quinta-feira, 31 de março de 2011

Deputada Janira Rocha (PSOL) lembra de deputado fascista Bolsonaro no ato

• O ato em defesa das liberdades democráticas e pelo arquivamento do processo dos 13 ativistas presos no protesto contra Obama acontece, coincidentemente, 47 anos após o golpe de Estado que instalou uma ditadura militar no país.

Várias falas, porém, lembraram que o tempo não eliminou os resquícios autoritários daquela época. Muito pelo contrário, em pleno Século XXI, figuras de destaque nacional se vêem à vontade de ir a público e declarar seu apreço pelos ditadores. A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) fez questão de, no ato, denunciar os ataques racistas e homofóbicos do deputado federal Jair Bolsonaro (PP), reconhecido representante da ultra-direita.

Bolsonaro causou indignação ao proferir falas que, além de fazerem ode à ditadura militar, atacava gays e negros, no programa de humor CQC. “Tenho que falar nisso, pois hoje uma discussão que durou todo o dia na Assembleia Legislativa foi o filho de Bolsonaro, que é deputado estadual, defender o pai”, declarou a deputada.

Segundo ela, Flávio Bolsonaro defende a tese de que seu pai não havia entendido a pergunta no qual é acusado de racismo. Ao ser questionado pela filha de Gilberto Gil, Preta Gil, sobre sua atitude caso seu filho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro respondeu que não permitira tal “promiscuidade”. Flávio disse que seu pai havia entendido que a pergunta se referia à possibilidade de seu filho se apaixonasse “por um gay’.

“Como se for homofóbico fosse melhor que ser racista; ele disse isso porque sabe que homofobia ainda não é crime, enquanto racismo é”, explicou a deputada, lembrando que a luta contra a homofobia, o racismo e o fascismo tem que fazer parte dessa luta geral contra a criminalização dos movimentos sociais e pelas liberdades democráticas.



quarta-feira, 30 de março de 2011

CONVITE PARA PALESTRAS


iNFORMAÇÕES:
Pedro Fuentes
Secretaria de Relações Internacionais PSOL

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terça-feira, 29 de março de 2011

PSOL lamenta morte do ex-vice-presidente José Alencar

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) consternado com o falecimento do ex-vice-presidente da República José Alencar, lamenta o acontecimento e apresenta condolências aos familiares.

Enfrentou com bravura durante mais de 13 anos a luta contra o câncer e serviu de exemplo e conforto para milhares de brasileiros que lutam contra o mesmo mal.

Exemplo de coragem na defesa de suas convicções democráticas, apesar de sua relação pessoal e política ocupando a vice-presidência durante oito anos, nunca deixou de externar a contrariedade diante da alta taxa de juros que atinge o Brasil.

O heroísmo de sua luta pela vida entra para a História do nosso país.

Afrânio Boppré
Presidente Nacional do PSOL
29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Arruda, Delúbio e Kassab no reino da pequena política

Léo Lince

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal e figura central do bem documentado mensalão do DEM, soltou o verbo sobre sua experiência vivencial nos labirintos do financiamento privado de campanha eleitoral.

Diante da pergunta – o senhor é corrupto? - Arruda forneceu a seguinte e espantosa resposta: "infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas idéias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso".

A entrevista explosiva na "Veja Online", estranhamente, não apareceu na edição em papel da revista. Os grandes jornais tocaram no assunto em páginas secundárias e notas pequenas. Entre os acusados de participação direta no esquema estão os presidentes anterior e atual do DEM, o presidente e o secretário geral do PSDB, além de cabeças coroadas destes e de outros partidos. Ninguém, nos partidos da ordem dominante, protestou indignado. É a lei do silêncio que decorre da "naturalização" da maracutaia.

Delúbio Soares, ex-tesoureiro e figura central do mensalão do PT, outro especialista na arrecadação de "recursos não contabilizados", também apareceu no noticiário desta quaresma tão farta de desastres. A julgar pelas declarações de altos dirigentes do PT e até de ministros do novo governo, ele se prepara para voltar ao ninho antigo. Será a volta do filho pródigo, portador de habilidades especiais no "jogo que se joga na política brasileira".

Gilberto Kassab, originário do malufismo, secretário do Pita e posto onde está pelo bico tucano, foi outro freqüentador assíduo no noticiário da quaresma. Apesar de colega do Arruda no abastecimento dos mensalistas do DEM, ele não foi filmado e ainda não foi preso. Carisma zero, sempre montado em máquinas de governo, ele agora é fundador de partido. Não fosse ele o prefeito de São Paulo, titular do terceiro orçamento da nossa rala república, não teria cacife para tal empreitada. Como a sigla PDB, partido da burla, explicitava por demais o conteúdo, mudaram o rótulo da manobra. O PSD, partido dos saídos do DEM, é um escárnio, mais um cambalacho explícito no jogo pequena política.

Três figuras emblemáticas do momento atual, marcado pelo eclipse da grande política e pela conseqüente apoteose da politicalha. A grande política é aquela que trata das estruturas sociais e emana da livre manifestação de seus conflitos. As grandes questões sistêmicas, o embate entre projetos políticos que buscam espaços de legitimação, a emergência de movimentos e líderes que galvanizam o ativismo cidadão. A pequena política, pelo contrário, não cuida de nada disso, ela opera nos limites da conjuntura e gerencia o ocaso e as rotinas do continuísmo.

É duro, mas inevitável, constatar. Estamos vivendo, no Brasil de hoje, um interregno trevoso, marcado pela hegemonia absoluta da pequena política. Uma tristeza. Áreas de sombra se avolumam sobre as instituições. O Executivo barganha cargos de "petequeiros"; o Parlamento chafurda na política de negócios; e o vértice supremo do Judiciário toma partido dos "fichas sujas". Os grandes financiadores de campanha, sempre protegidos, são os grandes beneficiários do modelo dominante. A malha de cumplicidades que articula os partidos da ordem com os pontos fortes da economia é o que sustenta o reino da pequena política.

Rio, março de 2011.

Léo Lince é sociólogo e mestre em ciência política
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PSOL cobra investigação das denúncias de Arruda pela PGR

A bancada do PSOL da Câmara dos Deputados e do Senado Federal apresentaram ofício, nesta quinta-feira 24, na Procuradoria Geral da República, solicitando investigação das denúncias de corrupção envolvendo a alta cúpula do Partido Democratas, entre eles senadores e deputados federais. Os fatos foram divulgados por José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal e expulso do DEM, ao site da Revista Veja.

Assinam o ofício dirigido ao procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, os deputados Chico Alencar, Ivan Valente e Jean Wyllys, o senador Randolfe Rodrigues e a senadora Marinor Brito.

"As denúncias do Sr. José Roberto Arruda implicariam desde pequenos favores como 'nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários' até o financiamento de campanha de candidatos do Partido Democratas e de outros Partidos Políticos", destaca o PSOL no ofício.

Na argumentação do PSOL, "até o momento não houve negativa substantiva sobre o teor da entrevista, abundante em referências a indícios de irregularidades tais como tráfico de influência, propina e financiamento ilícito de campanhas eleitorais, o que requer apuração" para que sejam tomadas as providências administrativas, civis ou penais cabíveis.

Quinta-feira, 24 de março de 2011
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A entrevista que a revista Veja escondeu

Washigton Araújo

Causou profunda estranheza e perplexidade o timing da publicação da entrevista que o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), concedeu à Veja. Por que a revista, tendo entrevistado Arruda em setembro de 2010, durante a campanha eleitoral, somente agora, quase 190 dias depois, resolveu levá-la ao conhecimento de seu público leitor? Na entrevista, o ex-governador dispara torpedos contra aliados e antigos companheiros de partido, entre eles, Agripinio Maia, Demóstenes Torres, Marco Maciel, ACM Neto, Rodrigo Maia, Ronaldo Caiado e Sérgio Guerra. O artigo é de Washigton Araújo.

