sexta-feira, 12 de maio de 2017

Meu ‘pitaco’ sobre a eleição suplementar de governador do Amazonas

Elson de Melo
12 de maio de 2017

O cenário dessa eleição suplementar para governador do Amazonas, é muito favorável ao bloco contrário ao governo Temer e suas reformas da Previdência e Trabalhista. 

O grupo que se formou em torno do ex-governador Gilberto Mestrinho que o senador Evandro Carreira chamou da “maldição da rodela”; vai nessas eleições suplementar (06 e 27/8), fazer a sua maior disputa pela hegemonia e definir o novo líder. Dividido desde a eleição de 2014, parece que no primeiro turno da eleição, vão sair mais uma vez divididos.

A disputa pela hegemonia do grupo da “maldição da rodela” envolve Eduardo Braga, Amazonino, Omar Aziz, Alfredo Nascimento e Arthur Neto.

Até agora, os membros do grupo da “Maldição da Rodea) que já anunciaram sua candidatura foram; Braga (PMDB), Amazonino (PDT), Marcelo Ramos (PR), Silas Câmara (PRB) Wilker Barreto (PHS) Dermilson Chagas (PEM) e David Almeida (PSD). Essa proliferação de candidaturas do mesmo grupo, pode levar a uma possível polarização, não mais entre eles, como sempre fazem, mas sim, entre o grupo da “Maldição da Rodela” que apoia o governo Temer e suas deformas da Previdência e Trabalhista, e o bloco contrário ao governo Temer.

No bloco que faz oposição ao governo Temer; já estão postos os nomes do José Ricardo (PT), Luiz Castro (REDE), Chico Preto (PMN) e Marcelo Serafim (PSB), o PSOL, PSTU e PCB, ainda não definiram se vão lançar candidatura como sempre fazem. 

Da mesma forma, se esse bloco sair com esse excesso de candidaturas, abre espaço para que a polarização permaneça entre as duas frações do grupo da “Maldição da Rodela”.

Nessa fase das articulações e composições políticas, não existe espaço para o amadorismo e reações emotivas, por outro lado, também não é um espaço para imposições inconsequentes. E momento para agir com paciência, ponderar bastante e muito dialogo para definir os objetivos do bloco e qual o papel de cada partido, antes, durante e depois da eleição, definido isso, tudo será mais fácil.

No caso especifico do bloco que é contrário ao governo Temer e suas reformas, falo dos partidos PT, PCdoB, PSOL, REDE, PCB, PSTU, PMN, PDT e PSB, que pela primeira vez no Amazonas, contam com uma conjuntura nitidamente favorável para polarizar e conquistar o governo do Estado. 

Se o principal objetivo desse bloco é derrotar Temer e seus aliados, estamos diante de uma grande oportunidade, explico:  como eu disse acima, é necessário definir o objetivo, ou seja, derrotar o governo Temer e o grupo da “maldição da rodela” que é seu aliado no Amazonas, o papel de cada partido no processo e os candidatos. 

Sobre o candidato a Governador, particularmente acho que deve ficar com o PT, não o José Ricardo, mas Praciano, nesse processo, é preciso envolver a direção nacional do PDT para assegurar a participação desse partido no bloco contrário a Temer, o candidato a vice, deve ser objeto da combinação, densidade eleitoral e capacidade de arregimentar apoio para campanha.

A candidatura do Praciano é relevante pelo fato de ele ter concorrido recentemente a um cargo majoritário e foi muito bem votado, a possibilidade do PT deslocar Lula para ajudar com seu carisma e popularidade na mobilização da campanha, esse capital político do Praciano e Lula, mais a conjuntura favorável ao bloco popular, são fatores determinantes para rompermos com essa hegemonia do grupo da "da rodela” no Amazonas.

O cenário no Amazonas para essa eleição suplementar para governador, é muito favorável ao bloco contrário ao governo Temer e suas reformas. 

O desafio é, vencer primeiro as intenções pessoais e unir todos esses partidos e outros que vierem, em torno de um único objetivo – derrotar o grupo da “maldição da rodela” que infelicita o povo amazonense há mais de trinta anos.

Assim estaremos dando um grande passo, para resgatar a democracia no Amazonas e no Brasil. E hora se protagonista da história e far a diferença!

Elson de Melo é militante do PSOL



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Antes de candidatura, Projeto!

