sábado, 12 de agosto de 2017

6º Congresso do PSOL Manaus e o futuro do partido no Amazonas

Elson de Melo
12/08/2017

Desde a sua fundação até 2013, o PSOL Amazonas teve suas atividades restritas a capital Manaus. Nesse período, estiveram a frente do Diretório de Manaus, as tendências de orientação Trotskistas CST – Corrente Socialista dos Trabalhadores e o MÊS – Movimento Esquerda Socialista.  A partir do ano de 2015 até os dias atuais, o diretório municipal de Manaus é dirigido por um bloco de tendências composto majoritariamente pelo MÊS (trotskista) e as tendências de orientação Marxistas Leninistas APS-NOVA ERA – Ação Popular Socialista e CRZ – Coletivo Rosa Zumbi. Recentemente o CRZ, anunciou a sua desvinculação com o bloco de tendências que dirige o partido na capital.

É evidente que a capital Manaus, é um território estratégico para o avanço do PSOL no Estado, no entanto, as práticas burocráticas e em certos aspectos extremamente sectárias dessas tendências homogenias na direção municipal de Manaus, tem inviabilizado a organização do partido na capital e a formação de novas lideranças do partido, como expressão popular capaz de vincular o partido as lutas do povo.

Por outro lado, o PSOL vem acumulando avanços significativos no interior, onde a presença dessas tendências é praticamente inexistente. Esse avanço teve início em 2013 com a organização da US – Unidade Socialista no Amazonas, naquele ano, a US assumiu a direção estadual do PSOL e passou a organizar as finanças do partido, estruturou a sede e reorganizou o partido nos municípios onde já haviam filiados, em 2014, lançou a candidatura do ex-deputado estadual Abel Alves, cujo desempenho foi o melhor da história do partido em eleições majoritárias no Estado, esse fator, deu visibilidade ao PSOL e impulsionou a organização do partido no interior.

Em 2015 o 5º Congresso do PSOL Amazonas, terminou empatado na disputa pela direção estadual, a solução foi dividir o mandato, o bloco de tendências MÊS/APS/CRZ dirigiram o partido no ano de 2016 e a US o ano de 2017 (atualmente no exercício do mandato).

Com a hegemonia na direção estadual e na municipal de Manaus, o bloco de tendências MÊS/APS/CRZ, priorizaram a eleição de prefeito na capital, para tanto, promoveram o desmonte da sede do partido, ignoraram os diretórios municipais do interior e se lançaram em uma aventura suicida de lançar uma candidatura sem expressão popular que mais uma vez, só gerou depressão a muitos militantes no final da eleição devido o fracasso do resultado. Para tentar salvar alguma coisa da eleição, a US embora sem estrutura, se engajou na campanha da capital e socorreu como pode as candidaturas do partido nos municípios do interior, com muito sacrifício elegemos um vereador em Benjamin Constant.

No início deste ano, janeiro de 2017, a US assumiu a direção estadual do PSOL. Para surpresa, a direção anterior não promoveu a transição. Sem informação e sem recursos financeiros, a nova direção foi atrás das informações e do material físico do partido, para complicar, a direção anterior não prestou conta com a nova direção e muito menos com a Justiça Eleitoral no tempo hábil. Mesmo sem recursos do fundo partidário, a nova direção reorganizou a sede do partido e deu prosseguimento ao apoio as direções municipais do interior. Hoje o PSOL voltou a ter sede onde em parceria com outras Entidades desenvolve atividades de formação profissional.

Já em plena organização da estrutura física do partido, veio a convocação da eleição suplementar no Amazonas. A nova direção resolveu encaminhar o debate para o conjunto do partido em todo o Estado. Em Manaus todas as tendências participaram dos debates e no interior a maioria dos diretórios discutiram e encaminharam os seus posicionamentos que, na Convenção, o conjunto do partido por maioria absoluta resolveu pela coligação com a Rede Sustentabilidade que indicou o candidato a governador – Luiz Castro e o PSOL lançou o candidato a vice – João Victor Tayah.

Sem entrar no mérito de uma avaliação mais detalhada sobre o resultado, é unanime que foi acertada a decisão do PSOL de coligar com a REDE, não só pelo resultado eleitoral, mas pelo desempenho pessoal dos dois candidatos, pela forma solidária como os dois partidos se comportaram, o envolvimento da imensa maioria da militância do PSOL na campanha e, principalmente pela conquista de novos militantes e o alto índice de solicitação de novas filiações ao partido em todo o Estado. Ao final da campanha, a militância saiu vibrante e entusiasmada para enfrentar novos desafios, talvez esse fato, seja o melhor resultado para o PSOL.

O 6º Congresso do PSOL Manaus, precisa debater com profundidade, temas importantes para o crescimento do partido na capital e os reflexos desse crescimento nos demais Municípios do Estado. Essa temática envolve dentre outros; a presença da militância nos movimentos sociais, a organização das lutas do povo, uma educação política voltada para formação de novas lideranças, o engajamento dos/as filiados/as nas suas entidades de classe (sindicatos e associações), o financiamento da estrutura do partido, a massificação da comunicação do partido junto a sociedade, o exercício da democracia interna como instrumento de controle da disciplina partidária, e principalmente  a organização e funcionamento dos núcleos de base e setoriais do partido.

A Unidade socialista entende que a direção municipal do PSOL na capital, deve ser o principal instrumento agitador do partido, responsável pela organização das manifestações do povo, da propaganda do partido na capital, do encorajamento e mobilização da militância, da formação política, da organização dos núcleos de base, da organização das oposições sindicais...para isso, precisamos de uma direção desburocratizada, sem sectarismo, que não confunda esquerda com esquerdismo e seja capaz de priorizar a política estratégica do partido.

Uma direção aberta a recepcionar e se responsabilizar pelos novos filiados, entendendo que o PSOL pela expressão popular que adquiriu nos últimos tempos, sua principal tarefa é ampliar o seu quadro de filiados/militantes e a sua inserção no seio da sociedade como um partido socialista de massa e popular.

O futuro do PSOL no Amazonas, passa por uma direção menos dogmática burocrática, mais dinâmica e comprometida com o projeto estratégico do partido.

Por um PSOL socialista de massa e popular!

Eelson de Melo é militante do PSOL.

  

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