terça-feira, 26 de abril de 2011

1º DE MAIO: A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Cultura
Elson de Melo
A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Distrito Industrial de Manaus(AM)
Dia 1º de maio é dia do Trabalhador,
Trabalhador da roça e do nosso pescador,
Num dia é seringueiro, no outro é agricultor,
Batalha sol a pino, para manter seu sustento,
Cria gado, planta juta e ninguém lhe dá valor.

Num dia triste da vida, o caboclo ouviu no rádio, a conversa do doutor,
Que na cidade sorriso, havia relógio barato, emprego e muita festa,
Correu arrumou sua boroca, para seguir sua sina,
Numa noite de magia, embarcou, no primeiro motor da linha,
Alegre todo contente, na escadaria dos Remédios desembarcou.

Uma vez na capital, estava selado seu destino,
De ser trabalhador operário, ou ser um eterno menino,
Conheceu a Zona Franca, seu comércio e a indústria,
Correu foi ser empregado, numa fabrica juta,
Depois quebrou castanha, trabalhou na construção,
Nas fabricas do Distrito, a idade foi a condição,
De não ser admitido, na linha de produção.

O caboclo agora anda triste, resmunga com toda razão,
Convidaram para festa, mas, não lhe deram a opção,
De escolher a camisa do terno de estimação,
Sobrou-lhe apenas a lembrança, do seu torrão que morava,
De onde veio sem volta, só saudade e lamentação.

Agora seu filho trabalha, numa fabrica de televisão,
Monta as mais modernas Tvs, mas, não pode comprar não!
Uma Tv de plasma, ou de HD digital com alta definição,
Contenta-se com a noticia, de ter dado lucro de bilhões... de dólares,
Que só enriquece o patrão. Veja só a contradição!

A saga desse caboclo parece coisa de ficção,
Caramba! Isso é verdade, é pura confissão,
Ainda falta dizer, aonde mora esse peão,
E o salário que recebe, só dá pra comprar o pirão,
As outras coisas da vida ficam para outra encarnação.

Pra não pensarem que o poeta, só fala de solidão,
Vamos unir nossas forças, para aumentar a pressão,
É hora de garantir conquistas, que eles sempre dizem não.
O caminho para o intento está na nossa união,
Nesse 1º de maio, eis a convocação, solidariedade e luta, pra fortalecer nossa razão.

Trabalhadores do mundo. Uni-vos!

Elson de Melo - Sindicalista

Mensalão: História do maior escândalo no Brasil

Política
Antonio Carlos Lacerda (*)
Fonte: Pravda.ru
Link: http://josecarlosalexandre.blogspot.com

Mensalão: História e perspectivas sobre o maior escândalo de corrupção política no Brasil

Se analisado à luz do rito processual penal brasileiro, as perspectivas sobre o processo do Mensalão, o maior escândalo de corrupção política na história do Brasil, são de que ele pode terminar sem punição dos acusados

No Brasil, o processo que tramita no Supremo Tribunal Federal sobre o maior escândalo de corrupção política da história do País, conhecido por Mensalão, pode finalizar sem punição dos acusados por força da prescrição do crime de formação de quadrilha.

No próximo mês de agosto, 22 réus do processo do Mensalão, que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), estarão livres de uma das principais acusações, a de formação de quadrilha.

O desmantelamento do esquema de corrupção política através do Mensalão, a pior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será iniciado na última semana de agosto deste ano, quando vai prescrever o crime de formação de quadrilha.

O crime de formação de quadrilha, citado mais de 50 vezes na denúncia do Ministério Público - aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -, é visto como uma espécie de "ação central" do esquema, mas desaparecerá sem que nenhum dos 'mensaleiros' seja julgado. Entre os 38 réus do processo, 22 respondem por formação de quadrilha.

Apontado pelo Ministério Público como o "chefe" do Mensalão, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República no governo do ex-presidente Lula, parece estar mais próximo da absolvição.

Foi do próprio ex-presidente Lula o primeiro sinal político concreto em favor da contestação do processo do Mensalão. Ao deixar o governo, Lula disse que sua principal missão, a partir de janeiro deste ano - já estamos em março - seria "mostrar que o Mensalão é uma farsa".

Réus no Mensalão, enquadrados no crime de formação de quadrilha, enquanto aguardam o julgamento recuperaram as forças políticas que perderam e já começam ocupar cargos importantes no governo da presidente Dilma Rousseff.

Um dos fatos que demonstra essa articulação envolveu a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e mostrou a preocupação do governo com o futuro do Mensalão na Suprema Corte de Justiça do Brasil.

Na sabatina informal com Fux, um integrante do governo perguntou ao então candidato: "Como o senhor votará no Mensalão?". Para não se comprometer, Fux deu uma resposta padrão: se houvesse provas, votaria pela condenação; se não houvesse, pela absolvição.

