presidente. Já em 2002, Lula e o PT se rendem ao capital com
a famosa “Carta ao povo brasileiros” e consegue eleger Lula Presidente.
Lula em seu pronunciamento na
sede nacional do PT após prestar depoimento a Policia Federal e ao MPF no
aeroporto de Congonhas-SP, afirmou que vai “recomeçar”. Uma afirmação um
tanto quanto intempestiva. Lula não representa mais a esperança de um país melhor,
ético, prospero e livre da corrupção. Da mesma forma o PT não tem mais nenhum
sinal do partido de 1989 e 2000 época em que a sua militância não dependia de cargos comissionados em governos estaduais, municipais e Federal.
O pronunciamento de Lula foi
muito confuso em seu conteúdo, condenou as elites, mas defendeu as empresas investigadas pelo
MPF. Lula mesmo acenando em ‘recomeçar’, dá uma demonstração clara que está
muito ligado ao capital e os mimos que ele proporciona, portanto, esse recomeço
não será para um novo projeto, mas sim para salvar o que ainda resta da história
do próprio Lula.
A esquerda socialista no período do
lulopetismo, ainda não conseguiu reagir positivamente na construção de um
projeto de poder popular, vem se limitando criticar pontualmente as distorções
do governo petista, sem se aprofundar na construção de uma alternativa concreta
ao velho PT.
O momento é muito delicado do
ponto de vista imediato, mas importante para nós da esquerda socialista, é tempo de dar
mais ênfase na construção do projeto de poder popular, isso implica em
manter-se firme na defesa da democracia e estrategicamente contra o impeachment
de Dilma.
O 'recomeço' de Lula não pode ser
confundido pela esquerda socialista como a solução dos problemas sociais do
país, o caráter caudilhista em que Lula se transformou, mostra claramente que
esse 'recomeço' que ele pretende, tem um único objetivo – manter o Estado autoritário a serviço do
capital, remediando os problemas com medidas paliativas que só aprofundam a exploração dos trabalhadores..

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