sábado, 25 de dezembro de 2010

PARA MEU PAI RAIMUNDO LIMA COM CARINHO


Por Elson de Melo
CARTA PARA MEU PAI

Querido Pai Raimundo de Lima Pinto, é tempo de Natal, época em que as famílias se juntam para celebrar o nascimento do Menino Jesus, movido por este momento, estou escrevendo estás poucas linhas para agradecer você por ter possibilitado minha passagem por este mundo e ter você como pai, amigo, companheiro e acima de tudo, meu maior exemplo de cidadão comprometido com a vida e a solidariedade.

Foi com você Pai, que aprendi o sentido de coletividade, desde criança, acompanho com atenção e entusiasmo, sua luta por um mundo mais justo, fraterno e igual para todos. Você é um homem de espírito e fé muito forte, durante todos esses anos de convivência, nunca testemunhei o senhor movido por sentimentos pequenos como raiva, ódio ou omissão, reclamar da vida, jamais!

Contava meu avô Messias, que quando o Senhor se casou com a mamãe Elzira, você era um jovem entusiasmado com o futuro, cortou lenha para vender aos vapores que seguiam rio acima e rio abaixo, transportando mercadorias e borracha, plantou juta, criou gado, pescou, cultivou roça de mandioca, bananal e construiu o mais lindo Cacoal que meus olhos já viram.

Sabe Pai, as vezes me pego relembrando o dia que o Senhor chegou feliz da vida pilotando sozinho o seu primeiro barco, eu já rapazinho, corri para o porto junto com meus irmãos para ver você ancorar o nosso Charmoso! Quanta felicidade foi aquele momento. Era a compensação pela tristeza que tivemos quando foram vendidas as vacas Cara Branca, Malhadinha, Mingota, Araçá, Vermelhona e boi Brabinho para comprar o barco. Há como eu tenho saudade de quando chegávamos a qualquer lugar e ouvir as pessoas exclamarem. Chegaram os filhos do Lima!

O Senhor é canhoto, não conseguiu ser um craque na bola, mas foi um craque na arte de incentivar os jovens a praticarem esporte, não mediu esforços para construir diversos campos de futebol na nossa querida comunidade do Novo Amazonas, que tu fundaste. Há Pai, como você pensou tudo, não tinha escola, você articulou a construção da escola, não tinha Professor, você articulou o Professor.

Pai, você é um homem apaixonado pela Várzea, quando todos fugiam das grandes enchentes, o senhor estava lá, desafiando as águas, fazendo maromba para o gado, cortando canarana para alimentá-los. Na cheia de 1953 eu ainda não existia, mas, o senhor construiu uma casa projetando o assoalho para um nível acima da marca que ela deixou, que casa linda, assoalhada com tabuas de maçaranduba, era um espelho, foi o senhor que tirou todo o maderame no machado, quase decepa o se pé com um golpe de machado, que verdadeira aventura, pena que a terra ruiu e tivemos que demolir a casa.

Posso sem medo de errar afirmar, conheci na vida um casal perfeito! Esse casal é o Senhor e a Mamãe, não pelo fato de serem meus pais, mas sim por vocês serem um casal que se completavam plenamente, combinava em tudo, o Senhor organizador da Comunidade, Ela prestando todo apoio organizando as mulheres no Clube de Mães, o Senhor Catequista, Acolito, Ela organizando as recreações para as crianças. Foi a partir dessa sua pratica, que acabei envolvido nas lutas sociais que um dia alguém haverá de narrar essa história.

Raimundo de Lima Pinto, caboclo de Urucurituba, fundador e morador da Comunidade Novo Amazonas, pai de nove filhos: Tereza, Adilson, Gilson, Edson, Elson, Ironilson, Dinilson, Jackson e Fátima. Eis um homem Amazônico que apesar de suas limitações e das dificuldades de comunicação com o mundo, foi um dos percussores do Cooperativismo no Amazonas, fundou uma das primeiras Cooperativas do Estado, foi a Cooperativa Agrícola Mista do Novo Amazonas, por conta dessa ousadia, os comerciantes da região os acusaram de comunista, lembro que através de muitos Puxiruns os cooperados conseguiram erguer a sede da Cooperativa, foi ali que funcionou por muito tempo a escola da Comunidade, também serviu de local para a celebração dos cultos ou missas e as festas, era o nosso Centro Social.

Pai, nossa viagem não termina aqui, sua história precisa de uma narrativa mais detalhada, seus pensamentos precisam ser compartilhados, sua vontade precisa ser concretizada. Todos os seus empreendimentos foram sempre no sentido coletivo, vou dar mais um exemplo: a Colônia, embora o senhor não fosse um entusiasta de viver nas terras firmes, não pensou duas vezes para junto com seus companheiros, adquirirem um terreno lá no lago do Carará Município de Urucará, para fundarem a Colônia Agrícola, veja pai o Senhor é na verdade um grande empreendedor social!

Pai será que o Senhor tem algum defeito! Lógico que sim, afinal o senhor é humano, Mamãe dizia que um dos seus grandes defeitos é ser bom demais. Ele explicava dizendo; “as pessoas se aproveitam da bondade do Raimundo, para sempre levarem vantagem sobre Ele”, acho que Mamãe tinha razão, sobre isso, lembro que o Senhor tentou ser um comerciante, montou uma espécie de armazém e passou a comercializar gêneros alimentícios e utilidades, não durou um ano, um dia por curiosidade foi dar uma olhada naquele velho borrador onde o Senhor anotava as compras fiadas dos seus clientes, verifiquei que toda a mercadoria foi vendida fiada e seus clientes nunca pagaram! Acho que o Senhor também nunca cobrou. É Pai, como pode a bondade ser um dos seus defeitos. Não fique triste, considere sempre que a bondade é e será a qualquer tempo, uma grande virtude.

Como disse antes, nossa viagem não termina aqui, vou fazer uma breve atracação para celebrarmos juntos o Natal e a chegada do Novo Ano, desejo que nossas vidas se prolonguem por mito tempo, para continuarmos essa caminhada cujo destino é a prosperidade na terra e um lugar privilegiado ao lado de Deus, quando Ele nos chamar. Parabéns Pai por você existir e resistir os percalços que a vida lhe impôs, desejo nesse momento um pronto restabelecimento, mantenha viva a sua fé, pois ela é capaz de remover montanhas, seja onde for estaremos sempre juntos! Feliz Natal grande Pai.

Raimundo Elson de Melo Pinto – Seu Filho

domingo, 12 de dezembro de 2010

Parabéns Para Você - Gilson de Melo

Salve o dia 10 de dezembro de 1953, naquele dia, a Senhora Elzira de Melo, dava luz ao nosso querido Irmão Gilson de de Melo Pinto. Nosso Pai Raimundo de Lima, não era um grande festeiro, mas, certamente comemorou bastante.

Na sexta feira passada, Gilson comemorou mais um aniversário, acompanhado da Esposa Olympia Costa e dos filhos: Gilber, Geden, Silmara e Gilciem, além dos netos, Henrique, Letícia e Sara Luana, comemoraram com entusiasmo essa data natalina.

Hoje nossa mãe já não está no nosso convívio, nosso Pai está com problemas de saúde, mas, é importante registrar o seu aniversário. Irmão que não mede esforços para responder positivamente as preocupações dos familiares e amigos, sempre prestativo e disposto em ajudar todos os que desfrutam de sua companhia.

Mano, receba nesta data especial, nossas homenagens de Feliz Aniversário e muitos Anos de Vida!... sãos os votos dos seus Irmãos :

Elson de Melo, Adilson de Melo, Edson de Melo, Dinilson de Melo, Ironilson de Melo, Jackson de Melo e Fátima de Melo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A chacina de Santana do Livramento

Por Augusto C. Buonicore

O governo do general Dutra foi um dos mais truculentos da nossa história republicana. Contraditoriamente, foi o primeiro presidente depois da queda do Estado Novo e aquele que deveria se reger pela constituição de 1946, considerada uma carta democrática. Nos quatro anos de seu mandato, dezenas de comunistas tombaram assassinadas pela ação das forças de repressão. A Chacina de Livramento, ocorrida há exatamente 60 anos, foi mais um desses episódios da barbárie implantada contra os trabalhadores naqueles tempos de guerra fria.

