sábado, 11 de abril de 2020

Se Reinventar e Vencer


Por: Elson de Melo

Estamos diante de duas crises profundas: a crise sanitária Covid-19 e a econômica. Para superar essas crises, precisamos nos reinventar para vencer.

A crise sanitária Covid-19, além de matar milhares de pessoas em todo o mundo até agora, está levando a humanidade a um colapso mental sem precedente. Por outro lado, ela desnuda a farsa capitalista que domina as potências mundiais com governos autoritários e insensatos, mostrando o engodo dos seus sistemas de saúde privatizados e escancara a necessidade de sistemas universais de saúde pública, de mais ciência, de mais educação, de mais politicas sociais de habitação e uma economia horizontal distributiva de renda, que seja capaz de tratar toda a humanidade como iguais social e economicamente.

A crise econômica já existia desde a década passada e vinha se aprofundando a passos largos. A pandemia Covid-19, só apressou o colapso econômico mundial na mesma proporção que levou ao colapso os sistemas de saúde da maioria dos países.

No momento, o primeiro objetivo de nós humanos, é sobreviver, para isso, o melhor remédio e evitar se infetar, portanto, fique em casa. O segundo objetivo, é aproveitar o tempo recomendado pelas autoridades de saúde para, refletir sobre o pós-pandemia e se planejar para enfrentar essa nova realidade que até agora, é uma incógnita, mas se você estiver preparado, vai ser mais fácil enfrentar com sucesso.

Não é hora para perder tempo querendo sair as ruas para apressar uma suposta retomada da economia. Esse discurso, só interessa, aos que continuam pensando em uma economia vertical, de concentração de riquezas nas mãos de uma minoria, não serve para os simples empregados que vivem sem um mínimo de proteção social.

Você precisa planejar a sua vida. Aproveite esse tempo para, se reinventar pessoalmente, fique em casa, mas não fique parado, estude a realidade e planeje o futuro. O futuro é agora. Tudo vai depender da tua capacidade de encontrar os melhores caminhos de fazer a diferença.

A pandemia Covid-19 está mostrando a todos nós que, para vencê-la é preciso unidade, compreensão da realidade, firmeza, amor, solidariedade e muitas parcerias, ninguém vence sozinho.

Seja uma nova pessoa, se reinvente e vamos vencer todas as crises.   

terça-feira, 24 de março de 2020

Covid-19 – SOS Hospitais Filantrópicos


Por: Elson de Melo – Os hospitais filantrópicos no Brasil dispõem de aproximadamente 129 mil leitos, o que representa 37,6% do total de leitos disponíveis no Brasil.

Atualmente, 2.147 entidades hospitalares filantrópicas prestam serviços ao SUS, atendendo em 1.308 municípios de todas as regiões do país.

Em 968 municípios, a assistência hospitalar é realizada unicamente por essas unidades. Como nunca antes, o povo brasileiro não pode prescindir dessa assistência hospitalar. Ocorre que os recursos para enfrentar a Pandemia do Coronavírus são insuficientes e a burocracia governamental pode levar esses hospitais ao esgotamento dos serviços de saúde que hoje prestam.

Duas alternativas devem ser viabilizadas com URGÊCIA: o aporte emergencial pelo governo através de aditivos aos convênios em andamento e a solidariedade do povo Brasileiro através de doações de recursos financeiros, alimentos, material de proteção individual, material de limpeza, roupa e outros materiais hospitalar.

É hora de união e solidariedade para, salvar vidas!

sábado, 7 de março de 2020

8 de março – Dia Internacional de Luta das Mulheres


– A TI, MULHER DE LUTA –
[Elson de Melo]

Mulher é luta resistência e esperança
Mulher é amor, força, ternura e perseverança
Mulher é determinação, confiança e segurança
Mulher é o ventre que gera vida de homem e mulher.

Mulher é Deizirei, Deuzarina, Clara, Elzira, Fátima e Tereza
Mulher é mãe, esposa, filha, neta e irmã
Mulher é avó, bondade, amizade e felicidade
Mulher é conquista, é alegria e proteção.

