terça-feira, 26 de abril de 2011

1º DE MAIO: A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Cultura
Elson de Melo
A Saga do Trabalhador da Zona Franca de Manaus

Distrito Industrial de Manaus(AM)
Dia 1º de maio é dia do Trabalhador,
Trabalhador da roça e do nosso pescador,
Num dia é seringueiro, no outro é agricultor,
Batalha sol a pino, para manter seu sustento,
Cria gado, planta juta e ninguém lhe dá valor.

Num dia triste da vida, o caboclo ouviu no rádio, a conversa do doutor,
Que na cidade sorriso, havia relógio barato, emprego e muita festa,
Correu arrumou sua boroca, para seguir sua sina,
Numa noite de magia, embarcou, no primeiro motor da linha,
Alegre todo contente, na escadaria dos Remédios desembarcou.

Uma vez na capital, estava selado seu destino,
De ser trabalhador operário, ou ser um eterno menino,
Conheceu a Zona Franca, seu comércio e a indústria,
Correu foi ser empregado, numa fabrica juta,
Depois quebrou castanha, trabalhou na construção,
Nas fabricas do Distrito, a idade foi a condição,
De não ser admitido, na linha de produção.

O caboclo agora anda triste, resmunga com toda razão,
Convidaram para festa, mas, não lhe deram a opção,
De escolher a camisa do terno de estimação,
Sobrou-lhe apenas a lembrança, do seu torrão que morava,
De onde veio sem volta, só saudade e lamentação.

Agora seu filho trabalha, numa fabrica de televisão,
Monta as mais modernas Tvs, mas, não pode comprar não!
Uma Tv de plasma, ou de HD digital com alta definição,
Contenta-se com a noticia, de ter dado lucro de bilhões... de dólares,
Que só enriquece o patrão. Veja só a contradição!

A saga desse caboclo parece coisa de ficção,
Caramba! Isso é verdade, é pura confissão,
Ainda falta dizer, aonde mora esse peão,
E o salário que recebe, só dá pra comprar o pirão,
As outras coisas da vida ficam para outra encarnação.

Pra não pensarem que o poeta, só fala de solidão,
Vamos unir nossas forças, para aumentar a pressão,
É hora de garantir conquistas, que eles sempre dizem não.
O caminho para o intento está na nossa união,
Nesse 1º de maio, eis a convocação, solidariedade e luta, pra fortalecer nossa razão.

Trabalhadores do mundo. Uni-vos!

Elson de Melo - Sindicalista

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mensalão: História do maior escândalo no Brasil

Política
Antonio Carlos Lacerda (*)
Fonte: Pravda.ru
Link: http://josecarlosalexandre.blogspot.com

Mensalão: História e perspectivas sobre o maior escândalo de corrupção política no Brasil

Se analisado à luz do rito processual penal brasileiro, as perspectivas sobre o processo do Mensalão, o maior escândalo de corrupção política na história do Brasil, são de que ele pode terminar sem punição dos acusados

No Brasil, o processo que tramita no Supremo Tribunal Federal sobre o maior escândalo de corrupção política da história do País, conhecido por Mensalão, pode finalizar sem punição dos acusados por força da prescrição do crime de formação de quadrilha.

No próximo mês de agosto, 22 réus do processo do Mensalão, que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), estarão livres de uma das principais acusações, a de formação de quadrilha.

O desmantelamento do esquema de corrupção política através do Mensalão, a pior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será iniciado na última semana de agosto deste ano, quando vai prescrever o crime de formação de quadrilha.

O crime de formação de quadrilha, citado mais de 50 vezes na denúncia do Ministério Público - aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -, é visto como uma espécie de "ação central" do esquema, mas desaparecerá sem que nenhum dos 'mensaleiros' seja julgado. Entre os 38 réus do processo, 22 respondem por formação de quadrilha.

Apontado pelo Ministério Público como o "chefe" do Mensalão, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República no governo do ex-presidente Lula, parece estar mais próximo da absolvição.

Foi do próprio ex-presidente Lula o primeiro sinal político concreto em favor da contestação do processo do Mensalão. Ao deixar o governo, Lula disse que sua principal missão, a partir de janeiro deste ano - já estamos em março - seria "mostrar que o Mensalão é uma farsa".

Réus no Mensalão, enquadrados no crime de formação de quadrilha, enquanto aguardam o julgamento recuperaram as forças políticas que perderam e já começam ocupar cargos importantes no governo da presidente Dilma Rousseff.

Um dos fatos que demonstra essa articulação envolveu a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e mostrou a preocupação do governo com o futuro do Mensalão na Suprema Corte de Justiça do Brasil.

Na sabatina informal com Fux, um integrante do governo perguntou ao então candidato: "Como o senhor votará no Mensalão?". Para não se comprometer, Fux deu uma resposta padrão: se houvesse provas, votaria pela condenação; se não houvesse, pela absolvição.

Entre os atuais ministros do STF, causa também uma certa estranheza o fato de o ministro José Antônio Dias Toffoli participar do julgamento do Mensalão. Advogado do PT, ex-assessor da liderança do partido na Câmara e subordinado a José Dirceu na Casa Civil da Presidência da República no governo do ex-presidente Lula, Dias Toffoli já participou do julgamento de recursos do Mensalão.

Um dos ministros do STF teria lembrado que o ex-ministro Francisco Rezek se declarou suspeito de participar do julgamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello no STF por ter sido ministro das Relações Exteriores no seu governo e retornado ao STF por indicação do próprio Fernando Collor. Por conta disso, Francisco Rezek entendeu por bem não participar do julgamento do então presidente Fernando Collor de Mello no Supremo Tribunal Federal.

Dentro do próprio governo existem articulações políticas para fortalecer e blindar políticos do PT que são réus do Mensalão. O exemplo mais cínico e atrevido dessas manobras foi a nomeação do ex-deputado José Genoino, que na época do escândalo do Mensalão era presidente do PT, para o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, pelo próprio ministro Nelson Jobim, atendendo pedido de petistas. Genuino nada sabe sobre defesa e nada tem a ver com militares.

João Paulo Cunha, outro petista réu no Mensalão, foi eleito membro da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara dos Deputados. Por ser membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, João Paula Cunha passa a ter uma blindagem política.

Além das manobras políticas para por fim sem punições ao processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal vários outros obstáculos processuais colaboram para que os culpados saiam impunes do episódio.

Como obstáculos processuais, a complexidade da investigação que envolve os 38 réus é um deles. As dificuldades naturais para se conseguir provas de todas as denúncias contra os acusados faz com que os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal admitam que, muitos dos réus, entre eles personagens centrais do Mensalão, deverão ser absolvidos.

Se se buscar um histórico do Supremo Tribunal Federal, poderá ser constatado que as poucas condenações daquela Corte de Justiça só ocorreram quando foram exibidas provas absolutas, cabais e incontestáveis.

Diane desse fato histórico do tribunal, o ex-ministro José Dirceu sairia impune do processo, por força das dificuldades de se localizar provas suficientes para condená-lo por corrupção ativa. Assim, diante da já esperada prescrição do crime de formação de quadrilha, o tribunal não teria como condenar José Dirceu, estrela de primeira grandeza do PT, acusado de ser o mentor intelectual e chefão do Mensalão.

A mesma expectativa vale para duas outras estrelas petistas: Luiz Gushiken, ex-ministro do governo Lula, denunciado por peculato, e o ex-deputado Professor Luizinho, que foi líder do governo na Câmara, acusado de lavar dinheiro.

Ao contrário do autor da denúncia do Mensalão, ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, nunca conversou diretamente com o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.

Aliás, Roberto Gurgel formulou, tardiamente, em dezembro passado, 12 pedidos de diligência que acabaram por atrasar o calendário processual do Mensalão, previsto por Barbosa.

Segundo o calendário do ministro Joaquim Barbosa, toda a instrução do processo do Mensalão estará concluída em abril ou maio deste ano. Em seguida, Joaquim Barbosa terá de analisar mais de 42 mil páginas do processo, reunidas em 200 volumes, com quase 600 depoimentos e um calhamaço de provas colhidas.

Depois de proferir seu voto como relator do Mensalão, o que deverá ocorrer até dezembro deste ano ou no início do que vem, Joaquim Barbosa remeterá o processo para o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, que, da mesma forma, terá de fazer uma leitura de todas as peças processuais para então proferir seu voto como revisor.

Feito todo esse procedimento processual, o Mensalão estaria pronto para julgamento no segundo semestre de 2012. Entretanto, há quem diga que, por prudência, o Supremo Tribunal Federal não julgaria o Mensalão no segundo semestre de 2012 pelo fato de ser um processo com potencial capaz de interferir nas eleições municipais previstas para o mês de outubro daquele semestre em todo o País.

Então, o julgamento do Mensalão ficaria para 2013, exatos oito anos depois de descoberto o maior escândalo de corrupção política em toda a história do Brasil.

