quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A coalizão da maldição da rodela e esquerda no Amazonas

ESCRITO POR ELSON DE MELO
QUINTA, 20 DE OUTUBRO DE 2016

Imagem: Blog do Rochai
Batizado pelo saudoso Senador Evandro Carreira de ‘Maldição da Rodela’, o grupo criado por Gilberto Mestrinho em 1982 quando foi eleito Governador do Estado e depois da sua morte sucedido por Amazonino que comanda a politica amazonense há mais de trinta anos, agora está em disputa quem será o próximo comandante? Eduardo Braga e Omar Aziz estão disputando nos bastidores quem ocupara o lugar do ‘Mau Menino’ quando ele bater as botas. Omar ganhou o apoio do ‘Negão’ que nesta semana declarou apoio ao seu mais novo rebento Marcelo Ramos.

É sempre assim, eles agem sorrateiramente cooptando quem se destaca eleitoralmente, não importa a origem ideológica, para eles, o dinheiro ou promessa de poder é a melhor forma de convencer seus alvos. Não são poucas as vítimas que acreditaram no conto da eleição fácil que pagam um preço muito alto por se alinharem a esse grupo, vamos enumera-las: Artur, Serafim, Eron, Vanessa, Praciano...só para lembrar alguns. Todos são dependentes desse grupo, eles não representam nenhum outro projeto que venha comprometer a hegemonia da ‘maldição da rodela’.

O interessante que o maior fornecedor de vítimas são os partidos de esquerda, PSB, PCdoB e PT. Porque será? Não são poucas as variantes, mas a principal é evitar que alguém de fora da ninhada se estabeleça como uma liderança política autêntica como alternativa autônoma para o povo amazonense.

É claro que eles sempre contaram com a boa vontade dessas vítimas, que, por vaidade e interesse particular, não contaram até três para se submeterem ao ‘trenzinho’ da prosperidade pessoal e repentina.

Certamente para eles, no campo da esquerda, o trabalho para se firmar como uma liderança expressiva e confiável é muito criterioso, se dedicar a estudar a realidade numa perspectiva transformadora é o passo que a maioria dos novos militantes no campo da esquerda, não conseguem alcançar, é o efeito da teoria pós-moderna que nega a narrativa da história e além de aliena-los ideologicamente anda os leva a ignorarem o estudo dos clássicos e aprender com a história da luta dos socialistas, a construir um bloco histórico fora da ordem capitalista, capaz de construir uma outra civilização.

Nossa geração se acostumou a viver a inercia que o sistema capitalista determina, onde, ou você fica conformado com a situação, ou vira um esquerdista apenas contestador, sem proposito claro, com um individualismo extremo, geralmente fala em revolução, mas é um imediatista, que age por impulso, não planeja e nem organiza nada, é um esquerdista de dogma, sem causa e sem rumo.

As constatações aqui narradas, mostra que para os grupos dominadores, é mais fácil cooptar lideranças potenciais na esquerda que por necessidade de afirmação pessoal, essas potenciais lideranças são presas dóceis para eles. Assim  é mais fácil coopta-los a ter que investir grandes recursos para preparar suas próprias lideranças. Essa é a lógica da oligarquia que domina a política amazonense há séculos.

Essa eleição de 2016 teve um importante componente no resultado final; a quebra da hegemonia do PT na esquerda socialista, por outro lado, vimos o PSOL ampliando a sua representatividade no campo da esquerda em todo território nacional e a total ausência dos demais partidos ideológicos (PCB, PSTU e PCO).

O significado desse desempenho positivo do PSOL é, a enorme tarefa que temos de preparar o partido para acolher um número significativo de militantes dos movimentos sociais, sindical, intelectuais e novos simpatizantes que migrarão para o PSOL.

O PSOL é o único partido no Amazonas capaz de conduzir as transformações sociais que o nosso povo precisa, para tanto, o partido necessita de um maior e melhor dinamismo, estudar de forma cuidadosa a nossa realidade, promover a formação de novas lideranças tanto no campo político partidário, como nos movimentos sindicais e sociais, expandir a organização do partido em todos os Municípios e desenvolver uma pedagogia que viabilize diálogos positivos com a sociedade.

Como membro da unidade Socialista, campo majoritário do PSOL, antecipo as boas-vindas a nova militância que virá, esperando que a nossa somatória seja a primeira vitória de muitas outras conquistas que haveremos de alcançar.


Elson de Melo é militante do PSOL

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