quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ECOSSOCIALISMO: Amazônia e a permacultura como modelo sustentável


Elson de melo*
Quarta, 15 de agosto de 2018

Vivemos uma economia globalizada, mas o mundo precisa de alimentos livres dos agrotóxicos.

A segurança alimentar dos povos precisa de alimentos saudáveis sem a contaminação venenosa proporcionada pele agronegócio que produz alimentos em escala, os venenos jogados sobre as lavouras de cana, soja, milho, feijão, arroz e hortaliças, vem diariamente promovendo doenças incuráveis.

Na Amazônia, e uma falácia afirmar que a geração de emprego pode ser através da mineração e dos grandes projetos de hidrelétricas como querem esses seguimentos predadores convencer os caboclos ribeirinhos que sobrevivem das pequenas plantações e da pesca.

O que essa população precisa é de incentivos públicos para produzir alimentos de forma sustentável e orgânico. O modelo ideal para esse programa é a Tecnologia Social Solidaria através das cooperativas e do modelo sustentável permacultura.

“A Permacultura foi desenvolvida na década de 70 por Bill Mollison e David Holmgren na Tasmânia, como uma resposta ao sistema industrial e agrícola da época. Bill e David organizaram a agricultura ancestral, as habilidades, a sabedoria tradicional e a moderna e criaram a palavra Permacultura. A Permacultura tem como base a ecologia e é um instrumento utilizado para a criação de sistemas humanos sustentáveis, valorizando e unindo os seguintes pontos:

*   Conhecimento tradicional;
*   Agricultura ancestral;
*   Construções eficientes;
*   Equilíbrio (mental, físico e espiritual);
*   Diversidade;
*   Recursos naturais sustentáveis.

Reunindo os Princípios da Permacultura aos atuais conhecimentos Científicos e Tecnológicos e também aos valiosos Conhecimentos Ancestrais, torna-se possível desenvolver técnicas de utilização consciente dos recursos naturais, como o solo e a água!

Chamamos estas técnicas de Tecnologias Sociais, pois elas são simples, eficientes, de baixo custo e de baixo impacto ambiental! Além disso, são facilmente replicáveis em diversas comunidades, inclusive em nossas próprias casas!”. (...) Instituto Çarakura.

Enquanto não conseguirmos sensibilizar os governantes para esse importante debate, vamos à pratica sensibilizar a população da Amazônia sobre esse importante mecanismo social que liberta e transforma positivamente a realidade humana na nossa Região.

*Elson de Melo é sindicalista e militante do PSOL
  

Meus 60 anos de vida

Elson de Melo, 60 anos de vida
Quarta, 15 de agosto de 2018

Hoje, 15 de agosto do ano de 2018, escrevo este poema para celebrar os meus 60 anos de vida. É o retrato de seis décadas bem vividas, a maioria desse período fora dedicado as lutas do povo, motivo que me deixa ainda mais feliz em poder contribuir com muitos momentos de de tenções ou de euforia da nossa gente. 

Lembro nesta data do meu avô Messias Ferreira Pinto da minha mãe Elzira de Melo Pinto, do meu irmão Adilson de Melo Pinto e da minha irmã Terezinha de Melo Pinto que partiram desta vida, mas nos enchem de saudades todos os dias. 

Reverencio o meu pai Raimundo de Lima Pinto, que aos 90 anos ainda lidera a nossa família. Agradeço os meus irmãos Gilson, Edson, Ironilson, Dinilson, Jackson e Fátima de pela dedicação que me oferecem. 

Aos meus sobrinhos e a minha neta Clara Porto Mendes Braga, um carinho muito especial para retribui=los os mesmo carinho que eles me dedicam. 

A minha esposa Deuzirei Mendes Braga e meus filhos Alx e Dhimirson só posso agradecer pelo amor e carinho que eles conduzem a nossa vida e dedicação a esse velho pai e companheiro. 

Obrigado meu Deus.   

MEUS 60 ANOS DE VIDA 
(Elson de Melo)


De costa para o horizonte
vejo o tempo que passou
são 60 anos de vida
que o mundo me dedicou.


