segunda-feira, 28 de junho de 2010

PRESIDENCIÁVEL PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO DO PSOL É CONTRA A CONSTRUÇÃO DO PORTO NO ENCONTRO DAS ÁGUAS NO AMAZONAS


O Pré-Candidato a Presidente da Republica pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio concedeu uma entrevista exclusiva para o blogs Lucta Social e não se esquivou de nenhuma pergunta. Disse que o PSOL é contrário à construção de um terminal portuário na altura do Encontro das Águas na entrada de Manaus. Também disse que maior dificuldade que tem para encontrar espaço na mídia se deve ao boicote dos meios de comunicação, que o faz porque não quer abrir o debate às verdadeiras soluções para os problemas do país porque está comprometida com o status quo. E finalizou a entrevista dizendo que, “o povo do Amazonas há anos é “esquecido” pelos governantes, que só se lembram da floresta para permitir a exploração sem limites exigida pela burguesia brasileira e internacional para garantir seus lucros”.

Lucta Social – A construção de um terminal portuário na altura do Encontro das Águas (confluência do Rio Negro, com o Solimões, de água barrenta) na entrada de Manaus, um dos pontos turísticos mais importantes da Amazônia, é motivo de polêmica na capital amazonense. De um lado, uma grande empresa de logística defendendo a obra. De outro, ambientalistas, intelectuais e moradores da Colônia Antônio Aleixo (bairro que sofrerá impacto diretamente com construção do porto) reivindicam a obra em outro lugar. Como o senhor analisa esses tipos de projetos para região Amazônica e qual seu posicionamento em relação a essa construção?

PlínioO porto do Encontro das Águas, a hidrelétrica de Belo Monte, a transposição das águas do rio São Francisco, a lei de florestas e a MP 458 – todas iniciativas do governo Lula – são parte do mesmo projeto de submissão ao agronegócio exportador de commodities implantado no país. Assim como a reforma do código florestal que está sendo construída no Congresso Nacional pela bancada ruralista com apoio do deputado Aldo Rebelo. O PSOL é contrário a todos esses projetos e vamos denunciá-los na campanha. Num governo no PSOL todos eles seriam revistos.

Lucta Social – Antes de pensar o modelo desenvolvimento para Amazônia, é preciso definir um modelo de organização política compatível com o seu ecossistema. Na Amazônia não existe espaço para o tal desenvolvimento sustentável, defendido pelos capitalistas. A ganância desse sistema é tão grande que, em pouco mais de cinco séculos, já destruíram grande parte de sua fauna e flora, dizimaram inúmeras civilizações como índios e incas, e agora estão inundando suas terras a fim de produzir energia para mover a roda da desgraça que é capitalismo. Qual é seu posicionamento em relação a essa equação matemática pouco confiável: investimento + Luz Para Todos + Xingu + Belo Monte = energia para vinte mil famílias?

Plínio A resposta está contida na pergunta. Tenho inteiro acordo com a análise apresentada pela Lucta Social e me coloco contra tal modelo de desenvolvimento “sustentável” que só beneficia uns poucos e destrói a natureza.

Lucta Social – Doenças profissionais, jornada de trabalho estafante, violência urbana, transporte coletivo desconfortável, baixo salário, ritmo acelerado as linhas de produção, esforços repetitivos, limitação de tempo para fazer as necessidades fisiológicas, assédio moral, sexual, lei do silêncio no ambiente de trabalho. São formas que o capital faz questão de preservar para manter sob seu controle o proletariado. Em um eventual governo do PSOL como fazer para mudar essa realidade vivida pelos trabalhadores Brasileiros?

PlínioEnfrentando o capital para garantir os direitos dos trabalhadores, apoiado na mobilização social para manter a legislação que protege os direitos do trabalho e revogar as leis e reformas constitucionais que atacam esses direitos, como as reformas da Previdência do FHC e do Lula.

Lucta Social – No dia três de outubro desde ano a população do Estado do Amazonas vai às urnas escolher seu próximo Presidente da República. O Projeto Zona Franca de Manaus sempre foi bombardeado pelos governos do Sudeste e Sul do Brasil, com a eleição do Presidente Lula isso foi amenizado. As candidaturas conservadoras de Dilma, Serra e Marina, independente de qual partido pertençam, vão chegar comprometidas com os estados do Sul e do Sudeste. As três candidaturas são tecnocratas, portanto, racionais ao extremo, embora os três se apresentem como desenvolvimentistas, são a favor de uma política fiscal linear para o Brasil e, conseqüentemente, contra os incentivos da Zona Franca. Plínio qual é seu posicionamento em relação ao Projeto Zona Franca de Manaus e caso e leito Presidente do Brasil como vai ser essa relação com a Zona Franca?

PlínioA Amazônia é um caso específico em nosso país, pela biodiversidade que ela comporta. É necessário enfrentar aí, como em todo o Brasil e talvez até mais, os interesses do capital e garantir os interesses dos trabalhadores.

Lucta Social – O candidato ao Senado pelo PSOL/Amazonas é o ex-senador Evandro Carreira, figura polemica e folclórica aqui no Estado do Amazonas. Porém, foi o primeiro político a levar o tema Amazonas para o debate Nacional. Uma de suas teses é a Militarização da Amazônia como forma de não internacionalizá-la. Outra seria a instalação de uma Universidade Biológica da Amazônia, com o objetivo do inventário da Amazônia. Ele afirma que seria a única providencia racional, cientifica e verdadeiramente honesta a se tomar em relação à Floresta Amazônica. Evandro vai além, disse que o INPA (INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA) pode até realizar este inventário com toda eficiência se o analfabetismo biológico dos governadores e parlamentares do Amazonas não fosse tão grande, a ponto de defenderem a estupidez de um desenvolvimento sustentável da Amazônia, com base num manejo florestal que a Ciência Fitológica desconhece e recomenda com muita cautela, o aproveitamento agrícola das várzeas, a criação de peixes e da fauna silvestre. Qual é projeto de desenvolvimento econômico do PSOL para Amazônia, levando em consideração a posição do candidato do partido ao Senado Federal aqui pelo Amazonas?

