domingo, 28 de março de 2010

CARTA ABERTA DO S.O.S. ENCONTRO DAS ÁGUAS AOS AMBIENTALISTAS

Aos senhores Cientistas e Ambientalistas Dr. Anthony Anderson, Dr. Thomas Lovejoy, Dr. Mario Mantovani, Dr. Pedro Leitão e Paulo Adário, entre outros.


Em vossa passagem por Manaus, no Fórum de Sustentabilidade, solicitamos seus esforços para a preservação do maior símbolo Natural e Cultural do Amazonas, sensibilizando nossos governantes em prol do Tombamento e pela criação da Unidade de Conservação Encontro das Águas.


O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões forma o Rio Amazonas, que representa 15% de toda a água doce despejada nos oceanos e é uma das maravilhas naturais da Amazônia. As águas dos dois rios percorrem paralelas, lado a lado no mesmo leito do Rio Amazonas, podendo permanecer sem se homogeneizarem até 18 km após a foz do rio Negro. A região do entrelaçamento dos Rios Negro e Solimões, formadores do Amazonas, maior Rio do mundo, propicia o desenvolvimento de paisagem, biodiversidade e geologia únicas, que devem ser conservadas para que os povos no presente e no futuro desfrutem das riquezas do Encontro das Águas que é o símbolo maior da natureza e da cultura Amazônida.


Apesar da importância ecológica e cultural do Encontro das Águas, a empresa Log-In Logística Intermodal pretende construir nesta região o super-terminal portuário de cargas intitulado “Porto das Lajes” que causará profunda degradação socioambiental à região, depauperando mais ainda este patrimônio da humanidade que já é vítima de toda a sorte de desmatamento, resíduos tóxicos e degradação causada pelo Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus.


Gostaríamos também que ajudassem a sensibilizar o IPHAN - Ministério da Cultura para que o processo de tombamento do Encontro das Águas (N. 01490.00015-2009-11instaurado desde agosto de 2009, seja agilizado e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade/ Ministério do Meio Ambiente, para que instaure processo para a criação da Unidade de Conservação da Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Encontro das Águas, cuja solicitação foi realizada pela sociedade civil organizada no dia 22/03/2010, dia Mundial das Águas.


Salientamos alguns aspectos relacionados a criação da Unidade de Conservação e ao Terminal Portuário:


- O Movimento S.O.S. Encontro das Águas é preferencialmente favorável as hidrovias na Amazônia em relação às Rodovias. Terminais Portuários que permitam a rápida circulação de mercadorias e que suportam navios de grande calado são fundamentais para privilegiar o transporte hidroviário. No entanto, o local escolhido para a instalação do Porto das Lajes irá causar perdas socioambientais irreversíveis e o plano de mitigação e compensação ambiental apresentado pela Lajes Logística contolada da Log-In Logística é inconsistente e omisso. Portanto queremos que o Porto seja construído em local já degradado, distante do Encontro das Águas, distante dos lagos de desova, de pesca e em local de menor importância paisagístico, social, cultural, turística e ecológica;


- A Proteção do Encontro das Águas possibilitará a melhoria das condições de vida das comunidades locais por preservar os recursos hídricos que permitirão o consumo de água e de peixes, o lazer e o transporte fluvial regional, o desenvolvimento de atividades economicamente sustentáveis como, a pesca e a criação de peixes, o turismo comunitário ecológico. A conservação e o uso sustentável do Encontro das Águas representarão a soberania cultural e econômica e a qualidade de vida das comunidades locais;


- O Porto das Lajes diminuirá a qualidade de vida das comunidades locais porque poluirá as águas inviabilizando seu uso para consumo, recreação, turismo e pesca. Contribuirá com o assoreamento e a degradação do lago do Aleixo, dificultará o fluxo de embarcações regionais e causará empobrecimento da rica vida aquática. A degradação da paisagem e da biodiversidade que o Porto das Lajes causará afetará a atividade turística do Encontro das Águas. O Porto das Lajes não gerará empregos significantes porque esta atividade portuária é basicamente mecanizada;


- A instalação do Terminal Portuário propiciará a degradação social associada à instalação de prostíbulos, aumento do tráfico de drogas, contrabando e grande fluxo migratório descontrolado de pessoas para as margens e comunidades do Encontro das Águas;