Elson de Melo
05/05/2017

A Eleição Extraordinária que acontecerá no Amazonas para Governador do Estado, está provocando uma corrida sem critérios de candidaturas. Já são aproximadamente quase 20 pretendentes que colocaram seus nomes como possíveis candidatos/as. Pelo que podemos constatar, a maioria dessas candidaturas, são movidas por projetos pessoais buscando visibilidade para as eleições de 2018. Portanto, sem projeto coletivo e objetivo que visem solucionar os problemas do povo que precisam de solução urgente. Candidatura sem Projeto de governo, é calote eleitoral outra vez!

Como um inquieto com essa forma despropositada de pensar a política, defendo que o PSOL partido que sou filiado e milito, estabeleça de imediato, um diálogo com a sociedade amazonense, visando organizar e formatar um Projeto Emergencial de Governo, que atenda as demandas prementes do povo do Amazonas.

Embora os políticos tradicionais queiram e ainda conseguem manter essa lógica da política do ‘eu faço’, ou seja, do candidato que no período eleitoral tem respostas para todos problemas do Estado e, quando consegue chegar ao governo, só faz ações para, beneficiar uma elite próximo ao governante em detrimento da imensa maioria do povo amazonense.

Nessa eleição, vamos enfrentar dois tipos de ‘mantras eleitorais’, o primeiro mantra é o do salvador da pátria, esse é daquele que rouba, mas faz, que tem experiência administrativa e apoio de grupos que estão há séculos mandando no governo do Amazonas, nesse grupo está o PMDB, PSDB, PTB, PP, PPS, PDT, PSB e outros pequenos partidos. 

O segundo, é o mantra do voto útil, daqueles que agora são oponentes, mas já foram aliados desse outro grupo por muito tempo, mas, no entanto, acham que são menos piores que o primeiro grupo, nesse grupo está o PR, PROS, DEM, PRB, PSD, PSC, SOLIDARIEDADE e outros pequenos partidos. Esses dois blocos são dos partidos aliados do governo Temer.

No campo da esquerda, o PT, PSB, PCdoB e até o PDT e PSB que pela questão nacional podem sair do grupo de lá, vão tentar se apresentar como os legítimos representantes da esquerda no Estado, ocorre que todos eles já estiveram ou ainda estão do lado dos dois grupos que identificamos nos dois parágrafos acima, é o caso do PT e PSB que mantem até agora, cargos no Governo José Melo.

Mas a esquerda ainda tem os partidos que se mantiveram e continuam autênticos aos projetos históricos da classe trabalhadora brasileira, esses partidos, são hoje uma alternativa que surge com maior expressão dentro do processo de impeachment do governo liderado pelo PT e no atual combate as reformas do Governo ilegítimo do presidente Temer, nesse bloco de esquerda estão o PSOL, PSTU, PCB e REDE.

Nos dois primeiros blocos, ou seja, os partidos que dão sustentação ao governo Temer, é quase certo que haverá composições diferentes das da última eleição para prefeito, mas é muito difícil que seus principais líderes Braga, Arthur, Omar e Alfredo Nascimento consigam se juntar em um único palanque, mas haverá partidos pulando de um lado para outro.

Nos dois grupos da esquerda que hoje fazem oposição ao governo Temer, também será muito difícil se unirem em torno de uma única candidatura, principalmente pelo fato de não haver um debate em torno de um projeto comum e ainda pelo fato, de muita desconfiança quanto a falta de transparência do maior partido [PT] sobre as suas possíveis alianças em torno da candidatura Lula para 2018 e do Projeto de Governo.

No caso especifico do PSOL, na minha opinião, o partido deve de imediato, definir um Plano de Governo Emergencial, dentro de uma metodologia que combine o diálogo com a sociedade organizada através das suas Instituições, a sociedade cientifica, com o movimento sindical, os partidos políticos dos blocos da esquerda e os movimentos populares que hoje se colocam contrários aos desmandos do Governo Melo e as reformas do governo Temer e definição da candidatura.

Dentro dessa metodologia, o PSOL deve estabelecer o debate interno e, ouvido os setores organizados da sociedade amazonense, definir num período de três semanas uma candidatura capaz de viabilizar o Plano de Governo Emergencial decorrente desse dialogo.

Antes de candidaturas, Projeto!

Elson de Melo é militante do PSOL






sexta-feira, 24 de março de 2017

Lista Fechada e a Estrutura Partidária

ESCRITO POR ELSON DE MELO
DOMINGO, 24 DE MARÇO DE 2017

Lista Fechada com a estrutura partidária ditatorial vigente, será a perpetuação de Renan Calheiros, Eunicio Oliveira, Romero Jucá, Eduardo Braga, José Serra, Pezão, Edson Lobão, Rodrigo Maia e até Sarney voltará para, junto com tantos outros políticos, se protegerem das investigações da Operação Lava Jato.

