terça-feira, 22 de novembro de 2011

Parabéns Club da Madrugada! SALVE O MULATEIRO

Foto: Blog do Rocha Arvore Mulateiro na Praça da Policia/Manaus
J. C. Maciel
bendito
seja
o mulateiro,
árvore frondosa
que deu guarida ao clube da madrugada!
bendita seja a praça da polícia, como é
conhecida a praça de heliodoro balbi! benditos
sejam os madrugadores de todo o universo!
salve os jovens fundadores: saul benchimol, francisco
ferreira batista, luiz bacellar, jorge tufic, farias de carvalho,
moacir andrade, alfredo campos, teodoro botinelly,
afrânio castro, fernando collier, humberto paiva,
miguel barrela, joão bosco araújo e dajalma passos foram
os primeiros, depois vieram outros.
mas nossa homenagem é para o mulateiro,
presença constante por mais de
trinta anos nos saraus dos jovens
escritores, poetas,
cientistas e
artistas do
clube da
madrugada.
o povo sempre
presente,
acompanhando
no com interesse e
aplaudindo, dando força, o mulateiro fez história
com o clube da madrugada. fugindo à regra geral, essa árvore bonita está ligada ao clube da madrugada por vínculo histórico-sentimental, patrimônio que deve ser tombado para a posteridade. nesse diapasão, o mulateiro segue o destino de outras árvores, verdadeiras ou imaginárias, que de alguma forma ficaram em nossa memória. quem não conhece a tradicional árvore de natal? quem não se lembra da árvore dos enforcados? e tantas serviram para este ato de aniquilamento. dá árvore que servia de casa para uma famíla inteira, com quarto, cozinha e tudo, numa das comédias mais hilariantes do escritor americano truman capote. da árvore em forma de bastão que nasceu no lugar onde são pedro fora crucificado de cabeça para baixo. das laranjeiras em flor de marcel proust. das farfalhantes palmeiras de gonçalves dias. dos ciprestes de van gogh. da velha árvore de olavo bilac. da árvore que ajudou o advogado abraham lincoln a desvandar um crime e prender o criminoso. da primeira palmeira real trazida de portugal para o brasil por dom joão VI. do pé de laranja-lima de josé de vasconcelos. do carvalho dos druidas. da flexibilidade do salgueiro. dos girasóis da rússia. das pelas tulipas da holanda. das tamareiras dos oásis dos desertos africanos. dos cacaueiros de ilhéus na bahia. das cerejeiras em flor do japão. das gigantestas sumaumeiras às margens do rio solimões. das touças de canaranas descendo na forte correnteza do rio amazonas na época das cheias. dos vastos canaviais brasileiros. dos copados castanheiros da região amazônica. dos floridos maracujazeiros. dos rosais de espécie, cores e odores diferentes. da beleza e policromia sem par das orquídeas. das carnaubeiras de mil e uma utilidades. dos sândalos aromáticos. das samanbaias ornamentais. dos cipós entrelaçados e pendurados nas árvores. das seringueiras pipocando suas sementes nos extensos seringais do acre. dos buritis de frutos avermelhados e polpa amarela espalhados por toda a amazônia brasileira. dos jardins suspensos da babilônia. da magnífica floresta virtual de pandora em avatar. do horto das oliveiras onde jesus cristo orou… tudo isso faz do mulateiro motivo de orgulho, testemunha silenciosa do movimento madrugada nas letras e nas artes. simbolicamente, o mulateiro continua abrigando essa plêiade de jovens intelectuais. mas a nossa homenagem hoje vai para o velho mulateiro, que deu guarida e sombra para as reuniões de bate-papo e lançamento de livros, sob sua fronde por mais de três décadas de história da cultura amazonense a partir de 1954. salve o mulateiro!

(Crônica da década de 80, publicada in I Antologia Amazônica – em prosa e verso – da ALCEAR – Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, Coordenação de Gaitano Antonaccio, Manaus, edição da Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, 2010, p. 85/86).


domingo, 20 de novembro de 2011

Usinas do Madeira, Belo Monte e a caixa preta


Xingu Vivo para Sempre
Telma Monteiro

Mais um ano está chegando ao fim. Dilma, pós Lula, assumiu a já esperada postura autoritária. Ela já dava sinais desde que foi ministra de Minas e Energia. Início do desastre, agora confirmação dele.

Em 1999, Furnas e Odebrecht fizeram a usina de Manso. Deu certo. Refiro-me à parceria. Ela serviu de base para o próximo empreendimento, o Complexo Madeira, em Rondônia. Uma das maiores empreiteiras do Brasil e a estatal mais blindada que já existiu idealizaram um megaprojeto. Barrar um dos principais afluentes do Amazonas parecia impossível. Não para eles.

Já em 2001, Lula se preparava para a campanha presidencial. Negociava com todos aqueles que poderiam, de uma forma ou de outra, viabilizar sua eleição. Cheguei a conhecer um influente empresário italiano e equipe que estavam no Brasil para conversar com a coordenação de campanha de Lula sobre Angra III. O próprio empresário me contou. Não acreditei. Ele voltou satisfeito para a Itália. Angra III sairia do papel, me disse. Saiu.

Furnas e Odebrecht também apresentaram o megaprojeto do Madeira para a equipe de Lula. Usinas do Madeira, projeto ambicioso para depois que o PT vencesse as eleições. No final de 2002, eleição ganha, a Aneel aprovou o Estudo de Inventário das usinas Santo Antônio e Jirau em tempo recorde. Promessa de campanha, promessa cumprida. Início de 2003, Dilma já ministra, convocou a diretora de Meio Ambiente de Furnas para formatar um novo modelo institucional de energia elétrica. O setor aprovava.

O EIA/RIMA do Complexo Madeira estava em elaboração. Para construir as usinas seria preciso obter, antes, a Licença Prévia do Ibama. O novo modelo de energia de Dilma e de Furnas garantiu isso. Estudos ambientais aprovados. Licença Prévia concedida. Aconteceu o leilão da UHE Santo Antônio e depois o de Jirau. Tudo conforme o ajustado.

Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente, deixou-se convencer. Até acreditou que os impactos seriam mínimos. Está tudo aí agora para ela conferir. Argumentos de um governo que precisava pagar a fatura da eleição. Duas usinas num rio indomável como o Madeira estariam de bom tamanho para a empreiteira e para a caixa preta que é Furnas? Parece que não. Querem muito mais.

Muita história e bastidores de arrepiar há ainda para contar. Vou fazê-lo a partir de 2012. Doa a quem doer (parece que já ouvi isso). Até hoje os episódios escandalosos e os conflitos envolvendo as usinas do Madeira, se sucedem. Tudo previsto e apontado na época.

Agora enfrentamos novamente o mesmo autoritarismo hidropredador para a Amazônia com o projeto Belo Monte, os processos das usinas no rio Tapajós e das usinas no rio Teles Pires. Oito anos de Lula e quase um de Dilma. Tudo igual.

Será que a sociedade brasileira vai acordar?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

GREVE: com Dilma é Trabalhador amarrado e peia no couro!

Funcionários dos Correios queimam bandeira do PT após decisão do TST
Para quem lembra da Greve dos Petroleiros no inicio do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, vai concordar que Dilma está usando o mesmo método que FHC usou para combater os movimentos grevistas dos trabalhadores. Ambos se valem de uma lei de greve feita sob encomenda dos empresários para manter uma política econômica que só aumenta a concentração de renda na mão de banqueiros e grandes grupos econômicos!

Da mesma forma, se valem da ausência de uma política salarial, melhor dizendo, de uma lei que menciona a livre negociação e ao mesmo tempo, impede aumento dos salários. Tudo em nome do famigerado superávit primário, que arrocha salários e engorda os cofres de banqueiros e agentes governamentais corruptos!

Por outro lado, cooptam o movimento sindical com a oferta de cargos no Governo para suas lideranças e a liberação de volumosas verbas do FAT e de outros programas do governamentais para a maioria das Centrais Sindicais!

Assim os trabalhadores que se dispuserem a lutar por melhores salários, terão primeiro que enfrentar as manobras nas assembleias dos dirigentes sindicais ligados a base aliada do Governo, depois o corpo mole desses diretores de Sindicatos na condução da Greve e finalmente recebem como conforto as decisões judiciais que na grande maioria só beneficia os empregadores, sejam eles estatal ou privado.

Este ano varias seguimento de Servidores Públicos recorreram a Greve como forma de sensibilizar o Governo do PT/Dilma, a melhorar suas condições de trabalho e salário, todas receberam a prepotência e intransigência como respostas, no caso dos Servidores das Universidades, Dilma foi além da crueldade, humilhou-os ao não conceder nenhum reajuste e ainda por cima, privatizou os Hospitais Universitários!

Os Trabalhadores dos Correios passaram 29 dias em Greve, Dilma se manteve insensata as reivindicações desses humildes trabalhadores e recorreu a justiça, braço jurídico do Estado, que além de proferir uma sentença humilhante, ainda os obrigou a terminar a Greve!

Essas categorias estão sofrendo na pele a traição de suas ex e atuais lideranças! Quantos desses trabalhadores não pagaram e ainda pagam o Dizimo para o PT? Quantos deles não enfrentaram a fúria da Ditadura Militar, a intransigência dos Governos Sarney, Collor e FHC, tudo para construir o sonhado Governo do PT!

Uma vez no poder, o PT e seu braço sindical, se voltam contra esses grandes guerreiros. Para essa nova classe de burocratas a serviço do capital, pouco interessa a vida de humildes brasileiros que andam amontoados em ônibus lotados, que se humilham para ter direito a uma miserável bolsa Família, ou Bolsa verde. O que interessa é uma coisa só, usufluir das mordomias do poder!

Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Está na hora de mostrar a essa cambada de traidores, a força que somente nós temos para desbancá-los desse castelo de corrupção que eles transformaram o Estado brasileiro!

Elson de Melo

domingo, 9 de outubro de 2011

Mobilização Mundial por Democracia Real tem Manifestação em Manaus - 15-O Manaus

Na próxima quarta feira dia 12 de outubro de 2011 as 10:00 horas, o Movimento que organiza o 15-O MANAUS – DIA DE MOBILIZAÇÃO MUNDIAL POR DEMOCRÁCIA REAL. Está promovendo uma Assembléia de esquenta visando agitar a Manifestação de sábado 15.10.2011, quando a população mundial vai as ruas exigir Democracia Real. A reunião será na histórica Casa do Trabalhador do Amazonas no centro de Manaus (AM). Os Coordenadores estão convidando os Partidos Políticos, Parlamentares da Frente Parlamentar Mista de Combate a Corrupção, as Entidades de Estudantes, os Sindicalistas, o Movimento pela Ética na Política, o Fórum Estadual de Combate a Corrupção, as Pastorais da Igreja Católica, O Movimento SOS Encontro das águas e os Lotadores Sociais que estão indignados com a Corrupção e todos os males dela decorrente. No Amazonas o tema é: Basta de Corrupção! Não ao Porto nas Lajes! Em defesa do Encontro das Águas e da Amazônia.

15-O MANAUS (AM) – MOVIMENTO MUNDIAL POR DE-MOCRACIA REAL JÁ!
Assembléia de Esquenta
SERVIÇO
Data: 12 de outubro de 2011(quarta feira)
Horário: 10:00 Horas
Local: Casa do Trabalhador do Amazonas
Endereço: Rua Marcílio Dias nº 256 Centro
Manaus – Amazonas
Informações:(92) 81160094
Acesse: https://www.facebook.com/groups/164232156997840/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

EM COMEMORAÇÃO AO ANIVERSÁRIO DA NOSSA MANAUS


O melhor de Manaus é a cultura do seu povo, é a beleza de sua gente, que faz parte desta paisagem a identificando como terra dos Manaós - manauara. Esta paisagem imprime marcas profundas na alma, no coração e mente dos cidadãos que aqui vivem e moram. A todos (as) nossa congratulações pelo aniversário desta cidade tão maltrata por filhos bastardos que dela se valem apenas com objetivo de explorar, saquear e acumular riqueza para gastar em 0utras paragens querendo não ser reconhecidos entre os seus e muito menos com sua pátria natal. Desse modo, Manaus capital da Amazônia tem sido o celeiro para os aventureiros e oportunistas que transformam a cidade em jogatina, apostando na política e na corrupção como meio de se ganhar fácil se apropriando do Erário e do trato de sua gente. Aqui é o nosso cantinho, nele repousamos a cabeça e queremos viver para sempre numa inteira relação com a floresta e toda vida que nela encerra. Participe de nossa manifestação e faça sua opção por Manaus amando-a e protegendo-a dos governantes e agentes públicos corruptos e malfeitores.

