Elson de Melo
Sábado – 31-03-2018
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| Foto: Patrick Marques/G1 AM |
Para comentar a greve legitima e
legal dos professores do Amazonas, recorro a Karl Marx, que segundo ele, “a
greve é a expressão mais nítida a luta de classe”, no caso especifico dos
professores, entre um estado burguês e os proletários da educação.
O Estado por se colocar sempre como
regulador das relações de trabalho, é também o lado autoritário e repressor do
capital, que impõe limites aos movimentos grevistas a maior manifestação de
descontentamento da classe trabalhadora contra o seu empregador (patrão).
Apostando no autoritarismo do Estado
o governador Amazonino Mendes negou-se a negociar e buscou uma decisão do
Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, que condenou os professores a
suspenderem a greve e multou a ASPROM SINDICAL principal instituição
mobilizadora da categoria nos últimos tempos, essa pratica intransigente e
ameaçadora, é a mais nítida expressão dessa investida autoritária do Estado
burguês contra as reivindicações da classe trabalhadora.
Fiel a história da categoria os
professores mantiveram a greve e fortaleceram a mobilização da categoria fato que levou o
governo a oferecer uma contraproposta aos grevistas que está sendo analisada e
vai a deliberação na próxima segunda-feira (02/04) em duas assembleias a primeira
convocada pela ASPROM as 9h00min em frente a sede do governo na Av. Brasil –
Compensa e a segunda as 15h00min na Praça do Congresso – Centro de Manaus (AM). .
Embora com outros atores, mas com as
mesmas dificuldades, principalmente a vacilação da direção burocrática do
SINTEAM que tentou ignorar a mobilização da categoria, preferindo articular uma
negociação paralela à pauta do movimento paredista, fato que só atrapalhou o
movimento, mas diante da reação dos professores a direção burocrática do
sindicato que fora atropelada pelas greves de advertências, teve que assumir a
greve da categoria.
A categoria dos professores tem mais
que uma historia de resistência – tem o “MOVIMENTO DOS PROFESSORES” – uma
instituição que está acima dos caprichos burocráticos dos sindicatos, que entende as concepções politicas que orbitam dentro da categoria, tem uma
história de resistência, o movimento dos professores do Amazonas é uma
instituição da categoria que quando se articula, vai sempre atropelar as
direções burocráticas que insistirem em não reconhecer as diversas concepções
de organização que compõem o movimento.
A greve dos professores deste ano de 2018
mostra a maturidade e o acumulo histórico da categoria que começou com a
formação da APPAM – Associação Profissional dos Professores do Amazonas no
final da década de 70 tendo a frente o professor Aloysio Nogueira sua principal liderança de todos os tempos e outros professores, quando a categoria promoveu uma paralisação didática
para, reivindicar seus direitos, no inicio da década de 80 a categoria
promoveu greves geral acompanhado de greve de fome e a famosa batalha do igarapé
de Manaus.
Em tempos de rearticulação dos
movimentos de luta contra a exploração, o movimento dos professores do
Amazonas, mais uma vez, forma a vanguarda da luta no Estado, reunindo assembleias
gigantescas nas praças e em outros espaços públicos, apresentando a sociedade a
sua pauta, seu clamor e as suas expectativas em relação a educação e as
condições de trabalho dessa importante categoria de servidores públicos que com
justiça estão reivindicando respeito, valorização dos profissionais da
educação, melhoria na estruturar educacional do Estado e consequentemente uma
educação de qualidade, além de uma melhor condição de trabalho e reajustes
salarial que reponha o valor de compra dos salários dos professores, pedagogos
e os demais servidores da SEDUC.
Os professores em greve reivindicam
um reajuste salarial de 35%, devolução do plano de saúde, não cobrança de 6% do
vale transporte, vale refeição de R$ 600,00 (seiscentos reais), auxilio
localidade...
O governador Amazonino Mendes fez uma
contraproposta de 14,57% sedo que, 4,57% agora e os 10% vinculado a arrecadação do Estado escalonada até dezembro, Vale alimentação de R$ 420,00, não desconto dos 6% no Vale transporte, auxilio localidade de R$ 200,00 até R4 1000,00 e cumprimento do Plano de Careira e Remuneração..
Sem entrar no mérito dos demais itens
da contraproposta do governador, é importante ressaltar que os 14,57 escalonado e vinculado as arrecadações do Estado, não repõe
as perdas salariais dos últimos quatro anos, só efetiva 4,57% de reajuste nos
salários, os 10% restante, é uma promessa que o governo faz condicionado a um resultado que foge o controle dos professores, portanto sem obrigação do governo cumprir uma vez que não
estabelece datas para sua efetivação, ou seja, trata-se de uma leviandade – uma farsa temerosa.
A estratégia do governo ao apresentar
essa contraproposta dúbia, é apostar mais uma vez na divisão da categoria, no
enfraquecimento do movimento grevista, de colocar no subconsciente dos
professores uma falsa expectativa e assim ganhar tempo para derrotar a greve
dos professores.
Diante dessa estratégia do governo de
apostar na ansiedade dos professores e com isso desmobilizar a greve, ou seja, o governo vai endurecer com os grevistas, promovendo o desconto dos dias parados e efetivando as outras medidas constante na decisão judicial, será necessário que o movimento busque com urgência, ampliar os apoios da sociedade, promovendo um debate franco com a sociedade sobre a situação da educação no
Amazonas.
Dentro dessa estratégia, é importante
envolver os estudantes, as famílias dos estudantes, os políticos e partidos políticos
de oposição, as centrais sindicais, as igrejas e lideranças religiosas, as associações e federações de bairros e os
movimentos sociais como um todo.
Em momentos de luta contra os
poderosos, a solidariedade do povo é a melhor forma de fortalecer a greve e
remover os obstáculos que vão aparecendo no caminho.
Todos pela educação!
Todo apoio a greve dos professores!
Unir, Resistir, Lutar e Vencer!
Eleson de Melo é sindicalista e secretário
de comunicação do PSOL Amazonas

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