quarta-feira, 9 de março de 2016

Condução coercitiva de Lula e a expulsão de Ribeirinhos e Índios em Belo Monte feito por Lula e Dilma

Pior que condução coercitiva é a expulsão de Índios e Ribeirinhos em Belo Monte feito por Lula e Dilma em Belo Monte no Rio Xingu-Pará!

Quarta-feira, 9 de março de 2016
Por Elson de Melo

Durante toda minha vida de militante das lutas sociais, já presenciei e muitas formas de autoritarismo do Estado. Condução coercitiva é o menor dos males que esse Estado autoritário pode e faz contra as pessoas.

Quem acompanha a expulsão de índios, Ribeirinhos feitos pelo governo Lula e Dilma no Rio Xingu (PA) e no Madeira (RO) sabe o que é ser humilhado por oficias de justiça, com um mandado judicial na mão e com força policial truculenta a mando de um governo que hoje reclama respeito ao direito individual do ex-presidente Lula.

É claro que uma coisa não justifica a outra, mas se comparamos quantas vezes o ex-presidente Lula e a presidente Dilma se valeu e se valem dos rigores da Lei para expulsar índios e ribeirinhos dos seus territórios para entregar as empreiteiras que hoje estão sendo investigadas pela Lava Jato onde estão matando rios, peixes e outras vidas animal e vegetal, para erguer hidrelétricas.

Da mesma forma a Ministra da Agricultura Kátia Abreu vem praticando uma verdadeira perseguição aos índios e pequenos agricultores para tomar suas terras e entregar ao agronegócio que responde apenas por 5% do PIB-Produto Interno Bruto brasileiro.

Vivemos sobre a tutela de um Estado autoritário e de um governo que se vale dos rigores da Lei quando lhe é conveniente, para humilhar pessoas simples que não tem a sua disposição parlamentares, sindicatos e partidos políticos para defendê-los!


Somos por direitos iguais para todos.

sábado, 5 de março de 2016

Lula ou Dilma – quem o PT vai tentar salvar?

Para quem acompanhou atentamente esses três episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo ex-presidente Lula

Sábado 05/03/2016
Por: Elson de Melo

Os três últimos acontecimentos; prisão do marqueteiro João Santana, a delação premiada do Senador Delcidio do Amaral (PT) ex-líder do governo no Senado e a condução coercitiva do ex-presidente Lula, determinou ao PT uma dramática decisão que ele vai ter que tomar – tentar salvar, Lula ou Dilma! Para quem acompanhou atentamente esses três episódios já tem elementos suficientes para afirmar que o PT já optou pelo ex-presidente Lula.

A Presidente Dilma já vinha sendo preterida pelo PT desde o inicio do ano, confirmado com a não inclusão da Presidente no programa do partido levado ao ar no dia 23 de fevereiro no rádio e televisão, depois a Presidente foi aconselhada a não participar da festa de aniversário do PT no Rio de Janeiro, onde ela teve que arrumar uma visita de ultima hora ao Chile e por ultimo no episódio da delação premiada do Senador Delcidio do Amaral o PT limitou-se a emitir uma nota burocrática em relação as acusações contra a Presidente.

Acompanhando o rompimento dessa barragem de rejeitos (comparação a barragem da Samarco em Mariana-MG) do governo petista ocorrido nos últimos dias (prisão de João Santana, denuncias de Delcidio e depoimento do Lula na PF),  o IBGE divulgou o PIB – Produto Interno Bruto de 3.8% negativo, apontando quedas nos setores industriais, comércio e serviços, o pior resultado da economia nos últimos 25 anos. Emaranhado nessa teia de denuncias, o Ministro da Fazenda Nelson Barbosa, ligado ao ex-presidente Lula simplesmente sumiu e a Presidente Dilma sequer deu alguma explicação referente a mais um fracasso do seu governo, da mesma forma, o PT também não comentou os números negativos da economia, uma clara evidencia que o partido cada vez mais se distancia de Dilma.  

A 24º etapa da operação Lava Jato, ficou marcada pela condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor no inquérito do Ministério Publico Federal sobre uma seria de indícios de o mesmo se beneficiário de mimos, vantagens e pagamentos feito por empresas investigadas pelo MPF por pratica de propinas (corrupção) em contratos da Petrobras.