Em 2007, no julgamento do inquérito do Mensalão, quando o Supremo Tribunal Federal acatou a denúncia contra os acusados foi criada uma expectativa de que os envolvidos no escândalo não escapariam de uma condenação na Suprema Corte de Justiça do Brasil.

Naquela oportunidade, a rapidez com que foi julgada e acatada a denúncia do procurador-geral da República, além do raro consenso dos ministros sobre o Mensalão criou-se a sensação de que não haveria impunidade para os acusados.

Essa sensação, que foi apenas uma ilusão dentro de um contexto artificial, foi provocada pela troca de mensagens entre ministros durante uma sessão do tribunal.

Os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia conversavam, por meio do sistema de comunicação interno do tribunal, sobre uma possível articulação de colegas para derrubarem integralmente a denúncia do Mensalão. A suspeita não era apenas dos dois. Outros ministros disseram ter ouvido um colega do tribunal dizer que rejeitaria a denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

Com a divulgação dessa informação, criou-se um clima de constrangimento, e nenhum ministro sentiu-se à vontade para discutir à exaustão cada ponto da denúncia. Então, decidiu que, melhor seria acelerar a conclusão do julgamento da denúncia em favor da abertura do processo contra os acusados.

Com esse cenário favorável à aceitação da denúncia, o relator do processo do Mensalão, ministro Joaquim Barbosa, teve o trabalho facilitado, com a denúncia sendo recebida praticamente na íntegra e a impressão de que a investigação não tinha pontos falhos.

Atualmente, ministros do próprio tribunal teriam dito que vários pontos do inquérito seriam derrubados facilmente se o julgamento tivesse transcorrido em clima de normalidade.

O ESCÂNDALO DO MENSALÃO

Escândalo do Mensalão ou "Esquema de compra de votos de parlamentares" é o nome dado à maior crise política sofrida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005/2006 no Brasil.

Em 14 de maio de 2005, foi divulgada pela imprensa de uma gravação de vídeo na qual o ex-chefe do DECAM/ECT, Maurício Marinho, solicitava e também recebia vantagem indevida para ilicitamente beneficiar um falso empresário - na realidade o advogado curitibano Joel Santos Filho, o denunciante da corrupção, que, para colher prova material do crime, faz-se passar por empresário interessado em negociar com os Correios.

Na negociação estabelecida com o falso empresário, Maurício Marinho expôs, com riqueza de detalhes, o esquema de corrupção de agentes públicos existente naquela empresa pública.

Segundo o então procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, na denúncia que apresentou e foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado Federal Roberto Jefferson - então Presidente do PTB, acuado, pois o esquema de corrupção e desvio de dinheiro público estava focado em dirigentes dos Correios indicados pelo PTB, resultado de sua composição política com integrantes do governo - revelou detalhes do esquema de corrupção de parlamentares, do qual fazia parte, esclarecendo que parlamentares que compunham a chamada "base aliada do governo" recebiam, periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao Governo Federal, constituindo o que se denominou como "Mensalão".

O neologismo Mensalão, popularizado pelo então deputado federal Roberto Jefferson em entrevista que deu ressonância nacional ao escândalo, é uma variante da palavra "mensalidade", usada para se referir a uma suposta "mesada" paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo. Segundo o deputado, o termo já era comum nos bastidores da política entre os parlamentares para designar essa prática ilegal.

A palavra "Mensalão" foi então adotada pela mídia para se referir ao caso. A palavra, tal como ela é, foi utilizada também na mídia internacional sempre acompanhada de uma pseudo-tradução. Em espanhol já foi traduzida como "mensalón" e em inglês como "big monthly allowance" (grande pagamento mensal) e "vote-buying" (compra de votos).

Entre 22 a 27 de agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento das 40 pessoas denunciadas pelo procurador-geral da República, em 11 de abril de 2006.

O tribunal recebeu praticamente todas as denúncias feitas contra cada um dos acusados, o que os fez passar da condição de denunciados à condição de réus no processo criminal, devendo defender-se das acusações que lhes foram imputadas perante a Justiça, para, posteriormente, serem julgados pelo tribunal.

Em julho de 2008, foi descoberto, durante uma investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas, que o Banco Opportunity foi uma das principais fontes de recursos do Mensalão. Através do Banco Opportunity, Daniel Dantas era o gestor da Brasil Telecom, controladora da Telemig e da Amazônia Telecom.

As investigações apontaram que essas empresas de telefonia injetaram R$ 127 Milhões nas contas da DNA Propaganda, administrada por Marcos Valério, o que, segundo a Polícia Federal, alimentava o Valerioduto, esquema de pagamento ilegal a parlamentares.

A Polícia Federal pôde chegar a essa conclusão após a Justiça ter autorizado a quebra de sigilo do computador central do Banco Opportunity.

Esta é, portanto, a história e a expectativa sobre o Mensalão, considerado o maior escândalo de corrupção política da história do Brasil, que assombrou a opinião pública brasileira e 'conquistou', de forma negativa para o País, até o noticiário da imprensa internacional.

(*) Antonio Carlos Lacerda é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU. E-mail:- jornalistadobrasil@hotmail.com

sábado, 23 de abril de 2011

Segunda Caminhada da Terra do SERPAJ-Brasil e ABAI

Caminhada da Mãe Terra, 22 de abril de 2011

Neste ano de 2011, em que a Campanha da Fraternidade das igrejas cristãs pede um maior cuidado com o planeta que sofre como em dores de parto, aconteceu um fato muito interessante. O dia internacional da Mãe Terra (22 de abril) coincidiu com a Sexta-Feira Santa. Será isto um sinal dos tempos? Membros de duas ONGs sediadas em Mandirituba, PR, Fundação Vida para todos – ABAI e SERPAJ Brasil comemoraram este dia com uma caminhada meditativa ao longo da trilha da Reserva Mãe da Mata. Adultos e crianças refletiram sobre o sofrimento e a morte de Cristo e o sofrimento da Mãe Terra. A terra não pertence ao homem, o homem pertence à Terra. Nos humanos somos terra também, somos a parte da terra que pensa, sonha e tem responsabilidade.

Por Marianne Spiller

Testamento de um Judas

Há oito anos passados
Um sapo virou rei
De uma herança maldita
Ao mensalão ele se fez

Passado todo esse tempo
Não sofreu oposição
Sua maior proeza
Foi aumentar a riqueza na conta do patrão.

Agora em tempos de páscoa
Venho dividir a riqueza
Deixo pra Dilma a Presidência
E pro Sarney a decência...

Para os pobres deixo a bolsa família
Para os banqueiros os juros em dólar
Compenso o Genoino
Com a defeza na cola do Jobim

Das coisas que inventei
Deixo a manteiga e os Juros
Na conta dos aloprados
Um dossiê de apuros

Aos aposentados deixo um fator
Para nunca mais esquecerem
Que no meu governo o pobre
Só farofa é que ele come

Ao PCdoB deixo a copa
Pra tapioca esquentar
E um chope bem gelado
Pra Senadoras Vanessa degustar!

Para o Artur deixo a banana
Pra Heloisa Helena o Limão
Ao Heráclito um abraço forte
E pro Mão Santa a solidão.

Para não ficar na pendência
Reabilito o Zé Dirceu
Da mesma forma o Delúbio
E o Silvinho deixo pra noutra vêz!

Ao Serra dou um conselho
Deixa pro Aécio agora a vêz
Pois o Cassab já é nosso
Junto com ele vem mais de cem

Da rapadura eu Fuji
Do feijão com arroz já escapei
Agora é charuto, caviar e Whisky
Cachaça nunca mais, nem pensar!
Isso é verdade...Não sei.

Nunca antes nesse país
Um presidente esqueceu tanto
Das coisas que aconteciam
Nas barbas e nos seus quantos!
Nunca soube nunca viu, pra não perder o encanto.

Agora deixa eu falar:
Se liga Fernando Henrique
Paguei a divida externa
Agora Vaz me pagar!

Se duas vezes me ganhastes
Outras duas eu ganhei dos teus
Agora com Dilma em campo
Perde eu, perde você

Pra finalizar esse testamento
Quero a todos declarar
Que a Dilma é a minha cara
E o Zé Dirceu nosso cú...elho

Desse governo quero a fiança
Para bancar minhas palestras
Pra engordar a riqueza
E enganar a pobreza.

Seja qual for seu julgamento
Não adianta reclamar
Hoje estou de fora
Amanhã eu quero voltar
Te cuida Dilma, pios posso ainda reencarna.

