domingo, 18 de abril de 2010

OPINIÃO: VOTAR OU AGIR





Selecionei este texto de Manuel Batista, direcionado a época para o povo português, apenas para fazermos um paralelo entre a nossa realidade de brasileiros do terceiro mundo e a realidade do povo que nos colonizou. Qualquer semelhança, a culpa é somente do capitalismo, cuja perversidade é a mesma em todo o mundo. Portanto nossa luta é internacional!

Élson de Melo ~Sindicalista

Nestas alturas, somos sujeitos a doses massivas de propaganda político-partidária, em que esgrimem (pseudo) argumentos, como se fossem realmente um fator sério de discussão. O princípio de «discussão» é exatamente o mesmo que nas apostas em corridas de cavalos: é «fé» de alguém, que o partido X tem mais capacidade para «ganhar», por isto e por aquilo. Ou de que os partidos Y e Z irão subir (ou descer) por isto e aqueloutro.

É ESTE O NÍVEL GERAL DAS CONVERSAS, ENFADONHAS, DESTITUÍDAS DE QUALQUER PERSPECTIVA CÍVICA.

Mesmo alguém que adere a este sistema, que tem arreigada crença nesta «democracia» parlamentar, não pode deixar de ficar consternado com o baixíssimo nível das discussões públicas, com a polarização destas em torno de questões secundárias, nem pondo sequer em cima da mesa muitos ou a quase totalidade dos pontos importantes dos programas eleitorais respectivos.

Esta forma de fazer política nutre-se e pretende manter a incultura ao longo de mais de 30 anos de regime dito «democrático». Mas há uma outra razão para este lamentável espetáculo. É que estes se apresentam como salvadores da pátria: o auto-convencimento da sua superioridade moral, intelectual, sobre os adversários e sobre o povo, que é desprezado, seja qual for o partido; esteja ele em sondagens muito bem colocado ou «no fim da tabela». Os eleitores apenas têm de «se consciencializar» de que realmente eles são os tais salvadores da pátria. Esta fantochada eleitoral, para lhe dar o nome que merece, é mais grotesca que noutros países de regime semelhante, mas o ponto fulcral é sempre o mesmo; as eleições são umas ilusões de que o povo tem uma palavra a dizer, de que o «voto» vai mudar algo de substancial nas nossas vidas.

O voto e o sistema eleitoral instituído são apenas dispositivos de manutenção do Estado e do regime. Este, por sua vez, é que permite os negócios, permite a exploração, permite que os capitalistas encham os bolsos, sempre ao abrigo de «crises» por eles próprios fabricadas, mas cujas consequências vão ser para os trabalhadores, a braços com mais desemprego, mais precariedade, menores recursos vitais, maior aumento da pobreza, maior exploração, maior exclusão social.


Porém, como o voto e a partidocracia são feitos para dividir os trabalhadores, para pôr uns contra os outros os explorados, eu não aconselho o voto ou não voto. Não aconselho ninguém a fazer como eu e nem irei divulgar publicamente o que irei fazer. Não que tivesse algum receio de o fazer. Mas sinto que é condição para nos entendermos todos/as, trabalhadores/as após esta loucura coletiva.


Vamos construindo pacientemente uma aliança de classe, entendida como Frente única, social, baseada em reivindicações comuns, em lutas organizadas desde a base, em uma multiplicidade de iniciativas dos próprios interessados, para tentarem obter satisfação nas suas legítimas aspirações. É o princípio da ação direta ou não mediada, por oposição ao princípio do «representante», ou seja, daquele que decide «em teu nome», ou - mais exatamente - que te rouba o poder de decisão.


Agir, portanto, sabendo nós o que queremos e como o queremos. Essa deve ser sempre a nossa meta imediata se quisermos constituir alicerces e tijolos da construção de um socialismo desde as bases, um socialismo autêntico, que não terá que ir buscar modelo a grotescos regimes ditatoriais do passado e presente, que apenas foram (são) capitalismo de estado.