Governo Dutra e a repressão

A mudança da situação internacional, com a eclosão da chamada guerra fria, teve reflexo na situação política brasileira. Neste período, aumentou a ofensiva conservadora contra o movimento operário e popular, particularmente contra o Partido Comunista.

Em maio de 1947 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela cassação do registro do PC do Brasil. Três dias depois o governo do general Dutra determinou o encerramento de suas atividades em todo o território nacional. Imediatamente, suas sedes foram invadidas, depredadas e fechadas pela polícia. No início do ano seguinte, em janeiro, o projeto de cassação dos mandatos foi aprovado na Câmara dos Deputados. Os comunistas ainda tentaram fundar um outro partido: o Partido Popular Progressista (PPP), mas ele não teve o seu registro aceito pela justiça eleitoral.

A repressão aos comunistas havia começado algum tempo antes. Já em 1946 a ação truculenta da polícia havia feito a sua primeira vítima fatal, a comunista Zélia Magalhães. Assassinada durante um comício partidário, ainda no período de legalidade. Outras mortes ocorreram nas mesmas condições: repressão violenta contra manifestações políticas e piquetes grevistas.

Foram praticados atos, verdadeiramente, selvagens contra as lideranças comunistas brasileiras. No final de 1948, o vereador e líder dos mineiros de Morro Velho, William Dias Gomes, foi assassinado por capangas de uma mineradora estrangeira. Em setembro de 1949 ocorreu o Massacre de Tupã, onde três comunistas (Pedro Godoi, Afonso Marma e Miguel Rossi) foram brutalmente assassinados pela polícia quando participavam de uma reunião que preparava um encontro de trabalhadores rurais. No primeiro de maio de 1950, ocorreu a chacina na cidade portuária de Rio Grande, na qual foram mortos quatro trabalhadores comunistas: Euclides Pinto, Honório Alves de Couto, Osvaldino Correa e Angelina Gonçalves. Esta última foi executada quando carregava uma bandeira brasileira.

O general-presidente Dutra, em fins de mandato, ainda tomou novas medidas discricionárias, visando restringir ainda mais o espaço político dos comunistas. Estabeleceu um "atestado de ideologia", dado pela polícia política, para os candidatos que desejassem concorrer às eleições. Aproveitando-se disso, foram cassadas as candidaturas de Diógenes Arruda Câmara e Pedro Pomar, dois dos principais dirigentes comunistas brasileiros. Eles haviam sido eleitos em 1947 por outra legenda e, por isso mesmo, foram poupados da cassação dos mandatos.

O agravamento da guerra fria, a ameaça de uma guerra nuclear, o aumento da repressão política e a drástica redução dos espaços institucionais, conduziram os comunistas a posições esquerdistas, que tendiam subestimar a via eleitoral. A discussão sobre a sucessão presidencial começou a ganhar corpo já no final de 1949. O Partido Comunista considerava as divergências surgidas em torno do processo sucessório um simples meio de iludir os trabalhadores e afastá-los da alternativa revolucionária defendida pelos comunistas. O manifesto de Luiz Carlos Prestes, divulgado em agosto de 1950, expressou claramente estas posições.

A Chacina dos 3A

Mesmo em condições bastante adversas, os comunistas ainda buscavam eleger seus candidatos e os lançavam por diversas legendas. Eram os chamados “candidatos de Prestes” ou os candidatos da “Frente de Libertação Nacional”. Como era de esperar, a reação procurou dificultar ao máximo sua ação de propaganda eleitoral.

Os comunistas da cidade gaúcha de Santana do Livramento estavam animados com a campanha dos candidatos populares. Eles já tinham dois vereadores na cidade, Lúcio Soares Neto e Sólon Pereira, que haviam sido eleitos pelo Partido Social Trabalhista em 1947.

Os militantes comunistas de Livramento se destacavam pelas pichações que realizavam. Este era o principal meio de divulgação das candidaturas naquela época. No entanto, discricionariamente, as autoridades locais proibiram tal prática de propaganda.

Dentro do espírito radicalizado do “Manifesto de Agosto”, recusando-se a se submeterem à determinação da polícia, os comunistas prepararam-se para realizar novas ações, imprimindo nos muros as palavras de ordem do Partido Comunista do Brasil. Até que no dia 24 de setembro, no Largo Internacional, um destes grupos de pichadores foi surpreendido pela chegada do delegado Miguel Zacarias, um investigador e três soldados da Polícia Militar.

A presença ostensiva dos homens da repressão não os intimidou. Defendendo os seus direitos constitucionais, continuaram no seu trabalho de propaganda eleitoral. A resposta policial ao desacato foi desencadear uma fuzilaria e o massacre do grupo indefeso. Quatro militantes morreram no conflito. Seus nomes eram: Abdias Rocha, Aladim Rosales, Aristides Correa Leite, Ary Kulmann. Este episódio sangrento ficou conhecido como chacina dos 4 A, devido as iniciais dos nomes das quatro vítimas fatais.

Assim o jornal comunista Voz Operária descreveu s cena: “Eram 22 horas e o povo se apinhava nas ruas daquela cidade. O movimento era intenso (...). Chegou a polícia e deu voz de prisão para Aristides Correia Leite, agente de “A Tribuna” naquela cidade. Ante esta arbitrariedade, Aristides protestou energicamente. Suas palavras, porém, não chegaram sequer ao fim: foi assassinado a tiros (...). Ari Kulman, que estava perto, correu até o local onde se encontrava Aristides. Porém, logo ao dar os primeiros passos, foi ferido e, em seguida, trucidado pelos beleguins. A chacina começava”.

Continuou o artigo: “Aladim Rosales, candidato a deputado federal, operário dos frigoríficos com mais de 25 anos de serviço, líder querido de sua classe, comandante da grande greve que os trabalhadores da Armour realizaram, foi o que tombou em seguida, também atingido pelas costas. Apesar do assalto traiçoeiro e covarde o povo resistiu. Os lideres mais queridos da cidade, que ali estavam, tendo à frente os vereadores de Prestes, Lúcio Soares Neto e Sólon Pereira, lutaram com bravura nunca vista”. Cerca de uma dezena de pessoas ficou ferida, entre elas os dois vereadores comunistas. Várias se refugiaram na vizinha cidade de Rivera, pertencente ao Uruguai, onde foram hospitalizados.

Abdias Rocha havia ingressado no PC do Brasil em 1934. Quando jovem participou da greve dos frigoríficos em solidariedade à revolução russa de 1917. Aristides Correia tinha uma pequena livraria e era responsável pela sucursal do jornal comunista gaúcho “A Tribuna”. Ary Kulman militante desde 1934, havia sido dirigente da Aliança Nacional Libertadora na cidade. Aladim Rosales, dirigente operário, esteve à frente de uma importante greve no frigorífico Armour/Anglo, ocorrida no ano anterior.

Muitos anos mais tarde, Lucio Soares, deu um depoimento no qual afirmou: “Após a chacina, eu chamo aquilo de chacina (...) fiquei foragido em Rivera (no Uruguai) mais ou menos dois ou três anos, sem atravessar para cá, porque se passasse seria preso, então passado esse tempo mais ou menos, eu me apresentei, fui ao quartel e me submeti a um julgamento, o júri se fez e fui absolvido unanimemente.”

A imprensa gaúcha, como ocorreu nos massacres anteriores, tratou de jogar a culpa em cima das próprias vítimas. Elas foram acusadas de terem reagido à bala a intimação policial. Um dos soldados que participou da chacina – e que disse ter recebido ferimento – chegou a ser promovido ao posto de cabo por ato de bravura. O governador do Rio Grande do Sul quando ocorreram os dois massacres de comunistas (o de Rio Grande e o de Santana de Livramento) era Walter Jobim, eleito pelo mesmo Partido de Dutra: o Partido Social Democrata.

Os massacres reforçaram a idéia do voto em branco nas eleições de 1950. No mesmo mês da Chacina de Livramento, Prestes havia lançado uma Carta Aberta na qual apresentava os “candidatos populares” às eleições para deputado e conclamava o voto em branco para presidente, governadores e senadores, com algumas poucas exceções.

O jornal dos comunistas gaúcho, A Tribuna, destacou uma série de depoimentos de populares que apontavam neste sentido. O garçom Wilson da Costa, por exemplo, afirmou: “Votarei em branco para presidente, vice-presidente, governador e senador. Luiz Carlos Prestes acertou muito bem. Não se pode mais votar nesta cambada de sem-vergonhas que fingem serem inimigos, mas se dão as mãos para assassinar e oprimir o povo. O meu voto será para os candidatos indicados pelo Cavaleiro da Esperança”.

