domingo, 27 de maio de 2018

Amazonas Eleições 2018: o dilema da esquerda


Elson de Melo
Em: 27 de maio de 2018

As pré-candidaturas de Lula-PT, Manuela d’Ávila-PCdoB, Ciro Gomes-PDT e Guilherme Boulos-PSOL/PCB que representam os partidos do campo da esquerda e progressista, juntos lideram a corrida presidencial de 2018. No Amazonas, somente o PDT já definiu que vai tentar a reeleição de Amazonino Mendes (representante principal da oligarquia), o PT, PSOL, PCdoB e PCB vivem um dilema, lançar candidatura própria ou compor com uma das quatro frentes eleitoral montada pela oligarquia amazonense para polarizar entre seus representantes a disputa eleitoral no Estado.

Até o dia 5 de agosto, os partidos vão realizar suas convenções, no momento o PDT com Amazonino, busca consolidar uma aliança com o MDB e partidos menores, o PCdoB já confirmou que vai com David Almeida-PSB/PODEMOS/AVANTE. O PT está divido entre as correntes que querem aliança com Amazonino as que desejam apoiar David Almeida, somente uma minoria defendem candidatura própria. No PSOL uma aliança interna entre as duas principais correntes US - Unidade Socialista e o MES - Movimento Esquerda Socialista, deve confirmar o apoio do partido a candidatura do David Almeida-PSB. Já o PCB que compõe nacionalmente à aliança que apoia Guilherme Boulos-PSOL, ainda não definiu se vai lançar candidatura própria, ou coligar.

Enquanto a esquerda a nível nacional através do Lula-PT, Manuela d’Ávila-PCdoB e Guilherme Boulos-PSOL acumulam nessa pré-campanha um capital político que pode eleger uma dessas candidaturas a presidente da Republica. No Amazonas, esses partidos ignoram o projeto nacional das suas agremiações e optam por candidaturas majoritárias (governo e senado) que ofereçam estrutura material e financeira aos seus candidatos proporcionais.

Embora essa tática encontre em muitos militantes desses partidos uma justificativa plausível, é importante fazer uma reflexão se esse realmente é o melhor caminho a percorrer.

A esquerda ao longo da história tem superado essa ausência de recurso financeiro com organização e militância orgânica capaz de exercer as mais diversas tarefas da nossa luta. É evidente que as normas eleitorais institucionais, remetem as campanhas eleitorais para uma corrida consumista que começa com o eleitor pedinte, o marketing escorchante e a produção publicitária oportunista e aviltante, no entanto, o mais importante nesse momento é comparar o projeto estratégico nacional de reorganização da esquerda que defendemos com a tática imediatista aparentemente factível.

Continuo insistindo que, diante do capital politico acumulado nacionalmente pelas pré-candidaturas Lula-PT, Manuela-PCdoB e Boulos-PSOL/PCB, o mais importante para a esquerda nesse momento no Amazonas é unir esses partidos em uma aliança capaz de enfrentar com determinação essa oligarquia que governa e infelicita o povo amazonense há 36 anos.

Elson de Melo é militante do PSOL


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