Agradeço ao pai querido
a minha mãe com louvor
duas pessoas maravilhosas
que a vida me agraciou.


Olho o tempo passado
as mãos e rosto enrrugados
são marcas do mesmo tempo
que a vida me presentou.


Tudo está consumado
na vida nada me faltou
amor,carinho e esperança
são virtudes que a vida me consagrou.


Saúdo os irmão queridos
por cada momento a mim dedicado
são marcas de uma familía
onde tudo é compartilhado.


Agradeço a esposa e filhos
pelo carinho e amor
por toda compreensão e paciencia
dedicado a este velho pai com muito fervor.


Ao amigos e mais paretes
um abraço apertado
um beijo no coração
com ternura, afeto e respeito.


Dedico esse importante dia
ao meu pai Raimundo de Lima Pinto 
a minha mãe Elzira de Melo Pinto 
e ao meu avô Messias Ferreira Pinto.


Três pessoas que me ensinaram
a cidadania e o direito
o coração bondoso
e a vida em sociedade.


Meus 60 anos chegaram
cheio de história e dedicação humana
guardo sempre na memória
cada momento vivido.


Obrigado meu pai do céu
por esta data esperada
traduzo nesta poesia
um poco da longa estrada percorrida.


Obrigado meu pai do céu
pelo tempo que já consumi
agora espero teu tempo
e a hora que um dia vai vir.


Obrigado meu pai do céu
pelo tempo que vier
pretendo honra-lo sempre
praticando o amor, a solidariedade e a fé.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Ecossocialismo: Amazônia Tecnologias Sociais e prosperidade


Elson de Melo*
Quarta, 08 de agosto de 2018

Começo este texto que abre a coluna que leva a minha assinatura no site “O imparcial do Amazonas”, citando os pilares das campanhas politicas do saudoso Senador Evandro Carreira “peixe e várzea contra a fome”.

O sonho do Senador era ver a nossa Amazônia produzindo proteína para alimentar o mundo!

Para corroborar com esse sonho, ele escreveu a coletânea “Recado Amazônico” e um dos mais importantes escritos para atualidade o livro, “Amazônia - Usina de Alimentos para o Terceiro Milênio “.

As obras do Senador Evandro, não são simples registros literários, são ensinamentos políticos, preocupação com a população ribeirinha da Região, com os caboclos, os índios, a economia, a ecologia, água, e, principalmente a preocupação com as vocações econômicas e sociais da Região Amazônica, sua biodiversidade e territórios.

Evandro foi um ‘amazônida ecossocialista’ visionário que estudou a complexidade do Bioma Amazônico com profundidade, mas pregou no deserto conforme afirmou em artigo o Senador Jefferson Peres.

Evandro defende que o território Amazônico seja inventariado antes que qualquer outra ação do homem seja tomada em relação as suas riquezas naturais.

Como tecnologia social, o Senador defende as Cooperativas Varzeanas para organizar, promover a produção coletiva e comercialização de gêneros de cíclicos curtos, como hortaliças, grãos e a piscicultura em gaiolas ou através do manejo correto dos lagos evitando a pesca predatória.

Para Evandro Carreira, “a floresta amazônica deverá ser o ciclópico divã psicanalítico da espécie humana, onde ela se deitará para repensar e analisar todos os conflitos de seu destino cósmico”.

Assim, a prosperidade do povo ribeirinho, do caboclo, dos índios na Amazônia, está na sobrevivência da floresta em pé, caso contrario, se a devastação for efetivada, é essa população que sofrerá todos os impactos negativos do tão propalado “desenvolvimento”.

Para evitar que a barbárie da devastação aconteça, será preciso que essas populações, recorram a tecnologia social para garantir a sua qualidade de vida e a prosperidade do território e das futuras gerações. O Ecossocialismo é uma das filosofias que ajuda garantir a unidade social dos povos em favor do desenvolvimento humano e da felicidade plena.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.      


terça-feira, 26 de junho de 2018

Esquerda no Amazonas e a disputa eleitoral majoritária no Estado


Elson de Melo
Manaus, 26 de junho de 2018

Em 1982 o PT com a candidatura do professor Osvaldo Coelho ao governo do Amazonas dava inicio ao projeto histórico da classe trabalhadora no âmbito da disputa eleitoral majoritária no Estado.