Existem notícias que nos fazem rever o conceito do valor-notícia. Estou com isto em mente após ler a entrevista que o ex-governador José Roberto Arruda (DF) concedeu em setembro de 2010 à revista Veja. Na entrevista, Arruda decidiu dar uma espécie de freio de arrumação em suas estripulias heterodoxas como governador do Distrito Federal: atuou como principal protagonista no festival de vídeos dirigido pelo ex-delegado de polícia Durval Barbosa e que tratavam de um único tema: a corrupção graúda correndo solta nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Distrito Federal.

Na entrevista publicada na quarta-feira (17/3) no sítio de Veja encontramos o ex-governador desarrumando as biografias de seus antigos companheiros de partido, pessoas como os senadores Agripino Maia, Demóstenes Torres, Cristovam Buarque e até o sempre correto Marco Maciel. Não faltaram mísseis dirigidos aos deputados ACM Neto, Rodrigo Maia e Ronaldo Caiado. E também ao presidente do PSDB, o agora deputado Sérgio Guerra. Na fala de Arruda sobra ressentimento e, mesmo tendo passado alguns meses, ainda trai uma certa conotação de vingança.

Não. Não estou desmerecendo o valor de uma única palavra de Arruda nessa entrevista. Após ler os desmentidos de todos os novos citados no escândalo conhecido como o "panetone do DEM" (ver, neste Observatório, "Panetones na Redação" e "Mídia encara corrida de obstáculos"), confesso que nenhum me convenceu: a defesa esteve muito inferior ao ataque desferido e onde as palavras deveriam ser adjetivas conformaram-se como nada mais que substantivas. Naquele velho diapasão do "nada como tudo o mais além, ainda mais em se tratando deste assunto, muito pelo contrário". Ou seja, a bateria antimíssil deixou muito a desejar e, considerando a virulência verbal dos agora acusados de receberem apoio financeiro no mínimo com "origem suspeita", os desmentidos surgem como bolhas de sabão que tanto animam festas infantis. Desmancham-se no ar.

Miúdos e graúdos

O que me causou profunda estranheza nessa entrevista nem foi seu conteúdo, menos ainda seu personagem. O que me deixou perplexo, com todas as pulgas aninhadas em volta da orelha, foi o timing da publicação da entrevista. Por que Veja, tendo entrevistado o ex-governador em setembro de 2010, somente agora, quase 190 dias depois, resolveu levá-la ao conhecimento de seu público leitor? O ponto é que o mais robusto episódio de explícita corrupção, o único escândalo com tão formidável aparato midiático, com dezenas de vídeos reproduzidos nos principais telejornais do Brasil, merecia ter um tratamento realmente jornalístico: descobrindo-se novos fatos, novos meliantes, novas falcatruas, tudo teria que vir à luz, a tempo e a hora.

Convém refrescar a memória com essas autoexplicativas manchetes dos principais jornais brasileiros no dia 28/11/2009:

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O Globo: "Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados". E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor";

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Folha de S.Paulo: "Governo do DF é acusado de corrupção";

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O Estado de S.Paulo: "Polícia flagra 'mensalão do DEM' no governo do DF". E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".

No dia seguinte, 29/11/2009, as manchetes continuaram com tintas denunciatórias:

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O Globo teve como manchete principal "PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês";

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Folha de S.Paulo optou por "Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção";

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O Estado de S.Paulo não deixou por menos: "Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil".

E, para concluir essa sessão "refresca memória", compartilho as manchetes dos jornalões no dia 30/11/2009:

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O Globo abriu sua edição com a manchete "Arruda: TSE vê indício de caixa 2";

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Folha de S.Paulo destacou na primeira página: "Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro";

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O Estado de S. Paulo abriu manchete com "Vídeos 'letais' levam DEM a preparar expulsão de Arruda", destacando em subtítulo que "Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável".

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Até o fluminense Jornal do Brasil passou a tratar do assunto com a importância que o assunto requeria: "Aliados deixam Arruda isolado".

Tudo bem, este foi o início da divulgação do escândalo. E, como sempre acontece, o início de todo escândalo político tende a ser megapotencializado. É assim aqui no Brasil, na Itália, no Reino Unido, no mundo todo. No caso atual, pela primeira vez um governador no Brasil esteve trancafiado por tão longo tempo: 60 dias, de 11 de fevereiro a 12 de abril de 2010. A carceragem se deu na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Antes de completar um ano de sua divulgação, o escândalo produziu a cassação de mandatos de diversos deputados distritais, a renúncia de um senador da República, a instauração de diversos inquéritos para apurar responsabilidades de políticos miúdos e graúdos e também de procuradores do Ministério Público do Distrito Federal.

E foi nesse meio tempo que, segundo os advogados de Arruda, em setembro de 2010, o ex-governador concedeu a entrevista ao carro-chefe da Editora Abril. O que as teclas de meu micro querem saber é por que Veja escondeu comprometedora entrevista de Arruda.

Insidiosa, rastejante

Tenho exposto aqui neste Observatório minhas teses sobre a forma e o modus operandi de como a imprensa, a grande imprensa, tem se comportado como agremiação político-partidária. E essa defasagem de mais de seis meses entre a data da entrevista e a data de sua divulgação é de chamar a atenção.

Quais as reais motivações para que fosse esquecida, largada na gaveta de um editor aparentemente displicente? Por onde andaria aquele polvo-caçador-de-corruptos-no-Planalto que não deu a mínima trela para essa entrevista? Ninguém na redação de Veja considerou um mísero grama de valor-notícia para buscar a versão dos "novos acusados"? Ou seria mais um desserviço à campanha presidencial de José Serra? Desserviço que, com certeza, cobriria tal campanha de portentosa agenda negativa, incluindo sob suspeição até mesmo o presidente de seu partido.

Todos sabemos que o papel da imprensa é informar a população. Aprendemos isso ainda nos primeiros dias de aula de qualquer curso de jornalismo, mesmo aqueles chamados "meia-boca". Por que à população brasileira foram suprimidas tais informações?

É, não é necessário muitos decênios de madura experiência como analista da política brasileira para entender que dentre as mil possíveis razões para que ocorresse tal ocultação uma delas sobressai, insidiosa, sibilina, rastejante: a entrevista de Arruda, que hoje causa apenas perplexidade, publicada em setembro de 2010 traria em seu cerne forte componente explosivo capaz de desarrumar por completo o pleito presidencial de 2010.

Mas, como dizem nossos oráculos da imprensa... o leitor vem sempre em primeiro lugar.

[Publicado originalmente no Observatório da Imprensa]

Fonte: Carta Maior

domingo, 27 de março de 2011

Réus do mensalão devem escapar de condenação

Crime de formação de quadrilha pode prescrever em agosto deste ano

Réus no processo que investiga o maior escândalo do governo do PT podem acabar absolvidos de uma das principais acusações sem ao menos serem julgados. Isso porque, em agosto, o crime de formação de quadrilha deve prescrever. O crime é citado mais de 50 vezes na denúncia do Ministério Público, aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os 38 réus do processo, 22 respondem por formação de quadrilha.

O esquema de compra de votos de parlamentares pelo governo federal foi descoberto em 2005 e a ação na Justiça teve início em 2006. Com a prescrição, o processo acaba esvaziado. A prescrição resulta de uma série de articulações do comando do PT e do governo federal para livrar os mensaleiros da punição.

