terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parabéns Club da Madrugada! SALVE O MULATEIRO

Foto: Blog do Rocha Arvore Mulateiro na Praça da Policia/Manaus
J. C. Maciel
bendito
seja
o mulateiro,
árvore frondosa
que deu guarida ao clube da madrugada!
bendita seja a praça da polícia, como é
conhecida a praça de heliodoro balbi! benditos
sejam os madrugadores de todo o universo!
salve os jovens fundadores: saul benchimol, francisco
ferreira batista, luiz bacellar, jorge tufic, farias de carvalho,
moacir andrade, alfredo campos, teodoro botinelly,
afrânio castro, fernando collier, humberto paiva,
miguel barrela, joão bosco araújo e dajalma passos foram
os primeiros, depois vieram outros.
mas nossa homenagem é para o mulateiro,
presença constante por mais de
trinta anos nos saraus dos jovens
escritores, poetas,
cientistas e
artistas do
clube da
madrugada.
o povo sempre
presente,
acompanhando
no com interesse e
aplaudindo, dando força, o mulateiro fez história
com o clube da madrugada. fugindo à regra geral, essa árvore bonita está ligada ao clube da madrugada por vínculo histórico-sentimental, patrimônio que deve ser tombado para a posteridade. nesse diapasão, o mulateiro segue o destino de outras árvores, verdadeiras ou imaginárias, que de alguma forma ficaram em nossa memória. quem não conhece a tradicional árvore de natal? quem não se lembra da árvore dos enforcados? e tantas serviram para este ato de aniquilamento. dá árvore que servia de casa para uma famíla inteira, com quarto, cozinha e tudo, numa das comédias mais hilariantes do escritor americano truman capote. da árvore em forma de bastão que nasceu no lugar onde são pedro fora crucificado de cabeça para baixo. das laranjeiras em flor de marcel proust. das farfalhantes palmeiras de gonçalves dias. dos ciprestes de van gogh. da velha árvore de olavo bilac. da árvore que ajudou o advogado abraham lincoln a desvandar um crime e prender o criminoso. da primeira palmeira real trazida de portugal para o brasil por dom joão VI. do pé de laranja-lima de josé de vasconcelos. do carvalho dos druidas. da flexibilidade do salgueiro. dos girasóis da rússia. das pelas tulipas da holanda. das tamareiras dos oásis dos desertos africanos. dos cacaueiros de ilhéus na bahia. das cerejeiras em flor do japão. das gigantestas sumaumeiras às margens do rio solimões. das touças de canaranas descendo na forte correnteza do rio amazonas na época das cheias. dos vastos canaviais brasileiros. dos copados castanheiros da região amazônica. dos floridos maracujazeiros. dos rosais de espécie, cores e odores diferentes. da beleza e policromia sem par das orquídeas. das carnaubeiras de mil e uma utilidades. dos sândalos aromáticos. das samanbaias ornamentais. dos cipós entrelaçados e pendurados nas árvores. das seringueiras pipocando suas sementes nos extensos seringais do acre. dos buritis de frutos avermelhados e polpa amarela espalhados por toda a amazônia brasileira. dos jardins suspensos da babilônia. da magnífica floresta virtual de pandora em avatar. do horto das oliveiras onde jesus cristo orou… tudo isso faz do mulateiro motivo de orgulho, testemunha silenciosa do movimento madrugada nas letras e nas artes. simbolicamente, o mulateiro continua abrigando essa plêiade de jovens intelectuais. mas a nossa homenagem hoje vai para o velho mulateiro, que deu guarida e sombra para as reuniões de bate-papo e lançamento de livros, sob sua fronde por mais de três décadas de história da cultura amazonense a partir de 1954. salve o mulateiro!

(Crônica da década de 80, publicada in I Antologia Amazônica – em prosa e verso – da ALCEAR – Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, Coordenação de Gaitano Antonaccio, Manaus, edição da Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, 2010, p. 85/86).


domingo, 20 de novembro de 2011

Usinas do Madeira, Belo Monte e a caixa preta


Xingu Vivo para Sempre
Telma Monteiro

Mais um ano está chegando ao fim. Dilma, pós Lula, assumiu a já esperada postura autoritária. Ela já dava sinais desde que foi ministra de Minas e Energia. Início do desastre, agora confirmação dele.

Em 1999, Furnas e Odebrecht fizeram a usina de Manso. Deu certo. Refiro-me à parceria. Ela serviu de base para o próximo empreendimento, o Complexo Madeira, em Rondônia. Uma das maiores empreiteiras do Brasil e a estatal mais blindada que já existiu idealizaram um megaprojeto. Barrar um dos principais afluentes do Amazonas parecia impossível. Não para eles.

Já em 2001, Lula se preparava para a campanha presidencial. Negociava com todos aqueles que poderiam, de uma forma ou de outra, viabilizar sua eleição. Cheguei a conhecer um influente empresário italiano e equipe que estavam no Brasil para conversar com a coordenação de campanha de Lula sobre Angra III. O próprio empresário me contou. Não acreditei. Ele voltou satisfeito para a Itália. Angra III sairia do papel, me disse. Saiu.

Furnas e Odebrecht também apresentaram o megaprojeto do Madeira para a equipe de Lula. Usinas do Madeira, projeto ambicioso para depois que o PT vencesse as eleições. No final de 2002, eleição ganha, a Aneel aprovou o Estudo de Inventário das usinas Santo Antônio e Jirau em tempo recorde. Promessa de campanha, promessa cumprida. Início de 2003, Dilma já ministra, convocou a diretora de Meio Ambiente de Furnas para formatar um novo modelo institucional de energia elétrica. O setor aprovava.

O EIA/RIMA do Complexo Madeira estava em elaboração. Para construir as usinas seria preciso obter, antes, a Licença Prévia do Ibama. O novo modelo de energia de Dilma e de Furnas garantiu isso. Estudos ambientais aprovados. Licença Prévia concedida. Aconteceu o leilão da UHE Santo Antônio e depois o de Jirau. Tudo conforme o ajustado.

Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente, deixou-se convencer. Até acreditou que os impactos seriam mínimos. Está tudo aí agora para ela conferir. Argumentos de um governo que precisava pagar a fatura da eleição. Duas usinas num rio indomável como o Madeira estariam de bom tamanho para a empreiteira e para a caixa preta que é Furnas? Parece que não. Querem muito mais.

Muita história e bastidores de arrepiar há ainda para contar. Vou fazê-lo a partir de 2012. Doa a quem doer (parece que já ouvi isso). Até hoje os episódios escandalosos e os conflitos envolvendo as usinas do Madeira, se sucedem. Tudo previsto e apontado na época.

Agora enfrentamos novamente o mesmo autoritarismo hidropredador para a Amazônia com o projeto Belo Monte, os processos das usinas no rio Tapajós e das usinas no rio Teles Pires. Oito anos de Lula e quase um de Dilma. Tudo igual.

Será que a sociedade brasileira vai acordar?