quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

História de Nossa Senhora do Livramento


A origem dessa devoção está envolta em muita poesia. O fato, no entanto é que a devoção popular foi registrada em diversas localidades. Na Arquidiocese de Braga, em Portugal, consta que na igreja da Ordem Terceira de São Francisco se encontra a imagem de Nossa Senhora Libertadora das Almas do Purgatório. Pe. Jacinto dos Reis afirma que é mencionada na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

Fala-se também que a origem ver­dadeira vem desde os tempos da história de Alcácer-Quibir. Naquela batalha, com a morte de Dom Sebastião, foram aprisionados todos os nobres que não queriam aceitar nem render homenagem aos conquistadores, podendo até pagar com a vida. Entre eles, encontrava-se Rodrigo Homem de Azevedo que era um dos mais dedicados defensores de sua pátria portuguesa, e não aceitava as ordens do duque de Alba, enviado pela Espanha para submeter o povo.

A esposa de Rodrigo, encomendou o caso à santíssima Virgem da qual era devota. Durante nove dias orou fervorosamente, temendo pela vida de seu marido. Terminada a novena, ela teve um sonho, no qual lhe pareceu ver Nossa Senhora que lhe dizia: “Não te preocupes. Eu o livrarei. Mas quando puderes edifica uma igreja, para que meu Filho seja glorificado aqui”.

Sem saber como, seu marido foi libertado quando outros nobres foram executados. Ele, por ter recebido essa graça, mandou esculpir uma imagem, conforme descrição da esposa em seu sonho: “Vestido branco. Os cabelos loiros soltos. O Menino Jesus no braço esquerdo e a mão direita em sinal de amparo”. E porque Nossa Senhora disse “Eu o livrarei”, deu-lhe o nome de Nossa Senhora do Livramento e construiu uma capela.

Os portugueses trouxeram essa devoção para o Brasil. Na Arquidiocese de São Paulo há a Paróquia de Nossa Senhora da Livração. Dois municípios foram agraciados com esse simpático nome, um na Arquidiocese da Paraíba e outro na de São Luís de Cásseres, no Mato Grosso. Neste último — narra uma lenda mantida pela tradição —, um desconhecido, entre outras mercadorias, carregava na sua carrocinha uma imagem de Nossa Senhora. Num determinado lugar o animal estancou e não houve quem o pudesse mover. Retiraram a imagem e o animal andou. Tornaram a colocar a imagem na carrocinha, e outra vez o animal empacou. Isso se repetiu várias vezes. Os moradores interpretaram que Nossa Senhora queria permanecer naquele lugar. O desconhecido continuou seu caminho e desapareceu. Ninguém nunca mais o viu. O povo construiu uma capela, depositando no altar a linda imagem. Mais tarde a ermida se transformou em exuberante templo.
Oração

Mãe amorosa, permanecei em mim como num templo adornado e acolhedor. Nossa Senhora do Livramento, livrai-me de todo mal. Reinai em minha alma, mostrando-me nos vossos braços a Jesus. Amém.

por Pe. Roque Vicente Beraldi, sacerdote, missionário claretiano.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Confraternização da Vida

Dia 31 de dezembro de 2010 todos os filhos vivos de Raimundo de Lima Pinto, estiveram reunidos em Boa Vista - Roraima, para celebrar juntos a chegada de 2011. Há mais de quarenta anos nossa família não se reunia para comemorar essa importante data.


Os anfitriã foram Raimundo Lima, Elza Melo e Ivanilda Melo (Carmosa), foi uma confraternização para celebrar a vida! Afinal, é a família que dá sentido a vida. Quando celebramos essa preciosa dádiva de Deus, estamos consagrando nas atuais e futuras gerações o sentido maior do designo divinos, representado pelo Amor, Paz e Solidariedade. É a Confraternização plena da Vida. Vida em abundância.


Embora frágil por motivo de doença, o patriarca da Família Raimundo Lima participou ativamente da Confraternização, sua presença foi fundamental para o evento, pois podemos abraça-lo e manifestar todo o carinho que cada filho(a) têm por ele. Somos todos muitos gratos pela vida e criação que ele e Mamãe Elzira de Melo nos deram.


Hoje vivemos em lugares diferentes, Urucurutuba/Am. Mnaus/Am. Boa Vista/RR. e Pacaraima/RR, fato que dificulta nos reunirmos ao mesmo tempo, porém, mantemos firme nossa presença através do pensamento e amor.