PlínioAs bases programáticas aprovadas na 3ª Conferência Eleitoral do PSOL, e que são as bases da discussão de programa para a campanha que estamos fazendo e se encerra com um seminário nacional em julho, são: a defesa da soberania nacional; o fim da privatização das florestas; a revogação da MP 458 e da lei das florestas; apoio aos povos indígenas, ribeirinhos e populações tradicionais; contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte; apoio à demarcação, homologação, titulação e garantia de inviolabilidade dos territórios indígenas; auditoria da dívida ecológica decorrente dos passivos ambientais provocados pelas grandes indústrias e o agronegócio com utilização do dinheiro do resgate dessa dívida para pesquisa e transição para matrizes energéticas limpas e renováveis. Tudo o que convergir nesse sentido será parte do programa do PSOL nessas eleições.

Lucta Social - Como o senhor definiria a diferença entre a sua candidatura e a dos demais, principalmente com relação aos três candidatos polarizadores?

Plínio Essas três candidaturas defendem o modelo econômico em vigor no país que vai contra os interesses do povo. E a campanha está montada para não discutir isso. Vamos mostrar que a aparente calmaria e melhora das condições de vida que se vê na superfície da realidade brasileira esconde uma tragédia por baixo, pois 20 milhões de famílias entraram no mercado do consumo, mas continuam sem atendimento de saúde e sem escola decente para seus filhos.

Lucta Social - Por que o PSOL é a alternativa da esquerda socialista?

PlínioPelos mesmos motivos expostos acima.

Lucta Social - Com relação à estrutura partidária, fale um pouco sobre o processo de construção partidária, como parte de uma estratégia para a mudança de regime?

PlínioO PSOL é um partido contra esse regime e esse sistema que estão aí. Existe para recompor a esperança de emancipação da classe trabalhadora que o PT traiu. Essa é a nossa caminhada, para a qual convidamos todos aqueles que têm acordo com a defesa do socialismo com liberdade.

Lucta Social - Quais as maiores dificuldades de sua campanha? Por que tanta dificuldade em espaço na mídia?

Plínio – A maior dificuldade é o boicote da mídia, que o faz porque não quer abrir o debate às verdadeiras soluções para os problemas do país porque está comprometida com o status quo.

Lucta Social – Deixa uma mensagem para o povo do Amazonas?

PlínioO povo do Amazonas há anos é “esquecido” pelos governantes, que só se lembram da floresta para permitir a exploração sem limites exigida pela burguesia brasileira e internacional para garantir seus lucros. É necessário dar um basta nessa história. Conto com vocês.

domingo, 27 de junho de 2010

COPA DO MUNDO – MOMENTO DE COVARDIA – DE MÉDICI A LULA GOVERNO PROMOVE MASSACRE AOS TRABALHADORES BRASILEIROS

Por: Elson de Melo
Amazônia principal vitima.

Mil novecentos e setenta. Brasil Tri Campeão do Mundo no México! Pelé se consagrava como o Rei do Futebol, a Ditadura Militar fazia seu sexto aniversario, os militantes sociais tentavam a redemocratização do País, Maluf presenteava os jogadores com um fusca, a população pode acompanhar pela perimira vez os jogos da Seleção pela TV, O povo brasileiro vibrava com os gols de Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Clodoaldo e Carlos Alberto.

Naqueles dias de intensa vibração dos 90 milhões de brasileiros. A vida de muitos camaradas era ceifada e seus corpos desaparecidos até hoje! O governo manipulava a imprensa, impedia o judiciário de agir, colocava todos os cidadãos brasileiros sobre suspeita. Era o Estado de Sitio que obrigavam todos a obedecerem ao toque de recolher. Os ditadores da época subvertiam a ordem e massacravam o Povo. A Região Amazônica estava sobre ameaça de destruição, Presidente Marechal Garrastazu Medici sobre o Slogan “ame ou deixe” e com a proposta de “integrar para não entregar” promovia a destruição da floresta com a construção de Hidrelétricas e a Transamazônica.

Dois mil e dez. Quarenta anos depois, assistimos um Presidente de origem operária, promover os maiores massacres aos trabalhadores e a Região Amazônica! Não é exagero dizer que: o veto ao Fator Previdenciário, o não tombamento do Encontro das Águas no Amazonas, a construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio em Rondônia, o leilão de Belo Monte, o anuncio da construção de mais de seis novas hidrelétricas na Região Amazônica, a concessão de áreas de florestas para exploração na Amazônia. São fatores que expressam o autoritarismo do Presidente Lula.

Os atos do Presidente Lula, são muitos semelhantes aos de Médici, como é semelhante às popularidades. O capital apropriando-se dessa popularidade, nos dois casos, avança na subtração de direitos dos cidadãos, condena as nações indígenas ao massacre roubando suas terras, espoliando suas culturas e dizimando suas vidas.

O tal estado de Direito hoje existente, serve apenas para legitimar as atrocidades de um governo insensível, autoritário e boçal, temos um presidente que usando seu prestigio construído com suor e lagrimas de milhões de Trabalhadores e trabalhadoras, serve de marionete dos Patrões para levar a cabo uma política perversa que as gerações futuras vão condenar nosso silencio e até a conivência de muitos.

Essa política maléfica e desprezível do PT e Lula pretendem nas próximas eleições, eleger um poste de peruca para Presidente, uma tecnocrata puxa saco do capital! Por outro lado, os dois outros projetos mais em evidencia, da mesma forma são cara metade do outro. Todos são transgênicos. As mutações que sofreram, serve apenas para engordar os grandes patrões transnacionais.