O renomado arquiteto gaúcho Demétrio Ribeiro Neto, por sua vez, disse ao mesmo jornal: “O espírito progressista do povo gaúcho rebela-se agora contra a farsa eleitoral da classe dominante. Percebendo a sua incapacidade de manter as massas no estado de atraso em que até agora foram mantidas, a reação lança mão dos meios mais selvagens de repressão contra as forças democráticas, encabeçadas pelo proletariado, como vimos, por ocasião da chacina de Livramento e nas prisões e espancamentos que se sucedem todos os dias. Por isso, o nosso voto – concluo – será um protesto contra o terror fascista, votando tão somente nos candidatos de Prestes”.

Sem dúvida, este foi um grave erro que contribuiu para o agravamento do isolamento dos comunistas.

Eles poderiam muito bem ter apoiado para o senado Alberto Pasqualini, ideólogo do PTB e ativo militante das causas nacionalistas. Ao governo do Estado concorria o petebista Ernesto Dornelles, que havia rompido com Dutra e apoiava a candidatura de Getúlio Vargas à presidência. Os dois trabalhistas acabaram sendo vitoriosos no Rio Grande do Sul. Mas, dentro da lógica comunista, nada havia mudado.

O resultado eleitoral obtido pelo Partido Comunista foi bastante modesto, especialmente, quando comparado aos obtidos em 1945 e 1947. Eles elegeram apenas um deputado federal pelo Distrito Federal, o sindicalista Roberto Morena. Em Pernambuco, conseguiram eleger um deputado estadual: Paulo Cavalcante. O primeiro se elegeu pelo Partido Republicano Trabalhista (PRT) e o segundo pelo Partido Social Democrata (PSD), o mesmo do presidente Dutra. A sua maior vitória, no entanto, ficou por conta da eleição de 4 vereadores na Câmara do Rio de Janeiro.

Na cidade de São Paulo, também elegeram 4 vereadores, que foram cassados e não puderam tomar posse. Neste mesmo estado, por pressão do governo federal e estadual, a direção do Partido Social Trabalhista (PST) expurgou todos os possíveis comunistas da lista de candidatos.

Vargas, por sua vez, teve uma vitória expressiva, ficando com cerca de 50% dos votos. Esta representou uma derrota à política entreguista e anti-popular aplicada pelo general Dutra. Sem entender plenamente isso, os comunistas afirmavam: “Mesmo aquela parcela das massas que votou em Getúlio, na verdade quis votar contra a fome e pela justiça social, contra a guerra e pela paz, contra o imperialismo e pela democracia (...). A votação dada a Getúlio deve-se principalmente ao fato de que ele se apresentou como candidato de oposição ao governo ditatorial de Dutra, ocultando o caráter reacionário de sua candidatura com a máscara de uma descarada demagogia social e antiimperialista e das mais cínicas promessas”.

Os comunistas estavam certos em relação ao conteúdo do voto popular dado a Getúlio. Contudo, mas não conseguiram compreender as reais diferenças existentes entre o projeto político representado pelo governo Dutra e o futuro governo “trabalhista” de Vargas. Os dois, para eles, não passavam de “governos de traição nacional, instrumentos servis nas mãos do imperialismo norte-americano”. Isso só mudaria em agosto de 1954, quando da tentativa de golpe militar e o suicídio do presidente da República. A partir de então, se estabeleceu uma aliança política entre comunistas, trabalhistas e outras forças nacionalistas e populares.

A guisa de conclusão

Não sabemos exatamente o número de comunistas assassinados durante o governo Dutra (1945-1950). Possivelmente, tenha passado de quatro dezenas. A maioria morreu em choques diretos com forças repressivas. As prisões atingiram vários milhares de pessoas. Números bastante elevados para um regime que era considerado liberal-democrático.

Poderíamos, pelo contrário, definir o governo do general Dutra como uma semi-ditadura. Este fato, inconteste, foi subestimado por vários autores que trataram da história do Partido Comunista neste período. Eles, muitas vezes, tentaram debitar os revezes sofridos pós-1848 apenas à política esquerdista adotada. Falam, inclusive, que houve uma visão exagerada sobre a necessidade da atuação clandestina da direção nacional.

Na verdade, o esquerdismo foi uma resposta, inadequada, à crescente repressão governamental e às ameaças reais de uma nova guerra mundial envolvendo o campo socialista e o campo imperialista. Portanto, foi a duríssima repressão anti-socialista a principal causa das dificuldades políticas vividas pelo Partido Comunista do Brasil naquele período. Repressão que diminuiu significativamente durante o segundo governo Vargas, mas, de forma alguma foi eliminada. Os comunistas continuaram sendo presos, espancados e, ocasionalmente, mortos.

Em homenagem aos comunistas que tombaram em Livramento, Lila Ripoll escreveu o poema Elegia, publicado no livro Novos Poemas de 1951.

Os homens tombaram,
tombaram sem medo,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
à luz do luar.

No rosto de espanto
brilhava a certeza,
o porte estendido,
calado, eloqüente,
vivia uma história,
mas não familiar.

A noite sangrenta
caiu demorada.
O sangue brotava
dos corpos, das almas,
da terra ofendida,
dos altos gemidos.

E os homens tombados,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
na rua estendidos,
calados estavam,
mas não esquecidos.

Rosales e Kulman,
irmão Aristides,
e tu Abdias,
herói camponês
- de vida singela,
de sonho tão alto –
esperem confiantes
que a aurora desponte
no céu da manhã.

E tu, Livramento,
por quanto choraste?
Que mãos se crisparam
de dor e revolta?
Que vozes se ergueram
na noite passada?
O pranto desborda e
o sangue também.

As rosas vermelhas
se espalham no chão.

Os mortos, os mortos,
tenazes e fortes,
estão relembrando
que há outra alvorada.
No porte estendido,
calado, eloqüente,
os homens tombados,
severos e graves,
apontam caminhos,
desfraldam bandeiras,
nas ruas, nos campos,
nos rios e no mar.
Tombaram sem medo,
singelos,
heróicos,
severos e graves,
à luz do luar.

(Novos poemas, 1951)


terça-feira, 26 de outubro de 2010

CARTA DE SOLIDARIEDADE A HELOÍSA HELENA

Por: Elson de Melo

Camarada Heloisa

Fiel a sua historia e seus princípios, tendo o Brasil por testemunha, Heloisa Helena preconiza no inicio do Governo Lula, o fim de um projeto de transformação social que por vinte e cinco anos fêz do PT a esperança de um povo. Inquieta com a indicação do então Deputado do PSDB Henrique Meireles para o Presidente do Banco Central do Brasil. A vibrante Senadora que comandará a luta pela cassação de Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Inácio Arruda, passa a comandar a rebelião contra a entrega dos destinos do país aos senhores donos do capital.

Mulher guerreira não se intimidou em votar contra a reforma da Previdência que subtraiu direitos dos Aposentados brasileiros, a resposta da cúpula petista foi à expulsão, tendo como seus algozes Zé Dirceu, Zé Genuíno, Delúbio e Silvinho, todos envolvidos no mensalão do PT e hoje principais cabos eleitorais de Dilma.

O compromisso com a história de seu povo, impõe a guerreira a missão de comandar a criação de um novo Partido que tenha como principio norteador o Socialismo e a Liberdade. Assim nasce o PSOL, Heloisa não vacila, aceita o desafio de apresentar o Partido ao povo brasileiro concorrendo a Presidência da República em 2006.

A tarefa não foi fácil! Porém, sua garra superou as dificuldades e foi a terceira mais votada do Pleito. Diante das constantes ameaças contra sua vida feita pelos jagunços de políticos Alagoanos. Heloisa resolveu concorrer a uma vaga para Câmara Municipal de Maceió em 2008. Foi eleita com mais de trinta e oito mil votos.

Na eleição deste ano, Heloisa tentou retornar ao Senado, enfrentou heroicamente seus inimigos de Alagoas, porém, não teve como enfrentar seus adversários dentro do próprio PSOL. Perseguida pela maioria da Direção Nacional do Partido, que chegaram ao cumulo de afastarem de suas funções de Presidente, foi o golpe mais covarde e certeiro que recebeu nessa campanha, na verdade, esses Dirigentes do PSOL, ofereceram sua cabeça na bandeja para Lula e sua Canalha, que não perderam tempo para transformar esse episódio em fator principal para derrota-lá.