Se a rosa tem perfume e espinhos,
A mulher tem carinho, colo, abraço e cheiro de mãe
Toda mulher é beleza é razão da vida em transformação
Cada mulher é mãe que se doa sem distinção
A ti, mulher de luta, a minha eterna gratidão.

·       Dedico esta homenagem as mulheres que lutam diariamente para educar seus filhos e filhas, apresentando a eles o sentido da vida e a necessidade combater todo tipo de opressão para construir um mundo justo e feliz para toda humanidade. Faço uma dedicação especial a minha esposa Deuzirei Mende Braga, a minha sogra Deuzarina, a minha neta Clara, a minha irmã Fátima e em memoria da minha mãe Elzira e minha irmã Tereza.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Manifesto: Convite ao Futuro


MANIFESTO: CONVITE AO FUTURO

"...há gente que acredita numa mudança, que praticou a mudança, que fez triunfar a mudança, que fez florescer a mudança... Caramba!... A Primavera é inexorável!"
- Os comunistas, Pablo Neruda

O mundo está, novamente, diante de uma encruzilhada histórica. Se, por um lado, a crise da globalização neoliberal colocou a democracia das elites em xeque, fazendo surgir movimentos anti-establishment em todo o planeta, por outro, jogou milhões de pessoas na mais absoluta miséria, enquanto inflamou o populismo de extrema-direita e seu discurso de ódio, violência e intolerância.

Os donos do poder não conseguem produzir saídas para a crise que sua própria ganância criou. A instabilidade econômica produziu a maior crise de legitimidade da democracia liberal em décadas, abrindo a oportunidade histórica de apresentar uma saída que supere o sistema do capital. O capitalismo se expressa enquanto forma de opressão e exploração social de classes, e por mais que, como escreveu Marx, “tudo que é sólido se desmanche no ar”, as relações capitalistas perpetuam essa desfiguração humana e da natureza que é a exploração econômica e a crescente diferença de renda entre os 1% que controlam os meios de produção de riquezas e os 99% que são subordinados em diversos níveis às formas de exploração e alienação as mais degradantes possíveis.

No Brasil, essa crise chegou a níveis alarmantes. O golpe de abril de 2016 não só destituiu uma presidenta legitimamente eleita, como deu início a um ciclo de ataques aos direitos sociais e à democracia sem precedentes. Na escalada de violência da extrema-direita, lutadores e lutadoras do povo continuaram tombando, como nossa companheira Marielle Franco. O já frágil Estado de Direito foi sistematicamente atacado pelo pacto conservador, com reiteradas arbitrariedades produzidas pela Operação Lava Jato, sendo a principal delas a prisão política do ex-presidente Lula.

A vitória de Jair Bolsonaro representa a maior ameaça aos direitos do povo brasileiro desde a redemocratização. Além de atacar os direitos sociais e a soberania nacional, subordinando o Brasil a uma agenda econômica ultraneoliberal, Bolsonaro é inimigo da democracia, como atestam a tutela militar exercida pelas Forças Armadas sobre seu governo e a nomeação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Como comprovam os vazamentos das conversações entre o ex-juiz Moro e os membros do Ministério Público, através do site Intercept, a Lava Jato representou uma construção midiático-jurídica com o objetivo de estabelecer uma crescente escalada repressiva e autoritária.

Nesse contexto, os desafios da esquerda socialista mudaram de qualidade. Já não são suficientes a luta parlamentar e a disputa eleitoral. Embora fundamentais, elas devem vir acompanhadas de um novo ciclo de lutas sociais. A esquerda socialista está diante do enorme desafio de se conectar com o mal-estar que a crise da globalização neoliberal e seus efeitos produziram sobre a classe trabalhadora e os excluídos, e transformá-lo em combustível para incendiar a ordem burguesa e estabelecer uma agenda de futuro para construção do Socialismo.