*Qualqer semelhança com a imagem abaixo é apenas conicidencia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa de Vida Digna

*Heloisa Helena

Eis um período – para mim - maravilhosamente propício para a reflexão sobre Vida, Liberdade, Renascimento, Ritos de Passagem... Hipocrisia, Angústia, Poder, Solidão! Desde criança – na catequese por queridas freiras holandesas e padres católicos - que eu achava muito estranho o fato de Jesus ter sido recebido de forma imensamente triunfal “como Rei e Salvador” pelo mesmo povo que em poucos dias gritavam “Crucifica-o, Crucifica-o”... Eu - pequeninha, magrela e de imensas tranças – ficava pensando “que gente mais falsa...”

O Domingo de Ramos é exemplar! Jesus – debochado por muitos como o “filho do carpinteiro e de Maria” (aliás, pensemos o que sofreu Maria diante das línguas cínicas e ferinas das víboras fofoqueiras...) – que já tinha, de chicote na mão, literalmente botado pra quebrar no templo cheio de farsantes e vendilhões... entra de Jumentinho e é saudado entusiasticamente pela multidão! O Poder Local – César, Pilatos e Cia – em conluio mais que atual, demonstra à multidão que quem estiver ao lado do Rei dos Céus estará contra o Rei da Terra... aí o coeficiente de trairagem popular aumentou velozmente e foram aplaudidas todas as formas de humilhações (da brutalidade nas agressões físicas às cusparadas e xingamentos preconceituosos!). E se faz necessário lembrar que, com raríssimas exceções masculinas, a linda coragem da solidariedade a Jesus, no episódio, ficou mesmo para as mulheres!

O Monte das Oliveiras é outro momento de imensa intensidade espiritual e angústia absolutamente humana... onde Jesus, mesmo tomado pela Fé e Orações, demonstra tanto sofrimento, tristeza e medo... o retrato da humildade das nossas fraquezas humanas, seja nos apóstolos que dormiam ou na extrema exaustão emocional de Jesus que o leva a suar gotas de sangue. E durante a Crucificação, além do perdão e da opção pelo sacrifício, se apresenta também o doloroso sentimento de abandono e solidão gemendo na frase “Eloí Eloí, lema sabactâni...Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste...”

E a Páscoa? Ah! Além dos deliciosos ovos de chocolate para alguns que podem comprar... A Páscoa verdadeira em nosso tempo não chegou! Muitos de nós estamos lutando por ela irmanados nos Ritos de Passagem: Escravidão e Liberdade do Povo de Deus, Morte e Renascimento de Jesus! Infelizmente ainda persistem o sofrido caminhar de muitos nas travessias dos desertos de indigência social; nas peregrinações de humilhações extremas por vagas nas escolas e assistência à saúde; nas horas de angústia e desespero em ônibus superlotados; nos escombros sob as chuvas soterrando crianças; nas infames vendas de órfãos para ricos pedófilos e virgindades de meninas para bandidos políticos; na exploração insaciável e predatória da natureza... e em tantas outras formas de Violência, Escravidão e Morte...

A Páscoa chegará quando a música, em belos adágios por violinos e flautas, estiver sendo tocada por pequenas mãos pobres e frágeis de crianças que o maldito narcotráfico machucou, mas não aniquilou... A Páscoa chegará quando não ensinarmos às nossas crianças a prática desrespeitosa das palavras humilhantes e malditas “negrinha, doido, aleijado, bicha”... A Páscoa chegará quando os idosos estiverem sendo contemplados com profundo respeito às marcas que o tempo deixou... A Páscoa chegará quando não se ostentar por vaidade luxuosa as peles de animais no vestuário... A Páscoa chegará quando a intolerância religiosa for extirpada e o oportunismo vulgar e comercial em nome de Deus for superado...

Alguns dirão que tudo isso é romantismo ridículo e impossível de se concretizar... Alguns vão preferir simplesmente fazer de conta que nada vêm nas dores e sofrimento do mundo crucificado... E euzinha e muitos outros mais repetiremos Cecília: “É preciso não esquecer nada...nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante... O que é preciso esquecer... é o dia carregado de atos e a idéia de recompensa e glória...”

Felizes todos os dias em que buscamos a Páscoa... nas Travessias em Lágrimas pelos Desertos ou em Caminhos Perfumados de Jasmins, Angélicas, Lírios e todas as Flores que anunciam a Generosa Festa da Colheita de Paz e Justiça Social que um dia chegará!

*HELOÍSA HELENA é vereadora pelo PSOL em Maceió.

O Calvário do Encontro das Águas

Elson de Melo

Desde a chegada dos portugueses nas terras dos Manaús, o Encontro das Aguas tem sido palco das atrocidades do capital contra os seres vivos deste pedaço da Amazônia. Uma das primeiras vitima dessa ganância foi o Tuxaua Ajuricaba, o Líder de uma das maiores guerras indígenas de resistência na Amazônia, acontecida no século XVIII.

A foz dos rios Negro e Solimões onde começa o rio Amazonas, local sagrado dos nossos antepassados, conhecido como Encontro das Águas, vem sendo dilapidado desde que o dito homem civilizado aqui chegou, esses representantes do capital trouxeram consigo a maldição que passou ser a Via Crúcis do nosso majestoso Encontro das água em direção ao seu Calvário.

Hoje os cristãos celebram o dia da paixão de Cristo, como penitencia, percorrem juntos os caminhos de Jesus até o Calvário, lá simbolizam a crucificação do senhor, na cruz do meio está Jesus, ao seu lado estão dois ladrões, um se arrepende dos pecados e o outro ironiza Jesus – esse é o Deputado Sinésio Campos do PT no Calvário que ele quer levar o Encontro das Águas –  o outro, simboliza os demais defensores da construção do porto da Vale naquele lugar, que ainda podem arrepender-se desse propósito.

A Quaresma período que compreende quarenta dias é marcada pela Campanha da Fraternidade que teve neste ano um fato relevante para a vida na terra, com o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta” que foi voltada para o meio ambiente; e o lema, “A Criação Geme Com Dores de Parto”, teve no Amazonas suas ações voltada para a preservação do Encontro das Águas, pugnando pela homologação do seu tombamento como Patrimônio Cultural do Povo Brasileiro.

Indiferente a esse apelo dos lideres cristãos, o Deputado Sinésio Campos do PT/AM, comandou uma caravana até Brasília para, em nome do Governador e da empresa Vale do Rio Doce, pressionar a Ministra da Cultura a modificar o perímetro do Tombamento desse majestoso complexo paisagístico, arqueológico, cultural e humanitário.

O Deputado e a Secretária Nádia da SDS querem transformar a Ministra em o Pilatos do Encontro das águas, exigindo que ela venha deixar o povo amazonense apenas ver a “banda passar!” no sentido literal da musica de seu irmão, o renomado cantor e compositor Chico Buarque de Holanda.

Acreditamos que a Filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda, não se impressionou com as ponderações do Deputado e sua comitiva, sua sensibilidade artística e cultural, somada a determinação de mulher, são atributos suficientes para ela analisar a luz dos interesses ecológicos e sociais o trabalho que o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, apreciou e aprovou, cabendo apenas a sua homologação.

Hoje, sexta feira da paixão de Cristo, apelamos a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, que homologue o tombamento do Encontro das Águas, na forma como o Conselho aprovou, para o bem do Amazonas e felicidade daquele ecossistema.

Ministra, não seja o Judas e muito menos o Pilatos do Encontro das Águas!

Feliz Pascoa.
Elson de Melo – Sindicalista

terça-feira, 19 de abril de 2011

Do corredor da morte para o mundo: "Porque é preciso muita gente para fazer a revolução, e muita gente para preservá-la"

Internacional
Glória Muñoz Ramírez

Mumia Abu-Jamal

Durante um ano tentamos uma entrevista com Mumia, um dos presos políticos mais conhecidos do mundo. Enviamos cartas e pedidos através de todos os contatos possíveis que tivemos à mão, entre eles os membros do coletivo Amigos de Mumia México, os quais se ofereceram amavelmente para nos apoiar com uma gestão que tinha como destino o corredor da morte da prisão de Waynesburg, Pensilvania, onde Mumia permanece preso há 29 anos. Até que, certo dia, deslizou por baixo da porta um envelope com o nome de M. A. Jamal como remetente.

Chegava a nós a primeira entrevista que concede a um meio mexicano o ativista da causa afroamericana nos Estados Unidos, ex-membro do Black Panthers Party, o Partido dos Panteras Negras.

Na carta de duas páginas escrita a máquina, Mumia fala da necessidade de organização social, dos partidos políticos "servos do capital", da pertinência dos movimentos autônomos e a transcendência das reivindicações do EZLN, do movimento afroamericano nos Estados Unidos, dos Panteras Negras na atualidade, as contradições entre o discurso e a prática do governo dos Estados Unidos, do pensamento de Frantz Fanon e das expectativas que despertou Obama com sua chegada à presidência, em um país em que "os negros ocupam postos, mas têm pouco poder".

"A luta segue", conclui Mumia, na entrevista que se apresenta a seguir, no formato escolhido por ele:

Olá! Tentarei responder a algumas de suas perguntas no seguinte formato. Vamos lá!

