Por Elson de Melo*
“Os homens amam
de acordo com seu próprio arbítrio, mas temem segundo a vontade do príncipe;
portanto, o príncipe sábio deve apoiar-se em meios a seu próprio alcance, e não
no que depende do poder alheio.” (Maquiavel em: O Príncipe)
Estamos há poucos dias da eleição em segundo
turno. O resultado do primeiro turno mostra que a calasse dominante mantém sua
hegemonia no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Governos Estaduais. Agora
o povo brasileiro vai ter que se contentar em escolher entre dois pratos
requentados servidos pela classe dominante. Dilma e Áecio representam o mesmo
projeto de dominação que impera no Brasil há séculos.
Essa constatação leva-nos a refletir sobre o
papel da esquerda socialista brasileira na organização das classes subalternas
(trabalhadores) tendo como principio o projeto socialista de organização social.
“A história de toda sociedade até aqui existente é a historia da
luta de classe” (Marx e Engels em: Manifesto Comunista)
O primeiro passo do militante da esquerda
socialista é entender com clareza essa contradição entre classe dominante
(burguesia) e classe subalterna (trabalhadores), ou seja, de um lado estão os
patrões (burgueses) que exploram o trabalho dos trabalhadores dos setores
primários (rurais), secundário (indústria) terciário (comercio e serviços) além
de desempregados, subempregados. É nessa relação de trabalho que consiste a
luta de classe, de um lado os empregadores que compram a preço geralmente baixo
a mão de obra do trabalhador, de outro estão os trabalhadores que vendem a sua
força de trabalho a custo extremamente baixo. Os patrões aferem lucros
exorbitantes e vivem em condições de conforto e esbanjamento, controlam os
governantes e toda estrutura do Estado burguês, já o trabalhador, esse na imensa
maioria vive lascado com salário baixo, falta de estrutura para dar uma boa
qualidade de vida para sua família e são submetidos a politicas compensatórias que
os governos burgueses lhes oferecem como é caso do ‘bolsa família’.
Uma vez entendendo essa relação de interesses
antagônicos, é possível definir uma estratégia de ação para que a classe
subalterna seja a protagonista de sua própria história. Para tanto, temos que
ampliar a organização dos trabalhadores nos seus locais de trabalho, no seu
Sindicato e estimular sua participação na política partidária, esses espaços
são de grande valia para que o trabalhador venha a tomar consciência de classe
passo importante para que a luta econômica e política se completem e avance na
formação de um bloco histórico capaz de contrapor a hegemonia da classe
dominante.
“A história de qualquer classe não pode ser escrita se a isolarmos
de outras classes, do Estado, das instituições e ideias que fornecem sua
estrutura, de sua herança histórica e, obviamente, das transformações das
economias que requerem o trabalho assalariado industrial e que, portanto,
criaram e transformaram as classes que o executam” (Hobsbawm em:
Mundos do Trabalho)
É de muita importância que os partidos da
esquerda socialista, busquem superar uma serie de obstáculos internos para se
firmarem no terreno externo, para tanto, é necessário um em estudo detalhado do
caráter revolucionário das classes subalternas dentro do atual contexto social.
Essa tarefa não pode pertencer a um único partido, pois envolve tempo e
recursos material, financeiro e humano, acho importante a criação de um grupo
de trabalho para organizar uma metodologia capaz de diagnosticar detalhadamente
os fatores econômicos, sociais, filosóficos e organizacionais relevantes para construirmos
um dialogo autentico com os trabalhadores brasileiros.
Entendo que a posição de neutralidade do PSOL
nesse segundo turno da eleição, foi o mais acertado, porem, quando tentam
diferenciar as duas candidaturas passa a coonestar (dar aparência honesta, honrada a) com tudo que foi e está
errado nos governos do PSDB e PT há duas décadas, uma vez que a única diferença
desses dois grupos está no aporte financeiro feito por empreiteiras (Andrade Gutierrez, Camargo Correia, Queiroz Galvão..., Bancos e outras empresas) onde
muitas delas estão envolvidas em denuncias de praticas delituosas de subornos e
propinas. Para os nós socialistas a eleição terminou no primeiro turno e o
resultado embora animador, ainda é muito tímido diante das necessidades do
nosso povo. Nesse caso, vale a citação de Maquiavel acima .
Acho mais positivo, assumirmos desde logo uma
posição mais contundente de denuncia desse modelo político corrupto, da instrumentalização
da maquina estatal por parte dos governantes para ofuscar os partidos da
esquerda socialista e principalmente a cooptação das instituições estudantis,
sindicais e populares para servirem como escudo de praticas antidemocráticas
promovido por governantes do PT e PSDB.
No Amazonas, em breve o PSOL estará
apresentando aos seus filiados u plano de formação política que ofereça aos
mesmos, conteúdos que sirvam como instrumento de conscientização e sensibilização
da importância de aprofundarmos uma pratica mais consequente na luta diária de
cada militante visando organizar e mobilizar as classes subalternas. Aguardem!
*Elson de Melo é Presidente Estadual do PSOL
Amazonas

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