Manuel Baptista
Publicada por Luta Social em
Etiquetas: acção directa, eleições, financiamento partidos, frente única

sábado, 17 de abril de 2010

GRITO DOS EXCLUÍDOS/AS 2010


Salve! Salve!
Articuladores, Articuladoras,
Lutadores e Lutadoras do povo,

Os que acreditam, incentivam e animam o Grito dos/as Excluídos/as, pelos rincões dessa Manaus! Os que acreditam que só com muita organização, união e ações coletivas venceremos!
Mais um ano. Vamos às ruas, vamos levantar nossas bandeiras, gritar no dia 07 de setembro-“Onde estão nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto popular”. Vida em Primeiro lugar.

A 16ª edição do Grito será marcada por duas forças motrizes: a vida e os direitos, por um lado, e a participação no Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, por outro. De uma parte, destacou-se a violência que vem exterminando a juventude brasileira, tirando a inocências das crianças e mutilando as mulheres; a Campanha da Fraternidade deste ano; o processo eleitoral, centrando a discussão em critérios éticos para a construção de uma democracia popular.

A idéia é fazer a sociedade brasileira se pronunciar sobre o Limite da Propriedade da Terra, e extrair a informação de que uma parcela consistente da população não aceita mais o latifúndio.
Na prática, o plebiscito poderá se reverter num projeto de emenda constitucional para incluir um inciso no artigo 186 da Constituição.

Este novo inciso limitaria a propriedade privada de terra no país a 35 módulos fiscais, sendo que tudo que passasse disto seria incorporado ao patrimônio público.

O tamanho dos módulos fiscais varia em cada município brasileiro de acordo com diversos fatores como tipo de exploração predominante no município e conceito de propriedade familiar na região.
Onde estão nossos direitos? Do Trabalho, da Justiça e da Vida!

Vida em primeiro lugar! Agora, mais do que nunca, estes gritos estão ecoando por todo o Brasil. O Grito apela também para defender nossa terra, nossa cultura, nosso conhecimento ancestral, e lutar para as alternativas que surgem a partir de nossos movimentos, como opções reais para a transformação social que a humanidade necessita urgentemente.

Como todos os anos, vamos preparar os pré-gritos e o grito 2010. Para isso temos que nos reunir, organizar e avançar.

Dia: 21/04/2010
Local: CEFAM – Centro de formação da arquidiocese de Manaus – Avenida Joaquim Nabuco, 1023 – Centro.
Horário: 9:00h as 13:00h

Aguardamos todos e todas
Francy Junior
Equipe Cáritas Manaus
Séc. Operativa do Grito dos Excluídos e Excluídas
Séc. Operativa do FPMM

sexta-feira, 16 de abril de 2010

EVANDRO CARREIRA É OURO DO MUNDO


Medalha de Ouro esquecida.


O ex-senador Evandro Carreira foi agraciado com a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, por intermédio de uma propositura de autoria do vereador Massami Miki, ‘em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à causa bioecológica da Amazônia e ao despertar da consciência ambiental no Município de Manaus’. A promulgação do Projeto de Decreto Legislativo foi publicada no Diário Oficial do Município, do dia 14 de novembro de 2007 e assinada pelo então presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Leonel Feitoza.



Acontece que até a presente data, depois de quase três anos, o agraciado ainda não foi chamado à sede do Poder Legislativo Municipal para receber a sua justa homenagem. O eternamente senador Evandro Carreira tem 83 anos e seria muito importante que fosse condecorado pelos vereadores de Manaus, pois ele é um cidadão do mundo, estudado e reconhecido pelas classes acadêmicas, tendo participado do filme ‘Terceiro Milênio’, realizado pela Televisão Alemã e traduzido em 26 idiomas – em português, pela Vídeo Globo. O advogado Evandro das Neves Carreira nasceu em Alvarães, município do Amazonas, foi vereador em Manaus, eleito em 1959 e reeleito em 1963 e Senador da República em 1974, tendo exercido o mandato por 8 anos. Amazonólogo, expositor e conferencista sobre a temática amazônica em seminários, ciclos de debates, conferências e simpósios em Universidades, Diretórios Estudantis e outros organismos. Em 1981 proferiu palestras na Escola Superior de Guerra dos E.U.A., National Defense University e National War College - Forte Mc Mer, Washington, D.C.