- O impacto na qualidade da água e o aumento do fluxo de grandes embarcações que a construção do empreendimento e a atividade portuária provocarão afetará a rica vida aquática do Encontro das Águas, região de desova e alta produtividade primária, inclusive as populações de boto vermelho (Inia geoffrensis), boto tucuxi (Sotalia fluviatilis) e peixe-boi (Trichechos inunguis), espécie ameaçada de extinção;


- O Porto das Lajes desmatará e degradará as áreas de reprodução, pouso e descanso de espécies de aves locais e migratórias, a exemplo do maçarico solitário (Tringa solitaria) e o maçarico pintado (Actites macularius), ambos pássaros migratórios provenientes do Hemisfério Norte que pousam na região das lajes no percurso em direção ao Sul do continente, como a Patagônia. Áreas de pouso e reprodução de aves migratórias são protegidas por lei Federal e Municipal, e, portanto, não podem ser destruídas;


- A construção do Terminal Portuário irá desmatar e degradar a ultimo fragmento de floresta de igapó restante em Manaus na margem esquerda do Rio Negro e desmatará fragmento florestal de terra-firme, onde há presença do sauim-de-manaus (Saguinus bicolor), um primata em perigo de extinção (IUCN 2008).


Portanto solicitamos apoio para:


1 - Que o Encontro das Águas seja transformado pelo Instituto Chico Mendes (MMA) em Unidade de Conservação de Uso Sustentável (Área de Relevante Interesse Ecológico – ARIE) para as comunidades locais. A Unidade de Conservação na categoria de Área de Relevante Interesse Ecológico, que permite propriedade privada, atividades tradicionais e sustentáveis, deverá incluir as duas margens, ilhas e lagos, desde a Ilha de Marapatá e a foz do rio Negro, ilha Xiborena, lago Catalão, Sítio Geológico Ponta das Lajes, lago do Aleixo até pelo menos 18 km a jusante, incluindo a ilha Terra Nova e o Lago dos Reis;


2 - Que as áreas degradadas do Encontro das Águas sejam recuperadas e os dejetos lançados na região sejam tratados e que o governo do Estado não licencie o Terminal Portuário Porto das Lajes. Que seja desenvolvido um programa governamental participativo de recuperação com fins paisagísticos, conservacionistas e de lazer, garantindo assim o uso desse bem coletivo para as comunidades locais e para atividades turísticas;


3 - Que o Encontro das Águas seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO e, portanto, reivindicamos ao IPHAN/Ministério da Cultura a homologação imedata do Tombamento (proteção) desta região como Patrimônio Natural e Cultural do Brasil.


Se não formos competentes para preservar o Encontro das Águas, símbolo maior da identidade cultural e natural da Amazônia, não seremos capazes de gerir sustentavelmente qualquer outro recurso natural da Amazônia.


Muito Obrigada,


Elisa Wandelli

Direção do Movimento Socioambiental S.O.S. Encontro das Águas.


Outras informações sobre o Encontro das Águas e a luta para preservá-lo podem ser consultadas nas seguintes páginas:

http://www.ncpam.com/search?q=show+das+%C3%A1guashttp://www.amazonasnoticias.com.br/manaus/668-defesa-do-encontro-das-aguas.htmlhttp://www.ncpam.com/search?q=encontro+das+%C3%A1guashttp://rogeliocasado.blogspot.com/search?q=%22encontro+das+%C3%A1guas%22http://sosriosdobrasil.blogspot.com/2010/03/semana-da-agua-2010-sosriosbr_22.htmlhttp://www.jusbrasil.com.br/busca?q=%22Porto+das+Lajes%22&s=noticiashttp://jmartinsrocha.blogspot.com/search?q=encontro+das+%C3%A1guashttp://jetroxavier.blogspot.com/2010/03/em-defesa-do-encontro-das-aguas.htmlhttp://pcbmao.blogspot.com/search?q=encontro+das+%C3%A1guashttp://luctasocial.blogspot.com/search?q=encontro+das+%C3%A1guashttp://coletivobocacheiaa.blogspot.com/2010/03/sos-encontro-das-aguas.html
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Postado por NCPAM às 13:18:00

FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DELAS

FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DELAS
José Ribamar Bessa Freire
28/03/2010 - Diário do Amazonas

São mulheres de diferentes cidades do Brasil. Algumas amamentavam. Outras, grávidas, pariram na prisão ou, com a violência sofrida, abortaram. Não mereciam o inferno pelo qual passaram, ainda que fossem bandidas e pistoleiras. Não eram. Eram estudantes, professoras, jornalistas, médicas, assistentes sociais, bancárias, donas de casa. Quase todas militantes, inconformadas com a ditadura militar que em 1964 derrubou o presidente eleito. Foram presas, torturadas, violentadas. Muitas morreram ou desapareceram lutando para que hoje nós vivêssemos numa democracia.


As histórias de 45 dessas mulheres mortas ou desaparecidas estão contadas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, lançado quinta-feira passada na PUC de São Paulo, na presença de mais de 500 pessoas. O livro contém ainda o testemunho de 27 sobreviventes e muitas fotos. Se um poste ouvir os depoimentos dilacerantes delas, o poste vai chorar diante da covardia dos seus algozes. Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte.


Rose Nogueira - jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.


Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária: “Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.


Hecilda Fontelles Veiga - estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará. “Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (...) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.


Iara Spadini - assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC. “Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.


Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte. “Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.


Ignez Maria Raminger - estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde. “Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.


Dilea Frate - estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.


Cecília Coimbra - estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: “Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo... Eu não estou aqui...’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.


Maria Amélia de Almeida Teles - professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.
São muitos os depoimentos, que nos deixam envergonhados, indignados, estarrecidos, duvidando da natureza humana, especialmente porque sabemos que não foi uma aberração, um desvio de conduta de alguns indivíduos criminosos, mas uma política de Estado, que estimulou a tortura, a ponto de garantir a não punição a seus autores, com a concordância e a conivência de muita gente boa “em nome da conciliação nacional”.


No lançamento do livro na PUC, a enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram: “Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.


Os fantasmas que ainda assombram nossa história recente precisam ser exorcizados, como uma garantia de que nunca mais possam ser ressuscitados – escreve a ministra Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, na apresentação do livro, que para ela significa o “reconhecimento do papel feminino fundamental nas lutas de resistência à ditadura”.
Este é o terceiro livro da série ‘Direito à Memória e à Verdade’, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O primeiro tratou de 40 afrodescendentes que morreram na luta contra o regime militar. O segundo contou a “História dos meninos e meninas marcados pela ditadura”. Eles podem ser baixados no site da SEDH.


O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos nos próximos dias. Essa é uma ocasião oportuna para lançar o livro em todas as capitais brasileiras. No Amazonas, as duas reitoras – Marilene Correa da UEA e Márcia Perales da UFAM - podiam muito bem organizar o evento em Manaus e convidar a sua colega Nilcea Freire para abri-lo. Afinal, preservar a memória é um dos deveres da universidade. As novas gerações precisam saber o que aconteceu.


A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê. É como o sacrifício da missa para quem nele crê. A gente tem de lembrar diariamente para não ser condenado a repeti-lo: fazei isso em memória delas.

sexta-feira, 26 de março de 2010

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ!

DOZE CONSELHOS PARATER UM INFARTO FELIZ!

Dr. Ernesto Artur - Cardiologista

Quando publiquei estes conselhos 'amigos-da-onça' em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
4... Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro , enferruja!!. .rs)
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado.. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.
11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

OS ATAQUES DE CORAÇÃO
Uma nota importante sobre os ataques cardíacos..Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo(direito). Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.
Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram... Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.
Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ''ataque cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas.
Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro..
NÃO SE DEITE !!!!
Um cardiologista disse que, se cada pessoa que receber este e-mail, o enviar a 10 pessoas, pode ter a certeza de que se salvará pelo menos uma vida

quinta-feira, 25 de março de 2010

A LUTA QUE CONTINUA NO TERCEIRO MILÊNIO

A LUTA QUE CONTINUA NO TERCEIRO MILÊNIO

Doenças profissionais, jornada de trabalho estafante, violência urbana, transporte coletivo desconfortável, baixo salário, ritmo acelerado nas linhas de produção, esforço repetitivo, limitação de tempo para fazer necessidades fisiológicas, assedio moral, assedio sexual, lei do silêncio no ambiente de trabalho, falta creche para os filhos, escola de pessima qualidade. São formas que o capital faz questão de preservar para manter sob seu controle o proletariado.