Para isso, é preciso apostar na unidade das forças populares e antineoliberais, construindo uma ampla frente social e política contra Bolsonaro e seus aliados. Mas também é necessário fortalecer os instrumentos independentes da classe trabalhadora, como o Partido Socialismo e Liberdade. Apesar de seus limites, o PSOL se consolidou como o partido das novas lutas sociais e portador da bandeira de uma nova esquerda socialista, combativa e revolucionária, mas conectada às novas dinâmicas de resistência das mulheres, da juventude, de LGBTs, movimentos culturais, de negros e negras. Um partido que reconhece que o racismo, o machismo, as diversas discriminações sexistas e racistas são elementos estruturais do capitalismo dependente brasileiro; e capaz de unir uma plataforma socialista – por salário, emprego, democracia e soberania – a uma plataforma radicalmente libertária.

A responsabilidade histórica do PSOL é, portanto, gigantesca. E é por essa razão que devemos aprofundar a aliança construída com os movimentos sociais nas eleições de 2018, ao mesmo tempo em que oferecemos aos militantes do PSOL um novo instrumento de organização política que una o passado de lutas que está em nossas origens com o futuro de um socialismo democrático e libertário. Construir um presente de lutas para garantir um amanhã socialista!

As diversas tendências reunidas no histórico Encontro de Junho de 2019, após longo processo de debate e interação críticos, coordenadas pela perspectiva histórica da luta revolucionária em defesa do socialismo e da liberdade do povo brasileiro, da qual alguns dos agrupamentos participantes são herdeiros há quase meio século, expressamos a disposição de dar ao PSOL as condições necessárias para liderar o processo de reorganização da esquerda brasileira, estabelecendo a construção de uma nova tendência nacional.

Nos orgulhamos imensamente de nossa trajetória. Somos lutadores da revolução socialista no Brasil. Trabalhamos para que o PSOL, juntamente com outros partidos, frentes e movimentos sociais, se torne um dos protagonistas deste processo revolucionário. Consideramos que a contradição central da sociedade é aquela que opõe capital e trabalho, mas sem jamais ignorar que o capitalismo no Brasil foi montado com base no extermínio de nações, na escravização de africanos e povos originais e na opressão das mulheres. Por isso, a Revolução Brasileira é necessariamente popular, indígena, negra e feminista.

Combatemos o colonialismo e o imperialismo, somos defensores do sonho bolivariano da Pátria Grande, a ser composta pela unidade dos povos latino-americanos. Lutamos para que as múltiplas formas de organização dos povos do Brasil, inclusive suas representações partidárias e institucionais, sejam capazes de instalar, defender e desenvolver um Governo Democrático e Popular, que através de suas medidas antimonopolistas, antilatifundiárias e anti-imperialistas abra o caminho para o Socialismo.

Praticamos a solidariedade internacional com povos e países que enfrentam a agressão imperialista e a barbárie capitalista. Lutamos contra todas as formas de opressão para que todos e todas possam viver, amar e desejar com plena liberdade e respeito. Abraçamos a equidade de gênero e as causas da população LGBT. Acreditamos no futuro e reivindicamos tradições. Somos filhos e filhas das lutas operárias, das resistências camponesas, da Cabanagem, Balaiada, Canudos, Contestado, Caldeirão e de tantas outras rebeliões populares. Nosso campo de luta é a fábrica, o bairro, o quilombo, a aldeia, o sindicato, a escola, os lares, as redes sociais e a rua.

Ao nos unirmos e unirmos nossas histórias, coletivos, mandatos, lideranças partidárias e sociais, tomamos parte em um novo ciclo de lutas e organização da esquerda revolucionária brasileira.

O Brasil está gestando o futuro e precisa de um instrumento partidário capaz de trazê-lo à luz da história. Uma nova tendência que trabalhe para fortalecer o caráter amplo, popular e socialista do PSOL é urgente e necessária. Nos colocamos esse desafio e convidamos todos e todas que partilham desse sonho para dar início ao novo.