Agradecemos a Tia Elza Melo Irmã caçula do Papai e a Tia Carmosa Irmã da Mamãe pela acolhida, damos os parabéns as nossas Primas Tânia e Jô pela participação junto com seus filhos e filhas e felicitamos todos os Netos(as) e Bisnetos(as) por dedicarem tanto carinho ao nosso querido Pai Raimundo de Lima Pinto.


Finalmente agradecemos a Deus por nos proporcionar esse momento de grande felicidade, é a esse Deus que dedicamos toda Honra e Toda Gloria, pois é ele que vai sobre o manto de Nossa Senhora do Livramento e o amor de Cristo Rei, devolver a saúde do nosso Pai!

Feliz 2011!
A todos Nós.

São os votos de:
Adilson, Gilson, Edson, Elson, Ironilson, Dinilson, Jackson e Fatima.

sábado, 25 de dezembro de 2010

PARA MEU PAI RAIMUNDO LIMA COM CARINHO


Por Elson de Melo
CARTA PARA MEU PAI

Querido Pai Raimundo de Lima Pinto, é tempo de Natal, época em que as famílias se juntam para celebrar o nascimento do Menino Jesus, movido por este momento, estou escrevendo estás poucas linhas para agradecer você por ter possibilitado minha passagem por este mundo e ter você como pai, amigo, companheiro e acima de tudo, meu maior exemplo de cidadão comprometido com a vida e a solidariedade.

Foi com você Pai, que aprendi o sentido de coletividade, desde criança, acompanho com atenção e entusiasmo, sua luta por um mundo mais justo, fraterno e igual para todos. Você é um homem de espírito e fé muito forte, durante todos esses anos de convivência, nunca testemunhei o senhor movido por sentimentos pequenos como raiva, ódio ou omissão, reclamar da vida, jamais!

Contava meu avô Messias, que quando o Senhor se casou com a mamãe Elzira, você era um jovem entusiasmado com o futuro, cortou lenha para vender aos vapores que seguiam rio acima e rio abaixo, transportando mercadorias e borracha, plantou juta, criou gado, pescou, cultivou roça de mandioca, bananal e construiu o mais lindo Cacoal que meus olhos já viram.

Sabe Pai, as vezes me pego relembrando o dia que o Senhor chegou feliz da vida pilotando sozinho o seu primeiro barco, eu já rapazinho, corri para o porto junto com meus irmãos para ver você ancorar o nosso Charmoso! Quanta felicidade foi aquele momento. Era a compensação pela tristeza que tivemos quando foram vendidas as vacas Cara Branca, Malhadinha, Mingota, Araçá, Vermelhona e boi Brabinho para comprar o barco. Há como eu tenho saudade de quando chegávamos a qualquer lugar e ouvir as pessoas exclamarem. Chegaram os filhos do Lima!

O Senhor é canhoto, não conseguiu ser um craque na bola, mas foi um craque na arte de incentivar os jovens a praticarem esporte, não mediu esforços para construir diversos campos de futebol na nossa querida comunidade do Novo Amazonas, que tu fundaste. Há Pai, como você pensou tudo, não tinha escola, você articulou a construção da escola, não tinha Professor, você articulou o Professor.

Pai, você é um homem apaixonado pela Várzea, quando todos fugiam das grandes enchentes, o senhor estava lá, desafiando as águas, fazendo maromba para o gado, cortando canarana para alimentá-los. Na cheia de 1953 eu ainda não existia, mas, o senhor construiu uma casa projetando o assoalho para um nível acima da marca que ela deixou, que casa linda, assoalhada com tabuas de maçaranduba, era um espelho, foi o senhor que tirou todo o maderame no machado, quase decepa o se pé com um golpe de machado, que verdadeira aventura, pena que a terra ruiu e tivemos que demolir a casa.

Posso sem medo de errar afirmar, conheci na vida um casal perfeito! Esse casal é o Senhor e a Mamãe, não pelo fato de serem meus pais, mas sim por vocês serem um casal que se completavam plenamente, combinava em tudo, o Senhor organizador da Comunidade, Ela prestando todo apoio organizando as mulheres no Clube de Mães, o Senhor Catequista, Acolito, Ela organizando as recreações para as crianças. Foi a partir dessa sua pratica, que acabei envolvido nas lutas sociais que um dia alguém haverá de narrar essa história.