Segundo os especialistas; “a lista fechada ou lista de partido é um sistema de votação de representação proporcional onde os eleitores votam apenas em partidos, e não nos candidatos. No sistema de lista fechada, cada partido apresenta previamente a lista de candidatos com o número correspondente ao círculo eleitoral, esses candidatos são colocados ordenados crescentemente e o número de eleitos será proporcional ao número de votos que o partido obteve, nesse sistema os candidatos no topo da lista tendem a se eleger com mais facilidade”.

Mas a quem interessa na atual conjuntura a lista fechada?

Trago para início dessa reflexão, o surgimento do Partido dos Trabalhadores. Quando o PT surgiu, a palavra de ordem era “Pão, Terra e Liberdade”. Um dos principais compromissos do PT que consta no seu Manifesto de fundação era; “o PT lutará pela extinção de todos os mecanismos ditatoriais que reprimem e ameaçam a maioria da sociedade.”. Depois de 13 anos e meses de governo, o PT sai escorraçado do governo sem nenhuma resistência popular e também sem extinguir “os mecanismos ditatoriais”.

Um desses mecanismos ditatoriais é a estrutura dos Partidos Políticos. Aparentemente o partido político é o principal instrumento da democracia, porém, se observarmos a legislação brasileira que regulamenta essa Instituição, vamos constatar que seus mecanismos de deliberação e controle é um dos mais ditatoriais da Republica.

O PT pretendia romper com o sistema partidário autoritário, através da participação popular nas decisões do partido, para isso, foi instituído no seu Estatuto os Núcleos de Base como instância partidária, era uma forma de articular o debate e as decisões partidárias a partir das militâncias de base sem a imposição das direções superiores e romper com a figura dos cabos eleitorais. Posteriormente o PT instituiu O Processo de Eleição Direta - PED com a participação de todos os seus filiados que, através do voto direto, elegem seus órgãos de direção; Diretórios Zonais, Municipais, Estaduais e Nacional.

O PED aparentemente é um dos mais democráticos processos de escolha dessas direções. Na verdade, esse processo reproduz o sistema eleitoral vigente no país e com todas as suas mazelas. Esse processo envolve milhões em recursos financeiro, e, quem vence é sempre o mesmo grupo, ou seja, o que detém há décadas o comando partidário.

No PT as demais tendências que geralmente são as mais autênticas e ligadas a esquerda socialista, por não controlarem a máquina partidária (estrutura partidária), nem disporem de recurso financeiro abundante, só conseguem um número insignificante de cargos nas direções do partido, ou seja, o partido é controlado por uma elite burocrática que a depender das circunstâncias, não titubeiam em expulsar os agrupamentos que por qualquer motivo venha incomodar seus interesses. Assim o PT reproduz um mecanismo ditatorial ao extremo!

Os partidos da ordem capitalista PMDB, PSDB, PP, PR, PTB, DEM, são todos literalmente controlados por grupos econômicos Regionais ou Nacional, uma federação de interesses do capital. PRB e PSC são ligados aos fundamentalistas religiosos, PSB, PDT são instrumentos de barganhas dos novos coronéis do Nordeste, PPS e SOLIDARIEDADE são coadjuvantes de governos, PCdoB tornou-se um apêndice do PT. PROS, PTN, PMN e outros, são partidos de aluguel de interesses local.

Os partidos ideológicos, PSTU, PCB e PSOL foram os únicos que fizeram oposição aos governos do PT, porém, não conseguiram nesse período se firmar como uma alternativa solida para os diversos setores populares sociedade e da própria esquerda socialista. Dentre esses três partidos ideológicos, o PSOL é o que mais conseguiu melhores resultados eleitorais, no entanto, lhe falta mais inserção nos movimentos sindical e popular.

O PSOL é hoje o partido com maior credibilidade no cenário nacional. A projeção e popularidade do PSOL, avança a cada eleição, não será surpresa se essa Lista Fechada prosperar, a população descarregue uma votação expressiva no PSOL. Já o PT que é hoje o partido com uma rejeição fantástica, deverá acumular mais uma derrota nas Casa Legislativas. A candidatura de Lula, não será suficiente para ampliar a bancada do PT no parlamento Federal.

Com o avanço das investigações da operação Lava Jato, a oligarquia política que impera há séculos no país, tenta se proteger recorrendo a institucionalização da ‘Lista Fechada’ para as próximas eleições. A questão é; como viabilizar essa lista quando os partidos políticos, trazem vícios de muitos anos de manipulação da máquina partidária para beneficiar uma elite dirigente e política encasteladas nas direções partidárias e que se encontra hoje, sob suspeita de pratica de corrupção e de outros delitos?