A combinação Médici e Lula, serve apenas para solidificar os lucros dos grandes patrões do Comercio, Indústria e Bancos. Para a população sobram apenas os miseráveis vinténs representados na Bolsa Família. Os salários não melhoraram, ao contrario, sofreram uma grande retração, o crédito facilitado para compra de casa, eletrodomésticos e automóveis, envolve juros astronômicos, confirmando assim a política de engorda dos lucros dos grandes patrões e endividar os assalariados sofridos.

Nessa combinação Médici e Lula. A democracia sofre as maiores restrições, os dois são adeptos de um regime absolutistas, onde ambos subvertem a ordem para impedir que a população tenha acesso ao contraditório, os dois odeiam os opositores. Médici mandou torturar e matar os que discordavam do seu governo, lula é mais sofisticado, coopta, isola, desqualifica, tortura com o excesso de propaganda e constrange juridicamente quem ousar discordar do seu governo, comandado por banqueiros.

Para não dizerem que estou exagerando devo afirmar que “a pratica da tortura ou de suplício se configura no infligir de tormentos, judiaria, imputação de sofrimento a outrem com por ato de crueldade, é tudo que produz dor, sofrimento moral, aflição, irritação prolongada”. O que Lula está fazendo com os Trabalhadores que trabalham sol a sol para contribuir com a previdência social e não podem se aposentar por conta do Fator Previdenciário e com os povos que habitam o Rio Xingu. É tortura pura! Digna de nota dos organismos internacionais de defesa dos Direitos humanos, como ONU, Anistia Internacional e outros. É preciso denunciar isso.

Élson de Melo é Sindicalista

sexta-feira, 25 de junho de 2010

MÉDICI & LULA

Excelente comparação entre Lula e o presidente Médici que também visitou Altamira na década de 1970. Muito bem lembrado!

Nota da TV Canção Nova, de Altamira, hoje: 23 de junho de 2010


Na década de 1970 esteve nesta cidade o então presidente Emílio Garrastazu Médici para construir a Rodovia Transamazônica. O país estava sob o regime militar. O governo trouxe um grande número de famílias de todos os estados da federação com o lema *“integrar para não entregar” e “terra sem homens, para homens sem terra”* prometendo desenvolvimento, emprego, segurança, saúde, educação, estrada, moradia e asfaltamento da Transamazônica. Altamira mais uma vez recebeu um presidente da República, agora não mais militar, mas“popular”, Luiz Inácio Lula da Silva.

O país não está mais sob o regime militar, porém o governo Lula está sendo, no aspecto ambiental, o presidente mais autoritário e anti‑democrático que a República já conheceu! Veio à Altamira com o mesmo discurso do governo militar. Parafraseando o lema de Médici: “inundar para não conservar” e “rio sem homens para homens sem rio”.


As promessas são as mesmas: desenvolvimento; saúde, educação; energia; emprego; segurança; asfaltamento da Transamazônica. Você acredita?

RURALISTAS FECHAM ACORDO PARA VOTAR CÓDIGO FLORESTAL

Local: São Paulo - SP
Fonte: Valor Econômico
Link: http://www.valoronline.com.br/

Mauro Zanatta

A bancada ruralista anunciou ontem ter fechado acordo com os líderes dos principais partidos da Câmara dos Deputados para discutir e votar o relatório final do novo Código Florestal Brasileiro nos dias 5 e 6 de julho.


"Já temos consenso para votar. Nosso líder já fechou questão", disse o presidente da comissão especial de reforma do código, Moacir Micheletto (PMDB-PR), em referência ao líder do partido, Henrique Alves (RN). Mesmo contrário a aprovar o texto no plenário da Câmara neste ano, o PT avalizou o acordo: "O PT também concorda em votar", afirmou o vice-presidente da comissão, Anselmo de Jesus (PT-RO). "Há um esforço para votar. Não há atritos dentro do partido.

Temos maioria ", garante o vice-líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP). Mas o líder do PV, Edson Duarte (BA), rejeita qualquer acordo. "Conosco não tem acordo com esse relatório. Não queremos que seja votado agora. Deixar para 2011 seria melhor. Não tem necessidade de votar", diz.


Os deputados correm para aprovar o texto de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) antes do recesso parlamentar e do início da campanha eleitoral. "Houve tempo suficiente para conhecer o relatório e fazer emendas. Agora, é votar o texto e os substitutivos que forem apresentados em plenário", diz Micheletto.

A bancada ambientalista insiste em deixar o tema para 2011, mas os ruralistas já começaram uma mobilização de produtores rurais para pressionar o Congresso a votar o relatório no início de julho. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) trabalham em sintonia com a bancada ruralista para iniciar uma ampla campanha nacional de "esclarecimento" da população sobre as alterações propostas pelo relatório de Aldo Rebelo.


Em conversas com parlamentares e dirigentes de ministérios, o relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) já recebeu várias propostas de alteração no texto. Mesmo contrário à votação do relatório neste ano, o Ministério do Meio Ambiente pediu, entre outros pontos, a retirada da "anistia" a desmatamentos feitos até junho de 2008 e a "moratória" de cinco anos para multas por crimes ambientais. Os ruralistas também fizeram um arrazoado de argumentos para tentar modificar alguns pontos do texto considerados "pouco claros" no relatório de Aldo Rebelo. O relator receberá novas propostas até segunda-feira.

sábado, 19 de junho de 2010

ARTHUR NETO SENADOR SUPRAPARTIDÁRIO DO AMAZONAS E DO BRASIL

Por: Élson de Melo (Ľ)

São muitas as especulações sobre um possível plano diabólico do Presidente Lula visando inviabilizar reeleição do Senador Amazonense Artur Virgilio Neto. Parece paranóia, mas, pessoas ligadas ao Partido do Presidente alegam que isso é verdade. Como penso que ainda conheço os dois, acho que não passam de fofoca, intrigas e futricas dos aloprados do PT. No entanto, é bom ficar esperto, dizem que “a cachaça e o poder, revelam a verdadeira cara do individuo”.


