Elson
de Melo
Manaus,
18/05/2018
Há 36 anos a
oligarquia comandada por Gilberto mestrinho ocupou a política amazonense e
governam o Estado do Amazonas com mão de ferro. Nessas mais de três décadas e
meia, a esquerda não conseguiu organizar um projeto e candidaturas que supere
esse câncer político que sufoca o nosso povo diariamente.
No dia 7 de
outubro, haverá uma nova eleição, como já afirmei em outro texto, essa oligarquia
perversa, está se apresentando com quatro frentes nesta eleição e a esquerda
pelo que tudo indica, vai se diluir dentro dessas frentes.
O primeiro
partido com perfil de esquerda a concorrer a eleição majoritária ao governo do
Amazonas foi o PT em 1982 com a candidatura do professor Osvaldo Coelho, depois
o PT concorreu ainda em 1986 com o médico Marcos Barros, em 1994 com o
professor Aloysio Nogueira, em 2002 com João Pedro e em 2017 com o deputado
José Ricardo.
O PSTU já
disputou as eleições de 1998, 2002, 2006 (PSTU, PCB, PSOL) 2010 e 2014, todas
com Herbert Amazonas.
O PCO só disputou
uma eleição, foi em 2006 com José Sobrinho, o PCO desde então não conseguiu
mais se organizar no Amazonas.
O PSOL em 2006
apoiou Herbert Amazonas do PSTU, em 2010 concorreu com Luiz Carlos Sena e em
2014 com Abel Alves, na eleição suplementar de 2017 o PSOL apoiou Luiz Castro
da REDE.
O PSB já foi
sigla de aluguel da candidatura do Arthur Neto em 1986, em 2002 lançou Serafim
Corrêa, em 2014 continuou como sigla de aluguel dessa vez para Marcelo Ramos,
na eleição suplementar de 2017 lançou Marcelo Serafim.
O PCB concorreu
ao governo do Estado em 2010 e 2014 com Liz Navarro.
O PDT só
concorreu ao governo do Estado na eleição de 2006 com Paulo de Carli e na
eleição suplementar de 2017 com Amazonino Mendes.
O PCdoB nunca
apresentou uma candidatura ao governo do Amazonas, sua participação foi sempre
compondo com outras candidaturas.
A história
recente mostra que a esquerda no Amazonas, nunca conseguiu se articular
politicamente para apresentar um projeto pelo menos alternativo ao domínio da
oligarquia que governa o Amazonas há 36 anos.
Com o golpe
parlamentar de 2016, a politica nacional ficou dividida entre os que lutam
contra o golpe, e os que apoiam o golpe.
Institucionalmente,
no Amazonas, somente o PT e o PCdoB se manifestam contra o golpe. O PSB e PDT
nunca se manifestaram a respeito. O PCB passa por um processo de reestruturação
no Estado. Já o PSOL, embora nacionalmente seja contrario ao golpe, no Amazonas
com rasíssimas exceções, é quase unanimidade o apoio ao golpe.
A REDE segundo
seus dirigentes afirmam, não reivindica a esquerda como referencia de mudança,
se intitulam apenas progressistas, por essa razão são apoiadores do golpe em
toda a sua plenitude até nas reformas do TEMER, a REDE está mais para um
partido de orientação centro direita, que para progressista. Com a desistência
do Joaquim Barboza da candidatura presidencial, o PSB deve apoiar a candidatura
da REDE, isso significa que, no Amazonas a candidatura ao governo vai ser
indicada pelo PSB.
Diante desse
quadro totalmente desorientado da esquerda no Amazonas, é quase impossível
articular no âmbito desse seguimento politico, um projeto de mudanças radicais
e de enfrentamento a politica escrota e caduca da oligarquia no Estado. No
entanto, é importante construir essa unidade pelo menos com uma parte da
esquerda.
No próximo
domingo (20/05) o PSOL Amazonas, vai definir sua estratégia e tática eleitoral
para as eleições de outubro, em outro texto, já afirmei que o ideal é articular
uma aliança ousada de enfrentamento a essa oligarquia perversa que governa o
Amazonas há mais de três décadas e meia, seria uma composição envolvendo o
bloco de partidos que não apoiaram o golpe PT, PSOL, PCdoB, PCB e outros
partidos que não estejam alinhados com as quatro frentes da oligarquia.
Para viabilizar
essa aliança, será preciso muita disposição para dialogar e entender que é
necessário unir os partidos com disposição de lutar contra a retirada de direitos
da classe trabalhadora, contra a reforma previdenciária, a venda da Eletrobrás
e da Petrobras, contra o avanço das construções de barragens nas terras
indígenas, contra o avanço das mineradoras sobre a nossa Amazônia, pela
demarcação das terras indígenas e outras pautas de interesse da classe
trabalhadora e da democracia.
Esperamos que a Conferência defina o arco de aliança, indique uma candidatura ao governo como indicativo prévio de ser apresentado aos
demais partidos relacionados como candidatura a ser considerado na composição e,
escolher as demais candidaturas ao senado, a câmara federal e a estadual.
A pré-candidatura
a Presidente do camarada Boulos, precisa de uma atenção maior por parte do PSOL
no Amazonas, essa atenção, passa pela organização de uma coordenação local, o
envolvimento de todas as candidaturas do partido na campanha presidencial e na
apresentação da contribuição do Amazonas ao Plano de governo da aliança
PSOL/PCB.
Boa Conferência.
Elson de Melo é
militante do PSOL

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