Lula reagiu de forma incisiva afirmando que ficou “intimamente magoado” com a forma que o Justiça agiu, porém, não esclareceu nada sobre as acusações que levaram o MPF a fazer busca e apreensão na sua residência e de outros, no Instituto Lula e no sitio em Atibaia e no Apartamento em Guarujá.

Lula usou o episódio para lançar a sua candidatura a Presidente em 2018 e mobilizar o PT para defender a sua “inocência”. O PT e PCdoB usaram toda a estrutura dos dois partidos e dos seus governos estaduais, municipais e Federal para mobilizar os filiados desses partidos, no entanto, não foi suficiente para uma demonstração de força capaz de fazer frente as insatisfações da imensa maioria da população brasileira.

A reação do PT na defesa de Lula e Dilma é proporcionalmente desproporcional, isso mostra que a opção do partido é por Lula, já a Presidente Dilma ficará entregue a sua própria sorte.

Em relação a sucessão presidencial, é importante entender que embora Lula e o PT tentem mostrar uma reação forte, não será de forma alguma, como as de 1989 e 2002. Em 1989 Lula e o PT emplacaram uma reação popular que superou Brizola na segunda colocação e quase elegia Lula Presidente. Já em 2002, Lula e o PT se rendem ao capital com a famosa “Carta ao povo brasileiros” e consegue eleger Lula Presidente.

Lula em seu pronunciamento na sede nacional do PT após prestar depoimento a Policia Federal e ao MPF no aeroporto de Congonhas-SP, afirmou que vai “recomeçar”. Uma afirmação um tanto quanto intempestiva. Lula não representa mais a esperança de um país melhor, ético, prospero e livre da corrupção. Da mesma forma o PT não tem mais nenhum sinal do partido de 1989 e 2000 época em que a sua militância não dependia de cargos comissionados em governos estaduais, municipais e Federal.

O pronunciamento de Lula foi muito confuso em seu conteúdo, condenou as elites, mas defendeu as empresas investigadas pelo MPF. Lula mesmo acenando em ‘recomeçar’, dá uma demonstração clara que está muito ligado ao capital e os mimos que ele proporciona, portanto, esse recomeço não será para um novo projeto, mas sim para salvar o que ainda resta da história do próprio Lula.

A esquerda socialista no período do lulopetismo, ainda não conseguiu reagir positivamente na construção de um projeto de poder popular, vem se limitando criticar pontualmente as distorções do governo petista, sem se aprofundar na construção de uma alternativa concreta ao velho PT.

O momento é muito delicado do ponto de vista imediato, mas importante para nós da esquerda socialista, é tempo de dar mais ênfase na construção do projeto de poder popular, isso implica em manter-se firme na defesa da democracia e estrategicamente contra o impeachment de Dilma.

O 'recomeço' de Lula não pode ser confundido pela esquerda socialista como a solução dos problemas sociais do país, o caráter caudilhista em que Lula se transformou, mostra claramente que esse 'recomeço' que ele pretende, tem um único objetivo – manter o Estado autoritário a serviço do capital, remediando os problemas com medidas paliativas que só aprofundam a exploração dos trabalhadores..

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

PSOL Amazonas 2016: Candidatura própria para unir a esquerda e os descontentes

Por: Elson de Melo* - O Amazonas há 33 anos é governado pelo mesmo grupo politico. Quando Gilberto Mestrinho tomou posse em 1983 no governo do Amazonas, ele disse a celebre frase: “meu grupo vai governar o Amazonas por 20 anos”.

Passado 33 anos, o grupo da ‘maldição da rodela’ continua governando o Estado do Amazonas. A receita para eles se manterem por tanto tempo no poder é a mesma; corrupção, intimidação, cooptação e polarização, alia-se a isso a ausência de uma oposição consequente e determinada a romper com as amarras que esse grupo envolveu o nosso povo.

O único movimento de oposição que ameaçou esse grupo foi o “Muda Amazonas”, mas sucumbiu com a cooptação do seu principal líder Artur Neto que ao chegar a Prefeitura em 1988, pulou para o colo do velho caudilho Gilberto Mestrinho e, desde então, permanece fiel ao grupo da ‘rodela’.

O PT que em 1982 concorreu pela primeira vez ao governo com o professor Osvaldo Coelho, que em 1985 obteve mais de 11% de votos para prefeito com o professor Aloysio Nogueira, teve um excelente desempenho com a candidatura do médico Marcos Barros a governo em 1986, em 1988 lançou o advogado José Barroncas a prefeito, só conseguiu laçar mais uma candidatura própria ao governo com o então Vereador Aloysio Nogueira concorrendo ao cargo. Depois, e até hoje, o PT passou a ser um puxadinho do grupo da ‘rodela’.