Suponhamos que o Presidente Lula seja esse tirano que os petistas fazem questão de decantar. Que motivo teria para agir de forma não republicana contra um filho do Amazonas cuja família tanto tem contribuído para a democracia do nosso País? Há prevalecer o bom censo, não vejo motivos que justifique tamanha insanidade.

Ainda no campo das suposições, se é verdade que Lula não quer ver Arthur Reeleito, quem seria o seu escolhido para enfrentar esse grande Guerreiro? João Pedro o nosso Senador sem votos!... Gilza sua Suplente! Será que Praciano arriscaria? Quem? Quem? Quem?.... Se não tem Lideres!... Desista Presidente. Para derrotar Arthur somente uma enxurrada de Lideres, e isso o PT não tem no Amazonas.

Agora vem a pavulagem! Conheci Arthur quando ele era candidato a Deputado Federal pelo PMDB em 1982, Tempos difíceis para a democracia, ele candidato, eu um curumim querendo ser Sindicalista para tentar melhorar as condições de salário, trabalho e vida da nossa categoria de Metalúrgicos do Distrito Industrial. Arthur no PMDB ao lado de Ulissis Guimarães e Fabio Lucena, eu no PT de Lula, Aloysio Nogueira e Babá Bessa. Foi Arthur junto com Raul Cortez que garantiram minha palavra no Comício das Diretas na Praça do Congresso representando o PT. Na eleição da chapa Puxirum para a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, Arthur estava presente garantindo a lisura do pleito.

O tempo passou a democracia ainda engatinha no nosso país, Arthur é Senador do PSDB, eu consegui ser sindicalista e militando no PSOL, Lula Presidente da Republica, Fabio Lucena suicidou-se, Ulissis desapareceu no mar, Aloysio debilitado da saúde e Babá do Rio de Janeiro manda seu Taquiprati. Todos nós, de alguma forma, continuamos a construir nossa democracia. Portanto, pelo passado, pelo presente e pelo futuro. É fundamental manter viva a chama da liberdade!

Independente de valores ideológicos é meu dever afirmar que o Senador Arthur Neto é um patrimônio do Amazonas, sua atuação no cenário político nacional, independente de estar no governo ou na oposição, é relevante para os interesses da população do Estado do Amazonas. A defesa do modelo Zona Franca, é pauta permanente do Senador, mostrou isso quando seu Partido estava no governo e agora na oposição.

Devemos dizer que dos três Senadores que o Amazonas dispõe hoje, apenas Arthur consegue mobilizar a nação para aprovar ou rejeitar projetos de relevância para o nosso povo. O Presidente Lula precisa entender que a democracia só se fortalece através de homens de opinião e liderança, homens que vislumbram projetos exuberantes para o Brasil.

Os eleitores amazonenses vão ter de escolher dois Senadores dentre os seguintes postulantes: Artur Neto, Eduardo Braga, Evandro Carreira, Marilene Corrêa, Vanessa Grazziotin e Jefferson Praia. Para a Conjuntura nebulosa que a Amazônia está vivendo, onde o Governo Lula ameaça inundar toda nossa floresta, só podemos confiar nosso vota em dois grandes defensores da Região Amazônica. Arthur Neto e Evandro Carreira. Os demais vão votar sempre contra os trabalhadores como fez Vanessa no episodio do Salário Mínimo. Estão todos dominados!


(Ľ) Elson de Melo é Sindicalista

quinta-feira, 17 de junho de 2010

COMITÊ PLÍNIO PRESIDENTE - AMAZONAS É 50

CHAMADA GERAL


Em todo o País os trabalhadores vão escolher o próximo Presidente da República. As oligarquias conservadoras e predadoras da consciência popular representadas nas candidaturas de Dilma Serra, querem monopolizar o debate sobre o futuro da Nação.


Os lutadores sociais que formam a vanguarda dos inquietos por justiça e liberdade, precisam mobilizar uma alternativa capaz de surpreender essas elites que se escondem sob a popularidade do Presidente Lula, para continuarem sua política de manipulação de políticos déspotas a serviço do grande capital.


Na qualidade de sindicalista e militante político da esquerda socialista. Estou convocando todos os Lutadores Sociais do Amazonas que se identificam com a candidatura do Camarada Plínio de Arruda Sampaio, para formarmos o COMITÊ PLÍNIO PRESIDENTE - AMAZONAS É 50!


Os interessados podem fazer contacto comigo através do E-mail: elsonpmelo50@gmail.com, ou pelo fone: (92)81160094.


Élson de Melo - Sindicalista

domingo, 13 de junho de 2010

RIO NEGRO E SOLIMÕES – ENCONTROS E ENCANTOS

Por Elson de Melo (*)


Pode até parecer pavulagem, mas, é certo que ficamos todos faceiros quando ouvimos ou vemos alguém elogiar a beleza do Encontro das Águas formado na confluência dos Ris Negro e Solimões. É a partir desse fenômeno que o Grande Rio passa a ser chamado de Amazonas. Um Rio Internacional que nasce no Peru e desemboca no Oceano Atlântico. Para nós que aqui habitamos, aquele local é muito mais que uma demarcação de território das águas negras e as barrentas. É símbolo da grandeza do nosso povo expressada no gesto do nosso herói o Guerreiro Ajuricaba, que, preferiu transcender no tempo e espaço fazendo daquele local sua morada eterna, a ter que se acovardar na história. É um lugar mágico! Encantador, onde a natureza apresenta aos humanos o sentido da vida.

O Amazonas é um Estado rico em valores ecológicos e ambientais, nosso ecossistema, vem, há séculos suportando todo tipo de agressão e saques, foi portugueses, holandeses, ingleses, espanhóis e até franceses, que no passado escravizaram nossos parentes índios, saquearam nossas riquezas, depredaram nossa fauna e flora e até dizimaram muitas nações indígenas. O Encontro das Águas é testemunha ocular de todos os sofrimentos imposto ao nosso povo a gerações.

