A felicidade
tem sido tema recorrente de governantes e muitos membros das academias mundo
adentro, para nós reles mortais a felicidade se resume em raros momentos de
prazer as vezes incompreendidos.
É claro que
os senhores do pensamento moderno, tentam dar a felicidade um significado de
poder e racionalidade, para isso, eles relacionam a capacidade de consumo que o
individuo tem para ostentar sua felicidade através da forma de se produzir
(vestir, calçar, adornar-se), o ter passa a ser prazer que leva a pessoa ao
gozo.
Assim o
capital induz o individuo a uma felicidade cujo prazer é a competitividade e
isso é possível observar quando a pessoa exibe o carro do ano, a roupa de marca
famosa, o ambiente sofisticado que frequenta o celular de ultima geração... Todos
esses comportamentos apontam para uma sociedade dividida em classe, as dos felizes
e a dos infelizes, a classe dos que tudo tem e dos que nada tem!
Na verdade,
essa nova teoria da felicidade, propagandeada pelos teóricos do capital, serve
tão somente para forjar argumentos pomposos que os políticos contemporâneos, se
valem para ludibriar o sentimento da classe que nada tem, o proletariado.
Para compreender
melhor o que é mesmo a felicidade, vamos conhecer um pouco o pensamento do
filosofo grego Epicuro:
Epicuro (341 - 269 a.C.)
Epicuro de
Samos foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito
difundido e, numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito
e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. Epicuro
nasceu na Ilha de Samos, em 341 a.C., mas ainda muito jovem partiu para Téos,
na costa da Ásia Menor. Quando criança estudou com o platonista Pânfilo por
quatro anos e era considerado um dos melhores alunos. Certa vez, ao ouvir a
frase de Hesíodo, todas as coisas vieram do caos, ele perguntou: e o caos veio
de que? Retornou para a terra natal em 323 a.C.. Sofria de cálculo renal, o que
contribuiu para que tivesse uma vida marcada pela dor. Epicuro (341 - 269 a.C.)
Epicuro
acreditava que a filosofia é o melhor caminho para se chegar à felicidade que
para ele significava se libertar dos desejos. A filosofia é um instrumento para
alcançar a felicidade, pois através dela o homem vai libertar-se do desejo que
o incomoda. A filosofia com Epicuro passa a ter uma finalidade prática e não
somente o objetivo de investigação dos fundamentos ltimos do mundo e do homem.
Ele divide a
filosofia em três partes: a ética, a física e a canônica, sendo que as duas
últimas estão intimamente ligadas.
Em sua ética
Epicuro aponta a felicidade como sendo diretamente ligada ao prazer. O prazer é
o início e o fim de uma vida feliz. O homem é inclinado a buscar o prazer e a
fugir da dor e através do critério do prazer é que nós avaliamos todas as
outras coisas. Existem para ele duas formas de prazer, o primeiro é o prazer
estável que é a ausência da dor e da perturbação, o que ele chama de ataraxia e
aponia, nessa forma de prazer o homem não sofre e mantêm-se em paz podendo
atingir a felicidade. Na segunda forma de prazer, que é a da alegria e a do
gozo, o homem pode tornar-se escravo do prazer e levar uma vida perturbada, o
que não é condizente com a felicidade.
Segundo a
filosofia de Epicuro é preferível a sabedoria feliz do que a insensatez feliz e
a justiça é somente um acordo feito entre os homens para atingirem um fim comum
que é impedir de fazerem-se o mal
reciprocamente.
Para suas
ideias sobre teoria do conhecimento e sobre lógica Epicuro deu o nome de
Canônica pois as duas servem como regra para expor um critério de verdade, um
cânon, que é um princípio que vai direcionar o homem para a felicidade. O cânon
é formado pelas sensações, pelas antecipações e pelas emoções.
O fluir dos
átomos é o que produz as sensações nos homens. O fluir dos átomos é o que cria
as imagens que são similares às coisas que os produzem. O fluxo dos átomos de
uma árvore é o que cria em nós a imagem da árvore. Nós temos sensações dessas
imagens e nossa percepção de mundo é produzida pela combinação de diversas
imagens diferentes. Nossos conceitos são formulados pela repetição dessas
sensações e pela recordação de sensações que vivemos no passado. As percepções
do futuro também terão por base os conceitos que formulamos no presente. Essas
sensações são o segundo e principal fundamento da verdade. O terceiro
fundamento para Epicuro é a emoção que se constitui em nossa percepção do
prazer e da dor.
Nossas
opiniões podem ser equivocadas quando não são confirmadas pela demonstração das
sensações. Um bom raciocínio é aquele que está em conformidade com os fenômenos
percebidos.
Os estudos
de física de Epicuro buscam rejeitar as coisas sobrenaturais como princípios de
explicação do mundo. Para ele a física deve ser: 1° materialística, rejeitando
como seu fundamento qualquer explicação sobrenatural e 2° mecanística,
utilizando-se do movimento dos corpos como única explicação, rejeitando ainda
qualquer explicação que busque uma finalidade para esses movimentos. Nada vem
do nada, todo corpo é formado por corpúsculos menores e indivisíveis que são os
átomos e os átomos se movimentam no vazio infinito. Nesse vazio os átomos
colidem uns contra os outros podendo criar entre si as mais variadas
combinações. O número dos átomos não é infinito, mas também não pode ser
definido.
A alma é
formada por partículas corpóreas que estão espalhadas por todo corpo. Essas
partículas são mais tênues e delicadas e se movimentam de forma mais fácil que
as outras pois são mais redondas. Com a morte os átomos da alma se separam e
nós não podemos mais ter as sensações. A morte é o fim tanto do corpo quanto da
alma e por essa razão nós não precisamos ter medo dos deuses.
Sentenças:
- As almas
pequenas na sorte se desenvolvem, nas adversidades regridem.
- O homem
sereno busca serenidade para si e para os outros.
- A morte
não é nada para nós. Quando nos dissolvemos não temos mais sensibilidade e sem
sensibilidade não nos resta nada.
- A vida do
justo não é perturbada pelas inquietações, mas a vida do injusto é cheia delas.
- Toda
amizade tem por base o proveito próprio.
- As pessoas
terminam sua vida como se tivessem acabado de nascer.
- Não faça
nada que teu vizinho não possa saber.
- Não
devemos pedir aos deuses o que podemos realizar.
- O melhor
da auto-suficiência é a liberdade.
- A morte
não significa nada para nós pois quando nós somos ela não é e quando ela é, nós
não somos.
- Nada é
suficiente para quem considera o suficiente pouco.
- O prazer é
o principal bem, ele é a ausência de dor no corpo e de inquietações na alma.
Fonte de pesquisa:
Wikipédia,
Elson de Melo

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