15 DE OUTUBRO de 2011: O MUNDO VAI AS RUAS POR DEMOCRACIA REAL

No Amazonas vamos dizer: "BASTA de Corrupção! NÃO a construção do Porto nas Lajes e a destruição da Amazônia!". EM DEFESA do Encontro das Águas e da Amazônia.
O mundo se mobiliza para encontrar um novo caminho para a humanidade, o capital tem se mostrado cada vez mais, prepotente e ineficiente para apontar soluções aos problemas coletivos dos cidadãos. A falta de: emprego, saúde, habitação, educação, cultura e renda, males que leva milhões de seres humanos a miséria, são insolúveis enquanto, houver um capitalista, explorando homens e mulheres com o único intuito de acumular riqueza e poder.

Contra essa barbárie, a juventude mundial, vem se indignado e promovendo manifestações, como: marchas, atos públicos, passeatas, revoltas e revoluções.

Esse Movimento começou na Europa, com repercussão imediata na África e nos países árabes, na America Latina o maior exemplo é a luta dos Estudantes chilenos por Educação.

No dia 15 de outubro, a população mundial, está sendo CONVOCADA a sair às ruas para exigir seus direitos e DEMOCRACIA REAL JÁ! Em Manaus, vamos dizer: "BASTA de Corrupção! NÃO a construção do Porto nas Lajes e a destruição da Amazônia!". EM DEFESA do Encontro das Águas e da Amazônia.

No Amazonas, a Concentração será as 16:00horas do dia 15 de outubro de 2011 na histórica Casa do Trabalhador do Amazonas, a Rua Marcilio Dias, nº 256, Centro de Manaus –Amazonas, participe, traga sua bandeira, seu chapéu, banner, faixa, vista a camisa do seu movimento e mostre sua indignação!

INFORMAÇÕES
Fone: (92) 8116-0094, 8106-7000

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Construir o 15 de Outubro no Brasil

Por Nathalie Drumond*


No começo desse ano, inúmeros processos revolucionários despontaram pelo mundo. Destaca-se Tunísia Egito e, recentemente a Líbia, cujas populações através de um forte processo de luta derrubaram seus regimes autocráticos que mantinham sanguinárias ditaduras há décadas. Na Europa a indignação popular ganhou força, como resposta à política de retiradas de direitos implementada por seus governos e o alto índice de desemprego da juventude – que chegou a atingir mais de 40% na Espanha. Neste país, a juventude ocupou as praças contra os pacotes econômicos que salvavam da bancarrota os banqueiros e os grandes poderosos, mas achatavam direitos e os investimentos públicos. Sob a bandeira do “não queremos apenas escolher, mas também decidir” os espanhóis lançaram o chamado à juventude do planeta, construir um ato mundial por Democracia Real Já, unindo os indignados do mundo e suas reivindicações num único dia.

O chamado para a jornada de mobilizações no 15 de Outubro (15O) espalhou-se para diversos países. Espanha, Inglaterra, Grécia, Portugal, França, Estados Unidos, Chile, Argentina, Republica Dominicana. É inegável que o ano de 2011 marca uma nova etapa para a atividade política da juventude e dos trabalhadores. O 15O será – em um único dia – a expressão da luta dos povos do norte da África, da juventude da Europa, dos descontentes e oprimidos de toda a América.

No Brasil, podemos fazer do 15O o momento de unificação das lutas ambientais, contra homofobia, pelos direitos das mulheres, contra a corrupção no esporte, em defesa da educação, entre tantas outras causas que têm despontado com mais ou menos força neste momento por aqui. É a oportunidade de unificar diversos movimentos, entidades e organizações sociais em luta no país. Onde cada movimento possa contribuir à sua maneira, reunindo atividades artísticas, demonstrações políticas, atos, marchas e toda a forma de expressar a indignação da juventude contra a atual situação política e econômica no país.

O PSOL sempre conectado às principais lutas internacionais e linha de frente nas principais lutas da juventude no Brasil também deve ser parte ativa na construção do Ato Mundial dos Indignados no dia 15 de Outubro.

* Nathalie Drumond é estudante de geografia na USP e dirigente nacional do movimento de juventude Juntos!

sábado, 3 de setembro de 2011

Grito dos Excluídos 2011 dia 07 de setembro em Manaus (AM)