Não precisa ser místico para concluir que esse local é um encante (lugar de encantaria), sob os belos espelhos d’águas, que nossos olhos contemplam sem vontade de piscar, existem mistérios que nós simples mortais nunca vamos entender, pois é, Ajuricaba acreditou nisso e para lá migrou, pode parecer delírio, mas, é ele que manda energia aos seus parentes avisando que o perigo está rondando nosso espaço de contemplação do belo, do encontro harmônico das duas águas, do encanto e da exuberante paisagem!

Foi movido por esse mistério que no dia 25 de maio de 2010, homens e mulheres, tendo como grandes comandantes o Poeta Thiago de Mello e Raimundo Barreto (Barretinho do MOHAM), percorreram aquele grande complexo, a fim de mostrar ao mundo que pessoas inescrupulosas querem substituir as encantadoras paisagens dos igapós por um amontoado de ferros e concreto. Foi a V Caravana que o Movimento SOS Encontro das Águas promoveu.

Na caravana estavam diversas gerações de pessoas, todos comungavam do mesmo objetivo. Impedir a construção de um porto na boca do Lago do Aleixo, exigir que IPHAM cumpra com a decisão judicial de promover o tombamento definitivo do Encontro das Águas como Patrimônio Natural da Humanidade e que o Ministério do Meio Ambiente transforme a Região do entorno em Reserva Ambiental Sustentável.

Estou mais pavulo ainda por ter participado desse fato histórico, nossos olhos contemplaram tudo, a dança das águas, os redemoinhos, a corredeira, o igapó, as canaranas, o respirar dos botos, os pássaros voando ou mergulhando e o jeito calmo dos pescadores ajeitando o peixe. Confesso que foram tantas as vezes que passei por aquele lugar, mas, nenhuma delas foi tão marcante como essa.

A emoção comandou a mente desse caboclo, como um filme, passei a lembrar de todas as viagens que fiz de meu querido Urucurituba a essa grande metrópole que mi adotou como filho, chamada de Manaus, e visse-versa, o peito apertou, o coração acelerou e os olhos lacrimejaram quando veio à lembrança da primeira viajem abordo do único barco de linha regular, cujo nome era Aurora, aos meus oito anos minha mãe Elzira apresentou esse cartão postal que jamais esquecerei – O Encontro das Águas!

Abro um parêntese para contar aos mais jovens que, o barco Aurora explodiu no porto da empresa Texaco em frente à ilha do Marapatá, quando abastecia o motor e fazia o carregamento de botijas de gás, nesse acidente perdemos parente, visinhos e amigos. Foi um dos piores acidentes que aconteceu com barcos de Recreio para o interior do Estado do Amazonas.

Voltando a V Caravana do Movimento SOS Encontro das Águas, afirmo que foi uma viagem reveladora, constatamos que o lago da Aleixo precisa de socorro urgente. Quem como eu, teve a oportunidade de conhecer aquela maravilha, vai concordar que estão matando o Lago. É construção de galpões na margem do lago, as empresas ali instaladas depositam diariamente toneladas de dejetos com todo tipo de produtos químicos e outros tipos de poluição, o desmatamento da margem está acabando com os igapós e aterrando seu leito, em fim, o capital está matando barbaramente o lago do Aleixo!

Na outra margem do Rio Amazonas na costa da Terra Nova, podemos observar além do abandono do Estado aos habitantes daquela localidade, também a aflição quanto à possível construção do famigerado porto na boca do Lago do Aleixo. Segundo eles, antes a região era um paraíso, hoje já está fazendo parte da rotina, assaltos, assassinatos e outros tipos de violências, se ocorrerem de o governo do Estado do Amazonas, permitir essa construção, a localidade vai passar fazer parte da chamada Zona de Perigo. É a decretação do fim do sossego. Concluíram.

Quem pode proteger esse patrimônio da humanidade desse ser e predador chamado de capital? Deveria ser o Estado através dos governos Federal, Estadual e Municipal. Infelizmente são esses entes estatais os primeiros a poluírem a paisagem do Encontro das Águas, construindo ali, uma Doutora de capitação de águas com recursos do tal Programa de Aceleração do Crescimento – PAC!... Pior ainda, são eles os primeiros a incentivarem e licenciarem com fartos indícios de irregularidade no processo, a começar por omitirem a presença de sítios arqueológicos, a não consideração da opinião da população local, ignorar a legislação federal que disciplina as áreas de várzeas e até a legalidade da documentação das áreas envolvidas!

Dias atrás, a Justiça Federal determinou que o IPHAM, faça o tombamento definitivo do Encontro das Águas, até este momento esse Órgão do Ministério da Cultura através do Superintendente no Amazonas, nada tem feito para viabilizar a decisão judicial, na verdade, o que ele vem fazendo é obstruir a justiça. Tudo isso estava tacitamente combinado com as empresas para ganhar tempo até outra investida maligna que veio a ocorrer no dia 04 de junho, quando conseguiram um despacho assinado pelo Juiz Relator Convocado suspendendo os efeitos da determinação da Justiça federal no Amazonas.

Ainda sobre o IPHAM, recentemente o Presidente Nacional desse Órgão fez um sobrevoou na área, acompanhado do dito Superintendente do Órgão no Amazonas que introduziu na viagem o principal Lobista ligado a empresa que pretende construir o fatídico porto, Senhor Alberto Machado filho oriundo do Município de Obidos no Estado do Pará, Professor da Universidade do Amazonas e ex-superintendente adjunto da SUFRAMA e Irmão do Tesoureiro do PDT do Amazonas, empresário Stone Machado, Segundo relato do Poete Thiago de Mello feito na V Caravana do SOS Encontro das águas.