Organizando-nos

Não há uma única maneira de fazê-lo, tampouco um só tipo de evento que impulsione essas coisas. Porque as pessoas são complexas e, claro, as condições mudam. Segundo o grande C.L.R. James (escritor e ativista social trinitário-tobagense), a organização começa quando duas pessoas concordam em trabalhar juntas.

Mao [Tse-Tung] disse que "uma só faísca pode incendiar toda a campina", e esse certamente parece ser o caso quando você observa o que aconteceu no Egito e na Tunísia nas últimas semanas [N.T.: a entrevista foi respondida no início de fevereiro]. Mas também é verdade que a organização esteve se processando por um bom tempo (especialmente no Egito), e parece que muitas pessoas simplesmente chegaram a um ponto-limite.

Os partidos políticos

Muitos, de fato a maioria dos partidos políticos, especialmente nas metrópoles, se tornaram descarados servos do capital. Por isso, competem entre si a serviço da riqueza sem sequer fingir que representam o povo. Como disse acertadamente o historiador francês Toqueville: "O cidadão americano não conhece uma profissão mais alta que a política – porque é a mais lucrativa". Ele escreveu isso há 150 anos! Os partidos são, na verdade, um obstáculo às necessidades e interesses do povo. Isso fica especialmente claro no chamado mundo desenvolvido, onde vemos que os políticos prometem uma coisa para serem eleitos, mas, uma vez que ocupam o cargo, rompem todas as suas promessas.

Autonomia

Se entendo bem (é que há poucos movimentos autônomos nos Estados Unidos), estamos falando de movimentos que são "autônomos" em relação aos partidos políticos. Nesse caso, estou totalmente a favor. Além de serem mecanismos para acumular fortunas pessoais, os partidos políticos são máquinas feitas para dar ao povo a ilusão da democracia.

As propostas do EZLN

Estou totalmente de acordo [com a idéia de nos organizarmos à margem dos partidos políticos e da classe política]. De fato, essa pode ser a única maneira de manter os movimentos sociais frescos e livres das armadilhas da corrupção, tão comuns na vida política em todo o mundo. Durante vários anos, tenho estado conversando sobre isso com um amigo meu, mais velho, que também é um estudioso do EZLN. Creio que devemos explorar, experimentar e, se parece possível, utilizar essa maneira de nos organizarmos.

Os africano-americanos

Para ser sincero, a situação é alarmante. Para milhões de crianças, nos guetos das cidades dos Estados Unidos, o índice de abandono dos estudos é de 50%. Em algumas cidades, como Baltimore, me dizem que chega a 75%. E, em muitos casos, os que chegam ao fim do ensino médio não conseguem entrar na universidade porque receberam uma educação fraca. Estamos falando de crianças! E, enquanto o índice oficial de desemprego, em nível nacional, está ao redor de 7%, para a América negra, é de quase 35% e, para os jovens, mais de 60%. Além disso, os jovens negros estão sujeitos a uma violência policial aberta, brutal e mortal, e é raro que um policial seja castigado por esse tipo de ação.

A eleição de Obama tem despertado e enfurecido as forças direitistas e racistas, muitas das quais se encontram no movimento Tea Party. Há políticos que tecem elogios à Guerra Civil (1860-1865), do ponto de vista sulista. Faz uns dias, o governador do Mississipi estava disposto a honrar com uma placa de automóveis um dos fundadores da Ku Klux Klan, o general Nathan Bedford Forrest, que foi responsável pela tortura e assassinato de centenas de soldados negros em lugar chamado Forte Pillow.

Partido Panteras Negras

Há bastante interesse sobre o BPP entre os jovens negros, mas poucos conhecem os detalhes históricos. Isso porque eles são ensinados por professores e por uma mídia que enfatizam o triunfo do movimento de Direitos Civis, que tornou possível a eleição de políticos negros. O movimento nacionalista negro está em declínio.

O que o movimento de Direitos Civis conseguiu foi a separação dos negros da classe trabalhadora dos negros burgueses, resultando na separação dos negros prósperos de seus primos pobres nas áreas centrais e degradadas das cidades. Isso se reflete em praticamente todos os níveis entre os negros americanos. E isso explica como ( e por que) as escolas para milhões de crianças negras e latinas podem ser tão pobres, em tantas comunidades.

EUA: negros e indígenas

As diferenças são reais porque raramente os espaços vitais são compartilhados (a maioria das comunidades indígenas está em áreas rurais ou no Oeste, enquanto a maioria dos negros vive em áreas urbanas). Dito isto, certamente há uma interação ideológica entre os dois grupos, e o Movimento Índio Americano (AIM) foi com certeza influenciado pelos Panteras Negras e o Movimento Black Power. As lutas pela independência e a liberdade dos negros e dos indígenas se reforçaram e se influenciaram mutuamente.

Migrantes

Como o capitalismo enfrenta uma crise, ele obriga o povo a pensar de maneira menos holística e mais egoísta. Esse impulso, alimentado pelo medo (e propagado pela mídia corporativa), reforça o sentimento de separação entre as pessoas e dissipa a comunalidade, o senso de comunidade e a própria coesão social. A menos que os ativistas sejam capazes de construir um sentimento de solidariedade entre os povos, esses impulsos levarão a verdadeiros desastres sociais e históricos.

EZLN e Panteras Negras

Creio que o fator que une as duas formações é sua insistência em que TODAS as pessoas, de todas as condições sociais, podem jogar um papel importante nos movimentos sociais pela mudança. Muitos dos movimentos nacionalistas negros dos anos 60 eram bastante críticos em relação aos Panteras Negras por trabalharmos com gente branca (também se trabalhava com ativistas chicanos, portorriquenhos, japoneses e chineses). A convocação zapatista sempre foi ao mundo inteiro, às pessoas de qualquer cor, gênero, classe etc. Creio que esse fator inclusivo é, no fundo, seu aspecto mais humanista e que atrai os setores mais amplos da família humana. Porque é preciso muita gente para fazer a revolução, e muita gente para preservá-la.

EUA: contradições entre discurso e prática

Me parece muito atinada sua leitura das contradições nos EUA, que se projetam como avatar dos direitos humanos quando são a nação mais repleta de prisões no mundo. A contradição é crua e irrefutável. Temos muitas coisas neste país, mas a democracia certamente não é uma delas. Temos formas democráticas, mas não temos verdadeiras normas democráticas. Quando milhões de ciadadãos saíram às ruas na primavera de 2002 pedindo que o país não fosse à guerra, a "democracia" ignorou o povo, e o resultado foi um desastre social, humanitário, ecológico, arqueológico e militar. George Bush descreveu esses milhões de pessoas nas ruas como um "grupo de pressão" - que ele prontamente ignorou. Como pode ser que este país, que fala com tanta doçura de liberdade, tenha mais presos políticos que qualquer outra nação do mundo, a maioria sendo negros? Os EUA têm cerca de 5% da população do mundo, mas 25% dos seus presos. Que mais dizer sobre direitos humanos?

Franz Fanon e Obama

Os africano-americanos não tomaram o poder quando elegeram Obbama, ainda que eu possa entender por que alguns pensam que eles o fizeram. Isso porque o que se fez foi um certo tipo de história. Pela primeira vez uma pessoa negra foi eleita presidente (interessante, isso ocorreu quase um século e meio depois que um homem negro foi eleito presidente do México [N.T.: Mumia provavelmente se refere a Benito Juárez, que era indígena de origem zapoteca]). Mas, como Fanon nos ensinou, no contexto do continente africano, o colonialismo foi sucedido pelo neocolonialismo. Os negros ocupam os cargos, mas, na realidade, têm pouco poder. Eles estão em dívida com os mesmos interesses que controlam os políticos brancos. De fato, a triste realidade é que os negros têm menos poder que antes, porque os políticos negros são menos capazes de tratar dos assuntos relevantes para a população negra, por medo de serem tachados de "racistas" pela mídia corporativa. Lembremos o exemplo de quando Obama chamou de "estúpido" o policial que perseguiu e prendeu seu amigo e antigo professor universitário Henry Louis Gates.

A mídia enlouqueceu. O incidente também demonstrou que alguém da elite negra (e, se um professor de Harvard não é da elite, ninguém é), o professor Gates, foi tratado como um negro pobre do bairro – detido em casa, humilhado e preso por atrever-se a falar com dignidade com um policial branco. A mídia obrigou Obama a calar-se.

Eu

Como diziam os moçambicanos, "a luta continua". Temos que construir, ampliar, aprofundar e fortalecer nossa luta onde quer que seja, porque, como dizia Frederick Douglas, "sem luta, não há progresso". Pode não ser fácil, mas é necessário.

Adiós, mis amigos, y gracias por todo!

Mumia

Tradução: Spensy Pimentel

Quem é?

O jornalista Mumia Abu-Jamal (nome recebido ao se converter ao islamismo), ou Wesley Cook, ficou conhecido por seu programa de rádio "A voz dos sem-voz".