A primeira sinalização do esvaziamento da ação foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao deixar o cargo, ele disse que sua principal missão a partir de janeiro de 2011 seria mostrar que o mensalão era “uma farsa”.

Escolhas para o Supremo - Um indicativo da preocupação do governo com o desfecho do mensalão no STF foi a indicação do ministro Luiz Fux para a Corte Suprema. Numa sabatina informal com Fux, um integrante do governo perguntou como ele julgaria o processo mensalão. Fux respondeu: se houvesse provas, votaria pela condenação; se não houvesse, pela absolvição.

Até o julgamento do processo, a presidente Dilma Rousseff deverá indicar outros dois integrantes da Corte. Segundo fontes do governo, a preocupação com o julgamento do mensalão continuará a nortear a escolha dos ministros.

Um dos magistrados, José Antônio Dias Toffoli, já atuou como advogado do PT, ex-assessor da liderança do partido na Câmara e subordinado de José Dirceu na Casa Civil. Foi indicado por Lula, em setembro de 2009.

Reabilitação de mensaleiros - Enquanto isso, réus que aguardam o julgamento recuperam suas forças políticas, ocupando cargos importantes na Esplanada. O ex-deputado José Genoino, na época do escândalo presidente do PT, foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa pelo ministro Nelson Jobim.

O PT conseguiu eleger para a comissão mais importante da Câmara, a de Constituição e Justiça (CCJ), João Paulo Cunha (PT-SP), outro réu do mensalão.

Para além de ações políticas com intuito de enfraquecer a tese do mensalão, há empecilhos naturais numa investigação complexa que envolve 38 réus. A começar pela dificuldade de obter provas de todas as denúncias. Ministros do Supremo são unânimes ao dizer que muitos dos réus, inclusive figuras centrais, deverão ser absolvidas.

(Com Agência Estado)


sexta-feira, 25 de março de 2011

"Supremo decide que Ficha Limpa está valendo" - nota ABRACCI

A lei da Ficha Limpa está em pleno vigor. Não nos deixemos enganar. E a partir de 5 de junho (um ano após sua promulgação) ela será aplicada para barrar candidaturas nas eleições suplementares que se realizarão em 2011, nos casos em que a eleição de 2010 foi anulada. Ou seja, não precisaremos esperar pelas eleições de 2012 para ver os plenos efeitos dessa Lei, fundada no esforço cívico de dois milhões de brasileiros que a apresentaram como Iniciativa Popular de Lei.

A recente decisão do STF, desempatando o impasse em que se encontrava, pode ser considerada infeliz, do ponto de vista da moralização da nossa vida política. Deixaremos de afastar desde já da importante função da representação política pessoas já condenadas em pelo menos duas instâncias da Justiça. Mas as decisões do STF têm que ser respeitadas.

Nossa luta, no entanto, deverá continuar, porque será preciso que a sociedade permaneça atenta às muitas tentativas que ainda serão feitas para tornar inócua a Lei da Ficha Limpa. Assim, muitos dos atingidos por ela tentarão reverter essa vitória do povo brasileiro, questionando novamente aspectos já claramente consolidados como o da constitucionalidade da Lei e o da sua aplicação a toda a vida pregressa dos candidatos.

Perguntamo-nos somente qual será a avaliação feita pelos atuais parlamentares, que voltarão a ver, como seus pares, pessoas que uma lei moralizadora que eles mesmos aprovaram impediria que fossem eleitas.

Continuemos que a luta é longa.

São Paulo, 25 de março de 2011
Plenária da Abracci - Articulação Brasileira Contra a Corrupção e
a Impunidade


quinta-feira, 24 de março de 2011

A que veio Obama?

Por seminariocrise

Por Joana Salém Vasconcelos,
colaboradora da Secretaria de
Relações Internacionais do PSOL

Por ironia do destino, Barack Obama é um dos presidentes menos poderosos da história dos Estados Unidos. Desde o início de seu governo em 2009, mostrou fortes dificuldades de cumprir suas promessas mais progressivas de campanha. Apesar de ser do tradicional partido Democrata (que esse ano completa 175 anos), o sucesso eleitoral de Obama representou um movimento relativo de ampliação da consciência política dos cidadãos em defesa de um projeto mais humanitário de nação. Integraram-se na sua campanha os imigrantes exigindo reconhecimento e respeito, as classes trabalhadoras ambicionando melhores condições de vida e movimentos anti-racistas empolgados com a eleição de um negro no país que criou a Ku Klux Klan. Essas promessas não cumpridas estavam ligadas aos direitos humanos (dar fim às guerras no Oriente Médio, punir a tortura sistemática praticada pelo exército estadunidense, fechar Guantánamo), relacionadas aos direitos sociais básicos (reforma na saúde, fim da isenção de impostos aos ricos) e ao mercado financeiro excessivamente desregulado (reforma no sistema financeiro). Os movimentos de realização destas promessas feitos pelo governo Obama foram tão tímidos quanto espalhafatosos. Sobretudo pela conjuntura de crise econômica que reduziu a margem de manobra do governo, e pela disseminação de um novo conservadorismo sem precedentes entre o povo americano.

Crise econômica: o medo de Obama venceu a esperança popular

A esperança generalizada que surgiu por uma espécie de “efeito Obama” em 2008 foi tão ilusória quanto os ubprime: uma bolha que estourou. As injeções de dólares no mercado financeiro para salvar os bancos, seguradoras e outras grandes corporações falidas (Lehman Brothers, AIG, Citigroup, etc) sem a necessidade de nenhuma contrapartida por parte das beneficiarias foi suficiente para caracterizar o governo como mais um fantoche do mercado financeiro. Mesmo que faça pronunciamentos diferenciados, em apoio “à vontade do povo tal ou qual”, em defesa dos “direitos democráticos”, quem se engana? Os US$ 3 trilhões dos cofres públicos escorreram às enxurradas para acobertar déficits incalculáveis frutos da farra especuladora. Os mentores da crise, entre eles Henry Paulson (ex-chefe do Goldman Sachs e Secretário do Tesouro de Bush de 2006 a 2008) e Alan Greenspan (presidente da Reserva Federal dos EUA de 1987 a 2006), além dos sócios das grandes corporações envolvidas no jogo predatório das finanças, não pagaram o preço da crise. Agrava-se o fato pois a receita norte-americana é arrecadada por um sistema tributário (pasmem) mais regressivo que o brasileiro… Em 2010, o Congresso Nacional aprovou a continuidade da lei de Bush que prevê isenção fiscal a todos os cidadãos com renda anual acima de US$ 250 mil por ano! Com isso, o governo se dispôs a desembolsar US$ 700 bilhões para substituir o dinheiro dos ricos nos cofres públicos. E o governo resolveu desembolsar… do bolso do povo! Obama recuou até diante deste tipo explícito de assalto praticado pelos parlamentares, que nos faz sentir ainda na era Bush. E foi além: operou a manobra convencional dos governos capitalistas mais tacanhos em contexto de crise e passou toda conta para as classes trabalhadoras.

Derrota fulminante nas eleições de 2010: a era Bush não acabou.

Outdoor do Tea Party - Hitler, Lenin, Obama

Num piscar de olhos, a farsa virou tragédia. No dia 2 de novembro do ano passado, o destino de Obama foi selado pelas eleições parciais. Apesar de ter sido bom aluno dos financistas, Obama sofreu com o ódio racista das forças mais truculentas do país. O Tea Party é a caricatura da guinada conservadora da sociedade americana.