Sob a proteção de Ajuricaba, esse caboclo toma a liberdade de questionar a luz da natureza, qual o crime que os peixes, igapós, pássaros, Lajes, água e todos os seres vivos que compõem o complexo Encontro das Águas cometeram? De que são acusados? É claro que os predadores da natureza vão alegar que isso faz parte do progresso!... Então eu concluo. Se para progredir é necessário matar. Nós parentes de Ajuricaba vamos continuar a LUTA PELA VIDA.
(*) Elson de Melo - Sindicalista

quinta-feira, 3 de junho de 2010

CRISE ECOLÓGICA, CAPITALISMO, ALTERMUNDIALISMO: UM PONTO DE VISTA ECOSSOCIALISTA

Ecologia
Michel Löwy


Os ecologistas se enganam se creem poder abrir mão da crítica de Marx ao capitalismo: uma ecologia que não leve em conta a relação entre "produtivismo" e lógica do lucro está destinada ao fracasso - ou pior, à sua recuperação pelo sistema. Os exemplos não faltam... A ausência de uma postura anticapitalista coerente levou a maior parte dos partidos verdes europeus - França, Alemanha, Itália, Bélgica - a tornar-se simples parceiro "ecorreformista" da gestão social-liberal do capitalismo pelos governos de centro-esquerda. A opinião é de Michael Löwy em artigo para o n° 14 da revista Margem Esquerda reproduzido por CartaMaior, 24-05-2010.

Grandezas e limites da ecologia

A grande contribuição da ecologia foi e continua sendo nos fazer tomar consciência dos perigos que ameaçam o planeta como consequência do atual modelo de produção e consumo. O crescimento exponencial das agressões ao meio ambiente e a ameaça crescente de uma ruptura do equilíbrio ecológico configuram um quadro catastrófico que coloca em questão a própria sobrevivência da vida humana. Estamos diante de uma crise de civilização que exige mudanças radicais.

Os ecologistas se enganam se creem poder abrir mão da crítica marxiana do capitalismo: uma ecologia que não leve em conta a relação entre "produtivismo" e lógica do lucro está destinada ao fracasso - ou pior, à sua recuperação pelo sistema. Os exemplos não faltam... A ausência de uma postura anticapitalista coerente levou a maior parte dos partidos verde europeus - França, Alemanha, Itália, Bélgica - a tornar-se simples parceiro "ecorreformista" da gestão social-liberal do capitalismo pelos governos de centro-esquerda.

Considerando os trabalhadores irremediavelmente destinados ao produtivismo, alguns ecologistas ignoram/descartam o movimento operário e inscrevem em suas bandeiras: "nem esquerda, nem direita".

Ex-marxistas convertidos à ecologia declaram apressadamente "adeus à classe operária" (André Gorz), enquanto outros autores (Alain Lipietz) insistem na necessidade de abandonar o "vermelho" - isto é, o marxismo ou o socialismo - para aderir ao "verde", novo paradigma que trará uma resposta a todos os problemas econômicos e sociais.

O ecossocialismo

O que é então o ecossocialismo? Trata-se de uma corrente de pensamento e ação ecológicos que toma como suas as aquisições fundamentais do marxismo - ao mesmo tempo que se livra de seus entulhos produtivistas.

Para os ecossocialistas a lógica do mercado e do lucro - bem como aquela do defunto do autoritarismo burocrático, o "socialismo real" - são incompatíveis com as exigências de preservação do meio ambiente. Ao mesmo tempo que criticam a ideologia das correntes dominantes do movimento operário, eles sabem que os trabalhadores e suas organizações são uma força essencial para uma transformação radical do sistema e para a construção de uma nova sociedade socialista e ecológica.

Essa corrente está longe de ser politicamente homogênea, mas a maior parte de seus representantes compartilha alguns temas. Rompendo com a ideologia produtivista do progresso - em sua forma capitalista e/ou burocrática - e oposta à expansão ao infinito de um modo de produção e consumo destruidor da natureza, o ecossocialismo representa uma tentativa original de articular as ideias fundamentais do socialismo marxista com as contribuições da crítica ecológica.

O raciocínio ecossocialista se apoia em dois argumentos essenciais:

1) o modo de produção e consumo atual dos países capitalistas avançados, fundado sobre uma lógica de acumulação ilimitada (do capital, dos lucros, das mercadorias), desperdício de recursos, consumo ostentatório e destruição acelerada do meio ambiente, não pode de forma alguma ser estendido para o conjunto do planeta, sob pena de uma crise ecológica maior. Segundo cálculos recentes, se o consumo médio de energia dos EUA fosse generalizado para o conjunto da população mundial, as reservas conhecidas de petróleo seriam esgotadas em 19 dias. Esse sistema está, portanto, necessariamente fundado na manutenção e agravamento da desigualdade entre o Norte e o Sul;

2) de qualquer maneira, a continuidade do "progresso" capitalista e a expansão da civilização fundada na economia de mercado - até mesmo sob esta forma brutalmente desigual - ameaça diretamente, a médio prazo (toda previsão seria arriscada), a própria sobrevivência da espécie humana, em especial por causa das consequências catastróficas da mudança climática.
A racionalidade limitada do mercado capitalista, com seu cálculo imediatista das perdas e lucros, é intrinsecamente contraditória com uma racionalidade ecológica, que leve em conta a temporalidade longa dos ciclos naturais.
Não se trata de opor os "maus" capitalistas ecocidas aos "bons" capitalistas verdes: é o próprio sistema, fundado na competição impiedosa, nas exigências de rentabilidade, na corrida pelo lucro rápido, que é destruidor dos equilíbrios naturais. O pretenso capitalismo verde não passa de uma manobra publicitária, uma etiqueta buscando vender uma mercadoria, ou, no melhor dos casos, uma iniciativa local equivalente a uma gota-d'água sobre o solo árido do deserto capitalista.

Contra o fetichismo da mercadoria e a autonomização reificada da economia pelo neoliberalismo, o que está em jogo no futuro para os ecossocialistas é pôr em prática uma "economia moral" no sentido dado por Edward P. Thompson a este termo, isto é, uma política econômica fundada em critérios não monetários e extra-econômicos: em outras palavras, a reconciliação do econômico no ecológico, no social e no político.

