ELSON DE MELO
Manaus, 21 de agosto de 2017
Aconteceu no 6º
Congresso Municipal do PSOL Manaus, o que já havíamos previsto em escritos
anteriores – o debate principal foi em torno da concepção e pratica partidária
e a estratégia de organização do partido, no final, prevaleceu a tese da
Unidade Socialista que majoritariamente vai dirigir o Diretório Municipal de
Manaus no biênio 2017/2018. Vitoria do PSOL!
A esquerda
socialista no Amazonas, ao longo dos tempos, não conseguiu ainda se firmar como
uma alternativa atraente ao povo amazonense. A história registra muitos
movimentos de resistência, mas nenhum com grandes resultados político
partidário, desde o início do século XIX até os dias atuais, esses movimentos pontuais
tinham muitas convicções ideológicas, porém, com pouca ou quase nada de
orientação partidária, primeiro com os anarquistas, depois com os comunistas e
mais recente com os socialistas abrigados no PT/PCdoB/PSTU e há um pouco mais
de dez anos o PSOL.
Em 1924, o
movimento tenentista, liderado por Ribeiro Junior, conseguiram depor um governador
e governar o Estado por 36 dias, depois o movimento foi sufocado. Na era Vargas, o PTB, aglutinou no Amazonas
parte importante do movimento sindical, o resultado foi a eleição do advogado
trabalhista Plínio Ramos Coelho governador do Estado, porém o único legado que
ficou para a classe trabalhador, é a histórica Casa do Trabalhador no centro de
Manaus que fora doada por Plínio aos Sindicatos da época.
Com o golpe militar
de 1964, os principais ativistas ligados ao PCB e PTB, ao movimento sindical
CGT – Comando Geral dos Trabalhadores e estudantil, foram presos, outros
assassinados o que levou a um imenso refluxo do movimento de esquerda
socialista no Amazonas. Nesse período, é implantado em Manaus, a Zona Franca, a
economia do Amazonas, passa por uma transformação radical, deixa de ser comercial/extrativista
para se tornar comercial/ industrial.
A Zona Franca
provoca uma onda migratória para Manaus, a cidade passou de 200 mil habitantes
para mais de 2 milhões de habitantes atualmente. O comercio era intenso, as indústrias
se instalaram, a população cresceu e qualidade de vida do povo ficou mais
precária. Somente no final da década de 70, os movimentos partidários,
estudantil e sindical voltaram a se organizar.
A criação do
PT, propiciou aos trabalhadores, se interessarem pelas suas entidades de classe,
surge então os movimentos de oposição sindical. A principal oposição sindical
em Manaus, foi a dos metalúrgicos, essa articulação tomou força depois do 1º
Encontro Sindical do PT realizado no bairro do Alvorada, em seguida a oposição
passou a ser chamada de “OPOSIÇÃO SINDICAL METALURGICA PUXIRUM”, o nome foi
escolhido em uma reunião num sábado a tarde na escolinha da professora
Valeriana no bairro do Coroado. Em 1983 é fundado a CUT – Central Única dos
Trabalhadores, este escrevente estava lá no velho prédio da companhia de cinema
Vera Cruz em São Bernardo do Campo (SP) como delegado de base do Sindicato dos Metalúrgicos
de Manaus.
Em fevereiro de
1983 a chapa PUXIRUM é eleita para direção do Sindicato dos Metalúrgicos de
Manaus, em 1985 os trabalhadores metalúrgicos fazem a primeira greve geral da categoria,
em 1986 foi feito uma outra greve geral. Com esse movimento dos trabalhadores,
o PT passa a comandar o movimento da esquerda socialista no Amazonas.
Com a chegado
do PT ao governo Federal, logo em seguida a fundação do PSOL, o PT deixa de ser
o referencial da esquerda socialista no Amazonas, ficando esse papel para o
PSOL/PSTU/PCB, porém, o PT segue sendo o principal partido de massa no estado e
continua sendo até agora.
