segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Não ao ‘apartheid’ político promovido pelo esquerdismo!

Elson de Melo
Manaus, 18-09-2017

A US - Unidade Socialista, campo popular do PSOL, está presente no Amazonas desde 2013, quando concorremos a direção do partido no 4º Congresso Estadual, elegendo este escrevente – Elson de Melo – presidente estadual do PSOL Amazonas.  

Depois do 4º Congresso Estadual do PSOL Amazonas, a US – Unidade Socialista, está sempre presente em todos os eventos e em especial, nas Plenárias Municipais do PSOL, nossa participação, não se limita ao simples fato de fiscalizar, mas para debater com os/as filiados/as do partido, o melhor caminho político que o PSOL precisa seguir para ser um partido popular, capaz de acolher o proletariado como principal força de transformação da sociedade e digno da confiança do povo.

Nesse sentido, estranhamos a ausência das cinco tendências (APS-NOVA ERA, MES, ROSA ZUMBI, ESQUERDA MARXISTA e LRP) que compõem o PSOL no Amazonas nas Plenárias municipais que estão sendo realizadas nnesse período que antecede o 6º Congresso Estadual e Nacional do partido, fórum legitimo para, apresentarem e debaterem suas teses junto a militância do PSOL, se limitam apenas a mandar fiscais para fiscalizar as Plenárias, configurando assim que, o único interesse dessas tendências é, disputar apenas o aparelho partidário, ou seja a direção do partido. O mais estranho ainda, é, que, quando estiveram na direção, alegavam sempre que, não tinham tempo e dinheiro para visitar os diretórios do interior do Amazonas, agora, de uma hora para outra, apareceu recurso e tempo abundante para fiscalizarem as Plenárias, nada contra, pelo contrário, damos as boas-vindas, agora eles já podem dizer que “conhecem um pouco o Amazonas”, suas águas e correntezas.

Mas, a questão principal não é esse fato, a fiscalização é um fator natural nos Congressos do partido, o que nos deixa inquietos, é o fato, de tratarem a maioria dos/as filiados/as do PSOL com prepotência, indiferença, segregação e preconceito, na concepção deles, eles são soberanos intelectualmente e os únicos militantes perfeitos. Essas tendências que se opõem internamente a US - Unidade Socialista, promovem um verdadeiro 'apartheid' político quando se colocam como filiados de primeira categoria e segregam os/as filiados/as que não são ligados a elas, como filiados/as de categorias inferiores – uma atitude preconceituosa sem precedentes na história politica da esquerda socialista.

A US – Unidade Socialista, desde a sua criação, vem dedicando todo esforço, na organização do PSOL em todo território brasileiro e no caso específico, no território amazonense, de modo especial, destacamos a forte presença da atual presidente do partido no Amazonas, camarada Pedrinha Lasmar, em todos os eventos do partido, sejam eles no interior, como na capital, a camarada Pedrinha, reserva sempre um espaço na sua agenda de sindicalista, para dedicar uma atenção especial a construção do PSOL.

Como já afirmamos em outra oportunidade, organizar um partido socialista na Amazônia, é um desafio para além dos períodos congressuais –  é uma tarefa permanente de toda militância do PSOL! A militância da US – Unidade Socialista, têm consciência e sensibilidade suficiente para enfrentar esse desafio, buscando sempre promover a unidade do partido e respeitar as diferenças.

Por um PSOL à altura dos desafios.
Não ao ‘apartheid’ político promovido pelo esquerdismo!

Elson de Melo é secretário de comunicação do PSOL Manaus

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Por um PSOL à altura dos desafios

Elson de Melo
Manaus, setembro/2017

Organizar um partido socialista na Amazônia, é a tarefa mais desafiadora para nós militantes do PSOL no Amazonas. O território amazonense é divido por calhas de rios, baixo e médio rio Amazonas, alto, médio e baixo rio Solimões, rio Purus, rio Juruá, rio Madeira e Rio Negro. São rios que percorremos de barco hora a favor da correnteza e em outros momentos contra a corrente.

A esquerda socialista, tradicionalmente limita suas atividades políticas na capital Manaus, para justificar essa pratica, alegam que um partido socialista, deve primeiramente ser um partido operário, ou seja, um partido urbano.

Em parte, existe uma razão até certo ponto convincente, porém, o argumento se esvaíra, quando constatamos que atualmente, as pautas transversais, são as mais exaltadas por essa ‘esquerda pós-moderna’, fato que deixa em segundo plano, a organização do operariado e dos campesinos como classe revolucionária.

O ativismo dessa ‘esquerda pós-moderna’ impede uma leitura mais consequente do processo revolucionário de construção do socialismo, geralmente, preferem optar pelo ativismo imediatista e oportunista, que não organiza nada, mas os credenciam a se apresentam sempre como os principais agitadores sociais.

Para eles, o modo de produção capitalista, pouco importa, preferem abraçar como revolucionárias, as pautas mais agitadoras do momento, sem fazer uma análise mais detalhada do caráter revolucionário desse ativismo. Não podemos negar que muitas dessas pautas, são justas e merecedoras de toda atenção da esquerda socialista, porém, é equivocado adotarmos como revolucionárias.