A sua principal obra, Recado Amazônico, foi publicada em 10 volumes pelo Senado Federal, onde está inserida suas atividades como Senador da República pelo Amazonas e a genial afirmação que se constituiu um verdadeiro axioma: A Vocação Hidrohelio-Fitozoológica da Amazônia, valendo todos os corolários que decorrem deste axioma, como soem ser as vocações varzeana, ictiológica, ribeirinha, hidroviária, extrativista, fotossintética e pomicultora.



De acordo com a justificativa que acompanha o projeto de Massami Miki, há 40 anos, antes da onda ecológica, Evandro Carreira condenou a implantação de modelos convencionais de desenvolvimento e preconizou a adoção de outro, diferente, respeitador do meio ambiente e adaptado às nossas condições naturais. À época, a tese soava estapafúrdia, porque na cabeça de quase todos, aqui o interior se desenvolveria com a substituição da floresta pela agropecuária de grande porte.



Portanto, quando ainda não se falava em ecologia, Evandro Carreira já defendia essa tese. Ele estava quase meio século à frente das pessoas normais porque enxergava o futuro com sua visão privilegiada pela natureza e abençoada por Deus. É por isso que o nosso povo tem o maior carinho e respeito por este ‘ícone da floresta’ que luta em defesa da biodiversidade amazônica. O seu reconhecimento com a Medalha de Ouro por parte deste Legislativo é uma questão de justiça, pois ele é a prata da casa que o mundo reverencia.



Vereador Mário Frota.

Líder do PDT na CMMPresidente da Comissão de Direitos Humanos da CMM



Para conhecer mais sobre Evandro Carreira:



Postado por MÁRIO FROTA EM AÇÃO às 11:39

terça-feira, 13 de abril de 2010

MENOS CAMARADAS!

Por Elson de Melo
Manaus,12/04/2010

Enquanto PT e PSDB preparam gigantescos banquetes para seus candidatos, o PSOL é arrastado pela sua própria incompetência junto com as enxurradas que devastaram o Rio de Janeiro nos últimos dias. Depois de sábado, fiquei a procura qual termo usar para qualificar tamanha discrepância, fiz uma verdadeira tempestade de idéias para escolher um, não consegui. Então resolvi elencar todas e, quem quiser adote uma, então vamos a elas: basbaquice, idiotice, tolice, maluquice, burrice, canalhice...

A infinidade de termos que se possa relacionar é muito pouco diante do ridículo papel que as mais de quinze facções protagonizaram durante o processo de escolha do nosso candidato a Presidente da Republica. É preciso um estomago de urubu para não sentir náuseas diante desse comportamento fétido que a Direção Nacional do Partido borrifou na cara dos militantes e na consciência dos eleitores brasileiros.

Não vejo nada de positivo no comportamento dos partidários de Plínio, Babá e Martiniano. Não é a honra de nenhum desses grupelhos que está em jogo. É a estrada que até o presente momento os lutadores do socialismo construíram que começa a ser interrompida, pela falta de um verdadeiro e responsável compromisso de quem se reveste de Direção do Movimento Socialista e se comporta como se estivesse dirigindo o seu clube de amigos ou de apaniguados.

“Hei de endurecer, porém, perder a ternura jamais!”

Thê, não declarou em vão essa celebre frase, é o retrato falado de um lutador revolucionário, é a maior declaração de principio que os socialistas não devem esquecer jamais. É com essa esperança que chamo ao bom censo os dirigentes das correntes interna do PSOL, o que foi feito está feito, no entanto, ainda a tempo de corrigir, sem o que é melhor não entrarmos em campo para jogar uma partida sem o time estár completo.

