quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Poesia: Tributo ao Rio Doce

"A água verde do rio se misturou com a lama até tudo ficar marrom. Os moradores estavam chocados, tentando ajudar de alguma forma", conta Leonardo, sobre o momento em que a mancha se espalhou por 10 km de praias na foz do rio.

A narrativa acima é o atestado de óbito do Rio Doce.

O registro através da poesia, foi a forma que encontrei, para manifestar toda minha indignação com a tragédia provocada pelas mineradoras  Samarco, a anglo-australiana BHP Billiton Brasil Ltda. e a Vale do Rio Doce S.A e com a forma conivente que o governo Dilma/Lula-PT-PMBB, está tratando a maior Tragédia Ambiental do Mundo!

Elson de Melo

TRIBUTO AO RIO DOCE
Elson de Melo

O Rio Doce está morto!
Foi assassinado pela fúria do capital.
Os peixes que lá nadavam
Morreram sem saber de que.
As águas que eram doces
Viraram lamas, amargas, fétidas e travosas.
As pessoas que contemplavam
Fugiram sem saber pra onde.
No Brasil e no mundo
Crime ambiental é apenas um desastre.
Não existe réu, não existe dolo.
Existe apenas o consolo das multas milionárias.
Quem pode pagar, pode continuar a matar.
Matar pessoas, rios, florestas e qualquer forma de vida.
Ao governo um sobrevoou basta
A missão está cumprida e a tragédia entendida
Vale a desculpa dos criminosos e o silencio da impunidade
Aos índios, ribeirinhos e pescadores, cabe o lamento e o desespero!
O operário faz protesto para manter o trabalho
O bombeio tenta o resgate dos corpos não encontrados
O povo assiste calado, inerte, como se nada tivesse ocorrido.
E o poeta triste e indignado se afronta.
Lança seus versos ao tempo
Estufa o peito e brada ao mundo o seu protesto!
Contra a inércia e conivência com o crime dos que governam
Inconsolado declama em prantos o seu eu tributo aos que morreram e
Conclama a lutar pela vida, os que sobreviveram.