Entre os atuais ministros do STF, causa também uma certa estranheza o fato de o ministro José Antônio Dias Toffoli participar do julgamento do Mensalão. Advogado do PT, ex-assessor da liderança do partido na Câmara e subordinado a José Dirceu na Casa Civil da Presidência da República no governo do ex-presidente Lula, Dias Toffoli já participou do julgamento de recursos do Mensalão.

Um dos ministros do STF teria lembrado que o ex-ministro Francisco Rezek se declarou suspeito de participar do julgamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello no STF por ter sido ministro das Relações Exteriores no seu governo e retornado ao STF por indicação do próprio Fernando Collor. Por conta disso, Francisco Rezek entendeu por bem não participar do julgamento do então presidente Fernando Collor de Mello no Supremo Tribunal Federal.

Dentro do próprio governo existem articulações políticas para fortalecer e blindar políticos do PT que são réus do Mensalão. O exemplo mais cínico e atrevido dessas manobras foi a nomeação do ex-deputado José Genoino, que na época do escândalo do Mensalão era presidente do PT, para o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, pelo próprio ministro Nelson Jobim, atendendo pedido de petistas. Genuino nada sabe sobre defesa e nada tem a ver com militares.

João Paulo Cunha, outro petista réu no Mensalão, foi eleito membro da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara dos Deputados. Por ser membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, João Paula Cunha passa a ter uma blindagem política.

Além das manobras políticas para por fim sem punições ao processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal vários outros obstáculos processuais colaboram para que os culpados saiam impunes do episódio.

Como obstáculos processuais, a complexidade da investigação que envolve os 38 réus é um deles. As dificuldades naturais para se conseguir provas de todas as denúncias contra os acusados faz com que os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal admitam que, muitos dos réus, entre eles personagens centrais do Mensalão, deverão ser absolvidos.

Se se buscar um histórico do Supremo Tribunal Federal, poderá ser constatado que as poucas condenações daquela Corte de Justiça só ocorreram quando foram exibidas provas absolutas, cabais e incontestáveis.

Diane desse fato histórico do tribunal, o ex-ministro José Dirceu sairia impune do processo, por força das dificuldades de se localizar provas suficientes para condená-lo por corrupção ativa. Assim, diante da já esperada prescrição do crime de formação de quadrilha, o tribunal não teria como condenar José Dirceu, estrela de primeira grandeza do PT, acusado de ser o mentor intelectual e chefão do Mensalão.

A mesma expectativa vale para duas outras estrelas petistas: Luiz Gushiken, ex-ministro do governo Lula, denunciado por peculato, e o ex-deputado Professor Luizinho, que foi líder do governo na Câmara, acusado de lavar dinheiro.

Ao contrário do autor da denúncia do Mensalão, ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, nunca conversou diretamente com o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.

Aliás, Roberto Gurgel formulou, tardiamente, em dezembro passado, 12 pedidos de diligência que acabaram por atrasar o calendário processual do Mensalão, previsto por Barbosa.

Segundo o calendário do ministro Joaquim Barbosa, toda a instrução do processo do Mensalão estará concluída em abril ou maio deste ano. Em seguida, Joaquim Barbosa terá de analisar mais de 42 mil páginas do processo, reunidas em 200 volumes, com quase 600 depoimentos e um calhamaço de provas colhidas.

Depois de proferir seu voto como relator do Mensalão, o que deverá ocorrer até dezembro deste ano ou no início do que vem, Joaquim Barbosa remeterá o processo para o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, que, da mesma forma, terá de fazer uma leitura de todas as peças processuais para então proferir seu voto como revisor.

Feito todo esse procedimento processual, o Mensalão estaria pronto para julgamento no segundo semestre de 2012. Entretanto, há quem diga que, por prudência, o Supremo Tribunal Federal não julgaria o Mensalão no segundo semestre de 2012 pelo fato de ser um processo com potencial capaz de interferir nas eleições municipais previstas para o mês de outubro daquele semestre em todo o País.

Então, o julgamento do Mensalão ficaria para 2013, exatos oito anos depois de descoberto o maior escândalo de corrupção política em toda a história do Brasil.

Em 2007, no julgamento do inquérito do Mensalão, quando o Supremo Tribunal Federal acatou a denúncia contra os acusados foi criada uma expectativa de que os envolvidos no escândalo não escapariam de uma condenação na Suprema Corte de Justiça do Brasil.

Naquela oportunidade, a rapidez com que foi julgada e acatada a denúncia do procurador-geral da República, além do raro consenso dos ministros sobre o Mensalão criou-se a sensação de que não haveria impunidade para os acusados.