Raimundo de Lima Pinto, caboclo de Urucurituba, fundador e morador da Comunidade Novo Amazonas, pai de nove filhos: Tereza, Adilson, Gilson, Edson, Elson, Ironilson, Dinilson, Jackson e Fátima. Eis um homem Amazônico que apesar de suas limitações e das dificuldades de comunicação com o mundo, foi um dos percussores do Cooperativismo no Amazonas, fundou uma das primeiras Cooperativas do Estado, foi a Cooperativa Agrícola Mista do Novo Amazonas, por conta dessa ousadia, os comerciantes da região os acusaram de comunista, lembro que através de muitos Puxiruns os cooperados conseguiram erguer a sede da Cooperativa, foi ali que funcionou por muito tempo a escola da Comunidade, também serviu de local para a celebração dos cultos ou missas e as festas, era o nosso Centro Social.

Pai, nossa viagem não termina aqui, sua história precisa de uma narrativa mais detalhada, seus pensamentos precisam ser compartilhados, sua vontade precisa ser concretizada. Todos os seus empreendimentos foram sempre no sentido coletivo, vou dar mais um exemplo: a Colônia, embora o senhor não fosse um entusiasta de viver nas terras firmes, não pensou duas vezes para junto com seus companheiros, adquirirem um terreno lá no lago do Carará Município de Urucará, para fundarem a Colônia Agrícola, veja pai o Senhor é na verdade um grande empreendedor social!

Pai será que o Senhor tem algum defeito! Lógico que sim, afinal o senhor é humano, Mamãe dizia que um dos seus grandes defeitos é ser bom demais. Ele explicava dizendo; “as pessoas se aproveitam da bondade do Raimundo, para sempre levarem vantagem sobre Ele”, acho que Mamãe tinha razão, sobre isso, lembro que o Senhor tentou ser um comerciante, montou uma espécie de armazém e passou a comercializar gêneros alimentícios e utilidades, não durou um ano, um dia por curiosidade foi dar uma olhada naquele velho borrador onde o Senhor anotava as compras fiadas dos seus clientes, verifiquei que toda a mercadoria foi vendida fiada e seus clientes nunca pagaram! Acho que o Senhor também nunca cobrou. É Pai, como pode a bondade ser um dos seus defeitos. Não fique triste, considere sempre que a bondade é e será a qualquer tempo, uma grande virtude.

Como disse antes, nossa viagem não termina aqui, vou fazer uma breve atracação para celebrarmos juntos o Natal e a chegada do Novo Ano, desejo que nossas vidas se prolonguem por mito tempo, para continuarmos essa caminhada cujo destino é a prosperidade na terra e um lugar privilegiado ao lado de Deus, quando Ele nos chamar. Parabéns Pai por você existir e resistir os percalços que a vida lhe impôs, desejo nesse momento um pronto restabelecimento, mantenha viva a sua fé, pois ela é capaz de remover montanhas, seja onde for estaremos sempre juntos! Feliz Natal grande Pai.

Raimundo Elson de Melo Pinto – Seu Filho

domingo, 12 de dezembro de 2010

Parabéns Para Você - Gilson de Melo

Salve o dia 10 de dezembro de 1953, naquele dia, a Senhora Elzira de Melo, dava luz ao nosso querido Irmão Gilson de de Melo Pinto. Nosso Pai Raimundo de Lima, não era um grande festeiro, mas, certamente comemorou bastante.

Na sexta feira passada, Gilson comemorou mais um aniversário, acompanhado da Esposa Olympia Costa e dos filhos: Gilber, Geden, Silmara e Gilciem, além dos netos, Henrique, Letícia e Sara Luana, comemoraram com entusiasmo essa data natalina.

Hoje nossa mãe já não está no nosso convívio, nosso Pai está com problemas de saúde, mas, é importante registrar o seu aniversário. Irmão que não mede esforços para responder positivamente as preocupações dos familiares e amigos, sempre prestativo e disposto em ajudar todos os que desfrutam de sua companhia.

Mano, receba nesta data especial, nossas homenagens de Feliz Aniversário e muitos Anos de Vida!... sãos os votos dos seus Irmãos :

Elson de Melo, Adilson de Melo, Edson de Melo, Dinilson de Melo, Ironilson de Melo, Jackson de Melo e Fátima de Melo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A chacina de Santana do Livramento

Por Augusto C. Buonicore

O governo do general Dutra foi um dos mais truculentos da nossa história republicana. Contraditoriamente, foi o primeiro presidente depois da queda do Estado Novo e aquele que deveria se reger pela constituição de 1946, considerada uma carta democrática. Nos quatro anos de seu mandato, dezenas de comunistas tombaram assassinadas pela ação das forças de repressão. A Chacina de Livramento, ocorrida há exatamente 60 anos, foi mais um desses episódios da barbárie implantada contra os trabalhadores naqueles tempos de guerra fria.