Das 435 cadeiras do Congresso, os republicanos conquistaram 239 e os democratas 188. Das 37 cadeiras do Senado, os republicanos garantiram 24 e Obama somente 13. Objetivamente, Obama perdeu 68 cadeiras no Congresso, das quais 60 foi para Republicanos, e perdeu 6 cadeiras no Senado, das quais todas foram para Republicanos. Com isso, perdeu a maioria no Congresso e no Senado.

Assim sendo, Obama hoje governa a maior potência econômica e militar mundial (ainda que em fase de decadência), porém não governa nada. Obama é a rainha da Inglaterra… Depende de aprovações do legislativo para qualquer política substantiva, está divorciado de sua base eleitoral, e refém dos interesses do mercado financeiro que se comporta como um monstro especulador insaciável. Sem falar nos levantes no Oriente Médio que estão derrubando um a um os pilares dos EUA para captação e exploração do petróleo.

O cheiro do petróleo: transferência de riqueza nacional a vista!

A melhor explicação para a visita de Obama ao Brasil é o pré sal. Os levantes árabes estão amedrontando os EUA, e esfacelando sua capacidade de controle da região, responsável por 36% do petróleo do planeta em 2009 (29 milhões de barris por dia). Ben Ali, Mubarack e outros ditadores da região foram responsáveis por acentuar a exploração do povo palestino, realizar gigantescas concessões econômicas às corporações petroleiras dos EUA e Europa, e “estabilizar os conflitos da região” como afirma a imprensa burguesa no Brasil.

Porém, esses “agentes estabilizadores” estão fora do tabuleiro. E os EUA devem imediatamente buscar fontes alternativas de petróleo, já que nem se pode garantir o futuro político-ideológico dos novos governos árabes, e nem se pode depender do petróleo do comandante Chávez. O cientista político da PUC Reginaldo Nasser afirmou que “em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes”, e completa “portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica”.

Afinal, o Brasil realmente negocia “de igual pra igual”, ou novamente entrará no jogo das trocas como sócio menor, que entrega seus recursos a preço de banana? O governo Dilma já deixou claro, neste início de mandato, ao menos 2 estratégias: primeiro, haverá política de ajuste fiscal tipicamente neoliberal quando isso for necessário (haja visto o corte de US$ 50 bilhões do orçamento de 2011); e segundo, as obras de infra estrutura do PAC tem uma função especificamente voltada para as grandes empresas (brasileiras ou não) e portanto para os grandes empresários. O povo que paga, não recebe. O público e o privado no Brasil sempre foram perversamente misturados: a retórica do governo Dilma é que agora público e privado estão em harmonia, em relação de incentivo mútuo. O governo incentiva os empresários, os empresários ajudam o governo, e o Brasil chega ao futuro.

Como impedir?

Porém, é evidente que a transferência de recursos públicos aos cofres privados estrangeiros permanece ocorrendo como fator dominante do subdesenvolvimento do país. De acordo com artigo “Gasto público, Lucro privado” publicado na Carta Capital 634, o BNDES financiou 8,7 bilhões de dólares para indústria automotiva no período 2008-2010, e no mesmo período, o setor automotivo
repassou remessas de lucros de 12,4 bilhões de dólares para suas matrizes fora do país. “Isso significa”, afirma o artigo, “que quase a totalidade dos recursos necessários para financiar seus investimentos saiu dos cofres públicos, enquanto expressiva parcela dos lucros foi transferida para as matrizes”. Além disso, a redução do IPI diminuiu a arrecadação pública com a compra de automóveis em 66%, mais uma forma de repassar dinheiro público para o setor privado.

Será mesmo, Obama, que o futuro chegou ao Brasil? Dado este exemplo, é evidente que o mecanismo de transferência de recursos daqui pra fora está a todo vapor. Talvez isso explique também a “nova estratégia” dos EUA com o Brasil.

Outro fator perceptível é que esta foi uma visita mais desmotivada que o usual… O Brasil costuma produzir certa histeria com as visitas de presidentes estadunidenses, sempre foi assim. Dessa vez, a visita foi ligeiramente menos esperada, e isso tem uma explicação bastante objetiva. A China é, hoje, uma das maiores investidoras na América Latina, como mostrou o artigo de Virginia de la Siega “Qual o interesse da China na América Latina?”, que publicamos aqui http://internacionalpsol.wordpress.com/2010/06/24/qual-e-o-interesse-da-china-na-america-latina/. De modo que os EUA perderam muitos mercados por aqui na última década e a América Latina não os vê mais como único grande investidor (espoliador) a quem devemos agradar e temer.

Além disso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas representam enormes investimentos em infra-estrutura esportiva que não servem para uso da população depois. Sem falar dos desvios de recursos e da exploração do trabalho, usuais nesse tipo de empreendimento. Basta lembrar do Panamericano em 2007, ou da cratera da linha amarela do metrô de São Paulo.

Depois do Wikileaks, a desconfiança geral nas diplomacias virou uma atitude mais que justificada. A quantidade de informações confidenciais nesse tipo de visita, só amplia as possibilidades de crítica deste encontro.

Os 10 acordos comerciais públicos feitos no sábado (19/3) são:

1. Acordo de comércio e cooperação econômica.
2. Acordo sobre transportes aéreos.
3. Acordo sobre cooperação nos usos pacíficos do espaço exterior.
4. Memorando de entendimento sobre cooperação para apoiar a organização de grandes eventos esportivos mundiais.
5. Memorando de entendimento para a implementação de atividades de cooperação técnica em terceiros países no âmbito do trabalho decente.
6. Memorando de entendimento para o estabelecimento do Programa Diálogos Estratégicos Brasil- EUA, assinado entre a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Comissão Para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos e Brasil (Comissão Fulbright).
7. Memorando de entendimento sobre as dimensões da biodiversidade.
8. Parceria para o desenvolvimento de biocombustíveis para aviões.
9. Protocolo de intenções sobre a ampliação de cooperação técnica em terceiros países.
10. Acordo relativo ao exercício de atividades remuneradas por dependentes do pessoal diplomático e consular.

O primeiro Acordo prevê a criação da Comissão Brasil-Estados Unidos para Relações Econômicas e Comerciais, que vai decidir a respeito de questões comerciais bilaterais. Segundo dois itens do acordo, a comissão “identificará oportunidades para expandir o comércio bilateral e os fluxos de investimento” e “promoverá a remoção de obstáculos desnecessários ao comércio bilateral e ao investimento, particularmente no campo regulamentar”.

Algo me diz que estes “obstáculos desnecessários” que serão “removidos” têm algo a ver com o controle social público dos recursos naturais nacionais. Mera hipótese.

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Água: "Encontro das Águas um Manancial em Preto e Branco"

Elson de Melo

A Campanha da Fraternidade de 2011 adotou o Encontro das Águas do Rio Negro e Solimões como símbolo de luta pela vida. Ameaçado de morte pela empresa Vale Logística que tudo faz para construir um porto na boca do lago do Aleixo, o nosso Encontro das Águas é: "O gemido da criação aparece hoje na deterioração do meio ambiente".

No Dia Mundial da água, os lutadores sociais e população que habita esse majestoso complexo em Preto e Branco, que ainda recebe a contemplação do verde de suas margens, reclamam a Ministra da Cultura a homologação do seu tombamento como Patrimônio Histórico e Cultural do povo brasileiro.

A insanidade do capital, não pode se sobrepor e destruir o maior e mais conhecido complexo paisagístico da Amazônia. O Tema da CF "A Fraternidade e vida no Planeta", tornou-se objetivo na quarta feira de cinzas (09/03/2011, comandada pelo Arcebispo de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, a Caravana da Campanha da Fraternidade escolheu o Encontro das águas como cenário, para o Lançamento da Campanha da Fraternidade 2011 no Amazonas, cujo lema é, "A criação geme em dores de parto" (Ro. 8,22).