Militante negro anti-racista e ex-integrante Partido dos Panteras Negras, Jamal foi condenado a morte por, supostamente, matar um policial que espancava seu irmão, no início dos anos 80.

Ao longo de mais de 20 anos de uma incessante batalha judicial em um processo cheio de falhas, Jamal é considerado um prisioneiro político dos Estados Unidos condenado à morte.

Original: Desinformémonos

Fonte: Brasil de Fato, segunda-feira, 11/04/2011
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EUA: Mais negros na prisão que escravos em 1850

Washington, 13 abr. (Prensa Latina) - A taxa de negros na população penal dos Estados Unidos é surpreendente e, longe de diminuir, os índices aumentam, afirmou um especialista.

Mais de 40% dos cerca de 2,5 milhões de estadunidenses que se encontram nas prisões do país correspondem a esse grupo.

Michelle Alexander, professor de Direito em Ohio, expressou que a taxa é "surpreendente", em grande parte, por práticas discriminatórias do injusto sistema judicial.

A denominada guerra contra as drogas - advertiu -, um problema que atinge a sociedade em seu conjunto, é realizada quase exclusivamente nas comunidades pobres de residentes negros.

"Os estudos têm demonstrado que os brancos usam e vendem drogas ilegais a preços iguais ou superiores aos negros", pontualizou, citado pela página digital Alter Net.

Autor do livro The New Jim Crow: Mass Incarceration in the Age of Colorblindness, Alexander considerou que em algumas comunidades negras do país, "quatro em cada cinco jovens pode esperar para ser aprisionado no sistema de justiça penal durante sua vida".

E destacou também que neste momento há "mais homens afroestadunidenses presos ou em liberdade condicional que todos os que foram escravizados em 1850, antes da Guerra Civil".

Segundo dados oficiais, 1 em cada 9 homens negros na faixa de 20 a 34 anos estão na prisão, enquanto no país 1 em cada 100 pessoas se encontra atrás das grades.

Com ao redor de 5% da população mundial, os encarcerados chegam a 25%.

Além dos negros, o fenômeno também é recorrente entre latinos e indígenas.

Na atualidade, as indústrias nas prisões geram lucros de cerca de 30 bilhões de dólares ao ano.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia do índio em Belo Monte: nações indígenas e caboclos Ribeirinhos na fila de execução do Governo Brasileiro

Por Elson de Melo

Nunca antes na história deste país, podemos testemunhar um genocídio anunciado, e, muito bem articulado pela face carrasca do Governo Brasileiro.

O Estado brasileiro coloca na fila da execução nações indígenas, caboclos ribeirinhos e outras imensidões de seres vivos, animal e vegetal, que sem o direito a defesa previa, estão sendo condenados pelos poderes: executivo, legislativo e judiciário do Brasil, a sentença é cruel. Pena de morte! Morte por execução psicológica e moral.

Belo Monte é um longo processo articulado pelo capital a época do regime ditatorial que infelicitou nosso país por mais de vinte anos, retomado pelo governo Lula, primeiro operário Presidente e agora levado a execução definitiva por Dilma, primeira mulher Presidente do Brasil. Bela combinação! Infelizmente as vitimas são brasileiros da Amazônia, e, estão sendo tratadas como réus do processo de desenvolvimento das forças do capital, são índios, caboclos, floresta, agua, animais silvestres e peixes que serão dizimados dos seus hábitats.

Hoje quando celebramos o Dia do Índio, não podemos esquecer-nos de denunciar essa cruel e sanguinária face de um governo dito democrático, cuja origem dos seus comandantes vem da resistência ao período ditatorial, onde milhares de jovens pagaram com a vida o preço de lutarem por democracia, agora, num ato de servilismo ao capital, atentam contra a vida de pessoas e dos rios da Amazônia e sua população de outros seres vivos.

Acuados e sem a quem apelar no território Nacional, essa população buscou sensibilizar a comunidade internacional, mais precisamente a OEA, que prontamente analisou a petição e solicitou do governo brasileiro explicações sobre a forma sorrateira e dissimulada que esse governo conduziu as tratativas, ignorando as oitivas dos índios e caboclos ribeirinhos. Que mal pergunte! Quem pode falar pelas arvores, rios, lagos, igarapés, macacos, antas, jurutis, cobras, peixes, em fim, os demais seres vivos, animal, vegetal e mineral?

Vejam que tanto o governo Militar, como o de Lula e Dilma, desconhece a complexidade dessa região. Todas as abordagens sobre o processo, é orientado, feito e pago pelos consórcios(empresas) interessado direto. Os órgãos ambientais estatais, são manipulados pelo interesse do governo. Isso tudo tem nome. É parceria para matar! Matar a população do Xingu e adjacências!

Dia 19 de abril de 2011, mais de cinco séculos do descobrimento do Brasil, a história se repete! O capital e seus agentes estatais dão proceguimento ao genocidio de indios . Hoje é um dia para ser lembrado como, a data que o Primeiro operário e a primeira mulher Presidentes do Brasil, colocam na fila da execução, milhões ou trilhões de seres vivos na Amazônia.

Aos brasileiro de verdade, viventes da Amazônia, índios e Caboclos, não é hora de esmorecermos, de calar ou desistir, vamos em frente nas nossas lutas, em defesa da floresta, da agua, da vida!

Salve o dia do índio.
Deus salve a Amazônia!
Nosa luta continua.

Elson de Melo - Sindicalista

Olho na defensiva com a reforma política

Por Edilson Silva

O debate sobre a reforma política está na pauta do país. A insatisfação da população com a “política” é o seu fator propulsor, contudo, são exatamente aqueles que em sua maioria criam esta insatisfação que estão na proa deste processo de reforma. Logo, podemos estar diante não de uma possível reforma, mas de uma contra-reforma, ou seja, a emenda pode ficar pior do que o soneto.

Uma reforma política de verdade passaria necessariamente pelas preocupações constantes na Plataforma dos Movimentos Sociais (http://www.reformapolitica.org.br/biblioteca.html), que tenho acordo no fundamental, pois trata a democracia como um sistema, e não como uma colcha de retalhos de interesses corporativos. Nesta plataforma, trabalha-se a partir de um diagnóstico correto da patologia política que vivemos: déficit de representatividade e falta de participação popular, que trazem como subproduto este desvínculo do poder público com os interesses republicanos e democráticos. Os “homens públicos” que foram escalados para debater e apresentar sugestões – há as exceções, claro - sobre esta reforma são exemplos deste desvínculo: Paulo Maluf, Waldemar da Costa Neto e outros feitos a partir da mesma matéria-prima.

Entre a lógica sistêmica e coerente apresentada pela plataforma dos movimentos sociais e as intenções dos grupos dominantes na política brasileira existe um abismo considerável. Prova maior disso é a proposta que vem sendo chamada de “distritão”, que prevê o fim do voto proporcional em chapas e coligações, determinando que os candidatos mais votados sejam os diplomados, o que consolidaria os partidos como meros apêndices de caciques. Esta proposta tem até um certo apelo junto à população, que por motivos vários acabou fulanizando a política e pensa da seguinte forma: como pode um candidato mais votado “não entrar” e outro menos votado “entrar”?

A solução, no entanto, não passa por personalizar o voto, o que seria o aprofundamento dos graves problemas já existentes – como a transformação descarada de políticos em lobistas diretos de interesses privados -, mas passa sim por vincular o voto a um projeto político, a um ideário que esteja claro no momento do voto. Para tanto, enquanto não se pensa em outro mecanismo possível, o próximo passo possível parece ser a eleição em lista partidária pré-ordenada, com o voto somente no número da agremiação partidária. Este mecanismo, para ser coerente com sua essência, pressupõe financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais e dos partidos políticos.

Outra proposta que sempre aparece nos momentos de se discutir mudanças no sistema político e eleitoral, e agora não está sendo diferente, é a cláusula de barreira, que limitaria ou impediria os pequenos partidos, mesmo com representação no Congresso Nacional, de participarem plenamente da vida política do país: sem pleno funcionamento parlamentar, sem acesso aos programas de TV e rádio e possíveis de serem segregados nos debates e programas de TV e rádio nos processos eleitorais, sendo transformados em meros figurantes da política.

O pseudo-argumento para esta cláusula de barreira é evitar que partidos com pouca representação, do ponto de vista quantitativo, operem na política, pois seriam partidos de aluguel. Este pseudo-argumento omite, malandramente, o fato de que aluguel só se estabelece numa relação bilateral, ou seja, alguém paga pelo aluguel. Então, qual seria o remédio para a outra parte neste ilícito eleitoral?

