quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Carta de Karl Marx a Ludwig Kugelmann

COMENTÁRIO ESCRITO POR ELSON DE MELO
QUINTA, 21 DE SETEMBRO DE 2016

A história das inúmeras lutas que os trabalhadores travaram e continuam a travar contra a exploração capitalista, não são apenas obra do “acaso”, mas consequência de diversos fatores que a depender dos interesses, podem ser vitoriosas ou simplesmente derrotadas. Marx nessa carta, responde um bilhete que Kugelmann havia enviado a ele em 15 de abril de 1871, alegando o seguinte: “Novamente, a derrota subtrairá, por longo tempo, aos trabalhadores os seus dirigentes, desgraça essa que não pode ser subestimada. Pelo momento, parece-me que o proletariado necessita mais ainda de esclarecimento do que luta, travada com armas nas mãos. Atribuir o fracasso a esse ou àquele acaso não significa incidir nos mesmos erros de que são, tão contundemente, reprovados os pequeno-burgueses, no “18 Brumário”?”. Em tempos de derrotas dos socialistas no Brasil, onde inúmeros fatores devem ser observados, é sempre bom recorrer a história para avaliar com justeza, quais as ações que contribuíram para o fracasso, bem como seus atores, não se tratam de caçar culpados, mas de identificar praticas que comprometeram o avanço que poderíamos alcançar.  Confira a carta abaixo. Boa leitura.
  
Londres, 17 de abril de 1871

Caro Kugelmann,

Recebi devidamente sua carta. No presente momento, tenho as mãos repletas de coisas para fazer.

Por isso, eis aqui apenas poucas palavras.

A meu ver, é inteiramente incompreensível como você pode comparar as manifestações pequeno-burguesas, à la 13 de junho de 1849 etc., com a atual luta que se trava em Paris.

A história mundial seria, de fato, muito fácil de fazer, se a luta fosse assumida apenas em condições de chances infalivelmente favoráveis.

Por outro lado, seria de natureza muito mística, se os “acasos” não desempenhassem papel algum.

Naturalmente, esses acasos mesmos precipitam-se no curso geral do desenvolvimento e são, novamente, compensados por outros.

Porém, aceleração e atraso são muito dependentes desses “acasos” – entre os quais figura também o “acaso” do caráter daqueles que, primeiramente, encontravam-se à cabeça do movimento.

Desta vez, o “acaso” decisivamente desfavorável não deve ser, absolutamente, procurado nas condições gerais da sociedade francesa, mas sim na presença dos prussianos na França e na posição destes, bem diante de Paris.

Disso, os parisienses estavam muito perfeitamente conscientes.

Entretanto, também os canalhas burgueses de Versalhes sabiam disso.

Por isso mesmo, colocaram os parisienses diante da alternativa de assumirem a luta ou sucumbir sem luta.

Nesse último caso, a desmoralização da classe trabalhadora seria uma desgraça muito maior do que a perda de um número qualquer de “dirigentes”.

A luta da classe trabalhadora contra a classe capitalista e seu Estado ingressou em uma nova fase, precisamente por meio da luta, travada em Paris.

Seja lá qual for o resultado imediato da questão, fato é que um novo ponto de partida de relevância histórico-mundial foi alcançado.

Adio,

K.M.       

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