Hoje estamos assistindo mais um episódio da polarização desse grupo com ele mesmo comandado por Eduardo Braga e José Melo, nessa versão, é possível constatar o quanto são envolventes e dissimulados. Simulam uma polarização com apelo midiático tão forte e envolvente que, até setores da esquerda socialista se sentem na obrigação de serem solidários com uma parte desse grupo (veja o episódio das notas na ALEAM) que, descaradamente os grupos esquerdistas, se escondem atrás de uma suposta onda de solidariedade e, sem nenhuma ressalva, declararam sua preferencia por um dos membros do grupo da ‘rodela’.

O PSOL que há 10 anos está presente no Amazonas estreou na disputa eleitoral, apoiando o camarada Herberte Amazonas (PSTU) para governo, depois lançou o professor Ricardo Bessa a Prefeito de Manaus e em seguida apresentou Carlos Sena ao governo EM 2010, em 2012 resolveu servir de puxadinho do PSB apoiando Serafim Correia a prefeito de Manaus.  Por oito anos o PSOL no Amazonas amargou as piores votações, um fiasco!

A saída é pela esquerda

Não vemos saída com os partidos ou pessoas remanescentes do grupo da ‘maldição da rodela’! Foi por pensar assim e preocupados com o fraco desempenho do PSOL nas eleições anteriores e, visando construir uma alternativa capaz de se contrapor objetivamente ao grupo da ‘rodela’, que nós militantes do PSOL Amazonas (Unidade Socialista - US), rompemos todos os entraves burocráticos e boicotes internos, e, lançaram a candidatura do ex-deputado Abel Alves ao governo do Amazonas em 2014, enfrentamos uma luta desigual em todos os aspectos, primeiro o forte boicote de parte das tendências interna do partido, depois a forte polarização entre os dois candidatos do grupo da ‘rodela’ [Eduardo e Melo], essas duas candidaturas eram poderosas economicamente, que conseguiram agregar outras candidaturas a governo, para servir de apoio ao seu projeto. Abel Alves e o PSOL/AM mesmo com as limitações permaneceram firmes e conseguimos tirar o partido do rol de partidos nanicos. Com a candidatura do Abel, conseguimos quadruplicar a votação do PSOL para governador do Amazonas, melhoramos todas as outras votações que nas eleições anteriores eram deploráveis.

Aproximam-se as eleições de 2016 para prefeitos e vereadores. Dentro dos interesses eleitorais de pessoas e partidos remanescentes do grupo da ‘rodela’ não faltarão propostas imediatistas tentando fazer acreditar que suas ideias são contrarias aos de Eduardo Braga, José Melo, Omar Aziz, Artur Neto, Amazonino Mendes e Alfredo Nascimento (todos do grupo da 'rodela'). Na politica, isso é muito natural, como é natural também, avaliarmos com toda pericia os propósitos desses pretensos opositores, no entanto, acho importante que, o PSOL pelo seu potencial, deva apenas se concentrar em oferecer aos amazonenses da capital e do interior, um projeto estratégico se superação desse grupo da ‘rodela’.

Dentro desse proposito, mais uma vez, os militantes da Unidade Socialista, vão se empenhar na construção de candidaturas próprias em Manaus e nos municípios do interior. As narrativas históricas, dão conta que, a maioria dos pretensos candidatos a prefeitura de Manaus, são remanescentes do grupo da ‘rodela’, da mesma forma, a maioria apoia o prefeito Artur, o governador caçado Melo ou o Ministro Braga e o ex-prefeito Alfredo Nascimento, portanto, todos estão comprometidos com mesmo sistema que há 33 anos comanda a politica no Amazonas. Apoiar um deles é continuar levando o nosso povo ao sofrimento.

A Candidatura do PSOL a ser construída, precisa e deve atender a um projeto de união da esquerda socialista no Amazonas, precisa ser capaz de unir os descontentes com esse modelo podre cultivado pelo grupo da ‘rodela’. Assim, os militantes da Unidade Socialista-por um PSOL popular, não medirão esforços para dar continuidade ao projeto iniciado em 2014, qual seja, construir o projeto de poder popular e libertar o Amazonas das garras dessa oligarquia corrupta (grupo maldição da rodela) que governa o Amazonas há 33 anos.