Outra questão ainda mais importante neste debate sobre cláusula de barreira: em política não se mede relevância apenas por critérios quantitativos, mas qualitativos. O PSOL, por exemplo, possuía na legislatura passada apenas um deputado estadual no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, mas este foi protagonista na CPI das Milícias, sendo seu presidente, CPI que vem tendo repercussões profundas na sociedade fluminense. No senado, na presente legislatura, quando todos os outros partidos curvaram-se à candidatura única de José Sarney, coube ao PSOL, com apenas dois senadores, apresentar uma alternativa, com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Na Câmara dos Deputados, onde o PSOL possui apenas três deputados, o deputado Jean Willys (PSOL-RJ), só para ficar neste exemplo, vem enfrentando brava e brilhantemente os setores mais conservadores daquele poder. Há vários anos todos os parlamentares do PSOL na Câmara (nunca tivemos mais que três parlamentares) são eleitos pela imprensa especializada entre os dez melhores parlamentares daquela Casa. Ou seja, tamanho, em política, não é documento.

Por esta razão, a sociedade deve estar atenta sobre os debates e soluções saídas das comissões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Distritão e cláusula de barreira são na verdade duas contra-reformas, dois atrasos na já insuficiente democracia brasileira. Precisamos buscar avançar, mas não podemos descuidar da defensiva.

Presidente do PSOL-PE

WWW.twitter.com/EDilsonPSOL

WWW.edilsonpsol.blogspot.com

sábado, 16 de abril de 2011

Playa Girón: vitória também sobre a mentira estadunidense

Internacional
Diony Sanabia Abadia
Play Girón

Havana 11 abr. (Prensa Latina) - Por mais que corra a mentira, ao final a verdade a atinge, sentença em Cuba que é um velho ditado popular, cujo significado pode se vincular hoje a uma agressão mercenária ocorrida há meio século.

Como preâmbulo do ataque em Praia Girón, oito aviões B-26, com as identificações da Força Aérea Revolucionária e a bandeira nacional, bombardearam a ilha caribenha e, ao invés de defender um povo vitorioso, arremeteram contra ele.

A carga mortífera dessas aeronaves encontrou alvos em três aeroportos: um no município havaneiro de San Antonio de Los Baños, outro nesta capital e o último na oriental cidade de Santiago de Cuba.

O propósito dos agressores era destruir os aviões em terra e privar a maior das Antilhas desses meios para sua defesa ante a invasão que por Girón, conhecida em círculos políticos de Washington como Baía dos Porcos, ocorreria depois.

Naquela madrugada de 15 de abril de 1961, artilheiros, pilotos e mecânicos cubanos ocuparam rapidamente seus postos e muitos jovens puseram para funcionar todas as peças antiaéreas em questão de segundos.

De acordo com depoimentos de protagonistas de ditos acontecimentos, uma decisão ocupava suas mentes: defender até as últimas consequências a independência e soberania conquistadas com muito sangue, suor e sacrifício.

Ainda que para os cubanos esteve muito claro desde o início a intervenção dos Estados Unidos nos acontecimentos, posteriores declarações dos mercenários e revelações da Agência Central de Inteligência (CIA) confirmaram a responsabilidade de Washington.

Em uma carta enviada em 1961 ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas Pedro Armas assegurou que participou da invasão a Cuba depois de ter sido treinado na Guatemala por instrutores estadunidenses, vários deles da CIA.

Outro dos agressores manifestou ao ser preso que foi recrutado em território norte-americano e treinado militarmente em dita nação centro-americana para tomar parte no desembarque por Praia Girón.

No entanto, Washington empenhava-se em afirmar sua carência de vínculos com a invasão, derrotada em menos de 72 horas, ainda quando a Cuba sobravam provas irrefutáveis para assegurar o contrário.

Documentos desclassificados pelo governo norte-americano confirmaram em julho de 1999 a veracidade histórica da demanda judicial cubana a respeito da organização e financiamento da operação encoberta dos Estados Unidos.

Os esforços para ocultar a participação da Casa Branca foi um segredo aberto desde o mesmo início da chamada Operação Mangosta, como admitiu em suas memórias o ex-presidente estadunidense Dwight D. Einsenhower.
Este presidente republicano assegurou ter dado ordens precisas à CIA para a agressão, cujo aval definitivo o concedeu o mandatário democrata John F. Kennedy depois de assumir o poder.

A derrota mercenária em Cuba: Praia Girón
Yudith Diaz Gazán
Havana, 12 abr. (Prensa Latina) - O aniversário de 50 anos da vitória de Praia Girón tem singular relevância para o povo cubano e é recordado pela derrota em 1961 da invasão de tropas mercenárias, treinadas pela Agência Central de Inteligência (CIA).
Aquele plano de incursão armada foi aprovado pelo presidente dos Estados Unidos Dwight D. Eisenhower, que no dia 17 de março de 1960 ordenou iniciar o recrutamento dos mercenários de origem cubana, encarregados do desembarque pela oeste província de Matanzas.

Segundo documentos históricos, a cada um deles foram oferecidos 225 dólares mensais, mais 50 adicionais pelo primeiro filho e 25 pelos restantes. Ao todo destinaram-se inicialmente 4,4 milhões de dólares, cifra que depois se multiplicou.

A CIA estabeleceu 13 acampamentos de treinamento disseminados por Guatemala, Nicarágua e Estados Unidos e bases militares norte-americanas em Porto Rico e na região do canal do Panamá.

Dias após as eleições nos Estados Unidos, em 18 de novembro de 1960, a CIA expôs ao presidente eleito John F. Kennedy os pormenores do plano e este aprovou a ideia.

Em 15 de abril de 1961, enquanto o agrupamento naval mercenário navegava rumo a Cuba escoltado por navios norte-americanos da Marinha de Guerra, oito bombardeiros B-26 pintados com símbolos da Força Aérea Cubana bombardearam duas bases da aviação e um aeroporto civil.

Depois, no enterro das vítimas do ataque, foi proclamado o caráter socialista da Revolução e decretou-se o estado de alarme de combate para o país. Nesta data celebra-se a cada ano o Dia do Miliciano.

Ao mesmo tempo que se intensificava o apoio aos grupos mercenários enclavados na Flórida e encarregados das ações terroristas contra Cuba, se desatou uma campanha midiática cujo objetivo era assegurar a futura agressão direta.

Foram satanizadas as medidas revolucionárias adotadas em benefício popular, como a reforma agrária que entregou a terra aos que a trabalhavam, ou a reforma urbana, liquidadora dos proprietários de casas que exploravam a necessidade popular de moradias.

Imprensa e políticos de numerosos países, unidos ao plano desestabilizador, vincularam a abertura de Cuba às relações com todos os estados a um suposto ataque da União Soviética ao mais importante bastião capitalista e a seus aliados na América Latina.

Os Estados Unidos colocaram todo seu poderio de propaganda para convencer o mundo, mediante falsas notícias, da existência de uma rebelião interna do povo cubano e do respaldo a um "governo no exílio" constituído por políticos tradicionais e corruptos.

O desembarque em Cuba da denominada Brigada 2506 começou no dia 17 de abril e a mesma reunia características similares às unidades de assalto anfíbio das forças armadas dos Estados Unidos. Tinha cerca de 1.500 homens armados, tanques e artilharia de campanha.

As forças cubanas estavam integradas por combatentes do Exército Rebelde e da Polícia Nacional Revolucionária, mas o grosso eram milicianos voluntários com escassa ou nenhuma experiência combativa.

Dirigidas pessoalmente pelo líder da Revolução, Fidel Castro, as tropas cubanas não deram trégua ao inimigo e às 17h30, hora local, do dia 19 de abril, a invasão estava liquidada.

Playa Girón: um patamar superior nas agressões contra Cuba

Havana, 13 abr. (Prensa Latina) - A invasão organizada pelos Estados Unidos em Playa Girón, na ocidental província de Matanzas, constituiu há 50 anos um patamar superior no acúmulo de ações hostis para destruir a Revolução Cubana.

Os atos criminosos planejados em solo norte-americano tinham incluído a explosão do vapor La Coubre, um barco francês que transportava armas e munições, em 4 de março de 1960, no porto de Havana.

O povo, junto com policiais e bombeiros, prestava ajuda para resgatar os feridos, quando uma segunda explosão surpreendeu a todos e terminou com a vida dos que se desempenhavam nesse gesto solidário.

Especialistas ressaltaram que as explosões provocaram centenas de mortos e feridos, enquanto os cubanos denunciam como objetivo dessa agressão a desestabilização do processo iniciado na ilha em 1 de janeiro de 1959. Também nos primeiros anos da nascente Revolução, os Estados Unidos impisuram à nação caribenha uma série de medidas punitivas, entre as que sobressai o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha.

De acordo com o mais recente relatório do arquipélago à Assembleia Geral de Nações Unidas, sobre a necessidade de pôr fim a essa política, os prejuízos desse cerco que ainda continua se estimam em 751 bilhões 363 milhões de dólares.

