domingo, 10 de julho de 2016

Por uma esquerda que conheça a sua história e fundamentos

ESCRITO POR ELSON DE MELO
DOM. 10 DE JULHO DE 2016
E-mail: elsonpmelo@gmail.com

Passou a ser comum no âmbito da esquerda, ouvir e ver pessoas que se apresentam como socialistas fazerem afirmações e até defesa de “um novo socialismo, um outro socialismo é possível, por uma nova esquerda...”. De onde vem esses argumentos? Qual a base cientifica e prática que os leva a proferirem esses jargões? De onde vem e para ode vão esses propagandistas do pensamento eclético que sempre sustentou o liberalismo ao longo da história? O certo é, que, a maioria desses confusos esquerdistas, ou não conhecem, ou negam deliberadamente a história da esquerda socialista no mundo, na verdade, são vendedores de concepções liberais tingidas de socialistas.

Não e de agora que esses ativistas se esquivam de assumir o comunismo como forma de sociedade onde os meios de produção são coletivos, e, por isso, ignoram a base cientifica do socialismo e renegam ao esquecimento a teoria marxista como método dialético de transformação social e econômico. A luz da história, essa batalha teórica no âmbito da esquerda socialista, vem de longe, parte por avaliações equivocadas da conjuntura, parte pelo proposito de apenas reformar o capital e manter os privilégios dos teóricos revisionista e oportunista. A mais conhecida nitidez dessa disputa, foram a concepção dos mencheviques contra os bolcheviques no seio do Partido Operário Social Democrata Russo – POSDR.

O deslocamento teórico de um projeto pratico de sociedade socialista, para diversas outra nomenclatura, sem teoria revolucionária, desorienta parte da militância da esquerda socialista, e os transformam, em apenas ativistas reformistas, dogmáticos e imediatistas. O mais inconsequente desse proposito, está no fato, de essas tendências reformistas, valerem-se de uma ótica baseada em um esquerdismo ultrarradical, com leitura de conjunturas pré-revolucionária subjetiva e sem nenhum compromisso pratico de transformação social em direção ao socialismo.

A tradição dos partidos da esquerda socialista manda que a sua organização, seja uma escola de formação ideológica, filosófico e política, deve o mesmo adotar uma pedagogia capaz de dotar seus componentes de conhecimento sobre as leis do desenvolvimento do capitalismo e as vias de chegada ao socialismo e ao comunismo, onde os militantes devem aprender que a luta é de classe, que a correlação de força se dá na relação capital e trabalho, ou seja no modo de produção da sociedade capitalista.

O processo revolucionário não é um proposito sem objetivos, é em função dos objetivos que se organiza um partido político, cuja função é dinamizar a luta política e disputar os espaços institucionais no âmbito do estado burguês. Compreender essa dinâmica é fundamental para que cada militante, entenda qual é a sua vocação e o papel que melhor pode desempenhar para contribuir e alcançar esses objetivos.

No Brasil e no mundo, estamos vendo uma grande ofensiva ideológica do capital, as guerras que provocam milhões de refugiados em todo mundo, usa o fundamentalismo como seu principal pretexto, para que o imperialismo, se aproprie das riquezas naturais dos territórios em litígio. Entender essa realidade, só será possível, se pelo menos a vanguarda dirigente dos partidos socialistas e comunistas, forem capazes de retomar o processo histórico através da leitura de como acontece a exploração do homem pelo capital e a luta inconciliável pelo controle dos meios de produção (terra, maquinas...).

O Manifesto do Partido Comunista nos ensina que:
A história de todas as sociedades até o presente é a história das lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, membro de corporação e ofícial-artesão, em síntese, opressores e oprimidos estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora dissimulada, ora aberta, que a cada vez terminava com uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou com a derrocada comum das classes em luta. ”.

Os ecléticos, fazem questão de passar ao lado dessa história, tentam esconder a luta de classe entre explorados e exploradores, para tanto, os ecléticos exploram fragmentos de teses e documentos para compor um pensamento sem objetivos claros, mas pintados de um esquerdismo voluntarioso e desprovido de estudo da realidade objetiva e de um projeto de superação do capital e a conquista da sociedade socialista e comunista.

Com essas teorias compostas de fragmentos, eles conseguem confundir parte da vanguarda que reivindica a luta pelo socialismo, são diversionistas e burocráticos ao extremo. Assim, os partidos socialistas, dedicam um tempo precioso em lutas internas, enquanto o conservadorismo, amplia sua hegemonia, impondo sua ideologia e prolongando a exploração capitalista.

É urgente que a esquerda socialista, reassuma seu papel na história, tendo como prioridade o aprofundamento do conhecimento das relações de produção e os caminhos para o socialismo e o comunismo.  Para tanto, a educação política a luz do materialismo histórico, se faz necessário. Uma esquerda socialista consequente, não pode prescindir dos estudos marxista-leninista.

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