sábado, 1 de maio de 2010

A RACIONALIDADE PETISTA E A CANDIDATURA DE OMAR AZIZ


A racionalidade Petista e a candidatura de Omar Aziz
Por Ademir Ramos (*)

NCPAM

sábado, 1 de maio de 2010

Os romanos ensinaram a todos o quanto à política pode e deve ser necessária para afirmação de um determinado projeto de poder. Ensinaram também que os fins justificam os meios. Tal racionalidade requer dos atores participantes efetivas orientações finalísticas que resultem no controle do Estado em favor da oligarquia dominante, contrariando interesses republicanos afeitos a democracia.

Nesse contexto, a redução da política a racionalidade tem nome e pode muito bem ser identificada como manipulação, corrupção e outros ilícitos visando à apropriação do poder de Estado como instrumento de concentração da riqueza nas mãos de grupos que circulam na constelação do mandante político paroquial.

No Amazonas não é diferente. A candidatura do atual governador Omar Aziz (PMN) adensa valores materiais e simbólicos, construindo cenários que vão muito mais além do que a presente disputa eleitoral de 2010.

A postura do governador Omar Aziz tem sido de subalternidade ao continuísmo do ordenamento das ações de Eduardo Braga (PMDB), que renunciou ao mandato para concorrer a uma vaga de senador da república. De outro lado agiganta-se a força Lulista através do PT mediado pela direção nacional do partido, que não abre mão do palanque único em torno de Alfredo Nascimento (PR) para o governo do Estado do Amazonas e da candidatura Dilma Rousseff.

Nesse tabuleiro, Omar Aziz, pouco ou nada fez para salvaguardar a rainha (sua candidatura a reeleição). Os peões que lhe serviam de escudo estão sendo devorados pela voracidade petista em cumprimento a ordem do “companheiro Lula”. A única mexida do atual governador do Amazonas foi à promessa de aliançar com o prefeito Amazonino Mendes (PTB) e se continuar encurralado pelos Lulistas do PT promete também subir no palanque do candidato José Serra (PSDB).

Telefonema pra cá e visita pra lá. Aparentemente, o governador do Amazonas, nesse cenário, tem sido frágil sabe lá se por estratégia ou por exclusão. O que se sabe é que o PT de Lula não aceita a candidatura de Omar Aziz e para isso tem trabalhado contra. No entanto, pode-se comprovar que o governador Omar Aziz não tem se afirmado também como candidato, criando um campo favorável para o avanço de seus adversários. Essa ambigüidade é terrível para o eleitor e muito mais para o pretenso candidato, que nas pesquisas deverá obter resultados negativos conforme já se comprova no atual cenário.

Dessa feita, as conversas e as tratativas do fórum da política devem continuar, deixando claro que o Lulismo já definiu as balizas do futuro entendimento quanto aos candidatos. Para o PT a eleição do governador do Amazonas deve está alinhada a candidatura Dilma e muito mais deve ser ancorada na eleição de Alfredo Nascimento, ex-prefeito de Manaus e ex-ministro do governo Lula.

O que não se sabe e não conhece é a proposta do governador do Amazonas, que deveria exercer sua liderança e chamar para si as negociações, criando um campo de força para afirmação da sua candidatura se assim for e de seus aliados partidários. Por isso, tem parecido fraco e dúbio, permitindo aos Lulistas petistas oferecer tudo, menos referendar sua candidatura ao governo do Estado do Amazonas nas próximas eleições.

Mas, ainda há tempo. No entanto, faz-se necessário que Omar Aziz assuma a liderança do cargo e de imediato comece a discutir o seu projeto político, considerando as variáveis impostas, saindo da condição de coadjuvante para responder como protagonista, não mais a sombra do ex-governador Eduardo Braga, mas como direção partidária dotado de um projeto político capaz de convencer aos eleitores do Amazonas de sua legitimidade quanto às propostas apresentadas e das representações que serão aferidas nas urnas. Ao contrário tudo não passará de fumaça.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.

Postado por NCPAM às 13:47:00

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