Por Elson de Melo
“Nenhum
partido pode, sem cair no aventureirismo, planejar sua atividade com base na
esperança de explosões sociais e complicações políticas. Nós devemos seguir a
nossa estrada, desenvolver sem pausas o nosso trabalho sistemático, e quando
menos esperarmos, e surgirem esses imprevistos, tanto maiores serão as
possibilidades de não nos deixarmos pegar desprevenidos por nenhuma
“reviravolta histórica”.”
::: Lenin –
em “Por onde Começar – 1901
Camaradas do PSOL
Estamos vivendo um momento de muita agitação
social em todo o Brasil, a razão dessas mobilizações são inúmeras, mas, as
principais delas é o total abandono pelos governos das politicas sociais publica
como; educação, saúde, politica salarial, reforma agraria e a escalada
desenfreada de privatização do pouco que restou da onda privatizante que o
governo do PSDB já havia consumado. O governo do PT/PMDB está vendendo o que
restou das riquezas brasileiras!
Nos últimos dias assistimos as
greves dos Correios, bancários e ainda está em andamento a greve dos
professores em diversos Estados e Municípios do país. Agora vai começou a greve
dos petroleiros, os Movimentos de Sem Terras e Sem Tetos, começam a deixar as
migalhas que o governo do PT aporta em suas instituições, para exigirem na
forma tradicional a tão sonhada Reforma Agrária e Urbana.
Essa retomada das greves dos
trabalhadores brasileiros e da radicalização dos movimentos sociais é
sintomática, trata-se do fim da alegria do consenso que começou com celebre
frase dos marqueteiros do PT criada quando Lula venceu a primeira eleição para
Presidente “a esperança venceu o medo”,
alguém se lembra dela!? Pois sim, juto com essa frase foi lançado o programa “Fome Zero” que é o principal responsável
pela reeleição dos governos petista e também por todas as mazelas desse mesmo
governo como: os escândalos do mensalão, dólares na cueca, sanguessugas,
aloprados...!
Cansados de assistir e ouvir a
enxurrada de propaganda oficial e extraoficial do governo, a população tomou em
junho as ruas de todo país para protestar e escolheu como principal alvo a
inercia do governo Dilma/PR-PMDB, os Partidos Políticos e a politica. Atordoado
com o fim da alegria do consenso, o governo lança mão do velho e tão desacreditado
‘Pacto Social’ como forma de conter a
fúria dos manifestantes, junto com essa medida, anuncia um embrulhão contendo a
sonhada reforma politica através de uma minirreforma da constituição e um
plebiscito – uma verdadeira conversa para boi dormir!
Pois bem, e nós que militamos nos
partidos da esquerda socialista, o que fazíamos e que fizemos? Em uma análise
racional, é possível afirmar que quase nada, na real, a maioria da militância
foi pego de surpresa também, sabe por quê? No caso especifico do PSOL/AM, nos
falta militância orgânica, se olharmos ao nosso entorno, vamos encontrar um
pouco mais que meia dúzia de militantes que atendem o chamado do partido.
De modo particular, não vejo isso
como desalento, mas, sim como um grande desafio para a próxima direção do
Partido no Amazonas, é preciso ter claro que um militante não se forma apenas
com boa vontade, é preciso persistência, um pouco de dedicação, organização,
formação politica, um bom plano de marketing e comunicação e, uma firme
estratégia de luta (plano de atividade prática), sem a qual não haverá
militância consequente.
Sobre esse aspecto, Lenin
escreveu um artigo em 1901 intitulado “Por onde Começar?”, ele começa dizendo:
“No último ano, a pergunta “Que fazer?” se
impôs com força particular aos social-democratas russos. Não se trata de
escolher um caminho (como foi o caso nos fins dos anos oitenta e início dos
anos noventa do século XIX), mas de saber quais passos práticos devemos dar
sobre uma rota já traçada, e precisamente de que modo. Se trata do método e do
plano de atividade prática. E precisamos reconhecer que os problemas do caráter
e dos métodos da luta, fundamental para um partido prático, não estão
completamente resolvidos entre nós e continuam a suscitar sérios dissensos, que
revelam uma instabilidade e incerteza ideológica deploráveis. De um lado, está
ainda bem viva a tendência “economicista”, que inferioriza e restringe o
trabalho de organização e agitação política. De outro lado, continua de cabeça
firmemente erguida a tendência do ecletismo sem princípios, que muda ao sabor
de qualquer brisa e não sabe distinguir entre os interesses imediatos das
tarefas essenciais e das exigências permanentes do movimento no seu conjunto.”
