terça-feira, 22 de maio de 2012

Mészáros: o partido como ferramenta de luta ofensiva dos trabalhadores

DEMETRIO CHEROBINI, CORREIO DA CIDADANIA  
    
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
Mario Benedetti

Nos últimos anos, com as manifestações mais explosivas da crise do capital, muitas foram as tentativas de construção de mediações de combate que possibilitassem aos trabalhadores do mundo realizar reivindicações de variados tipos. Diversos foram os países em que homens e mulheres saíram organizadamente às ruas para questionar uma multiplicidade de acontecimentos, entre eles o fato de que as decisões fundamentais, de cunho político, econômico e social, que afetavam diretamente suas vidas, estavam sendo tomadas à revelia de suas vontades (1). Até mesmo o Brasil, guardadas as devidas proporções, foi palco para o pronunciamento de numerosas vozes, que, descontentes, clamavam por melhores condições de existência (2).

Essas organizações desempenham uma tarefa verdadeiramente árdua e indispensável: tomam ruas, ocupam praças, elaboram modos criativos de protesto, montam piquetes, pressionam, fazem agitação, enfrentam a repressão violenta do Estado, executam princípios de uma ação que se pode considerar como negativa em relação a essa ordem na qual a dinâmica sócio-metabólica se desenvolve sem que os sujeitos que a sustentam tenham a possibilidade de dar a ela um rumo consciente e coletivamente planejado.

A grande limitação de tais movimentos - e este é o seu calcanhar de Aquiles - é que são incapazes de transcender a ação meramente negativa (ou defensiva) e avançar no sentido de afirmar, na prática e em escala de massa, uma nova forma de regulação do metabolismo social que aponte para a superação definitiva do complexo contraditório do capital enquanto controlador fetichista e destrutivo da atividade produtiva humana.

Portanto, por mais valorosas que possamos considerar essas mediações, devemos forçosamente concluir que elas precisam, para levar suas batalhas adiante, até as últimas conseqüências, orientar-se de maneira ofensiva contra o capital. E esse salto programático só pode ser efetuado se os trabalhadores souberem fazer bom uso do instrumento cuja tarefa essencial é a de organizar as lutas de classes de uma forma em que se consiga ir além das reivindicações concernentes aos interesses parciais (econômicos) dos diversos setores da classe e, conseqüentemente, colocar em questão a própria relação antagônica - uma relação que é política, isto é, que envolve poder - existente entre capital e trabalho, que permeia a classe como um todo.

Esse instrumento de que estamos falando é o partido (3). A atribuição específica do partido é a de, justamente, politizar as lutas econômicas dos trabalhadores, ou seja, tornar-se veículo para que a consciência proletária ultrapasse o nível da particularidade e atinja o da totalidade concreta acerca do ser da sociedade na qual estão inseridos e que atualmente é controlada pelo sistema do capital. Numa palavra: o partido deve servir de mediação entre a classe revolucionária e a consciência revolucionária (4).

Para tanto, o partido necessita ter a melhor preparação teórica e política possível - profissionalizar-se, em todos os âmbitos da práxis revolucionária -, ao mesmo tempo em que se mantém organicamente vinculado às fileiras proletárias. Ele não é, nesse contexto, o causador da revolução, mas a ferramenta dialética que ensina e aprende com os trabalhadores e que lhes possibilita apreender concretamente as múltiplas determinações sócio-metabólicas que afetam as suas existências.

Comprando diariamente as lutas da classe trabalhadora, inserindo-se em seu interior, realizando denúncias sobre as arbitrariedades do capital, fazendo agitação político-ideológica, usando as palavras de ordem adequadas, educando e preparando material, tática e estrategicamente as massas para a atividade revolucionária – as batalhas ofensivas com o fim de formar mediações alternativas de regulação da produção -, o partido se converte em elemento efetivo de emancipação.

O partido não pode, portanto, em hipótese alguma, permanecer a reboque das causas economicistas dos trabalhadores, mas sim buscar a elevação da consciência das massas a partir da conjugação de ações negativas e afirmativas em todos os espaços passíveis de intervenção política.