Governo Dutra e a repressão

A mudança da situação internacional, com a eclosão da chamada guerra fria, teve reflexo na situação política brasileira. Neste período, aumentou a ofensiva conservadora contra o movimento operário e popular, particularmente contra o Partido Comunista.

Em maio de 1947 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela cassação do registro do PC do Brasil. Três dias depois o governo do general Dutra determinou o encerramento de suas atividades em todo o território nacional. Imediatamente, suas sedes foram invadidas, depredadas e fechadas pela polícia. No início do ano seguinte, em janeiro, o projeto de cassação dos mandatos foi aprovado na Câmara dos Deputados. Os comunistas ainda tentaram fundar um outro partido: o Partido Popular Progressista (PPP), mas ele não teve o seu registro aceito pela justiça eleitoral.

A repressão aos comunistas havia começado algum tempo antes. Já em 1946 a ação truculenta da polícia havia feito a sua primeira vítima fatal, a comunista Zélia Magalhães. Assassinada durante um comício partidário, ainda no período de legalidade. Outras mortes ocorreram nas mesmas condições: repressão violenta contra manifestações políticas e piquetes grevistas.

Foram praticados atos, verdadeiramente, selvagens contra as lideranças comunistas brasileiras. No final de 1948, o vereador e líder dos mineiros de Morro Velho, William Dias Gomes, foi assassinado por capangas de uma mineradora estrangeira. Em setembro de 1949 ocorreu o Massacre de Tupã, onde três comunistas (Pedro Godoi, Afonso Marma e Miguel Rossi) foram brutalmente assassinados pela polícia quando participavam de uma reunião que preparava um encontro de trabalhadores rurais. No primeiro de maio de 1950, ocorreu a chacina na cidade portuária de Rio Grande, na qual foram mortos quatro trabalhadores comunistas: Euclides Pinto, Honório Alves de Couto, Osvaldino Correa e Angelina Gonçalves. Esta última foi executada quando carregava uma bandeira brasileira.

O general-presidente Dutra, em fins de mandato, ainda tomou novas medidas discricionárias, visando restringir ainda mais o espaço político dos comunistas. Estabeleceu um "atestado de ideologia", dado pela polícia política, para os candidatos que desejassem concorrer às eleições. Aproveitando-se disso, foram cassadas as candidaturas de Diógenes Arruda Câmara e Pedro Pomar, dois dos principais dirigentes comunistas brasileiros. Eles haviam sido eleitos em 1947 por outra legenda e, por isso mesmo, foram poupados da cassação dos mandatos.

O agravamento da guerra fria, a ameaça de uma guerra nuclear, o aumento da repressão política e a drástica redução dos espaços institucionais, conduziram os comunistas a posições esquerdistas, que tendiam subestimar a via eleitoral. A discussão sobre a sucessão presidencial começou a ganhar corpo já no final de 1949. O Partido Comunista considerava as divergências surgidas em torno do processo sucessório um simples meio de iludir os trabalhadores e afastá-los da alternativa revolucionária defendida pelos comunistas. O manifesto de Luiz Carlos Prestes, divulgado em agosto de 1950, expressou claramente estas posições.

A Chacina dos 3A

Mesmo em condições bastante adversas, os comunistas ainda buscavam eleger seus candidatos e os lançavam por diversas legendas. Eram os chamados “candidatos de Prestes” ou os candidatos da “Frente de Libertação Nacional”. Como era de esperar, a reação procurou dificultar ao máximo sua ação de propaganda eleitoral.

Os comunistas da cidade gaúcha de Santana do Livramento estavam animados com a campanha dos candidatos populares. Eles já tinham dois vereadores na cidade, Lúcio Soares Neto e Sólon Pereira, que haviam sido eleitos pelo Partido Social Trabalhista em 1947.

Os militantes comunistas de Livramento se destacavam pelas pichações que realizavam. Este era o principal meio de divulgação das candidaturas naquela época. No entanto, discricionariamente, as autoridades locais proibiram tal prática de propaganda.