Chegou o momento, tá na hora, de fazer valer nossa historia




Salve! Salve! 
Companheiras, 
Salve! Salve! Companheiros.
Chegou o momento, tá na hora, de fazer valer nossa historia. Somos lutadores e lutadoras resistentes da memória. O sonho é o projeto popular para Brasil para todos e todas nós.
Esse é o 17° Grito dos excluídos e excluídas vem com tema - “Pela vida grita a TERRA... Por direitos, todos nós!
O Grito dos Excluídos e das Excluídas é uma manifestação dos mais diversos movimentos sociais que lutam por justiça e igualdade. Este ano, traz como tema "Pela vida grita a TERRA. Por direito todos nós!"
Realizado desde 1995, sempre no dia 07 de setembro, o Grito é um espaço de manifestação popular por justiça, igualdade e dignidade. Uma mobilização popular para ecoar nossos gritos de denúncias e propagar um projeto popular para o Brasil que represente as necessidades e os anseios do nosso povo.
O Lema nos chama a discutir em caráter municipal, estadual, nacional e global. É necessário pensar em verdadeiras políticas públicas de inclusão, o grande desafio é passar de um modelo de exploração, que visa tirar o máximo de lucro da natureza e da força humana, a um novo modelo de cuidado, preservação e cultivo da vida, que prima pela convivência justa, solidária e fraterna, em relações de convivência com as demais formas de existência, permitindo que a Terra se converta numa fonte perene de vida. Prevalece a necessidade de apoiar e fortalecer todas as iniciativas populares que buscam reciclar e reorganizar a relação dos seres humanos com a biodiversidade do Planeta. Em nível global, somos convidados a uma rede de solidariedade, onde os direitos básicos dos seres humanos se complementam com políticas amplas e abrangentes de preservação e respeito ao meio ambiente, priorizando o desenvolvimento sustentável. A consciência da cidadania ganha dois aspectos inseparáveis: a soberania nacional, nas comemorações do Dia da Independência, não pode esquecer que somos antes de tudo cidadãos do planeta Terra.
Este ano caminharemos assim:
Concentração: às 15 horas ► Em frente a Stock Casa – av. Constantino Nery ► Temas/Responsáveis → Grandes Projetos para Amazônia (CIMI/CPT); Copa do Mundo e as implicações sociais para a cidade de Manaus (Comitê Popular Copa 2014 Manaus); Extermínio da Juventude (Pastoral da Juventude); Corrupção (Fórum de Combate a Corrupção) e Comarcas/Judiciário (CDH). O tempo de apresentação para cada tema ficou definido entre 5 a 10 minutos. Ficou definido que haverá uma Tribuna Aberta, quando haverá manifestação de movimentos e reivindicações localizadas, o tempo para o uso da tribuna será de 03 minutos.
Primeira Parada ► Em frente à Fechacon ► Tema/Responsável → Trabalho (Pastoral Operária).
Segunda Parada ► Em frente à quadra da Chapada ► Tema/Responsável → Moradia (Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM).
Terceira Parada ► Em frente ao hospital Eduardo Ribeiro ► Tema/Responsáveis → Saúde Mental (Pastoral da Saúde/Rogelio Casado).
Quarta Parada ► Em frente ao Vivaldão ► Tema/Responsáveis → Exploração sexual de crianças, jovens e mulheres e tráfico de mulheres (Fórum Permanente das Mulheres de Manaus – FPMM/Casa Mamãe Margarida e Pastoral do Menor)
Ato Final ► Área externa da arena Amadeu Teixeira ► Ato simbólico sob responsabilidade da coordenação.
Mais uma vez estaremos denunciando a situação de exploração da classe trabalhadora; a degradação do meio ambiente para privilegiar a ação do capital; a discriminação étnica, de gênero e de orientação sexual; a exploração sexual infanto-juvenil e o tráfico de mulheres; os graves problemas sociais de nossa cidade (transporte, abastecimento de água, educação, saúde, moradia...) e as implicações das obras da copa do mundo 2014 para a cidade e a população manauara.
Venha participe, anime, mobilize. Pinte suas faixas, afine seus gritos, leve suas bandeiras e vamos, nas ruas, construir um Brasil que represente os anseios do povo brasileiro. Vamos juntos e juntas participar!
Até o dia 07 de setembro no Grito dos Excluídos e das Excluídas.
Um forte abraço,
Francy Junior
Educadora da Recid-AM 
Sec. Operativa do FPMM
81867526/91596872

terça-feira, 26 de julho de 2011

Indignados de todo o mundo: uni-vos!

Enquanto estiver na fase da simples negação das medidas adotadas pelos governos, não haverá tanta dificuldade quanto a partir do momento em que os indignados passem a ser chamados a dizer o que sugerem como propostas ou sugestões para uma ordem social e econômica mais justa.

Paulo Kliass

Até poucos dias atrás, antes da retomada da mobilização na Grécia, a bola da vez parecia estar com a Espanha. E com toda a sua rica diversidade política, cultural, social. Os gritos eram bradados em catalão, em basco, em galego, em castelhano. Da mesma forma, os escritos dos cartazes e das faixas. Talvez pudéssemos sintetizá-los todos em “Não nos representam!”.

Ao longo dos últimos meses, o cenário mundial tem apresentado algumas novidades em termos de mobilização política. Por um lado, foram todas as manifestações observadas nos países árabes e do norte da África, caracterizadas essencialmente por reivindicações de natureza democrática face a seus governos. De outro lado, tem crescido o volume dos protestos que atingiram os países europeus mais duramente afetados pelas exigências de austeridade e rigor na ortodoxia dos ajustes econômicos por parte da União Européia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foram os casos da Irlanda, da Grécia, da Islândia. E agora, a Espanha.

Muitos analistas tentam se debruçar com mais detalhe sobre esse momento e o conjunto de tais manifestações. A primeira tentação é inescapável. Comparar o primeiro semestre de 2011 com a famosa primavera de 33 anos atrás, quando a onda de manifestações atingiu um conjunto imenso de países por todos os continentes. Protagonizado por estudantes e trabalhadores, o movimento de 1968 mobilizava multidões em cidades e regiões tão diversas quanto distantes como Paris, Praga, São Francisco, Tóquio, além das mobilizações ocorridas inclusive no Brasil, já sob o regime militar do golpe de 64.

Porém, as diferenças também são significativas. O movimento de 68 tendia a expressar mudanças em operação na base das sociedades àquela época. A pauta da nova geração falava de um novo modo de vida, apresentava a crítica ao modelo da sociedade industrial e de consumo. Denunciava as iniciativas bélicas, simbolizadas na operação norte-americana no Vietnã. “Faça amor, não faça guerra!”. As flores nas bocas dos canhões. Na pauta e na essência das manifestações, mudanças comportamentais e a liberação de costumes como as drogas, o sexo, o rock and roll. O Festival de música de Woodstock entrou para a história como um dos símbolos daquele novo tempo que se iniciava.