Sua própria forma de constituição interna, nesse contexto, precisa ser prenunciadora de uma formação social qualitativamente superior. Organização e orientação estratégica são, aqui, duas faces de uma mesma moeda. Isso quer dizer, em outras palavras, que as mediações alternativas da luta proletária – partido incluso - não podem se estruturar de uma maneira que reproduza a lógica de funcionamento sócio-metabólico do capital – um modo de controle hierárquico e fetichista da atividade produtiva.

A proposta da ofensiva socialista de que fala Mészáros exige dos interessados na superação do sistema esforços para a efetivação progressiva, já no presente, de um tipo de organização diverso do que está posto pela realidade alienante do capital.

Notas:

(1) O ano de 2011 foi marcante nesse sentido. Para uma boa leitura acerca de tais acontecimentos, vale a pena conferir a entrevista de Ricardo Antunes para Valéria Nader e Gabriel Brito, “Luta pelos direitos do trabalho é hoje vital diante da crise cabal do capitalismo”, Correio da Cidadania, 08/09/2011, disponível em http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6262. Como explica o sociólogo brasileiro, ainda que cada uma dessas manifestações tenha tido a sua singularidade, todas elas revelam um traço comum: expressar um profundo descontentamento em relação à ordem em que se inserem - ordem esta marcada, de uma forma ou de outra, pela grave crise do capital.

(2) Sobre esse ponto, é útil ler o bom artigo de Fernando Marcelino “Quatro lições sobre a nova dinâmica da luta de classes no Brasil”, Correio da Cidadania, 17/02/2012, disponível em http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6816:submanchete140212&catid=25:politica&Itemid=47. Ressalte-se, ainda, nesse contexto, o fato de que, entre os anos de 2009 e 2010, houve 964 greves no Brasil.

(3) Apesar de não ser um tema central de sua vasta obra, Mészáros afirma que os partidos podem ser mediações efetivas nas lutas de classes a favor dos trabalhadores. Apresentamos algumas de suas concepções a respeito num pequeno artigo, “Por um partido socialista de orientação estratégica ofensiva: notas a partir de István Mészáros”, Correio da Cidadania, 18/11/2011, disponível em http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6526&Itemid=79.

(4) Mészáros usa o termo – retirado d’A ideologia alemã – consciência socialista de massa para se referir à consciência revolucionária dos trabalhadores. Esse tipo de consciência deve dar conta de compreender não somente o que precisa ser negado pela práxis transformadora – o sistema de mediações do capital -, mas, também, fundamentalmente, aquilo que necessita ser afirmado em seu lugar, a comunidade dos homens e mulheres que regulam, de forma consciente e autônoma, o metabolismo social humano.

Demetrio Cherobini é cientista social, doutorando em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina.

domingo, 20 de maio de 2012

O caso do mensalão: até quando ficará impune?

POR CORREIO DA CIDADANIA 
ESCRITO POR FREI MARCOS SASSATELLI 

Essa turma está até hoje impune!
No meu artigo “A máscara rachou e a corrupção vazou”, do final do mês de abril, depois de falar do escândalo Carlinhos Cachoeira, procurei mostrar que os casos de corrupção são simples vazamentos de um sistema sócio-econômico, político, ecológico e cultural corrupto. A corrupção não é só pontual, mas é sobretudo sistêmica e estrutural. Por isso precisamos combater os casos de corrupção e, ao mesmo tempo, abrir caminhos novos para a superação desse sistema corrupto, iníquo, desumano e antiético.

No presente escrito, quero retomar o caso do mensalão, que é um velho vazamento do sistema corrupto em que vivemos e que, parece, caiu no esquecimento. Assistimos hoje ao cúmulo do oportunismo e da hipocrisia: diversos políticos dão apoio à apuração do caso de corrupção Carlinhos Cachoeira para encobrir ou esquecer o caso de corrupção do mensalão. Precisamos combater toda e qualquer prática de corrupção, venha de onde vier, doe a quem doer.

O escândalo do mensalão ou o "esquema de compra de votos de parlamentares" é a maior crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005/2006. Em que consiste esse escândalo? “Em 14 de maio de 2005, foi divulgada pela imprensa uma gravação de vídeo na qual o ex-chefe do DECAM/ECT, Maurício Marinho, solicitava e também recebia vantagem indevida para ilicitamente beneficiar um falso empresário - na realidade o advogado curitibano Joel Santos Filho, o denunciante da corrupção, que, para colher prova material do crime, faz-se passar por empresário interessado em negociar com os Correios. Na negociação estabelecida com o falso empresário, Maurício Marinho expôs, com riqueza de detalhes, o esquema de corrupção de agentes públicos existente naquela empresa pública”.