Dentro do espírito radicalizado do “Manifesto de Agosto”, recusando-se a se submeterem à determinação da polícia, os comunistas prepararam-se para realizar novas ações, imprimindo nos muros as palavras de ordem do Partido Comunista do Brasil. Até que no dia 24 de setembro, no Largo Internacional, um destes grupos de pichadores foi surpreendido pela chegada do delegado Miguel Zacarias, um investigador e três soldados da Polícia Militar.

A presença ostensiva dos homens da repressão não os intimidou. Defendendo os seus direitos constitucionais, continuaram no seu trabalho de propaganda eleitoral. A resposta policial ao desacato foi desencadear uma fuzilaria e o massacre do grupo indefeso. Quatro militantes morreram no conflito. Seus nomes eram: Abdias Rocha, Aladim Rosales, Aristides Correa Leite, Ary Kulmann. Este episódio sangrento ficou conhecido como chacina dos 4 A, devido as iniciais dos nomes das quatro vítimas fatais.

Assim o jornal comunista Voz Operária descreveu s cena: “Eram 22 horas e o povo se apinhava nas ruas daquela cidade. O movimento era intenso (...). Chegou a polícia e deu voz de prisão para Aristides Correia Leite, agente de “A Tribuna” naquela cidade. Ante esta arbitrariedade, Aristides protestou energicamente. Suas palavras, porém, não chegaram sequer ao fim: foi assassinado a tiros (...). Ari Kulman, que estava perto, correu até o local onde se encontrava Aristides. Porém, logo ao dar os primeiros passos, foi ferido e, em seguida, trucidado pelos beleguins. A chacina começava”.

Continuou o artigo: “Aladim Rosales, candidato a deputado federal, operário dos frigoríficos com mais de 25 anos de serviço, líder querido de sua classe, comandante da grande greve que os trabalhadores da Armour realizaram, foi o que tombou em seguida, também atingido pelas costas. Apesar do assalto traiçoeiro e covarde o povo resistiu. Os lideres mais queridos da cidade, que ali estavam, tendo à frente os vereadores de Prestes, Lúcio Soares Neto e Sólon Pereira, lutaram com bravura nunca vista”. Cerca de uma dezena de pessoas ficou ferida, entre elas os dois vereadores comunistas. Várias se refugiaram na vizinha cidade de Rivera, pertencente ao Uruguai, onde foram hospitalizados.

Abdias Rocha havia ingressado no PC do Brasil em 1934. Quando jovem participou da greve dos frigoríficos em solidariedade à revolução russa de 1917. Aristides Correia tinha uma pequena livraria e era responsável pela sucursal do jornal comunista gaúcho “A Tribuna”. Ary Kulman militante desde 1934, havia sido dirigente da Aliança Nacional Libertadora na cidade. Aladim Rosales, dirigente operário, esteve à frente de uma importante greve no frigorífico Armour/Anglo, ocorrida no ano anterior.

Muitos anos mais tarde, Lucio Soares, deu um depoimento no qual afirmou: “Após a chacina, eu chamo aquilo de chacina (...) fiquei foragido em Rivera (no Uruguai) mais ou menos dois ou três anos, sem atravessar para cá, porque se passasse seria preso, então passado esse tempo mais ou menos, eu me apresentei, fui ao quartel e me submeti a um julgamento, o júri se fez e fui absolvido unanimemente.”

A imprensa gaúcha, como ocorreu nos massacres anteriores, tratou de jogar a culpa em cima das próprias vítimas. Elas foram acusadas de terem reagido à bala a intimação policial. Um dos soldados que participou da chacina – e que disse ter recebido ferimento – chegou a ser promovido ao posto de cabo por ato de bravura. O governador do Rio Grande do Sul quando ocorreram os dois massacres de comunistas (o de Rio Grande e o de Santana de Livramento) era Walter Jobim, eleito pelo mesmo Partido de Dutra: o Partido Social Democrata.

Os massacres reforçaram a idéia do voto em branco nas eleições de 1950. No mesmo mês da Chacina de Livramento, Prestes havia lançado uma Carta Aberta na qual apresentava os “candidatos populares” às eleições para deputado e conclamava o voto em branco para presidente, governadores e senadores, com algumas poucas exceções.

O jornal dos comunistas gaúcho, A Tribuna, destacou uma série de depoimentos de populares que apontavam neste sentido. O garçom Wilson da Costa, por exemplo, afirmou: “Votarei em branco para presidente, vice-presidente, governador e senador. Luiz Carlos Prestes acertou muito bem. Não se pode mais votar nesta cambada de sem-vergonhas que fingem serem inimigos, mas se dão as mãos para assassinar e oprimir o povo. O meu voto será para os candidatos indicados pelo Cavaleiro da Esperança”.