A decisão dessa mesma maioria que Lula Plantou dentro do PSOL, para derrota-lá, que estranhamente foram contra a uma aliança com Marina no primeiro turno, que agora entram com um entusiasmo gigantesco na campanha de Dilma, superior até mesmo o dispensado a campanha de Plínio. Heloisa não suportou. Como qualquer mortal a guerreira tem sangue, dignidade, decência e honra, voltar nessa hora ao colo de Lula e Dilma, é pedir demais para quem foi massacrada pela canalha de Dilma, Lula e Renan Calheiros em Alagoas no primeiro turno.

Heloisa não saiu do PT, foi expulsa! Escorraçada! Esse caminho não tem volta, tem resposta! Daí a reclusão dessa grande mulher para pensar um novo caminho a seguir. Fiel aos seus princípios, Heloisa deixa a Presidência do PSOL que segundo seu comunicado, prefere o papel de simples militante.

Infelizmente a esquerda está cheia de “Cabo Anselmo”, a começar pelo PSOL. Se cristalizarmos as avaliações, chegaremos à conclusão que: foram exatamente os Dirigentes que ingressaram no PSOL após sua criação, oriundos do PT e mais uma meia dúzia de inocentes úteis, que comandaram esse triste episódio contra Heloisa. Cumpriram com maestria sua missão, assim podem comemorar com o Lula “corda solta! Missão cumprida!...” Conseguiram com êxito inviabilizar o retorno de Heloisa Helena ao Senado e conseqüentemente interromper a concretização de uma Liderança autentica dos Socialistas. Feito isso, finalmente podem se deleitarem sob o manto diabólico de Lula apoiando Dilma no segundo turno!...

É triste, mas é pura realidade, essas Lideranças ditas de “esquerda” são cada vez mais afável ao capital e menos solidária aos verdadeiros socialistas. Heloisa é mais uma vitima desses déspotas. Diante de tudo isso, resta aos que como eu, que acreditam na real possibilidade de o povo brasileiro, construir seu próprio destino dentro da lógica do Socialismo, apresentar a essa grande guerreira, nossa solidariedade e, reafirmado o compromisso histórico de juntos com Heloisa Helena, manter viva a luta pela liberdade dos Trabalhadores na direção do Socialismo. Camarada, estamos aguardando sua orientação para uma nova caminhada. Eles jamais conseguirão nos render. Somos indomáveis!

Élson de Melo – Sindicalista

domingo, 5 de setembro de 2010

A CRUCIFICAÇÃO DE HELOÍSA HELENA

Adversários fazem ataques orquestrados por um único maestro; objetivo é tirar Heloísa da política nacional
Link: http://www.painelnoticias.com.br/painel-politico/a-crucificacao-de-heloisa-helena

Heloísa Helena tem sido alvo preferido de candidatos que disputam com ela uma das duas vagas ao Senado da República pelo Estado de Alagoas, nas eleições deste ano. Antes de a campanha iniciar, a psolista já advertia que seria vítima de uma verdadeira carnificina eleitoral.

Heloísa tinha lá suas razões, vendo-se o que ela enfrenta hoje.

Por ter defendido a aliança do PSOL com o PV na disputa presidencial, onde a candidata seria a senadora Marina Silva, ex-petista como ela, Heloísa “perdeu” o apoio nacional de seu partido para a sua candidatura ao Senado em Alagoas. Mesmo sendo, ainda, a presidente nacional do PSOL e a fundadora do partido, mesmo assim,ela recebe como castigo o desprezo total de sua legenda, sobretudo ficando fora de qualquer ajuda financeira.

Como vereadora de Maceió, eleita em 2008, Heloísa avaliou que a forma de pagamento da verba de gabinete da Câmara Municipal era ilegal e “imoral”; negou-se a recebê-la e não tem sequer um escritório de trabalho; muito menos material gráfico de seu exercício no mandato de vereadora para servir de respaldo de seu trabalho político na capital.
Como socialista de ideologia firmada e política de língua afiada contra a corrupção ou acordos que sejam nocivos à ética pública, Heloísa recusa-se a receber qualquer ajuda financeira de grupos empresariais ou de políticos comprometidos mais com a causa privada, do que com a pública.
Ou seja, sozinha e sem estrutura de campanha, com minúsculos 53 segundos no guia eleitoral, Heloísa Helena é obrigada a se defender e contra-atacar adversários poderosos no bolso e no profissionalismo político, para tentar vencer no voto e na coragem cívica a retomada de seu mandato no Senado da República.

Acerca dos ataques a ela no horário eleitoral e no corpo a corpo pelo interior do Estado, é que parecem ser todos orquestrados por um mesmo maestro, com disposição raivosa para tentar evitar que Heloísa Helena seja de novo a Senadora da Ética do povo alagoano.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

QUEM DIRIA... ATÉ NO PSOL/AM. É ASSIM!!!

Depois de ouvir alguns especialistas em Direito Eleitoral, resolvi vir a publico esclarecer que houve negligencia por parte do Presidente Regional do PSOL Gerson de Medeiros, em relação a não confirmação da candidatura do Senador Evandro Carreira que escolhemos em Convenção para ser o candidato do PSOL/Am. ao Senado da Republica nessa Eleição. Os fatos foram o seguinte: os coordenadores da campanha do Senador e o Presidente Gerson, tomaram ciência da decisão do TER/Am. e não avisaram o candidato a tempo, além de não providenciarem recorrer da decisão, pior, propositalmente deixaram que o prazo encerrasse para só então procurar Evandro para comunicar que o mesmo seria substituído pelo seu Suplente e coordenador da sua campanha, o Professor Marcos Queiroz. Da mesma forma, a maioria dos Membros da Direção Estadual do PSOL/AM. foram pegos de surpresa ao tomarem conhecimento pela imprensa que o novo candidato do partido seria agora o então suplente. De imediato solicitei do Presidente Gerson esclarecimentos sobre o episodio, tendo mesmo apenas respondido que no sábado 28/08/2010 haveria uma reunião na sede do partido para dar esses esclarecimentos, ocorre que não fora indicado o horário e tão pouco se a reunião era da Direção do Partido numa total falta de postura ética e compromisso com a democracia interna do Partido. Como um militante da esquerda socialista e Membro da Direção Estadual, entendo que mesmo havendo a vacância da candidatura, pelo menos a Direção do partido deveria ser convocada para encaminhar a escolha do substituto coisa que desconheço, certamente foi uma decisão monocrática do Presidente. Sendo assim, não vejo legitimidade na candidatura do Professor Queiroz e muito menos transparência nas decisões do Presidente Gerson. É por isso que o partido não consegue melhores resultados nas eleições que participa. Pensei que isso só era possível nos partidos da direita, infelizmente estou constatando no campo mais precioso da luta por: igualdade, ética, transparência, democracia, justiça, solidariedade e liberdade. É o engodo imperando até na ESQUERDA SOCIALISTA!

Élson de Melo – Sindicalista e Membro da Direção Estadual do PSOL/AM.

MAIS UMA TRAIÇÃO DO PT, LULA E DILMA A VITIMA DA VEZ É: MARILENE CORRÊA!

Por: Elson de Melo (*)
A candidata ao Senado Marilene Corrêa do PT, vem nessa campanha eleitoral sofrendo muitas mutações, mulher que no entendimento da grande maioria de observadores, tem uma biografia muito superior e incomparável a do Presidente Lula, é o melhor Curriculum Vitae dentre os demais candidatos ao Senado. Os seus coordenadores de campanha e de marketing estão denegrindo e maculando a sua imagem, impondo mutações incompatíveis com sua postura e personalidade. Como se não bastasse os equívocos do marketeiros, Marilene sofre agora a maior traição de sua vida, imposta pela sua candidata a Presidente Dilma que presta apoio a sua adversária Vanessa Grazziotin do PC do B.


