COMENTÁRIO ESCRITO POR ELSON DE MELO
QUINTA, 21 DE SETEMBRO DE 2016
A história das inúmeras lutas
que os trabalhadores travaram e continuam a travar contra a exploração
capitalista, não são apenas obra do “acaso”, mas consequência de diversos
fatores que a depender dos interesses, podem ser vitoriosas ou simplesmente derrotadas.
Marx nessa carta, responde um bilhete que Kugelmann havia enviado a ele em 15
de abril de 1871, alegando o seguinte: “Novamente,
a derrota subtrairá, por longo tempo, aos trabalhadores os seus dirigentes,
desgraça essa que não pode ser subestimada. Pelo momento, parece-me que o
proletariado necessita mais ainda de esclarecimento do que luta, travada com
armas nas mãos. Atribuir o fracasso a esse ou àquele acaso não significa
incidir nos mesmos erros de que são, tão contundemente, reprovados os
pequeno-burgueses, no “18 Brumário”?”. Em tempos de derrotas dos socialistas no
Brasil, onde inúmeros fatores devem ser observados, é sempre bom recorrer a
história para avaliar com justeza, quais as ações que contribuíram para o
fracasso, bem como seus atores, não se tratam de caçar culpados, mas de
identificar praticas que comprometeram o avanço que poderíamos alcançar. Confira a carta abaixo. Boa leitura.
Londres, 17 de abril de
1871
Caro Kugelmann,
Recebi devidamente sua
carta. No presente momento, tenho as mãos repletas de coisas para fazer.
Por isso, eis aqui
apenas poucas palavras.
A meu ver, é
inteiramente incompreensível como você pode comparar as manifestações
pequeno-burguesas, à la 13 de junho de 1849 etc., com a atual luta que se trava
em Paris.
A história mundial
seria, de fato, muito fácil de fazer, se a luta fosse assumida apenas em
condições de chances infalivelmente favoráveis.
Por outro lado, seria de
natureza muito mística, se os “acasos” não desempenhassem papel algum.
Naturalmente, esses
acasos mesmos precipitam-se no curso geral do desenvolvimento e são, novamente,
compensados por outros.
Porém, aceleração e
atraso são muito dependentes desses “acasos” – entre os quais figura também o
“acaso” do caráter daqueles que, primeiramente, encontravam-se à cabeça do
movimento.
Desta vez, o “acaso”
decisivamente desfavorável não deve ser, absolutamente, procurado nas condições
gerais da sociedade francesa, mas sim na presença dos prussianos na França e na
posição destes, bem diante de Paris.
Disso, os parisienses
estavam muito perfeitamente conscientes.
Entretanto, também os
canalhas burgueses de Versalhes sabiam disso.
Por isso mesmo,
colocaram os parisienses diante da alternativa de assumirem a luta ou sucumbir
sem luta.
Nesse último caso, a
desmoralização da classe trabalhadora seria uma desgraça muito maior do que a
perda de um número qualquer de “dirigentes”.
A luta da classe
trabalhadora contra a classe capitalista e seu Estado ingressou em uma nova
fase, precisamente por meio da luta, travada em Paris.
Seja lá qual for o
resultado imediato da questão, fato é que um novo ponto de partida de
relevância histórico-mundial foi alcançado.
Adio,
K.M.

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