terça-feira, 30 de março de 2010

AS TÁTICAS POLÍTICAS DAS ELITES LOCAIS

O presente trabalho do Camarada Aloysio Nogueira, parece que foi feito para o momento atual, a bem pouco tempo, vamos definir nossa tática eleitoral. Visando orientar os camaradas do PSOL para essa tomada de decisão, faço questão de republicar o artigo abaixo.



Elson de Melo - Sindicalista




escrito em sábado 22 agosto 2009 16:53
aloysio, artigo, história, sociedade
Aloysio Nogueira*

Comento, neste artigo, algumas táticas políticas que as elites conservadoras locais utilizam para se manterem no poder, sobretudo no aparelho de Estado enquanto classes dirigentes.


Tais táticas, obviamente, correspondem à visão de história que têm. Visão que o conjunto da sociedade tem aceitado acriticamente, particularmente determinados políticos e partidos chamados de esquerda. Por isso, ao longo desses últimos vinte três anos, essa esquerda tem colaborado politicamente com as elites.

Nesse sentido, a adesão da esquerda às elites tem se dado mediante o denominado pragmatismo utilitarista ou por se encontrar desprovida de um instrumental teórico-metodológico capaz de lhe proporcionar uma análise crítica da realidade política internacional, nacional e local. Aliás, esta última talvez seja a hipótese mais provável para os procedimentos políticos da maioria das correntes de esquerda. As demais, com certeza estão subsumidas ao pragmatismo utilitarista.


Afinal, qual é a visão de história que condiciona as táticas políticas das elites locais? Para elas, a história, como realidade objetiva, é uma realização das elites. É uma história dos dirigentes. É uma história feita pelos heróis. O povo, neste caso, é apenas um coadjuvante temporário. Ou melhor, coadjuvante das elites nos momentos eleitorais, particularmente no dia da eleição quando se torna o eleitor por excelência. A política, desta maneira, é uma tarefa somente de quem está no parlamento ou no executivo. Não cabe ao povo fazer política. Nessa visão não há luta de classes. O que existe são apenas descontentamentos localizados de indivíduos ou de grupos, que podem ser “atendidos” mediante a política do favor, entre outras.

Assim, esta visão de história considera o povo um aglomerado de pessoas, disponível para ser arrebatado pelo discurso eloqüente do populista da hora.


Quanto às táticas políticas das elites conservadoras, destaco algumas:


1. - a de não denunciar as relações de exploração capitalista existentes na sociedade amazonense, sobretudo nas fábricas do Distrito Industrial. Sobre isto há um profundo silêncio. As considerações são dirigidas para a prorrogação do tempo de existência da ZFM. Na verdade, o que existe é uma renhida disputa entre os que procuram parecer o verdadeiro responsável por isto. Aliás, somente isto;

2. - a da ética na política como promoção pessoal. Os que adotam essa postura partem do pressuposto de que basta os homens públicos terem certa ética para que as mazelas desapareçam da sociedade. Ledo engano. O desemprego, a corrupção, a violência, a exploração, e tantas outras, originam-se, fundamentalmente, da maneira de como a sociedade produz e reproduz a sua existência; e


3. - a das divergências entre as elites. Ao longo desses anos, particularmente quando se aproximam as eleições, as “intrigas” entre as elites se acentuam.
Neste momento, aparentemente todos estão brigando contra todos com a proximidade das eleições de 2006.

Desde que o PT abdicou de seu papel de se constituir alternativa política de governo, as elites estão à vontade para “brigarem” entre si pelo Governo do Estado.
Essas táticas das elites estão dando certo desde 1982. Para elas, naturalmente.

Artigo publicado no jornal Amazonas Em Tempo do dia 17 de maio de 2005.

*Professor de História da Universidade Federal do Amazonas.

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