No passado o capital preferia nas linhas de produção as pessoas sem o mínimo de escolaridade, com a evolução tecnológica, novos produtos foram desenvolvidos visando o aumento do número de consumidores, isso impôs ao setor industrial modernizar seu parque fabril, promovendo a exigência de uma força de trabalho mais qualificada.

Na estrutura interna das empresas foi criado e aperfeiçoado os departamentos ou diretorias de recursos humanos, esse setor passa a ser um dos mais importantes para dinamizar a produção. Os velhos capatazes saem de cena e seu posto agora é assumido por um chefe habilidoso com perfil de líder, são homens e mulheres que vestem com muita dedicação a camisa da empresa.

Como forma de adestrar e selecionar esses profissionais, os capitalistas, através de seu Estado Burguês, usam com muita precisão seus instrumentos ideológicos, criando e desenvolvendo no âmbito da academia, cursos específicos para gestores do capital humano.

São cursos com uma grade curricular voltado para entender o comportamento humano em toda sua complexidade. Ensinam esses profissionais a entrarem na mente humana para descobrir com precisão suas aptidões, comportamento, aspirações, esperanças e ambições! Desse modo, quando o operário adentra no ambiente de seleção de uma determinada empresa, o entrevistador já analisou seu currículo, observou seu comportamento desde o momento que chegou à portaria do prédio, na sala de espera, permitindo concluir se o candidato está apto ou não para ocupar a vaga de emprego.

Porque as empresas agem dessa maneira? É claro que tudo isso tem um objetivo muito lógico. A empresa precisa de pessoas comprometidas com um processo de produção que a cada dia tem suas metas ajustada sempre para mais produtos fabricado. Por outro lado, essa venda de dificuldade para acender ao quadro de trabalhadores da empresa, induz ao operário a fidelidade e conformismo com o tipo de serviços que a ele for designado.

Adicionado a tudo isso, está o exercito de reserva imposto pelo desemprego. Ao operário só resta submeter-se a essa humilhante situação. Certamente não haverá tempo para perceber sua realidade dentro e fora da empresa, suas demandas familiares são tantas que vai decididamente submeter-se a fazer horas extraordinárias, porém, sua estima vai estar sempre em alta. Os profissionais de recursos humanos se encarregarão desse feito, vão ocupar o tempo que lhe resta com palestras e cursos voltados para auto-ajuda. é a famosa motivação.

Esse operário tem em seu currículo a conclusão do ensino médio, cursou ou está cursando o ensino superior, possivelmente vai se recusar de ser chamado de operário. Escravizado em sua plenitude, agora está contente por ser um profissional qualificado. Trágico! Mas é esse comportamento que o capital deseja dele.

As contradições da vida real estão na sua cara. À escola do filho é de péssima qualidade, o trafico de droga assedia seus familiares, o ônibus do bairro é velho e demorado, a violência é gritante, lá não existe esporte, lazer, recreação e cultura, o supermercado consome todo o seu salário. No final de semana seu descanso é a cerveja ou cachaça, torcendo pelo time do coração, na esperança de ser campeão. Eis o novo operário!

A escola. Há nossa escola! Os ditos parâmetros curriculares estão voltados para atender os interesses dos capitalistas, todos os conteúdos tratam apenas de subjetividades, esconde dos jovens a realidade objetiva, formam pessoas dependentes de pistolões, sem uma identidade política e cultural sólida. Condicionam todos a pensarem sobre um mercado de trabalho competitivo individualizado e imediatista. O vale tudo para se dar bem, a perfídia e a desídia, são valores que cultivam em detrimento da ética e solidariedade. A escola como um aparelho ideológico do capital vem formando verdadeiros bandos de homens e mulheres vulneráveis na mente e coração.

