Elson
de Melo
Manaus
– Amazonas, 11-01-2018
Lembro-me do julgamento do Lula,
Jacó Bittar, João Maia, Chico Mendes e José Francisco da Silva, na auditoria
militar em Manaus no ano de 1984, o motivo foi a participação deles em um Ato Publico
no Acre por ocasião do enterro do camarada Wilson de Souza Pinheiro presidente
do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, assassinado na noite de 21
de julho de 1980, um crime encomendado por empresários rurais e executado por jagunços contratados por eles. Lula e os demais camaradas, foram enquadrado na Lei de Segurança Nacional, instrumento jurídico de repressão e intimidação politica da ditadura militar na época.
O julgamento ocorreu no dia 1
de março de 1984, as acusações contra eles eram; “incitamento à luta armada”, “apologia
à vingança” e ’incitamento’ à luta pela violência entre as classes sociais, no entanto, tratava-se de uma emboscada jurídica tramada pelo Presidente da Federação
da Agricultura do Estado do Acre, que fez uma representação a Policia Federal
com essas acusações subjetivas e hipotéticas. Lula e os demais camaradas foram
absolvidos por unanimidade.
Na época, há um ano, um grupo de jovens militantes liderado por Ricardo Moraes, havíamos conquistado
a Direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, onde eu era diretor (2º secretário), também, eu
era Presidente do Diretório Municipal do PT Manaus, após o julgamento, Lula,
Jacó Bittar, João Maia, Chico Mendes, José Francisco e as personalidades que
vieram a Manaus para acompanhar o julgamento dentre as quais a atriz Dina Sfat (falecida), a cantora Fafá de Belém, o Presidente da CUT Jair Meneguelli e deputado, vereadores de todo Brasil, foram para a sede do Sindicato na Rua Duque de Caxias, onde fizemos uma
reflexão sobre a continuidade da luta contra a opressão tanto no campo sindical
como politico.
No dia 24 de janeiro de 2018,
Lula será julgado pelo TRF- 4 em Porto Alegre-RS, por mais uma denuncia subjetiva
e hipotética, numa clara intenção de promover uma condenação sumária a Lula, mais uma vez, Lula é vitima de uma emboscada jurídica, feita por empresários delinquentes e executada por um setor do judiciário que hoje é o instrumento de repressão e intimidação politica da direita golpista.
Embora o Juiz Sergio Mouro já
tenha feito a sua parte nessa trama, ou seja, já condenou Lula em primeira
instância, o processo seguiu atropelando todos os ritos processuais e
provocando um escarnio aos direitos fundamentais da pessoa humana. No campo das
ilações politicas, o processo revela uma polarização politica entre a lucidez
politica e a insensatez criminosa. Do lado da lucidez politica, estão à
esquerda progressistas, a esquerda socialista, e a maiorias do povo brasileiro
que de forma objetiva e racional, assumem a defesa da democracia, a preservação
do devido processo legal, a ampla defesa e o respeito aos preceitos
constitucionais que garante a dignidade da humana. Do lado da insensatez, estão a direita fascista e o esquerdismo insensato representado pelo partido trotskista PSTU e
algumas correntes da mesma orientação politica.
Por razões diferentes, o
esquerdismo e a direita fascista estão unidos no mesmo proposito – condenar Lula!
Da direita fascista não podemos
exigir uma posição diferente, uma vez que ela é a principal protagonista do
golpe contra a democracia em qualquer parte do mundo, no Brasil, não é
diferente, tentam a todo custo, criar um clima favorável para impor um golpe
mais desastroso do que este que está sendo executado por Temer, ou seja, querem
restringir todo tipo de manifestação popular e confiscar o que ainda resta de
direito dos indivíduos e coletivos.
Já o esquerdismo, como sempre,
faz uma leitura equivocada do caráter da revolução brasileira, eles são taxativos
em afirmar que Lula por ter feito uma aliança com setores do capital, traiu a
classe trabalhadora. Essa afirmação, é a forma mais ridícula de falsear a
realidade, de não ter ao longo dos séculos, aprendido nada sobre um processo
revolucionário, e o que é pior, comporta-se como a direita fascista, eles
acusam, condenam e executam Lula e o PT. Enquanto a direita fascista apregoa a
prisão de Lula, o esquerdismo se eles fossem os juízes, colocariam Lula e todos
os petistas no paredão para serem fuzilados em praça pública.
