quinta-feira, 9 de maio de 2013

A felicidade de Epicuro as geração de hoje


A felicidade tem sido tema recorrente de governantes e muitos membros das academias mundo adentro, para nós reles mortais a felicidade se resume em raros momentos de prazer as vezes incompreendidos.

É claro que os senhores do pensamento moderno, tentam dar a felicidade um significado de poder e racionalidade, para isso, eles relacionam a capacidade de consumo que o individuo tem para ostentar sua felicidade através da forma de se produzir (vestir, calçar, adornar-se), o ter passa a ser prazer que leva a pessoa ao gozo.

Assim o capital induz o individuo a uma felicidade cujo prazer é a competitividade e isso é possível observar quando a pessoa exibe o carro do ano, a roupa de marca famosa, o ambiente sofisticado que frequenta o celular de ultima geração... Todos esses comportamentos apontam para uma sociedade dividida em classe, as dos felizes e a dos infelizes, a classe dos que tudo tem e dos que nada tem!

Na verdade, essa nova teoria da felicidade, propagandeada pelos teóricos do capital, serve tão somente para forjar argumentos pomposos que os políticos contemporâneos, se valem para ludibriar o sentimento da classe que nada tem, o proletariado.

Para compreender melhor o que é mesmo a felicidade, vamos conhecer um pouco o pensamento do filosofo grego Epicuro:

Epicuro (341 - 269 a.C.)

Epicuro de Samos foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e, numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. Epicuro nasceu na Ilha de Samos, em 341 a.C., mas ainda muito jovem partiu para Téos, na costa da Ásia Menor. Quando criança estudou com o platonista Pânfilo por quatro anos e era considerado um dos melhores alunos. Certa vez, ao ouvir a frase de Hesíodo, todas as coisas vieram do caos, ele perguntou: e o caos veio de que? Retornou para a terra natal em 323 a.C.. Sofria de cálculo renal, o que contribuiu para que tivesse uma vida marcada pela dor. Epicuro (341 - 269 a.C.)

Epicuro acreditava que a filosofia é o melhor caminho para se chegar à felicidade que para ele significava se libertar dos desejos. A filosofia é um instrumento para alcançar a felicidade, pois através dela o homem vai libertar-se do desejo que o incomoda. A filosofia com Epicuro passa a ter uma finalidade prática e não somente o objetivo de investigação dos fundamentos ltimos do mundo e do homem.

Ele divide a filosofia em três partes: a ética, a física e a canônica, sendo que as duas últimas estão intimamente ligadas.

Em sua ética Epicuro aponta a felicidade como sendo diretamente ligada ao prazer. O prazer é o início e o fim de uma vida feliz. O homem é inclinado a buscar o prazer e a fugir da dor e através do critério do prazer é que nós avaliamos todas as outras coisas. Existem para ele duas formas de prazer, o primeiro é o prazer estável que é a ausência da dor e da perturbação, o que ele chama de ataraxia e aponia, nessa forma de prazer o homem não sofre e mantêm-se em paz podendo atingir a felicidade. Na segunda forma de prazer, que é a da alegria e a do gozo, o homem pode tornar-se escravo do prazer e levar uma vida perturbada, o que não é condizente com a felicidade.

Segundo a filosofia de Epicuro é preferível a sabedoria feliz do que a insensatez feliz e a justiça é somente um acordo feito entre os homens para atingirem um fim comum que é  impedir de fazerem-se o mal reciprocamente.

Para suas ideias sobre teoria do conhecimento e sobre lógica Epicuro deu o nome de Canônica pois as duas servem como regra para expor um critério de verdade, um cânon, que é um princípio que vai direcionar o homem para a felicidade. O cânon é formado pelas sensações, pelas antecipações e pelas emoções.

O fluir dos átomos é o que produz as sensações nos homens. O fluir dos átomos é o que cria as imagens que são similares às coisas que os produzem. O fluxo dos átomos de uma árvore é o que cria em nós a imagem da árvore. Nós temos sensações dessas imagens e nossa percepção de mundo é produzida pela combinação de diversas imagens diferentes. Nossos conceitos são formulados pela repetição dessas sensações e pela recordação de sensações que vivemos no passado. As percepções do futuro também terão por base os conceitos que formulamos no presente. Essas sensações são o segundo e principal fundamento da verdade. O terceiro fundamento para Epicuro é a emoção que se constitui em nossa percepção do prazer e da dor.

Nossas opiniões podem ser equivocadas quando não são confirmadas pela demonstração das sensações. Um bom raciocínio é aquele que está em conformidade com os fenômenos percebidos.

Os estudos de física de Epicuro buscam rejeitar as coisas sobrenaturais como princípios de explicação do mundo. Para ele a física deve ser: 1° materialística, rejeitando como seu fundamento qualquer explicação sobrenatural e 2° mecanística, utilizando-se do movimento dos corpos como única explicação, rejeitando ainda qualquer explicação que busque uma finalidade para esses movimentos. Nada vem do nada, todo corpo é formado por corpúsculos menores e indivisíveis que são os átomos e os átomos se movimentam no vazio infinito. Nesse vazio os átomos colidem uns contra os outros podendo criar entre si as mais variadas combinações. O número dos átomos não é infinito, mas também não pode ser definido.

A alma é formada por partículas corpóreas que estão espalhadas por todo corpo. Essas partículas são mais tênues e delicadas e se movimentam de forma mais fácil que as outras pois são mais redondas. Com a morte os átomos da alma se separam e nós não podemos mais ter as sensações. A morte é o fim tanto do corpo quanto da alma e por essa razão nós não precisamos ter medo dos deuses.

Sentenças:
- As almas pequenas na sorte se desenvolvem, nas adversidades regridem.
- O homem sereno busca serenidade para si e para os outros.
- A morte não é nada para nós. Quando nos dissolvemos não temos mais sensibilidade e sem sensibilidade não nos resta nada.
- A vida do justo não é perturbada pelas inquietações, mas a vida do injusto é cheia delas.
- Toda amizade tem por base o proveito próprio.
- As pessoas terminam sua vida como se tivessem acabado de nascer.
- Não faça nada que teu vizinho não possa saber.
- Não devemos pedir aos deuses o que podemos realizar.
- O melhor da auto-suficiência é a liberdade.
- A morte não significa nada para nós pois quando nós somos ela não é e quando ela é, nós não somos.
- Nada é suficiente para quem considera o suficiente pouco.
- O prazer é o principal bem, ele é a ausência de dor no corpo e de inquietações na alma.

Fonte de pesquisa: 

 Wikipédia,



Elson de Melo

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Carta Ecossocialista do Amazonas A constatação do Caos e o Ímpeto da Mudança


"A organização do proletariado em classe e, portanto, em partido político, é incessantemente destruída pela concorrência que fazem entre si, os próprios operários. Mas renasce sempre, e cada vez mais forte, mais firme, mais poderosa".
(Karl Marx e Friedrich Engels – em Manifesto do Partido Comunista).

Essa afirmação de Karl Marx e Friedrich Engels, no Manifesto Comunista, serve para reafirmarmos o nosso compromisso com as transformações que precisamos e devemos buscar para satisfazer as necessidades do proletariado.

