domingo, 20 de março de 2011

Os 128 anos da morte de Marx

História
Fundação Lauro Campos

No dia 14 de março de 1883, em Londres, morreu Karl Marx, aos 64 anos. Economista, historiador, sociólogo, filósofo e jornalista, Marx é um destes autores que não podem ser enquadrados em apenas uma área do conhecimento humano. O autor de "O Capital" apresentou ao mundo um estudo aprofundado sobre as origens e a lógica de desenvolvimento do capitalismo. Autor fundador da esquerda moderna, Marx já foi condenado ao esquecimento algumas vezes, mas as repetidas crises do capitalismo sempre renovam o interesse por sua obra.

Neste dia, lembramos sua obra e seu legado publicando o discurso proferido por seu companheiro de reflexão e de militância Friedrich Engels, durante o funeral de Marx (publicado pelo Diário da Liberdade e pelo Portal Luta de Classes, a partir de texto do Arquivo Marxista na Internet):

Discurso de Friedrich Engeles no funeral de Karl Marx

Em 14 de março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu de encontramos ele em sua poltrona dormindo serenamente — dessa vez para sempre.

O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo se evidenciará a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu.

Assim como Darwin em relação à lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples fato, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, moradia e vestuário, antes de poderem praticar a política, a ciência, a arte, a religião, etc.; que portanto a produção imediata de víveres e com isso o correspondente estágio econômico de um povo ou de uma época constitui o fundamento a partir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em que elas devem ser explicadas – e não ao contrário como nós até então fazíamos.

Isso não é tudo. Marx descobriu também a lei específica que governa o presente modo de produção capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia, iluminaram-se subitamente esses problemas, enquanto que todas as investigações passadas, tanto dos economistas burgueses quanto dos críticos socialistas, perderam-se na obscuridade.

Essas duas descobertas deviam bastar a uma vida. Já é feliz aquele que faz somente uma delas. Mas em cada área isolada que Marx conduzia suas pesquisas, e estas pesquisas eram feitas em muitas áreas, nunca superficialmente, em cada área, inclusive na matemática, ele fez descobertas singulares.

Tal era o homem de ciência. Mas isso não era nem de perto a metade do homem. A ciência era para Marx um impulso histórico, uma força revolucionária. Por muito que ele podesse ficar claramente contente com um novo conhecimento em alguma ciência teórica, cuja utilização prática talvez ainda não se revelasse – um tipo inteiramente diferente de contentamento ele experimentava quando se tratava de um conhecimento que exercesse imediatamente uma mudança na indústria e no desenvolvimento histórica em geral. Assim por exemplo ele acompanhava meticulosamente os avanços de pesquisas na área da eletricidade e recentemente ainda aquelas de Marc Deprez.

Mas Marx era antes de tudo um revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, para a derrubada da sociedade capitalista e de suas instituições estatais, contribuir para a emancipação do moderno proletariado, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no 'Rheinische Zeitung' (1842), no parisiense 'Vorwärts' (1844), no 'Brüsseler Deutsche Zeitung' (1847), no 'Neue Rheinische Zeitung' (1848-9), no 'New York Tribune' (1852-61) – junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organizações de Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto – em verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada.

E por isso era Marx o mais odiado e o mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilavam-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniá-lo. Ele desvencilhava-se de tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era máxima a necessidade. E ele faleceu reverenciado, amado, pranteado por milhões de companheiros trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria, em toda parte da Europa e da América, até a Califórnia – e eu me atrevo a dizer: ainda que ele tenha tido vários adversários, dificilmente teve algum inimigo pessoal.

Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra!

18 de março de 1883

Fonte: Carta Maior


quinta-feira, 17 de março de 2011

Declaração Universal dos Direitos da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. No dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a Declaração Universal dos Direitos da Água (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do

Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Fonte:
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_mundial_da_agua.htm
Foto: Valter Calheiros.

Link: www.ncpam.com.br

terça-feira, 15 de março de 2011

Copa 2014: Arena da Amazônia e futebol amazonense sob suspeita


Elson de Melo

A imprensa Nacional dedica hoje 15/03/2011, cadernos inteiros com reportagem incluindo o estádio Arena da Amazônia como um dos “elefantes brancos” que estão sendo construído para receber jogos da Copa 2014 no Brasil. Os motivos são óbvios, a falta de torcedores para assistir eventos esportivos no Amazonas. Além disso, pesa sobre essa obra faraônica denuncias de superfaturamento constatado pelo Tribunal de Contas da União – TCU e o Ministério Publico Federal - MPF.