Segundo Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, à época procurador-geral da República, “na denúncia que apresentou e que foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (então presidente do PTB, acuado, pois o esquema de corrupção e desvio de dinheiro público estava focado em dirigentes dos Correios indicados pelo PTB, resultado de sua composição política com integrantes do governo) revelou detalhes do esquema de corrupção de parlamentares, do qual fazia parte, esclarecendo que parlamentares que compunham a chamada ‘base aliada do governo’ recebiam, periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao governo federal, constituindo o que se denominou como ‘mensalão’”.

O neologismo ‘mensalão’ foi popularizado pelo então deputado federal Roberto Jefferson, numa entrevista sobre o escândalo, que repercutiu nacional e internacionalmente. Ele é uma variante da palavra ‘mensalidade’, usada para se referir a uma suposta ‘mesada’ paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo. Segundo o deputado, o termo já era comum nos bastidores da política entre os parlamentares para designar essa prática ilegal.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou - entre 22 a 27 de agosto de 2007 - o julgamento das 38 pessoas denunciadas pelo procurador-geral da República, em 11 de abril de 2006. “O tribunal recebeu praticamente todas as denúncias feitas contra cada um dos acusados, o que os fez passar da condição de denunciados à condição de réus no processo criminal, devendo defender-se das acusações que lhes foram imputadas perante a Justiça, para, posteriormente, serem julgados pelo tribunal”.

Durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, em julho de 2008, foi descoberto que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do mensalão. “Através do Banco Opportunity, Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazônia Telecom. As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a Polícia Federal, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares. A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity” (http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=14162:mensalao-historia-do-maior-escandalo-no-brasil&catid=59:institucional&Itemid=7=3 - 06/04/11).

Nas alegações finais do processo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que, no caso do mensalão, “trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber. No momento em que a consciência do representante eleito pelo povo é corrompida (...), a base do regime democrático é irremediavelmente ameaçada”.

O mensalão é considerado, por muitos, o maior escândalo ou um dos maiores escândalos de corrupção política da história do Brasil. Ficam as perguntas: Por que em sete anos o escândalo do mensalão ainda não foi julgado? Por que tanta demora? Quais os interesses que estão por trás dessa demora? Há razões suficientes para levantar muitas suspeitas.

Segundo noticiou a imprensa, no processo do mensalão o crime de formação de quadrilha prescreveu em agosto de 2011. Ora, na denúncia do Ministério Público, aceita pelo STF, o crime de formação de quadrilha é citado mais de 50 vezes e é visto como uma espécie de ação central do esquema de corrupção. Infelizmente - embora entre os 38 réus do processo, 22 respondam por formação de quadrilha -, por ter o crime prescrito, nenhum dos 'mensaleiros' poderá ser condenado. O Supremo Tribunal Federal (STF) precisa tomar consciência de que protelar o julgamento de uma prática de corrupção é outra corrupção.

Enfim, depois de tanta demora, que a meu ver denota (talvez por covardia) omissão e conivência, no dia 9 de maio de 2012 o STF começou oficialmente a organizar o julgamento do processo do mensalão, que (reparem) ainda não tem data para iniciar (Cf. Folha de S. Paulo, 10/05/12, p. A4).

Uma outra prática política é possível e necessária. Lutemos para que ela aconteça em nossa sociedade.

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor de Filosofia da UFG (aposentado).
E-mail: mpsassatelli(0)uol.com.br

sábado, 12 de maio de 2012

13 DE MAIO DE 2012: Dia das mães – Nossa Senhora de Fátima – Abolição da Escravatura no Brasil – 31 anos do Atentado ao Papa João Paulo II

Origem do Dia das Mães
Dia das Mães na Antiguidade

A comemoração mais antiga do Dias das Mães tem origem na Grécia antiga, onde a entrada da primavera era comemorada por Reia, a Mãe dos deuses. A tradição de homenagem às mães continuou com as festas em honra de Cibele, também chamada Magna Mater (Grande Mãe).