O Ecossocialismo nasce dessa necessidade de transformarmos uma sociedade que há tempos vem sendo adestrada para o consumismo, o cinismo, a competitividade, o preconceito, o individualismo, o oportunismo, o nepotismo a irracionalidade, o populismo, o despotismo, racismo ambiental...

A falta de uma consciência ambiental tem levado essa civilização a deformar o planeta, provocando um desequilíbrio na temperatura da terra, levando a natureza agir com fúrias incontroláveis que assistimos horrorizados nas constantes catástrofes que tem levado a óbitos milhões de pessoas em todo o mundo.

O PSOL/AMAZONAS, trás para o debate amazônico o Ecossocialismo como instrumento de transformação de valores, culturais e econômico, cujo objetivo é a construção de uma civilização nova, que seja capaz de conviver valorizando os principais aspectos desse majestoso ecossistema, entendendo sua complexidade, defendo sua permanência intacta e valorosa, assegurando as atuais e furas gerações um ambiente saudável e justo para com seus habitantes.

Da constatação do caos é que se busca a recuperação de valores, de novos marcos econômicos e civilizatórios e a reconstituição de uma sociedade voltada para a solidariedade e o respeito ao Meio Ambiente, pensando assim, o Partido Socialismo e Liberdade, divulga a “CARTA ECOSSOCIALISTA DO AMAZONAS A CONSTATAÇÃO DO CAOS E O ÍMPETO DA MUDANÇA”, fruto do 1º Encontro Ecossocialista do PSOL Amazonas realizado no dia 05 de abril de 2013 em Manaus(AM).

O Ecossocialismo é o renascer de uma Nova Civilização forte coletivamente, justa economicamente, responsável ambientalmente!

Recomendo a todos(as) uma boa leitura...

Elson de Melo
Secretário de Assuntos Amazônico
PSOL - AMAZONAS

CARTA ECOSSOCIALISTA DO AMAZONAS
A CONSTATAÇÃO DO CAOS E O ÍMPETO DA MUDANÇA

O PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE – PSOL, no estado do Amazonas, através da SECRETARIA DE ASSUNTOS AMAZÔNICOS, com o apoio dos CAMARADAS MILITANTES AMAZONENSES, em 5 de abril de 2013, no auditório  da Câmara Municipal de Manaus, instala a SETORIAL ECOSSOCIALISTA DO AMAZONAS, tornando pública a CARTA ECOSSOCIALISTA DO AMAZONAS, estruturada nos seguintes pilares:

I. RECONHECIMENTO da existência de uma grave CRISE MUNDIAL envolvendo aspectos múltiplos, de natureza ética, ecológica, política, econômica e social; que os aspectos propriamente éticos e morais ganham relevância e são determinantes básicos dessa CRISE; que, de fato, um conjunto de valores inspiram e conduzem, equivocada e negativamente, as ações do homem: a cobiça, o sentido do lucro, a usura, a liberdade irresponsável; que, na verdade, SÃO OS VALORES QUE HISTORICAMENTE, FUNDAMENTARAM O SISTEMA POLÍTICO-ECONÔMICO  CAPITALISTA DOMINANTE; que o ENCAMINHAMENTO DE SOLUÇÕES PARA A CRISE perpassa, necessariamente, pelo PROCESSO DE REVISÃO E MUDANÇA SAUDÁVEL DESSES VALORES; que as sucessivas CRISES OCORRIDAS ao longo do tempo, sobretudo a última  e mais recente, ainda em franca ebulição, AUTORIZAM MUDANÇAS BÁSICAS, de forma a evitar a repetição do QUADRO DE TORTURAS E SOFRIMENTOS IMPOSTOS À  SOCIEDADE INTERNACIONAL,  que  PENALIZAM E FULMINAM MISERAVELMENTE OS SEGMENTOS DA CLASSE TRABALHADORA; que o QUADRO DE TORTURAS E SOFRIMENTOS envolve também DANOS GRAVES À NATUREZA: DESMATAMENTO, AQUECIMENTO, POLUIÇÃO; que são tantos e tão graves os prejuízos, que NÃO HÁ COMO EVITAR AS MUDANÇAS DE BASE, a partir da necessária revisão e superação desses VALORES ÉTICOS NEGATIVOS, que historicamente, de forma equivocada, pela ação conjugada  de poderosos grupos nacionais e transnacionais , conduzem a humanidade a uma situação permanente de tensão, conflito e dor; que não há como continuar insistindo na preservação de valores que comprovadamente destruíram a força do trabalho e devastaram a natureza; que a rigor, a questão não é salvar o sistema econômico, mas SALVAR A NATUREZA, SALVAR A HUMANIDADE, SALVAR A VIDA, SALVAR O PLANETA; enfim, que os valores básicos até então dominantes devem ser repensados, revisados, superados.

II. RECONHECIMENTO de que, no ESTADO DO AMAZONAS, VIVE-SE A EXPRESSÃO MÁXIMA DA DESORDEM ÉTICA, ECOLÓGICA, ECONÔMICA, POLÍTICA E SOCIAL QUE O MODELO NEOLIBERAL PODERIA ATINGIR. Nessa linha de VERDADEIRA CONSTATAÇÃO DO CAOS, e na defesa efetiva do ECOSSOCIALISMO, registra-se a COMPLETA AUSÊNCIA DE INVESTIMENTO NO CAPITAL SOCIAL BÁSICO, ou seja, INVESTIMENTO NA SAÚDE, NA EDUCAÇÃO, NA INFRAESTRUTURA FÍSICA, que se expressa, por exemplo, de forma escandalosa, nos fatos seguintes:

1. NA SAÚDE PÚBLICA – Nessa área, a constatação foi feita recentemente pelo próprio Governador do Estado, Omar Aziz, que, por ocasião da leitura da Mensagem Governamental, na Assembleia Legislativa, declarou: “morre uma Santa Maria por dia no Estado do Amazonas”. Com tais palavras referindo-se ao resultado do trágico incêndio ocorrido naquela cidade do Rio Grande do Sul, nos diz que, diariamente, morrem 240 pessoas por absoluta falta de assistência médica no Amazonas;

2. NA ÁREA EDUCACIONAL - Após dez anos de implantação do I Plano Nacional de Educação, constatamos que, na rede municipal de Manaus, não há sequer uma única escola de ensino fundamental de tempo integral, bem como não há uma rede pública destinada a atender a educação infantil e a educação especial (creche e pré-escola). É flagrante, nessa constatação, que a SUPRESSÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL CONFIGURA VIOLAÇÃO AO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO E SOCIABILIDADE DA CRIANÇA, com sérias consequências no processo de aprendizagem futuro;

3. NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA, é inadmissível que uma cidade situada às margens de dois dos três maiores rios do mundo, entrecortada por mais de 1000 igarapés, sofra com A FALTA D’AGUA. São 400 mil cidadãos manauaras que enfrentam e aguardam ansiosos uma solução para o problema. Agora, mais recentemente, Manaus passou a vivenciar um verdadeiro clima de pânico e terror em face do rompimento de adutoras. No quesito SANEAMENTO BÁSICO, segundo pesquisa do Instituto Trata Brasil, Manaus aparece entre as 20 piores cidades brasileiras.