Ainda que para 1961 as agressões de Washington incluíessem a queima-a de canaviais, a incursão em águas cubanas de embarcações piratas e a morte de seres humanos, nunca se tinha levado a cabo uma operação de caráter claramente militar.

Em 15 de abril, aeronaves dos Estados Unidos com insígnias da nação caribenha atacaram os aeroportos de San Antonio de los Baños e Ciudad Libertad nas antigas províncias de havana e de Santiago de Cuba, território oriental.

No dia seguinte, durante a cerimônia que rendeu tributo às vítimas, o líder da Revolução, Fidel Castro, declarou o caráter socialista do processo, ao mesmo tempo que alertou sobre uma iminente agressão armada.

Os invasores, treinados pela norte-americana Agência Central de Inteligência, penetraram por Playa Girón e foram derrotados em menos de 72 horas pelas recém criadas Milícias Nacionais Revolucionárias, tropas da Polícia e do Exército Rebelde.

O sucesso do povo da ilha em Playa Girón, o mais alto expoente então da hostilidade norte-americana contra Cuba, passou à história como a primeira grande derrota dos Estados Unidos na América Latina.

Cuba recorda ato terrorista preâmbulo de invasão mercenária

Havana, 13 abr. (Prensa Latina) - Cuba recorda hoje o ato terrorista contra a loja central de El Encanto, uma dose criminosa do preâmbulo da invasão mercenária a Praia Girón organizada e financiada pelos Estados Unidos em abril de 1961.

Na sabotagem contra a instalação comercial, perdeu a vida a cubana Fe del Valle, 18 pessoas sofreram lesões e as perdas econômicas chegaram a 20 milhões de dólares.

Documentos históricos precisam que em 9 de abril de 1961 explodiu uma bomba nos portões da loja, mas sem consequências maiores do que a destruição de alguns vidros.

Quatro dias depois, em seguida à explosão de dois artefatos incendiários preparadas com C-4, as chamas no Encanto cobraram força aproximadamente às 19h00, hora local, e afetaram também os estabelecimentos próximos Lynx e Indochina.

O acidente foi provocado por Carlos González, trabalhador do departamento de discos do centro e membro do grupo terrorista Movimento de Recuperação do Povo, do qual seu parente Reynold González era o cabeça.

Após os fatos, o criminoso foi detido como suspeito na Praia Baracoa, a oeste da capital, com a intenção de abandonar a maior das Antilhas.

Vários depoimentos afirmam que Fe del Valle, chefa do Departamento de venda infantil, pôde sair com vida do Encanto, mas sua morte ocorreu ao regressar para resgatar os bilhetes da arrecadação de fundos para a cobnstrução de círculos para crianças (creches).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Audiência pública aprova manifesto em apoio à OEA

Decisão foi tomada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal na última quinta-feira, 7, em Belém, que discutiu os impactos sociais, ambientais e humanos da obra da hidrelétrica de Belo Monte.

Publicado em 13 de abril de 2011
Por Xingu Vivo

A audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal na última quinta-feira, 7, em Belém, para discutir os impactos sociais, ambientais e humanos da obra da hidrelétrica de Belo Monte, aprovou um manifesto em apoio à decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) de solicitar ao governo brasileiro a suspensão imediata do processo de licenciamento da obra em função do potencial prejuízo que a construção da usina poderá trazer aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu.

O manifesto terá a assinatura de integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, de parlamentares da Assembléia Legislativa do Pará e de representantes de organizações, entidades e comunidades ribeirinhas e indígenas presentes à audiência.

“A Decisão da OEA não fere a soberania do Brasil porque o país é signatário do Pacto de Direitos Humanos e, como tal, deve seguir a convenção”, afirmou o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-Pa), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Foi ele quem solicitou a audiência, com o apoio do Ministério Público Federal e do Conselho Regional de Economia no Pará. O objetivo principal foi discutir a situação das famílias que serão atingidas pelas obras da hidrelétrica.

Também foi decidido que uma nova audiência será realizada em Brasília para ampliar o debate na Câmara Federal sobre o tema, em especial envolvendo integrantes da Comissão de Minas e Energia. Outra decisão foi levar o mesmo evento ao município de Altamira, na região da Transamazônica, para que um maior número de representantes de comunidades e entidades seja ouvido.

A audiência pública também aprovou que o Ministério Público Federal deverá solicitar a revisão de todos os contratos de construção de Belo Monte, inclusive com a auditoria de todos os documentos para uma fiscalização e reavaliação da obra.

Por fim, ficou definido que será solicitada uma audiência com o governador Simão Jatene para discussão do assunto. Um relatório também será apresentado na próxima terça-feira à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, com o resultado da audiência e sugestões dos próximos passos que serão tomadas para que os diversos condicionantes à construção da usina sejam cumpridos.

(Com informações da página do deputado federal Arnaldo Jordy)
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

O MUNDO TODO SE MOVIMENTA: Abaixo-assinado em defesa do tombamento do Encontro das Águas no Amazonas

Assine aqui: >> Assine este abaixo-assinado << e salve o Encontro das Águas

Cidadãos do mundo, Brasileiros e Amazonenses, uni-vos em defesa do Encontro das Águas antes que o deputado Sinésio Campos e sua tropa de choque(lobistas) consigam o intento nefasto de reduzir a área de tombamento. Entre os integrantes da referida tropa algumas entidades que apoiaram a construção da usina hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo-AM, um empreendimento que gerou um forte impacto ambiental e social, a um custo astronômico de 1 bilhão de reais e uma geração de energia aquém das demandas da cidade de Manaus.

O Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, formadores do rioo Amazonas, é uma das maravilhas naturais da Amazônia, do Brasil e do mundo. Esse ícone é reconhecido como patrimônio local da humanidade, devendo ser preservado para que os povos no presente e no futuro desfrutem das riquezas naturais e humanas dessa paisagem. Esse patrimônio é protegido pela Constituição Federal e do Estado do Amazonas por ser um bem cultural paisagístico e simbólico, representativo da Amazônia e de seus povos.

Verdadeiro espetáculo da natureza, que despertou nos colonizadores atitudes de espanto e admiração, o Encontro das Águas mereceu de Frei Gaspar de Carvajal (1542) a seguinte exclamação: “vimos a boca de outro grande rio que entrava pelo que navegávamos, pela margem esquerda, cuja água era negra como tinta e, por isso, o denominamos rio Negro. Suas águas corriam tanto e com tanta ferocidade que por mais de vinte léguas faziam uma faixa na outra água, sem com ela misturar-se”. Esse símbolo da Amazônia está sendo ameaçado pelo terminal portuário Porto das Lajes que está na iminência de ser construído na confluência do Encontro das Águas do rio Negro com Solimões, à margem esquerda do rio Amazonas, na foz do Lago do Aleixo, nas vizinhanças da Reserva Particular de Patrimônio Natural Nossa Senhora das Lajes, do Pólo Industrial de Manaus e das comunidades do Bairro Colônia Antonio Aleixo. O Encontro das Águas assim como as Lajes representam nossa identidade geográfica e nossa memória natural, assim como o Corcovado e a Chapada Diamantina o são para suas respectivas regiões.

Nessa área, onde antagonicamente pretende-se construir o terminal portuário será implantado o mirante do Encontro das Águas, projeto da Prefeitura de Manaus assinado pelo renomado Oscar Niemeyer e também, deverá ser implantado o Programa Água para Manaus, que visa a captação e tratamento de água para abastecimento de 500 mil pessoas, com recursos do Governo Federal.

O mega-projeto do terminal portuário pretende construir um pátio com mais de 100 mil metros quadrados de área, com capacidade para atender 250 mil unidades de conteiners, prejudicando a qualidade de vida futura de Manaus, pois irá degradar paisagisticamente o cenário de nosso principal ponto turístico, destruindo também os sítios arqueológicos das Lajes, juntamente com a bela área de lazer da população e poluindo, quimicamente e biologicamente, os recursos hídricos, afetando diretamente a qualidade da água no ponto de captação a ser construído, além de destruir o recurso pesqueiro da Comunidade da Colônia Antônio Aleixo e da circunvizinhança.

O Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal instauraram processo civil público para apurar as irregularidades da construção do complexo portuário. Do mesmo modo, as comunidades do Lago do Aleixo também se manifestam contrárias a construção do Porto das Lajes devido à degradação paisagística, ao desmatamento, ao assoreamento dos leitos dos lagos, à poluição química e biológica da água dos rios e lagos, ao impacto na fauna aquática, incluindo estoques pesqueiros e botos, bem como a degradação de sítios arqueológicos e geológico, e a depauperação dos recursos naturais e culturais de uso comunitário do Lago do Aleixo que o empreendimento acarretará.

Os moradores clamam para que o órgão ambiental responsável pelo licenciamento convoque os empreendedores a escolher uma área de menor importância paisagística e já degradada e, em respeito à legislação ambiental, promovam estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) de melhor qualidade técnico-científica do que o já apresentado, capaz de identificar os impactos ambientais e sociais do empreendimento e que a comunidade do entorno seja ouvida obrigatoriamente. O EIA/RIMA deverá propor claramente medidas concretas de mitigação e compensação de todos os impactos ambientais e sociais negativos.