O renomado arquiteto gaúcho Demétrio Ribeiro Neto, por sua vez, disse ao mesmo jornal: “O espírito progressista do povo gaúcho rebela-se agora contra a farsa eleitoral da classe dominante. Percebendo a sua incapacidade de manter as massas no estado de atraso em que até agora foram mantidas, a reação lança mão dos meios mais selvagens de repressão contra as forças democráticas, encabeçadas pelo proletariado, como vimos, por ocasião da chacina de Livramento e nas prisões e espancamentos que se sucedem todos os dias. Por isso, o nosso voto – concluo – será um protesto contra o terror fascista, votando tão somente nos candidatos de Prestes”.

Sem dúvida, este foi um grave erro que contribuiu para o agravamento do isolamento dos comunistas.

Eles poderiam muito bem ter apoiado para o senado Alberto Pasqualini, ideólogo do PTB e ativo militante das causas nacionalistas. Ao governo do Estado concorria o petebista Ernesto Dornelles, que havia rompido com Dutra e apoiava a candidatura de Getúlio Vargas à presidência. Os dois trabalhistas acabaram sendo vitoriosos no Rio Grande do Sul. Mas, dentro da lógica comunista, nada havia mudado.

O resultado eleitoral obtido pelo Partido Comunista foi bastante modesto, especialmente, quando comparado aos obtidos em 1945 e 1947. Eles elegeram apenas um deputado federal pelo Distrito Federal, o sindicalista Roberto Morena. Em Pernambuco, conseguiram eleger um deputado estadual: Paulo Cavalcante. O primeiro se elegeu pelo Partido Republicano Trabalhista (PRT) e o segundo pelo Partido Social Democrata (PSD), o mesmo do presidente Dutra. A sua maior vitória, no entanto, ficou por conta da eleição de 4 vereadores na Câmara do Rio de Janeiro.

Na cidade de São Paulo, também elegeram 4 vereadores, que foram cassados e não puderam tomar posse. Neste mesmo estado, por pressão do governo federal e estadual, a direção do Partido Social Trabalhista (PST) expurgou todos os possíveis comunistas da lista de candidatos.

Vargas, por sua vez, teve uma vitória expressiva, ficando com cerca de 50% dos votos. Esta representou uma derrota à política entreguista e anti-popular aplicada pelo general Dutra. Sem entender plenamente isso, os comunistas afirmavam: “Mesmo aquela parcela das massas que votou em Getúlio, na verdade quis votar contra a fome e pela justiça social, contra a guerra e pela paz, contra o imperialismo e pela democracia (...). A votação dada a Getúlio deve-se principalmente ao fato de que ele se apresentou como candidato de oposição ao governo ditatorial de Dutra, ocultando o caráter reacionário de sua candidatura com a máscara de uma descarada demagogia social e antiimperialista e das mais cínicas promessas”.

Os comunistas estavam certos em relação ao conteúdo do voto popular dado a Getúlio. Contudo, mas não conseguiram compreender as reais diferenças existentes entre o projeto político representado pelo governo Dutra e o futuro governo “trabalhista” de Vargas. Os dois, para eles, não passavam de “governos de traição nacional, instrumentos servis nas mãos do imperialismo norte-americano”. Isso só mudaria em agosto de 1954, quando da tentativa de golpe militar e o suicídio do presidente da República. A partir de então, se estabeleceu uma aliança política entre comunistas, trabalhistas e outras forças nacionalistas e populares.

A guisa de conclusão

Não sabemos exatamente o número de comunistas assassinados durante o governo Dutra (1945-1950). Possivelmente, tenha passado de quatro dezenas. A maioria morreu em choques diretos com forças repressivas. As prisões atingiram vários milhares de pessoas. Números bastante elevados para um regime que era considerado liberal-democrático.

Poderíamos, pelo contrário, definir o governo do general Dutra como uma semi-ditadura. Este fato, inconteste, foi subestimado por vários autores que trataram da história do Partido Comunista neste período. Eles, muitas vezes, tentaram debitar os revezes sofridos pós-1848 apenas à política esquerdista adotada. Falam, inclusive, que houve uma visão exagerada sobre a necessidade da atuação clandestina da direção nacional.