É hora de apaziguar os ânimos, colocar a cabeça no lugar, refletir além dos objetivos particular do seu grupo, só assim é possível fazer auto-critica e constatar, o quanto poderia ser diferente o nosso caminhar, de como é fácil os iguais se comporem, e, como é importante a união dos verdadeiros lutadores socialistas para enfrentar o julgo do capital. Se você faz parte desse time, então renuncie a intolerância, a prepotência, a vaidade. Busque construir a unidade do movimento e do PSOL.

Camaradas filiados ao PSOL, não importa a qual agrupamento interno você pertença, entendam pelo amor a luta histórica dos trabalhadores que, nós não somos maiores nem menores que o Partido, nós somos o PSOL! A paridade de compromisso é para todos nós. O socialismo não é obra desses ou daqueles dirigentes, só o esforço coletivo nosso é capaz de construir ou destruir essa nova sociedade.

Confesso que tentei passar ao lado dessa contenda, contudo, seria omisso se não contribuísse dando a minha opinião, ou mesmo fazer esse desabafo. Aceitar calado as injustiças ou mesmo os equívocos seja lá de quem for, não faz parte do meu caráter, meu compromisso com a luta pelo socialismo está acima das particularidades de grupos.

Élson de Melo – Sindicalista

Declaração da maioria dos delegados eleitos a III Conferência Eleitoral do PSOL


A presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade-PSOL, Heloísa Helena, reunida com 90 delegados nacionais eleitos à III Conferência Nacional Eleitoral e 12 (doze) presidentes de Diretórios Estaduais no auditório do SINDSPREV-RJ (Rua Joaquin Silva n. 98), na cidade do Rio de Janeiro informa à todos os militantes do partido:

Reunimo-nos num momento trágico para o Rio de Janeiro e o Brasil. As mortes por inundações e deslizamentos decorrentes da última chuva e da falta de compromisso com políticas públicas provocou mais de 200 mortes confirmadas até agora. Hoje foi o Rio de Janeiro, ontem São Paulo. Até quando seguirão as tragédias? Não se trata de problemas locais, mas sim da expressão de um grave problema nacional que vive nosso país. Frente aos governantes e políticos que produzem a idéia de que o país está em pleno progresso, eis os progressos: as tragédias de vidas humanas que não podem ser explicadas somente por razões climáticas. Como sempre, os mais pobres, os moradores das favelas, que compõem mais de 30% da população, pagam a conta com suas próprias vidas. Assim é o Brasil hoje, aqui o progresso é da desigualdade, com o enriquecimento desproporcional de um punhado de banqueiros, uma minoria de latifundiários e grandes burgueses que representam menos de 10% da população e detém 75% da riqueza nacional. O governo federal de PT, o governo do PMDB no Rio, o Governo de Serra em São Paulo são co-responsáveis por está situação. A aterradora notícia que o dinheiro público no Rio foi desviado do investimento urbano nas favelas, onde se concentra o maior número de mortos, mostra uma vez mais que eles governam para os interesses econômicos e para ampliar suas fortunas pessoais.

Do lado dos despossuídos está o PSOL, que vem lutando contra a falácia da corrupção, contra o projeto nacional do PT e do PSDB, responsáveis pelo governo dos ricos. Por isso, o PSOL se reafirma e se postula hoje como uma nova alternativa para um outro Brasil, e irá a estas eleições demonstrar que um futuro justo ao país depende de uma nova política, que ponha fim aos esquemas de corrupção e ao sistema de desigualdades sociais estruturais. O PSOL acredita que o povo brasileiro, através de suas experiências, algumas trágicas como esta, e com sua mobilização irá compreender que o Brasil necessita de outro modelo de governo e sociedade. O PSOL tem lado, o lado do povo!

Dois projetos políticos em embate

O PSOL realizou um intenso debate interno para eleger o seu candidato a presidente. Por trás dos nomes que polarizaram a disputa, Martiniano Cavalcante e Plínio de Arruda Sampaio, há a expressão de importantes diferenças políticas.