A Consagração

O gesto do Arcebispo em benzer o manancial negro do Rio Negro e barrenta do Solimões, transforma o Encontro das águas em "Patrimônio Universal dos Deuses". Foi uma consagração divina, que a partir daquela data, a humanidade passa a reverenciar o vibrante Encontro das Aguas como: o "Santuário dos Deuses", um Santuário em Preto e Banco, contemplado pelo verde de suas margens e o firmamento azul, que choram a sua destruição!

No Dia dedicado as Águas, tomamos a palavra para, prestar uma homenagem truida (amor verdadeiro) ao mais novo e mais belo Patrimônio Universal dos Deuses, o Encontro das Águas!

Elson de Melo é Sindicalista

Rebelião na Usina de Jirau: trabalhadores reagem aos abusos

Por: Pedro Pomar

A revolta dos trabalhadores do canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, foi um dos acontecimentos mais importantes dos últimos tempos no Brasil, em matéria de luta dos assalariados. Uma das empreiteiras contra as quais se insurgiram os peões é uma antiga conhecida dos brasileiros, por seu envolvimento em escândalos: a Camargo Corrêa.

Tudo indica que o fator imediato da rebelião foi a agressão de funcionários terceirizados a um trabalhador contratado; mas os abusos se sucediam, havendo uma situação de enorme descontentamento entre os peões da obra. De acordo com o sítio TudoRondônia, que publicou diversas reportagens sobre o caso, as principais fontes de descontentamento eram o corte de vantagens (hora-extra, adicionais e outras), o assédio moral, violência física, péssima comida e “preços exorbitantes no canteiro de obras” (vide http://www.tudorondonia.com/).

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) emitiu uma interessante nota sobre o episódio, que reproduzo a seguir:

Nesta semana acompanhamos a revolta dos operários na Usina Hidrelétrica de Jirau contra as empresas que controlam a barragem. Existem informações de que os mais de 15 mil operários da obra estão em situação de superexploração, com salários extremamente baixos, longas jornadas e péssimas condições de trabalho, que existe epidemia de doenças dentro da usina e não existe atendimento adequado de saúde, que o transporte dos operários é de péssima qualidade, sofrem com a falta de segurança e que mais de 4.500 operários estão ameaçados de demissão. Esta é a realidade da vida dos operários.

Esta situação tem como principal responsável os donos da usina de Jirau, o Consórcio formado pela transnacional francesa Suez, pela Camargo Corrêa e pela Eletrosul. As revoltas dos operários dentro das usinas têm sido cada vez mais frequentes e isso é fruto da brutal exploração que estas empresas transnacionais impõem sobre seus trabalhadores.

Há pouco tempo houve revolta na usina de Foz do Chapecó, também de propriedade da Camargo Corrêa, em 2010 houve a revolta dos operários da usina de Santo Antonio e agora temos acompanhado a revolta dos operários da usina de Jirau.

As empresas construtoras de Jirau são as mesmas que foram denunciadas em recente relatório de violação de Direitos Humanos, aprovado pelo Governo Federal, que constatou que existe um padrão de violação dos direitos humanos em barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm sido sistematicamente violados na construção de barragens. Os atingidos por barragens e os operários tem sido as principais vítimas.

A empresa Suez, principal acionista de Jirau, é dona da Barragem de Cana Brava, em Goiás, e Camargo Corrêa é dona da usina de Foz do Chapecó, em Santa Catarina. Essas duas hidrelétricas também foram investigadas pela Comissão Especial de Direitos Humanos em que foi comprovada a violação. Estas empresas tem uma das piores práticas de tratamento com os atingidos e com seus operários.

Em junho de 2010, o MAB já havia alertado a sociedade que em Jirau havia indícios e denúncias, que circularam na imprensa local, de que as empresas donas da Usina de Jirau haviam contratado ex-coronéis do Exército para fazer uma espécie de trabalho para os donos da usina de Jirau e não seria surpresa se estes indivíduos contratados pelas empresas promovessem ataques ou sabotagens contra os operários e atingidos, para jogar uns contra os outros e/ou criminalizar nossas organizações e sindicatos.

A revolta dos operários é reflexo desse autoritarismo e da ganância pela acumulação de riqueza através da exploração da natureza e dos trabalhadores. Prova desse autoritarismo e intransigência é que estas empresas se negam a dialogar com os atingidos pela usina e centenas de famílias terão seus direitos negados. As consequências vão muito além disso, pois nesta região se instalaram os maiores índices de prostituição e violência.

Em 2011, o MAB completa 20 anos de luta e os atingidos comemoram a resistência nacional, mas também denunciam que estas empresas não têm compromisso com a população atingida e nem com seus operários. Recebem altas taxas de lucro que levam para seus países e o povo da região fica com os problemas sociais e ambientais.

O MAB vem a público exigir o fim da violação dos direitos humanos em barragens e esperamos que as reivindicações por melhores condições de trabalho e vida dos operários sejam atendidas.

Água e energia não são mercadorias!

Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação.



segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Água 22 Março 2011

"Água para as cidades: respondendo
ao desafio urbano"

A ideia de celebrar o Dia Internacional da Água surgiu em 1992, durante a Conferência de Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas no Rio de Janeiro, Brasil.

Desde então, neste dia tem-se chamado à atenção global para a importância da preservação e economia da água. O Dia Mundial da Água é uma oportunidade única para chamar a atenção e para criar uma dinâmica que envolva os governos, a comunidade internacional, a sociedade civil e os indivíduos pa
ra melhorar a gestão dos recursos hídricos.
O problemacentral recai na gestão da água urbana e no lixo pois como as cidades oferecem maiores oportunidades de desenvolvimento e de empregos, a população rural tende a mudar-se para os centros urbanos.

É neste contexto que o tema do Dia Mundial da Água 2011 se insere.

Esta campanha global almeja a promoção de esforços no sentido de aumentar a atenção e a participação no desafio de manter e melhorar os serviços de distribuição de água e san
eamento no contexto da rápida urbanização.

Há mais de 1 bilhão de pessoas que não têm acesso à água potável.




No dia 22 de março haverá eventos em vários países e este tema é uma boa oportunidade para se discutir o uso racional da água.

domingo, 20 de março de 2011

Os 128 anos da morte de Marx

História
Fundação Lauro Campos

No dia 14 de março de 1883, em Londres, morreu Karl Marx, aos 64 anos. Economista, historiador, sociólogo, filósofo e jornalista, Marx é um destes autores que não podem ser enquadrados em apenas uma área do conhecimento humano. O autor de "O Capital" apresentou ao mundo um estudo aprofundado sobre as origens e a lógica de desenvolvimento do capitalismo. Autor fundador da esquerda moderna, Marx já foi condenado ao esquecimento algumas vezes, mas as repetidas crises do capitalismo sempre renovam o interesse por sua obra.

Neste dia, lembramos sua obra e seu legado publicando o discurso proferido por seu companheiro de reflexão e de militância Friedrich Engels, durante o funeral de Marx (publicado pelo Diário da Liberdade e pelo Portal Luta de Classes, a partir de texto do Arquivo Marxista na Internet):

Discurso de Friedrich Engeles no funeral de Karl Marx

Em 14 de março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu de encontramos ele em sua poltrona dormindo serenamente — dessa vez para sempre.

O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo se evidenciará a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu.