Marilene Corrêa da Silva Freitas possui graduação em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas (1975), mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1989) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1997). Fez Pós Doutorado em Paris/ UNESCO e na Université de Caen France. Foi Secretária de estado de Ciência e Tecnologia de 2003 a maio de 2007. No mesmo período foi Vice-presidente regional norte do Forum Nacional de Secretários de C&YI. É Reitora da Universidde Estadual do Amazonas, desde 09 de maio 2007 de onde se afastou para ser candidata ao Senado pelo PT. É Presidente da AFIRSE Brasileira desde setembro de 2007. Membro do Conselho Científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá do MCT desde 2003 sendo reconduzida por novo mandato até 2010. À Partir de agosto de 2007 é membro do Comitê Nacional do Programa de Iniciação Científica PIBIC/CNPQ. Em 16 de março de 2008 foi empossada no Conselho Científico de Assessoramento para Assuntos Internacionais ao Ministro de Ciência e Tecnologia. Em 20 de novembro de 2009 foi nomeada como membro titular do Fundo Nacional do Meio Ambiente como representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sendo empossada no dia 10 de dezembro de 2009. É professora e pesquisadora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas. Atualmente é professor adjunto1 da Universidade Federal do Amazonas e professor adjunto1 da Universidade Federal do Amazonas. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: amazônia, políticas públicas, teoria sociológica, política científica e desenvolvimento socioeconômico.


Na é justo o que PT, Lula e Dilma, estão fazendo com essa grande referencia intelectual da Amazônia, a imposição do Marketing não pode transfigurar a sua personalidade. Existem formas mais elegante de trabalhar o marketing político de uma Intelectual da envergadura de Marilene Corrêa, querer comparar seu perfil com Lula, Alfredo e Dilma é no mínimo não compreender que apesar de ter nascido em Concórdia no Rio Juruá. Marilene optou pela carreira acadêmica a que fez muito bem. Portanto, são trajetórias muito diferentes que ao tentarem comparar transmite ao eleitor uma grande apelação!


Se o meu conterrâneo Professor Silvério Tundes ainda tivesse entre nós, certamente ele diria: “estão transformando a Marilene no Cabo Pereira, só falta os pulinhos!”. Não restam duvidas que se o Amazonas quiser contribuir com o equilíbrio do País no Senado da Republica, o melhor casal é Marilene Corrêa e Artur Neto.


(*) Élson de Melo é Sindicalista.

domingo, 29 de agosto de 2010

CARTA DOS QUATRO RIOS

Participante do I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por Grandes Projetos de Infra-Estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu, em Itaituba, oeste do Pará, entre os dias 25 e 27 de agosto de 2010 lançam carta em defesa da vida. Abaixo
Carta dos 4 Rios


Nós, povos indígenas, negros e quilombolas, mulheres, homens, jovens de comunidades rurais e urbanas da Amazônia brasileira, participantes do I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por Grandes Projetos de Infra-Estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu, em Itaituba, oeste do Pará, entre os dias 25 e 27 de agosto de 2010, vimos através desta carta denunciar a todas as pessoas que defendem a Vida que:
Historicamente no Brasil todos os grandes projetos de infra-estrutura sempre trouxeram destruição e morte aos modos de vida dos seus povos originários e populações tradicionais em benefício de grandes grupos econômicos. A construção de hidrelétricas como a de Tucuruí, no Pará, Samuel em Rondônia, Estreito no Tocantins e Balbina no Amazonas são exemplos claros dos males que esse modelo de desenvolvimento produz.
As ameaças que vem sofrendo as populações dos rios Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu também são motivos de nossas preocupações, ocasionadas pelos falsos discursos de progresso, desenvolvimento, geração de emprego e melhoria da qualidade de vida, vendidos pelos governos e consórcios das empresas em uma clara demonstração do uso da demagogia em detrimento da informação verdadeira, negada em todo o processo de licenciamento e implantação dos empreendimentos, a exemplo do que vem ocorrendo no rio Madeira, onde a construção dos complexos hidrelétricos de Santo Antonio e Jirau já expulsou mais de três mil famílias ribeirinhas de suas terras, expondo-as a marginalidade, prostituição infanto-juvenil, tráfico e consumo de drogas, altos índices de doenças sexualmente transmissíveis e assassinatos de lideranças que denunciam a grilagem de terra por grandes latifundiários, estes os “grandes frutos” desse modelo de desenvolvimento.
Condenamos o autoritarismo que seguidos governos militares e civis utilizaram e ainda utilizam contra as populações vulneráveis como o uso da força, expulsão da terra, da criminalização dos movimentos sociais, da ameaça física, da cooptação de lideranças e a completa exclusão das suas opiniões dos chamados processos de licenciamentos.
Condenamos a privatização de nossos recursos naturais, que provocam insegurança e degradação de povos, culturas e sabedorias milenares, das nossas florestas, dos nossos rios e da nossa sociobiodiversidade.
Condenamos também os grandes empreendimentos por significarem acúmulo de capital, concentração de terras e de poder político sobre nossas vidas.
Defendemos:
Que aliança dos Povos e Comunidades da Pacha Mama, da Pan-Amazônia se fortaleça a cada passo dado rumo à construção de um novo mundo possível.
O “bem viver” como princípio de vida em contra-ponto à lógica da acumulação, da competição, do individualismo, da superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras e dos nossos recursos naturais;
Um projeto de integração de nossos povos, com respeito à sociobiodiversidade e aos nossos modos tradicionais de produção que geram qualidade de vida e segurança alimentar;
Queremos nossos Rios Vivos e Livres, por isso exigimos:
A suspensão total e imediata da construção de barragens em nossos rios;
Que sejam acatados os estudos de diversos especialistas que propõem a repotenciação das UHEs mais antigas;
Investimentos imediatos na melhoria da qualidade das linhas de transmissão de energia;
Que o Plano Decenal de Expansão Energética aumente a percentagem de investimentos em pesquisas e implementação de fontes de energias verdadeiramente limpas e renováveis.
VIVA A ALIANÇA DOS POVOS DOS RIOS E DAS FLORESTAS!

Itaituba, PA, Pan Amazônia, 27 de agosto de 2010.

Assinam esta Carta:
Aliança Tapajós Vivo; Movimento Xingu Vivo para Sempre; Movimento Rio Madeira Vivo; Movimento Teles Pires Vivo; Movimento dos Atingidos por Barragens; Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; Fórum da Amazônia Oriental; Fórum da Amazônia Ocidental; Fórum Social Pan-Amazônico; Frente de Defesa da Amazônia; Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre; Prelazia do Xingu; Instituto Universidade Popular; FASE-Amazônia; International Rivers; Associação Etno-Ambiental Kanindé; Instituto Madeira Vivo; Coordenação da União das Nações e Povos Indígenas de Rondônia, noroeste do Mato Grosso e sul do Amazonas; Rede Brasileira de Justiça Ambiental; União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém; Movimento em Defesa da Vida e Cultura do Rio Arapiuns; Terra de Direitos; Fundo Mundial para a Natureza; Fundo DEMA; Instituto Amazônia Solidária e Sustentável; Centro de Apoio Sócio Ambiental; Comitê Dorothy; Comissão Pastoral da Terra; Conselho Indigenista Missionário; Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns; Grupo de Defesa da Amazônia; Federação das Associações dos Moradores e organizações Comunitários de Santarém, Federação das Organizações Quilombolas de Santarém;União de Entidades Comunitárias de Santarém; Sociedade Paraense de Direitos Humanos; Vivalt Internacional Brasil; Comissão Verbita Jupic – Justiça, Paz e Integridade da Criação; MMCC – Pará – Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Pará; Fórum dos Movimentos Sociais da BR 163; MMTACC – Movimento de Mulheres de Altamira Campos e Cidade; Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade Regional BR- 163 – Pará; Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade – Regional Transamazônica Xingu; SOCALIFRA; Nova Cartografia Social da Amazônia; Grupo de Trabalho Amazônico Regional Transamazônico Xingu;Associação do Povo Indígena Juruna do Xingu – Km 17; Associação de Resistência Indígena Arara do Maia; Coordenação das Associações de Remanescentes de Quilombos do estado do Pará – MALUNGU; Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém; Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns; Movimento Juruti em Ação; Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense; Grupo de Mulheres Brasileiras; Articulação de Mulheres Brasileiras; Comissão em Defesa do Xingú; Associação dos Produtores Rurais da Volta Grande do Xingu; Aliança Francisclareana; Associação indígena Kerepo; Fórum dos Movimentos Sociais; Associação Indígena Pusurú; Conselho indígena Minduruku do Alto Tapajós; Associação Suíço-Brasileira Batista de Apoio na Amazônia (Missão Batista); Associação Indígena Pahyhy’p; .