Vamos avaliar sem paixão de amazonense, que certamente o Governo do Estado vai invocar para acusar os responsáveis pela reportagem de serem inimigos do Estado. Num raciocínio racional, infelizmente eles estão cobertos de razão. É verdade que o futebol amazonense há tempos não consegue organizar um grande campeonato, os motivos são muitos, envolve os Dirigentes da Federação Amazonense de Futebol - FAF, Dirigentes dos clubes de futebol, o Governo do Estado, as empresas do Distrito Industrial, o Judiciário e os torcedores.

Os dirigentes Federação Amazonense de Futebol – FAF estão no poder a séculos, hoje estão dirigindo a Entidade sobre efeito de liminar concedido pelo Judiciário do Estado, são esses dirigentes da FAF que nada fizeram para melhorar o futebol Amazonense que devem ser declarados inimigos do Amazonas! Com eles a frente dessa instituição que responde pelo nosso futebol não é possível ver futuro positivo para esse esporte no Amazonas. A depender da pratica desses Dirigentes, certamente a Arena da Amazônia que já é um plágio do Ninho dos Pássaros, não passará de um monumento à incompetência!

Os clubes do Amazonas são hoje instituições falidas, não dispõe de estrutura mínima para pratica do futebol, a estrutura administrativa desses clubes é caduca, jurássica e por demais amadoras para o tempo que estamos vivendo, o único clube que tem um estádio caindo aos pedaços é o São Raimundo, os demais, na maioria não dispõem de campo para treinar, não investem nem no futebol profissional e muito menos nas categorias de base, isso impede a formação de atletas de alto rendimento. Os dirigentes desses clubes não estão preocupados com planejamento, são imediatistas, vivem mendigando migalhas junto ao Governo. Sem planejamento ninguém investe e assim eles decretam o fim do futebol no Amazonas.

Quem poderia ajudar a impulsionar o nosso futebol? Somos unanimes em afirmar que as empresas instaladas no Distrito Industrial podem e devem assumir essa tarefa, primeiro pelo extraordinário faturamento. Segundo pelo fato de deixarem aqui apenas 8% desse fabuloso lucro. Terceiro como contrapartida social pela excelente mão de obra dos nossos operários. Quarto pelo fato de que com a Copa no Amazonas deve dobrar a produção e consequentemente o faturamento delas.

Os investimentos dessas empresas não podem ser na construção dessa famigerada Arena da Amazônia, muito menos na FAF, CBF ou coisa do tipo, isso é pura sacanagem e não serve como referencia para responsabilidade social para com o nosso povo, o patrocínio deve ser para os clubes, escolas de futebol, e outras do gênero, esses investimentos devem ser acompanhados de um plano de aplicação com mecanismos de monitoramento bem objetivo, de preferencia com controle social feito pela sociedade.

No caso especifico dos clubes de futebol, como afirmei acima, os Dirigentes devem urgentemente reformular seus estatutos para acabar com a famosa “caixa preta” que impede a transparência em suas administrações, sem isso, não é possível alguém em sã consciência investir no melhor e mais bem intencionado projeto que eles vierem apresentar, lembro que: (há tempos atrás, participei de um projeto no Fast Club, esbarramos num tal Conselho, sei lá das quantas que mantinha relações inconfessável com o dono do Bingo que explorava a sede, o mesmo pagava um aluguel irrisório que logo recorreu a esse Conselho quando questionamos os valores do generoso aluguel, o resultado foi à destituição na Diretoria pela Justiça), tanto no caso FAF, como no Fast, sem questionarmos o mérito processual, a Justiça foi decisiva para manter o marasmo que o Futebol Amazonense está mergulhado, dai a citação dessa douta Instituição.