Viva o PSOL popular!
Viva a esquerda socialista!

*Elson de Melo é militante do PSOL Amazonas 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Frente povo sem medo: “Tomar as ruas para combater os ataques do capital ao nosso povo”

Por: Elson de Melo *

Manaus-AM – Aos poucos a esquerda socialista brasileira vai definindo uma estratégia de enfrentamento ao avanço da direita sanguinária que pretende a custa de todo tipo de manhas e artimanhas (boicotes econômicos, financiamento de grupos ultradireitista, campanhas midiáticas contra governos democráticos...) detonar o processo de aprofundamento da democracia no continente latino americano.

As constantes tentativas de interromper o avanço da democracia libertadora dos povos do continente, são atitudes do capital visando a manutenção da exploração capitalista, o acumulo de riqueza nas mãos de uma minoria imperialista e controlar o Estado para que o mesmo garanta as Leis que favoreçam os prazeres do capital, ou seja, lucro.

No Brasil desde sua redemocratização, o país já experimentou três governos, Sarney-Collor-Itamar, Fernando Henrique, Lula-Dilma. Nesse quase 30 anos, os resquícios da ditadura militar permanecem vivos, uma parte dentro do PSDB-PT-PTB-PP-PR-DEM e a imensa maioria sempre dentro do PMDB.

Com a chegada de Lula a presidência da republica, a expectativa era de que as populações subalternas seriam as grandes beneficiaria do propalado governo popular que chegou afirmando ‘a esperança venceu o medo’, no entanto, essa frase não passou de engodo para justificar o inicio da guerra fria entre PT X PSDB.

No centro das decisões da Nação, está sempre o PMBB dando as cartas e colhendo as propinas, esse partido é o legitimo representante da oligarquia cretina que se sustenta da especulação no campo, do controle da maioria das prefeituras e câmaras municipais, é maioria na Câmara Federal e no Senado.

O PT para tentar superar o PMDB e o PSDB, enveredou pelo mesmo caminho, primeiro tentou o mensalão, caminho trilhado pelo PSDB, foi dedurado e flagranteado, suas principais lideranças foram condenadas e presas. Depois resolveu experimentar o método do PMDB, arrecadação de propina através da maior estatal a Petrobras, usou para isso, os mesmos operadores do PMDB desde época do governo da ditadura militar e depois passando por Sarney, (Renato Duque, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Fernando Baiano, Alberto Youssef, Nestor Ceveró e as empresas Camargo Correia, UTC, MPE, OAS, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Schahi, Odebrecht...) um verdadeiro batalhão de operadores.

Nesse processo, a direita sanguinária, consegue avançar obtendo um mínimo de simpatia até da classe média.  De posse desses prestigio, coloca suas garrar a prova e começa ameaçar com intervenção militar, impeachment da Presidente Dilma, uma avalanche de investidas tentando conseguir a hegemonia da sociedade brasileira.

Diante desse contexto, a esquerda socialista e aqui destaco a lucidez do PSOL que, embora tenha sido criado a partir de divergências profundas com o governo do PT, vem se comportando como só os verdadeiros revolucionários são capazes, manteve a coerência e é contra o impeachment da Presidente, nesse particular sempre afirmo “o PT nunca foi coerente com a esquerda, pelo contrário, sempre tentou isolar e impedir o avanço dos socialistas” completo afirmando, “no entanto, os verdadeiros socialistas sempre serão coerentes, principalmente quando a democracia corre perigo”.

A criação da Frente Povo sem Medo que é composto pelos principais movimentos populares e sindicais que se opõem aos inúmeros ajustes fiscais e econômicos desse governo, é o inicio de uma rearticulação da resistência popular que aos poucos começa a tomar dimensão nacional e logo será o principal referencial das lutas populares do nosso país.

Depois de muitas tentativas, a esquerda socialista, começa mostrar maturidade e inicia a construção de uma nova ferramenta que em breve vai empolgar os operários, camponeses, homens e mulheres, jovens e adultos para continuar a construção do Socialismo.

“Trabalhadores do mundo, uni-vos”
Viva o Socialismo!


* Elson de Melo é militante sindical 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Poesia: Tributo ao Rio Doce

"A água verde do rio se misturou com a lama até tudo ficar marrom. Os moradores estavam chocados, tentando ajudar de alguma forma", conta Leonardo, sobre o momento em que a mancha se espalhou por 10 km de praias na foz do rio.