Nos tempos atuais, a hegemonia do pensamento liberal e a falência dos regimes dos países socialistas tornam menos evidente a aceitação generalizada dos princípios de solidariedade presentes nos movimentos de protesto. Infelizmente, ao que tudo indica, as sociedades estão mais marcadas pelo sentido da postura individual e menos para ações coletivas. E a questão comportamental parece mais influenciada pelas inovações tecnológicas proporcionadas pelos contatos via celular e internet do que pela essência das atitudes e proposições libertárias dos movimentos precedentes. Uma das principais tarefas reside na divulgação e no convencimento de outros setores sociais, bem como no combate ao conteúdo conservador dos fundamentalismos de todos os gêneros (religioso, moral, político, cultural, etc) que marcam nosso tempo.

Em meio a essa multiplicação de experiências alternativas de demonstração de descontentamento com a ordem política vigente, um antigo combatente das causas democráticas e populares resolveu também tomar a iniciativa e lançou o que imaginou que fosse sua “modesta” contribuição. Stéphane Hessel, um francês já com 93 anos, publicou em 2010 um manifesto que intitulou de “Indignez-vous!”. Transformado em livro, está batendo recorde de vendas, com mais de 1 milhão só na França. No Brasil, a Editora Leya Livros lançou uma tradução como “Indignai-vos!” Trata-se de um verdadeiro chamamento a que as gerações atuais se mobilizem e demonstrem a sua discordância com o estado atual de coisas no planeta. O autor pensava sobretudo na questão francesa face à política conservadora implementada pelo Presidente Sarkozy, mas também nas dificuldades em aceitar as medidas originadas pelas obscuras autoridades européias, sediadas em Bruxelas.

No entanto, aquilo que fora concebido como um singelo manifesto de pouco mais de 30 páginas, passa a ganhar uma dimensão política e aceitação inusitadas. Com a ajuda da divulgação proporcionada pela rede virtual, o documento ganhou o mundo. E tornou-se, aos poucos, o símbolo de um movimento que se pretende como a contraposição a tudo o que o processo atual da globalização apresentou até o momento. Um pouco na esteira do espírito altermundista e das experiências do Fórum Social Mundial, espalha-se cada vez mais internacionalmente, junto com o sentimento de que “um outro mundo é possível”. E mostra a incrível energia e disposição de quem lutou quase um século e não se acomodou!

No caso espanhol, fica visível uma negação explícita da forma tradicional das organizações políticas, partidárias e institucionais. Iniciado em Madri e Barcelona como um movimento de protesto contra as medidas restritivas de um sistema de governo (central, das regiões autônomas, das províncias e das municipalidades), seus participantes ocupam locais estratégicos e de alta visibilidade nos espaços urbanos, acampando em praças centrais. Por outro lado, a evolução da conjuntura faz com que emirja rapidamente um sentimento de solidariedade de amplos setores da população. Como se o movimento estivesse a representar alguma novidade ainda submersa na base da sociedade, não captada pelos analistas e pelos próprios ativistas.

A forma de organização é também inovadora. Ao menos nessa fase inicial, os participantes e suas lideranças não escondem que os partidos políticos, os sindicatos e demais associações tradicionais não são bem vindos. A princípio, a idéia tangencia o sentimento libertário e não se aceita a prática da representação e da delegação de poderes. As decisões são todas adotadas em reuniões abertas a todos, em uma espécie de assembleísmo permanente. Não por acaso, está sempre presente a analogia com os modelos da prática política nas sociedades antigas, como a Grécia clássica. Trata-se da busca do ideal da democracia permanente.

Ao contrário de movimentos que tiveram um início similar, os atuais tendem a contar com uma maior participação de diversos setores que não exclusivamente aquele que o imaginário popular e os meios de comunicação apresentam como a “juventude rebelde”. A própria inspiração de um combatente quase centenário como Hessel confirma essa tendência. Nas praças dos acampados e nas manifestações chega mesmo a ser emocionante verificar a solidariedade ativa de aposentados, desempregados de todas as idades, famílias inteiras, estudantes universitários, secundaristas, etc. Um intercâmbio diferente e a aceitação da construção do “novo” a partir desse sincretismo um tanto inédito. A troca de experiências entre grupos tão diversos é impressionante. De um lado, os que já viram e atuaram em não sei quantos movimentos e greves ao longo do século passado, passando pela luta na resistência contra os nazistas ou ao lado dos republicanos na guerra espanhola. De outro lado, aqueles que chegam agora com menos experiência acumulada, mas com sua força e energia políticas, e sobretudo acompanhados do potencial mobilizador oferecido pelo celular e pela rede virtual.

Um outro aspecto significativo foi a afirmação do caráter pacífico e não violento do movimento. Isso tornou-se uma expressão explícita de seus documentos e declarações oficiais, em particular depois da tentativa do sistema de inteligência espanhol de infiltrar as manifestações com supostos radicais em 15 de junho, com o objetivo de desacreditar os indignados junto à maioria da população. Para evitar esse risco, o movimento denunciou tal tentativa da polícia e reafirmou a condenação da violência extremista gratuita, como costuma acontecer em algumas manifestações dessa natureza, a partir da ação irresponsável de pequenos grupos que não representam o pensamento da maioria e só fazem isolar politicamente os movimentos.

No entanto, essas características inovadoras de tais movimentos passam a representam um limite, à medida em que as ações se ampliam e eles passam a ganhar apoio e simpatia de outros setores da população. Uma coisa é organizar acampamentos com muitas centenas e alguns milhares de pessoas. Mas quando se trata de organizar manifestações de centenas de milhares de participantes, em várias cidades espalhadas pelo país, com ações de segurança interna e outras, o movimento passa a exigir de si mesmo outro nível de organização interna e o aperfeiçoamento de mecanismos de representação institucional.