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

GRANDES PROJETOS MINERAIS DEIXAM RASTRO DE DESTRUIÇÃO

Pobreza, destruição da natureza e inchaço de população nas cidades são intrínsecas aos empreendimentos de mineração.

Por: Marcio Zonta
De: Marabá (PA)
Link: http://www.brasildefato.com.br/

Um estudo realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp) e Movimento Debate e Ação (MDA) mostra a nocividade de projetos de mineração, como o da siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), para o meio ambiente e para a sociedade.

Raimundo Gomes, uns dos coordenadores do estudo, diz que o desmatamento em grande escala é inevitável. “A floresta é derrubada na área da jazida onde vai ser retirado o minério”, introduz. No entanto, a degradação na natureza se acentua, pois, “mais áreas são desmatadas no entorno para a construção de alojamentos, estradas, linhas de transmissão de energia e pátios de depósitos de minério”.

Segundo o estudo, a poluição é outro agravante. “O ar, a água e o solo são contaminados pelo uso de tóxicos e substâncias utilizada no processo de extração e transformação do minério”, afirma o estudo. Para completar, Gomes alerta que, “como o minério é retirado do subsolo, as áreas são transformadas em enormes crateras, provocando danos ambientais irreparáveis”.


Social
No âmbito social, Gomes diz que os impactos desses empreendimentos contribuem para a desestruturação sócio-econômica. “Com a expectativa da oportunidade de emprego e renda ocorre um grande fluxo migratório, mas, como essas oportunidades são muito limitadas, os que chegam se somam àqueles que já estão desempregados, formando um grande exército reserva de mão-de-obra pronto para ser explorado por outras empresas da região”, explica.

A perda de território também é outro agravante. “Os projetos de mineração vêm de fora para dentro, ou seja, eles chegam sem que os trabalhadores rurais, ribeirinhos e índios tenham condições de optar, sendo na maioria das vezes expulsos de suas terras”, relata Gomes.

Por fim, o aumento das desigualdades. Conforme denuncia o estudo, os projetos minerais geram um pequeno grupo beneficiado de políticos, empresários e comerciantes, muito deles de fora da região. “Em contrapartida, o que se vê é o equivoco e as contradições desses grandes empreendimentos minerais, que saqueiam nossa riqueza e em troca deixa a miséria e a pobreza”, lamenta Gomes.

sábado, 21 de agosto de 2010

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO ASSINA COMPROMISSO COM A REFORMA AGRÁRIA

O candidato do PSOL se comprometeu a apoiar a proposta que muda o modelo de produção agrícola e limita as propriedades rurais no Brasil em mil hectares.

Em Brasília, o candidato do PSOL à presidência, Plínio de Arruda Sampaio, assinou um compromisso com a reforma agrária.

Plínio de Arruda Sampaio se reuniu com representantes de 54 entidades ligadas ao movimento rural. Ele se comprometeu a apoiar a proposta que muda o modelo de produção agrícola e limita as propriedades rurais no Brasil em mil hectares.

Plínio de Arruda Sampaio disse que a reforma agrária seria prioridade em um governo dele e defendeu mais investimentos para a agricultura familiar. Segundo o candidato do PSOL, o país tem que criar condições para levar o pequeno produtor de volta ao campo.
“Aquela pobreza que você encontra na periferia, aquele pobre que está dormindo na rua foi um agricultor expulso do campo e não encontrou lugar na cidade. Então é fundamental fazer a reforma agrária e os grandes brasileiros sempre viram isso”, declarou.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O QUE É PERMACULTURA?

Depois de os candidatos sem projeto protagonizarem o maior vexame na TV, onde mutilaram o bioma amazônico, resolvemos contribuir na construção de suas plataformas de governo, chamando atenção para alguns temas que achamos relevante para efetivar um modelo de tecnologia adequado para nossa Região. Começamos nosso debate pautando a Permacultura como um dos modelos a serem avaliado, para tanto, apresentamos o texto abaixo para conceituar esse sistema, na oportunidade, convidamos os nossos leitores para mandarem suas contribuições.
O que é Permacultura?
Por: S鲧io Pamplona em Permacultura

Permacultura é algo fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos entre aquelas pessoas que sonham com paz, harmonia e abundância. Mas leva-se muito tempo para entender. Não se sinta desencorajado o leitor que está ansioso por conhecer a Permacultura ou aquele que julgava tê-la compreendido: os conceitos estão dados e são até bastante claros. A verdade é que as coisas mais importantes da vida exigem tempo e dedicação, tanto mais quando representam quebras de paradigmas.

Assumir para nossas vidas aquilo que é radicalmente novo não é tarefa fácil – no mais das vezes enfrentamos nossos próprios limites de compreensão e aceitação. Por isso, é preciso coragem, fé e determinação para tornar-se um permacultor. E tomar o tempo como aliado.

Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países.

Conceitos
Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais.

Para tornar o conceito mais claro, pode-se acrescentar que a Permacultura oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes.

No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo, segundo André Soares, permacultor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, deve ser dinâmico, contínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais, contendo sub-processos de organização de elementos dentro de determinados contextos.

No primeiro nível, a ação do permacultor volta-se principalmente para áreas agrícolas com o propósito de reverter situações dramáticas de degradação sócio-ambiental. “Culturas não sobrevivem muito tempo sem uma agricultura sustentável”, assegura Bill Mollison. No entanto, os sistemas permaculturais devem evoluir, com designs arrojados, para a construção de sociedades economicamente viáveis, socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de agroecossistemas que sejam produtivos e conservadores de recursos naturais.

Cooperação e solidariedade
A Permacultura exige uma mudança de atitude que consiste basicamente em fazer os seres humanos viver de forma integrada ao meio ambiente, alimentando os ciclos vitais da natureza. Como ciência ambiental, reconhece os próprios limites e por isso nasceu amparada por uma ética fundadora de ações comuns para o bem do sistema Terra.

Mollison e Holmgren buscaram princípios éticos universais surgidos no seio de sociedades indígenas e de tradições espirituais, que estão orientados na lógica básica do universo de cooperação e solidariedade. Não é possível praticar a Permacultura sem observá-los.Primeiro, será preciso assumir a ética do cuidado com a Mãe-Terra para garantir a manutenção e a multiplicação dos sistemas vivos. Depois, o cuidado com as pessoas para a promoção da autoconfiança e da responsabilidade comunitária. E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras.

Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões.


Toda ética tem a ver com práticas que querem ser eficazes. “A ética da Permacultura serve bem para iluminar nossos esforços diários de trabalho com a natureza a partir de observações prolongadas e cuidadosas, com base nos saberes tradicionais e na ciência moderna, substituindo ações impensadas e imaturas por planejamento consciente”, assevera Bill Mollison. A chave é estabelecer relações harmoniosas entre as pessoas e os elementos da paisagem.

Design para a sustentabilidade
O trabalho do permacultor está baseado em princípios e métodos de design para orientar padrões naturais de crescimento e regeneração, em sistemas perenes, abundantes e auto-reguladores.

Earle Barnhart, permacultor de Massachussets (USA), escreveu que a regra cardinal do projeto da permacultura é maximizar as conexões funcionais. Isso quer dizer, combinar as qualidades de elementos da natureza e de elementos da criação humana para construir sistemas de armazenamento de energia. Não haveria nada de revolucionário nisso se as sociedades modernas agissem com base no bom senso.

Mas a história é bem outra e, por isso, a Permacultura, embora seja a “ciência do óbvio”, como gostam de dizer alguns de nós, está fazendo revoluções nas cabeças de jovens, adultos e idosos, oferecendo-lhes, em vez de sistemas fechados e fragmentários, o paradigma holístico contemporâneo, que tudo articula e re-laciona, para a construção de projetos abertos ao infinito.

As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem.

A história da Permacultura no Brasil
Não faz muito tempo, em 1992, Bill Mollison ministrou um curso de Permacultura no Rio Grande do Sul e estabeleceu um marco inaugural: de lá para cá, a Permacultura desenvolveu-se no Brasil, conquistando dia após dia um número crescente de praticantes.

Hoje, a Permacultura encontra-se nas esferas governamentais e surge como projeto alternativo de criação do primeiro emprego para jovens entre 16 e 24 anos. Este ano, cerca de 1.300 jovens do Distrito Federal e municípios do entorno serão capacitados para trabalhar com os princípios da Permacultura e criar redes de empreendimentos agroindustriais. O projeto é da Agência Mandalla DHSA e tem financiamento do Ministério do Trabalho e Emprego.