Na verdade, o esquerdismo foi uma resposta, inadequada, à crescente repressão governamental e às ameaças reais de uma nova guerra mundial envolvendo o campo socialista e o campo imperialista. Portanto, foi a duríssima repressão anti-socialista a principal causa das dificuldades políticas vividas pelo Partido Comunista do Brasil naquele período. Repressão que diminuiu significativamente durante o segundo governo Vargas, mas, de forma alguma foi eliminada. Os comunistas continuaram sendo presos, espancados e, ocasionalmente, mortos.

Em homenagem aos comunistas que tombaram em Livramento, Lila Ripoll escreveu o poema Elegia, publicado no livro Novos Poemas de 1951.

Os homens tombaram,
tombaram sem medo,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
à luz do luar.

No rosto de espanto
brilhava a certeza,
o porte estendido,
calado, eloqüente,
vivia uma história,
mas não familiar.

A noite sangrenta
caiu demorada.
O sangue brotava
dos corpos, das almas,
da terra ofendida,
dos altos gemidos.

E os homens tombados,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
na rua estendidos,
calados estavam,
mas não esquecidos.

Rosales e Kulman,
irmão Aristides,
e tu Abdias,
herói camponês
- de vida singela,
de sonho tão alto –
esperem confiantes
que a aurora desponte
no céu da manhã.

E tu, Livramento,
por quanto choraste?
Que mãos se crisparam
de dor e revolta?
Que vozes se ergueram
na noite passada?
O pranto desborda e
o sangue também.

As rosas vermelhas
se espalham no chão.

Os mortos, os mortos,
tenazes e fortes,
estão relembrando
que há outra alvorada.
No porte estendido,
calado, eloqüente,
os homens tombados,
severos e graves,
apontam caminhos,
desfraldam bandeiras,
nas ruas, nos campos,
nos rios e no mar.
Tombaram sem medo,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
à luz do luar.

(Novos poemas, 1951)


terça-feira, 26 de outubro de 2010

CARTA DE SOLIDARIEDADE A HELOÍSA HELENA

Por: Elson de Melo

Camarada Heloisa

Fiel a sua historia e seus princípios, tendo o Brasil por testemunha, Heloisa Helena preconiza no inicio do Governo Lula, o fim de um projeto de transformação social que por vinte e cinco anos fêz do PT a esperança de um povo. Inquieta com a indicação do então Deputado do PSDB Henrique Meireles para o Presidente do Banco Central do Brasil. A vibrante Senadora que comandará a luta pela cassação de Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Inácio Arruda, passa a comandar a rebelião contra a entrega dos destinos do país aos senhores donos do capital.

Mulher guerreira não se intimidou em votar contra a reforma da Previdência que subtraiu direitos dos Aposentados brasileiros, a resposta da cúpula petista foi à expulsão, tendo como seus algozes Zé Dirceu, Zé Genuíno, Delúbio e Silvinho, todos envolvidos no mensalão do PT e hoje principais cabos eleitorais de Dilma.

O compromisso com a história de seu povo, impõe a guerreira a missão de comandar a criação de um novo Partido que tenha como principio norteador o Socialismo e a Liberdade. Assim nasce o PSOL, Heloisa não vacila, aceita o desafio de apresentar o Partido ao povo brasileiro concorrendo a Presidência da República em 2006.

A tarefa não foi fácil! Porém, sua garra superou as dificuldades e foi a terceira mais votada do Pleito. Diante das constantes ameaças contra sua vida feita pelos jagunços de políticos Alagoanos. Heloisa resolveu concorrer a uma vaga para Câmara Municipal de Maceió em 2008. Foi eleita com mais de trinta e oito mil votos.

Na eleição deste ano, Heloisa tentou retornar ao Senado, enfrentou heroicamente seus inimigos de Alagoas, porém, não teve como enfrentar seus adversários dentro do próprio PSOL. Perseguida pela maioria da Direção Nacional do Partido, que chegaram ao cumulo de afastarem de suas funções de Presidente, foi o golpe mais covarde e certeiro que recebeu nessa campanha, na verdade, esses Dirigentes do PSOL, ofereceram sua cabeça na bandeja para Lula e sua Canalha, que não perderam tempo para transformar esse episódio em fator principal para derrota-lá.

A decisão dessa mesma maioria que Lula Plantou dentro do PSOL, para derrota-lá, que estranhamente foram contra a uma aliança com Marina no primeiro turno, que agora entram com um entusiasmo gigantesco na campanha de Dilma, superior até mesmo o dispensado a campanha de Plínio. Heloisa não suportou. Como qualquer mortal a guerreira tem sangue, dignidade, decência e honra, voltar nessa hora ao colo de Lula e Dilma, é pedir demais para quem foi massacrada pela canalha de Dilma, Lula e Renan Calheiros em Alagoas no primeiro turno.