Viva o povo brasileiro!
Viva a revolução brasileira!
Viva o PSOL!
Viva a PRIMAVERA SOCIALISTA.


Valinhos/SP, 30 de junho de 2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

A Teoria do PSOL e a Renuncia do Deputado Jean Wyllys


POR ELSON DE MELO
MANAUS, 26/01/2019        

Camaradas do PSOL, a renúncia do camarada Jean Wyllys-PSOL/RJ ao novo mandato de Deputado Federal e o seu exílio no exterior, além de revelar a onda de homofobia e violência contra a população LGBT no Brasil, também mostrou que no âmbito do PSOL Amazonas, existem alguns filiados que estão alinhados com a politica de violência contra a população LGBT imposta pela campanha do governo Bolsonaro.

O PSOL é um dos poucos partidos políticos do Brasil que dedicam nas suas resoluções e no seu programa, a definição da politica de combate a homofobia, ao preconceito de raça, religião, condição social e gênero, no entanto, ainda não foi capaz de popularizar no âmbito das suas instância partidária, uma teoria sobre esses princípios, promover um exercício que eduque a militância para o respeito a diversidade e a defesa dessa política.

No Amazonas, a direção estadual do partido desde as eleições de 2018 até a presente data, não se reuni para definir uma politica de atuação no Estado. Essa inercia dessa importante instância do partido, deixa toda a militância sem orientação de como organizar a luta politica que a conjuntura está nos impondo e prevenir que militantes se comportem de forma preconceituosa e homofóbica como as ocorridas no episódio da renuncia do camarada Jean Wyllys.

Na manhã de sexta-feira (25/01/2019) o ex-candidato a senador na eleição de 2018 e então membro da executiva estadual do PSOL/AM Rondinely Fonseca, em seu perfil pessoal no Facebook declarou o seguinte: “Devido ao fechamento de inúmeras padarias no Brasil, e pelo fato de não terem mais sonhos e rosquinhas queimadas, Jean Willys deixará o país em Paz. Interprete o texto. Por favor. Se tiver maldade, não está neste texto.”, isso nos leva a fazer uma profunda reflexão sobre o projeto político do partido em todas as suas infâncias e um estudo das resoluções do partido que privilegia a luta pelos direitos da classe trabalhadora, a defesa das demarcações das terras indígenas e seus direitos, a luta pela terra para quem dela precisa para trabalhar - os Sem-Terra -, o direito a habitação para os Sem-Teto, a luta pelos direitos das mulheres e contra a violência as mulheres e a população LGBTs, dentre tantas outras políticas de inclusão social que o PSOL defende como políticas públicas a serem impulsionadas pelo estado e de modo particular a defesa de um estado laico, onde todas as pessoas sejam livres para expressarem a sua fé através da religião que melhor lhes representa, sem preconceito ou medo.

A questão LGBTs dentro do PSOL tem um capítulo especial nas suas resoluções, isso é fato e toda a nossa militância deve estar ciente desse compromisso do partido. O PSOL é para todos, no entanto, não é um partido qualquer! Devemos acolher todos que busquem o PSOL, no entanto, é dever das Direções municipais, estaduais, nacional e núcleos de base de, esclarecer a politica de atuação do partido e dentre as quais, a defesa intransigente da população LGBTs. 

É natural que o PSOL venha receber muitos filiados nos próximos períodos, muitos apenas com objetivo eleitoral e todos devem serem bem-vindos, porém, é importante esclarecer que em casos de expressões homofóbicas, discriminatórias e preconceituosas contra negros, índios, gênero, condição social e principalmente contra a população LGBT, saibam que estaremos sempre atentos para num primeiro momento, ajudar cada camarada a entender que a sociedade é plural e que o respeito as diferenças, é o melhor caminho para vivermos felizes.