O mesmo vale para a questão política. Enquanto estiver na fase da simples negação das medidas adotadas pelos governos, não haverá tanta dificuldade quanto a partir do momento em que os indignados passem a ser chamados a dizer o que sugerem como propostas ou sugestões para uma ordem social e econômica mais justa. Sim, pois o sentimento de indignação é bastante amplo para exprimir um descontentamento com a ordem atual, mas não pressupõe a mesma unidade de ação e pensamento quanto ao como e o que fazer. Os cartazes e as intervenções tendem a apontar como responsáveis pela crise fatores amplos, que vão desde o sistema capitalista até o processo da unificação européia, passando pelo sistema político espanhol.

Há mesmo muitos intelectuais, artistas, pesquisadores e professores (1) que apóiam as iniciativas, mas parte deles reconhecem as limitações das mesmas. Assim, chamam a atenção para a importância do movimento, mas consideram a necessidade de alguma forma de institucionalização no plano da política (inclusive eleitoral) para tornar as propostas factíveis e viáveis. Caso contrário, os indignados correm o risco de revelarem-se mais uma excelente oportunidade de aprendizado e amadurecimento políticos para seus participantes, mas sem desaguar em nenhuma proposta efetivamente transformadora da ordem atual que pretendem mudar (2). Ou seja, podem entrar para a longa lista dos movimentos de protesto – importantes, sem dúvida alguma – que não lograram apresentar à sociedade uma via de implementação de suas propostas de transformação.

E que sirva como alerta para aqueles que insistem, aqui por essas latitudes mais ao sul, também em ignorar as experiências históricas e suas propostas de origem. Nos dois casos em foco na Europa, um dos aspectos mais relevantes da crítica são os cortes orçamentários para áreas sociais em contratse com o volume de recursos destinados para o saneamento financeiro, o eterno privilegiar do capital contra a maioria da população. E tudo isso sendo levado a cabo e votado nos parlamentos por governos que se dizem socialistas. Como as entidades sindicais ficaram na postura meio de peleguista de nosso conhecido “chapa-branquismo”, a onda de indignação acabou por atropelar partidos e sindicatos.

De qualquer maneira, a simples ocorrência de tais movimentos em sua seqüência atual já representam um elemento inovador na ordem política. E a facilidade com que se espalham pelos continentes faz-nos lembrar o chamamento final do Manifesto escrito por Marx e Engels há mais de um século e meio: “Indignados de todo o mundo, uni-vos!”. Afinal, não têm mesmo muito a perder a não ser a sua desilusão, o seu descontentamento e a sua frustração com a ordem atual de injustiça social, política e econômica.

NOTAS
(1) É o caso da iniciativa de lançamento do manifesto “Una ilusión compartida”, que pretende ser uma cunha no debate político e eleitoral na Espanha, agora com a saída do líder do PSOE, Zapatero. Assinam Pedro Almodovar (cineasta), Ignacio Ramonet (jornalista), Pilar Barden (atriz), entre outros. Ver: www.unailusioncompartida.com.

Registro uma frase emblemática: “La corrupción democrática se ha mostrado como la mejor aliada de la especulación, separando los destinos políticos de la soberanía cívica y descomponiendo por dentro los poderes institucionales. Hay que devolverle a la vida pública el orgullo de su honradez, su legitimidad y su transparencia. Por eso resulta imprescindible buscar nuevas formas de democracia participativa y sumar en una ilusión común los ideales solidarios de la izquierda democrática y social.”

(2) Ver: De uma tendência distinta, contribui também Arcadi Oilveres, presidente da associação catalã Justicia i Pau (Justiça e Paz). Ver: http://www.justiciaipau.org/
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Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"O socialismo é uma doutrina triunfante"

Filosofia e Questões Teóricas

Joana Tavares

Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras

Antonio Candido - Foto de Fábio Carvalho
Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.

Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. "O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele", afirma.

Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?

Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.

Brasil de Fato – O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?

Antonio Candido – Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado "Literatura e sociedade" que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como "O cortiço" [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.

Brasil de Fato – Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?

Antonio Candido – Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.

Brasil de Fato – O que é mais importante ler na literatura brasileira?

Antonio Candido – Machado de Assis. Ele é um escritor completo.

Brasil de Fato – É o que senhor mais gosta?

Antonio Candido – Não, mas acho que é o que mais se aproveita.

Brasil de Fato – E de qual o senhor mais gosta?

Antonio Candido – Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos... Acho que já li "São Bernardo" umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: "a tradução matou a obra", então a obra era boa, mas não era grande.

Brasil de Fato – Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?

Antonio Candido – É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. "A divina comédia" é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.

Brasil de Fato – O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?

Antonio Candido – Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?

Brasil de Fato – O senhor acha que vai?

Antonio Candido – Não sei. Eu não tenho nem computador... as pessoas me perguntam: qual é o seu... como chama?

Brasil de Fato – E-mail?

Antonio Candido – Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas... Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos... que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.

Brasil de Fato – E o que o senhor lê hoje em dia?

Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política... mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.

Brasil de Fato – O senhor é socialista?

Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: "o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana". O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na "Ideologia Alemã": as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias... tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Brasil de Fato – Por quê?

Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

Brasil de Fato – O socialismo como luta dos trabalhadores?

Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola... não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser... o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando... não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão - e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos... então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).

Brasil de Fato – A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?

Antonio Candido – Conheci em Poços de Caldas... essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: "é melhor ser fascista do que não ter ideologia". Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.

Brasil de Fato – E o dever da atual geração?

Antonio Candido – Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.

Brasil de Fato – No seu livro "Os parceiros do Rio Bonito" o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?

Antonio Candido – Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia... Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: "ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?". Eu disse pra ele: "não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra". Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las. A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria... Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: "mas é claro que não vende, o carro não acaba". O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.

Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro "Os Parceiros do Rio Bonito", em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.

[Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.]