A narrativa acima é o atestado de óbito do Rio Doce.

O registro através da poesia, foi a forma que encontrei, para manifestar toda minha indignação com a tragédia provocada pelas mineradoras  Samarco, a anglo-australiana BHP Billiton Brasil Ltda. e a Vale do Rio Doce S.A e com a forma conivente que o governo Dilma/Lula-PT-PMBB, está tratando a maior Tragédia Ambiental do Mundo!

Elson de Melo

TRIBUTO AO RIO DOCE
Elson de Melo

O Rio Doce está morto!
Foi assassinado pela fúria do capital.
Os peixes que lá nadavam
Morreram sem saber de que.
As águas que eram doces
Viraram lamas, amargas, fétidas e travosas.
As pessoas que contemplavam
Fugiram sem saber pra onde.
No Brasil e no mundo
Crime ambiental é apenas um desastre.
Não existe réu, não existe dolo.
Existe apenas o consolo das multas milionárias.
Quem pode pagar, pode continuar a matar.
Matar pessoas, rios, florestas e qualquer forma de vida.
Ao governo um sobrevoou basta
A missão está cumprida e a tragédia entendida
Vale a desculpa dos criminosos e o silencio da impunidade
Aos índios, ribeirinhos e pescadores, cabe o lamento e o desespero!
O operário faz protesto para manter o trabalho
O bombeio tenta o resgate dos corpos não encontrados
O povo assiste calado, inerte, como se nada tivesse ocorrido.
E o poeta triste e indignado se afronta.
Lança seus versos ao tempo
Estufa o peito e brada ao mundo o seu protesto!
Contra a inércia e conivência com o crime dos que governam
Inconsolado declama em prantos o seu eu tributo aos que morreram e
Conclama a lutar pela vida, os que sobreviveram.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Joga pedra na Gení: Zona Franca de Manaus novamente na berlinda

Por Elson de Melo* – A Zona Franca de Manaus mais uma vez na berlinda. A crise econômica e politica que conturba a governabilidade do governo Dilma, acerta em cheio os empregos no Parque Industrial que já ultrapassa vinte mil demissões em 2015.

Para nós que sobrevivemos às inúmeras crises do século passado e no atual, essa gritaria não é mais novidade, no entanto, nos preocupa em muito devido as consequências sociais tanto caracterizado pelos estudiosos da sociologia amazônica.

A Professora Irecê Barbosa em seu livro Chão de Fábrica – Ser Mulher Operária no Polo Industrial de Manaus (editora Valer) – afirma que a solução para a questão do desemprego no Brasil é muito complexa em razão da baixa escolaridade da mão-de-obra e aponta que, a solução está na melhoria da educação básica, além da ampliação e adequação dos cursos profissionalizantes e redirecionamento das instituições publicas e privadas para atender as demandas do mercado.

Por outro lado, a politica continua sobre o domínio das oligarquias conformistas que ocupam o aparelho de Estado como meio de barganha para beneficio próprio em detrimento das politicas publicas relevantes para o fortalecimento da economia local e a melhoria da qualidade de vida do povo interiorano, que desprovidos dessas politicas, continuam a migrar para a capital Manaus e agora para a Região Metropolitana, fato que concentra mais de 60% (sessenta por cento) do eleitorado amazonense no entorno de Manaus.

Desde a década de oitenta, o PIM – Parque Industrial de Manaus, o índice de emprego oscila em torno de setenta a cento e vinte mil empregos, a cota mais baixa foi no inicio da década de noventa períodos do governo Collor, quando o PIM amargou pouco mais de 35 mil empregos ofertados e mais de 70 mil desempregados.

A década de noventa foi o inicio da corrida tecnológica no PIM devido os efeitos da terceira Revolução Industrial no Brasil, quem não se lembra da celebre frase do Collor “Os carros brasileiros são verdadeiras carroças...”, pois é Collor promoveu a famosa abertura da economia brasileira ao mercado internacional, o resultado no PIM foi desemprego em massa, há época esse escrevente era Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus e testemunhamos as demissões de mais de cinquenta mil metalúrgicos cuja maioria eram mulheres.

