ELSON DE MELO*
SÁBADO, 08 DE
SETEMBRO DE 2018
Coma a abertura democrática no final da
década de 70 do século passado, o Movimento Sindical era controlado majoritariamente
por dirigentes sindicais fieis ao regime militar. Os sindicatos eram
controlados pelo governo através do Ministério do Trabalho que por qualquer
motivo, intervia nas direções dos mesmos. Surge então um Movimento de Oposição
Sindical construído dentro do local de trabalho, sua organização era
clandestina, suas reuniões eram geralmente nos locais de moradias, nos salões paroquiais
das igrejas progressistas, quase não havia publicação direta, quem cumpria essa
função de comunicação eram estudantes, religiosos e intelectuais comprometidos
com a causa da classe trabalhadora.
Hoje com a Reforma Trabalhista e, com a não
obrigatoriedade da Contribuição Sindical, os patrões estão tripudiando as
direções sindicais na hora das negociações das Convenções ou Acordos Coletivos.
É uma forma de compelir os dirigentes sindicais a abrirem mão de direitos em
troca de algum auxilio financeiro aos sindicatos. Por outro lado, a maioria da
classe trabalhadora não vê nas direções sindicais uma representatividade capaz
de liderar um movimento mais contundente para garantir alguma conquista nessas
negociações. O Estado através do Ministério Público do Trabalho – MPT cumpre o
papel de feitor dos patrões para enfraquecer ainda mais o Movimento Sindical.
A maioria das direções dos sindicatos ainda
aguardam o resultado da eleição presidencial com a esperança de ver a
Contribuição Sindical voltar a ser obrigatória. Acontece que o prejuízo da
classe trabalhadora com a nova legislação, ganha proporções incalculáveis não
só no aspecto econômico, mas também no direito e saúde dos trabalhadores e
trabalhadoras.
A falta de atitude mais contundente contra
essa legislação abusiva por parte das direções dos sindicatos que, não oferecem
a classe trabalhadora um plano de enfrentamento ao avanço da superexploração do
trabalho pelos empregadores, abre caminho para um novo Movimento de Oposição
Sindical, cuja organização dever se dar dentro dos locais de trabalho para
retomar as direções dos sindicatos que estão vacilando ou aceitando inertes essa
legislação que oprime a classe trabalhadora.
No final da década de 70 e inicio da de oitenta,
as primeiras conquistas dessa forma de organização no local de trabalho, foram
as Comissões de Fábricas. A reforma trabalhista instituiu que as empresas com
mais de duzentos funcionários, podem organizar uma Comissão para negociar direitos
e condições de trabalho. É esse espaço que o Movimento de Oposição Sindical
precisa ocupar com a máxima urgência.
Assim, é importante que todo trabalhador interessado
em retomar a luta histórica da classe trabalhadora, reúna seus amigos e comecem
a definir estratégias para promover a organização no local de trabalho e
disputar com as direções pelegas o controle da direção dos seus sindicatos.
Por um Movimento de Oposição
Sindical de Luta.
Ousar lutar sempre!
*Elson de Melo, é
sindicalista e militante do PSOL

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