4. Considerando-se O REGRAMENTO CONSTITUCIONAL E A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL VIGENTE, não há dúvida de que O ATERRAMENTO E A IMPERMEABILIZAÇÃO DOS IGARAPÉS DE MANAUS, ou seja, a CONSTRUÇÃO DE BASE DE CIMENTO ARMADO NOS SEUS LEITOS, junto com A COMPLETA DESTRUIÇÃO DA MATA CILIAR E A EDIFICAÇÃO DE CONJUNTOS RESIDENCIAIS NAS SUAS BACIAS, ou seja, NAS MARGENS OU NO LEITO ATERRADO, configuram DANO AMBIENTAL GRAVE, VERDADEIRO CRIME ECOLÓGICO, PARA ALÉM DA FLAGRANTE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE PRATICADA PELO ESTADO DO AMAZONAS. Tão mais graves e inadmissíveis, quando ocorrem no exato momento em que há um movimento mundial no sentido da PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, SOBRETUDO DESSA NATUREZA AMAZÔNICA, quer pela expressão singular da beleza exuberante que encerra, quer pelo TEMOR DOS IMPACTOS NEGATIVOS ECOLÓGICOS, já evidentes. É de causar perplexidade o fato do PROGRAMA SOCIAL E AMBIENTAL DOS IGARAPÉS DE MNAUS - PROSAMIM já ter consumido, conforme denúncia do Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Amazonas, U$ 1.089.450,000,00     (um bilhão oitenta e nove milhões quatrocentos e cinquenta mil dólares) e continuar sendo PROJETADO COMO UM PROGRAMA DE REFERÊNCIA NA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS POLUIDAS. É flagrante que, NAS ÁREAS DITAS COMO JÁ RECUPERADAS, AS ÁGUAS CONTINUAM PARADAS, FÉTIDAS, ESPUMOSAS, COM O MATO IMPRÓPRIO TOMANDO CONTA DA GRAMA PLANTADA. E o que é mais grave, CONTINUAM SENDO DEPÓSITOS OU RECIPIENTES DE DEJETOS, RESÍDUOS E MATERIAIS POLUENTES. A rigor, em face da forma como se apresentam, CONTINUAM COMO VERDADEIROS ESGOTOS A CÉU ABERTO;

5. Outro aspecto de grande relevância DA REALIDADE AMAZONENSE, que necessariamente merece ser declarado como CAÓTICO, diz respeito ao ELEVADO CUSTO DE VIDA EM MANAUS E NO INTERIOR.  Segundo pesquisa do Dieese, Manaus é a 6ª colocada entre as cidades com preços mais altos (A Crítica, ed. de 18.08.2012). Osires Silva (na série de artigos publicados no jornal A Crítica, sob título “Carestia em Manaus”, em 21 ag, 4, 11 e 18 set 2011) registra que Manaus lidera o grupo alimentação, sendo a mais cara do País. É impressionante como, não apenas Manaus, mas também nossos interiores dependem de importações na área de alimentos. Praticamente importamos tudo em larga escala: farinha, peixe, cheiro verde, limão, verduras, legumes, carnes, laticínios, cereais, grãos, leite e derivados. É patente a incompetência governamental no sentido de enfrentar objetivamente o problema;

6. Nessa conjuntura caótica constatamos que a implantação definitiva do sistema de gás de Urucu pode vir a ser um fator importante na redução do custo de vida. Trata-se de um megainvestimento anunciado como substituto do óleo diesel e do combustível, com a previsão de redução de até 30 % do custo do transporte, de 95 % da emissão de oxido de nitrogênio pelos veículos, de 25 % do gás carbônico. É de se perguntar: o que está faltando para que esse sistema seja implantado efetivamente em Manaus? Enquanto isso, a população assiste perplexo o aumento do valor do transporte de ônibus e de táxi, sem ter a quem recorrer.

7. OUTRA QUESTÃO DE FUNDO, CENTRAL, envolve o POLO INDUSTRIAL DE MANAUS e conduz à formulação de uma indagação básica: o que fazer para criar um modelo de desenvolvimento sustentável para o Estado do Amazonas? A verdade é que, decorridos 46 anos de Zona Franca, identifica-se a completa ausência de um AUTÊNTICO e viável PROJETO de desenvolvimento sustentável para o Amazonas, isto é, um projeto efetivamente ajustado à nossa vocação econômica e capaz de garantir o aproveitamento racional dos recursos naturais por meio da utilização de instrumentos gerados pela ciência e tecnologia. Parece não haver nenhum interesse das empresas do PIM na criação de um modelo dessa ordem. As pesquisas que desenvolvem são realizadas em matrizes fora do Estado e os produtos já chegam aqui praticamente prontos e acabados. Não há inovação tecnológica ajustada à vocação do Estado.  A rigor, pelo volume de dinheiro gerado nas transações realizadas pelas empresas do distrito industrial, A POPULAÇÃO DE MANAUS DEVERIA GOZAR DA MELHOR QUALIDADE DE VIDA DO PAÍS. Não é efetivamente o que ocorre. Nesse particular, há três dados adicionais para reflexão: primeiro, a política salarial adotada no PIM chega a ser aviltante, permitindo identificar que, na medida em que cresce o faturamento das empresas, encolhe o salário do trabalhador. Nessa linha, cabe o registro de Osiris Silva: “do faturamento de U$35 bilhões do ano passado (2010), o PIM pagou, em salários, para um universo de 108 mil trabalhadores, U$ 920,8 milhões, e recolheu de ICMS U$308,74 milhões, o equivalente a 2,62 % e a 0,87 % do faturamento total do parque industrial. Considere-se, adicionalmente, que, com base em dados de 2009, 54 % do total de mão da obra empregada ganhava até 2 salários mínimos, contra apenas 26 % em 1998” (“ZFM, ano V, que rumo tomar”, artigo publicado no jornal A Crítica, ed. de 28.02.2011, Caderno Especial ZFM 40 anos, p. 15); segundo, a insegurança e instabilidade geradas para a classe trabalhadora por conta da prática escancarada, absurda, da celebração e prorrogação de contratos temporários no limite legal (6 meses) e em face da terceirização crescente  tanto em atividades meio como em atividades fim, declarada ilegal pela justiça brasileira; terceiro, o Polo Industrial de Manaus provocou  o esvaziamento populacional do interior do Amazonas, que foi vitimado por um  fluxo migratório absolutamente desordenado para a capital. Manaus, na previsão catastrófica de Márcio Souza, É SÉRIA CANDIDATA A SE COLOCAR ENTRE AS PIORES CIDADES DO MUNDO ( A Crítica, p. C6, artigo sob título de “Manaus é forte candidata”).