Por outro lado, o financiamento partidário público (Fundo Partidário) embora obedeça uma rígida norma burocrática para sua aplicação, também é manipulado para viabilizar a eleição dos candidatos ligados ao grupo que controla a máquina partidária. Da mesma forma, o financiamento privado, segue a mesma pratica. As narrativas dos delatores da Lava Jato, mostram que mesmo as contribuições para os partidos políticos ditas dentro das normas legais, são oriundas de propinas vindas da rede de corrupção que sempre ronda os governos e seus partidos aliados.

Com esses mecanismos ditatoriais que se transformaram a imensa maioria dos partidos políticos, a ‘Lista Fechada’ será a perpetuação no poder, do que existe de pior na política brasileira.

Elson de Melo é militante do PSOL no Amazonas

sexta-feira, 3 de março de 2017

Eu [Elson de Melo] apoio Arminda mourão para reitora da UFAM!

ESCRITO POR ELSON DE MELO
SEXTA, 03 DE MARÇO DE 2017

Louvo e parabenizo a nota da direção estadual do meu partido - PSOL/AM que libera os seus filiados a se posicionarem publicamente para, apoiarem uma das três candidaturas que concorrem a Reitoria da UFAM.

Da mesma forma. Lamento que os nossos filiados Professores, Servidores e Acadêmicos que trabalham e estudam na UFAM, não terem pautado uma discussão dentro do partido no sentido de unificar a nossa militância para mobilizar e apoiar uma única chapa. Como isso não foi possível, acho que os nossos camaradas devem ter seus motivos e explicações.

Observando as três candidaturas postas, entendo que o melhor caminho nesse momento é a chapa 31 - CONTRAPONTO que tem como candidata a Professora Arminda Mourão. Conheço a camarada Arminda há algumas décadas, sou testemunha da sua dedicação a causa da educação em nosso país, detentora de um curriculum acadêmico fabuloso e de uma capacidade de luta invejável. Particularmente, acho que nome 'contraponto', não combina com a camarada Arminda que é por natureza uma mulher protagonista sobre todos os aspectos.

Por outro lado, as outras duas chapas são compostas por excelentes quadros da Academia, porém, são na maioria os mesmos que transformaram a Universidade Federal do Amazonas nas últimas décadas, em apenas uma Instituição de ensino voltada para o seu interior e quando ela sai dessa rotina, é para vender serviços sem se preocupar com as questões sociais, cujo as demandas são cada dia maiores.

Alguns departamentos da UFAM, tornara-se suportes para Institutos que comercializam serviços como "EIA/RIMA" e outros de natureza diversas, a produção acadêmica ficou muito voltada para temas subjetivos sem quase nenhuma repercussão social, uma parte dos professores viraram empreendedores do saber, uma outra dedicaram-se a reproduzir a ideologia dominante pregando a devastação ambiental e a total degradação do tecido social da Região Amazônica.

Espero que com Arminda Reitora, a UFAM não seja apenas um ‘contraponto’, mas uma Instituição Protagonista na formulação de alternativas sociais, políticas e econômicas da nossa Região.


Elson de Melo é dirigente do PSOL Amazonas         

quinta-feira, 2 de março de 2017

50 Anos da Zona Franca de Manaus: onde está o legado de meio século de exploração da mão de obra cabocla?

ESCRITO POR ELSON DE MELO
QUINTA, 02 DE MARÇO DE 2017

Passados meio século de implantação da Zona Franca de Manaus, o Amazonas experimentou nessas cincos décadas uma total ausência de políticas públicas no interior do Estado e um grande desconforto social na capital.

Nesse período de meio século, muitos trabalhadores empregaram sua força de trabalho para assegurar lucros astronômicos as empresas do agora PIM – parque industrial de Manaus, inclusive esse escrevente, a minha geração que trabalharam nas três primeiras décadas não eram operários, éramos todos trabalhadores da agricultura que migraram do interior para capital empurrado pelo fim do ciclo da juta,  e total falta de alternativa econômica nos Municípios amazonense e parte do Pará,  viemos para Manaus em busca do sonhado ‘Eldorado’ que a propaganda oficial fazia questão de apregoar aos quatro cantos da Região.

Aqui chegando, fomos inseridos no processo produtivo das empresas sem nuca sequer saber o que era o chão de fábrica e uma linha de produção, como o processo produtivo era apenas de montagem de produtos pré-fabricados em outras fábricas fora de Manaus, não foi difícil a nossa adaptação, cujo resultado fora uma produtividade de dar inveja a qualquer sistema industrial do mundo.

