ELSON DE MELO
MANAUS, 06 DE NOVEMBRO DE 2018
Pela primeira vez uma
candidatura a presidente da Republica do PSOL conseguiu articular uma aliança
com setores onde o partido nunca conseguiu chegar - os movimentos sociais da periferia,
a mídia alternativa, os indígenas e parte significativa dos movimentos
culturais. Essa mobilização de forças vivas da sociedade foi determinante para
que o PSOL conseguisse superar a Cláusula de Barreira e dobrar a sua bancada
federal na Câmara dos Deputados. Boulos e Sônia foram a voz da periferia que
ecoou pelo Brasil e no mundo apresentando ao povo brasileiro um novo projeto de
nação onde o operário, a mulher, os índios, a negritude, a comunidade LGBT, os
Sem-teto, os Sem-terra são os verdadeiros protagonistas da grande mudança que
haveremos de fazer.
No próximo dia 8 de novembro,
a Direção Nacional do PSOL vai reunir e fazer uma avaliação criteriosa sobre o
resultado eleitoral, a conjuntura nacional e principalmente definir a estratégia
do partido para os próximos períodos.
Na questão eleitoral, não
podemos considerar apenas o resultado da votação nominal na nossa candidatura
Boulos & Sônia, mas sim, o conjunto da obra. Não é novidade para ninguém
que enfrentamos uma das eleições mais polarizada ainda no primeiro turno, onde
a direita e o centro se uniram para realmente derrotar a esquerda ainda na
primeira etapa da eleição, para isso, a onda do voto útil impediu que uma
candidatura alternativa no campo da esquerda (Boulos &Sônia) conseguisse
avançar eleitoralmente, pessoalmente assisti camaradas do próprio PSOL na véspera
da eleição em duvida se votaria em Boulos, Haddad ou Ciro, não foram poucos que
tiveram esse comportamento, felizmente a candidatura Boulos & Sônia
realmente conseguiu dialogar para ‘fora
da bolha’ e conquistar a fidelidade dos movimentos sociais da periferia que
foram determinante para assegurar os mais de 600 mil votos na chapa majoritária
e a conquista da superação da cláusula de barreira.
No Amazonas a campanha Boulos
& Sônia na pratica não existiu, a direção estadual do partido não
encaminhou nenhuma ação coordenada que possibilitasse alcançar um melhor
resultado, os 11090 votos foram resultado da campanha nacional sem nenhuma
influencia de mobilização local uma vez que não existiu. A eleição do PSOL no
Amazonas que a direção estadual encaminhou, limitou-se apenas na de governador,
não existe registro de pelo menos a menção do nome do Boulos e Sônia pelos
candidatos sejam eles majoritários ou proporcionais nos seus materiais de
campanha. Não sei o motivo, mas o fato é que a direção estadual não encaminhou
a campanha Boulos & Sônia no Amazonas.
Se considerarmos que a
candidatura Boulos & Sônia mesmo sem nenhuma campanha organizada pla direção
estadual conseguiu 11090 (onze mil e noventa) votos no Amazonas e a candidatura
a governado da camarada Berg conseguiu
apenas 5433 (cinco mil quatrocentos e trinta e três) votos, foi um equivoco da
direção estadual não organizar e dar a devida atenção a candidatura a
presidente da Republica do partido, se houvesse um mínimo de vontade politica
ou mesmo de discernimento sobre a importância do projeto nacional do PSOL,
certamente, tanto a votação do Boulos como do camarada Berg seriam bem melhor
no Amazonas, infelizmente a ausência de visão dos dirigentes local, nos levou a
um resultado muito tímido diante da grandeza do projeto do PSOL.
Faço esse recorte sobre o
resultado eleitoral no Amazonas, para chamar atenção dos nossos dirigentes,
tanto local como nacional, da importância que devemos dar ao projeto nacional
do partido. O PSOL é um partido que pela sua coerência politica, desperta
muitos interesses particulares de pessoas, de grupos e até mesmo dos nossos adversários.
Portanto, é preciso que a direção nacional atente para a qualificação politica
das nossas direções estaduais e municipais, não podemos cair no senso comum da
politica, precisamos afirmar e reafirma que o PSOL não é um partido qualquer.
Sobre a coligação com o PCB. No
Amazonas a direção estadual do PSOL resolveu por não fazer essa aliança a nível
local, fato que eu particularmente acho lamentável, é fato que o PCB no
Amazonas está passando por uma reformulação na sua direção, porém era muito
importante que o partido fosse pelo menos convidado a participar da aliança,
porém, os dirigentes locais vetaram peremptoriamente essa aliança. Achei isso
um absurdo!
Os fatos ocorridos no
Amazonas, ilustram o grau de dificuldade que a direção nacional teve que
administrar desde a concepção da candidatura Boulos & Sônia até este
momento de avaliação que certamente vai definir muitos encaminhamentos visando
o fortalecimento do partido e a organização da resistência aos ataques que o
novo governo e a direita já estão fazendo ao PSOL e os Movimento Sociais.
Já observei diversas
avaliações sobre o resultado eleitoral do partido, os saudosistas da politica
voltada para dentro da bolha, chegam afirmar que o resultado de 2014 foi mais
relevante que os de 2018, isso é simplesmente uma leitura de quem não é capaz
de avaliar com responsabilidade a conjuntura, de quem por diversas vezes
flertou com a movimentação da direita, que deu asas a pedagogia politica da
direita principalmente nas mobilizações pós-junho de 2013, movimento que até
hoje eles usam como referencia para todas as suas analises.
Os partidos da esquerda
socialista estão hoje na mira do autoritarismo, não foi uma simples ameaça as
palavras do então candidato Bolsonaro e reafirmado depois de eleito que a sua
preocupação principal é criminalizar o PSOL e os movimentos sociais MST e MTST,
o fundamentalismo religioso tende a se acentuar, os direitos sociais sofrerão
um grande retrocesso, a classe trabalhadora vai sofrer mais restrições nos seus
direitos e a democracia está realmente na UTI.
Não é hora para brincarmos de analises
inconsequentes, não temos tempo para o amadorismo, é preciso reconhecer que
estamos entrando num ciclo de restrições do estado de direitos, onde não
podemos negligenciar com a segurança da nossa militância, onde realmente ninguém
pode soltar da mão do outro.
Chegou a hora em que os mais
experientes contribuam com a nossa militância jovem para municia-las com
informações sobre o que significa um regime de exceção, de como se comportar
para não colocar todo o movimento em perigo, parece até um exagero da minha
parte, mas é preciso se preparar para o pior. As maiorias das nossas direções
estaduais e municipais ainda vejam o PSOL como mais uns partidos da ordem não
entendem a complexidade de um partido da esquerda socialista que está exposto
aos ataques da direita sanguinária.
Espero que o PSOL consiga dar continuidade ao
projeto de reorganização da esquerda, onde o camarada Boulos e a camarada Sônia
são as figuras publicas do partido que devem percorrer o Brasil juntos com a
direção nacional debatendo o nosso projeto e consequentemente organizando o
PSOL para os atuais e futuros desafios políticos.
Parabéns camaradas Guherme Boulos
e Sônia Gujajara pelo excelente cumprimento da tarefa de apresentar o projeto
de reorganização da esquerda na eleição de 2018, nossa tarefa não termina com
as eleições, a luta está apenas no começo e é nossa responsabilidade fortalece-la
até conquistarmos novas vitorias.
A luta Continua!
Elson de Melo, é militante do
PSOL

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