Até então, salvo melhor juízo, não existe registro que um partido de esquerda tenha lançado uma candidatura ao governo do Estado. Nesses 36 anos o PT, PSTU, PCB e PSOL já lançaram por diversas vezes candidaturas ao governo de Estado, porém, foram candidaturas apenas para marcar posição, nada que abalasse os alicerces da oligarquia local.

Nesse período os partidos tradicionais da esquerda PCB e PCdoB faziam o projeto da oligarquia comandado por Gilberto Mestrinho. Para esses partidos, essas alianças eram apenas estratégicas com o que eles classificavam de “burguesia nacional”.  Tempos depois, aquele PCB se transformou em PPS e PCdoB continua advogando a aliança útil. 

Passado 36 anos, os partidos de esquerda no Amazonas continuam flertando com a oligarquia e, nessa eleição travam uma luta interna para apoiarem uma das frentes da oligarquia local representadas por Amazonino Mendez-PDT, Omar Aziz-PSD, David Almeida-PSB e Wilson Lima-PSC.

Em recente entrevista ao blog “Radar Amazônico”, o candidato David Almeida (PSB) negou, que tenha aliança com o PCdoB ou outros partidos envolvidos na Lava Jato, no caso especifico, o “outro partido envolvido na lava jato” que se referiu, é o PT. 
  
É lamentável ver os dirigentes desses partidos se humilhando e mendigando espaço nessas coligações onde, até o PSOL não sei se por ingenuidade, ou conivência, entrou nessa onda de aliança útil.

No passado, era possível justificar que essas composições eram apenas "aliança estratégica com a burguesia nacional" para criar as condições objetivas de viabilizar o projeto histórico da classe trabalhadora de emancipação econômica, social e politica.

Hoje, porém, não existe mais espaço para essa desculpa, o que está ocorrendo de fato é uma total e irresponsável adesão ao projeto da oligarquia sem nenhum proposito social, econômico ou politico que não seja a manutenção de alguns mandatos de pessoas que na pratica pouco tem contribuído na organização da classe trabalhadora para viabilizar o seu projeto histórico.

O PSOL se afastou da ideia de apoiar David Almeida para lançar a pré-candidatura do camarada sindicalista Berg Barbosa atual presidente do Sindicato dos Bancários do Amazonas. No entanto, parece que a pré-candidatura estacionou no pré-lançamento feito pela US - Unidade Socialista, campo interno do partido que majoritariamente dirige o PSOL no Estado, a oficialização da pré-candidatura segundo decisão da Conferência Eleitoral Estadual, carece de confirmação do Diretório Estadual, organismo ao qual foi delegado a decisão de oficializar a candidatura majoritária a governo, essa demora, leva ao desgaste interno e externo a pré-candidatura, uma vez que sem uma definição do diretório, outras duas pré-candidaturas do professor Jevaldo Silva e da assistente social Marklize Santos embora não tenham nenhuma possibilidade de serem referendadas tanto pelo diretório. Como pela convenção, no momento confundem a a pré-campanha do Berg.

Por outro lado, não vejo nenhuma movimentação para buscar alianças com os outros partidos da esquerda PT, PCdoB e PCB forças politica que estão sendo rejeitadas por uma das frentes da oligarquia não por terem alguém envolvido na Lava Jato, mas sim, por serem partidos de esquerda.

A eleição suplementar de 2017 mostrou que a esquerda tem força suficiente para disputar em igualdade com a oligarquia o poder governamental do Estado do Amazonas, para isso, basta vencer o medo de enfrentar primeiro as nossas diferenças para unir os partidos em torno de uma única candidatura e segundo, definir um programa Amazônico que inclua toda a população amazonense no caminho da prosperidade, se nós conseguirmos enxergar essa possibilidade, com toda certeza, faremos muito mais pelo nosso povo do que fora feito nesses 36 anos de alianças eventuais com a oligarquia.