Na década de oitenta e início da de 90, começamos a desenvolver a consciência operária e exercer o poder da mobilização para reivindicar os nossos direitos, em 1983 conquistamos a direção do maior Sindicato – o dos Metalúrgicos. Dentro dessa conquista, estava a esperança de um grupo de Jovens sonhadores dentre tantos estava esse escrevente com [Elson de Melo] com apenas 25 anos, Ricardo Moraes, Simão Pessoa, Carlos Lacerda, Magno Frazão, Antonia Priante (falecida) Suely Aquino (falecida) Marinho (falecido) Alberto, Francisca, Jonacy, José Raimundo, Izabel Alegria, Bibe, Elias Sereno, Silvestre, Chico Fera, Sr. Elias, Ana, Rosenilda Oliveira, Amiraldo. Francisco Siares (Bill) e Divaldo Pastana. Em 1985 fizemos a primeira e maior greve geral da Zona Franca de Manaus.   

Da terceira década em diante, começou a primeira geração de operários, esses já formados dentro da disciplina rígida das empresas, com um grau de escolaridade mais elevado e com maior obediência as políticas de controle de pessoal impostos pelas empresas, acoplado a esse rígido controle, está o fantasma do desemprego, uma direção do maior Sindicato – o dos Metalúrgicos hoje totalmente controlado pelos empresários e mergulhado em corrupção de toda natureza, isso impede que essa primeira geração de operários fortaleça a sua consciência de classe e em muitos caos, se obrigam a sofre calado as estafantes jornada de trabalho importas pelas empresas.

Essas jornadas estafantes, vem submetendo esses operários a uma epidemia de doenças profissionais que já afeta mais de 30% (trinta por cento) do operariado da Zona Franca de Manaus. São homens e mulheres jovens que sofrem constrangimentos nos centros de saúde de Manaus onde a maioria são submetidas a cirurgias para tentar de controlar as consequências das doenças como LER/DORT no seu sistema nervos e o que é pior, sem mínima esperança de retomar a sua vida normal, a maioria vão ficar com sequelas para o resto da vida.

O Parque Industrial da Zona Franca de Manaus, é um dos mais modernos do mundo, aqui os operários/as, operam equipamentos e maquinas de última geração a um ritmo de trabalho dos mais cruéis que um ser humano é submetido, nesse sistema, se a medicina não fosse controlada pela brutalidade do capital, os Conselhos Médicos e de outros profissionais ligados a saúde ocupacional, já haviam pelo menos recomendado a redução da jornada de para uma carga horária menor que as 44 horas semanais e 8  horas diárias hoje praticadas.

Na semana em que a Zona Franca completa 50 anos, todos os comentários são de exaltação as empresas pelos seus fabulosos lucros aqui ampliados ano pós ano e a Suframa que em todos os tempos, funciona como o grande órgão de desenvolvimento da Região e que nada desenvolve. Não vimos um reconhecimento aos trabalhadores, isso mostra que para o capital, suas maquinas são muito mais valiosas que os trabalhadores que as operam.

O legado de meio século de Zona Franca de Manaus, está nas notícias diárias de mais violência na cidade, na falta de moradia digna para a classe trabalhadora, na precariedade da mão de obra, no sistema de transporte urbano caótico, no péssimo salário pago para quem produz a riqueza da ZFM, na falta de perspectiva a que o povo amazonense está submetido caso esse modelo venha a se esvair da cidade e o que é pior, a população ainda tem que aturar governantes de quinta categoria surrupiando o que resta de riqueza nos cofres do Estado. Legado positivo, só para as empresas que levam para seus países de origem milhões de dólares.

Parabéns aos trabalhadores e trabalhadoras do PIM que dão o sangue em forma de suor para garantir lucros fabulosos as empresas. A eles toda hora e toda gloria!



Elson de Melo é dirigente do PSOL Amazonas    

domingo, 13 de novembro de 2016

De Duterte, Brexit e Trump

ESCRITO POR JOSÉ LUÍS FEVEREIRO*
DOMINGO, 13 DE NOVEMBRO DE 2016

Vivemos tempos difíceis. A ascensão de uma extrema direita antiliberal com base de massas é um fenômeno de alcance planetário. A eleição de Rodrigo Duterte à presidência das Filipinas em maio passado comparando-se a Hitler e prometendo exterminar 3 milhões de viciados em drogas abriu o cortejo de resultados eleitorais que expressam que algo se move na direção errada no planeta. O fenômeno que dá liga entre esse resultado eleitoral nas Filipinas, à vitória do Brexit na Inglaterra e ao Trump nos EUA é o mesmo. Isto não significa que os atores possam ser comparados, nada nos autoriza a comparar quem quer que seja a Rodrigo Duterte, que entre outros despropósitos vem incitando “viciados” a matarem traficantes e a população a matar “viciados”. O traço em comum está no fato que todos estes resultados eleitorais são fruto do mesmo processo econômico e político.

A REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E A GOBALIZAÇÃO

A Segunda revolução industrial está morta. No seu lugar, uma enorme reestruturação produtiva está em curso, com o avanço da robotização eliminando postos do trabalho e o deslocamento das plantas industriais intensivas em consumo de materiais, energia e mão de obra para os países da periferia, principalmente para a Ásia. Este processo produz vitoriosos e derrotados. Produziu ganhos significativos de renda em países periféricos, em particular na Ásia, mas também na África e na América Latina, mas aumentou a concentração de renda dentro de cada país. O rebaixamento dos custos de produção industrial decorrentes da robotização e dos menores custos salariais na Ásia produziu um enorme barateamento dos custos de bens duráveis, viabilizando o acesso destes produtos a milhões de trabalhadores pelo mundo afora. Mas deixaram atrás de si um rastro de destruição de empregos industriais na Europa, nos EUA e nas regiões industrializadas do Brasil.

O deslocamento do emprego para o setor de serviços significou um aumento de empregos bem remunerados no setor financeiro e tecnológico para uma parte menor da população e um aumento de empregos de baixa qualificação no setor de comércio e serviços de baixa intensidade tecnológica para a maior parte da população. Os primeiros viram sua renda subir acima da média, sua cesta de consumo de industrializados baixar de custo e votaram contra o Brexit e em Hilary Clinton. Os segundos, a maioria, via sua renda cair em relação à média, mas também em relação ao patamar anterior, e votaram pelo Brexit e em Donald Trump. Em comum com o filipino Duterte, os vitoriosos destes processos eleitorais construíram um “inimigo” de fácil identificação: para Duterte, os “viciados”; para os defensores do Brexit, a imigração e a União Europeia; para Trump, a imigração e a China. É sempre bom lembrar, que nos anos 30, para Hitler os culpados da crise eram os judeus.

Robert Paxton, em “A Anatomia do Fascismo”, cita frase de George Sorel de 1908 criticando Marx por não ter percebido que a história não avança inexoravelmente para o socialismo “uma revolução alcançada em tempos de decadência pode tomar como ideal uma volta ao passado, ou até mesmo a conservação social”. As bases sociais tradicionais da esquerda nos cinturões industrializados da Europa, EUA e Brasil não mais existem. Porque estes cinturões industriais não mais existem no mínimo com a configuração que tinham há 30 anos atrás. Fora do centro financeiro de Londres, prevaleceu o Brexit, com vitorias expressivas nas antigas áreas industriais. Hilary perdeu a eleição na Pensylvania, Ohio, Michigan e Winscosin, estados industriais decadentes e o PT perdeu as eleições no ABC. Não foi uma derrota conjuntural, embora a conjuntura tenha tido seu peso. É uma nova configuração política que chegou para ficar.

O DILEMA DA ESQUERDA

A esquerda, tal como aprendemos a conhecê-la, construiu seus aparatos políticos, partidários e sindicais a partir da segunda revolução industrial, em que expressivas concentrações operárias formaram a sua base social por excelência. Para o marxismo, classe social se define por uma mesma forma de inserção no processo produtivo, uma relativa igualdade de acesso à renda e ao poder e, portanto, à formação de consciência de si mesma. Estas condições estavam dadas nas velhas plantas industriais, com milhares de operários organizados em atividades semelhantes, com salários semelhantes entre si e enorme concentração espacial.

A globalização e a reestruturação produtiva acabaram com estas condições. Nas plantas fabris, sobreviventes dos velhos cinturões industriais, trabalham muito menos operários, com um sem número de degraus e hierarquias entre eles e funções muito mais diversificadas, assim como patamares salariais distintos. A enorme maioria da força de trabalho foi deslocada para o setor de serviços, com formas distintas de inserção no processo produtivo, em que subsiste trabalho assalariado, mas cresce o trabalho terceirizado, a “pejotização” e o empreendedorismo precarizado. Formar consciência de classe nestas condições é muito mais difícil. A perda progressiva das identidades de classe foi substituída pela ascensão de outras identidades fragmentadas em busca de representação política. Pela esquerda, a luta antirracista, a pauta LGBT, a luta feminista, a defesa de valores libertários. Pela direita, as identidades étnicas, religiosas, culturais, a defesa de valores punitivistas.