Dia das Mães na Inglaterra - Século XVII

Depois de cristianizado, o Império Romano continuou celebrando o Dia das Mães, mas no 4º domingo da Quaresma, em honra da virgem Maria, e da igreja-Mãe. Mas foi só no século XVII, na Inglaterra, que as pessoas começaram a voltar para suas igrejas-mãe no 4º domingo da Quaresma. Passou a ser conhecido na Inglaterra como "Domingo das Mães".

O Dia das Mães se tornou um dia importante para os criados, que passaram a ter folga nesse dia, para visitarem as suas igrejas-mãe com suas mães e restante família. Os feriados ainda não tinham sido inventados, por isso o Dia das Mães era para essas pessoas a única oportunidade de terem uma folga para estarem com a família.

Dia das Mães nos Estados Unidos - Século XX 

No Século XX, uma jovem americana chamada Anna Jarvis, perdeu sua mãe e entrou em depressão. Preocupadas com ela, suas amigas resolveram dar uma festa, para perpetuar a memória da mãe de Anna e ao mesmo tempo tentar animá-la. Anna quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, independente de estarem vivas ou mortas, e em pouco tempo a comemoração se propagou por todo os Estados Unidos.

Em 1914, a data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson, e passou a ser comemorada no dia 9 de maio. Aos poucos a homenagem foi se espalhando para outros países.

Dia das Mães no Brasil

No Brasil o primeiro Dia das Mães foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Mas foi só em 1932 que o presidente Getúlio Vargas oficializou o segundo domingo de maio como Dia das Mães no Brasil.

Em 1947 a data do Dia das Mães passou a ser incluída no calendário oficial da Igreja Católica no Brasil.

1888: Abolição da Escravatura no Brasil

Hoje segundo domingo do mês maio. Dia 13 de maio, comemora-se também a Abolição da Escravatura no Brasil. A escravidão foi oficialmente extinta nesse dia por meio da Lei Áurea. "Áurea", por sua vez, quer dizer "de ouro" e - por aí - você pode imaginar o valor que se deu a essa lei, com toda a razão. Afinal, o trabalho escravo é uma prática desumana.

Assinado pela princesa Isabel, em 1888, o texto da Lei Áurea é curto e bastante objetivo, como você pode ver a seguir:

"A Princesa Imperial Regente, em Nome de Sua Majestade, o Imperador, o senhor dom Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.

Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário."

Quando a Lei Áurea passou a vigorar, a escravidão já existia no Brasil há cerca de três séculos. Sua abolição, contudo, não representou o fim da exploração do negro no Brasil, nem a sua integração - em pé de igualdade - na sociedade brasileira, que ainda tem uma enorme dívida para com os descendentes dos escravos.

1917: Aparição de Nossa Senhora de Fátima 

13 de Maio de 1917. Neste dia as três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, já com 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 09 e 07 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol", de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Conselho, para Vila Nova de Ourém.

Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a "Senhora do Rosário" e que fizessem ali uma capela em Sua honra.

Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.

1981: Atentado ao Papa João Paulo II

13 de maio de 1981. O Papa João Paulo II sofreu um atentado na tarde em plena Praça de São Pedro, no Vaticano, durante audiência pública realizada sempre às quartas. O turco Mehemed Ali Agca disparou três vezes uma pistola Browning de nove milímetros a menos de sete metros de distância, ferindo gravemente o estômago, a mão esquerda e o cotovelo do pontífice. Uma multidão de 10 mil fiéis presenciou o fato, incluindo Sara Bartoli, que na época era a criança que estava nos braços do sumo sacerdote no momento do atentado.

O Papa perdeu muito sangue e chegou ao hospital Gemelli quase inconsciente. João Paulo II foi submetido a uma cirurgia de mais de cinco horas para retirar parte do intestino.

O autor do atentado disse à polícia que teve dificuldades para mirar em João Paulo II porque ele segurava uma criança. Sara ficou conhecida como o bebê de 18 meses que salvou o Papa da morte. Hoje, com 26 anos, ela pensa justamente o contrário. Grávida de 9 meses, ela acredita que foi o pontífice que a salvou da morte.