O PSOL foi fundado por meio de um consenso comum: que um partido socialista e democrático não se faz sem embates políticos e ideológicos, ou sem respeito aos blocos e correntes internas que representam essas diferenças. Estiveram e estão em embate dois projetos de partido. Nosso bloco defendeu em todos estes meses de debate na base partidária as idéias centrais sobre as quais foi fundado o PSOL em 2004. Um partido socialista e democrático, aberto, que dialogue com amplos setores das massas, e busque mobilizá-las. Um partido que dispute as consciências através de consignas que respondam às necessidades mais sentidas pelo povo, para assim ser um pólo alternativo diante da falsa polarização entre PT e PSDB. Um partido para a ação, que tem como principal expressão pública a companheira Heloísa Helena, com quem o PSOL alcança 7 milhões de votos em 2006, que foi em 2008 a vereadora mais votada na história do país, e que agora disputa uma vaga no Senado por Alagoas contra a máfia de Renan Calheiros e Collor de Melo. O outro bloco defendeu que o eixo central que deve adotar o PSOL é o eixo da auto-proclamação do socialismo. Dessa maneira, se criou uma outra concepção para o partido, que aponta para um partido restrito a pequenos círculos da vanguarda donos da verdade, distante das reais preocupações cotidianas das massas, e essencialmente propagandista. Nosso bloco saiu vitorioso desse embate, no qual participaram cerca de 10,5 mil filiados, dos quais cerca de 5,5 mil apoiaram nossas propostas. Não foi por acaso. Não só porque percorremos quase todas as Plenárias Municipais esclarecendo nossa política para o PSOL, mas também porque a maioria dos nossos militantes quer um partido que se construa com influência de massas, como uma alternativa concreta de poder, um partido que vá além de seletos grupos “esclarecidos”.

Dois métodos frente ao PSOL

Enquanto nós percorremos o país e fomos a todas as Plenárias, o outro bloco não apareceu para acompanhar e disputar as reuniões dos militantes nos Estados do Acre e de Roraima, optando por impugnar diretamente estas delegações, anulando o voto democrático de centenas de militantes, impugnações sem amparo nas normas legais da conferência. Um desses estados, ao lado da Venezuela bolivariana, e outro junto da Bolívia, país aonde a maioria indígena do país chegou ao poder. Além disso, puseram subjudice outras Plenárias Brasil afora que foram realizadas de acordo com as normas regimentais. Criaram um adendo ao regulamento, o Termo Aditivo, e pretenderam aplicá-lo de maneira retroativa em plenárias que já tinham sido realizadas sob as regras anteriores. A maioria burocrática do Diretório Nacional, representando o bloco que se negou a aceitar os resultados da base partidária, preferiu resolver a disputa impugnando delegados representantes de 2 (dois) estados, através do instrumento do Diretório Nacional numa reunião extraordinária na qual nos negamos a participar por estar convocada fora das normas estatutárias. Assim, um suposto diretório reuniu 36 de seus 61 membros e decidiu a conferência eleitoral a seu favor. Não satisfeitos em impor burocraticamente o candidato do PSOL à presidência, nesta mesma suposta reunião do Diretório Nacional rasgaram o estatuto partidário e retirou as atribuições de nossa presidente nacional, Heloísa Helena.

Para a unidade do Partido, um Congresso extraordinário onde os militantes decidam

Criou-se uma crise de legitimidade no Diretório Nacional do PSOL. Estamos longe de crer que esta crise inviabiliza nosso projeto. Representamos militantes para quem o PSOL está acima de tudo. Essa unidade partidária passa precisamente pelo respeito às decisões da base. É desta forma que um partido socialista e democrático deve resolver suas crises. Frente aos atropelos cometidos pela maioria do Diretório Nacional, que já não reflete a verdadeira correlação de forças do partido, apelamos aos Diretórios Estaduais e aos filiados da base que levem adiante, nos termos estatutários, a convocatória de um Congresso Extraordinário do PSOL, no qual se recomponham os organismos partidários, com base na correlação de forças que hoje existe. Até que este Congresso se realize, para resolvermos de maneira positiva a crise do PSOL, nosso compromisso com militantes e filiados é não apelar à justiça para dirimir questões da candidatura presidencial. Fazemos essa opção para que o partido continue funcionando e para poder realizarmos a disputa eleitoral. Além disso, porque confiamos plenamente nos militantes do partido. Sabemos que a militância não aceitará de nenhuma maneira que estes métodos continuem; que rechaçará a caça às bruxas, os epítetos utilizados contra as figuras públicas e dirigentes do nosso bloco; que rechaçara frontalmente as declarações de Plínio de Arruda Sampaio, que em muitas oportunidades disse que o partido tinha que romper com os “setores de direita” que estão dentro dele. Não faremos o jogo de declarações como estas, que só ajudam àqueles que querem ver nosso projeto afundar.