A Agência Mandalla DHSA, com sede na Paraíba, é uma OSCIP que está desenvolvendo tecnologias Sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural, alcançando para a Permacultura a maior repercussão já vista no país (leia seção da página 4). Em menos de três anos, chegou a mais de 80 municípios de nove estados brasileiros, beneficiando diretamente duas mil pessoas com a garantia da segurança alimentar e a geração de excedentes para a comercialização. Entre as famílias beneficiadas, a renda média é de R$400,00 ao mês, sendo que há exemplos de agricultores auferindo renda mensal de R$1.700,00.

Os Institutos de PermaculturaSão oito no total, atuando de forma diversa. Aqueles que fundaram a RBP, Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul), funcionam como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas, com apoio financeiro da PAL – Permacultura América Latina, instituição comandada pelo iraniano Ali Sharif, com sede em Santa Fé, Estados Unidos. A única exceção é o IPAB, que não possui centro demonstrativo e, por isso, atua de forma independente, dispensando financiamentos vindos do estrangeiro através da PAL.

A ação institucional do IPAB está voltada para pequenos agricultores e tem a parceria de sindicatos, prefeituras, ONGs e movimentos sociais. Os sistemas permaculturais fomentados pelo IPAB estão nas Unidades de Produção Familiar. O instituto atua também na multiplicação de conhecimentos em Permacultura através do Projeto de Formação de Professores.

A exemplo do IPAB, o Instituto de Permacultura da Bahia (IPB), o Instituto de Permacultura Cerrado Pantanal e o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), possuem projetos sociais e muitos parceiros, mas não fazem parte da RBP. A título de ilustração, cito o Projeto Policultura no Semi-Árido, implantado no sertão da Bahia, atendendo hoje 700 famílias de pequenos agricultores. Com o apoio do IPB, as famílias estão desenvolvendo sistemas agroflorestais e garantindo para si segurança alimentar, trabalho e renda. O projeto ajuda os sertanejos a combater a desertificação e conviver harmoniosamente com a caatinga.

O IPOEMA (Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente), no Distrito Federal, que é o mais novo entre os institutos brasileiros, vai atuar fortemente no atendimento a comunidades locais e tradicionais, além de trabalhar com pesquisa e formação de novos permacultores.

Por enquanto, há pouca ou nenhuma interação entre os institutos de Permacultura do Brasil.

Rede Permear de Permacultores
Criada no ano passado, inaugurou um novo caminho para a Permacultura em nosso país. Em concordância com as palavras de David Holmgren, que citarei em seguida, ouso dizer que a Rede Permear é a prova de maturidade do processo de desenvolvimento da Permacultura no Brasil: “Quando o campo de trabalho é novo, as relações de competição prevalecem, exatamente como nos sistemas naturais imaturos e de rápido crescimento. Mesmo na Permacultura, que está fortemente enraizada na cooperação, a competição tem acontecido, causando estranheza, mas, sobretudo, mostrando quando o processo ainda não amadureceu. Em ecossistemas maduros, assim como em sociedades tradicionais estáveis, as relações tendem a se tornar mais mutualísticas e simbióticas”.

A Rede Permear chegou lá: integra hoje catorze projetos autônomos em quatro estados brasileiros (Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e mais o Distrito Federal. Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram.


Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PSOL LEVA DILMA E SERRA A NOCAUTE NO HORÁRIO ELEITORAL

Por: FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO
Link: http://www1.folha.uol.com.br/
O PSOL e seu candidato à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, levaram Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), simbolicamente, a nocaute na noite desta terça-feira no horário eleitoral gratuito.

Conforme a Folha antecipou, na peça publicitária em que o partido abordou o tema do financiamento público de campanha, dois atores fisicamente semelhantes aos candidatos --embora um pouco mais gordinhos do que os mesmos-- se encontraram em um ringue de boxe.
Dilma e Serra se enfrentam em ringue de boxe em programa de TV de Plínio de Arruda
Divulgação
Garoto do PSOL leva Dilma e Serra a nocaute na televisão

No começo da cena, um locutor anuncia: "doações dos banqueiros em 2006: R$ 10,5 milhões". A câmera foca o candidato. A locução é repetida. A câmera, então, foca a candidata --em nenhum momento os nomes de Serra ou de Dilma foram mencionados.
Um corte na cena mostra os dois sendo nocauteados, derrotados por um garoto que surge no meio da peça e é apresentado por meio de um trocadilho com uma marca de cartão de crédito: "candidatura feita pelo povo: não tem preço. Tem pessoas que banqueiro ajuda (sic). Para todas as outras, existe o PSOL".
Na segunda metade da peça, já fora do ringue, em um estúdio convencional, Plínio expôs suas ideias sobre o financiamento público de campanha.
"Se as candidaturas forem financiadas pelas empresas, elas vão cobrar depois. Vão exigir o que deram, e com juros", disse.

domingo, 15 de agosto de 2010

ELEIÇÃO 2010: O DEBATE DOS SEM PROJETO!

Por: Elson de Melo (*)

"Nossa riqueza não está em Manaus, mas no interior, Manaus já tem a bendita Zona Franca, que não foi presente da “Maldição da Rodela”, mas do General Humberto Castelo Branco. A riqueza do Amazonas está no cultivo das suas várzeas, produzindo culturas de ciclo curto, na criação de peixes em fazendas aquáticas ou gaiolas."

Evandro carreira – em artigo – “A Maldição da Rodela”.


O eleitor que esperava conhecer melhor o projeto dos candidatos ao governo do Estado do Amazonas, certamente não conseguiu aferir no de bate realizado pela TV Rio Negro-Bandeirante na ultima quinta feira 12/08/2010. Como afirmei em outra oportunidade, essa é a eleição dos candidatos sem projeto. Guardada as proporções de quem foi pior, todos foram em média literalmente péssimos!... Pelo desempenho deles no debate, o resultado do pleito pode ser o seguinte: voto em branco 90%, votos nulos 10%, sendo que o índice de abstenções será de aproximadamente 80%. Seria melhor obrigar os partidos substituírem os atuais candidatos!

O candidato a Presidente pelo PSOL Plínio de Arruda Sampaio vem denunciando as desigualdades sociais, econômica e política, faz parte dessa desigualdade os privilégios protagonizado pela grande imprensa e os institutos de pesquisa eleitoreira que estão dando as três candidaturas do capital. O formato dos debates vem a cada ano burocratizando a intervenção dos candidatos e condicionando os temas. Assim, as emissoras dão a entender que existe uma igualdade e uniformidade entre as candidaturas que se apresentam. Dentro dessa estratégica da grande mídia, apenas Plínio vem conseguindo superar essas amarras.

Participaram do debate aqui no Amazonas seis candidatos, sendo dois representantes do Planalto Central, um da Oposição Burguesa e três dos Partidos da Esquerda Socialistas. Não precisa ser cientista político para concluir que os seis fizeram um pacto pela mediocridade. Foi um festival de gagueira e palavras desconectadas dos temas sugeridos, os relatos sobre a realidade amazonense tanto pelos que estão no poder como os que se opõem, passaram longe de qualquer caracterização dos problemas sofridos pelo nosso povo do interior e dos centros urbanos, confundiram sala de aula com escola, escola com navegação e alhos com bugalhos! Não ouvimos uma proposta de combate as desigualdades sociais e econômicas. “Foi sofrível!...” declarou um amigo.

Para simplificar o debate, vamos tratar de sentenciar que ambos são totalmente despreparados para governar o nosso Estado! Exagerei? Claro que não! Ambos concentram seu raio de ação na capital, todos não dominam a vocação socioeconômica do Amazonas, defendem o desenvolvimento sustentável nos termos do capital. São unânimes em transferir para os professores todos os problemas da educação, elegem o salário e a qualificação desses vitimados mestres, como principal instrumento de transformação radical do atual sistema educacional. Não sabem que, educação está relacionada com atenção total a criança, formação de caráter, recreação, esporte, lazer, saúde, cultura, alimentação, pedagogia transformadora e infra-estrutura.