8. Não poderíamos também deixar de chamar a atenção para a análise do PROJETO DA CIDADE UNIVERSITÁRIA EM IRANDUBA. Ela nos revela O ABSURDO DE QUE, NA ÁREA RESERVADA DE 1200 HECTARES, APENAS 140 SERÃO DESTINADAS À UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS, ENQUANTO A MAIOR PARTE SERÁ DEVASTADA POR PROJETOS DE INICIATIVA PRIVADA, caracterizando flagrante especulação imobiliária. Segundo o relatório de impacto ambiental, o empreendimento vai causar o empobrecimento e a contaminação do solo e da água, perda de habitats, diminuição da oferta de alimentos, perturbação e afugentamento da fauna, destruição de abrigos, destruição de áreas de reprodução, e a redução da biodiversidade da Área de Proteção Ambiental da margem direita do Rio Negro. Além disso, de forma estúpida e irracional, desaloja 389 pessoas, a maioria com ensino fundamental incompleto, com renda familiar de até um salário mínimo, muitas vivendo há décadas da agricultura de subsistência, e que, em face disso, terão de migrar para áreas mais afastadas ou tentar sobreviver com baixa escolaridade, no entorno da Cidade Universitária, com todos os problemas advindos da migração e ocupação descontrolada e irregular que, inevitavelmente, ocorrerá nessa área. Acrescente-se aqui, o questionável fato de que a área pertenceria à União, sendo ilegalmente desapropriada pelo Estado do Amazonas.

9. Outra barbárie que não pode deixar de ser denunciada é o PROJETO DE CONSTRUÇÃO DA PRAIA ARTIFICIAL DA PONTA NEGRA, TRANSFORMADA, LITERALMENTE, NA PRAIA DO TERROR, vitimando fatalmente, em pouco espaço de uso, 13 pessoas. Aqui, há o agravamento de que, sendo também o Rio Negro área federal, não estaria nos limites da competência da Prefeitura de Manaus executar as obras de aterramento, e, de forma ilegal, indevida e incompetente, transformar a praia natural em praia artificial. FOI DOLOROSO VER A PRAIA INTERDITADA E A COMUNIDADE MANAUARA IMPEDIDA DE GOZAR DOS PRAZERES DE UMA ÁREA DE LAZER QUE JÁ FOI NOBRE, SEM A ADOÇÃO DE NENHUMA MEDIDA PUNITIVA ÀS AUTORIDADES RESPONSÁVEIS POR TAMANHO CRIME.  A imprensa anuncia a reabertura da mesma, porém com o espaço limitado para os banhistas, que, mesmo nos dias “badalados”, terão menos de 1m² para nadar. Como explicar tamanho rigor numa área que sempre foi livre, aberta, sem mortes e sem mistérios. É fundamental também que se apure o valor da obra, pois somente o gasto com areia alcançou a marca dos R$12milhões. É preciso também que se iniciem os procedimentos jurídicos para apurar responsabilidades e punir as autoridades infratoras.

10. PROJETOS MEGALOMANÍACOS são uma constante na vida amazonense, gerando enorme endividamento público, além de, obviamente, não produzir o resultado social desejado. Parecem resultantes de momentos de delírio e alucinação. Nessa linha, foi sumamente trágico assistir, diante da gravidade de tantos problemas sociais, a demolição de uma das obras públicas mais caras já edificadas no Estado do Amazonas, avaliada em mais de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais), prêmio internacional do arquiteto Severiano Porto, produto da ação de vários governos, homenagem a figura humanitária de um destacado médico da Cruz Vermelha brasileira, o senador Vivaldo Lima. Somente para demolir o Estádio Vivaldo Lima gastou-se R$ 25.000.000,00 (vinte cinco milhões de reais).  Em cima das ruínas de R$300.000.000,00 (trezentos milhões de reais) edifica-se outra obra faraônica, de custo igual ou maior a R$ 538.000.000,00 (quinhentos e trinta e oito milhões), apenas para receber quatro jogos da Copa do Mundo de 2014. E ao que tudo indica, a nova Arena, depois do Mundial, ficará aí, faraônica, vazia e sem finalidade, deixando, entretanto, uma enorme dívida pública, a rigor um enorme rombo, que a população terá que suprir e pagar, assim como está pagando a PONTE MAIS CARA DO MUNDO, a ponte bilionária erguida sobre o Rio Negro. Sem dúvida que, tais ações megalomaníacas já mereceriam uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, para constatar o real endividamento do Estado e suas consequências para a sociedade. Nesse particular, é de ser registrado o engodo do anúncio inicial de que o projeto copa do mundo seria executado, principalmente, através de parcerias público-privadas, que, na prática, não ocorreram, tendo em vista que, no Amazonas, tudo será bancado, efetivamente, pelo contribuinte;

11. Na continuidade do rol de CAOS E ABSURDOS CONSTATADOS, vemos o governo anunciando a implementação do Polo Naval na região ribeirinha do Puraquequara ao publicar um decreto que causa mal estar e que traumatiza agricultores e pescadores ali residentes. Afinal, não há estudo técnico e não se sabe explicar porque a desapropriação de área tão extensa e que justificaria o tratamento duro e violento ao cidadão que ali nasceu, criou os filhos, plantou, fincou raízes e, trabalhando com a família, envelheceu condignamente. É A MODERNIZAÇÃO CAPITALISTA AFRONTANDO O CIDADÃO DE BEM QUE NÃO TEM RECURSOS e que, em face disso, ACABA SENDO PUNIDO, EXPULSO DA PROPRIEDADE, MEDIANTE UMA MÍSERA INDENIZAÇÃO, COM A TRANSFERÊNCIA, EM SEGUIDA, DA ÁREA DESAPROPRIADA PARA UMA GRANDE EMPRESA NACIONAL OU MULTINACIONAL.

12. O CAOS PRESENTEMENTE CONSTATADO que se revela na continuidade da expulsão de agricultores, na penalização de cidadãos de bem, é o mesmo que, historicamente, envolveu o saque, o massacre e o extermínio coletivo de tribos indígenas, entre os quais se incluem 2.000 Waimiris-Atroaris. Tudo por conta da ação devastadora de empresas de mineração, que contaram com a proteção do ESTADO MILITAR e com o silêncio questionável da própria FUNAI. A COMISSÃO DA VERDADE ESTÁ CHAMANDO A ATENÇÃO DO BRASIL, no ato de passar a limpo essa história que envolve a construção da BR-174, a ação do grupo minerador da PARANAPANEMA, os custos elevados de construção e o grande impacto social e ambiental causado pela ATÉ HOJE DISCUTÍVEL HIDRELÉTRICA DE BALBINA, e, principalmente, O GENOCÍDIO DAS COMUNIDADES INDIGENAS. O impacto desse relato impõe uma revisão de valores de forma a evitar que “os crimes contra os povos indígenas, os crimes de genocídio cessem no Brasil, e figurem apenas como parte sombria da memória histórica” (COMITÊ DA VERDADE, MEMÓRIA E JUSTIÇA DO AMAZONAS, p. 75).