Essa sensação, que foi apenas uma ilusão dentro de um contexto artificial, foi provocada pela troca de mensagens entre ministros durante uma sessão do tribunal.

Os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia conversavam, por meio do sistema de comunicação interno do tribunal, sobre uma possível articulação de colegas para derrubarem integralmente a denúncia do Mensalão. A suspeita não era apenas dos dois. Outros ministros disseram ter ouvido um colega do tribunal dizer que rejeitaria a denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

Com a divulgação dessa informação, criou-se um clima de constrangimento, e nenhum ministro sentiu-se à vontade para discutir à exaustão cada ponto da denúncia. Então, decidiu que, melhor seria acelerar a conclusão do julgamento da denúncia em favor da abertura do processo contra os acusados.

Com esse cenário favorável à aceitação da denúncia, o relator do processo do Mensalão, ministro Joaquim Barbosa, teve o trabalho facilitado, com a denúncia sendo recebida praticamente na íntegra e a impressão de que a investigação não tinha pontos falhos.

Atualmente, ministros do próprio tribunal teriam dito que vários pontos do inquérito seriam derrubados facilmente se o julgamento tivesse transcorrido em clima de normalidade.

O ESCÂNDALO DO MENSALÃO

Escândalo do Mensalão ou "Esquema de compra de votos de parlamentares" é o nome dado à maior crise política sofrida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005/2006 no Brasil.

Em 14 de maio de 2005, foi divulgada pela imprensa de uma gravação de vídeo na qual o ex-chefe do DECAM/ECT, Maurício Marinho, solicitava e também recebia vantagem indevida para ilicitamente beneficiar um falso empresário - na realidade o advogado curitibano Joel Santos Filho, o denunciante da corrupção, que, para colher prova material do crime, faz-se passar por empresário interessado em negociar com os Correios.

Na negociação estabelecida com o falso empresário, Maurício Marinho expôs, com riqueza de detalhes, o esquema de corrupção de agentes públicos existente naquela empresa pública.

Segundo o então procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, na denúncia que apresentou e foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado Federal Roberto Jefferson - então Presidente do PTB, acuado, pois o esquema de corrupção e desvio de dinheiro público estava focado em dirigentes dos Correios indicados pelo PTB, resultado de sua composição política com integrantes do governo - revelou detalhes do esquema de corrupção de parlamentares, do qual fazia parte, esclarecendo que parlamentares que compunham a chamada "base aliada do governo" recebiam, periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao Governo Federal, constituindo o que se denominou como "Mensalão".

O neologismo Mensalão, popularizado pelo então deputado federal Roberto Jefferson em entrevista que deu ressonância nacional ao escândalo, é uma variante da palavra "mensalidade", usada para se referir a uma suposta "mesada" paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo. Segundo o deputado, o termo já era comum nos bastidores da política entre os parlamentares para designar essa prática ilegal.

A palavra "Mensalão" foi então adotada pela mídia para se referir ao caso. A palavra, tal como ela é, foi utilizada também na mídia internacional sempre acompanhada de uma pseudo-tradução. Em espanhol já foi traduzida como "mensalón" e em inglês como "big monthly allowance" (grande pagamento mensal) e "vote-buying" (compra de votos).

Entre 22 a 27 de agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento das 40 pessoas denunciadas pelo procurador-geral da República, em 11 de abril de 2006.

O tribunal recebeu praticamente todas as denúncias feitas contra cada um dos acusados, o que os fez passar da condição de denunciados à condição de réus no processo criminal, devendo defender-se das acusações que lhes foram imputadas perante a Justiça, para, posteriormente, serem julgados pelo tribunal.

Em julho de 2008, foi descoberto, durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do Mensalão. Através do Banco Opportunity, Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazônia Telecom.

As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 Milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a Polícia Federal, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares.

A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity.

Esta é, portanto, a história e a expectativa sobre o Mensalão, considerado o maior escândalo de corrupção política da história do Brasil, que assombrou a opinião pública brasileira e 'conquistou', de forma negativa para o País, até o noticiário da imprensa internacional.

(*) Antonio Carlos Lacerda é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU. E-mail:- jornalistadobrasil@hotmail.com

domingo, 24 de abril de 2011

Segunda Caminhada da Terra do SERPAJ-Brasil e ABAI

Caminhada da Mãe Terra, 22 de abril de 2011

Neste ano de 2011, em que a Campanha da Fraternidade das igrejas cristãs pede um maior cuidado com o planeta que sofre como em dores de parto, aconteceu um fato muito interessante. O dia internacional da Mãe Terra (22 de abril) coincidiu com a Sexta-Feira Santa. Será isto um sinal dos tempos? Membros de duas ONGs sediadas em Mandirituba, PR, Fundação Vida para todos – ABAI e SERPAJ Brasil comemoraram este dia com uma caminhada meditativa ao longo da trilha da Reserva Mãe da Mata. Adultos e crianças refletiram sobre o sofrimento e a morte de Cristo e o sofrimento da Mãe Terra. A terra não pertence ao homem, o homem pertence à Terra. Nos humanos somos terra também, somos a parte da terra que pensa, sonha e tem responsabilidade.