Durante todo o tempo que ficou internado, milhares de pessoas fizeram vigília na Praça São Pedro. Houve comoção de líderes políticos de todo o mundo manifestando repúdio ao atentado, que seria um protesto contra o imperialismo da Rússia e dos Estados Unidos e genocídios em El Salvador e no Afeganistão. No entanto, o caso nunca foi devidamente esclarecido. O jovem extremista de ultradireita Mehmet Ali Agca foi condenado à prisão perpétua.

Já preso e passados dois anos do atentado, o Papa visitou o turco na cadeia de Ancona, na região central da Itália. O pontífice perdoou Agca. No ano de 2000, o extremista ganhou a anistia da Justiça italiana. Ele foi extraditado para a Turquia, onde cumpre pena pelo assassinato do jornalista Abdi Ipecki, em 1978.

Em 1982, ao visitar o santuário mariano de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, João Paulo II deixou uma das balas que o atingiu na coroa da Virgem. O manto que vestia no dia do atentado foi depositado em um templo da Virgem Maria, em Chestocova, Polônia, em 1983.

O atentado abalou a saúde do Papa para sempre. Em 1992, ele foi submetido a uma cirurgia para extrair um tumor no intestino. Um ano depois, deslocou o ombro ao cair de uma escada. Em 1994, sofreu uma nova queda, no banheiro, e teve que receber uma prótese no fêmur. O mal de Parkinson exigiu que o Papa passasse a tomar uma série de medicamentos. Em fevereiro de 2005, João Paulo II sofreu duas internações de urgência. A primeira, devido a uma crise respiratória, e a segunda, para ser submetido a uma traqueostomia. Em 2 de abril de 2005, João Paulo II morreu.

Mães Poderosas 
 
Diante de tantos acontecimentos que marcaram a vida da humanidade. Agora vem a  revista de negócios americana Forbes tentar estabelecer um ranking das mães mais poderosas do mundo, oferecendo esse titulo a mulheres que ocupam cargos públicos, sem observar o sofrimento de mães operárias, camponesas, empregadas domésticas, comerciarias que levadas pela circunstancias, são obrigadas a deixar seu filhos sozinhos por ter que trabalhar o dia todo para no final do mês receber um salário de miséria. 

Mãe poderosa que a revista Forbes não conhece, mora na Amazônia, nos morros e favelas do Rio, nos cortiços de São Paulo, nos sertões do Nordeste, são as campesinas do Sul, todas na sua grande maioria são submetidas a humilhante situação de ter que viver com uma bolsa família porque os governantes não desenvolvem politicas publicas para propicia-las melhor qualidade de vida. 

Mãe poderosa  é aquela chora a perda do  seu filho para os traficantes de drogas nas periferias das cidades, são as mães que tem que conviver diariamente com violência, pobreza e a falta condições para educar filhos. Mãe poderosa é Zilda Arns que combateu a fome e desnutrição dos filhos da pobreza mundo afora até o ultimo momento de sua vida, a essas mães nossa solidariedade e por serem realmente poderosas desejamos: Feliz Dia da Mães!

domingo, 6 de maio de 2012

Movimentos Sociais do Amazonas retomam as ruas para debater as questões sociais

O Projeto Jaraqui começou no final da década de 70 com o Professor Frederico Arruda e voltou agora sob a coordenação do Professor Ademir Ramos

Depois da eleição que conduziu Lula a Presidência da Republica, os Movimentos Sociais foram contaminados pela síndrome do “agora é nós”. Passado mais de uma década, começamos a ver o surgimento de novos movimentos e a revitalização de outros que estavam adormecidos. 

No Amazonas surgiu o SOS Encontro das Águas, tendo como foco o combate a construção de um porto pelas empresas Vale do Rio Doce e Coca-Cola no Encontro das Águas na Colônia Antônio Aleixo.

No mesmo período os estudantes da UFAM e do ensino médio, promoveram grandes manifestações contra o aumento das passagens de ônibus em Manaus. Depois surgiu o Movimento de Combate a Corrupção e agora os Movimentos dos Professores do Ensino Médio, #Veta Dilma# e o Projeto Jaraqui que é retomado na República Livre do Pina na Praça da Polícia.

