quinta-feira, 2 de março de 2017

50 Anos da Zona Franca de Manaus: onde está o legado de meio século de exploração da mão de obra cabocla?

ESCRITO POR ELSON DE MELO
QUINTA, 02 DE MARÇO DE 2017

Passados meio século de implantação da Zona Franca de Manaus, o Amazonas experimentou nessas cincos décadas uma total ausência de políticas públicas no interior do Estado e um grande desconforto social na capital.

Nesse período de meio século, muitos trabalhadores empregaram sua força de trabalho para assegurar lucros astronômicos as empresas do agora PIM – parque industrial de Manaus, inclusive esse escrevente, a minha geração que trabalharam nas três primeiras décadas não eram operários, éramos todos trabalhadores da agricultura que migraram do interior para capital empurrado pelo fim do ciclo da juta,  e total falta de alternativa econômica nos Municípios amazonense e parte do Pará,  viemos para Manaus em busca do sonhado ‘Eldorado’ que a propaganda oficial fazia questão de apregoar aos quatro cantos da Região.

Aqui chegando, fomos inseridos no processo produtivo das empresas sem nuca sequer saber o que era o chão de fábrica e uma linha de produção, como o processo produtivo era apenas de montagem de produtos pré-fabricados em outras fábricas fora de Manaus, não foi difícil a nossa adaptação, cujo resultado fora uma produtividade de dar inveja a qualquer sistema industrial do mundo.

Na década de oitenta e início da de 90, começamos a desenvolver a consciência operária e exercer o poder da mobilização para reivindicar os nossos direitos, em 1983 conquistamos a direção do maior Sindicato – o dos Metalúrgicos. Dentro dessa conquista, estava a esperança de um grupo de Jovens sonhadores dentre tantos estava esse escrevente com [Elson de Melo] com apenas 25 anos, Ricardo Moraes, Simão Pessoa, Carlos Lacerda, Magno Frazão, Antonia Priante (falecida) Suely Aquino (falecida) Marinho (falecido) Alberto, Francisca, Jonacy, José Raimundo, Izabel Alegria, Bibe, Elias Sereno, Silvestre, Chico Fera, Sr. Elias, Ana, Rosenilda Oliveira, Amiraldo. Francisco Siares (Bill) e Divaldo Pastana. Em 1985 fizemos a primeira e maior greve geral da Zona Franca de Manaus.   

Da terceira década em diante, começou a primeira geração de operários, esses já formados dentro da disciplina rígida das empresas, com um grau de escolaridade mais elevado e com maior obediência as políticas de controle de pessoal impostos pelas empresas, acoplado a esse rígido controle, está o fantasma do desemprego, uma direção do maior Sindicato – o dos Metalúrgicos hoje totalmente controlado pelos empresários e mergulhado em corrupção de toda natureza, isso impede que essa primeira geração de operários fortaleça a sua consciência de classe e em muitos caos, se obrigam a sofre calado as estafantes jornada de trabalho importas pelas empresas.

Essas jornadas estafantes, vem submetendo esses operários a uma epidemia de doenças profissionais que já afeta mais de 30% (trinta por cento) do operariado da Zona Franca de Manaus. São homens e mulheres jovens que sofrem constrangimentos nos centros de saúde de Manaus onde a maioria são submetidas a cirurgias para tentar de controlar as consequências das doenças como LER/DORT no seu sistema nervos e o que é pior, sem mínima esperança de retomar a sua vida normal, a maioria vão ficar com sequelas para o resto da vida.

O Parque Industrial da Zona Franca de Manaus, é um dos mais modernos do mundo, aqui os operários/as, operam equipamentos e maquinas de última geração a um ritmo de trabalho dos mais cruéis que um ser humano é submetido, nesse sistema, se a medicina não fosse controlada pela brutalidade do capital, os Conselhos Médicos e de outros profissionais ligados a saúde ocupacional, já haviam pelo menos recomendado a redução da jornada de para uma carga horária menor que as 44 horas semanais e 8  horas diárias hoje praticadas.

Na semana em que a Zona Franca completa 50 anos, todos os comentários são de exaltação as empresas pelos seus fabulosos lucros aqui ampliados ano pós ano e a Suframa que em todos os tempos, funciona como o grande órgão de desenvolvimento da Região e que nada desenvolve. Não vimos um reconhecimento aos trabalhadores, isso mostra que para o capital, suas maquinas são muito mais valiosas que os trabalhadores que as operam.

O legado de meio século de Zona Franca de Manaus, está nas notícias diárias de mais violência na cidade, na falta de moradia digna para a classe trabalhadora, na precariedade da mão de obra, no sistema de transporte urbano caótico, no péssimo salário pago para quem produz a riqueza da ZFM, na falta de perspectiva a que o povo amazonense está submetido caso esse modelo venha a se esvair da cidade e o que é pior, a população ainda tem que aturar governantes de quinta categoria surrupiando o que resta de riqueza nos cofres do Estado. Legado positivo, só para as empresas que levam para seus países de origem milhões de dólares.

Parabéns aos trabalhadores e trabalhadoras do PIM que dão o sangue em forma de suor para garantir lucros fabulosos as empresas. A eles toda hora e toda gloria!



Elson de Melo é dirigente do PSOL Amazonas    

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