Fonte: Brasil de Fato, 12/07/2011

sábado, 23 de julho de 2011

Direito às Ciclovias

Heloísa Helena*

Quem vivencia as cidades brasileiras - vivendo no sentido intenso da palavra, sem se acomodar apenas com sua vidinha pessoal – conhece a importância das Bicicletas como modalidade de transporte urbano, tanto do ponto de vista da sustentabilidade ambiental como diante da precariedade dos transportes coletivos e da necessidade de redução no orçamento doméstico das extorsivas tarifas. Milhões de trabalhadores pobres brasileiros saem das suas casas nas madrugadas e alvoradas, com bicicletas velhas, sem equipamentos de proteção pessoal, levando uma pequena quantidade de alimento para todo o dia de trabalho exaustivo, sem técnicas de alongamento e submetidos a grandes distâncias que ultrapassam os limites físicos, temerosos da violência cotidiana e angustiados com a possibilidade – tantas vezes já visualizada – de acidentes, mutilações e mortes no trânsito!

O debate sobre esse tema e todas as alternativas propostas sobre o Sistema Cicloviário - como mecanismo de apropriação democrática dos espaços de circulação urbana – infelizmente não sensibiliza a muitos, pois não envolve um setor poderoso na rede de propinas e crimes contra a administração pública - como o transporte coletivo e a construção de rodovias – e nem envolve setores sociais de grande poderio político e econômico. Embora o Código de Trânsito já disponibilize em vários artigos a estruturação dos direitos e deveres desses usuários e não faltem propostas concretas a serem viabilizadas pelo poder público na garantia de acesso seguro aos principais pontos das cidades.

Pois bem... a bicicleta foi inventada em 1790 (de madeira e impulsionada com os pés, embora 4 séculos antes deste feito o Leonardo da Vinci já a tinha desenhado com pedais e correntes!), em 1898 veio ao Brasil apenas para consumo e diversão dos riquíssimos Barões do Café e apenas em 1948 começou a ser fabricada no país e se tornou popular. A “magrela” ou “bike” como é carinhosamente chamada por muitos apaixonados em nosso país – e largamente utilizada como meio eficiente de locomoção especialmente na China e Holanda – pode ser uma excelente ferramenta de mobilidade e acessibilidade eficaz e agregadora. Daí a importância de implementar os projetos de circulação (ciclovias, ciclofaixas, circulação partilhada), de sinalização (vertical, horizontal, semafórica), de estacionamento (bicicletários, paraciclos), de campanhas educativas (para ciclistas, usuários de outros veículos e pedestres) e da definição da área de abrangência (com a definição de limites extremos - interesse, necessidade, limite físico) e integração com outros meios de transporte equipados para tal. Além de alternativas viáveis como linhas de crédito para população de baixa renda na aquisição de bicicletas e equipamentos de proteção pessoal.

Em muitas cidades de Alagoas e aqui em Maceió - nos bairros do Tabuleiro, Benedito Bentes, Clima Bom, Jacintinho, Trapiche, Complexo Lagunar, etc – milhares de moradores de áreas vulneráveis socialmente, trabalhadores na informalidade - buscando desesperadamente “bico” para sustentar suas famílias com dignidade e resistindo com bravura ao mundo das facilidades e violência do tráfico de drogas – ou na construção civil e em outras áreas da economia local – às vezes até escondendo suas bicicletas para não perderem o vale-transporte, se deslocam todos os dias usando bicicletas. Exatamente por respeito profundo a esses trabalhadores, estamos em importante etapa de pactuação – em Coordenação do MP/AL (Dr. Max e Dra. Denise) – com organizações não-governamentais (Associação dos Ciclistas e Bicicletada), Sindicatos de Trabalhadores e Patronal (Construção Civil) e todas as Instituições Públicas diretamente responsáveis pelo setor. Estamos confiantes que conseguiremos garantir a implementação do Plano de Mobilidade Urbana com prioridade a formas de circulação coletivas, aos pedestres (especialmente com deficiência ou restrição de mobilidade) e aos ciclistas dentro do Sistema Viário.

Claro que muitos dirão que tudo isso é impossível e vão se contentar com seus carrões nos “pegas” de vadios filhinhos de papai ou sendo um ridículo machão brutamontes no trânsito... ou no caso dos políticos ladrões e suas súcias nada disso importa pois as propinas das ciclovias são pequenas se comparadas com as rodovias e confiam eles que os trabalhadores pobres continuarão facilmente manipulados para que eles possam continuar a reinar. Mas, “pra variar”, muitos de nós continuaremos lutando, apresentando emendas ao Orçamento para garantia das ciclovias, fiscalizando e exigindo que sejam encaminhados os Projetos (prerrogativa exclusiva do Executivo) de Mobilidade... Além do óbvio em continuar de lupa na mão para evitar a canalhice política no processo de licitação do transporte coletivo e garantir as cláusulas sociais de proteção aos motoristas e cobradores dos ônibus. Ufa! Como dizia a grande e maravilhosa alagoana Nise da Silveira...”Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão!”

Heloísa Helena é vereadora do PSOL em Maceió.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Esquerda Socialista no Amazonas

"Sem teoria revolucionária também não pode haver movimento revolucionário."
V. I. Lénini

Elson de Melo

Os três últimos séculos passados foram os mais ricos em ideias para combater as injustiças no mundo. No principio os anarcoscomunistas comandaram as ações de subversão a ordem instituída, nesse período, eles optavam por medidas estremas onde a trincheira da luta era a greve e até a sabotagem. Com o lançamento do Manifesto Comunista em 1822, Marx e Engles lançam as bases do socialismo cientifico, que mais tarde Lénini efetiva na prática com a revolução Russa.

Para a burguesia capitalista, a efetivação das ideias socialistas na União Soviética serve como advertência a sua perpetuação como sistema hegemônico de acumulação de riqueza nas mãos de um punhado de privilegiados, logo se apressaram em intensificar o combate a essa nova ordem social com medidas mais radicais, tanto do ponto de vista ideológico, como, econômico e politico. Para tanto, aperfeiçoaram a democracia representativa (Parlamento), regulamentaram a remuneração da mão de obra e fortaleceram o Estado Burguês dando maior importância ao executivo e ao judiciário. Isto é, consagraram ao Estado o poder supremo de decidir sobre o que pode e o que não pode ser feito pelo homem, ou seja, transformaram todos os seres humanos em escravos de um único senhor!