O Governo do Estado: há o Governo! A gestão pública no Amazonas ainda está na era medieval, os governantes se apropriam da estrutura do Estado para a locupletacão de uma pequena casta de amigos do poder, para isso eles são capaz de ignorar todas as normas, para aferirem lucros pessoais para essa casta, na visão deles, o aparelho estatal funciona como sua galinha dos ovos de ouro! São impetuosos quando o assunto é vantagem pessoal, isso justifica ignorarem as constatações do TCU, pouco importa se estão construindo uma múmia ou um elefante seja qual for à cor, o que interessa mesmo são os por dentro e por fora do orçamento, como diz o Ex-deputado Cordeiro “a babita”! Por isso, o que mais incomoda todos nós é a denuncia de corrupção embutidas nos orçamento das obras, que o governo do Estado preferiu ignorar substituindo os recursos do BNDES vetados pelo TCU e MPF, aportando recursos do Estado na obra. Como acusa as reportagens.

A torcida não foge a regra dos outros Estados, como todo brasileiro os amazonenses são apaixonados por futebol, porém, não adotam os clubes locais para torcer, porque será? Não precisa fazer nenhuma pesquisa, tudo que afirmei acima são motivos suficientes para justificar esse fenômeno, é claro que gostamos de um bom espetáculo de Futebol, porém, é impossível alguém frequentar os jogos do campeonato amazonense de futebol, a condição técnica dos times está abaixo da qualidade dos torcedores, culpa dos Dirigentes da FAF e dos clubes que os elegem.

Lamentamos pela forma negativa que o Amazonas, ganha destaque na imprensa Nacional, infelizmente na grande maioria das vezes os reportes estão com a razão, verdadeiramente não dá para acreditarmos na idoneidade dos nossos Dirigentes, se alguém se habilita a defendê-los. Boa Sorte!

(*)Elson de Melo é Sindicalista

terça-feira, 8 de março de 2011

O futuro da filosofia da práxis

Paulo Marçaioli

Leandro Konder
As palavras, de tanto ser repetidas, podem eventualmente ter seu significado prejudicado, sublimado pelo conjunto de usos e entendimentos de acordo com conveniências políticas mais ou menos conscientes. Deve-se sempre atentar para o fato de que falar sobre 'liberdade', 'justiça', 'democracia', 'socialismo', 'holocausto', 'direitos humanos' ou 'meio ambiente' vai implicar sempre em certa adequação dos termos a determinados discursos e práticas políticas, eventualmente antagônicas entre si. A palavra 'democracia', aqui, assume um papel bastante emblemático. Democracia é reivindicado por quase todos, da direita neoliberal aos socialistas, passando mesmo pelos regimes de ditadura militar ou civil que igualmente justificam a repressão como forma de 'salvar a democracia'. O significado de palavras como 'democracia' passa a ser definido de acordo com as convicções políticas de cada emissor em cada situação histórica específica, determinada por fins ora de legitimação ora de transformação da ordem.

Se o sentido das palavras dialoga com uma sociedade em conflito, a disputa pelos significados dos conceitos relacionados à tradição marxista (socialismo, trabalho, alienação, ideologia e, por suposto, o próprio termo 'marxismo') passa a ser algo determinante. Determinante para saber situar melhor nossas práticas de acordo com elaboração teórica mais detalhada das realidades complexas do trabalho e da luta por sua emancipação no século XXI. E determinante, particularmente, para fazer sobreviver e avançar o legado teórico-metodológico do marxismo frente à ideologia pós-moderna e/ou demais 'filosofias' que se propõem a negar em bloco qualquer atualidade das teses de Marx – corroborando, na esmagadora maioria das vezes, para a perpetuação do status quo.

Estas duas últimas preocupações, o aprofundamento teórico e a atualização do marxismo a partir da análise concreta das contradições do capitalismo do século XXI, são fontes de preocupação recorrente dos textos de Leandro Konder. Em 'Derrota da Dialética', o autor faz um estudo de fôlego sobre a recepção das ideias marxistas no Brasil, destacando as graves dificuldades de acesso, difusão e compreensão da filosofia da práxis como fontes da "derrota da dialética", da conformação do marxismo sob uma forma esquemática, linear e pouco atenta às potencialidades da dinâmica da história. A dialética é substituída pelo evolucionismo e a teoria passa a ser mera forma de legitimação das práticas políticas determinadas pela orientação das direções políticas dos instrumentos de luta. Em "Marxismo e Alienação", Konder dedica dois capítulos ao problema da alienação dentro das organizações de esquerda, no mundo e no Brasil. Já em o 'Futuro da Filosofia da Práxis', o objeto do autor é simples e ao mesmo tempo ousado: partindo do fato de Marx ter sido um pensador do séc. XIX, que influenciou diversos movimentos e autores ao longo do séc. XX, pergunta-se Leandro Konder em que aspecto a filosofia de Marx mantém sua atualidade no séc. XXI. O sentido da palavra "marxismo" tem um tratamento especial no ensaio. Mais uma vez, se as palavras são fontes de disputas políticas, o resgate das principais teses de Marx, relacionando-as com seus usos (e abusos) ao longo dos anos, cumpre o papel de desmistificar certo entendimento dogmático das ideias do filósofo alemão.