13. É preciso também chamar a atenção pública para o DANO AMBIENTAL gerado na execução do PROGRAMA HABITACIONAL MINHA CASA, MINHA VIDA, no Amazonas (A Crítica, Ed. de 12.4.2013, p. C8): a desertificação propositada da área de edificação com o desmatamento de hectares e mais hectares de terra sem a observância de um mínimo de preservação da mata nativa. Para além disso, nos chama a atenção a ausência de um planejamento voltado para a construção do mínimo necessário de infraestrutura para atender as demandas do viver coletivo, tais como a inexistência de espaços destinados ao comércio, fato que gera dificuldades até para a compra de itens básicos como pão e ovo. Via de regra, entrega-se conjuntos habitacionais mesmo inexistindo a prestação de serviços de transporte coletivo. É desumana a forma como estes conjuntos estão sendo construídos e entregues à população carente. Será que não é possível construir um conjunto residencial em harmonia com o homem e o meio ambiente, evitando-se que mais pareçam guetos, verdadeiras áreas de segregação social?

14. Esse quadro de CAOS GENERALIZADO funciona como a força motriz que move a canalhice política praticada no Amazonas através dos que se apresentam como “messias” ou “salvadores populares”, condição fundamental para o ÊXITO ELEITORAL DESSES CANALHAS. É nesse contexto que se explica o DRAMA DAS SECAS E DAS ENCHENTES no Amazonas. Será que não existem meios simples, eficazes e baratos para se lidar e conviver com esses fenômenos cíclicos naturais? Será que, a cada momento, teremos que conviver com situações mais graves, reveladoras do despreparo ou má-fé dos governos para o enfrentamento da questão? Será que é impossível estabelecer regras proibindo a edificação de casas em áreas impróprias e áreas de risco e, conjugado a isso, executar uma eficiente fiscalização para impedir que isso ocorra? Será que é impossível uma ação pedagógica preventiva do Estado, no sentido de evitar ou aliviar os transtornos dos períodos de secas e enchentes? Lamentavelmente, vemos esses ciclos naturais servindo como desculpa comum para as DISPENSAS DE LICITAÇÃO e consequente farra no gasto do dinheiro público. Não interessa, aos canalhas travestidos de políticos, a execução de medidas simples e pedagógicas, pois, com elas, os canalhas ficariam sem um de seus principais instrumentos de ENCABRESTAMENTO ELEITORAL;

15. Não se pode deixar de registrar nesta CARTA, as comoventes e dramáticas questões que envolvem a exploração e comercialização de minérios e madeiras, apenas gerando altíssimos lucros para as empresas, com resultados devastadores para o meio ambiente (desmatamento, poluição e matança das nascentes dos rios) e para as populações nativas (doenças, sujeira, problemas respiratórios, falta de escola pública, de saneamento). Tudo como parte de uma inaceitável política governamental orientada para a expansão e reprodução do lucro privado.

16. De fato, deve ser registrado que as políticas governamentais de ocupação da Amazônia nunca contemplaram camponeses, nativos e migrantes, ignorando completamente os direitos fundiários históricos dessas comunidades tradicionais. Na verdade, com a permissividade oficial, grandes extensões de terras foram adquiridas por empresários que se transformaram em proprietários de imensos latifúndios. No relato de Marinor Brito, o fato deu ensejo, ou, pelo menos, favoreceu a prática da grilagem, da pistolagem, da formação de milícias privadas, assassinando-se, por encomenda, sindicalistas, líderes religiosos, políticos, além do massacre de índios e trabalhadores rurais (“Devastação e violência: apontamentos sobre o avanço da fronteira capitalista na Amazônia”, trabalho publicado no livro “Amazônia: olhares Inquietos na floresta”, organizado por Luis Arnaldo Campos e Dion Monteiro, Rio de Janeiro: Fundação Lauro Campos, 2011, p.72). Esses fatos marcam a abertura da fronteira econômica da Amazônia com a aquisição de terras públicas através da prática da grilagem. Por isso, é necessário continuar atento aos 650 pedidos de mineração endereçados (1970 a 2012) ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). É preciso continuar atento à PEC já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, que retira do Executivo a autonomia para demarcar terras indígenas, transferindo-a para o Congresso Nacional. Esses fatos servem para dar a dimensão da cobiça das empresas de mineração e da gravidade atual do problema;

17. A CONSTATAÇÃO OFICIAL DO CAOS é também nos revelada pela CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO ao publicar o relatório que coloca o Amazonas em primeiro lugar, no ranking de ações ajuizadas, tendo como base as condenações do Tribunal de Contas da União. Nessa linha, entram prefeitos, ex-prefeitos, políticos e servidores da administração pública. Por sua vez, o Coordenador Geral de Articulação Institucional do Ministério da Justiça, delegado da Polícia Federal, Roberto Biassoli, afirmou enfaticamente: “O Amazonas é um campo fértil para lavagem de dinheiro”. Como operadores de lavagem de dinheiro citou empresários do PIM, políticos e traficantes internacionais de droga (A Crítica, ed. de 01.07.2011, p. A5). É uma pena. É uma lástima.

18. Finalmente, impõe-se AVALIAR O CUSTO DO CAOS, de forma a identificar O GRAU DE ENDIVIDAMENTO DO ESTADO DO AMAZONAS E DO MUNICÍPIO DE MANAUS, sobretudo em face dos débitos vultosos que estão sendo contraídos, INVIABILIZADORES DAS ADMINISTRAÇÕES FUTURAS, e certamente geradores de sérias e graves consequências para a COMUNIDADE AMAZONENSE.

PROPOSIÇÕES E OBJETIVOS DA SETORIAL ECOSSOCIALISTA DO PSOL NO AMAZONAS
A NECESSIDADE DE UM NOVO PARADIGMA CIVILIZATÓRIO PARA A AMAZÔNIA AUTORIZA E JUSTIFICA AS SEGUINTES INICIATIVAS DOS ECOSSOCIALISTAS DO AMAZONAS:

I - COLOCAR COMO PRIMEIRO PONTO DE REFLEXÃO, O TEMA DA ÉTICA NECESSÁRIA PARA GARANTIR A SOBREVIVÊNCIA SAUDÁVEL E DIGNA DO HOMEM E DA NATUREZA;

II - REPENSAR, REVISAR E SUPERAR OS VALORES BÁSICOS NEOLIBERAIS, DE FORMA A GARANTIR QUE TODOS VIVAM BEM, EM CONDIÇÕES DIGNAS, SAUDÁVEIS, CAPAZES DE ASSEGURAR A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, DO MEIO AMBIENTE, E O DIREITO DO SEU USUFRUTO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES;

III - CRIAR UMA PRÁTICA PARTIDÁRIA ORIENTADA NA SUPERAÇÃO DO INDIVIDUALISMO, DO EGOISMO E DA GANÂNCIA;
IV - COMBATER A CONCENTRAÇÃO DE RENDA E DE RIQUEZA NAS MÃOS DE UMA MINORIA PRIVILEGIADA;

V - BUSCAR A IMPLANTAÇÃO DE UM MODELO ECOSSOCIALISTA BASEADO NA AGRICULTURA ORGÂNICA DO CAMPONES (SOBERANIA ALIMENTAR), NA COOPERATIVA AGRÍCOLA, NO TRANSPORTE COLETIVO DE QUALIDADE, NA ENERGIA ALTERNATIVA, E NA SATISFAÇÃO IGUALITÁRIA DAS NECESSIDADES SOCIAIS DA COMUNIDADE REGIONAL E NACIONAL.