Assim como Darwin em relação à lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples fato, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, moradia e vestuário, antes de poderem praticar a política, a ciência, a arte, a religião, etc.; que portanto a produção imediata de víveres e com isso o correspondente estágio econômico de um povo ou de uma época constitui o fundamento a partir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em que elas devem ser explicadas – e não ao contrário como nós até então fazíamos.

Isso não é tudo. Marx descobriu também a lei específica que governa o presente modo de produção capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia, iluminaram-se subitamente esses problemas, enquanto que todas as investigações passadas, tanto dos economistas burgueses quanto dos críticos socialistas, perderam-se na obscuridade.

Essas duas descobertas deviam bastar a uma vida. Já é feliz aquele que faz somente uma delas. Mas em cada área isolada que Marx conduzia suas pesquisas, e estas pesquisas eram feitas em muitas áreas, nunca superficialmente, em cada área, inclusive na matemática, ele fez descobertas singulares.

Tal era o homem de ciência. Mas isso não era nem de perto a metade do homem. A ciência era para Marx um impulso histórico, uma força revolucionária. Por muito que ele podesse ficar claramente contente com um novo conhecimento em alguma ciência teórica, cuja utilização prática talvez ainda não se revelasse – um tipo inteiramente diferente de contentamento ele experimentava quando se tratava de um conhecimento que exercesse imediatamente uma mudança na indústria e no desenvolvimento histórica em geral. Assim por exemplo ele acompanhava meticulosamente os avanços de pesquisas na área da eletricidade e recentemente ainda aquelas de Marc Deprez.

Mas Marx era antes de tudo um revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, para a derrubada da sociedade capitalista e de suas instituições estatais, contribuir para a emancipação do moderno proletariado, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no 'Rheinische Zeitung' (1842), no parisiense 'Vorwärts' (1844), no 'Brüsseler Deutsche Zeitung' (1847), no 'Neue Rheinische Zeitung' (1848-9), no 'New York Tribune' (1852-61) – junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organizações de Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto – em verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada.

E por isso era Marx o mais odiado e o mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilavam-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniá-lo. Ele desvencilhava-se de tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era máxima a necessidade. E ele faleceu reverenciado, amado, pranteado por milhões de companheiros trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria, em toda parte da Europa e da América, até a Califórnia – e eu me atrevo a dizer: ainda que ele tenha tido vários adversários, dificilmente teve algum inimigo pessoal.

Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra!

18 de março de 1883

Fonte: Carta Maior


quinta-feira, 17 de março de 2011

Declaração Universal dos Direitos da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. No dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a Declaração Universal dos Direitos da Água (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do

Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Fonte:
http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_mundial_da_agua.htm
Foto: Valter Calheiros.

Link: www.ncpam.com.br

terça-feira, 15 de março de 2011

Copa 2014: Arena da Amazônia e futebol amazonense sob suspeita


Elson de Melo

A imprensa Nacional dedica hoje 15/03/2011, cadernos inteiros com reportagem incluindo o estádio Arena da Amazônia como um dos “elefantes brancos” que estão sendo construído para receber jogos da Copa 2014 no Brasil. Os motivos são óbvios, a falta de torcedores para assistir eventos esportivos no Amazonas. Além disso, pesa sobre essa obra faraônica denuncias de superfaturamento constatado pelo Tribunal de Contas da União – TCU e o Ministério Publico Federal - MPF.

Vamos avaliar sem paixão de amazonense, que certamente o Governo do Estado vai invocar para acusar os responsáveis pela reportagem de serem inimigos do Estado. Num raciocínio racional, infelizmente eles estão cobertos de razão. É verdade que o futebol amazonense há tempos não consegue organizar um grande campeonato, os motivos são muitos, envolve os Dirigentes da Federação Amazonense de Futebol - FAF, Dirigentes dos clubes de futebol, o Governo do Estado, as empresas do Distrito Industrial, o Judiciário e os torcedores.

Os dirigentes Federação Amazonense de Futebol – FAF estão no poder a séculos, hoje estão dirigindo a Entidade sobre efeito de liminar concedido pelo Judiciário do Estado, são esses dirigentes da FAF que nada fizeram para melhorar o futebol Amazonense que devem ser declarados inimigos do Amazonas! Com eles a frente dessa instituição que responde pelo nosso futebol não é possível ver futuro positivo para esse esporte no Amazonas. A depender da pratica desses Dirigentes, certamente a Arena da Amazônia que já é um plágio do Ninho dos Pássaros, não passará de um monumento à incompetência!

Os clubes do Amazonas são hoje instituições falidas, não dispõe de estrutura mínima para pratica do futebol, a estrutura administrativa desses clubes é caduca, jurássica e por demais amadoras para o tempo que estamos vivendo, o único clube que tem um estádio caindo aos pedaços é o São Raimundo, os demais, na maioria não dispõem de campo para treinar, não investem nem no futebol profissional e muito menos nas categorias de base, isso impede a formação de atletas de alto rendimento. Os dirigentes desses clubes não estão preocupados com planejamento, são imediatistas, vivem mendigando migalhas junto ao Governo. Sem planejamento ninguém investe e assim eles decretam o fim do futebol no Amazonas.

Quem poderia ajudar a impulsionar o nosso futebol? Somos unanimes em afirmar que as empresas instaladas no Distrito Industrial podem e devem assumir essa tarefa, primeiro pelo extraordinário faturamento. Segundo pelo fato de deixarem aqui apenas 8% desse fabuloso lucro. Terceiro como contrapartida social pela excelente mão de obra dos nossos operários. Quarto pelo fato de que com a Copa no Amazonas deve dobrar a produção e consequentemente o faturamento delas.

Os investimentos dessas empresas não podem ser na construção dessa famigerada Arena da Amazônia, muito menos na FAF, CBF ou coisa do tipo, isso é pura sacanagem e não serve como referencia para responsabilidade social para com o nosso povo, o patrocínio deve ser para os clubes, escolas de futebol, e outras do gênero, esses investimentos devem ser acompanhados de um plano de aplicação com mecanismos de monitoramento bem objetivo, de preferencia com controle social feito pela sociedade.

No caso especifico dos clubes de futebol, como afirmei acima, os Dirigentes devem urgentemente reformular seus estatutos para acabar com a famosa “caixa preta” que impede a transparência em suas administrações, sem isso, não é possível alguém em sã consciência investir no melhor e mais bem intencionado projeto que eles vierem apresentar, lembro que: (há tempos atrás, participei de um projeto no Fast Club, esbarramos num tal Conselho, sei lá das quantas que mantinha relações inconfessável com o dono do Bingo que explorava a sede, o mesmo pagava um aluguel irrisório que logo recorreu a esse Conselho quando questionamos os valores do generoso aluguel, o resultado foi à destituição na Diretoria pela Justiça), tanto no caso FAF, como no Fast, sem questionarmos o mérito processual, a Justiça foi decisiva para manter o marasmo que o Futebol Amazonense está mergulhado, dai a citação dessa douta Instituição.

O Governo do Estado: há o Governo! A gestão pública no Amazonas ainda está na era medieval, os governantes se apropriam da estrutura do Estado para a locupletacão de uma pequena casta de amigos do poder, para isso eles são capaz de ignorar todas as normas, para aferirem lucros pessoais para essa casta, na visão deles, o aparelho estatal funciona como sua galinha dos ovos de ouro! São impetuosos quando o assunto é vantagem pessoal, isso justifica ignorarem as constatações do TCU, pouco importa se estão construindo uma múmia ou um elefante seja qual for à cor, o que interessa mesmo são os por dentro e por fora do orçamento, como diz o Ex-deputado Cordeiro “a babita”! Por isso, o que mais incomoda todos nós é a denuncia de corrupção embutidas nos orçamento das obras, que o governo do Estado preferiu ignorar substituindo os recursos do BNDES vetados pelo TCU e MPF, aportando recursos do Estado na obra. Como acusa as reportagens.