A guerra fria foi a expressão mais contundente dessa politica, transformaram as ideias socialistas em coisa do demônio, para isso, contaram com o esforço decisivo das igrejas de todos os matizes. Foi uma verdadeira cruzada que culminou com o fim da União Soviética como símbolo de uma nova civilização no final do século passado, não é atoa que o capital fez uma das maiores mídias para comemorar o aniversário da queda do Muro de Berlim no ano passado.

O simbolismo da queda do Muro de Berlim, não significa só a vitória do capital sobre o sonho de igualdade entre os homens, é muito mais profundo, significa o ceticismo dos próprios homens que se reivindicam socialistas em dar continuidade a esse exuberante projeto de sociedade justa e feliz.

Hoje o socialismo como ideia transformadora, não consegue se firmar sequer como proposta de governo, muito menos como projeto estratégico de civilização. Tornou-se um dogma, onde cada socialista tem em sua mente o modelo ideal de revolução, porém, são incapazes de compartilhar com as classes revolucionárias suas estratégia de construção dessa luta, convivemos hoje com socialistas tão individualistas como são os capitalistas. Chego a pensar que na pratica, esses socialistas preferem o capitalismo como modelo de afirmação pessoal!

Na verdade o que falta aos novos socialistas é a condição primordial para uma boa pratica transformador. O conhecimento. Eis o maior desafio dos Partidos Políticos ditos socialistas, a historia nos revela que a Revolução Russa só foi possível com o surgimento do socialismo cientifico, portanto, quem quiser dar continuidade a esse projeto, tem a obrigação de conhecê-lo em todas as suas minucias, como afirma Lénini “sem teoria revolucionaria não existe pratica revolucionaria”.

No Amazonas vivemos a particularidade de contarmos com três partidos que reivindicam o socialismo como projeto estratégico de civilização, no entanto, o dogmatismo tem transformado esses partidos em conluio familiar e objeto de negociações em épocas de eleições, só pra registrar: “os boatos dão conta que seus candidatos recebem vantagens inclusive financeiras de candidaturas dos Partidos Burgueses, para nos debates e programas no horário eleitoral, desferirem ataques a outras candidaturas que incomodavam o candidato que os pagaram”. Talvez seja esse o motivo para que as direções desses Partidos sejam manipuladas por grupos familiares ou de amigos (cumplices) dessa pratica.

Particularmente, prefiro acreditar na ausência de conhecimento cientifico do verdadeiro significado do projeto socialista, que infelizmente a teoria pós-moderna, impõem aos nossos contemporâneos a “negativa da narrativa da história”, porém, seja um ou outro o motivo, ambos são preponderantes para manter a inercia dessas agremiações partidárias aqui no Amazonas.

Se observarmos a historia politica do nosso Estado, vamos constatar que a esquerda socialista nunca conseguiu se firmar como projeto de poder local, suas praticas tem se limitado a poucos momentos a frente de algumas Entidades Sindicais. Dos Estados do Norte, é no Amazonas que se identifica a maior inercia dos Partidos Socialistas, ainda que aqui, esteja um dos maiores parques industrial do país onde laboram mais de 100 mil operários (as). Eis mais um desafio para os militantes socialistas do Amazonas.

Elson de Melo é Sindicalista

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Câmara Federal aprova Medida Provisória 171 e libera a rapinagem sigilosa

Por Elson de Melo
da Redação

Medida 171 da Presidente Dilma

Os Deputados Federais numa demonstração de desleixo com seus mandatos, abdicaram do direito que o Povo os consagrou de legislar e fiscalizar o Executivo, aprovaram a Medida Provisória 171 (Estelionato) da Presidente Dilma, aquela que libera a rapinagem sem escrúpulo.

Pois é, sob o pretexto de acelerar as obras da Copa e Olimpíadas, ela foi aprovada ontem na Câmara Federal com apoio dos Deputados governistas e mais PSDB, PSD e DEM. Recentemente o Deputado Praciano PT/AM, lançou em Manaus um Fórum de combate a corrupção pela transparência, da mesma forma assistimos as mensagens do PSB/AM, vangloriando-se de seus governos postarem na internet toda suas contas. Acontece que tanto o Deputado como o PSB, apoiou essa afronta a cidadania e ao direito de informação dos gastos feitos pelos governantes responsáveis pela gestão dos impostos que pagamos. Ambos são conveniente com esse: Estelionato Eleitoral - DomTotal..

Parece que esses senhores são dotados de varias caras e discursos, frente a Presidente rendem suas submissões, no seu Estado de origem, viram os arautos da Ética, Transparência e da Probidade. Sobre a postura dos Parlamentares do Amazonas no Congresso Nacional é sempre assim, em Brasília aceitam tudo, em Manaus todo está errado e prometem combater o que eles já concordaram e aprovaram, hora votando, hora se ausentando das votações. Fique atento povo amazonense! o governo quer urgência para copa ou licença para... Rapinar? Eis a questão.

Porque será que na campanha eles não colocaram isso em seus planos de governo, a presidente Dilma deveria ter incluído essa proposta no seu plano, teve bastante tempo só no TSE ela protocolizou varias versões do seu plano de governo, em nenhum deles consta essa medida, portanto, o que está em curso é um verdadeiro Estelionato eleitoral | Visor nunca antes visto neste país, é a vadiagem imperando no Brasil!.

A Presidente Dilma quando candidata, deveria dizer ao povo brasileiro que não aceitava o jogo democrático, que em vez de Democracia o regime seria Ditatorial.

Agora ela só não fecha o Congresso, porque os congressistas homologam sem divergir em nada, tudo que o executivo manda, claro que existe contrapartida, qual? Todos nós desconfiamos...

Aprendemos que Democracia é participação, transparência, controle social dos gastos do governo e acima de qualquer urgência está a ética e probidade administrativa, coisa que a Presidente e suas Excelências os Congressistas, fazem questão de tripudiar sobre esses valores, transigir sobre isso, é mais que retrocesso é golpe de verdade!

Deus Salve a Democracia no Brasil.