Revisitar as ideias de Marx

"Marx foi um pensador do século XIX' é o nome do primeiro capítulo do ensaio. Aqui, a constatação, aparentemente óbvia, implica levar em consideração os próprios limites do autor, dado o universo cultural e o repertório de ideias acessíveis a um pensador naquele momento e naquelas circunstâncias históricas. Trata-se, acreditamos, do velho problema do 'anacronismo' discutido pelos historiadores. Anacronismo, em primeiro lugar, correspondendo à análise de personagens do passado que não leva em consideração o fato de que aqueles mesmos personagens não terem tido acesso aos acontecimentos subsequentes à sua produção em vida, contrariando eventualmente seus prognósticos. Anacronismo, em segundo lugar, em certa recepção das ideias de Marx como uma doutrina a partir da qual a realidade deve se adequar de maneira esquemática.

Nesse sentido, um fato bastante emblemático tratado por Leandro Konder refere-se às ambigüidades entre as ideias revolucionárias de Karl Marx sobre o problema da consciência política e alienação e a sua conduta própria em vida. Marx lança as bases de um entendimento revolucionário do homem e sua formação de consciência, avançando sobre certa tradição, marcadamente ideológica, que busca encontrar traços mais ou menos universais do ser humano num plano distante das relações de trabalho e sociabilidade. Para Marx, a consciência é produto da experiência humana concreta que se dá, de forma privilegiada, a partir das relações de trabalho, que se modificam e possuem certa dinâmica correspondente aos estágios do desenvolvimento histórico. Ocorre que o indivíduo Marx também é produto de seu tempo. Mesmo lançando as bases de uma teoria crítica radical da realidade, ainda tem seu universo cultural relacionado ao conjunto de ideias disponíveis a um intelectual do séc. XIX e reproduz as práticas sociais de um homem da Inglaterra vitoriana. É conhecido, por exemplo, o etnocentrismo com que o velho Marx tratou as lutas de emancipação na América Latina. Em carta escrita ao genro cubano Paul Lafargue, relatada por Konder, Marx soa claramente racista. E, na verdade, as próprias ideias de Marx, particularmente suas análises sobre a alienação, o estranhamento do homem em relação à vida individualista e solitária no capitalismo, cria condições para se entender as contradições de sua prática em vida.

"O fato de ter sido um desmistificador genial dos fenômenos típicos de uma esfera decisiva da atividade alienada (a esfera da produção e da apropriação) não assegurava a Marx uma consciência isente de "alienação" na esfera da vida familiar e da moral privada". (Pg. 32)

Radicalizar o marxismo

Revisitar as ideias de Marx significa, portanto, aplicar até as últimas conseqüências o método crítico de Marx sobre o próprio marxismo. A crítica radical da realidade combinada a um profundo desejo e sincera disposição em engajar-se nas lutas pela superação do capitalismo foram igualmente fundamentais nos séculos XIX e XX. Hoje, a luta pelo socialismo é mais do que nunca necessária. O 'Futuro da Filosofia da Práxis', ao fazer o elo do pensamento de Marx ao longo dos séculos, certamente mereceria uma nova edição, quem sabe, pela Expressão Popular.

[KONDER, Leandro. O Futuro da Filosofia da Práxis: o pensamento de Marx no século XX. Ed. Paz e Terra.]