É momento de fazermos o projeto histórico da classe trabalhadora, de acreditar na luta do povo e vencer nossas diferenças estratégicas e táticas para unir a esquerda e mostrar que é possível mudar a politica no Amazonas.

VAMOS Sem Medo de Mudar o Amazonas!

Elson de Melo é militante do PSOL 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Presidente Temer é "Persona Non Grata" na Zona Franca de Manaus e no Amazonas

Elson de Melo
Manaus - 06/06/2018

A Medida provisória e o decreto presidencial do presidente Temer que concede subvenção, com recursos do Orçamento Geral da União, para o óleo diesel produzido e importado, comercializado no Brasil, afeta diretamente os incentivos do polo de concentrados da Zona Franca de Manaus, ameaça mais cem mil empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva só no Estado Amazonas.

Segundo estudo feito pela SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus, existe a hipótese do fechamento do segmento de concentrados do PIM – Polo Industrial de Manaus que afetará diretamente a cadeia produtiva do setor produtivo do guaraná e a produção de açúcar, empresas como a Agropecuária Jayoro no Município de Presidente Figueiredo que além de ter o maior plantio de guará individual do Amazonas é também a única fabrica de açúcar que produz o açúcar mascavo para a Coca-Cola no Estado e emprega diretamente mais de mil trabalhadores, a paralisação de uma empresa desse porte, afeta diretamente a vida de toda população do Município. 

A produção média do Polo de Concentrado do Amazonas gira em torno de 80 mil toneladas por ano e conta com 26 empresas instaladas no PIM – Polo Industrial de Manaus.

A indústria de concentrados é o setor do PIM – Polo Industrial de Manaus que pode fazer uma ligação mais efetiva da Zona Franca de Manaus com o interior do Estado. 

Hoje empresas como Ambeve que está instalada em Maués produzindo mudas de guaraná e incentivando o plantio da espécie naquele município que coletivamente é o maior produtor do Amazonas, a Coca-Cola através da Recofarma e Jayoro que plantam e industrializam a cana de açúcar e o guaraná em Presidente Figueiredo, são responsáveis por milhares de empregos diretos e indiretos no Amazonas, só para exemplificar o potencial do polo na economia do Amazonas.  

É importante registrar que a produção de grãos do guaraná no Amazonas, não atende a metade da demanda das indústrias de concentrados do Amazonas, a maioria dos grão, vem do Estado da Bahia. Temer com a sua pavorosa MP, fere de morte, o único setor da Zona Franca de Manaus, que gera trabalho e renda no interior do Amazonas, prejudicando não só presente, mas o futuro do nosso povo.

Temer ao editar o decreto presidencial reduziu de 20% para 4% a alíquota do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados sobre os concentrados de bebidas não-alcoólicas (refrigerantes e sucos), na pratica, inviabiliza as indústrias desse setor da Zona Franca de Manaus que perdem competitividade para os fabricantes de bebidas fora do Amazonas.

Temer com outras medidas fiscais anteriores a esta, já causou uma grande onda de desemprego em Manaus, agora com essa MP e o decreto presidencial, promove mais desemprego em todo o Estado do Amazonas.

Diante de tamanha estupidez do decreto presidencial que vai acabar com mais cem mil empregos o Estado, consideramos o Presidente Michel Temer “Persona Non Grata” no Amazonas, inimigo da Zona Franca de Manaus e da Classe Trabalhadora amazonense.

Elson de Melo é sindicalista e militante do PSOL 

domingo, 27 de maio de 2018

Amazonas Eleições 2018: o dilema da esquerda


Elson de Melo
Em: 27 de maio de 2018

As pré-candidaturas de Lula-PT, Manuela d’Ávila-PCdoB, Ciro Gomes-PDT e Guilherme Boulos-PSOL/PCB que representam os partidos do campo da esquerda e progressista, juntos lideram a corrida presidencial de 2018. No Amazonas, somente o PDT já definiu que vai tentar a reeleição de Amazonino Mendes (representante principal da oligarquia), o PT, PSOL, PCdoB e PCB vivem um dilema, lançar candidatura própria ou compor com uma das quatro frentes eleitoral montada pela oligarquia amazonense para polarizar entre seus representantes a disputa eleitoral no Estado.