É para refletir sobre tudo isso que o nosso periódico A Lucta Social volta a circular no meio operário. A visão dos seus editores é a construção de uma sociedade solidária, justa social e economicamente, livre das amarras do capital, onde homens e mulheres sejam pessoas conscientes de seus propósitos enquanto gestores do seu próprio destino. Nosso referencial ideológico é a sociedade Socialista.

Assim nosso objetivo é esclarecer ao proletariado as contradições do capitalismo, mostrar como esse modelo de produção continua a escravizar e humilhar homens e mulheres do nosso tempo. Assim conclamamos os nossos leitores a orientem sua vida social e política dentro de uma ética coletiva, onde a democracia e a liberdade sejam fatores de construção do novo, da esperança, da justiça e da felicidade plena.

Élson de Melo – Sindicalista

terça-feira, 23 de março de 2010

NÃO AO FIM DAS DICIPLINAS FHA, FGA E ED, ARTíSTICA

Unidos pra Lutar
Informativo dos trabalhadores da educação independente do governo AMAZONAS
Contato: 9159 0364 – 8426 0193 – 8126 4405 e-mail: queirozcst@yahoo.com.br
Não ao fim das disciplinas de FHA, FGA e Ed. Artística!
A redução em 50% das cargas-horárias das disciplinas de F.H.A (Fundamentos de História do Amazonas)., F.G.A (Fundamentos de Geografia do Amazonas), Ed. Artística e Ensino Religioso. Foi uma medida arbitrária, antipedagógica e principalmente retrógrada. Não consta em nenhuma resolução recente do conselho municipal de educação qualquer referência a redução de carga-horária das referidas disciplinas. Portanto, tais medidas são totalmente arbitrárias e desnecessárias, pois não trará benefício de aprendizagem dos alunos conforme divulgado pela SEMED.
O argumento que a redução das cargas-horárias dessas disciplinas contribuirá para redução dos índices de reprovação em matemática e língua portuguesa é extremamente contraditório. O aumento da quantidade de aulas, de língua portuguesa e matemática, não são garantias de uma boa aprendizagem porque na prática ocorrerá uma sobrecarga aos professores destas disciplinas.
A razão dos altos índices de reprovação está na falta de condições básicas de trabalho, salas de aula lotadas, o que inviabiliza um acompanhamento mais individualizado, na persistência do turno da fome, que contribui para evasão escolar e em a não valorização dos profissionais da educação. Esses sim são elementos dos altos índices de reprovação.
A implantação das disciplinas regionais (FHA e FGA), no currículo do ensino básico, representou um passo importante na interpretação dos processos históricos e geográficos da nossa região, na medida em que os conhecimentos regionais sobre a Amazônia, aqui produzidos, passaram a ser adotados na sala de aula. Durante muitos anos a realidade da Amazônia era interpretada através dos “compêndios” produzidos no eixo Rio São Paulo sobre ótica conservadora e marginalizadora das elites sulistas. Portanto, a redução das cargas horárias desses componentes curriculares representa um grande retrocesso.
A redução da carga horária de Ed. Artística é mais uma medida arbitrária. Ora, no momento em que o debate em torno do ENEM redimensiona os conceitos de competências e habilidades do processo ensino e aprendizagem o componente curricular de Ed. Artísticas ganha um peso mais significativo com instrumento pedagógico. Contrariando tudo isso os "iluminados" da SEMED reduzem em 50% a carga horária desse componente curricular.
Reunião de Mobilização
17/03 ás 15h
Associação Recreat. dos Correios – ARCO
Av. André Araujo, 92 A Frente à Pemaza, Aleixo. Fone (92) 3663 3250Essas medidas de redução das cargas horárias, com "a devolução" de dezenas de professores à SEMED não é um fato isolado.
Não é de hoje que a nossa categoria vem sofrendo ataques. Na gestão do prefeito Serafim (PSB) a categoria foi obrigada a “engolir” o PCCS sem debate e aprovado de madrugada na Câmara Municipal com apóio da direção do SINTEAM. Na atual gestão do prefeito Amazonino (PTB), que prometeu rever o PCCS durante a campanha eleitoral, nada fez. Porém por diversas vezes já “ensaiou” a retirada do nosso vale transporte e reduziu o plano de saúde da categoria, quando cortou os convênios da MANAUSMED. Agora o mais novo ataque à categoria é o “enxugamento”, termo muito.
Usado na lógica dos empresários. A quem interessa a redução de turmas e a devolução de dezenas de professores à SEMED? Não será dessa forma que se resolverão os altos índices de reprovação; será o investimento maciço. A redução das cargas e a "devolução" dos professores à SEMED é primeira parte do “pacote” de ataques à nossa categoria. Precisamos reagir, caso contrário, prosseguirão os ataques, tornando essas disciplinas facultativas, portanto “não necessária”, o que colocará vários professores à disposição da SEMED. E todos estão passivos de serem dispensados do serviço público.