VI – Através da Setorial Ecossocialista, bem como de suas outras instâncias e filiados em geral, O PSOL DO AMAZONAS INCORPORA-SE NA AGENDA DE LUTAS DEFINIDA PELO DIRETÓRIO NACIONAL, NO SENTIDO DE APROFUNDAR A ANÁLISE DA ATUAL CRISE PLANETÁRIA, QUE ENVOLVE NÃO APENAS O AQUECIMENTO GLOBAL E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, MAS A PRÓPRIA CONFIGURAÇÃO DO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA, BASEADO NO CONSUMO OSTENSIVO E PERDULÁRIO DAS ELITES ECONÕMICAS MUNDIAIS, QUE SÃO A UM SÓ TEMPO E EM TODAS AS ESCALAS, AMBIENTALMENTE INSUSTENTÁVEIS E SOCIALMENTE INJUSTAS.

VII – PROMOVER MEDIDAS NO SENTIDO DE GARANTIR A AUDITAGEM DA DÍVIDA PÚBLICA NO AMAZONAS, TENDO EM VISTA O CRESCENTE ENDIVIDAMENTO DO ESTADO COM OBRAS FARAÔNICAS.

A partir destas PROPOSIÇÕES, o PSOL DO AMAZONAS inicia uma análise mais profunda da própria REALIDADE AMAZONENSE, buscando elaborar, em seguida, um PLANO DE GOVERNO capaz de COMBATER, ELIMINAR O CAOS CONSTATADO e, com o ÍMPETO DA MUDANÇA, valorizar a FORÇA DO TRABALHO,  a FORÇA DA NATUREZA,  a FORÇA DA VIDA, segundo os VALORES ECOSSOCIALISTAS aqui proclamados.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Para lutar é preciso coletivo organizado e militantes conscientes!


Elson de Melo...

O século XXI está sendo marcado por inúmeras revoltas que tem derrubado governos pelo mundo adentro e desafiado potencias ocidentais até então tidas como inabaláveis, podemos destacar a Primavera Árabe, os Indignados da Europa e EUA, cujo, principal ato foi o Ocupa Wall Street.

Em todos esses movimentos pode-se constatar que a juventude foi o elemento propulsor principal, porém sua dimensão organizacional se esvaíra no imediatismo e principalmente pela falta de uma estrutura cientifica que aponte caminhos mais conscientes em relação a estrutura de poder que rege a sociedade como um todo.

Essa constatação nos remete aos grandes referenciais teóricos do século XIX e XX (Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Lenin, Leon Trótski, Antônio Gramisc...) que buscaram na filosofia, economia e na politica, elementos que possibilitasse as transformações sociais, capazes de desmontar os aparelhos de exploração que oprime a maioria da humanidade através das injustiças e sobreposição de uma classe social – os donos dos meios de produção (burguesia) – sobre a classe trabalhadora (o proletariado).

Embora a Primavera Árabe tenha resultado na deposição de alguns ditadores, esse movimento não foi capaz de romper com a hegemonia das classes dominantes. Sem se aventurar em uma avaliação mais elaborada, o que podemos perceber é tão somente um movimento capitaneado por foças conservadoras externas que culminou em apenas uma recomposição dos elementos da mesma classe dominante, mantendo-se inabalado a sua hegemonia.

Essas formas de luta espontânea e sem um direcionamento logico que aponte para onde estamos indo e aonde queremos chegar, permite que o capital se reordene e numa virada de mesa, consiga manter-se como condutores dos destinos da humanidade. O principal erro das lideranças desses movimentos é achar que as transformações virão apenas com a bravura e indignação dos oprimidos, essa é uma postura inconsequente que torna o movimento vulnerável e presa fácil dos despostas e oportunistas que se apresentam como aliados e logo se apropriam dos resultados desse processo de luta.

É preciso antes de tudo, entender que o capital se reinventa para manter sua hegemonia. Afinal, as classes dominantes não só controlam os meios de produção, como controlam a cultura, a escola, as igrejas e todo o aparelho de Estado que não titubeia em garantir a ordem intimidando, humilhando e violentando os direitos elementares das classes subalternas.

O filosofo italiano AntônioGramsci, que elaborou o conceito de hegemonia e bloco hegemônico  e também o estudo dos aspectos culturais da sociedade (a chamada superestrutura definido por Marx) como elemento a partir do qual se poderia realizar uma ação política como uma das formas de criar e reproduzir a hegemonia.

Alcunhado em alguns meios como o “marxista das superestruturas”, Gramsci atribuiu um papel central à diálise infraestrutura (base real da sociedade, que inclui forças de produção e relações sociais de produção) superestrutura ("ideologia", constituída pelas instituições, sistemas de ideias, doutrinas e crenças de uma sociedade), a partir do conceito de "bloco hegemônico".

Segundo esse conceito, o poder das classes dominantes sobre o proletariado e todas as classes dominadas dentro do modo de produção capitalista, não reside simplesmente no controlo dos aparatos repressivos do Estado. Se assim fosse, tal poder seria relativamente fácil de derrocar (bastaria que fosse atacado por uma força armada equivalente ou superior que trabalhasse para o proletariado). Este poder é garantido fundamentalmente pela "hegemonia" cultural que as classes dominantes logram exercer sobre as dominadas, através do controle do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação. Usando deste controle, as classes dominantes "educam" os dominados para que estes vivam em submissão as primeiras como algo natural e conveniente, inibindo assim sua potencialidade revolucionária. Assim, por exemplo, em nome da "nação" ou da "pátria", as classes dominantes criam no povo o sentimento de identificação com elas, de união sagrada com os exploradores, contra um inimigo exterior e a favor de um suposto "destino nacional" de uma sociedade concebida como um todo orgânico desprovido de antagonismos sociais objetivos. Assim se forma um "bloco hegemónico" que liga todas as classes sociais apesar de serem fundamentalmente heterogênicas em torno de um projeto burguês. O poder hegemônico combina e articula a coerção e o consenso.

As referencias que fazemos aos movimentos Primavera Árabe e Os Indignados, são apenas para ilustrar a importância da organização em todos os processos de luta! Todo movimento que vise aglutinar pessoas em torno de qualquer demanda social, ele precisa ser planejado. É preciso definir o que realmente queremos e onde queremos chegar, avaliar o território, definir as estratégias, as composições possíveis, os aliados que realmente são confiáveis e o que é mais importante, entender que todo movimento é antes de tudo um processo pedagógico onde cada batalha é um laboratório, cujos resultados precisam ser aferidos e compartilhados com todas as pessoas ou grupos envolvidos, a isso podemos chamar de aprendizado onde todos são igualmente responsáveis na formulação orgânica e intelectual.

Não estamos aqui condenando o ativismo, pelo contrario, queremos contribuir para que cada ativista seja também o formulador de conteúdos que oriente de forma positiva as ações a ser desenvolvida, isso fortalece nossas ações e torna mais eficazes as praticas revolucionárias de cada militante. Portanto, para dar continuidade a luta histórica dos trabalhadores, é preciso ter consciência que precisamos de coletivos organizados e militantes com conteúdos, tendo como ênfase as pratica revolucionárias, cuja escola mais comprometidas são os próprios movimentos sociais.