Se no século 20 a luta política se organizou, no fundamental, em torno de interesses de classe, neste início do século 21 são as identidades que prevalecem na disputa. Recolocar a centralidade da disputa política em termos de conflito de interesses de classe é condição fundamental para a esquerda recuperar a relevância com capacidade de disputar poder. Isto não significa abandonar ou relativizar as lutas por direitos civis expressas nas pautas identitárias afeitas à esquerda, mas reconhecer a sua insuficiência para lastrear a construção de uma nova hegemonia política.

Por tudo o que expus nesse texto, não é tarefa fácil nem tenho a pretensão de mostrar o caminho da salvação. Entre a esquerda que segue com a certeza na frente e a história na mão, eu fico com a sabedoria de Sócrates expressa na frase “tudo o que sei é que nada sei”.



* José Luís Fevereiro é membro do Diretório Nacional do PSOL.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Manaus - Mãe dos Deuses - Rogai por nós

ESCRITO POR ELSON DE MELO
SEGUNDA, 24 DE OUTUBRO DE 2016

Manaus completou hoje (24/10/2016) 347 anos, uma donzela cobiçada, motivo de tanta disputa, sonho de consumo de muitos pretendentes. Manaus continua teimosa e abusada, resiste heroicamente a todos os assédios. A data inspira-nos a fazer uma viagem no tempo para reafirmar a nossa identidade cultural e civilizatória. Para tanto, convido você a uma viaje na história e conhecer Manaus através da poesia. Parabéns Manaus. Feliz Aniversário. Declame comigo a poesia “Manaus – Mãe dos Deuses – Rogai por nós”.
  
MANAUS – MÃE DOS DEUSES – ROGAI POR NÓS
Elson de Melo

Manaus Porto de Lenha,
Forte de São José do Rio Negro,
Vila da Barra do Rio Negro,
Cidade das Florestas, Coração da Amazônia.
Manaus do Encontro das Águas. Terra dos Manaós,
das Amazonas, de Ajuricaba, dos pescadores,
de Aldilsio Filgueiras e Zeca Torres.
Manaus de Santa Etelvina.
Rogai por nós.

Manaus Metrópole das Selvas
Cidade mais cosmopolita da do Norte,
és melhor que Liverpool e mais bela que Paris.
Manaus do Teatro Amazonas, do Hotel Cassina/Cabaré Chinelo, das óperas,
dos Festivais de Cinema, do Boi Manaus,  da Banda da Bica.
do relógio municipal, do monumento aos portos, de São Sebastião.
Rogai por nós.

Manaus da Ilha do Marapatá patati patatá, consciência  
de Armando de Paula e Anibal Beça, de Nelson Chaves,
das caboclinha, de Lucinha Cabral, das cunhantãs, de Nícolas Junior,
dos Curumins, de Pedro Cesar Ribeiro, de Teixeira de Manaus,
do porto da Ceasa, do aeroporto de Ponta Pelada,  
da estrada do Paredão, do porto da Panair, da  Ponta Branca,
do Boulevard Rio Negro, da Ponta Negra, dos igarapés,
dos seringais, do aeroporto Eduardo Gomes.
Manaus da Praça da Matriz, dos camelôs,
dos Cinemas, de Nossa Senhora da Conceição.
Rogai por nós.

Manaus terra dos tarumãs e dos Barés
da Cidade flutuante, das palafitas, das catraias,
dos carroceiros, dos carregadores do porto,
das chatinhas, dos navios gaiolas, das igarités,
Manaus do São Raimundo, de Santo Antônio,
de Nossa Senhora dos Remédios.
Rogai por nós.

Manaus dos candeeiros a querosene
das lamparinas, dos mosquiteiros
das lâmpadas a led, das serestas e das serenatas.
Manaus dos Educandos, da Baixa da Égua, de Santa Luzia.
Rogai por nós.

Manaus cabocla, do ciclo da borracha ouro, dos soldados da borracha,
da Zona Franca, dos operários e operárias, dos artesanatos, de Ricardo Moraes,
de Elson de Melo, de Antônia Priante, de Magno Frazão, de Rosenilda.
Manaus Cidade das ocupações, de São José Operário.
Rogai por nós.