Por Marianne Spiller

sábado, 23 de abril de 2011

Testamento de um Judas

Há oito anos passados
Um sapo virou rei
De uma herança maldita
Ao mensalão ele se fez

Passado todo esse tempo
Não sofreu oposição
Sua maior proeza
Foi aumentar a riqueza na conta do patrão.

Agora em tempos de páscoa
Venho dividir a riqueza
Deixo pra Dilma a Presidência
E pro Sarney a decência...

Para os pobres deixo a bolsa família
Para os banqueiros os juros em dólar
Compenso o Genoino
Com a defeza na cola do Jobim

Das coisas que inventei
Deixo a manteiga e os Juros
Na conta dos aloprados
Um dossiê de apuros

Aos aposentados deixo um fator
Para nunca mais esquecerem
Que no meu governo o pobre
Só farofa é que ele come

Ao PCdoB deixo a copa
Pra tapioca esquentar
E um chope bem gelado
Pra Senadoras Vanessa degustar!

Para o Artur deixo a banana
Pra Heloisa Helena o Limão
Ao Heráclito um abraço forte
E pro Mão Santa a solidão.

Para não ficar na pendência
Reabilito o Zé Dirceu
Da mesma forma o Delúbio
E o Silvinho deixo pra noutra vêz!

Ao Serra dou um conselho
Deixa pro Aécio agora a vêz
Pois o Cassab já é nosso
Junto com ele vem mais de cem

Da rapadura eu Fuji
Do feijão com arroz já escapei
Agora é charuto, caviar e Whisky
Cachaça nunca mais, nem pensar!
Isso é verdade...Não sei.

Nunca antes nesse país
Um presidente esqueceu tanto
Das coisas que aconteciam
Nas barbas e nos seus quantos!
Nunca soube nunca viu, pra não perder o encanto.

Agora deixa eu falar:
Se liga Fernando Henrique
Paguei a divida externa
Agora Vaz me pagar!

Se duas vezes me ganhastes
Outras duas eu ganhei dos teus
Agora com Dilma em campo
Perde eu, perde você

Pra finalizar esse testamento
Quero a todos declarar
Que a Dilma é a minha cara
E o Zé Dirceu nosso cú...elho

Desse governo quero a fiança
Para bancar minhas palestras
Pra engordar a riqueza
E enganar a pobreza.

Seja qual for seu julgamento
Não adianta reclamar
Hoje estou de fora
Amanhã eu quero voltar
Te cuida Dilma, pios posso ainda reencarna.

*Qualqer semelhança com a imagem abaixo é apenas conicidencia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa de Vida Digna

*Heloisa Helena

Eis um período – para mim - maravilhosamente propício para a reflexão sobre Vida, Liberdade, Renascimento, Ritos de Passagem... Hipocrisia, Angústia, Poder, Solidão! Desde criança – na catequese por queridas freiras holandesas e padres católicos - que eu achava muito estranho o fato de Jesus ter sido recebido de forma imensamente triunfal “como Rei e Salvador” pelo mesmo povo que em poucos dias gritavam “Crucifica-o, Crucifica-o”... Eu - pequeninha, magrela e de imensas tranças – ficava pensando “que gente mais falsa...”

O Domingo de Ramos é exemplar! Jesus – debochado por muitos como o “filho do carpinteiro e de Maria” (aliás, pensemos o que sofreu Maria diante das línguas cínicas e ferinas das víboras fofoqueiras...) – que já tinha, de chicote na mão, literalmente botado pra quebrar no templo cheio de farsantes e vendilhões... entra de Jumentinho e é saudado entusiasticamente pela multidão! O Poder Local – César, Pilatos e Cia – em conluio mais que atual, demonstra à multidão que quem estiver ao lado do Rei dos Céus estará contra o Rei da Terra... aí o coeficiente de trairagem popular aumentou velozmente e foram aplaudidas todas as formas de humilhações (da brutalidade nas agressões físicas às cusparadas e xingamentos preconceituosos!). E se faz necessário lembrar que, com raríssimas exceções masculinas, a linda coragem da solidariedade a Jesus, no episódio, ficou mesmo para as mulheres!

