terça-feira, 26 de junho de 2018

Esquerda no Amazonas e a disputa eleitoral majoritária no Estado


Elson de Melo
Manaus, 26 de junho de 2018

Em 1982 o PT com a candidatura do professor Osvaldo Coelho ao governo do Amazonas dava inicio ao projeto histórico da classe trabalhadora no âmbito da disputa eleitoral majoritária no Estado.

Até então, salvo melhor juízo, não existe registro que um partido de esquerda tenha lançado uma candidatura ao governo do Estado. Nesses 36 anos o PT, PSTU, PCB e PSOL já lançaram por diversas vezes candidaturas ao governo de Estado, porém, foram candidaturas apenas para marcar posição, nada que abalasse os alicerces da oligarquia local.

Nesse período os partidos tradicionais da esquerda PCB e PCdoB faziam o projeto da oligarquia comandado por Gilberto Mestrinho. Para esses partidos, essas alianças eram apenas estratégicas com o que eles classificavam de “burguesia nacional”.  Tempos depois, aquele PCB se transformou em PPS e PCdoB continua advogando a aliança útil. 

Passado 36 anos, os partidos de esquerda no Amazonas continuam flertando com a oligarquia e, nessa eleição travam uma luta interna para apoiarem uma das frentes da oligarquia local representadas por Amazonino Mendez-PDT, Omar Aziz-PSD, David Almeida-PSB e Wilson Lima-PSC.

Em recente entrevista ao blog “Radar Amazônico”, o candidato David Almeida (PSB) negou, que tenha aliança com o PCdoB ou outros partidos envolvidos na Lava Jato, no caso especifico, o “outro partido envolvido na lava jato” que se referiu, é o PT. 
  
É lamentável ver os dirigentes desses partidos se humilhando e mendigando espaço nessas coligações onde, até o PSOL não sei se por ingenuidade, ou conivência, entrou nessa onda de aliança útil.

No passado, era possível justificar que essas composições eram apenas "aliança estratégica com a burguesia nacional" para criar as condições objetivas de viabilizar o projeto histórico da classe trabalhadora de emancipação econômica, social e politica.

Hoje, porém, não existe mais espaço para essa desculpa, o que está ocorrendo de fato é uma total e irresponsável adesão ao projeto da oligarquia sem nenhum proposito social, econômico ou politico que não seja a manutenção de alguns mandatos de pessoas que na pratica pouco tem contribuído na organização da classe trabalhadora para viabilizar o seu projeto histórico.

O PSOL se afastou da ideia de apoiar David Almeida para lançar a pré-candidatura do camarada sindicalista Berg Barbosa atual presidente do Sindicato dos Bancários do Amazonas. No entanto, parece que a pré-candidatura estacionou no pré-lançamento feito pela US - Unidade Socialista, campo interno do partido que majoritariamente dirige o PSOL no Estado, a oficialização da pré-candidatura segundo decisão da Conferência Eleitoral Estadual, carece de confirmação do Diretório Estadual, organismo ao qual foi delegado a decisão de oficializar a candidatura majoritária a governo, essa demora, leva ao desgaste interno e externo a pré-candidatura, uma vez que sem uma definição do diretório, outras duas pré-candidaturas do professor Jevaldo Silva e da assistente social Marklize Santos embora não tenham nenhuma possibilidade de serem referendadas tanto pelo diretório. Como pela convenção, no momento confundem a a pré-campanha do Berg.

Por outro lado, não vejo nenhuma movimentação para buscar alianças com os outros partidos da esquerda PT, PCdoB e PCB forças politica que estão sendo rejeitadas por uma das frentes da oligarquia não por terem alguém envolvido na Lava Jato, mas sim, por serem partidos de esquerda.

A eleição suplementar de 2017 mostrou que a esquerda tem força suficiente para disputar em igualdade com a oligarquia o poder governamental do Estado do Amazonas, para isso, basta vencer o medo de enfrentar primeiro as nossas diferenças para unir os partidos em torno de uma única candidatura e segundo, definir um programa Amazônico que inclua toda a população amazonense no caminho da prosperidade, se nós conseguirmos enxergar essa possibilidade, com toda certeza, faremos muito mais pelo nosso povo do que fora feito nesses 36 anos de alianças eventuais com a oligarquia.

É momento de fazermos o projeto histórico da classe trabalhadora, de acreditar na luta do povo e vencer nossas diferenças estratégicas e táticas para unir a esquerda e mostrar que é possível mudar a politica no Amazonas.

VAMOS Sem Medo de Mudar o Amazonas!

Elson de Melo é militante do PSOL 

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