Heloisa não saiu do PT, foi expulsa! Escorraçada! Esse caminho não tem volta, tem resposta! Daí a reclusão dessa grande mulher para pensar um novo caminho a seguir. Fiel aos seus princípios, Heloisa deixa a Presidência do PSOL que segundo seu comunicado, prefere o papel de simples militante.

Infelizmente a esquerda está cheia de “Cabo Anselmo”, a começar pelo PSOL. Se cristalizarmos as avaliações, chegaremos à conclusão que: foram exatamente os Dirigentes que ingressaram no PSOL após sua criação, oriundos do PT e mais uma meia dúzia de inocentes úteis, que comandaram esse triste episódio contra Heloisa. Cumpriram com maestria sua missão, assim podem comemorar com o Lula “corda solta! Missão cumprida!...” Conseguiram com êxito inviabilizar o retorno de Heloisa Helena ao Senado e conseqüentemente interromper a concretização de uma Liderança autentica dos Socialistas. Feito isso, finalmente podem se deleitarem sob o manto diabólico de Lula apoiando Dilma no segundo turno!...

É triste, mas é pura realidade, essas Lideranças ditas de “esquerda” são cada vez mais afável ao capital e menos solidária aos verdadeiros socialistas. Heloisa é mais uma vitima desses déspotas. Diante de tudo isso, resta aos que como eu, que acreditam na real possibilidade de o povo brasileiro, construir seu próprio destino dentro da lógica do Socialismo, apresentar a essa grande guerreira, nossa solidariedade e, reafirmado o compromisso histórico de juntos com Heloisa Helena, manter viva a luta pela liberdade dos Trabalhadores na direção do Socialismo. Camarada, estamos aguardando sua orientação para uma nova caminhada. Eles jamais conseguirão nos render. Somos indomáveis!

Élson de Melo – Sindicalista

domingo, 5 de setembro de 2010

A CRUCIFICAÇÃO DE HELOÍSA HELENA

Adversários fazem ataques orquestrados por um único maestro; objetivo é tirar Heloísa da política nacional
Link: http://www.painelnoticias.com.br/painel-politico/a-crucificacao-de-heloisa-helena

Heloísa Helena tem sido alvo preferido de candidatos que disputam com ela uma das duas vagas ao Senado da República pelo Estado de Alagoas, nas eleições deste ano. Antes de a campanha iniciar, a psolista já advertia que seria vítima de uma verdadeira carnificina eleitoral.

Heloísa tinha lá suas razões, vendo-se o que ela enfrenta hoje.

Por ter defendido a aliança do PSOL com o PV na disputa presidencial, onde a candidata seria a senadora Marina Silva, ex-petista como ela, Heloísa “perdeu” o apoio nacional de seu partido para a sua candidatura ao Senado em Alagoas. Mesmo sendo, ainda, a presidente nacional do PSOL e a fundadora do partido, mesmo assim,ela recebe como castigo o desprezo total de sua legenda, sobretudo ficando fora de qualquer ajuda financeira.

Como vereadora de Maceió, eleita em 2008, Heloísa avaliou que a forma de pagamento da verba de gabinete da Câmara Municipal era ilegal e “imoral”; negou-se a recebê-la e não tem sequer um escritório de trabalho; muito menos material gráfico de seu exercício no mandato de vereadora para servir de respaldo de seu trabalho político na capital.
Como socialista de ideologia firmada e política de língua afiada contra a corrupção ou acordos que sejam nocivos à ética pública, Heloísa recusa-se a receber qualquer ajuda financeira de grupos empresariais ou de políticos comprometidos mais com a causa privada, do que com a pública.
Ou seja, sozinha e sem estrutura de campanha, com minúsculos 53 segundos no guia eleitoral, Heloísa Helena é obrigada a se defender e contra-atacar adversários poderosos no bolso e no profissionalismo político, para tentar vencer no voto e na coragem cívica a retomada de seu mandato no Senado da República.

Acerca dos ataques a ela no horário eleitoral e no corpo a corpo pelo interior do Estado, é que parecem ser todos orquestrados por um mesmo maestro, com disposição raivosa para tentar evitar que Heloísa Helena seja de novo a Senadora da Ética do povo alagoano.

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