O Monte das Oliveiras é outro momento de imensa intensidade espiritual e angústia absolutamente humana... onde Jesus, mesmo tomado pela Fé e Orações, demonstra tanto sofrimento, tristeza e medo... o retrato da humildade das nossas fraquezas humanas, seja nos apóstolos que dormiam ou na extrema exaustão emocional de Jesus que o leva a suar gotas de sangue. E durante a Crucificação, além do perdão e da opção pelo sacrifício, se apresenta também o doloroso sentimento de abandono e solidão gemendo na frase “Eloí Eloí, lema sabactâni...Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste...”

E a Páscoa? Ah! Além dos deliciosos ovos de chocolate para alguns que podem comprar... A Páscoa verdadeira em nosso tempo não chegou! Muitos de nós estamos lutando por ela irmanados nos Ritos de Passagem: Escravidão e Liberdade do Povo de Deus, Morte e Renascimento de Jesus! Infelizmente ainda persistem o sofrido caminhar de muitos nas travessias dos desertos de indigência social; nas peregrinações de humilhações extremas por vagas nas escolas e assistência à saúde; nas horas de angústia e desespero em ônibus superlotados; nos escombros sob as chuvas soterrando crianças; nas infames vendas de órfãos para ricos pedófilos e virgindades de meninas para bandidos políticos; na exploração insaciável e predatória da natureza... e em tantas outras formas de Violência, Escravidão e Morte...

A Páscoa chegará quando a música, em belos adágios por violinos e flautas, estiver sendo tocada por pequenas mãos pobres e frágeis de crianças que o maldito narcotráfico machucou, mas não aniquilou... A Páscoa chegará quando não ensinarmos às nossas crianças a prática desrespeitosa das palavras humilhantes e malditas “negrinha, doido, aleijado, bicha”... A Páscoa chegará quando os idosos estiverem sendo contemplados com profundo respeito às marcas que o tempo deixou... A Páscoa chegará quando não se ostentar por vaidade luxuosa as peles de animais no vestuário... A Páscoa chegará quando a intolerância religiosa for extirpada e o oportunismo vulgar e comercial em nome de Deus for superado...

Alguns dirão que tudo isso é romantismo ridículo e impossível de se concretizar... Alguns vão preferir simplesmente fazer de conta que nada vêm nas dores e sofrimento do mundo crucificado... E euzinha e muitos outros mais repetiremos Cecília: “É preciso não esquecer nada...nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante... O que é preciso esquecer... é o dia carregado de atos e a idéia de recompensa e glória...”

Felizes todos os dias em que buscamos a Páscoa... nas Travessias em Lágrimas pelos Desertos ou em Caminhos Perfumados de Jasmins, Angélicas, Lírios e todas as Flores que anunciam a Generosa Festa da Colheita de Paz e Justiça Social que um dia chegará!

*HELOÍSA HELENA é vereadora pelo PSOL em Maceió.

O Calvário do Encontro das Águas

Elson de Melo

Desde a chegada dos portugueses nas terras dos Manaús, o Encontro das Aguas tem sido palco das atrocidades do capital contra os seres vivos deste pedaço da Amazônia. Uma das primeiras vitima dessa ganância foi o Tuxaua Ajuricaba, o Líder de uma das maiores guerras indígenas de resistência na Amazônia, acontecida no século XVIII.

A foz dos rios Negro e Solimões onde começa o rio Amazonas, local sagrado dos nossos antepassados, conhecido como Encontro das Águas, vem sendo dilapidado desde que o dito homem civilizado aqui chegou, esses representantes do capital trouxeram consigo a maldição que passou ser a Via Crúcis do nosso majestoso Encontro das água em direção ao seu Calvário.

Hoje os cristãos celebram o dia da paixão de Cristo, como penitencia, percorrem juntos os caminhos de Jesus até o Calvário, lá simbolizam a crucificação do senhor, na cruz do meio está Jesus, ao seu lado estão dois ladrões, um se arrepende dos pecados e o outro ironiza Jesus – esse é o Deputado Sinésio Campos do PT no Calvário que ele quer levar o Encontro das Águas –  o outro, simboliza os demais defensores da construção do porto da Vale naquele lugar, que ainda podem arrepender-se desse propósito.

A Quaresma período que compreende quarenta dias é marcada pela Campanha da Fraternidade que teve neste ano um fato relevante para a vida na terra, com o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” que foi voltada para o meio ambiente; e o lema, “A Criação Geme Com Dores de Parto”, teve no Amazonas suas ações voltada para a preservação do Encontro das Águas, pugnando pela homologação do seu tombamento como Patrimônio Cultural do Povo Brasileiro.