domingo, 21 de março de 2010

Resgate Caboclo Histórico e Ecossocialista


O vírus incandescente da lesera baré, continua atormentando como o impacto meteórico da era jurássica, a consciência cabocla e planetária de articulistas e epistemólogos da terra, falo de Ribamar Bessa, figura singular do nosso jornalismo global.

Viajo com você, Bessa, quanto a crítica aos descasos históricos de personagens da tempera de Tércio Miranda, pioneiro da liberdade e das Luctas Sociais, jornal fundado em 1914, cuja manchete de luta, expõe uma foto de trabalhadores cidadãos vestindo paletó, flagrados numa corrida da policia e com o citado jornal à mão.

Tércio foi isso e mais isso, uma onça proletária rugindo teimosia contra os donos do poder.

10 anos mais tarde, a intentona tenentista, comandada pela maior figura da nossa história, o tenete Ribeiro Júnior, depõe o desembargador corrupto, governador do Estado do amazonas e assumindo o poder, paga os salários dos funcionários públicos e restaura o direito democrático, confiscando os bens daqueles que roubavam o Estado do Amazonas. Hoje, infelizmente as instituições do terceiro mundo, continuando ausentes, não restauram coisa alguma. Ausentes. Bilhões são roubados dos cofres públicos. Crime notório. Mordaça geral. Esquecimento também.

Mas o Élson Melo, mestre Bessa, lembrou das Luctas Sociais, reeditando e ressuscitando o jornal. Esse rapaz, líder sindicalista, continua pobre mas rico de iniciativas libertárias. Acho que aprendeu com Antonio Gramsci, que o socialismo teria que evoluir para o marxismo criador, e que o conceito teórico, tem que refletir direto na práxis de uma realidade concreta e universal: a vida. Uma sociedade melhor, justa, equânime e fraterna.

O sonho não acabou, Ribamar Bessa. Você e o Élson, são dois desses poucos avatares ecossocialista, que ainda resistem a voragem desumana do capitalismo. Nesse conceito, certa vez na Bíblia, perguntaram pra Jesus, sobre os ricos acumuladores de poder e ouro, e o mestre respondeu: “ é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha......”.

Sendo assim, enrijecendo o braço em forma de banana, digo para a canalha dos sem memória e dos poderosos: “Taqui pra Ti”.



Alexandre Otto,
é escritor e Membro do Clube da Madrugada.

sábado, 20 de março de 2010

OBRIGADO E PARABÉNS RIBAMAR BESSA


UFA! Confesso que estou mais que lisongeado. Estou muito emocionado. Dizem que essas coisas não devemos apenas agradecer. O mais justo é parabenizar, então este Operário lascado agradece e parabeniza esse grande Amazonense José Ribamar Bessa por tudo que tem feito em prol da história dos Operários caboclos. Um forte abraço.

Elson de Melo - Sindicalista

Prezado Elson
Muito obrigado pelo convite. A distância e o trabalho me impedem de comparecer pessoalmente, mas com certeza meus pensamentos voarão para a Casa do Trabalhador no dia 29.
Estou encaminhando:
1. O taquiprati que publico amanhã, domingo, no Diario do Amazonas: Um blog chamado Lucta Social
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=852

2.Cadê a Lucta Social de 21 de maio de 2006
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=190

3. A Lucta Social 70 ano0s depois
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=728
Grande abraço

Sindicalismo em Tempo de Pandemia Covid-19

12 de julho, 2020 Por: Elson de Melo*   O governo aproveitou a pandemia para sufocar de vez o movimento sindical brasileiro. No dia 1º de ab...