Karl Marx
Escrito em: abril de 1847
A grande indústria aglomera num mesmo local uma multidão de
pessoas que não se conhecem. A concorrência divide os seus interesses. Mas a
manutenção do salário, este interesse comum que têm contra o seu patrão, os
reúne num mesmo pensamento de resistência - coalizão. A coalizão, pois, tem
sempre um duplo objetivo: fazer cessar entre elas a concorrência, para poder
fazer uma concorrência geral ao capitalista. Se o primeiro objetivo da
resistência é apenas a manutenção do salário, à medida que os capitalistas, por
seu turno, se reúnem em um mesmo pensamento de repressão, as coalizões,
inicialmente isoladas, agrupam-se e, em face do capital sempre reunido, a
manutenção da associação torna-se para elas mais importante que a manutenção do
salário. [...] Nessa luta - verdadeira guerra civil -, reúnem-se e se
desenvolvem todos os elementos necessários a uma batalha futura. Uma vez
chegada a esse ponto, a associação adquire um caráter político.
As condições econômicas, inicialmente, transformaram a massa do
país em trabalhadores. A dominação do capital criou para essa massa uma
situação comum, interesses comuns. Essa massa, pois, é já, em face do capital,
uma classe, mas ainda não o é para si mesma. Na luta, [...], essa massa se
reúne, se constitui em classe para si mesma. Os interesses que defende se
tornam interesses de classe. Mas a luta entre classes é uma luta política.
[...]Uma classe oprimida é a condição vital de toda sociedade
fundada no antagonismo entre classes. A libertação da classe oprimida implica,
pois, necessariamente, a criação de uma sociedade nova. Pra que a classe oprimida
possa libertar-se, é preciso que os poderes produtivos já adquiridos e as
relações sociais existentes não possam mais existir uns ao lado de outras. De
todos os instrumentos de produção, o maior poder produtivo é a classe
revolucionária mesma. A organização dos elementos revolucionários como classe
supõe a existência de todas as forças produtivas que poderiam se engendrar no
seio da sociedade antiga.
Isso significa que, após a ruína da velha sociedade, haverá uma
nova dominação de classe, resumindo-se em um novo poder político? Não. A
condição da libertação da classe laboriosa é a abolição de toda classe, assim
como a condição da libertação do terceiro estado, da ordem burguesa, foi a
abolição de todos os estados [aqui, estado significa as ordens da sociedade
feudal] e de todas as ordens.
A classe laboriosa substituirá, no curso do seu desenvolvimento, a
antiga sociedade civil por uma associação que excluirá as classes e seu
antagonismo, e não haverá mais poder político propriamente dito, já que o poder
político é o resumo oficial do antagonismo na sociedade civil.
Entretanto, o antagonismo entre o proletariado e a burguesia é uma
luta de uma classe contra outra, luta que, levada à sua expressão mais alta, é
uma revolução total. [...] Não se diga que o movimento social exclui o
movimento político. Não há, jamais, movimento político que não seja, ao mesmo
tempo, social.
Somente numa ordem de coisas em que não existam mais classes e
antagonismos entre classes as evoluções sociais deixarão de ser revoluções
políticas. Até lá, às vésperas de cada reorganização geral da sociedade, a
última palavra da ciência social será sempre: "O combate ou a morte: a
luta sanguinária ou nada. É assim que a questão está irresistivelmente
posta".

Marx foi um judeu processado por antissemitismo pois disse, na Questão Judaíca, que o capital financeiro e o juros usurário era problema do capitalismo e não dos judeus, embora os judeus capitalistas sejam os controladores deste mecanismo de opressão. Disse ainda que com o fim do capitalismo haveria o fim deste mecanismo de opressão nas mãos destas ricas etnias judaícas e o reencontro deste povo com suas origens de oprimidos e não de opressores.
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