... Elson de Melo é Sindicalista

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

8 de janeiro de 1959: Fidel Castro e Che Guevara entram triunfantes em Havana liderando a Revolução

Fidel Castro e Che Guevara 

Em 8 de janeiro de 1959, guerrilheiros liderados por Fidel Castro, desciam da Sierra Maestra, entravam triunfantes em Havana e derrubavam a corroída ditadura de Fulgencio Batista, fazendo não só uma revolução, mas mudando para sempre a história da América Latina, ignorando a geografia, dando um novo rumo à Guerra Fria.

Mais do que mudar o curso da história de um país pobre e corrompido por sucessivos governos corruptos, a Revolução Cubana rompeu com as elites latifundiárias que sempre dominaram os países latino-americanos, desafiou a hegemonia dos Estados Unidos, em pleno auge da Guerra Fria, formando um país de governo socialista a escassos 150 quilômetros da península da Flórida. A saga de Fidel Castro, Che Guevara e dos guerrilheiros da Sierra Maestra, percorreu o mundo, transformando Cuba no sonho de modelo social com que o povo do Terceiro Mundo se identificava. A imagem mítica de Fidel Castro e Che Guevara como heróis que venceram os opressores, libertando os oprimidos, alimentou os sonhos de muitos dos jovens idealistas dos anos sessenta, alguns deles protagonistas do Maio de 1968 em Paris.

Cinquenta e quatro anos depois, Cuba, moeda de troca entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos, é um país devastado pelos embargos sofridos por décadas, pobre e às margens das lembranças da revolução. Com o fim da Guerra Fria, a queda do muro de Berlim, o desmembramento da URSS, o país foi deixado à deriva, isolado em um regime que se extinguiu no mundo.

Fidel Castro manter-se- ia no poder até agosto de 2006, quando uma doença intestinal o afastou provisoriamente, sendo substituído definitivamente em 24 de fevereiro de 2008, pelo irmão Raúl Castro. Quando entrou em Havana, a 8 de janeiro de 1959, mudando parte da história do século XX, Fidel Castro trajava um uniforme verde-azeitona e um boné de guerrilheiro que jamais deixou de usar. Muitos anos no poder e a constante mudança dos ventos históricos, foram aos poucos, tirando a imagem jovial e tenaz do guerrilheiro vencedor, a fumar o seu charuto, sendo substituída pelo semblante do homem envelhecido, visto como o último caudilho da América Latina. Assim como Fidel Castro, a revolução envelheceu, desgastou-se e foi aos poucos, esquecida com as ideologias mortas pela história.

Surge Um Novo Líder Cubano Contra a Ditadura de Fulgencio

Em 1952, um golpe militar em Cuba frustrou todas as esperanças das eleições previstas para aquele ano. Em 10 de março, Fulgencio Batista, à frente do golpe militar, subiria ao poder, construindo um governo corrupto, repressivo e sem qualquer compromisso com os setores populares, favorecendo aos interesses estadunidenses na ilha.

Diante da inércia dos partidos políticos em enfrentar o regime opressivo, eclodiriam movimentos de jovens que se opunham ao ditador. Das fileiras desses movimentos, surgiu um novo líder, Fidel Alejandro Castro Ruz, jovem advogado que desde a época de estudante na universidade de Havana, militava politicamente. Fidel Castro instigou o direito do povo à rebelião contra os tiranos do poder, preconizando a estratégia da luta armada contra a ditadura.

O novo líder preparou a luta armada e, em 26 de julho de 1953, foi proclamada uma insurreição popular, com ataques em simultâneo aos quartéis de Moncada, em Santiago de Cuba e de Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo. A operação resultou em um grande fracasso, com dezenas de combatentes presos, muitos assassinados. Fidel Castro foi preso, julgado e condenado. No julgamento, o jovem revolucionário pronunciou uma frase em sua defesa, que se converteria no programa da revolução: “A história me absolverá”.

Os Meandros de Uma Revolução

Exilado no México, Fidel Castro fundou, em 1954, o MR-26 (Movimento Revolucionário 26 de Julho), uma homenagem à data do frustrado ataque ao quartel de Moncada. O movimento propagava a revolta armada contra a repressão do governo cubano.

Em 1955 Cuba foi assolada por grandes movimentos de massas, o que obrigou o governo do ditador Fulgencio Batista a endurecer e a negar a anistia aos presos políticos, entre eles os combatentes de Moncada.

Em 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro voltou a Cuba, desembarcando na província do Oriente. Já em terra, conquistaria ao lado de muitos combatentes, o território da Sierra Maestra, concentrando nas montanhas o núcleo inicial do exército rebelde, que rapidamente, aumentaria significativamente.

Em julho de 1957, Frank País foi assassinado, e uma greve em protesto à sua morte, paralisou quase todo o país. O governo cubano terminaria o ano com o fracasso do exército em sua ofensiva contra os guerrilheiros de Sierra Maestra, que a esta altura, já tinha formado duas novas colunas guerrilheiras, comandadas por Raúl Castro, irmão de Fidel, e Juan Almeida.

Em 1958, Fulgencio Batista decidiu exterminar de vez a insurreição dos guerrilheiros, lançando no verão dez mil homens em ofensiva sobre Sierra Maestra. Travaram-se combates ferozes e batalhas sangrentas, que resultaram na vitória dos guerrilheiros contra os homens do governo, que acossados, retiraram-se derrotados.

Outras colunas partiram de diversos pontos do país, entre elas as comandadas por Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Fidel Castro firmava-se como líder por toda a ilha, inclusive diante dos partidos da oposição. Aos poucos, os guerrilheiros conquistaram e tomaram vários povoados e pontos estratégicos.

No dia 1 de janeiro de 1959, Fulgencio Batista abandonava Cuba. Em uma última manobra, a embaixada norte-americana apoiava o general Eulogio Cantillo, que tentou criar uma junta civil e militar para assumir o poder. Fidel Castro pediu à guarnição de Santiago de Cuba que se rendesse, e ao povo que fizesse uma greve geral. A 8 de janeiro os guerrilheiros barbudos entravam em Havana. A Revolução Cubana estava consolidada.

Os Princípios da Revolução Cubana

Aos 32 anos, Fidel Castro entrava em Havana com o seu exército de barbudos, discursando ao país, sendo transmitido pela televisão. O povo cubano assistia deslumbrado àquele homem que sequer tivera tempo de despir o uniforme militar que usou durante os anos da guerrilha. Dono de uma oratória magnífica, o líder passou a ser chamado pelo povo apenas pelo nome de Fidel, sendo transformado em um Robin Hood, um José Martí, transfigurando-se em um herói revolucionário não só dentro de Cuba, mas internacionalmente. Enquanto discursava, uma pomba branca pousou-lhe no ombro.

O eco da vitória da revolução cubana espalhou-se rapidamente pelo mundo, sendo responsável pelo surgimento de movimentos de guerrilha na América Latina, e em alguns países da Ásia e da África. A vitória de um povo sobre a ditadura de Fulgencio Batista justificava a luta armada, a guerrilha, lema que alentou vários povos do mundo que sofriam com ditaduras seculares.