Até o dia 5 de agosto, os partidos vão realizar suas convenções, no momento o PDT com Amazonino, busca consolidar uma aliança com o MDB e partidos menores, o PCdoB já confirmou que vai com David Almeida-PSB/PODEMOS/AVANTE. O PT está divido entre as correntes que querem aliança com Amazonino as que desejam apoiar David Almeida, somente uma minoria defendem candidatura própria. No PSOL uma aliança interna entre as duas principais correntes US - Unidade Socialista e o MES - Movimento Esquerda Socialista, deve confirmar o apoio do partido a candidatura do David Almeida-PSB. Já o PCB que compõe nacionalmente à aliança que apoia Guilherme Boulos-PSOL, ainda não definiu se vai lançar candidatura própria, ou coligar.

Enquanto a esquerda a nível nacional através do Lula-PT, Manuela d’Ávila-PCdoB e Guilherme Boulos-PSOL acumulam nessa pré-campanha um capital político que pode eleger uma dessas candidaturas a presidente da Republica. No Amazonas, esses partidos ignoram o projeto nacional das suas agremiações e optam por candidaturas majoritárias (governo e senado) que ofereçam estrutura material e financeira aos seus candidatos proporcionais.

Embora essa tática encontre em muitos militantes desses partidos uma justificativa plausível, é importante fazer uma reflexão se esse realmente é o melhor caminho a percorrer.

A esquerda ao longo da história tem superado essa ausência de recurso financeiro com organização e militância orgânica capaz de exercer as mais diversas tarefas da nossa luta. É evidente que as normas eleitorais institucionais, remetem as campanhas eleitorais para uma corrida consumista que começa com o eleitor pedinte, o marketing escorchante e a produção publicitária oportunista e aviltante, no entanto, o mais importante nesse momento é comparar o projeto estratégico nacional de reorganização da esquerda que defendemos com a tática imediatista aparentemente factível.

Continuo insistindo que, diante do capital politico acumulado nacionalmente pelas pré-candidaturas Lula-PT, Manuela-PCdoB e Boulos-PSOL/PCB, o mais importante para a esquerda nesse momento no Amazonas é unir esses partidos em uma aliança capaz de enfrentar com determinação essa oligarquia que governa e infelicita o povo amazonense há 36 anos.

Elson de Melo é militante do PSOL


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Eleições 2018 no Amazonas: a esquerda como alternativa ou sem alternativa?!


Elson de Melo
Manaus, 18/05/2018

Há 36 anos a oligarquia comandada por Gilberto mestrinho ocupou a política amazonense e governam o Estado do Amazonas com mão de ferro. Nessas mais de três décadas e meia, a esquerda não conseguiu organizar um projeto e candidaturas que supere esse câncer político que sufoca o nosso povo diariamente.

No dia 7 de outubro, haverá uma nova eleição, como já afirmei em outro texto, essa oligarquia perversa, está se apresentando com quatro frentes nesta eleição e a esquerda pelo que tudo indica, vai se diluir dentro dessas frentes.

O primeiro partido com perfil de esquerda a concorrer a eleição majoritária ao governo do Amazonas foi o PT em 1982 com a candidatura do professor Osvaldo Coelho, depois o PT concorreu ainda em 1986 com o médico Marcos Barros, em 1994 com o professor Aloysio Nogueira, em 2002 com João Pedro e em 2017 com o deputado José Ricardo.  

O PSTU já disputou as eleições de 1998, 2002, 2006 (PSTU, PCB, PSOL) 2010 e 2014, todas com Herbert Amazonas.

O PCO só disputou uma eleição, foi em 2006 com José Sobrinho, o PCO desde então não conseguiu mais se organizar no Amazonas.