Com exceção do Projeto Jaraqui que tem uma pauta livre. Os demais são pontuais em suas demandas. No coso dos Professores está à qualidade da educação e as questões salarias da categoria.  O combate à corrupção é bandeira comum de todos. Os demais estão voltados para as questões ambientais, isso é um forte sinal que ainda falta muito para que os outros Movimentos Sociais voltem a retomar a mobilização social como forma de afirmar junto as autoridades as verdadeiras demandas que a sociedade periférica estão a reclamar.

O fato relevante dessa retomada de alguns Movimentos e surgimentos de novos, está no papel da educação, como se pode observar, todos os movimentos aqui relacionados, surgiram dentro da comunidade acadêmica da UFAM, não se tem conhecimento de fatos semelhantes tenham surgido na UEA e muito menos nas Faculdades Particulares. Isso é uma constatação que nos obriga a refletir sobre que tipo de produção intelectual vai surgir depois dessa avalanche de recursos públicos esparramado nos cofres das escolas e faculdade particulares. Essa é uma tarefa que deixo para os sociólogos ou qualquer outro membro da academia das ciências sócias.

O Movimento Sindical está a cada dia mais amarelo (referente à década de 30 quando o movimento era dividido entre o Sindicalismo Amarelo e Revolucionário), não vemos perspectivas positivas para curto prazo, se os sindicalistas ligados as correntes Trotskistas e a setores das Pastorais da Terra e Operaria e outras correntes do setor da esquerda socialista, tiverem a sensatez para construir uma Central de Trabalhadores voltada para o cotidiano dos locais de trabalho, podemos afirmar que em médio prazo teremos um verdadeiro Movimento Sindical organizado e de massa, é apenas uma possibilidade.

E o que pensar dos Partidos Políticos? Aqui abrimos um parêntese para compararmos dois partidos que na sua evolução se assemelham em muitos aspectos PTB do Trabalhismo de Vargas e Brizola e o PT do Lula e o Stalinismo representado por Zé Dirceu, na época de Vargas o PTB monopolizou o Movimento Sindical, agora na época de Lula o PT aparelha o Movimento Sindical como o Stalinismo agregou o Sindicalismo ao Estado na Rússia, isso é fato.

Que Partido poderia dar o suporte politico a um Movimento Sindical autentico, independente e autônomo? Essa é uma pergunta que não quer calar, quem pode responder são os partidos da esquerda socialista como PSOL, PSTU e PCB, porém, existem no seio desses partidos muitas concepções contraditórias quando se trata de “independência e autonomia” sindical, sindicalismo de quadros (cúpula) e sindicalismo de massas. No caso especifico, a história dá conta que o PCB sempre foi um partido que priorizou quadros, o PSTU tem essa mesma concepção, já o PSOL até agora não definiu uma politica clara para atuação dos seus militantes tanto no Movimento Sindical e Social.

Voltando aos Movimentos Sociais no Amazonas, podemos afirmar que do ponto de vista ideológico, não existe uma identidade politica definida desses movimentos aqui relacionados, porém, podemos destacar uma forte participação dos anarquistas nas manifestações de rua. 

É assim que caminha o Movimento Popular e Sindical no Amazonas e no BARASIL.

Elson de Melo – Sindicalista

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dia do Trabalhador: NCST e UGT celebram com os Trabalhadores no Centro de Manaus/AM.

As centrais sindicais, Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST e União Geral dos Trabalhadores-UGT, realizaram na segunda feira um ato para celebrar o Dia do Trabalhador, o evento teve inicio as 18:00 horas do dia 30/05/2012, na Av. Eduardo Ribeiro em frente a Praça do Congresso. O Ato foi marcado pelos pronunciamentos do Superintendente Regional do Trabalho no Amazonas Dr. Dermilson Chagas, Nindberg Barbosa Presidente da UGT, Osmet Duk Filho Presidente da NCST e outras lideranças sindicais do Amazonas.