Diante da vitória, Fidel Castro trazia em sua oratória o compromisso da obrigação do novo regime de empreender uma obra social que trouxesse a saúde para todos, a alfabetização, a educação, a distribuição de terras e de casas gratuitas. O não cumprimento dessas obrigações resultaria na perda da legitimidade revolucionária.

Na consolidação da revolução, os guerrilheiros usaram as armas, mas davam mostras de humanidade.

Distanciamento dos EUA, Aproximação com a URSS

A princípio, o novo governo de Cuba furtou-se em abraçar qualquer lado dos dois blocos da Guerra Fria. Washington, apesar de reconhecer o governo castrista, tramava silenciosamente sabotagens a ele, financiando e preparando exilados cubanos para uma ação armada contra Fidel Castro. Uma dessas ações resultou numa força invasora de 2500 exilados cubanos, que desembarcam na baía dos Porcos (praia Girón para os cubanos), entre 17 e 19 de abril de 1961, com a proposta de acabar com a revolução. Fidel Castro esmagou a ação, abatendo oito aviões B-56, afundando dois barcos; a retirada dos invasores terminaria com o saldo de 1189 presos e apenas 14 assaltantes voltando para os EUA.

Logo Fidel Castro percebe que a revolução só iria sobreviver se pendesse para o lado soviético. Em 26 de outubro de 1959, o líder cubano pronuncia, pela primeira vez, um discurso hostil aos americanos. Ainda neste ano, os castristas pedem secretamente armas a Moscou, recebendo-as via Tchecoslováquia e Polônia.

As relações entre Havana e Washington continuam a degradar-se visivelmente em 1960, ano que são confiscadas terras de cidadãos estadunidenses em Cuba (hotéis, bancos, telefones, petróleo), em nome da soberania nacional. A cada retrocesso nas relações com os norte-americanos, o regime cubano aproximava-se dos soviéticos. Em fevereiro, a visita do vice primeiro ministro soviético Anastas Mikoyan a Havana, tornou pública a aproximação dos dois países. Em 8 de novembro daquele ano, pela primeira vez, Fidel Castro proclamava-se marxista, mas sem aceitar as diretrizes ideológicas e doutrinárias de Moscou.

Com a deterioração completa das relações entre Cuba e os Estados Unidos, o governo castrista temia que os norte-americanos tentassem erradicar a revolução, que a esta altura, a União Soviética já se sentia obrigada a defender. Para não correr riscos de retaliações vindas de Washington, Moscou toma a decisão de instalar em solo cubano mísseis soviéticos com ogivas nucleares. Descobertos pela CIA, este episódio tornar-se-ia o mais tenso e famoso da época da Guerra Fria, quando o mundo esteve à beira de uma catástrofe. O presidente John Kennedy, após ameaçar invadir Cuba, iniciando uma guerra nuclear, consegue que os soviéticos retirem os mísseis apontados para o seu país. Khrustchov justificaria em carta a Kennedy:

“Se você garantisse que os Estados Unidos não vão invadir Cuba, nem apoiar nenhuma força que possa ter a mesma pretensão, deixaria de existir qualquer motivo que justificasse a presença dos nossos peritos militares em Cuba.”

O presidente norte-americano aceitava a proposta sem que ninguém desse conhecimento dela a Fidel Castro. No furacão da Guerra Fria, Cuba era motivo dos jogos de poder entre as duas potências. Era a única representante no meio das Américas, de um sistema definido por Moscou, portanto, era preciso que os países da cortina de ferro a defendesse.

Cuba Treina Guerrilheiros

Mesmo diante da influência de Moscou, Fidel Castro aceita a sua ajuda econômica e a sua proteção, mas nega que segue a sua diretriz. Em 1963, Cuba cria um sistema de preparo e apoio às guerrilhas de toda a América Latina.

Em 1967, esta via castrista para a revolução é proclamada em uma conferência de solidariedade latino-americana, realizada no verão, em Havana. Na conferência o líder cubano afirma: “O dever de todo o revolucionário é fazer a revolução”.

Espalhados pelas selvas da Bolívia, vários guerrilheiros treinados em Cuba seriam mortos em combate, logo a seguir à conferência. Em outubro, Che Guevara, o único guerrilheiro cujo carisma rivalizava com o de Fidel Castro, seria morto nas selvas bolivianas, pondo fim simbolicamente, ao sonho da revolução pelas armas na América Latina, pretendida pelos barbudos guerrilheiros.

Nos anos setenta, Fidel Castro volta o seu apoio às guerrilhas na África, especificamente em Angola, para onde envia vários guerrilheiros do seu exército. Será em Cuba que os líderes brasileiros da esquerda, perseguidos pela ditadura militar, refugiar-se-ão, tendo por lá treinamento militar e prática de guerrilhas, obtendo após esses preparos, apoio logístico e econômico para retornarem clandestinamente ao Brasil. Este apoio estender-se-ia ao longo da década de setenta, até a abertura política e à promulgação da lei da anistia.

A Revolução Cubana no Século XXI

Isolada pelos embargos econômicos promovidos pelos Estados Unidos, Cuba sobrevivia graças ao apoio soviético. A ilha do Caribe servia de paraíso turístico para os países do bloco soviético, sendo muito procurada por eles.

Nos primeiros vinte anos da revolução, o castrismo erradicara da ilha o analfabetismo, a prostituição, a miséria e a desigualdade social. Cuba transformara-se num sonho e exemplo para os países do Terceiro Mundo.

Com o a queda do muro de Berlim em 1989, a Guerra Fria começou a agonizar, sendo a sua morte uma realidade iminente. Desfez-se o bloco soviético, desmoronou-se a própria União Soviética. Sem a proteção econômica de Moscou, isolada do mundo pelo embargo americano, a fartura esvaiu-se da ilha de Fidel Castro. Os ventos da miséria, da desigualdade social, a mão pesada do castrismo para combater os seus opositores, tudo isto tirou a legitimidade da revolução cubana diante da história e da comunidade internacional. Em 1993, no apogeu da crise econômica cubana, Fidel Castro foi obrigado a legalizar o dólar, moeda do seu maior inimigo, proporcionando a primeira reforma econômica que contradisse todos os princípios da revolução.

Cinco décadas no governo de um país desfaz qualquer utopia, porque meio século é muito tempo diante da história. Che Guevara, um dos líderes da revolução cubana, morreu em combate, jovem e no fulgor dos sonhos dos seus ideais, tornando-se um ícone para o mundo, ironicamente um mito dentro dos símbolos capitalistas que tanto repudiou. A Fidel Castro restou a passagem dos anos, o envelhecimento, a luta para manter viva a revolução, ou o seu espírito revolucionário. Ironicamente o castrismo ficou sozinho num despovoado campo socialista. A imagem do herói cubano jovem deu passagem ao velho combalido pela doença e pela história. A revolução cubana, hoje, ultrapassada pelos tempos, foi sem dúvida um marco que mudou a história da Guerra Fria.

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

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