As reformas parciais são totalmente insuficientes: é preciso substituir a microrracionalidade do lucro pela macrorracionalidade social e ecológica, algo que exige uma verdadeira mudança de civilização . Isso é impossível sem uma profunda reorientação tecnológica, visando a substituição das fontes atuais de energia por outras não poluentes e renováveis, como a eólica ou solar . A primeira questão colocada é, portanto, a do controle sobre os meios de produção e, principalmente, sobre as decisões de investimento e transformação tecnológica, que devem ser arrancados dos bancos e empresas capitalistas para tornarem-se um bem comum da sociedade.

Certamente, a mudança radical se relaciona não só com a produção, mas também com o consumo. Entretanto, o problema da civilização burguês-industrial não é - como muitas vezes os ecologistas argumentam - "o consumo excessivo" pela população e a solução não é uma "limitação" geral do consumo, sobretudo nos países capitalistas avançados. É o tipo de consumo atual, fundado na ostentação, no desperdício, na alienação mercantil, na obsessão acumuladora, que deve ser colocado em questão.

Ecologia e altermundialismo

Sim, nos responderão, é simpática essa utopia, mas por enquanto é preciso ficar de braços cruzados? Certamente não! É preciso lutar por cada avanço, cada medida de regulamentação, cada ação de defesa do meio ambiente. Cada quilômetro de estrada bloqueado, cada medida favorável aos transportes coletivos é importante; não somente porque retarda a corrida em direção ao abismo, mas porque permite às pessoas, aos trabalhadores, aos indivíduos se organizar, lutar e tomar consciência do que está em jogo nesse combate, de compreender, por sua experiência coletiva, a falência do sistema capitalista e a necessidade de uma mudança de civilização.

É nesse espírito que as forças mais ativas da ecologia estão engajadas, desde o início, no movimento altermundialista. Tal engajamento corresponde à tomada de consciência de que os grandes embates da crise ecológica são planetários e, portanto, só podem ser enfrentados por uma démarche resolutamente cosmopolítica, supranacional, mundial. O movimento altermundialista é sem dúvida o mais importante fenômeno de resistência antissistêmica do início do século XXI.
Essa vasta nebulosa, espécie de "movimento dos movimentos" que se manifesta de forma visível nos Fóruns Sociais - regionais e mundiais - e nas grandes manifestações de protesto - contra a Organização Mundial do Comércio (OMC), o G8 ou a guerra imperial no Iraque - não corresponde às formas habituais de ação social ou política. Ampla rede descentralizada, ele é múltiplo, diverso e heterogêneo, associando sindicatos operários e movimentos camponeses, ONGs e organizações indígenas, movimentos de mulheres e associações ecológicas, intelectuais e jovens ativistas. Longe de ser uma fraqueza, essa pluralidade é uma das fontes da força, crescente e expansiva, do movimento.

Pode-se afirmar que o ato de nascimento do altermundialismo foi a grande manifestação popular que fez fracassar a reunião da OMC em Seattle, em 1999. A cabeça visível desse combate era a convergência surpreendente de duas forças: turtles and teamsters, ecologistas vestidos de tartarugas (espécie ameaçada de extinção) e sindicalistas do setor de transportes. Portanto, a questão ecológica estava presente, desde o início, no coração das mobilizações contra a globalização capitalista neoliberal. A palavra de ordem central desse movimento, "o mundo não é uma mercadoria", visa também, evidentemente, o ar, a água, a terra, isto é, o ambiente natural, cada vez mais submetido aos ditames do capital.

Podemos afirmar que o altermundialismo comporta três momentos: 1) o protesto radical contra a ordem existente e suas sinistras instituições: o FMI, o Banco Mundial, a OMC, o G8; 2) um conjunto de medidas concretas, propostas passíveis de serem imediatamente realizadas: a taxação dos capitais financeiros, a supressão da dívida do Terceiro Mundo, o fim das guerras imperialistas; 3) a utopia de um "outro mundo possível", fundado sobre valores comuns como liberdade, democracia participativa, justiça social e defesa do meio ambiente.

A dimensão ecológica está presente nesses três momentos: ela inspira tanto a revolta contra um sistema que conduz a humanidade a um trágico impasse, quanto um conjunto de propostas precisas - moratória sobre os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados), desenvolvimento de transportes coletivos gratuitos -, bem como a utopia de uma sociedade vivendo em harmonia com os ecossistemas, esboçada pelos documentos do movimento. Isso não quer dizer que não existam contradições, fruto tanto da resistência de setores do sindicalismo às reivindicações ecológicas, percebidas como uma "ameaça ao emprego", quanto da natureza míope e pouco social de algumas organizações ecológicas. Mas uma das características mais positivas dos Fóruns Sociais, e do altermundialismo em seu conjunto, é a possibilidade do encontro, debate, diálogo e da aprendizagem recíproca de diferentes tipos de movimentos.

É preciso acrescentar que o próprio movimento ecológico está longe de ser homogêneo: é muito diverso e contém um espectro que vai desde ONGs moderadas habituadas ao lobby como forma de pressão, até os movimentos combativos inseridos num trabalho de base militante; da gestão "realista" do Estado (no nível local ou nacional) às lutas que colocam em questão a lógica do sistema; da correção dos "excessos" da economia de mercado às iniciativas de orientação ecossocialista.

Essa heterogeneidade caracteriza, diga-se de passagem, todo o movimento altermundialista, mesmo com a predominância de uma sensibilidade anticapitalista, sobretudo na América Latina. É a razão pela qual o Fórum Social Mundial, precioso lugar de encontro - como explica tão bem nosso amigo Chico Whitaker - onde diferentes iniciativas podem fincar raízes, não pode se tornar um movimento sociopolítico estruturado, com uma "linha" comum, resoluções adotadas por maioria etc.

É importante sublinhar que a presença da ecologia no "movimento dos movimentos" não se limita às organizações ecológicas - Greenpeace, WWF, entre outras. Ela se torna cada vez mais uma dimensão levada em conta, na ação e reflexão, por diferentes movimentos sociais, camponeses, indígenas, feministas, religiosos (Teologia da Libertação).