Em seus pronunciamentos as lideranças sindicais abordaram temas relevantes para a classe trabalhadora como: Redução da Jornada de Trabalho a luta que deu origem ao 1º de maio data que se celebra o Dia do Trabalhador, uma luta histórica que marcou para sempre em nossas memorias a crueldade patronal e do Estado repressor que até hoje continuam a criminalizar as reivindicações justas dos trabalhadores no mundo, para o Presidente da Nova Central Osmet Duk Filho, hoje com o avanço tecnológico, os trabalhadores precisam de mais tempo para aperfeiçoar seus conhecimentos, repor a energia consumida pelo ritmo acelerado dos processos produtivos, assegurar um tempo maior ao lazer e a família, e, principalmente assegurar uma melhor qualidade de vida que a cada dia está mais ameaçada por uma verdadeira epidemia de doenças ocupacional como LER/DORT, escoliose, doenças reinais, surdez, estresse, renite crônica, alergias e outras patologias decorrente do ambiente de trabalho.

Para Nindberg Barbosa Presidente da UGT, o trabalhador precisa também se preocupar com seu futuro, futuro que está hoje comprometido com o famigerado Fator Previdenciário que embora o Congresso Nacional tenha aprovado o fim dessa aberração, o então Presidente Lula fez questão de vetar, isso compromete a qualidade de vida dos nossos aposentados que tantas riquezas produziram para esse país.

O evento foi animado Pelas Bandas Os Especiais e Bandawera e teve sorteios de brindes como Geladeiras, Tabletes, Televisores, ventiladores, batedeiras e outros, um dos pontos auto do evento foi o concurso de dança arranjado na hora que premiou o vencedor com R$ 50,00 (cinquenta reais) para os membros das duas Centrais que organizaram, o ato foi um sucesso, principalmente pela adesão total dos trabalhadores que lotaram o espaço na Av. Eduardo Ribeiro entre a 10 de Julho e Monsenhor Coutinho.

Movimento Veta Dilma ganha as ruas no Amazonas


O Movimento que pede o veto da Presidente Dilma ao Codigo Florestaltal aprvado pela Câmara Federal na semana passada, gamha as ruas em todo o Brasil. No Amazonas tendo a frente jovens ambientalistas, o movimento prepara sua primeira mobilizaçao que acontecerá no proximo dia 05 de maio (sábado) as 16:00 horas na Praça São Sebastião no centro de Manaus.

O primeiro desafio dos organizadores é convencer o dono da Praça ‘Robério Braga’ a liberar o local para que o evento seja realizado, os organizadores escolheram essa praça por simbolizar momentos historicos de resistencia politica e economica do Brasil e do Amazonas, lá está o monumento em homengem aos Portos, o Teatro Amazonas um simbolo do periodo aureo da borracha e foi ali que os estudantes no periodo da ditadura militar fizeram grandes mobilizações reivindicando Democracia, Liberdade, Anistia aos presos politicos e a meia passagem nos ônibus, a Praça ainda testemunhou outras manifestações como as de 1924 quando os normalistas e intelectuais proveram atos publicos em apoio ao movimento tenentistas que expulsou do palacio Rio Negro os despotas que usurpavam o poder para praticar corrupção e nepotismo e empossaram o Tente Ribeiro Junior como governador do Amazonas que governou o Amazonas por 36 dias e se tornou o Governador mais popular da história do nosso Estado.

Hoje quando nossa  floresta está sobre a mira das motoseras e tratores do agronegocio, quando nossaas águas estão sendo envenadas por mercurio, agrotixicos e outas formas de contaminaçao do solo, a juventude volta ao velho palco para conclamar as autoridades e de modo especial a Presidente Dilma, que Vete esse famigerado Código Florestal que humiolha o nosso povo!

O evento é um ato civico que reunirá os indignados e inquietos com as falcatruas promovido pela maioria dos parlamentares brasileiros, que se intulam senhores das suas próprias rasões em detrimento do futuro das atuais e proximas geraçoes de homens e mulheres que precisam ainda conhecer como é linda a nossa floresta,  “VETA DILMA” é a palavra de ordem!

Dilma vai ter coragem de vetar o Código Florestal?

Por Leonardo Sakamoto

Seja qual for a decisão que Dilma tomar sobre o novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados, nesta quarta (25), ela será emblemática. Mostrará o que será o resto do seu mandato presidencial.