Paulo Marçaioli é estudante de Direito da USP e filiado ao PSol-Valinhos



A Mulher no Contexto Atual

O dia 8 de março nos trás à memória, para a nossa reflexão (ou pelo menos deveria trazer), a luta das mulheres operárias de uma indústria têxtil, que neste dia, em meados do século XIX, morreram queimadas ao ocuparem a fábrica, numa greve contra a exploração patronal. O absurdo é aceitarmos o que o capitalismo faz com esta data, colocando-a como comemorativa, deturpando-a com seus "modelitos" de batom vermelho e perfume francês, vendendo-nos como um produto de consumo, com características de sexo frágil. É revoltante!!! Pois esta data tem que ser relembrada e refletida para, principalmente, pensarmos em nossa situação atual e continuarmos a luta dessas companheiras que deixaram para nós um exemplo, onde nós não podemos ficar passivas/os diante da exploração, tanto de nosso trabalho braçal, como de nosso corpo como produto de sexo.

Assim como aquelas companheiras, muitas outras mulheres lutaram contra o autoritarismo em diferentes países, dentre elas podemos citar Emma Goldman, Maria Lacerda de Moura, Louise Michel, Federica de Montseni, Elvira Boni e suas companheiras costureiras e chapeleiras, e muitas outras que viveram e morreram pelejando.

Boa parte dessas operárias morreram lutando contra a jornada de 16 horas diárias de trabalho e por melhores condições de trabalho, que com o suor de suas lutas junto com os companheiros, conseguiram mais tarde que a jornada fosse reduzida para 8 horas diárias de trabalho. Mas sabemos muito bem que o que essas companheiras e companheiros queriam não era só apenas a redução de seu tempo de trabalho e melhores condições de trabalho, mas também o fim desse sistema capitalista injusto e criminoso.

Analisando a situação atual, além de nosso salário ser uma vergonha (e diga-se de passagem, sempre foi), o desemprego aumentou absurdamente e as condições de trabalho continuam péssimas, apesar de terem havido algumas conquistas neste campo. Bom, se formos ver a situação da mulher neste contexto, a coisa se agrava mais ainda, pois além de ser explorada pelo patrão e/ou patroa em seu emprego, chega em casa (no fim do dia) e ainda tem que cuidar da casa, sem dividir o trabalho doméstico com seu companheiro, sujeitando-se assim, a uma dupla jornada de trabalho.

Outra opressão que a mulher sofre é o assédio sexual e toda perversão que o capitalismo alimenta com seu machismo, onde produz o sexismo na mente das pessoas através de revistas, jornais, TV's enfim, todos os meios de comunicação. São geradas assim, condições propícias para os crimes de estupro, de "defesa da honra", escravidão sexual, prostituição forçada e todas as violências praticadas contra a mulher.

Em ambientes de trabalho podemos comprovar isso tudo, sendo este um retrato de toda uma sociedade baseada na competição, no lucro, o corpo sendo tratado como produto de consumo: Uma sociedade baseada na exploração.

Como já foi dito, atualmente o desemprego tem aumentado assustadoramente pois, em meio a essa política neoliberal de globalização, com sua ideologia de "qualificação de pessoal", @ trabalhador/a tem que demonstrar um certo nível de qualificação como, por exemplo, a capacidade para manejar uma máquina computadorizada de última geração. Juntamente com isso, a maior parte da população não tem acesso ao ensino fundamental, imaginem à informática... Com o discurso de que é necessário se fazer um "enxugamento nas empresas", os empresários despedem milhares de trabalhadores/as em troca de máquinas, em nome da "qualidade do produto", ou melhor, em nome de seus lucros. Esta situação é difícil para tod@s, homens e mulheres, mas, se formos analisar em meio a essa conjuntura, os monstros movidos a lucro despedem preferencialmente as mulheres, por essas possuírem útero, pelo fato de poderem engravidar e tirar a licença maternidade tão arduamente conquistada.

É companheiras, dentro dessa conjuntura se nós não nos organizarmos para combater o capitalismo, o machismo e o sexismo, vamos acabar sendo engolidas. Devemos dar nosso grito de revolta diante desse cenário de barbárie. Vamos dar continuidade a luta dessas verdadeiras heroínas, como as companheiras operárias daquele 8 de março, que lutaram até o final de suas vidas por um ideal de transformação social, de transformação de suas vidas e pela igualdade socioeconômica. Para isso, temos que nos unir e construir a nossa dignidade com as nossas próprias mãos, e não delegar a outr@ que faça isso para nós. Sabemos muito bem que esse método não adianta e nunca irá adiantar.