Indiferente a esse apelo dos lideres cristãos, o Deputado Sinésio Campos do PT/AM, comandou uma caravana até Brasília para, em nome do Governador e da empresa Vale do Rio Doce, pressionar a Ministra da Cultura a modificar o perímetro do Tombamento desse majestoso complexo paisagístico, arqueológico, cultural e humanitário.

O Deputado e a Secretária Nádia da SDS querem transformar a Ministra em o Pilatos do Encontro das águas, exigindo que ela venha deixar o povo amazonense apenas ver a “banda passar!” no sentido literal da musica de seu irmão, o renomado cantor e compositor Chico Buarque de Holanda.

Acreditamos que a Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda, não se impressionou com as ponderações do Deputado e sua comitiva, sua sensibilidade artística e cultural, somada a determinação de mulher, são atributos suficientes para ela analisar a luz dos interesses ecológicos e sociais o trabalho que o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, apreciou e aprovou, cabendo apenas a sua homologação.

Hoje, sexta feira da paixão de Cristo, apelamos a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, que homologue o tombamento do Encontro das Águas, na forma como o Conselho aprovou, para o bem do Amazonas e felicidade daquele ecossistema.

Ministra, não seja o Judas e muito menos o Pilatos do Encontro das Águas!

Feliz Pascoa.
Elson de Melo – Sindicalista

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Do corredor da morte para o mundo: "Porque é preciso muita gente para fazer a revolução, e muita gente para preservá-la"

Internacional
Glória Muñoz Ramírez

Mumia Abu-Jamal

Durante um ano tentamos uma entrevista com Mumia, um dos presos políticos mais conhecidos do mundo. Enviamos cartas e pedidos através de todos os contatos possíveis que tivemos à mão, entre eles os membros do coletivo Amigos de Mumia México, os quais se ofereceram amavelmente para nos apoiar com uma gestão que tinha como destino o corredor da morte da prisão de Waynesburg, Pensilvania, onde Mumia permanece preso há 29 anos. Até que, certo dia, deslizou por baixo da porta um envelope com o nome de M. A. Jamal como remetente.

Chegava a nós a primeira entrevista que concede a um meio mexicano o ativista da causa afroamericana nos Estados Unidos, ex-membro do Black Panthers Party, o Partido dos Panteras Negras.

Na carta de duas páginas escrita a máquina, Mumia fala da necessidade de organização social, dos partidos políticos "servos do capital", da pertinência dos movimentos autônomos e a transcendência das reivindicações do EZLN, do movimento afroamericano nos Estados Unidos, dos Panteras Negras na atualidade, as contradições entre o discurso e a prática do governo dos Estados Unidos, do pensamento de Frantz Fanon e das expectativas que despertou Obama com sua chegada à presidência, em um país em que "os negros ocupam postos, mas têm pouco poder".

"A luta segue", conclui Mumia, na entrevista que se apresenta a seguir, no formato escolhido por ele:

Olá! Tentarei responder a algumas de suas perguntas no seguinte formato. Vamos lá!

Organizando-nos

Não há uma única maneira de fazê-lo, tampouco um só tipo de evento que impulsione essas coisas. Porque as pessoas são complexas e, claro, as condições mudam. Segundo o grande C.L.R. James (escritor e ativista social trinitário-tobagense), a organização começa quando duas pessoas concordam em trabalhar juntas.

Mao [Tse-Tung] disse que "uma só faísca pode incendiar toda a campina", e esse certamente parece ser o caso quando você observa o que aconteceu no Egito e na Tunísia nas últimas semanas [N.T.: a entrevista foi respondida no início de fevereiro]. Mas também é verdade que a organização esteve se processando por um bom tempo (especialmente no Egito), e parece que muitas pessoas simplesmente chegaram a um ponto-limite.

Os partidos políticos

Muitos, de fato a maioria dos partidos políticos, especialmente nas metrópoles, se tornaram descarados servos do capital. Por isso, competem entre si a serviço da riqueza sem sequer fingir que representam o povo. Como disse acertadamente o historiador francês Toqueville: "O cidadão americano não conhece uma profissão mais alta que a política – porque é a mais lucrativa". Ele escreveu isso há 150 anos! Os partidos são, na verdade, um obstáculo às necessidades e interesses do povo. Isso fica especialmente claro no chamado mundo desenvolvido, onde vemos que os políticos prometem uma coisa para serem eleitos, mas, uma vez que ocupam o cargo, rompem todas as suas promessas.

Autonomia

Se entendo bem (é que há poucos movimentos autônomos nos Estados Unidos), estamos falando de movimentos que são "autônomos" em relação aos partidos políticos. Nesse caso, estou totalmente a favor. Além de serem mecanismos para acumular fortunas pessoais, os partidos políticos são máquinas feitas para dar ao povo a ilusão da democracia.