A ortodoxia do capital parece que contaminou os três candidatos socialistas, não responderam temas relevantes sobre tecnologia, biopirataria, educação, logística, além de não provocarem o debate sabre à prosperidade do povo do Amazonas. Esqueceram que na lógica socialista a prioridade é o coletivo onde o todo é mais importante que a parcela. Pautar a BR319 como relevante para nossa população é no mínimo não conhecer a complexidade amazônica, pior ainda, é patrocinar a ganância capitalista quanto apenas o valor monetário das riquezas do nosso Estado. Significa concordar com a degradação da floresta e com a falácia dos tempos da ditadura de Integração Nacional.

Esqueceram que na Amazônia os rios são nossas estradas, que na visão do capital a construção de estradas é apenas grilar terras da União, surrupiar dinheiro publico e engordar os cofres das empreiteiras. Para nós caboclos que aqui habitamos, seja nas margens dos rios ou nas cabeceiras, grotões e centros urbanos o que importa é a melhoria da qualidade de vida é não a panacéia de grandes projetos que servem apenas para vilipendiar nossas esperanças.

Para candidatos como Omar, Alfredo e Hissa, discutir o desenvolvimento para o Amazonas é natural que se apeguem apenas na subjetividade de nome desenvolvimento. Para os socialistas essa palavra significa mais exploração, portanto, temos que propor coisas palpáveis como; aproveitamento das várzeas para produção de alimentos orgânicos, o aprimoramento de tecnologias sociais como o Puxirum para dar eficiência no modo de produção coletivo dos nossos ribeirinhos, a promoção de uma logística que facilite o escoamento da produção para os centros consumidores como forma de aferir preços adequados aos produtores e baratear para o consumidor final. Adotar a Permacultura como modelo de tecnologia adequado para a nossa região. Infelizmente estamos testemunhando mais uma vez uma esquerda dogmática e sem projeto, é por essa incompetência que esse grupo da maldição da rodela parece que vai emplacar mais quatro anos!

Enquanto Plínio de Arruda vem rompendo paradigmas Brasil a fora. Aqui os representantes da esquerda dão um show de despreparo. Porém, como militante dessa esquerda, declaro. “Os interlocutores que se apresentam nesse momento, não refletem o pensamento da maioria dos Lutadores socialistas”. Como já afirmei em outros momentos, faz-se necessário que os partidos da esquerda socialista façam uma autocrítica sobre a forma de construção das suas candidaturas, adotar o principio burguês da disputa interna sem observar o vinculo orgânico com as lutas sociais, fatalmente, resulta em vexames como os que passamos no debate da ultima quinta feira. Com fraternidade.

(*) Élson de Melo é Sindicalista.
E-mail: elsonpmelo@gmail.com
Blog: http://elsondemelo.blogspot.com/

sábado, 14 de agosto de 2010

HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO



Por um erro na hora de fazerem o meu registro, a data do meu aniversário foi alterada, na verdade completei 52 anos no dia 05 de agosto, enquanto minha mãe era viva sempre celebrava nessa data. Agora que a Sra. Elzira de Melo Pinto já não se encontra entre nós, perdi minha testemunha, então passei a comemorar o meu aniversário no dia 15 de agosto, como consta no registro de nascimento.

Hoje comemoro os meus 52 anos de idade, mais de meio século de vida, estou muito feliz, primeiro por abraçar meu Pai Sr. Raimundo Lima Pinto, segundo por estar com saúde, terceiro por estar recebendo muitas mensagens dos meus Irmãos, Sobrinhos, Filhos Amigos e até minha Netinha Clara. Espero que a mesma felicidade contagie a todos os amigos, parentes e simpatizantes nosso.

Amanha dia 16 de agosto será o aniversario da minha querida mulher Lene, essa mulher que entrou na minha vida por puro acaso, me deu dois filhos maravilhosos Dhimirson e Alex, o ultimo é o pai da Clara. Por tudo isso, antecipo meus parabéns para essa linda mulher que muito me ajuda na realização dos meus sonhos, assim, desejo a ela muitas felicidades declarando solenemente: “Te Amo!”. Você é mais que uma luz é a estrela que guia os meus caminhos. Muitos beijos meu eterno amor.

Agradeço meus camaradas do PSOL, os Companheiros do Movimento Sindical e os militantes do Movimento SOS Encontro das Águas. Espero que tenhamos bastantes sucessos em nossas caminhadas. Até aqui, a vida tem dedicado a esse cinqüentão muitas oportunidades de poder ajudar na construção de uma sociedade mais justa. Sou apenas um lutador social que acredita na força dos oprimidos para alcançar um mundo de paz, prosperidade e igual para todos.

Obrigado pelos votos de parabéns!

Élson de Melo 52 anos de vida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

TSE SUSPENDE DIVULGAÇÃO DE PESQUISA MANIPULADA

Após a entrada com processo no Tribunal Superior Eleitoral, o candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, conseguiu a suspensão da divulgação de pesquisa eleitoral do Instituto Vox Populi realizada no Rio Grande do Sul. O questionário da pesquisa não incluía o nome de Plínio Arruda Sampaio e uma das perguntas era referente ao desempenho dos candidatos no debate na rede Bandeirantes, realizado na última quinta-feira (5 de agosto).

O questionário suspenso foi registrado com número 22.955/2010, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número 22955/2010. Foi encomendada pela Rádio e Televisão Bandeirantes LTDA (Grupo Bandeirantes) e pela Internet Group do Brasil S.A (o portal IG). O registro, de acordo com o portal do TSE, data de 7 de agosto deste ano. O recurso da suspensão deve ser feito em 48 horas.

A não inclusão de Plínio no questionário prejudicaria o candidato e fere o princípio da isonomia. O candidato irá se pronunciar pelo seu twitter (@pliniodearruda) na noite de hoje.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PLÍNIO: A VITÓRIA “É POSSÍVEL!”

Por: Élson de Melo (*)

Quem lembra dos torcedores equatorianos gritarem para seus jogadores em um jogo Brasil X Equador quando no final do jogo a seleção equatoriana ganhava por 1 X 0, a torcida vibrava aos gritos de “É possível!!!”. O entusiasmo era tanto que os jogadores suportaram com muita raça a blitz Brasileira em busca do empate. O “É possível!!!” venceu!

Na eleição de 1999 Brizola era o favorito, em segundo vinha Lula, até que a Globo lançou Collor, como um furacão Collor contagiou o país e logo ultrapassou Lula e Brizola. O Brasil estava todo colorido! Foi exatamente no mês de agosto daquele ano que o PT organizou uma grande reunião em São Paulo, mais precisamente na sede da Milmar, empresa de propriedade de Julho Albertone compadre de Lula.

Collor estava disparado na frente dos dois e Lula era o terceiro com 5% das intenções de votos. Era uma diferença de mais de 6% para Brizola o segundo colocado, após dois dias de reunião os presentes voltaram para seus Estados com o propósito de levar Lula para o segundo turno.

Como hoje Plínio está empolgando os brasileiros, Lula naquela época também conseguiu bom desempenho nos debates. Nos Estados enfrentávamos como hoje a maquina dos Governadores e Prefeitos apoiando Collor, por outro lado Brizola era muito forte no Sudeste e Sul do País, foi na garra dos militantes que superamos o dinheiro dos poderosos, que supermos todas as barreiras e no final levamos Lula para o segundo Turno. Lula só perdeu porque foi muito fraco no ultimo debate. Pelas recentes declarações dele, podemos assegurar que Lula entregou o jogo aos 45 minutos do segundo tempo!

A presença de Plínio no debate da TV Bandeirante mostra que o povo brasileiro está disposto a seguir uma rota mais ousada da Política Nacional, significa que o combate às desigualdades econômicas e sociais é um forte componente que pode conduzir Plínio ao segundo turno dessa eleição. Utopia? Não, é realidade que só está dependendo dos Lutadores Sociais se engajarem nessa campanha. O PSOL precisa estruturar de imediato uma Agenda Nacional para Plínio, acoplando a essa agenda atividades de arrecadação de fundos e formação de grupos de apoiadores independentes.

Reconhecer a força econômica dos adversários de Plínio é mais um elemento de motivação para buscar no povo os parceiros ideais para vencer os que fazem esse mesmo povo, sofrer nas filas dos ambulatórios, nas filas dos bancos, do transporte coletivo, do prato cidadão, em fim vencer a corrupção e resgatar a dignidade de todos. Com Plínio é possível! Vencer não é impossível.

(*) Élson de Melo é Sindicalista