É dever das instâncias do partido, esclarecer aos filiados toda a teoria do PSOL que está contida nos seus documentos internos, Manifesto, Programa e Estatuto, nas Resoluções dos Congressos municipais, estaduais e nacional, nas cartilhas, revistas e livros produzidos pela Fundação Lauro Campos, nos materiais pedagógicos divulgados pelas setoriais e outras instâncias do partido. É esse conjunto de publicações que fazem parte da literatura interna do PSOL que toda militância precisa fazer uma leitura para entender o plano de lutas do PSOL e a sua forma de atuação na sociedade. 

Compartilho da deia dos que defendem que, antes de punir militantes desavisados que usam expressões homofóbicas, preconceituosas e discriminatórias, as instancias do PSOL, de oficio, devem convida-los para um dialogo educativo que leve os envolvidos a refletirem, sobre uma pratica libertadora, onde o respeito a diversidade é fundamental para transformar essa realidade violenta que está sendo permeada na sociedade brasileira. 

Toda solidariedade ao camarada Jean Wyllys.

P.S. O ex-candidato a senador e então dirigente do PSOL Amazonas Rondinely Fonseca, depois da declaração acima citada, divulgou uma nota de desfiliação do partido. 

Elson de Melo, é militante do PSOL


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Parabéns camaradas Guilherme Boulos e Sônia Guajajara


ELSON DE MELO
MANAUS, 06 DE NOVEMBRO DE 2018

Pela primeira vez uma candidatura a presidente da Republica do PSOL conseguiu articular uma aliança com setores onde o partido nunca conseguiu chegar - os movimentos sociais da periferia, a mídia alternativa, os indígenas e parte significativa dos movimentos culturais. Essa mobilização de forças vivas da sociedade foi determinante para que o PSOL conseguisse superar a Cláusula de Barreira e dobrar a sua bancada federal na Câmara dos Deputados. Boulos e Sônia foram a voz da periferia que ecoou pelo Brasil e no mundo apresentando ao povo brasileiro um novo projeto de nação onde o operário, a mulher, os índios, a negritude, a comunidade LGBT, os Sem-teto, os Sem-terra são os verdadeiros protagonistas da grande mudança que haveremos de fazer.

No próximo dia 8 de novembro, a Direção Nacional do PSOL vai reunir e fazer uma avaliação criteriosa sobre o resultado eleitoral, a conjuntura nacional e principalmente definir a estratégia do partido para os próximos períodos.

Na questão eleitoral, não podemos considerar apenas o resultado da votação nominal na nossa candidatura Boulos & Sônia, mas sim, o conjunto da obra. Não é novidade para ninguém que enfrentamos uma das eleições mais polarizada ainda no primeiro turno, onde a direita e o centro se uniram para realmente derrotar a esquerda ainda na primeira etapa da eleição, para isso, a onda do voto útil impediu que uma candidatura alternativa no campo da esquerda (Boulos &Sônia) conseguisse avançar eleitoralmente, pessoalmente assisti camaradas do próprio PSOL na véspera da eleição em duvida se votaria em Boulos, Haddad ou Ciro, não foram poucos que tiveram esse comportamento, felizmente a candidatura Boulos & Sônia realmente conseguiu dialogar  para ‘fora da bolha’ e conquistar a fidelidade dos movimentos sociais da periferia que foram determinante para assegurar os mais de 600 mil votos na chapa majoritária e a conquista da superação da cláusula de barreira.

No Amazonas a campanha Boulos & Sônia na pratica não existiu, a direção estadual do partido não encaminhou nenhuma ação coordenada que possibilitasse alcançar um melhor resultado, os 11090 votos foram resultado da campanha nacional sem nenhuma influencia de mobilização local uma vez que não existiu. A eleição do PSOL no Amazonas que a direção estadual encaminhou, limitou-se apenas na de governador, não existe registro de pelo menos a menção do nome do Boulos e Sônia pelos candidatos sejam eles majoritários ou proporcionais nos seus materiais de campanha. Não sei o motivo, mas o fato é que a direção estadual não encaminhou a campanha Boulos & Sônia no Amazonas.