Um exemplo impressionante dessa integração "orgânica" das questões ecológicas por outros movimentos é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que, com seus camaradas da rede internacional Via Campesina, é um dos pilares do Fórum Social Mundial e do movimento altermundialista. Hostil desde sua origem ao capitalismo e sua expressão rural, o agronegócio, o MST integrou cada vez mais a dimensão ecológica no seu combate por uma reforma agrária radical e um outro modelo de agricultura. Durante a celebração do vigésimo aniversário do movimento, no Rio de Janeiro em 2005, o documento dos organizadores declarava: nosso sonho de "um mundo igualitário, que socialize as riquezas materiais e culturais", um novo caminho para a sociedade, "fundado na igualdade entre os seres humanos e nos princípios ecológicos".

Isto se traduziu nas ações - por diversas vezes à margem da "legalidade" - do MST contra os OGMs, o que é tanto um combate contra a tentativa das multinacionais - Monsanto, Syngenta - de controlar totalmente as sementes, submetendo os camponeses à sua dominação, como uma luta contra um fator de poluição e contaminação incontrolável do campo. Assim, graças a uma ocupação "selvagem", o MST obteve em 2006 a expropriação do campo de milho e soja transgênicos da Syngenta Seeds no Estado do Paraná, que se tornou o assentamento camponês Terra Livre. É preciso mencionar também seu enfrentamento às multinacionais de celulose que multiplicam, sobre centenas de milhares de hectares, verdadeiros "desertos verdes", florestas de eucaliptos (monocultura) que secam todas as fontes d'água e destroem toda a biodiversidade. Esses combates são inseparáveis, para os quadros e ativistas do MST, de uma perspectiva anticapitalista radical.

As cooperativas agrícolas do MST desenvolvem, cada vez mais, uma agricultura biologicamente preocupada com a biodiversidade e com o meio ambiente em geral, constituindo assim exemplos concretos de uma forma de produção alternativa. Em julho de 2007, o MST e seus parceiros do movimento Via Campesina organizaram em Curitiba uma Jornada de Agroecologia, com a presença de centenas de delegados, engenheiros agrônomos, universitários e teólogos da libertação (Leonardo Boff, Frei Betto).

Naturalmente, essas experiências de luta não se limitam ao Brasil, sendo encontradas sob formas diferentes em muitos outros países, não apenas no Terceiro Mundo, constituindo-se numa parte significativa do arsenal combativo do altermundialismo e da nova cultura cosmopolítica da qual ele é um dos portadores.

* * *

O fracasso retumbante da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, de dezembro de 2009, confirma mais uma vez, para quem ainda tinha dúvidas, a incapacidade de governos à serviço dos interesses do capital em enfrentar o problema. Em vez de um acordo internacional obrigatório, com reduções substanciais de emissões de gazes com efeito estufa nos países industrializados - um mínimo de 40% seria necessário - seguida de medidas mais modestas nos países emergentes (China, Índia, Brasil), os Estados Unidos impuseram, com o apoio da Europa e a cumplicidade da China, uma "declaração" completamente vazia, que não faz senão reiterar o óbvio: precisamos impedir que a temperatura do planeta suba mais de 2°C.

A única esperança é o movimento social, altermundialista e ecológico, que se expressou em Copenhagen numa grande manifestação de rua - 100 mil pessoas - com o apoio de Evo Morales, cujas declarações anticapitalistas sem ambiguidades foram uma das poucas expressões criticas na conferencia "oficial". Os manifestantes, assim como o Fórum alternativo KlimaForum, levantaram a palavra de ordem "Mudemos o sistema, não o clima!" Evo Morales convocou um encontro de governos progressistas e movimentos sociais em Cochabamba (abril de 2010) com o objetivo de organizar a luta para salvar a Mãe-Terra, a Pacha-Mama, da destruição capitalista.

Fonte: Ecodebate, 26/05/2010, publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

Pouca Vergonha!

Mônica Bergamo:

"Olha aqui o delegado que queria me prender!", exclamou José Dirceu ao ser abordado pelo delegado Protógenes Queiroz no jantar de aniversário do ministro Orlando Silva, do Esporte, anteontem, em SP. Os dois gargalharam, apertaram as mãos e se juntaram num abraço aparentemente fraterno.

Candidato a deputado federal pelo PC do B, o policial circulava na festa tentando se aproximar dos que outrora investigou na Operação Satiagraha, em 2008, cujo alvo principal era o banqueiro Daniel Dantas. A conversa com Dirceu (que teve sua mulher, Evanise, grampeada na devassa comandada por Protógenes) não durou muito tempo.

"Me comportei bem?", perguntou o petista depois que o delegado se afastou. Para espanto de muitos, entre uma garfada e outra de penne com tomate, disse: "Eu vou ajudar a elegê-lo".

O "perdão" para valer, no entanto, virá depois, "no dia em que ele [Protógenes] me contar tudo o que aconteceu". Dirceu diz acreditar que foi investigado de forma ilegal e muito mais abrangente do que a divulgada oficialmente.

Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, que na época da Satiagraha surgiu no noticiário porque empresas de Dantas teriam tentado se aproximar dele, também conversou com o delegado federal na festa. "Foi um diálogo maravilhoso, emocionante mesmo", diz Protógenes Queiroz, que sempre negou ter investigado a família do presidente da República. "Fizeram muita fofoca." Na verdade, afirma, "o presidente estava sendo chantageado".

"Ele [Fábio] me disse que o pai dele [Lula] me respeita muito e que a família me admira por tudo o que eu já fiz pelo Brasil. O filho do presidente é um perseguido, como eu. Responde a um processo [na Justiça]. Eu respondo a 15!". Protógenes diz que deu seu telefone e e-mail para Fábio Luís, "para ajudá-lo no que for preciso".