As propostas do EZLN

Estou totalmente de acordo [com a idéia de nos organizarmos à margem dos partidos políticos e da classe política]. De fato, essa pode ser a única maneira de manter os movimentos sociais frescos e livres das armadilhas da corrupção, tão comuns na vida política em todo o mundo. Durante vários anos, tenho estado conversando sobre isso com um amigo meu, mais velho, que também é um estudioso do EZLN. Creio que devemos explorar, experimentar e, se parece possível, utilizar essa maneira de nos organizarmos.

Os africano-americanos

Para ser sincero, a situação é alarmante. Para milhões de crianças, nos guetos das cidades dos Estados Unidos, o índice de abandono dos estudos é de 50%. Em algumas cidades, como Baltimore, me dizem que chega a 75%. E, em muitos casos, os que chegam ao fim do ensino médio não conseguem entrar na universidade porque receberam uma educação fraca. Estamos falando de crianças! E, enquanto o índice oficial de desemprego, em nível nacional, está ao redor de 7%, para a América negra, é de quase 35% e, para os jovens, mais de 60%. Além disso, os jovens negros estão sujeitos a uma violência policial aberta, brutal e mortal, e é raro que um policial seja castigado por esse tipo de ação.

A eleição de Obama tem despertado e enfurecido as forças direitistas e racistas, muitas das quais se encontram no movimento Tea Party. Há políticos que tecem elogios à Guerra Civil (1860-1865), do ponto de vista sulista. Faz uns dias, o governador do Mississipi estava disposto a honrar com uma placa de automóveis um dos fundadores da Ku Klux Klan, o general Nathan Bedford Forrest, que foi responsável pela tortura e assassinato de centenas de soldados negros em lugar chamado Forte Pillow.

Partido Panteras Negras

Há bastante interesse sobre o BPP entre os jovens negros, mas poucos conhecem os detalhes históricos. Isso porque eles são ensinados por professores e por uma mídia que enfatizam o triunfo do movimento de Direitos Civis, que tornou possível a eleição de políticos negros. O movimento nacionalista negro está em declínio.

O que o movimento de Direitos Civis conseguiu foi a separação dos negros da classe trabalhadora dos negros burgueses, resultando na separação dos negros prósperos de seus primos pobres nas áreas centrais e degradadas das cidades. Isso se reflete em praticamente todos os níveis entre os negros americanos. E isso explica como ( e por que) as escolas para milhões de crianças negras e latinas podem ser tão pobres, em tantas comunidades.

EUA: negros e indígenas

As diferenças são reais porque raramente os espaços vitais são compartilhados (a maioria das comunidades indígenas está em áreas rurais ou no Oeste, enquanto a maioria dos negros vive em áreas urbanas). Dito isto, certamente há uma interação ideológica entre os dois grupos, e o Movimento Índio Americano (AIM) foi com certeza influenciado pelos Panteras Negras e o Movimento Black Power. As lutas pela independência e a liberdade dos negros e dos indígenas se reforçaram e se influenciaram mutuamente.

Migrantes

Como o capitalismo enfrenta uma crise, ele obriga o povo a pensar de maneira menos holística e mais egoísta. Esse impulso, alimentado pelo medo (e propagado pela mídia corporativa), reforça o sentimento de separação entre as pessoas e dissipa a comunalidade, o senso de comunidade e a própria coesão social. A menos que os ativistas sejam capazes de construir um sentimento de solidariedade entre os povos, esses impulsos levarão a verdadeiros desastres sociais e históricos.

EZLN e Panteras Negras

Creio que o fator que une as duas formações é sua insistência em que TODAS as pessoas, de todas as condições sociais, podem jogar um papel importante nos movimentos sociais pela mudança. Muitos dos movimentos nacionalistas negros dos anos 60 eram bastante críticos em relação aos Panteras Negras por trabalharmos com gente branca (também se trabalhava com ativistas chicanos, portorriquenhos, japoneses e chineses). A convocação zapatista sempre foi ao mundo inteiro, às pessoas de qualquer cor, gênero, classe etc. Creio que esse fator inclusivo é, no fundo, seu aspecto mais humanista e que atrai os setores mais amplos da família humana. Porque é preciso muita gente para fazer a revolução, e muita gente para preservá-la.

EUA: contradições entre discurso e prática

Me parece muito atinada sua leitura das contradições nos EUA, que se projetam como avatar dos direitos humanos quando são a nação mais repleta de prisões no mundo. A contradição é crua e irrefutável. Temos muitas coisas neste país, mas a democracia certamente não é uma delas. Temos formas democráticas, mas não temos verdadeiras normas democráticas. Quando milhões de ciadadãos saíram às ruas na primavera de 2002 pedindo que o país não fosse à guerra, a "democracia" ignorou o povo, e o resultado foi um desastre social, humanitário, ecológico, arqueológico e militar. George Bush descreveu esses milhões de pessoas nas ruas como um "grupo de pressão" - que ele prontamente ignorou. Como pode ser que este país, que fala com tanta doçura de liberdade, tenha mais presos políticos que qualquer outra nação do mundo, a maioria sendo negros? Os EUA têm cerca de 5% da população do mundo, mas 25% dos seus presos. Que mais dizer sobre direitos humanos?

