domingo, 18 de abril de 2010

OPINIÃO: VOTAR OU AGIR





Selecionei este texto de Manuel Batista, direcionado a época para o povo português, apenas para fazermos um paralelo entre a nossa realidade de brasileiros do terceiro mundo e a realidade do povo que nos colonizou. Qualquer semelhança, a culpa é somente do capitalismo, cuja perversidade é a mesma em todo o mundo. Portanto nossa luta é internacional!

Élson de Melo ~Sindicalista

Nestas alturas, somos sujeitos a doses massivas de propaganda político-partidária, em que esgrimem (pseudo) argumentos, como se fossem realmente um fator sério de discussão. O princípio de «discussão» é exatamente o mesmo que nas apostas em corridas de cavalos: é «fé» de alguém, que o partido X tem mais capacidade para «ganhar», por isto e por aquilo. Ou de que os partidos Y e Z irão subir (ou descer) por isto e aqueloutro.

É ESTE O NÍVEL GERAL DAS CONVERSAS, ENFADONHAS, DESTITUÍDAS DE QUALQUER PERSPECTIVA CÍVICA.

Mesmo alguém que adere a este sistema, que tem arreigada crença nesta «democracia» parlamentar, não pode deixar de ficar consternado com o baixíssimo nível das discussões públicas, com a polarização destas em torno de questões secundárias, nem pondo sequer em cima da mesa muitos ou a quase totalidade dos pontos importantes dos programas eleitorais respectivos.

Esta forma de fazer política nutre-se e pretende manter a incultura ao longo de mais de 30 anos de regime dito «democrático». Mas há uma outra razão para este lamentável espetáculo. É que estes se apresentam como salvadores da pátria: o auto-convencimento da sua superioridade moral, intelectual, sobre os adversários e sobre o povo, que é desprezado, seja qual for o partido; esteja ele em sondagens muito bem colocado ou «no fim da tabela». Os eleitores apenas têm de «se consciencializar» de que realmente eles são os tais salvadores da pátria. Esta fantochada eleitoral, para lhe dar o nome que merece, é mais grotesca que noutros países de regime semelhante, mas o ponto fulcral é sempre o mesmo; as eleições são umas ilusões de que o povo tem uma palavra a dizer, de que o «voto» vai mudar algo de substancial nas nossas vidas.

O voto e o sistema eleitoral instituído são apenas dispositivos de manutenção do Estado e do regime. Este, por sua vez, é que permite os negócios, permite a exploração, permite que os capitalistas encham os bolsos, sempre ao abrigo de «crises» por eles próprios fabricadas, mas cujas consequências vão ser para os trabalhadores, a braços com mais desemprego, mais precariedade, menores recursos vitais, maior aumento da pobreza, maior exploração, maior exclusão social.


Porém, como o voto e a partidocracia são feitos para dividir os trabalhadores, para pôr uns contra os outros os explorados, eu não aconselho o voto ou não voto. Não aconselho ninguém a fazer como eu e nem irei divulgar publicamente o que irei fazer. Não que tivesse algum receio de o fazer. Mas sinto que é condição para nos entendermos todos/as, trabalhadores/as após esta loucura coletiva.


Vamos construindo pacientemente uma aliança de classe, entendida como Frente única, social, baseada em reivindicações comuns, em lutas organizadas desde a base, em uma multiplicidade de iniciativas dos próprios interessados, para tentarem obter satisfação nas suas legítimas aspirações. É o princípio da ação direta ou não mediada, por oposição ao princípio do «representante», ou seja, daquele que decide «em teu nome», ou - mais exatamente - que te rouba o poder de decisão.


Agir, portanto, sabendo nós o que queremos e como o queremos. Essa deve ser sempre a nossa meta imediata se quisermos constituir alicerces e tijolos da construção de um socialismo desde as bases, um socialismo autêntico, que não terá que ir buscar modelo a grotescos regimes ditatoriais do passado e presente, que apenas foram (são) capitalismo de estado.


Manuel Baptista
Publicada por Luta Social em
Etiquetas: acção directa, eleições, financiamento partidos, frente única

Nenhum comentário:

Postar um comentário