sábado, 18 de outubro de 2014

As classes subalternas as eleições 2014 e as tarefas do PSOL



Por Elson de Melo*

 “Os homens amam de acordo com seu próprio arbítrio, mas temem segundo a vontade do príncipe; portanto, o príncipe sábio deve apoiar-se em meios a seu próprio alcance, e não no que depende do poder alheio.” (Maquiavel em: O Príncipe)

Estamos há poucos dias da eleição em segundo turno. O resultado do primeiro turno mostra que a calasse dominante mantém sua hegemonia no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Governos Estaduais. Agora o povo brasileiro vai ter que se contentar em escolher entre dois pratos requentados servidos pela classe dominante. Dilma e Áecio representam o mesmo projeto de dominação que impera no Brasil há séculos.

Essa constatação leva-nos a refletir sobre o papel da esquerda socialista brasileira na organização das classes subalternas (trabalhadores) tendo como principio o projeto socialista de organização social.

“A história de toda sociedade até aqui existente é a historia da luta de classe” (Marx e Engels em: Manifesto Comunista)

O primeiro passo do militante da esquerda socialista é entender com clareza essa contradição entre classe dominante (burguesia) e classe subalterna (trabalhadores), ou seja, de um lado estão os patrões (burgueses) que exploram o trabalho dos trabalhadores dos setores primários (rurais), secundário (indústria) terciário (comercio e serviços) além de desempregados, subempregados. É nessa relação de trabalho que consiste a luta de classe, de um lado os empregadores que compram a preço geralmente baixo a mão de obra do trabalhador, de outro estão os trabalhadores que vendem a sua força de trabalho a custo extremamente baixo. Os patrões aferem lucros exorbitantes e vivem em condições de conforto e esbanjamento, controlam os governantes e toda estrutura do Estado burguês, já o trabalhador, esse na imensa maioria vive lascado com salário baixo, falta de estrutura para dar uma boa qualidade de vida para sua família e são submetidos a politicas compensatórias que os governos burgueses lhes oferecem como é caso do ‘bolsa família’.

Uma vez entendendo essa relação de interesses antagônicos, é possível definir uma estratégia de ação para que a classe subalterna seja a protagonista de sua própria história. Para tanto, temos que ampliar a organização dos trabalhadores nos seus locais de trabalho, no seu Sindicato e estimular sua participação na política partidária, esses espaços são de grande valia para que o trabalhador venha a tomar consciência de classe passo importante para que a luta econômica e política se completem e avance na formação de um bloco histórico capaz de contrapor a hegemonia da classe dominante.

“A história de qualquer classe não pode ser escrita se a isolarmos de outras classes, do Estado, das instituições e ideias que fornecem sua estrutura, de sua herança histórica e, obviamente, das transformações das economias que requerem o trabalho assalariado industrial e que, portanto, criaram e transformaram as classes que o executam” (Hobsbawm em: Mundos do Trabalho)

É de muita importância que os partidos da esquerda socialista, busquem superar uma serie de obstáculos internos para se firmarem no terreno externo, para tanto, é necessário um em estudo detalhado do caráter revolucionário das classes subalternas dentro do atual contexto social. Essa tarefa não pode pertencer a um único partido, pois envolve tempo e recursos material, financeiro e humano, acho importante a criação de um grupo de trabalho para organizar uma metodologia capaz de diagnosticar detalhadamente os fatores econômicos, sociais, filosóficos e organizacionais relevantes para construirmos um dialogo autentico com os trabalhadores brasileiros.

Entendo que a posição de neutralidade do PSOL nesse segundo turno da eleição, foi o mais acertado, porem, quando tentam diferenciar as duas candidaturas passa a coonestar (dar aparência honesta, honrada a)  com tudo que foi e está errado nos governos do PSDB e PT há duas décadas, uma vez que a única diferença desses dois grupos está no aporte financeiro feito por empreiteiras (Andrade Gutierrez, Camargo Correia, Queiroz Galvão..., Bancos e outras empresas) onde muitas delas estão envolvidas em denuncias de praticas delituosas de subornos e propinas. Para os nós socialistas a eleição terminou no primeiro turno e o resultado embora animador, ainda é muito tímido diante das necessidades do nosso povo. Nesse caso, vale a citação de Maquiavel acima .

Acho mais positivo, assumirmos desde logo uma posição mais contundente de denuncia desse modelo político corrupto, da instrumentalização da maquina estatal por parte dos governantes para ofuscar os partidos da esquerda socialista e principalmente a cooptação das instituições estudantis, sindicais e populares para servirem como escudo de praticas antidemocráticas promovido por governantes do PT e PSDB.

No Amazonas, em breve o PSOL estará apresentando aos seus filiados u plano de formação política que ofereça aos mesmos, conteúdos que sirvam como instrumento de conscientização e sensibilização da importância de aprofundarmos uma pratica mais consequente na luta diária de cada militante visando organizar e mobilizar as classes subalternas. Aguardem!

*Elson de Melo é Presidente Estadual do PSOL Amazonas
     

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