Ganhar as ruas com nossos candidatos

Nosso bloco crê que o PSOL irá a estas eleições com armas poderosas já acumuladas desde sua fundação para investir na disputa política, para se fortalecer junto ao povo e ganhar maior representatividade. As experiências no Rio Grande do Sul, Alagoas, Rio de Janeiro, Goiás, e muitos outros Estados, devem ser retomadas. Estamos diante de um cenário eleitoral difícil, porém com convicção no projeto político alternativo que apresentaremos ao povo. A eleição de Heloísa Helena novamente como Senadora é a principal disputa da conjuntura. O povo está torcendo não só em Alagoas, mas também em todo país para que isso ocorra. Para que neste partido com relações degeneradas recuperemos a voz de quem não se dobra diante do poder e está disposto a fazer do PSOL um alternativa concreta de poder. Está em jogo a reeleição dos nossos mandatos: acreditamos que eles serão reconquistados, e que poderemos conquistar ainda outros.

Chamamos a todos os nossos militantes a sair com força e ganhar as ruas desde já. Filiar novos companheiros, colocar nossos pré-candidatos em ação para preparar uma campanha de massas, para falar com clareza e simplicidade ao povo, para mostrar ao nosso partido como ele pode ser potente, e como se pode armar um partido aberto, socialista e democrático.

Maioria dos delegados eleitos à III Conferência Eleitoral Nacional

Por que não sou mais pré-candidato à Presidência da República


SEGUNDA CARTA AO PSOL DE MARTINIANO CAVALCANTE

Por que não sou mais pré-candidato à Presidência da República

Os atos finais da III Conferência Eleitoral do PSOL consumaram um golpe, decepando a autonomia e a soberania da base partidária, aplicado pelas correntes que controlam, por uma desprezível maioria, o Diretório Nacional e sua Executiva.

Após dois meses de debates, mobilizações e votações, a maioria do partido se manifestou, inequívoca e majoritariamente, em defesa de nosso projeto e de nossa candidatura.

Nem no primeiro, nem no segundo Congressos do PSOL aconteceram eleições na base tão disputadas e tão fiscalizadas.

Nesta conferência seguimos todas as regras e elegemos de maneira legal e legítima uma maioria incontestável de 90 delegados contra 86 delegados somados por Plínio e por Babá.

Mas cada maioria tem a sua natureza. E esta, que se formou de modo oportunista sem qualquer unidade política e sem projeto comum, revelou sua completa degeneração burocrática e autoritária, antagonicamente oposta aos princípios fundacionais do PSOL. Introduziu medidas inéditas, truculentas e autoritárias, na vida partidária.

Nunca antes convivemos com mudanças de regras no meio do jogo, com a aplicação retroativa de novos regulamentos para, confessadamente, cassar delegações já eleitas. Pela primeira vez assistimos a intervenções do Diretório Nacional realizadas contra o Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Foi atropelada a exigência estatutária do apoio de 2/3 do Diretório Nacional para atos desse tipo. Assim anularam as Conferências locais e cassaram 20 delegados destes estados que nos apoiaram, contra os quais não havia sequer um único recurso. A cassação de um delegado de Goiás, por cima de decisão votada no último Congresso Nacional do partido, reverte-se também de um conteúdo provocador.

