domingo, 10 de abril de 2011

A RENUNCIA À IMORTALIDADE NO INFERNO

Artigo XIII do Estatuto do Homem (Thiago de Mello)

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Moacir de Andrade e Thiago de Mello
Por Elson de Melo

A semana passada ficou marcada por atitude dispares de dois ícones da cultura Amazonense, de um lado a firmeza ética do poeta Thiago de Mello, de outro o servilismo governamental do artista plástico Moacir de Andrade.

Ao saltar no aeroporto de Berlim, para sua surpresa, o poeta de Faz Escuro mas Eu Canto, porque a manhã vai chegar, encontra um coral na recepção de boas vindas, interpretando o poema musicado “Os Estatutos do Homem” de sua autoria.

Esse é poeta Thiago de Mello, figura literária universalmente conhecida, que semana passada renunciou ao título de acadêmico imortal da Academia Amazonense de Letras.

Denota-se no gesto do poeta, uma revolucionária repulsa ao erro da diretoria da entidade, que aceitou a proposta de emenda estatutária, de um outro acadêmico, também notável, o pintor Moacir Andrade.

Ora, os dois perfilados imortais, já dobraram na longevidade, o cabo da Boa Esperança, pois já tem ambos mais de 80 anos de vida. Acontece, que o poeta adquiriu a sabedoria do coco velho, quanto mais velho mais dá azeite, enquanto o pintor da “bola chata”, como o tratava, o promotor e poeta Américo Antony, está depauperando a sua verticalidade cidadã, pois já na velhice, se deixa levar pelo canto de yaras politicas, contumazes em formar quadrilhas para se perpetuar no poder.

Além do mais, o dito cujo imortal, apesar de sua refulgente história como artista plástico, é reincidente na prática indecorosa, pois participou da comitiva mentecapta contra o nosso Encontro das Águas, liderada pelo Anão de Periferia, apelido carinhoso(...), legado pela gente boa da Zona Leste, ao mesmo professo Sinésio Campos, deflagrante apalpador de ilhargas governistas, e dito hobit-lobysta da Vale do Rio doce.

Apesar do aplauso que sempre legamos ao famoso pintor amazonense, não podemos engolir tanto servilismo, aos poderosos. Achávamos que o dito cujo já tinha esquecido o incidente macabro, de ser o artista da ditadura, que torturou a liberdade brasileira durante 3 décadas. Falhamos, ele continua o mesmo de sempre, e agora mais que nunca, o esqueleto fétido da própria velhice. É muito feio, envelhecer sem honra, e senil nas praticas circunstancias.

Aplaudimos, o velho poeta, como Neruda, seu amigo, também universal, e o felicitamos por chicotear a canalha, que infelizmente também ronda as múmias salteadoras da nossa flamante Academia Amazonense de Letras, infelizmente agora também transformada em inferno de espertalhões, espertinhos, compadres e comadres acadêmicas.

Elson de Melo é Sindicalista

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