POR ELSON DE MELO
MANAUS,
26/01/2019
Camaradas do PSOL, a renúncia
do camarada Jean Wyllys-PSOL/RJ ao novo mandato de Deputado Federal e o seu
exílio no exterior, além de revelar a onda de homofobia e violência contra a
população LGBT no Brasil, também mostrou que no âmbito do PSOL Amazonas, existem
alguns filiados que estão alinhados com a politica de violência contra a
população LGBT imposta pela campanha do governo Bolsonaro.
O PSOL é um dos poucos partidos
políticos do Brasil que dedicam nas suas resoluções e no seu programa, a
definição da politica de combate a homofobia, ao preconceito de raça, religião,
condição social e gênero, no entanto, ainda não foi capaz de popularizar no âmbito
das suas instância partidária, uma teoria sobre esses princípios, promover um exercício
que eduque a militância para o respeito a diversidade e a defesa dessa
política.
No Amazonas, a direção estadual
do partido desde as eleições de 2018 até a presente data, não se reuni para
definir uma politica de atuação no Estado. Essa inercia dessa importante
instância do partido, deixa toda a militância sem orientação de como organizar
a luta politica que a conjuntura está nos impondo e prevenir que militantes se
comportem de forma preconceituosa e homofóbica como as ocorridas no episódio da
renuncia do camarada Jean Wyllys.
Na manhã de sexta-feira
(25/01/2019) o ex-candidato a senador na eleição de 2018 e então membro da
executiva estadual do PSOL/AM Rondinely Fonseca, em seu perfil pessoal no
Facebook declarou o seguinte: “Devido ao fechamento de inúmeras padarias no Brasil,
e pelo fato de não terem mais sonhos e rosquinhas queimadas, Jean Willys
deixará o país em Paz. Interprete o texto. Por favor. Se tiver maldade,
não está neste texto.”, isso nos leva a fazer uma profunda reflexão sobre o projeto
político do partido em todas as suas infâncias e um estudo das resoluções do
partido que privilegia a luta pelos direitos da classe trabalhadora, a defesa
das demarcações das terras indígenas e seus direitos, a luta pela terra para quem
dela precisa para trabalhar - os Sem-Terra -, o direito a habitação para os
Sem-Teto, a luta pelos direitos das mulheres e contra a violência as mulheres e
a população LGBTs, dentre tantas outras políticas de inclusão social que o PSOL
defende como políticas públicas a serem impulsionadas pelo estado e de modo
particular a defesa de um estado laico, onde todas as pessoas sejam livres para
expressarem a sua fé através da religião que melhor lhes representa, sem
preconceito ou medo.
A questão LGBTs dentro do PSOL
tem um capítulo especial nas suas resoluções, isso é fato e toda a nossa
militância deve estar ciente desse compromisso do partido. O PSOL é para todos, no entanto, não é um partido qualquer! Devemos acolher todos que busquem o PSOL, no entanto, é dever das Direções municipais, estaduais, nacional e núcleos de base de, esclarecer a politica de atuação do partido e dentre as quais, a defesa intransigente da população LGBTs.
É natural que o PSOL venha
receber muitos filiados nos próximos períodos, muitos apenas com objetivo
eleitoral e todos devem serem bem-vindos, porém, é importante esclarecer que em
casos de expressões homofóbicas, discriminatórias e preconceituosas contra
negros, índios, gênero, condição social e principalmente contra a população
LGBT, saibam que estaremos sempre atentos para num primeiro momento, ajudar
cada camarada a entender que a sociedade é plural e que o respeito as
diferenças, é o melhor caminho para vivermos felizes.
É dever das instâncias do
partido, esclarecer aos filiados toda a teoria do PSOL que está contida nos seus
documentos internos, Manifesto, Programa e Estatuto, nas Resoluções dos
Congressos municipais, estaduais e nacional, nas cartilhas, revistas e livros produzidos
pela Fundação Lauro Campos, nos materiais pedagógicos divulgados pelas
setoriais e outras instâncias do partido. É esse conjunto de publicações que
fazem parte da literatura interna do PSOL que toda militância precisa fazer uma
leitura para entender o plano de lutas do PSOL e a sua forma de atuação na
sociedade.
Toda solidariedade ao camarada Jean Wyllys.