Manaus Cidade sorriso, Cidade mormaço,
dos bois bumbas Tira Prosa e Corre Campo, dos festivais folclóricos,
do Quilombo do Barranco na Praça Catorze de Janeiro,
do Bombalá, da Carmem Doida e da Gaivota.
Manaus da Vitória Regia, de Nossa Senhora de Fátima.
Rogai por nós.

Manaus da Escadaria dos Remédios
do porto flutuante cais do Roadway, da Manaos Harbour,
do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, da Casa do Povo,
da velha Jaqueira abrigo da Faculdade de Direito,
da ilha de Monte Cristo, dos clubes de remo, da ilha do Caxangá,
da Ponte de Ferro, do mercadinho da cachoeirinha.
Manaus de Nossa Senhora Terezinha.
Rogai por nós.

Manaus da literatura, da poesia, da arte, da  Cultura, do Clube da Madrugada
de Farias de Carvalho, de Marcio de Souza, de Thiago de Mello, de Celso Melo,
de Fernando Colyer, de Francisca Ferreria Batista, de Milton Antoun,
de Pe. Luiz Ruas, de Pe. Nonato Pinheiro, de Humberto Paiva,
de João Bosco Araújo, de José  Pereira Trindade, de Luiz Bacellar
de Saul Benchimol, de Teodoro Botinelly, de Moacir Andrade,
de Evandro Carreira, de Jorge Tufic, de Alexandre Otto...
Manaus da Praça da Policia, de Nossa Senhora Dorotéia.
Rogai por nós.

Manaus do samba da quatorze, do Morro da Liberdade,
do Alvorada, da Aparecida, da Sem Compromisso,
do Bulevard, da Presidente Vargas, do São José. Manaus de Joana Galante,
de Frei Fulgêncio, de Mãe Zulmira,  do Seringal Mirim, do balneário do Parque dez,
da Ponte da Bolívia, de Armando Lucena, de São Cristóvão.
Rogai por nós.

Manaus do Projeto Jaraqui, do A luta SociaL,
de Trecio de Miranda, de José Bessa Freire, de Narcisio Lobo,
de Nestor Nascimento, de Deocleciano Bentes Souza, de Jamacy Bentes Souza,
de Antogildo Pascoal Viana, de José Lima, de Antenor Caldas, de de Cely Aquino,
de Marlene Ribeiro, do Pe. Renato, de Dário Alves, de Cleide Mota,
de Marilene Correia, de Aloysio Nogueira, de Frederico Arruda,
de Ademir Ramos, de Amecy Souza, de Paulo Onofre, de Leonardo Mississipe,
de j. Alves, de Margarida Campos, de Henrique Melo,  de Jonas Araújo,
de Pe. Humberto Guidotti, de Irmã Helena, de Flávia Carneiro, de Luzarina Varela,
de Rosilene Martins, de Paulo Araújo, de Marcos Barros, de Ricardo Parente,
da Igreja do Pobre Diabo, de Santa Rita de Cassia,.
Rogai por nós.

 Manaus da boemia, do Grande Hotel, do Cine Guarany
da Frei José dos Inocentes, da Itamaracá, do Jupati, da Maria das Patas, do Laojo,
do Rosa de Maio, do Caiçara, do Mengo Bar, do Saramandeia, do bar São Domingos,
do bar São Francisco, do bar do Armando, do bar Jangadeiro, do Alex Bar, do bar Cadeira.
Manaus do Café do Pina, da Feira da Eduardo Ribeiro, de Dom Bosco.
Rogai por nós.

Manaus do Hotel Amazonas, do Ideal Clube, do Rio Negro Clube,
do hotel Tropical, do estádio Vivaldo Lima, do Parque Amazonense, da Colina, 
do General Osório, do reformatório Melo Matos, do educandário Gustavo Capanema, 
dos asilos São Vicente de Paula e Doutor Thomas.
Manaus do Castelo de Adrianópolis, de Nossa Senhora de Nazaré.
Rogai por nós.

Manaus cidade inteligente de Clara Porto Mendes Braga,
do Parque dos Idosos, dos condomínios, dos shoppings center, da ponte Rio Negro,
dos parques da juventude, da Arena da Amazônia, do Sambódromo, do centro revitalizado.
de Letícia Viana, de Deuzirei Braga, de Dhmirson Avelar, de Alex Mendes.
Manaus de Amadeu Teixeira, de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.
Rogai por nós.    

Manaus meu Reino Encantado, minha Iara abusada,
aos 347 anos ainda és uma donzela cobiçada, sereia sedutora,
cidade acolhedora, lar dos imigrantes, abrigo dos viajantes.
Manaus de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Amazônia.
Rogai por nós.

Parabéns Manaus e
Feliz Aniversário