O PSOL durante
mais de uma década, não conseguiu sair do isolamento político, os motivos são
diversos, mas o que mais emperrou o crescimento do partido até agora, é o
excesso de burocracia, a seletividade para acolher novos filiados em Manaus,
para esclarecer essa afirmação, veja a evolução do número de filiados em Manaus:
2010 – 55, 2011 – 55, 2012 – 77, 2013 – 76,
2014 – 217, 2015 – 222 – 2016 – 319 e 2017 – 500 (fonte-TSE, estatística do
eleitorado – mês base, abril de cada ano). Dos 500 filiados, apenas 95 participaram
do 6º Congresso realizado no sábado (19/08). Isso mostra a falta de motivação
dos filiados em participar das atividades do partido, na nossa modesta opinião,
a burocracia da direção desmotiva os filiados.
O 6º Congresso,
se dividiu em dois blocos, O campo popular Unidade Socialista com maioria de um
lado e as tendências APS-NOVA ERA/MÊS/CRZ/LRP/ESQUERDA MARXISTA de outro. Onde está
a divergência? Teoricamente está na concepção e pratica partidária.
A US defende um
partido que trabalhe uma política mais ampla no campo popular, um PSOL que
fortaleça a Frente Povo Sem Medo, um diálogo positivo com os setores
progressista da esquerda popular e avance na defesa das putas históricas da
classe trabalhadora, que consiga dar mais ênfase ao empoderamento das mulheres
na política, que potencialize as pautas transversais dos movimentos de direitos
humanos e construa na pratica um PSOL popular.
As outras tendências,
que no 5º Congresso foram vencedores, defendem um partido seletivo, onde para
se filiar no PSOL precisa no mínimo ter decorado o “Programa de Transição de Trotsky
” ou pelo menos “O Capital de Marx”., ou seja, excluem quem simpatiza com o partido que não preenchem essas exigencia, defendem que o PSOL
seja apenas um partido de quadro dirigentes iluminados, que só tem o que
ensinar e nada a aprender com os demais filiados, os discursos foram o mais
maniqueísta possível e todos atirando pedras na Unidade Socialista.
A Unidade
Socialista começou a se organizar dentro do PSOL Amazonas em 2013 quando
vencemos a disputa pelo diretório estadual do partido, em 2015 fomos vencidos
na disputa pelo diretório Municipal de Manaus e empatamos na disputa pelo diretório
estadual, motivo que levou a direção nacional dividir o mandato da estadual em
um ano de gestão para cada bloco, coube ao MÊS dirigir o ano de 2016 e a US o
ano atual [2017]. Já abordamos em outras oportunidades que, o período de 2016,
ano que o bloco liderado pelo MÊS, ficou a frente do diretório estadual, o
partido ficou até sem sede, portanto, a gestão foi um desastre.
Nestes pouco
mais de seis meses a frente do diretório estadual, a US já conseguiu recuperar
a sede, organizar uma eleição, ajudar diretamente na organização das manifestações
das mulheres, organizar e mobilizar a greve geral de abril e as outras
manifestações contra as reformas do temer, manter assistência a maioria dos
diretórios municipais...tudo isso, se virando nos trinta para articular a logística.
Por essas e
outras razões que afirmamos, a vitória é do PSOL! O resultado do 6º Congresso
do PSOL Manaus, é uma etapa muito importante para a consolidação do PSOL em Manaus,
conforme o nosso relato acima, a história de um partido da esquerda socialista,
só tem sentido, se ele for capaz de ser protagonista da organização da luta da
classe trabalhadora, fora isso, tudo mais é retórica sem compromissos práticos.
O
novo PSOL em Manaus começa agora!
Em
defesa dos direitos, reorganizar a esquerda e transformar o Brasil
Somos
um PSOL à altura dos desafios
Elson de Melo é militante do PSOL

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