segunda-feira, 7 de março de 2011

A Mulher no Contexto Atual

O dia 8 de março nos trás à memória, para a nossa reflexão (ou pelo menos deveria trazer), a luta das mulheres operárias de uma indústria têxtil, que neste dia, em meados do século XIX, morreram queimadas ao ocuparem a fábrica, numa greve contra a exploração patronal. O absurdo é aceitarmos o que o capitalismo faz com esta data, colocando-a como comemorativa, deturpando-a com seus "modelitos" de batom vermelho e perfume francês, vendendo-nos como um produto de consumo, com características de sexo frágil. É revoltante!!! Pois esta data tem que ser relembrada e refletida para, principalmente, pensarmos em nossa situação atual e continuarmos a luta dessas companheiras que deixaram para nós um exemplo, onde nós não podemos ficar passivas/os diante da exploração, tanto de nosso trabalho braçal, como de nosso corpo como produto de sexo.

Assim como aquelas companheiras, muitas outras mulheres lutaram contra o autoritarismo em diferentes países, dentre elas podemos citar Emma Goldman, Maria Lacerda de Moura, Louise Michel, Federica de Montseni, Elvira Boni e suas companheiras costureiras e chapeleiras, e muitas outras que viveram e morreram pelejando.

Boa parte dessas operárias morreram lutando contra a jornada de 16 horas diárias de trabalho e por melhores condições de trabalho, que com o suor de suas lutas junto com os companheiros, conseguiram mais tarde que a jornada fosse reduzida para 8 horas diárias de trabalho. Mas sabemos muito bem que o que essas companheiras e companheiros queriam não era só apenas a redução de seu tempo de trabalho e melhores condições de trabalho, mas também o fim desse sistema capitalista injusto e criminoso.

Analisando a situação atual, além de nosso salário ser uma vergonha (e diga-se de passagem, sempre foi), o desemprego aumentou absurdamente e as condições de trabalho continuam péssimas, apesar de terem havido algumas conquistas neste campo. Bom, se formos ver a situação da mulher neste contexto, a coisa se agrava mais ainda, pois além de ser explorada pelo patrão e/ou patroa em seu emprego, chega em casa (no fim do dia) e ainda tem que cuidar da casa, sem dividir o trabalho doméstico com seu companheiro, sujeitando-se assim, a uma dupla jornada de trabalho.

Outra opressão que a mulher sofre é o assédio sexual e toda perversão que o capitalismo alimenta com seu machismo, onde produz o sexismo na mente das pessoas através de revistas, jornais, TV's enfim, todos os meios de comunicação. São geradas assim, condições propícias para os crimes de estupro, de "defesa da honra", escravidão sexual, prostituição forçada e todas as violências praticadas contra a mulher.

Em ambientes de trabalho podemos comprovar isso tudo, sendo este um retrato de toda uma sociedade baseada na competição, no lucro, o corpo sendo tratado como produto de consumo: Uma sociedade baseada na exploração.

Como já foi dito, atualmente o desemprego tem aumentado assustadoramente pois, em meio a essa política neoliberal de globalização, com sua ideologia de "qualificação de pessoal", @ trabalhador/a tem que demonstrar um certo nível de qualificação como, por exemplo, a capacidade para manejar uma máquina computadorizada de última geração. Juntamente com isso, a maior parte da população não tem acesso ao ensino fundamental, imaginem à informática... Com o discurso de que é necessário se fazer um "enxugamento nas empresas", os empresários despedem milhares de trabalhadores/as em troca de máquinas, em nome da "qualidade do produto", ou melhor, em nome de seus lucros. Esta situação é difícil para tod@s, homens e mulheres, mas, se formos analisar em meio a essa conjuntura, os monstros movidos a lucro despedem preferencialmente as mulheres, por essas possuírem útero, pelo fato de poderem engravidar e tirar a licença maternidade tão arduamente conquistada.

É companheiras, dentro dessa conjuntura se nós não nos organizarmos para combater o capitalismo, o machismo e o sexismo, vamos acabar sendo engolidas. Devemos dar nosso grito de revolta diante desse cenário de barbárie. Vamos dar continuidade a luta dessas verdadeiras heroínas, como as companheiras operárias daquele 8 de março, que lutaram até o final de suas vidas por um ideal de transformação social, de transformação de suas vidas e pela igualdade socioeconômica. Para isso, temos que nos unir e construir a nossa dignidade com as nossas próprias mãos, e não delegar a outr@ que faça isso para nós. Sabemos muito bem que esse método não adianta e nunca irá adiantar.

Vamos à luta companheiras!!!

Mutirão - OSL (Rio de Janeiro/RJ)

"O direito ao voto ou à igualdade civil podem ser reivindicações justas, mas a verdadeira emancipação não começa na cabine de voto, nem nos tribunais. Começa na cabeça de cada mulher. A história nos ensina que toda classe oprimida só se liberta de seus senhores por suas próprias mãos. É preciso que as mulheres aprendam essa lição, que compreendam que os limites para sua liberdade estão nas suas forças. Daí porque é muito mais importante começar em si própria, libertando-se do peso dos preconceitos e das normas seculares."

Emma Goldman

Fonte:
http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mulher/02contextoatual.htm

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