Este conjunto de iniciativas espúrias tomadas pela insignificante maioria burocrática instalada no Diretório Nacional e em sua Executiva violaram definitiva e irreparávelmente a legitimidade e a legalidade da III Conferência Eleitoral Nacional do Partido Socialismo e Liberdade. Criou-se tal clima de animosidade que foi impossível realizar um evento unitário, no mesmo espaço físico, fracionando-o em dois atos separados. Ao nosso lado a Assembléia da Maioria dos Delegados Eleitos em profissão de resistência e de luta pelo resgate da democracia e da soberania da base partidária. Contra o partido os usurpadores em seu simulacro formal de conferência, instalada sem quorum por uma minoria de delegados.

Esta profunda divisão partidária, provocada pelos que rasgaram as regras de suas próprias eleições para a direção partidária, resultou no desfecho ilegítimo e indefensável de uma candidatura presidencial que representa uma minoria imposta pela força da formalidade à maioria do partido.

Infelizmente, o poder de decisão foi arrancado das mãos da base partidária e reside agora em espaço burocrático, dominado por uma insignificante maioria que não exitará em liquidar o partido, se necessário for, para impor sua vontade.
Nesta condição não resta sentido em manter nossa pré-candidatura à Presidência da República.

Esta nossa luta se fez portadora de uma contradição que não poderá ser superada agora, visto que, legitimamente vitoriosa, foi “legalmente” derrotada pela ilegalidade e pela ilegitimidade que passaram a reinar em nosso partido. Só um novo congresso do PSOL poderá restaurar a normalidade e legitimidade democrática da vida partidária. Por isso lutaremos, desde já, para convocá-lo pela base do partido e dotaremos de caráter permanente e estratégico um novo bloco de forças políticas internas que, após as eleições de 2010, dedicará todas as suas energias para resgatar o PSOL para o seu projeto original de PARTIDO DA ESQUERDA SOCIALISTA E DEMOCRÁTICA, DE MASSAS E AMPLO.

Mas, para sermos conseqüentes com a tarefa histórica que assumimos ao fundar o PSOL, neste momento, temos que rejeitar as provocações da INSIGNIFICANTE MAIORIA. Ela que violou a soberania da base, demonstrou sua disposição para arrastar o partido no internismo conspirativo até o final de junho quando, numa “convenção legal”, transformará em fato jurídico sua vontade golpista.

Nós, que consideramos o “propagandismo dos dogmas sagrados do socialismo” uma fórmula política estéril, rejeitamos também o novo esquerdismo -doença senil do reformismo - que está em moda no PSOL.

Coerentes com nossa trajetória iremos, à luz do dia, fortalecer nossas posições junto ao povo na disputa eleitoral. Abraçaremos como tarefa nacional a eleição, para o Senado de Alagoas, de nossa amada liderança e companheira Heloisa Helena, da querida Luciana Genro para Deputada Federal no Rio Grande do Sul, de Janira Rocha e Roberto Robaina para Deputados Estaduais no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Assim como eles, nossos companheiros que são candidatos em todos os Estados, a Governador, a Senador, Deputado Federal e Estadual ocuparão a nova frente de batalha que decidirá os destinos do PSOL.

Agradeço, a cada companheiro, o carinho militante e revolucionário que recebi. Sei que os que estiveram e estão conosco o fazem porque são livres e revolucionários. Porque querem mudar a vida para livrá-la da opressão e da degradação humanas que só se realizará pela compreensão e pela própria ação dos trabalhadores e do povo.

A energia que recebi nesta pré-campanha se multiplicará em dedicação e combatividade que farão vitoriosas nossas lutas eleitorais em 2010. Assim, nos prepararemos para o novo Congresso do PSOL que exigimos, incondicionalmente, para restaurar as condições de vida partidária.

Alertamos aos que hoje nos impõe suas decisões pela via burocrática, que contivemos nossa fúria e nossa indignação devido à esperança que temos de que o PSOL possa ocupar no Brasil o espaço que está aberto, pela realidade concreta, para um partido socialista capaz de dialogar com as massas. Um partido capaz de encarnar ele próprio a mensagem transformadora e humanizadora que nossa crise civilizatória reclama, constituindo-se num verdadeiro partido de massas. Nossa teoria e nossas lutas não serão nada se não puderem se corporificar nessa dimensão da existência de nosso povo.