Se considerarmos que a candidatura Boulos & Sônia mesmo sem nenhuma campanha organizada pla direção estadual conseguiu 11090 (onze mil e noventa) votos no Amazonas e a candidatura a governado da camarada Berg  conseguiu apenas 5433 (cinco mil quatrocentos e trinta e três) votos, foi um equivoco da direção estadual não organizar e dar a devida atenção a candidatura a presidente da Republica do partido, se houvesse um mínimo de vontade politica ou mesmo de discernimento sobre a importância do projeto nacional do PSOL, certamente, tanto a votação do Boulos como do camarada Berg seriam bem melhor no Amazonas, infelizmente a ausência de visão dos dirigentes local, nos levou a um resultado muito tímido diante da grandeza do projeto do PSOL.

Faço esse recorte sobre o resultado eleitoral no Amazonas, para chamar atenção dos nossos dirigentes, tanto local como nacional, da importância que devemos dar ao projeto nacional do partido. O PSOL é um partido que pela sua coerência politica, desperta muitos interesses particulares de pessoas, de grupos e até mesmo dos nossos adversários. Portanto, é preciso que a direção nacional atente para a qualificação politica das nossas direções estaduais e municipais, não podemos cair no senso comum da politica, precisamos afirmar e reafirma que o PSOL não é um partido qualquer.   

Sobre a coligação com o PCB. No Amazonas a direção estadual do PSOL resolveu por não fazer essa aliança a nível local, fato que eu particularmente acho lamentável, é fato que o PCB no Amazonas está passando por uma reformulação na sua direção, porém era muito importante que o partido fosse pelo menos convidado a participar da aliança, porém, os dirigentes locais vetaram peremptoriamente essa aliança. Achei isso um absurdo!

Os fatos ocorridos no Amazonas, ilustram o grau de dificuldade que a direção nacional teve que administrar desde a concepção da candidatura Boulos & Sônia até este momento de avaliação que certamente vai definir muitos encaminhamentos visando o fortalecimento do partido e a organização da resistência aos ataques que o novo governo e a direita já estão fazendo ao PSOL e os Movimento Sociais.

Já observei diversas avaliações sobre o resultado eleitoral do partido, os saudosistas da politica voltada para dentro da bolha, chegam afirmar que o resultado de 2014 foi mais relevante que os de 2018, isso é simplesmente uma leitura de quem não é capaz de avaliar com responsabilidade a conjuntura, de quem por diversas vezes flertou com a movimentação da direita, que deu asas a pedagogia politica da direita principalmente nas mobilizações pós-junho de 2013, movimento que até hoje eles usam como referencia para todas as suas analises.

Os partidos da esquerda socialista estão hoje na mira do autoritarismo, não foi uma simples ameaça as palavras do então candidato Bolsonaro e reafirmado depois de eleito que a sua preocupação principal é criminalizar o PSOL e os movimentos sociais MST e MTST, o fundamentalismo religioso tende a se acentuar, os direitos sociais sofrerão um grande retrocesso, a classe trabalhadora vai sofrer mais restrições nos seus direitos e a democracia está realmente na UTI.

Não é hora para brincarmos de analises inconsequentes, não temos tempo para o amadorismo, é preciso reconhecer que estamos entrando num ciclo de restrições do estado de direitos, onde não podemos negligenciar com a segurança da nossa militância, onde realmente ninguém pode soltar da mão do outro.

Chegou a hora em que os mais experientes contribuam com a nossa militância jovem para municia-las com informações sobre o que significa um regime de exceção, de como se comportar para não colocar todo o movimento em perigo, parece até um exagero da minha parte, mas é preciso se preparar para o pior. As maiorias das nossas direções estaduais e municipais ainda vejam o PSOL como mais uns partidos da ordem não entendem a complexidade de um partido da esquerda socialista que está exposto aos ataques da direita sanguinária.

Espero que o PSOL consiga dar continuidade ao projeto de reorganização da esquerda, onde o camarada Boulos e a camarada Sônia são as figuras publicas do partido que devem percorrer o Brasil juntos com a direção nacional debatendo o nosso projeto e consequentemente organizando o PSOL para os atuais e futuros desafios políticos.