Dos mais de oitenta mil empregados do setor, restaram vinte e cinco mil, o resto ‘desceram a Buriti’, a Jutaí e outras avenidas do Distrito Industrial (linguagem operária para quem é demitido no PIM). As rações do Sindicato foram muitas, passeatas pela cidade, vigília em frente ao Palácio Rio Negra (sede do governo estadual), fechamento dos acessos ao Distrito Industrial por um dia e Atos Públicos nas praças de Manaus. Essas ações eram parte de uma campanha contra o desemprego que tinha como chamada o verso de Gonzaguinha “E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/ Se morre/ Se mata...”.

O resultado dessas mobilizações foi a mudança de visão que o governo Federal tinha a respeito Da Zona Franca de Manaus, a partir desse período, o PIM passou a ser visto como um pouco mais de respeito pelas autoridadeS central, principalmente as fazendárias, o Amazonas ganhou um espaço mais destacado na politica nacional o que propiciou a retomada de implantação de novas empresas, destaque para os investimentos em TI – Tecnologia da Informação e o Polo de Duas Rodas, mesmo com a Lei de informática ampliando incentivos para outros Estados da Federação, as empresas aqui instaladas passaram a investir em conhecimento e desenvolvimento de novos produtos, organizaram seus Institutos de Pesquisas e desenvolvimento Tecnológicos,  outras passaram a incentivar as Instituições locais que desenvolvem Tecnologia da Informação, a empresa Nokia investiu no ensino médio com a escola da Fundação Nokia que hoje está ameaçada de fechar as portas, o que será uma grande perda para a nossa juventude.

O governo do Estado criou a UEA – Universidade do Estado do Amazonas e depois a FAPEAM – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas e mais tarde a SECTI – Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, porém, as politicas adotadas no campo da ciência e tecnologia continuam em segundo plano, a provas disso, é a extinção pelo Governador José Melo (PROS) da Secretaria de Ciência e Tecnologia e o abandono pelas autoridades Federais, Estadual e Municipal de Manaus, do CBA - Centro de Biotecnologia da Amazônia.

A ‘Pátria Educadora’ da Presidente Dilma, não passou de uma frase sem efeito, antes mesmo de assumir o segundo e conturbado mandato, a Presidente anunciou cortes no orçamento para educação e até agora já estamos experimentando o quarto Ministro, sendo que o ultimo que assumiu [Aloizio Mercadante], é um conhecido arrogante tecnocrata que vê a educação como um gasto e nunca como investimento ou mesmo esperança de um povo. A gestão passada desse senhor, foi um desastre, marcada pela intransigência e prepotência sua nomeação é na verdade um grande retrocesso para educação brasileira. O Plano Nacional de Educação será mais uma vez atropelado pela burocracia.

O que esperar para o futuro da nossa classe operária amazonense? Se considerarmos que há cada dia as empresas investem mais em tecnologia, tornado seu processo produtivo cada vez mais automatizado, se observarmos que a educação seja ela no ensino básico como acadêmico obedecerem uma pedagogia alienadora, sem nexo com a realidade objetiva que vive o nosso povo, não restam duvidas que na politica o resultado será a manutenção dessa oligarquia subserviente ditando os destinos da nossa gente.

A consequência para nossa classe operária continua desoladora, primeiro é importante entender que essa automatização não só elimina postos de trabalho, como é a maior responsáveis pelo alto índice de doenças profissionais que já está virando uma pandemia para quem trabalha nas linhas de montagem das fábricas do PIM, são jovens mutilados por L.E.R. (Lesões por Esforço Repetitivo), também chamada de D.O.R.T. (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), L.T.C. (Lesão por Trauma Cumulativo), A.M.E.R.T. (Afecções Musculares Relacionadas ao Trabalho) e outras patologias decorrente do excesso do esforço físico dos operária/as para alcançar a produção programada dentro das possibilidades das maquinas e nunca dos seres humanos!

Que fazer? No inicio da industrialização os operários preferiam apedrejar as maquinas por entenderem que as mesmas seriam uma concorrência desleal com seus ofícios, hoje a reação precisa de um esforço um pouco mais inteligente, nesse particular é preciso admitir que é humanamente impossível competir com as maquinas, mas podemos conviver com elas, para tanto, o Movimento Sindical precisa sair dessa letargia e assumir de fato a defesa da classe operária, as pautas sindicais precisam radicalizar na defesa da Redução da Jornada de Trabalho, ou os Sindicatos assumem essa demanda como prioritária, ou serão responsabilizados pelas mutilações da classe trabalhadora.