Vamos à luta companheiras!!!

Mutirão - OSL (Rio de Janeiro/RJ)

"O direito ao voto ou à igualdade civil podem ser reivindicações justas, mas a verdadeira emancipação não começa na cabine de voto, nem nos tribunais. Começa na cabeça de cada mulher. A história nos ensina que toda classe oprimida só se liberta de seus senhores por suas próprias mãos. É preciso que as mulheres aprendam essa lição, que compreendam que os limites para sua liberdade estão nas suas forças. Daí porque é muito mais importante começar em si própria, libertando-se do peso dos preconceitos e das normas seculares."

Emma Goldman

Fonte:
http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mulher/02contextoatual.htm

sábado, 5 de março de 2011

ENCONTRO DAS ÁGUAS NA LITURGIA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Fraternidade não tem cor, partido, credo ou fronteira. É um valor humanístico com morada nos corações e mentes das pessoas que amam e se deixam amar pelo outro na perspectiva da construção de um mundo ambiente, a permitir a explosão da vida na sua totalidade orientado pelo diálogo em respeito a biodiversidade. A celebração desse diálogo, no contexto da política de responsabilidade ambiental, transforma a pessoa em protagonista da historia compartilhando vida, trabalho e valores. A Campanha da Fraternidade (CF) é um grito profético a se desenvolver nesse processo humanístico a religar homem/natureza; trabalho/vida; amor/reciprocidade; pecado/perdão, com propósito de inaugurar novas práticas e sentimentos que justifique tanto amor devotado à vida no reino da Justiça minada pelas águas a sombra das florestas habitat dos encantados que insistem em povoar o nosso imaginário. Fantasmas de nossa identidade que ganha corpo nas narrativas populares e na formulação dos conceitos que denunciam nossa identidade como bem representa o nosso Encontro das Águas do Rio Negro com Solimões. A CF catalisa a luta do Movimento S.O.S. Encontro das Águas em favor do Tombamento desse patrimônio da nação brasileira, reivindicando também pelo reconhecimento desse bem como patrimônio da humanidade. Para efetivação desse processo exige-se que o Ministério da Cultura cumpra com o seu dever homologando já o Tombamento do Encontro das Águas, instituindo os meios necessários para salvaguardar esse patrimônio da voracidade dos aventureiros que a todo custo querem reduz a nossa Amazônia em mercadoria nos fóruns das nações. Contrários a esses gatunos de cartola resolvemos protestar e antes que tudo se transforme em pó convidamos você a participar conosco na VI Caravana do Encontro das Águas integrada a celebração da CF de 2011, que se fará na quarta-feira de cinzas (9), com saída marcada às 7h, do posto BR da Bola do Coroado. Na oportunidade faremos os credenciamentos, não esqueça de levar o seu farnel com frutas, sucos e outras espécies regionais para compor o banquete da fraternidade alimentado da esperança de se garantir a homologação já do Tombamento do nosso Encontro das Águas.



quinta-feira, 3 de março de 2011

Hora do Planeta 2011: Apague a luz para ver o mundo melhor

Criado em 2007, com a participação apenas da cidade de Sidney, na Austrália, a Hora do Planeta é atualmente a maior mobilização mundial na luta pelo combate ao aquecimento global, contando com a participação de mais de um bilhão de pessoas. Ele surgiu como um ato simbólico de apagar as luzes por 60 minutos, no qual empresas, a população e os governos, demostrariam sua preocupação com o aquecimento global e suas consequências.

Este ano a WWF, organização que promove a Hora do Planeta (Earth Hour, em inglês), tenta sensibilizar os participantes para que ampliem suas ações no dia-a-dia, tornando seu cotidiano mais sustentável. Com o chamado “Recicle-se”, o WWF Brasil mostra a importância do consumo consciente e da reciclagem, como forma de minimizar nosso impacto no meio ambiente. A ideia é estender a Hora do Planeta por muito mais tempo, transformando o pensamento e as ações sustentáveis em habito no nosso cotidiano.

Este ano o evento acontecerá no dia 26 de março, das 20h30 às 21h30. Participe você também da Hora do Planeta e aceite o chamado: recicle-se!

Fonte: http://essetalmeioambiente.com


Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...