A torcida não foge a regra dos outros Estados, como todo brasileiro os amazonenses são apaixonados por futebol, porém, não adotam os clubes locais para torcer, porque será? Não precisa fazer nenhuma pesquisa, tudo que afirmei acima são motivos suficientes para justificar esse fenômeno, é claro que gostamos de um bom espetáculo de Futebol, porém, é impossível alguém frequentar os jogos do campeonato amazonense de futebol, a condição técnica dos times está abaixo da qualidade dos torcedores, culpa dos Dirigentes da FAF e dos clubes que os elegem.

Lamentamos pela forma negativa que o Amazonas, ganha destaque na imprensa Nacional, infelizmente na grande maioria das vezes os reportes estão com a razão, verdadeiramente não dá para acreditarmos na idoneidade dos nossos Dirigentes, se alguém se habilita a defendê-los. Boa Sorte!

(*)Elson de Melo é Sindicalista

terça-feira, 8 de março de 2011

O futuro da filosofia da práxis

Paulo Marçaioli

Leandro Konder
As palavras, de tanto ser repetidas, podem eventualmente ter seu significado prejudicado, sublimado pelo conjunto de usos e entendimentos de acordo com conveniências políticas mais ou menos conscientes. Deve-se sempre atentar para o fato de que falar sobre 'liberdade', 'justiça', 'democracia', 'socialismo', 'holocausto', 'direitos humanos' ou 'meio ambiente' vai implicar sempre em certa adequação dos termos a determinados discursos e práticas políticas, eventualmente antagônicas entre si. A palavra 'democracia', aqui, assume um papel bastante emblemático. Democracia é reivindicado por quase todos, da direita neoliberal aos socialistas, passando mesmo pelos regimes de ditadura militar ou civil que igualmente justificam a repressão como forma de 'salvar a democracia'. O significado de palavras como 'democracia' passa a ser definido de acordo com as convicções políticas de cada emissor em cada situação histórica específica, determinada por fins ora de legitimação ora de transformação da ordem.

Se o sentido das palavras dialoga com uma sociedade em conflito, a disputa pelos significados dos conceitos relacionados à tradição marxista (socialismo, trabalho, alienação, ideologia e, por suposto, o próprio termo 'marxismo') passa a ser algo determinante. Determinante para saber situar melhor nossas práticas de acordo com elaboração teórica mais detalhada das realidades complexas do trabalho e da luta por sua emancipação no século XXI. E determinante, particularmente, para fazer sobreviver e avançar o legado teórico-metodológico do marxismo frente à ideologia pós-moderna e/ou demais 'filosofias' que se propõem a negar em bloco qualquer atualidade das teses de Marx – corroborando, na esmagadora maioria das vezes, para a perpetuação do status quo.

Estas duas últimas preocupações, o aprofundamento teórico e a atualização do marxismo a partir da análise concreta das contradições do capitalismo do século XXI, são fontes de preocupação recorrente dos textos de Leandro Konder. Em 'Derrota da Dialética', o autor faz um estudo de fôlego sobre a recepção das ideias marxistas no Brasil, destacando as graves dificuldades de acesso, difusão e compreensão da filosofia da práxis como fontes da "derrota da dialética", da conformação do marxismo sob uma forma esquemática, linear e pouco atenta às potencialidades da dinâmica da história. A dialética é substituída pelo evolucionismo e a teoria passa a ser mera forma de legitimação das práticas políticas determinadas pela orientação das direções políticas dos instrumentos de luta. Em "Marxismo e Alienação", Konder dedica dois capítulos ao problema da alienação dentro das organizações de esquerda, no mundo e no Brasil. Já em o 'Futuro da Filosofia da Práxis', o objeto do autor é simples e ao mesmo tempo ousado: partindo do fato de Marx ter sido um pensador do séc. XIX, que influenciou diversos movimentos e autores ao longo do séc. XX, pergunta-se Leandro Konder em que aspecto a filosofia de Marx mantém sua atualidade no séc. XXI. O sentido da palavra "marxismo" tem um tratamento especial no ensaio. Mais uma vez, se as palavras são fontes de disputas políticas, o resgate das principais teses de Marx, relacionando-as com seus usos (e abusos) ao longo dos anos, cumpre o papel de desmistificar certo entendimento dogmático das ideias do filósofo alemão.

Revisitar as ideias de Marx

"Marx foi um pensador do século XIX' é o nome do primeiro capítulo do ensaio. Aqui, a constatação, aparentemente óbvia, implica levar em consideração os próprios limites do autor, dado o universo cultural e o repertório de ideias acessíveis a um pensador naquele momento e naquelas circunstâncias históricas. Trata-se, acreditamos, do velho problema do 'anacronismo' discutido pelos historiadores. Anacronismo, em primeiro lugar, correspondendo à análise de personagens do passado que não leva em consideração o fato de que aqueles mesmos personagens não terem tido acesso aos acontecimentos subsequentes à sua produção em vida, contrariando eventualmente seus prognósticos. Anacronismo, em segundo lugar, em certa recepção das ideias de Marx como uma doutrina a partir da qual a realidade deve se adequar de maneira esquemática.

Nesse sentido, um fato bastante emblemático tratado por Leandro Konder refere-se às ambigüidades entre as ideias revolucionárias de Karl Marx sobre o problema da consciência política e alienação e a sua conduta própria em vida. Marx lança as bases de um entendimento revolucionário do homem e sua formação de consciência, avançando sobre certa tradição, marcadamente ideológica, que busca encontrar traços mais ou menos universais do ser humano num plano distante das relações de trabalho e sociabilidade. Para Marx, a consciência é produto da experiência humana concreta que se dá, de forma privilegiada, a partir das relações de trabalho, que se modificam e possuem certa dinâmica correspondente aos estágios do desenvolvimento histórico. Ocorre que o indivíduo Marx também é produto de seu tempo. Mesmo lançando as bases de uma teoria crítica radical da realidade, ainda tem seu universo cultural relacionado ao conjunto de ideias disponíveis a um intelectual do séc. XIX e reproduz as práticas sociais de um homem da Inglaterra vitoriana. É conhecido, por exemplo, o etnocentrismo com que o velho Marx tratou as lutas de emancipação na América Latina. Em carta escrita ao genro cubano Paul Lafargue, relatada por Konder, Marx soa claramente racista. E, na verdade, as próprias ideias de Marx, particularmente suas análises sobre a alienação, o estranhamento do homem em relação à vida individualista e solitária no capitalismo, cria condições para se entender as contradições de sua prática em vida.

"O fato de ter sido um desmistificador genial dos fenômenos típicos de uma esfera decisiva da atividade alienada (a esfera da produção e da apropriação) não assegurava a Marx uma consciência isente de "alienação" na esfera da vida familiar e da moral privada". (Pg. 32)

Radicalizar o marxismo

Revisitar as ideias de Marx significa, portanto, aplicar até as últimas conseqüências o método crítico de Marx sobre o próprio marxismo. A crítica radical da realidade combinada a um profundo desejo e sincera disposição em engajar-se nas lutas pela superação do capitalismo foram igualmente fundamentais nos séculos XIX e XX. Hoje, a luta pelo socialismo é mais do que nunca necessária. O 'Futuro da Filosofia da Práxis', ao fazer o elo do pensamento de Marx ao longo dos séculos, certamente mereceria uma nova edição, quem sabe, pela Expressão Popular.