Parabéns camaradas Guherme Boulos e Sônia Gujajara pelo excelente cumprimento da tarefa de apresentar o projeto de reorganização da esquerda na eleição de 2018, nossa tarefa não termina com as eleições, a luta está apenas no começo e é nossa responsabilidade fortalece-la até conquistarmos novas vitorias.

A luta Continua!

Elson de Melo, é militante do PSOL


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Considerações sobre o PSOL Amazonas e as eleições 2018


MANAUS, 31/10/2018
ELSON DE MELO

Por motivos de saúde fiquei impossibilitado de participar ativamente das discussões e dos encaminhamentos sobre o processo eleitoral do PSOL Amazonas, porém, acompanhei as decisões resultadas dos debates no interior do partido (se é que houveram debates) que levaram o partido mais uma vez a não obter um resultado eleitoral  mais expressivo que particularmente eu esperava que acontecesse.

Os motivos do insucesso são muitos; primeiro uma total ausência de planejamento estratégico que fosse capaz de envolver todo o conjunto do partido nas ações eleitorais, que motivasse a militância a se doarem em defesa de um objetivo; segundo a falta de debate interno e transparência na condução do processo; terceiro as contendas internas que levaram mais uma vez o partido a sair para um processo eleitoral todo dividido, com discursos diferentes, com estratégias inconsequentes, com um total descaso a ética partidária, ou seja, o partido virou uma torre de babel onde ninguém se entendia.

O PSOL não foi capaz de organizar um plano de governo que observasse com clareza todos os objetivos a serem propostos, tudo foi na base do improviso, de frases feitas, de formatação enlatadas feito por iluminados sem o menor cuidado de inserir os principais pontos da plataforma e projeto estratégico do partido a nível nacional.

As candidaturas em todos os níveis foram muito limitadas seja na perspectiva de voto, como no conteúdo politico, teve candidatos que recorreram a uma linguagem rebuscada e não se fizeram entender pelos eleitores, outros abusaram da linguagem chula e levaram o partido para o lado folclórico da politica, outros sequer conseguiram definir uma linguagem, já no conteúdo, cada um disse o que pensava e a maioria sem nenhum nexo com o programa do partido ou mesmo do fragilizado plano de governo da candidatura majoritária, se hoje perguntarmos a um ex-candidato qual foi a melhor proposta do PSOL Amazonas na eleição, possivelmente não saberão responder.

Diante de toda desse excesso de muvuca, o resultado só poderia ser de total insucesso. A direção do partido e as tendências internas se comportaram de forma tão amadora que não foram capazes de buscar um entendimento mínimo para viabilizar um projeto para o partido, o que ficou patente, foi que cada tendência, atuou no processo politico eleitoral, como se estivessem disputando o Congresso do PSOL e não os votos dos eleitores do Amazonas. Não posso qualificar isso de infantilidade, mas sim, de uma total inconsequência para com o partido.

O marketing dos nossos candidatos não existiu, todos se limitaram a sobreviver em uma campanha eleitoral com o minguado recurso vindo do fundo eleitoral, ninguém organizou campanhas arrecadação, não montaram equipes de trabalho, não se apresentaram para o eleitorado com convicção, foram apáticos o tempo todo, cada um limitou o menor território possível, uma campanha sem planejamento, nunca terá resultado positivo, confesso que não sei se é culpa da direção, mas se não for, pelo menos ela foi incapaz de conduzir o processo, portanto negligenciou. 

Pela primeira vez o PSOL teve como candidato majoritário uma liderança sindical reconhecida, também pela primeira vez o partido teve todas as portas da mídia local a sua disposição, para um bom marqueteiro não existe candidatura ruim, também não sei se houve marqueteiro na campanha, mas seu houve, ele foi de uma mediocridade exemplar, primeiro abandonou o candidato a própria sorte, não foi capaz de fazer o candidato superar as suas limitações com o mundo da comunicação, ou seja, não fez o candidato se comunicar com os eleitores, isso não é falha do candidato e sim de quem estava lhe orientando, mas como eu disse, não sei se houve marqueteiro. Para piorar ainda mais, resolveram limitar a candidatura ao adotarem "Berg da UGT" como nome oficial do candidato, isso causou constrangimento interno uma vez que no interior do PSOL existe uma pluralidade sindical como também no próprio apoio sindical fora do partido. 