Nós representantes da Sociedade Civil, Amigos de Manaus, manifestamos nossa indignação frente ao descaso dos governantes, que permitem a degradação de nossos recursos naturais e culturais, sem nenhum compromisso com a responsabilidade social e ambiental. Para tanto, exigimos que o terminal portuário Porto das Lajes não seja construído no Encontro das Águas e que esta região, incluindo as duas margens e ilhas e lagos, sejam transformadas em Unidade de Conservação, com fins paisagísticos, lazer e uso sustentável dos recursos naturais, garantindo esse Patrimônio às futuras gerações.

Finalmente, recorremos ao Ministro da Cultura, da República Federativa do Brasil, para que seja feito o Tombamento das Lajes e do Encontro das Águas, declarando esses bens como Patrimônio da Humanidade. Manaus, 17 de dezembro de 2008.

Associação Amigos de Manaus - AMANA / Associação, Cultural, Ambiental e Tecnológica – WOMARÃ / Fórum Permanente de Defesa da Amazônia / Associação de Moradores da Colônia Antonio Aleixo / Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus / Núcleo de Cultura Política do Amazonas – NCPAM/UFAM / Sindicato dos Jornalistas do Estado do Amazonas / Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo / Associação Jesus Gonçalves / Associação Beneficente dos Locutores Autônomos de Manaus / Conselho Municipal de Mulheres / Articulação de Mulheres do Amazonas - AMA / Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA / Associação Chico Inácio.

domingo, 10 de abril de 2011

A Infâmia da Intolerância contra os Vulneráveis Socialmente

Política
Heloísa Helena

Heloísa Helena

Ao longo da minha história de vida, desde a infância pobre no interior de Alagoas, vivenciei o belo aprendizado de admirar a coragem como atributo essencial na formação do caráter da mulher e do homem. Aprendi com a vida que sem coragem não é possível ser honesto em terreno ocupado majoritariamente por bandidos, como é a política... Sem coragem não é possível ser solidário e caridoso para defender o oprimido das mãos cruéis dos que tentam aniquilar sua dignidade... Sem coragem não é possível defender a pequena e pobre criança do mundo maldito e poderoso do narcotráfico... Sem coragem não é possível defender os recursos naturais da exploração predatória e feroz da acumulação de riquezas à custa da vida das futuras gerações... Sem coragem estaremos mesmo condenados às prisões do submundo do silêncio diante de todas as formas de expressão dos reinos de dinheiro e poder!

Aprendi também que não é sinônimo de coragem e sim prova cabal da desprezível covardia humana os comportamentos de intolerância e humilhação contra os mais fracos, contra aqueles vulneráveis socialmente e massacrados pela classe social, gênero, cor da pele, orientação sexual, convicção religiosa... isso tem permitido a muitos espancar, violentar, mutilar e assassinar seres humanos. A crueldade desses métodos, dissimulados ou explícitos, tem constituído inaceitável direito por alguns de marcar pela violência imunda e cruel o corpo e a dignidade de outros com a prática que deve ser chamado de crime de racismo, homofobia, intolerância religiosa, machismo e, portanto iniqüidade contra os que pensam, vivem e amam de forma diferente dos padrões e valores hegemonicamente aceitos em nossa sociedade.

Ao longo da história da humanidade, sob a égide da intolerância, milhões de vidas humanas foram destruídas pelos preconceitos e pela tentativa de supremacia do poder material e das convicções pessoais ou espirituais de uns sobre o esmagamento da dignidade dos outros.

Na abordagem das convicções espirituais quem pode esquecer as histórias de horror patrocinadas pelo poder reinante contra mulheres e homens cristãos, templos sagrados do espírito santo que foram crucificados, queimados, destruídos... ou a indignidade contra judeus e muçulmanos e budistas e umbandistas e entre as religiões ou na vã tentativa de acabar com todas elas...experiências onde cada uma religião tenta trazer pra si a exclusividade comercial da condição de ungido por Deus ou no outro extremo, os ungidos pelo fanatismo ideológico e ateísmo que tentam ser proprietários da mente e coração de outros.

Revisitando a nossa própria história temos obrigações com a construção ao menos de uma sociedade de menos barbárie e a necessária preservação das lembranças que insistem em nos dizer: ...A ninguém é dado o direito de esquecer os terríveis colares de orelhas humanas que eram ostentados pelos caçadores de escravos ou as marcas de ferro em brasa que marcavam os negros ou os ganchos de ferro que atravessavam as costelas das negras e as penduravam para sangrar até morrer... A ninguém é permitido esquecer das pequeninas mulheres menininhas pobres que têm suas virgindades leiloadas e são estupradas pelos políticos bandidos e autoridades vagabundas de Alagoas ou em qualquer outro pedaço de terra deste planeta... ... A ninguém é concedido o poder de humilhar com palavras chulas e vulgares ou esbofetear, mutilar e assassinar alguém por sua orientação sexual ou por sua relação homoafetiva... A ninguém deverá ser possível fingir que não viu o mendigo ou morador de rua ou índio em chamas, todos assassinados porque eram o retrato da triste e angustiante miséria humana...

Quem tem realmente coragem de tentar mudar o mundo e construir uma nova sociedade de paz, ética, justiça e solidariedade não prioriza atacar covardemente os mais frágeis e vulneráveis socialmente e não ousa quebrar em pequenos fragmentos de dor e humilhação o coração daqueles que muitas vezes nem podem escolher como viver. Quem realmente quer semear generosidade e respeito em nossa tão frágil "democracia" possibilita, desde a infância em casa até as atividades educacionais e culturais em público, a compreensão ética da belíssima diversidade humana e assim usará a coragem com suas palavras de fogo e esperança inquebrantável contra os reinos podres de corrupção, violência e poder e jamais ostentará arroubos de covardia contra os mais pobres, simples e vulneráveis socialmente!

A RENUNCIA À IMORTALIDADE NO INFERNO

Artigo XIII do Estatuto do Homem (Thiago de Mello)

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Moacir de Andrade e Thiago de Mello
Por Elson de Melo

A semana passada ficou marcada por atitude dispares de dois ícones da cultura Amazonense, de um lado a firmeza ética do poeta Thiago de Mello, de outro o servilismo governamental do artista plástico Moacir de Andrade.

Ao saltar no aeroporto de Berlim, para sua surpresa, o poeta de Faz Escuro mas Eu Canto, porque a manhã vai chegar, encontra um coral na recepção de boas vindas, interpretando o poema musicado “Os Estatutos do Homem” de sua autoria.

Esse é poeta Thiago de Mello, figura literária universalmente conhecida, que semana passada renunciou ao título de acadêmico imortal da Academia Amazonense de Letras.

Denota-se no gesto do poeta, uma revolucionária repulsa ao erro da diretoria da entidade, que aceitou a proposta de emenda estatutária, de um outro acadêmico, também notável, o pintor Moacir Andrade.

Ora, os dois perfilados imortais, já dobraram na longevidade, o cabo da Boa Esperança, pois já tem ambos mais de 80 anos de vida. Acontece, que o poeta adquiriu a sabedoria do coco velho, quanto mais velho mais dá azeite, enquanto o pintor da “bola chata”, como o tratava, o promotor e poeta Américo Antony, está depauperando a sua verticalidade cidadã, pois já na velhice, se deixa levar pelo canto de yaras politicas, contumazes em formar quadrilhas para se perpetuar no poder.

Além do mais, o dito cujo imortal, apesar de sua refulgente história como artista plástico, é reincidente na prática indecorosa, pois participou da comitiva mentecapta contra o nosso Encontro das Águas, liderada pelo Anão de Periferia, apelido carinhoso(...), legado pela gente boa da Zona Leste, ao mesmo professo Sinésio Campos, deflagrante apalpador de ilhargas governistas, e dito hobit-lobysta da Vale do Rio doce.

Apesar do aplauso que sempre legamos ao famoso pintor amazonense, não podemos engolir tanto servilismo, aos poderosos. Achávamos que o dito cujo já tinha esquecido o incidente macabro, de ser o artista da ditadura, que torturou a liberdade brasileira durante 3 décadas. Falhamos, ele continua o mesmo de sempre, e agora mais que nunca, o esqueleto fétido da própria velhice. É muito feio, envelhecer sem honra, e senil nas praticas circunstancias.

Aplaudimos, o velho poeta, como Neruda, seu amigo, também universal, e o felicitamos por chicotear a canalha, que infelizmente também ronda as múmias salteadoras da nossa flamante Academia Amazonense de Letras, infelizmente agora também transformada em inferno de espertalhões, espertinhos, compadres e comadres acadêmicas.

Elson de Melo é Sindicalista