terça-feira, 6 de novembro de 2018

Parabéns camaradas Guilherme Boulos e Sônia Guajajara


ELSON DE MELO
MANAUS, 06 DE NOVEMBRO DE 2018

Pela primeira vez uma candidatura a presidente da Republica do PSOL conseguiu articular uma aliança com setores onde o partido nunca conseguiu chegar - os movimentos sociais da periferia, a mídia alternativa, os indígenas e parte significativa dos movimentos culturais. Essa mobilização de forças vivas da sociedade foi determinante para que o PSOL conseguisse superar a Cláusula de Barreira e dobrar a sua bancada federal na Câmara dos Deputados. Boulos e Sônia foram a voz da periferia que ecoou pelo Brasil e no mundo apresentando ao povo brasileiro um novo projeto de nação onde o operário, a mulher, os índios, a negritude, a comunidade LGBT, os Sem-teto, os Sem-terra são os verdadeiros protagonistas da grande mudança que haveremos de fazer.

No próximo dia 8 de novembro, a Direção Nacional do PSOL vai reunir e fazer uma avaliação criteriosa sobre o resultado eleitoral, a conjuntura nacional e principalmente definir a estratégia do partido para os próximos períodos.

Na questão eleitoral, não podemos considerar apenas o resultado da votação nominal na nossa candidatura Boulos & Sônia, mas sim, o conjunto da obra. Não é novidade para ninguém que enfrentamos uma das eleições mais polarizada ainda no primeiro turno, onde a direita e o centro se uniram para realmente derrotar a esquerda ainda na primeira etapa da eleição, para isso, a onda do voto útil impediu que uma candidatura alternativa no campo da esquerda (Boulos &Sônia) conseguisse avançar eleitoralmente, pessoalmente assisti camaradas do próprio PSOL na véspera da eleição em duvida se votaria em Boulos, Haddad ou Ciro, não foram poucos que tiveram esse comportamento, felizmente a candidatura Boulos & Sônia realmente conseguiu dialogar  para ‘fora da bolha’ e conquistar a fidelidade dos movimentos sociais da periferia que foram determinante para assegurar os mais de 600 mil votos na chapa majoritária e a conquista da superação da cláusula de barreira.

No Amazonas a campanha Boulos & Sônia na pratica não existiu, a direção estadual do partido não encaminhou nenhuma ação coordenada que possibilitasse alcançar um melhor resultado, os 11090 votos foram resultado da campanha nacional sem nenhuma influencia de mobilização local uma vez que não existiu. A eleição do PSOL no Amazonas que a direção estadual encaminhou, limitou-se apenas na de governador, não existe registro de pelo menos a menção do nome do Boulos e Sônia pelos candidatos sejam eles majoritários ou proporcionais nos seus materiais de campanha. Não sei o motivo, mas o fato é que a direção estadual não encaminhou a campanha Boulos & Sônia no Amazonas.

Se considerarmos que a candidatura Boulos & Sônia mesmo sem nenhuma campanha organizada pla direção estadual conseguiu 11090 (onze mil e noventa) votos no Amazonas e a candidatura a governado da camarada Berg  conseguiu apenas 5433 (cinco mil quatrocentos e trinta e três) votos, foi um equivoco da direção estadual não organizar e dar a devida atenção a candidatura a presidente da Republica do partido, se houvesse um mínimo de vontade politica ou mesmo de discernimento sobre a importância do projeto nacional do PSOL, certamente, tanto a votação do Boulos como do camarada Berg seriam bem melhor no Amazonas, infelizmente a ausência de visão dos dirigentes local, nos levou a um resultado muito tímido diante da grandeza do projeto do PSOL.

Faço esse recorte sobre o resultado eleitoral no Amazonas, para chamar atenção dos nossos dirigentes, tanto local como nacional, da importância que devemos dar ao projeto nacional do partido. O PSOL é um partido que pela sua coerência politica, desperta muitos interesses particulares de pessoas, de grupos e até mesmo dos nossos adversários. Portanto, é preciso que a direção nacional atente para a qualificação politica das nossas direções estaduais e municipais, não podemos cair no senso comum da politica, precisamos afirmar e reafirma que o PSOL não é um partido qualquer.   

Sobre a coligação com o PCB. No Amazonas a direção estadual do PSOL resolveu por não fazer essa aliança a nível local, fato que eu particularmente acho lamentável, é fato que o PCB no Amazonas está passando por uma reformulação na sua direção, porém era muito importante que o partido fosse pelo menos convidado a participar da aliança, porém, os dirigentes locais vetaram peremptoriamente essa aliança. Achei isso um absurdo!

Os fatos ocorridos no Amazonas, ilustram o grau de dificuldade que a direção nacional teve que administrar desde a concepção da candidatura Boulos & Sônia até este momento de avaliação que certamente vai definir muitos encaminhamentos visando o fortalecimento do partido e a organização da resistência aos ataques que o novo governo e a direita já estão fazendo ao PSOL e os Movimento Sociais.

Já observei diversas avaliações sobre o resultado eleitoral do partido, os saudosistas da politica voltada para dentro da bolha, chegam afirmar que o resultado de 2014 foi mais relevante que os de 2018, isso é simplesmente uma leitura de quem não é capaz de avaliar com responsabilidade a conjuntura, de quem por diversas vezes flertou com a movimentação da direita, que deu asas a pedagogia politica da direita principalmente nas mobilizações pós-junho de 2013, movimento que até hoje eles usam como referencia para todas as suas analises.

Os partidos da esquerda socialista estão hoje na mira do autoritarismo, não foi uma simples ameaça as palavras do então candidato Bolsonaro e reafirmado depois de eleito que a sua preocupação principal é criminalizar o PSOL e os movimentos sociais MST e MTST, o fundamentalismo religioso tende a se acentuar, os direitos sociais sofrerão um grande retrocesso, a classe trabalhadora vai sofrer mais restrições nos seus direitos e a democracia está realmente na UTI.

Não é hora para brincarmos de analises inconsequentes, não temos tempo para o amadorismo, é preciso reconhecer que estamos entrando num ciclo de restrições do estado de direitos, onde não podemos negligenciar com a segurança da nossa militância, onde realmente ninguém pode soltar da mão do outro.

Chegou a hora em que os mais experientes contribuam com a nossa militância jovem para municia-las com informações sobre o que significa um regime de exceção, de como se comportar para não colocar todo o movimento em perigo, parece até um exagero da minha parte, mas é preciso se preparar para o pior. As maiorias das nossas direções estaduais e municipais ainda vejam o PSOL como mais uns partidos da ordem não entendem a complexidade de um partido da esquerda socialista que está exposto aos ataques da direita sanguinária.

Espero que o PSOL consiga dar continuidade ao projeto de reorganização da esquerda, onde o camarada Boulos e a camarada Sônia são as figuras publicas do partido que devem percorrer o Brasil juntos com a direção nacional debatendo o nosso projeto e consequentemente organizando o PSOL para os atuais e futuros desafios políticos.

Parabéns camaradas Guherme Boulos e Sônia Gujajara pelo excelente cumprimento da tarefa de apresentar o projeto de reorganização da esquerda na eleição de 2018, nossa tarefa não termina com as eleições, a luta está apenas no começo e é nossa responsabilidade fortalece-la até conquistarmos novas vitorias.

A luta Continua!

Elson de Melo, é militante do PSOL


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