O PSOL em 2006 apoiou Herbert Amazonas do PSTU, em 2010 concorreu com Luiz Carlos Sena e em 2014 com Abel Alves, na eleição suplementar de 2017 o PSOL apoiou Luiz Castro da REDE.

O PSB já foi sigla de aluguel da candidatura do Arthur Neto em 1986, em 2002 lançou Serafim Corrêa, em 2014 continuou como sigla de aluguel dessa vez para Marcelo Ramos, na eleição suplementar de 2017 lançou Marcelo Serafim.

O PCB concorreu ao governo do Estado em 2010 e 2014 com Liz Navarro.

O PDT só concorreu ao governo do Estado na eleição de 2006 com Paulo de Carli e na eleição suplementar de 2017 com Amazonino Mendes.

O PCdoB nunca apresentou uma candidatura ao governo do Amazonas, sua participação foi sempre compondo com outras candidaturas.

A história recente mostra que a esquerda no Amazonas, nunca conseguiu se articular politicamente para apresentar um projeto pelo menos alternativo ao domínio da oligarquia que governa o Amazonas há 36 anos.

Com o golpe parlamentar de 2016, a politica nacional ficou dividida entre os que lutam contra o golpe, e os que apoiam o golpe.

Institucionalmente, no Amazonas, somente o PT e o PCdoB se manifestam contra o golpe. O PSB e PDT nunca se manifestaram a respeito. O PCB passa por um processo de reestruturação no Estado. Já o PSOL, embora nacionalmente seja contrario ao golpe, no Amazonas com rasíssimas exceções, é quase unanimidade o apoio ao golpe.

A REDE segundo seus dirigentes afirmam, não reivindica a esquerda como referencia de mudança, se intitulam apenas progressistas, por essa razão são apoiadores do golpe em toda a sua plenitude até nas reformas do TEMER, a REDE está mais para um partido de orientação centro direita, que para progressista. Com a desistência do Joaquim Barboza da candidatura presidencial, o PSB deve apoiar a candidatura da REDE, isso significa que, no Amazonas a candidatura ao governo vai ser indicada pelo PSB.

Diante desse quadro totalmente desorientado da esquerda no Amazonas, é quase impossível articular no âmbito desse seguimento politico, um projeto de mudanças radicais e de enfrentamento a politica escrota e caduca da oligarquia no Estado. No entanto, é importante construir essa unidade pelo menos com uma parte da esquerda.

No próximo domingo (20/05) o PSOL Amazonas, vai definir sua estratégia e tática eleitoral para as eleições de outubro, em outro texto, já afirmei que o ideal é articular uma aliança ousada de enfrentamento a essa oligarquia perversa que governa o Amazonas há mais de três décadas e meia, seria uma composição envolvendo o bloco de partidos que não apoiaram o golpe PT, PSOL, PCdoB, PCB e outros partidos que não estejam alinhados com as quatro frentes da oligarquia.

Para viabilizar essa aliança, será preciso muita disposição para dialogar e entender que é necessário unir os partidos com disposição de lutar contra a retirada de direitos da classe trabalhadora, contra a reforma previdenciária, a venda da Eletrobrás e da Petrobras, contra o avanço das construções de barragens nas terras indígenas, contra o avanço das mineradoras sobre a nossa Amazônia, pela demarcação das terras indígenas e outras pautas de interesse da classe trabalhadora e da democracia.

Esperamos que a Conferência defina o arco de aliança, indique uma candidatura ao governo como indicativo prévio de ser apresentado aos demais partidos relacionados como candidatura a ser considerado na composição e, escolher as demais candidaturas ao senado, a câmara federal e a estadual.

A pré-candidatura a Presidente do camarada Boulos, precisa de uma atenção maior por parte do PSOL no Amazonas, essa atenção, passa pela organização de uma coordenação local, o envolvimento de todas as candidaturas do partido na campanha presidencial e na apresentação da contribuição do Amazonas ao Plano de governo da aliança PSOL/PCB.

 Boa Conferência.

Elson de Melo é militante do PSOL


Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

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