É evidente que Lula tem muitos defeitos, que o
seu governo foi vacilante na logica do avanço revolucionário, no entanto, é
preciso entender que as circunstâncias que o levaram a conquistar o governo, ou
seja, chegar a estrutura jurídica do Estado, o levaram a fazer alianças esdruxulas
para atender a governabilidade, o equivoco não está nessas alianças, mas, sim,
na tentativa de conciliar os interesses antagônicos da sociedade, usando para
isso, o atrelamento dos movimentos sociais e sindical ao governo. A esquerda errou, ao não entender, que a eleição de Lula, significava apenas um pequeno passo, na luta histórica da classe trabalhadora, não entenderam, que o processo revolucionário, é longo e com muitas etapas a serem superadas, esqueceram de fazer as avaliações da conjuntura de momento e dos períodos futuros.
Agora eu pergunto, esse
atrelamento foi um ato unilateral do Lula e PT? Claro que não! Esse processo
teve a conivência de todos os seguimentos da sociedade, sobre isso, nós da esquerda
socialista, precisamos fazer uma avaliação mais aprofundada, para que não
sejamos ingênuos em sair por ai condenando as alianças indiscriminadamente.
De modo
especial, chamo para o debate, os/as camaradas do PSOL, partido que devo obediência aos seus
encaminhamentos, e, ao mesmo tempo, tenho responsabilidade de sugerir caminhos,
é importante ressaltar que, o PSOL tem nos últimos tempos, tomado os
encaminhamentos mais coerentes que um partido de esquerda poderia encaminhar
dentro da realidade brasileira, o que falta, é um melhor dialogo interno que
dei uma uniformidade mais consequente a toda militância para se relacionar com
os movimentos social. sindical e o povo da periferia.
A defesa do direito de Lula ser
candidato é um desses encaminhamentos que mostra a coerência e maturidade
politica do PSOL, o momento é de entender que, o que está em perigo, não é somente
o Lula, mas, sim, a frágil democracia brasileira. Isso não significa que
estamos abrindo mão da nossa independência politica ou do nossa estratégia
eleitoral.
O PSOL já definiu que terá
candidatura própria para Presidente da Republica, tenho convicção que o melhor
camarada para assumir essa tarefa, é Guilherme Boulos, pela facilidade que ele tem
de dialogar com a população de todas as classes sociais, por ser um líder com
formação de esquerda, radical sem ser sectário, com muita experiência em convivência
coletiva e convenhamos, ele tem uma empatia muito privilegiada. Mas, caso Boulos não aceite o convite da
direção nacional do PSOL, o certo que teremos candidato a Presidente da
Republica que pode ser Sônia Gujajara, Plinio, Nildo, Hamilton ou *Afrânio
Boppré (*minha 2ª opção).
Voltando aos 13 anos de governo
petista, durante esse período, o esquerdismo, concentrou toda sua energia em criticar
até os programas mais favoráveis ao povo carente, não conseguiu sequer elaborar
um programa alternativo ao ‘lulopetismo’, limitaram-se ao ataque burocrático e dogmático,
não conseguiram aglutinar força junto ao proletariado e não se empenharam em
organizar o povo para avançar a uma outra etapa revolucionária mais consequente a
superação do capitalismo, atualmente, esse setor da esquerda, se empenha em
propagandear um discurso de “superar o PT e Lula”, é outro logica equivocada,
uma vez, que muda totalmente os objetivos históricos da classe trabalhadora de
superação do capitalismo, até pela simples razão de Lula e o PT, não são representantes do capital.
De forma muito sincera, às
vezes chego a pensar, que o esquerdismo e suas organizações, são meros
interlocutores que o capitalismo usa como fachada para, confundir a classe
trabalhadora. Historicamente, eles sempre se comportaram de forma desonesta,
combatendo apenas os setores mais avançados da esquerda socialista,
atrapalhando a organização da classe trabalhadora e até atentando contra a vida
de lideranças históricas como fizeram com Lênin na Rússia.
Ciente que o momento requer a
unidade de todas as forças progressistas da sociedade, uma vez que os ataques
contra Lula, é a forma mais descarada que o capital tem, para intimidar o povo
brasileiro e impor a sua agenda de contingenciamento dos direitos e do avanços da
democracia, estou ajudando na convocação do povo brasileiro a comparecerem em todas manifestações que ocorrerão pelo Brasil a partir do dia 13 de janeiro, contra a condenação de Lula, em defesa da democracia e contra o golpe e não a Reforma da Previdência.
Eleição
sem Lula é golpe!
Pelo
direito de Lula ser candidato.
Não a Reforma da Previdência!
Viva
o Socialismo!
Por
um PSOL popular à altura dos desafios.
Elson
de Melo é secretário de comunicação do PSOL Manaus

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