O novo texto do Código Florestal tornou-se polêmico por propor um enfraquecimento na proteção ambiental do país. Anistia para quem cometeu infrações ambientais, isenção de pequenas propriedades de refazerem as reservas desmatadas, liberação de crédito rural a quem já desmatou além da conta, estão entre as medidas.

Se Dilma vetar a maior parte do texto, estará apoiando os que atuam na defesa de um desenvolvimento minimamente sustentável e na garantia da qualidade de vida das gerações futuras. Isso vai satisfazer ambientalistas, cientistas, parte dos formadores de opinião e da sociedade civil, alguns ministros, mas comprará uma boa briga com a Frente Parlamentar da Agricultura, vulgo Bancada Ruralista, federações de produtores rurais, outros ministros e grandes empresas do agronegócio – que vêm no instrumento uma forma de facilitar seus processos produtivos e aumentar seu poder de concorrência e/ou sua taxa de lucro.

Se sancioná-lo, vai mandar um recado claro: as políticas sociais e ambientais, declaradas como prioritárias, serão aplicadas desde que dentro de limites impostos pela governabilidade. Ou seja, nada de novo. Teremos que nos contentar com mais três anos de “utopia do possível”, expressão forjada na gestão FHC para encobrir os ossos lançados por quem está dentro da festa para a horda que aguarda do lado de fora – política abraçada com alegria pelos oito anos de governo Lula. Outro recado: no modelo de independência institucional vigente, não há governabilidade sem que os prejuízos de setores do agronegócio sejam socializados, enquanto os lucros mantenham-se privados.

Área de derrubada de floresta amazônica por trabalhadores escravos para implantação de pasto (arquivo pessoal)
Verificou-se que grande parte da base governista votou a favor do texto do relator Paulo Piau (PMDB-MG) – deputado que conseguiu a proeza de deixar pior algo que já estava ruim. Foram 274 votos a favor, mandando um recado: o Executivo tem o total apoio da base aliada (sic) para aprovar as matérias – desde que sejam aquelas que esses deputados querem que sejam aprovadas. Ou as de interesse dos lobistas que agem sobre o Congresso. Ou de seus financiadores de campanha – enfim, são vários os favores e longa a relação de dívidas.

A base é aliada, em verdade, de uma visão de desenvolvimento concentradora, excludente e predatória vigente em Pindorama desde sempre.

Por isso, a distribuição de cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões tem servido muito pouco para o governo federal já que as vitórias são obtidas, principalmente, em assuntos de interesse desse pessoal. Ou alguém acredita que, nessa fatura da base aliada, está incluída a aprovação de leis que facilitariam o acesso aos direitos fundamentais, como o aumento nas garantias aos povos indígenas e quilombolas? Não, isso ficaria mais caro. Talvez, nem tivesse preço.

Há outras opções: Não vetar, nem sancionar – deixar o prazo correr para uma sanção automática. Dilma teria coragem de correr para baixo do tapete enquanto a banda passa? De qualquer maneira, quem cala consente, seja ao ver um genocídio e não fazer nada (como o que vem ocorrendo com os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul), seja ao ver um ataque claro aos direitos das futuras gerações e fazer cara de paisagem. Ou melhor, ir para o cinema.

Outro caminho, o mais provável, será vetar partes do texto e editar medidas provisórias, tentando, na medida do possível, conciliar as posições ambientalistas e ruralistas (é ridículo separar assim, mas vá lá). Deputados que foram contra o conteúdo aprovado ontem queriam aquele que saiu do Senado, menos agressivo. Mas esquecem que o Congresso acabou produzindo um grande “bode na sala”, uma vez que o texto do Senado não era bom e sim menos pior do que aquele que saiu inicialmente da Câmara sob as mãos do então relator Aldo Rebelo. Para garantir que não seja criticada na Rio+20 por produzir um “Código do Desmatamento”, Dilma terá que passar a faca fundo.

E isso, é claro, sempre rezando para não tomar um outro passa-moleque do Congresso Nacional, que poderia derrubar os vetos.

Ou seja, cada situação tem sua implicação. Agora é a hora de se confirmar para quem esse governo foi eleito. A forma como vêm sendo implantadas as grandes obras de hidrelétricas na Amazônia, sem diálogo e na forma de um grande rolo-compressor, já dão uma bela dica.