Franz Fanon e Obama

Os africano-americanos não tomaram o poder quando elegeram Obbama, ainda que eu possa entender por que alguns pensam que eles o fizeram. Isso porque o que se fez foi um certo tipo de história. Pela primeira vez uma pessoa negra foi eleita presidente (interessante, isso ocorreu quase um século e meio depois que um homem negro foi eleito presidente do México [N.T.: Mumia provavelmente se refere a Benito Juárez, que era indígena de origem zapoteca]). Mas, como Fanon nos ensinou, no contexto do continente africano, o colonialismo foi sucedido pelo neocolonialismo. Os negros ocupam os cargos, mas, na realidade, têm pouco poder. Eles estão em dívida com os mesmos interesses que controlam os políticos brancos. De fato, a triste realidade é que os negros têm menos poder que antes, porque os políticos negros são menos capazes de tratar dos assuntos relevantes para a população negra, por medo de serem tachados de "racistas" pela mídia corporativa. Lembremos o exemplo de quando Obama chamou de "estúpido" o policial que perseguiu e prendeu seu amigo e antigo professor universitário Henry Louis Gates.

A mídia enlouqueceu. O incidente também demonstrou que alguém da elite negra (e, se um professor de Harvard não é da elite, ninguém é), o professor Gates, foi tratado como um negro pobre do bairro – detido em casa, humilhado e preso por atrever-se a falar com dignidade com um policial branco. A mídia obrigou Obama a calar-se.

Eu

Como diziam os moçambicanos, "a luta continua". Temos que construir, ampliar, aprofundar e fortalecer nossa luta onde quer que seja, porque, como dizia Frederick Douglas, "sem luta, não há progresso". Pode não ser fácil, mas é necessário.

Adiós, mis amigos, y gracias por todo!

Mumia

Tradução: Spensy Pimentel

Quem é?

O jornalista Mumia Abu-Jamal (nome recebido ao se converter ao islamismo), ou Wesley Cook, ficou conhecido por seu programa de rádio "A voz dos sem-voz".

Militante negro anti-racista e ex-integrante Partido dos Panteras Negras, Jamal foi condenado a morte por, supostamente, matar um policial que espancava seu irmão, no início dos anos 80.

Ao longo de mais de 20 anos de uma incessante batalha judicial em um processo cheio de falhas, Jamal é considerado um prisioneiro político dos Estados Unidos condenado à morte.

Original: Desinformémonos

Fonte: Brasil de Fato, segunda-feira, 11/04/2011
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EUA: Mais negros na prisão que escravos em 1850

Washington, 13 abr. (Prensa Latina) - A taxa de negros na população penal dos Estados Unidos é surpreendente e, longe de diminuir, os índices aumentam, afirmou um especialista.

Mais de 40% dos cerca de 2,5 milhões de estadunidenses que se encontram nas prisões do país correspondem a esse grupo.

Michelle Alexander, professor de Direito em Ohio, expressou que a taxa é "surpreendente", em grande parte, por práticas discriminatórias do injusto sistema judicial.

A denominada guerra contra as drogas - advertiu -, um problema que atinge a sociedade em seu conjunto, é realizada quase exclusivamente nas comunidades pobres de residentes negros.

"Os estudos têm demonstrado que os brancos usam e vendem drogas ilegais a preços iguais ou superiores aos negros", pontualizou, citado pela página digital Alter Net.

Autor do livro The New Jim Crow: Mass Incarceration in the Age of Colorblindness, Alexander considerou que em algumas comunidades negras do país, "quatro em cada cinco jovens pode esperar para ser aprisionado no sistema de justiça penal durante sua vida".

E destacou também que neste momento há "mais homens afroestadunidenses presos ou em liberdade condicional que todos os que foram escravizados em 1850, antes da Guerra Civil".

Segundo dados oficiais, 1 em cada 9 homens negros na faixa de 20 a 34 anos estão na prisão, enquanto no país 1 em cada 100 pessoas se encontra atrás das grades.

Com ao redor de 5% da população mundial, os encarcerados chegam a 25%.

Além dos negros, o fenômeno também é recorrente entre latinos e indígenas.

Na atualidade, as indústrias nas prisões geram lucros de cerca de 30 bilhões de dólares ao ano.

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...