[KONDER, Leandro. O Futuro da Filosofia da Práxis: o pensamento de Marx no século XX. Ed. Paz e Terra.]

Paulo Marçaioli é estudante de Direito da USP e filiado ao PSol-Valinhos



segunda-feira, 7 de março de 2011

A Mulher no Contexto Atual

O dia 8 de março nos trás à memória, para a nossa reflexão (ou pelo menos deveria trazer), a luta das mulheres operárias de uma indústria têxtil, que neste dia, em meados do século XIX, morreram queimadas ao ocuparem a fábrica, numa greve contra a exploração patronal. O absurdo é aceitarmos o que o capitalismo faz com esta data, colocando-a como comemorativa, deturpando-a com seus "modelitos" de batom vermelho e perfume francês, vendendo-nos como um produto de consumo, com características de sexo frágil. É revoltante!!! Pois esta data tem que ser relembrada e refletida para, principalmente, pensarmos em nossa situação atual e continuarmos a luta dessas companheiras que deixaram para nós um exemplo, onde nós não podemos ficar passivas/os diante da exploração, tanto de nosso trabalho braçal, como de nosso corpo como produto de sexo.

Assim como aquelas companheiras, muitas outras mulheres lutaram contra o autoritarismo em diferentes países, dentre elas podemos citar Emma Goldman, Maria Lacerda de Moura, Louise Michel, Federica de Montseni, Elvira Boni e suas companheiras costureiras e chapeleiras, e muitas outras que viveram e morreram pelejando.

Boa parte dessas operárias morreram lutando contra a jornada de 16 horas diárias de trabalho e por melhores condições de trabalho, que com o suor de suas lutas junto com os companheiros, conseguiram mais tarde que a jornada fosse reduzida para 8 horas diárias de trabalho. Mas sabemos muito bem que o que essas companheiras e companheiros queriam não era só apenas a redução de seu tempo de trabalho e melhores condições de trabalho, mas também o fim desse sistema capitalista injusto e criminoso.

Analisando a situação atual, além de nosso salário ser uma vergonha (e diga-se de passagem, sempre foi), o desemprego aumentou absurdamente e as condições de trabalho continuam péssimas, apesar de terem havido algumas conquistas neste campo. Bom, se formos ver a situação da mulher neste contexto, a coisa se agrava mais ainda, pois além de ser explorada pelo patrão e/ou patroa em seu emprego, chega em casa (no fim do dia) e ainda tem que cuidar da casa, sem dividir o trabalho doméstico com seu companheiro, sujeitando-se assim, a uma dupla jornada de trabalho.

Outra opressão que a mulher sofre é o assédio sexual e toda perversão que o capitalismo alimenta com seu machismo, onde produz o sexismo na mente das pessoas através de revistas, jornais, TV's enfim, todos os meios de comunicação. São geradas assim, condições propícias para os crimes de estupro, de "defesa da honra", escravidão sexual, prostituição forçada e todas as violências praticadas contra a mulher.

Em ambientes de trabalho podemos comprovar isso tudo, sendo este um retrato de toda uma sociedade baseada na competição, no lucro, o corpo sendo tratado como produto de consumo: Uma sociedade baseada na exploração.

Como já foi dito, atualmente o desemprego tem aumentado assustadoramente pois, em meio a essa política neoliberal de globalização, com sua ideologia de "qualificação de pessoal", @ trabalhador/a tem que demonstrar um certo nível de qualificação como, por exemplo, a capacidade para manejar uma máquina computadorizada de última geração. Juntamente com isso, a maior parte da população não tem acesso ao ensino fundamental, imaginem à informática... Com o discurso de que é necessário se fazer um "enxugamento nas empresas", os empresários despedem milhares de trabalhadores/as em troca de máquinas, em nome da "qualidade do produto", ou melhor, em nome de seus lucros. Esta situação é difícil para tod@s, homens e mulheres, mas, se formos analisar em meio a essa conjuntura, os monstros movidos a lucro despedem preferencialmente as mulheres, por essas possuírem útero, pelo fato de poderem engravidar e tirar a licença maternidade tão arduamente conquistada.

É companheiras, dentro dessa conjuntura se nós não nos organizarmos para combater o capitalismo, o machismo e o sexismo, vamos acabar sendo engolidas. Devemos dar nosso grito de revolta diante desse cenário de barbárie. Vamos dar continuidade a luta dessas verdadeiras heroínas, como as companheiras operárias daquele 8 de março, que lutaram até o final de suas vidas por um ideal de transformação social, de transformação de suas vidas e pela igualdade socioeconômica. Para isso, temos que nos unir e construir a nossa dignidade com as nossas próprias mãos, e não delegar a outr@ que faça isso para nós. Sabemos muito bem que esse método não adianta e nunca irá adiantar.

Vamos à luta companheiras!!!

Mutirão - OSL (Rio de Janeiro/RJ)

"O direito ao voto ou à igualdade civil podem ser reivindicações justas, mas a verdadeira emancipação não começa na cabine de voto, nem nos tribunais. Começa na cabeça de cada mulher. A história nos ensina que toda classe oprimida só se liberta de seus senhores por suas próprias mãos. É preciso que as mulheres aprendam essa lição, que compreendam que os limites para sua liberdade estão nas suas forças. Daí porque é muito mais importante começar em si própria, libertando-se do peso dos preconceitos e das normas seculares."

Emma Goldman

Fonte:
http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mulher/02contextoatual.htm

sábado, 5 de março de 2011

ENCONTRO DAS ÁGUAS NA LITURGIA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Fraternidade não tem cor, partido, credo ou fronteira. É um valor humanístico com morada nos corações e mentes das pessoas que amam e se deixam amar pelo outro na perspectiva da construção de um mundo ambiente, a permitir a explosão da vida na sua totalidade orientado pelo diálogo em respeito a biodiversidade. A celebração desse diálogo, no contexto da política de responsabilidade ambiental, transforma a pessoa em protagonista da historia compartilhando vida, trabalho e valores. A Campanha da Fraternidade (CF) é um grito profético a se desenvolver nesse processo humanístico a religar homem/natureza; trabalho/vida; amor/reciprocidade; pecado/perdão, com propósito de inaugurar novas práticas e sentimentos que justifique tanto amor devotado à vida no reino da Justiça minada pelas águas a sombra das florestas habitat dos encantados que insistem em povoar o nosso imaginário. Fantasmas de nossa identidade que ganha corpo nas narrativas populares e na formulação dos conceitos que denunciam nossa identidade como bem representa o nosso Encontro das Águas do Rio Negro com Solimões. A CF catalisa a luta do Movimento S.O.S. Encontro das Águas em favor do Tombamento desse patrimônio da nação brasileira, reivindicando também pelo reconhecimento desse bem como patrimônio da humanidade. Para efetivação desse processo exige-se que o Ministério da Cultura cumpra com o seu dever homologando já o Tombamento do Encontro das Águas, instituindo os meios necessários para salvaguardar esse patrimônio da voracidade dos aventureiros que a todo custo querem reduz a nossa Amazônia em mercadoria nos fóruns das nações. Contrários a esses gatunos de cartola resolvemos protestar e antes que tudo se transforme em pó convidamos você a participar conosco na VI Caravana do Encontro das Águas integrada a celebração da CF de 2011, que se fará na quarta-feira de cinzas (9), com saída marcada às 7h, do posto BR da Bola do Coroado. Na oportunidade faremos os credenciamentos, não esqueça de levar o seu farnel com frutas, sucos e outras espécies regionais para compor o banquete da fraternidade alimentado da esperança de se garantir a homologação já do Tombamento do nosso Encontro das Águas.