Por outro lado, a classe trabalhadora precisa assumir de fato suas instituições, não dá mais para tolerar dirigentes sindicais se preocupando apenas com as questões politicas defendendo governos que só ferram a classe trabalhadora sem se importarem diretamente com as condições de trabalhos da sua categoria.

Nesse sentido, é importante combater diuturnamente a estrutura sindical vigente, que anexa os Sindicatos aos prazeres do Estado, a Classe Trabalhadora precisa com urgência de organizações independente e autônomas, que sejam capazes de orientar sua união em torno dos seus objetivos imediatos e educa-los para conquistar um sistema politico que os proteja diante das injustiças. Jogar pedras na Gení não basta é preciso Barrar do Movimento Sindical essa imensa maioria de dirigentes Pelegos a serviço dos governos e empresários.

*Elson de Melo é Presidente Estadual do PSOL Amazonas   

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PSOL: "Um partido à altura do povo brasileiro"

Por Elson de Melo – Após uma década de existência, o PSOL Amazonas vai realizar o seu 5º Congresso nos dias 30 e 31 de outubro em Manaus, é o inicio de uma arrancada para avançar na próxima década. Sou um dos entusiastas da Tese do campo Unidade Socialista “Um partido â altura do povo brasileiro”, por entender que o nosso partido começou a se consagrar em alternativa real de poder do povo brasileiro e de modo especial do Amazonas, a partir do 4º Congresso realizado em 1013.

Aqui no amazonas, antes do 4º Congresso de 2013, o partido era apenas uma sigla dogmática que no período eleitoral, apresentava candidaturas para cumprir o calendário de eleições, um partido que preferia o isolamento, abdicando de fato de ocupar os espaços institucionais possíveis, um partido sem expressão popular, erá sempre o ultimo nas disputas eleitorias.

Foi a partir do 4º Congresso que as forças internas do partido, passaram a entender que politica se faz dentro da diversidade, com determinação e firmeza, confiando na grandeza do partido e impulsionando sua militância a conhecer a realidade, encorajando-os para enfrenta-la e, sobretudo, qualificando-os dentro do processo de luta que se desenvolve.

Entendo que a construção do partido se faz dentro de um processo dialético que nos leva a fortalecer e aperfeiçoamos as nossas convicções, definir nossa práxis como fator determinante da nossa força, para tanto, precisamos ampliar o conhecimento dentro das estratégias definidas como tarefas a serem desenvolvidas com objetivo de propor alternativas transformadoras para acabar com o sofrimento da nossa gente.

O 5º Congresso do partido se dá em um momento muito particular da economia brasileira, onde o capital, mais uma vez, usa o governo e a força do Estado, para comprimir a qualidade de vida dos brasileiros com um ajuste fiscal que subtrai direitos e impões grandes limitações aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

O PSOL tem em suas mãos o futuro de um povo! Não podemos negligenciar diante do quadro caótico que o Brasil está envolvido, corrupção, ataque aos direitos trabalhista, crise politica, econômica e institucional, são alguns componentes da experiência petista em tentar conduzir nossa gente a um pacto comum com o capital onde o mercado é ordem e governo o mediador parcial em favor dos capitalistas.

Visando atender essas demandas sociais, precisamos que o PSOL seja mais popular, mais ousado em todos os campos e menos dogmático.  É necessário ampliar seu horizonte de um partido apenas de quadros, para partido que empolgue as massas e consolide uma vanguarda capacitada para encorajar o nosso povo a resistir e aprofundar o processo democrático brasileiro, combatendo de forma determinada o avanço da agenda conservadora que tenta a todo custo, isolar a esquerda socialista.

O 5º Congresso do PSOL será o marco de uma retomada das lutas populares e das mobilizações da classe trabalhadora, onde o partido se definirá como o grande instrumento de salvamento de milhares de lutadores (as) sociais que estavam sem espaço para continuar a sua militância. Para nós, o PSOL é o maior e principal simbolismo da radicalidade da esquerda, nosso marca de resistência, seja para consolidar o nosso projeto democrático popular, ou para propagandear o Socialismo como projeto estratégico da classe trabalhadora mundial.

Viva o Socialismo!
Salve o 5º Congresso do PSOL!

Confira no Link a Tese na Integra: http://goo.gl/SYHXhu

Saudações Socialistas


Elson de Melo é Presidente Estadual do PSOL Amazonas 

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...