A programação visual foi outro desastre, tivemos uns banners que espremeu os candidatos, a combinação de cores não combinavam com nada, principalmente no que se refere a propaganda na internet, por falar em internet, o PSOL Amazonas foi o partido mais amador nesse quesito, não tinha pagina própria, a pagina do candidato não foi administrada corretamente, as dos demais candidatos nem se conta, foi um desastre.

Mas vamos falar do período pré-eleitoral, desde a conferência eleitoral estadual, deu para perceber que a direção do partido queria levar o partido para a candidatura David Almeida, ou seja, abriu mão da candidatura própria para fazer um projeto estranho a todos os princípios que o PSOL defende isso se confirmou com a presença do partido no lançamento da candidatura do mesmo. Depois não sei por que cargas d’agua as coisas não deram certo, resolveram convencer o camarada Berg a deixar o projeto dos sindicalistas que o apoiavam para deputado federal e lança-lo a uma aventura para a qual ele não havia se preparado, isso foi ruim para ele que perdeu o apoio dos sindicalistas e para o PSOL que não assegurou ao Berg um ambiente saudável para viabilizar com sucesso a candidatura majoritária.

Por tudo que foi possível eu observar, foi uma campanha tensa internamente, contaminada pela disputa da estrutura partidária, sem o menor respeito entre os membros da direção, prevaleceu o divisionismo, a prepotência, a arrogância e o autoritarismo das partes envolvidas, para os grupos envolvidos, o que menos importou foi o futuro do PSOL seja no Amazonas, como na sua estratégia de superar a cláusula de barreira a nível nacional.

Sobre o período pós primeiro turno. Acho um equivoco imensurável a direção do partido não se preocupar em fazer um debate transparente dentro da própria direção sobe que caminho seguir e sugerir aos filiados e militantes no segundo turno da eleição no Amazonas, não sei se foi proposital, mas os fatos deixam evidencias que fora, principalmente quando dirigentes e ex-candidatos do partido, sem a menor preocupação com o conjunto de militantes e filiados do PSOL declinam apoio a uma candidatura ligada diretamente a estrutura politica do Bolsonaro, cujo o partido é vetado pela resolução que orienta as alianças do PSOL e outros ao outro candidato que não titubeou em declarar imediatamente apoio a candidatura Bolsonaro, mas o pior é, se a direção estadual não foi capaz de reunir seus membros para avaliar o quadro apresentado e se fosse o caso deliberar a favor de uma das duas candidaturas, ou mesmo, diante da complexidade liberar os dirigentes, filiados e militantes a votarem conforme a sua consciência, não houve nada disso, e tudo leva crer que por conveniência, a direção do PSOL Amazonas preferiu formalizar sem deliberar na sua instância apoio a candidatura Wilson Lima do PSC/PRTB/REDE. Confesso que eu nunca tinha visto algo semelhante antes, mas deixo os esclarecimentos para a direção do PSOL Amazonas. Particularmente, entendo que atitudes como essas, precisam ser evitadas, no âmbito do PSOL, afinal, o PSOL não é um partido qualquer, por pior que sejam os debates internos, prefiro enfrenta-los que afrontar a democracia interna e a confiança dos filiados.

Espero que a direção do PSOL Amazonas tenha a maturidade suficiente para fazer uma avaliação criteriosa sobre mais esse processo eleitoral, no momento, não vejo nada a ser comemorado, só consegui identificar retrocesso e muito autoritarismo entre as tendências que compõem o PSOL Amazonas.

Viva a luta por democracia!

Elson de Melo, é militante do PSOL Amazonas.

   


Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...