Nossos adversários conhecem nossa vocação e sabem que a disposição para transformar a política revolucionária num diálogo com as massas é nossa maior força. Por esse motivo concentram seu ódio, sua calúnia e seu ataque mesquinho contra Heloisa Helena, aquela que soube fazer de sua vida política um diálogo transformador com o povo trabalhador brasileiro. Insinuam até tirar-lhe a legenda para a disputa do senado em Alagoas, mas não passarão.

Dedico a ela e a todos os militantes minha pré-candidatura à presidência da república, sepultada pela truculência burocrática.

Continuaremos ousando lutar por um partido de massas, semente de poder para o novo socialismo que unificará IGUALDADE com LIBERDADE, e PÃO com NATUREZA E FLORES !

Rio de Janeiro,11 de Abril de 2010. Martiniano Cavalcante.

domingo, 11 de abril de 2010

GRUPO DE HELOISA HELENA CONTESTA ESCOLHA DE PLÍNIO COMO CANDIDATO DO PSOL


PEDRO SOARES da Sucursal do Rio
JOÃO PEQUENO colaboração para a Folha, em Rio
Atualizado em 11/04/2010 às 08h43.

Com a legenda rachada, 89 delegados do P-SOL escolheram o ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio como pré-candidato à presidência, durante sua 3ª Conferência Eleitoral Nacional, no Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo, em um evento paralelo, também no Rio, apoiadores da pré-candidatura do ex-sindicalista Martiniano Cavalcante --entre eles, a presidente do partido, Heloisa Helena-- reclamavam do descredenciamento dos representantes de três estados e prometiam recorrer da decisão.

Segundo participantes da plenária paralela, os representantes de Acre, Roraima e Minas Gerais tiveram o direito a voto negado na conferência nacional, "por formalidades burocráticas, sem nenhuma alegação formal", o que levou 92 delegados a se reunirem em um sindicato próximo, onde decidiram pedir um congresso extraordinário do partido.

Para Heloisa Helena, esta seria a única forma de "garantir a legitimidade nacional" da decisão do P-SOL. A ex-senadora saiu do evento soltando farpas contra o diretório estadual de São Paulo, principal fonte de apoio da pré-candidatura da paulista Plínio de Arruda Sampaio. "Quem entrou no partido depois de ele ser fundado não tem o direito de rasgar a militância que o criou, com enormes dificuldades (...) em comunidades ribeirinhas da Amazônia", disse.

Responsável pela 3ª Conferência Eleitoral Nacional e apoiador de Plínio, o secretário-geral do partido, Afrânio Boppré, atacou Heloisa Helena, classificando-a de "omissa" na organização e no fortalecimento do partido. Para Boppré, a ex-senadora --candidata do P-SOL em 2006-- era a melhor opção do partido à presidência, mas errou ao não aceitar a tarefa novamente, preferindo, no primeiro momento, apoiar Marina Silva, do PV. O apoio, porém, foi rejeitado pela maioria do P-SOL, devido à aliança entre PV, PSDB e DEM no Rio de Janeiro.

Ex-deputado constituinte pelo PT e candidato do P-SOL ao governo de São Paulo em 2006, Plínio de Arruda Sampaio ainda contou com a desistência do ex-deputado federal Babá e disse que a "unidade" em, torno de sua pré-candidatura foi demonstrada pela presença de 15 das "17 correntes internas" do partido na 3ª Conferência Eleitoral Nacional. "Gostaria que a senadora estivesse presente", afirmou, sobre Heloisa Helena.

Mais do que almejar a presidência, o pré-candidato contou que pretende usar o espaço da propaganda eleitoral "para mostrar que, ao contrário do que a propaganda da 'direita' fala, a coisa não está maravilhosa" --incluindo seu ex-partido, PT, na classificação. "A esquerda faz agitação, porque é isso que ela tem que fazer", completou.

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

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