Cento e doze anos se passaram e
parecem que Lenin está escrevendo hoje; olhando para a conjuntura que vivemos,
avaliando as nossas deficiências, refletindo sobre o caráter da nossa luta e
apontando estratégias e táticas a trilharmos. Porque essa citação? Primeiro por
que acho importante estudar a história para tiramos dela lições importantes
para o nosso cotidiano, segundo, para aprender com a história dos que foram
capaz de implementar transformações relevantes em sua época, por fim, para
compartilhar com os camaradas as nossa preocupações em relação ao que pesamos
sobre a importância do nosso partido na conjuntura atual.
Como eu disse acima, o nosso
desafio é organizar um plano de atividade prática e uma militância ativa, consequente
e determinada. Considero ser essas as principal
tarefa da nova direção do PSOL/AM que vamos ter a oportunidade de escolher no
4º CONGRESSO DO PSOL AMAZONAS dias 25 e 26 de outubro em Manaus. Entendo que um
partido da envergadura do PSOL a nível Nacional, não pode mais ser conduzido no
Amazonas como um partido pequeno, irrelevante, despropositado que serve apenas
para coonestar com os políticos tradicionais que aqui aportaram para saquear
nossa população. O que defendo e acho que todos nós. É um PSOL respeitado e
protagonista das transformações que o nosso povo precisa.
Para que isso aconteça,
precisamos que todas as instancias do partido funcione regularmente, de uma
militância aguerrida e determinada, de uma direção partidária que estimule e
impulsione as lutas da população, precisamos combater o pessimismo da
dificuldade de recursos financeiros dando maior ênfase na formação de uma
militância consciente, desinibida, veloz no raciocínio, ética e consequente na
execução dos planos de trabalhos traçados, só assim teremos recursos humanos e
financeiros pra alavancar nossas ações.
A nova direção do PSOL/AM precisa
estimular a participação dos seus militantes a serem protagonistas das lutas da
sua categoria no local de trabalho, na comunidade e mais, dar o suporte devido
para que as lutas que cada militante organizar, seja vitoriosa, assim, a nova
direção deve ser estimuladora e não repressora das iniciativas dos seus
militantes, é urgente combater a desconfiança que vem norteando, estrangulando
e regulando o avanço do partido no Amazonas, o militante precisa ter confiança
na sua direção e não medo ou resignação.
O papel de cada militante do
partido é acima de tudo, organizar a luta politica da população e fortalecer o
partido. Da direção, é planejar, organizar e disponibilizar todas as condições para
o bom desempenho das atividades organizadas pelo militante, para ressaltar essa
importância cito mais um fragmento do Artigo de Lenin “Por onde começa?”, aqui
ele aborda as diversas atividades continuas de um militante politico junto ao
proletariado:
“Amanhã, pode se colocar uma tarefa mais
difícil, por exemplo, apoiar o movimento
dos desempregados de alguma região. Depois de amanhã, deveremos estar
talvez em nosso posto participando de modo revolucionário de um levante
camponês. Hoje, devíamos usar o agravamento da situação política que o governo
criou com a cruzada contra o zemstvo (espécies de parlamentos rurais de tipo
feudal russo). Amanhã, deveremos apoiar a indignação da população contra este
ou aquele esbirro tzarista, desencadeando e ajudando, mediante os boicotes, as
denúncias, as manifestações etc., a dar uma lição tal que o constranja a se
retirar. Tal grau de preparação para a luta se pode formar somente com uma
atividade contínua em que se empenhe a tropa regular. Se nós unirmos nossas
forças para desaguar em um jornal de escala nacional, tal trabalho fará surgir
e formará não somente os propagandistas mais hábeis, mas também os organizadores
mais provados, os chefes políticos mais capazes de saberem lançar no momento
exato a palavra de ordem da luta decisiva e dirigir essa luta.”
No Artigo “Por onde começa”,
Lenin reafirma que o caminho estratégico já está definido é o socialismo. Portanto,
o que precisamos saber é como começar. Ele
aponta como primeiro passo a comunicação, no caso da época o Jornal do Partido.
Hoje, guardado as proporções, a comunicação continua fundamental para o sucesso
das nossas atividades, portanto, o PSOL/AM, deve organizar seu sistema de
comunicação, tanto interna, como externa.
Com a tecnologia disponível, não
podemos mais ser refém da mídia dirigida e a serviçal do capital, precisamos
dar visibilidade a população, de tudo que pensamos em relação a economia, a
educação, a saúde, ao direito, ao trabalho e vida digna que queremos construir
com a nossa gente. E, o mais importante, municiar a militância com conteúdos e
instrumentos de agitação e propaganda do projeto alternativo de poder popular
que queremos.
ELSON DE MELO
Secretário de politica Amazônica
PSOL - Amazonas
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