Não são poucas as afirmações 'ecléticas' que ouvimos nos debates onde eles propõem um pseudo ‘novo socialismo’. São afirmações sem nenhuma lógica cientifica, uma vez que não mostra como será a superação do modo capitalista de produção, alimenta uma visão excludente do proletariado como força revolucionária no processo de transformação social, exalta uma pequena cúpula iluminada de dirigentes revolucionários como “protagonistas intelectuais” de um pseudo-projeto de transformação radical e desprezam a organização de um partido popular e de massa, como instrumento de luta das classes subalternas, ou seja, mostram um total desconhecimento da memória histórica da classe trabalhadora e de um projeto revolucionário.

Che Guevara, o revolucionário que experimentou organizar uma revolução na Amazônia nos ensina “ Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. As nossas reflexões, são no sentido de combater o pessimismo que a esquerda ‘pós-moderna’ tenta impor aos nossos militantes ao fazerem exigências absurdas no campo intelectual, onde eles [pós-modernos] se intitulam como os “protagonistas intelectuais” da esquerda, mas esquecem de estudar a realidade objetiva que só é possível perceber a sua dimensão no campo de batalha, no enfrentamento das correntezas dos rios, na subida dos barrancos, na remada da canoa, nas picadas dos carapanãs, no acompanhamento da vida do nosso povo nos beiradões dor rios, nas periferias das cidades e no chão das fábricas.

Nos, militantes do PSOL que compomos o campo popular do partido – Unidade Socialista, preferimos apostar na capacidade de mobilização e organização do proletariado, sejam eles do campo ou das cidades, sem com isso, abrirmos mão da importância da formação intelectual e política dos camaradas. É com esse propósito que, seguimos determinados a consolidar o PSOL em todo território amazonense, não mediremos esforços para que em breve o PSOL seja o partido popular e querido do nosso povo. Esse é o nosso compromisso!  

A US – Unidade Socialista, campo popular do PSOL, traz para o debate, ao 6º Congresso do partido, a tese “ Em defesa dos direitos, reorganizar a esquerda e transformar o Brasil”, nela fazemos considerações sobre; a crise do processo de acumulação capitalista em escala global, sob hegemonia do capital financeiro e suas consequências, caracterizamos o cenário de resistência da classe trabalhadora contra a imposição do capital da sua receita anticrese, apontamos a necessidade de derrotar o golpe de 2016 e fortalecer uma alternativa esquerda como resposta as  contrarreformas que retrocedem em mais de um século as lutas dos trabalhadores e as conquistas da Constituição de 1988, indicamos caminhos para a reorganização da esquerda e destacamos os pontos seguintes da tese como forma de construirmos um PSOL ã altura dos desafios.

POR UM PSOL À ALTURA DOS DESAFIOS

38. O balanço que fazemos do PSOL nos últimos dois anos é muito positivo. Destacamos a importância de uma direção estável, que soube se posicionar corretamente numa conjuntura complexa e desafiadora.

39. Nosso último Congresso aprovou, por ampla maioria, a posição contrária ao impeachment. No dia seguinte, foi necessário conduzir o partido na linha tênue entre a oposição programática e de esquerda ao governo Dilma e o combate nas ruas ao golpe e seu programa.
40. A Direção Nacional e a bancada acertaram ao colocar o partido claramente na resistência ao impeachment. Foi acertado participar dos atos em frente única contra o golpe, bem como tem sido acertado participar hoje da resistência à agenda de contrarreformas do governo golpista.

41. Erraram aqueles que, na contramão da realidade, defendiam posições deslocadas da conjuntura, como “Fora Todos”, quando a única pessoa que estava sendo colocada para fora era Dilma Rousseff. Involuntariamente, jogaram água ao moinho do golpe.

42. Da mesma forma, enquanto a Lava Jato era instrumentalizada para viabilizar o golpe, erraram os setores que publicamente a apoiaram de maneira acrítica, sem distinguir seus verdadeiros objetivos políticos.

43. Nesse processo se constituiu, diferentemente das polarizações congressuais, uma nova maioria política no partido. Ancorada na chapa vencedora, essa maioria se ampliou em grande unidade com a bancada federal, a maioria dos mandatos estaduais e diversos setores partidários, conduzindo o PSOL com votações bastante majoritárias nas suas instâncias, com 70 a 80% de apoio. Para um partido plural por concepção, abrigo de várias tradições da esquerda, ter suas decisões respaldadas por maiorias políticas expressivas é muito positivo.

44. Nossa bancada federal e a maior parte de nossas lideranças públicas, como Marcelo Freixo, tiveram enorme protagonismo em todo o processo de impeachment. Junto com a maioria da Direção Nacional, garantiram que a imagem do PSOL ficasse identificada com a resistência ao golpe, ao mesmo tempo em que deixaram claras nossas diferenças com o governo do PT.

45. A base social que disputamos é fundamentalmente a que deu apoio eleitoral e político às administrações petistas durante 13 anos, e não a classe média conservadora que ganhou as ruas mobilizada pela mídia monopolista em falsa campanha contra a corrupção. Perder de vista este fato teria sido um erro. O desenrolar da conjuntura, com feroz ataque aos nossos direitos, reforçou a certeza de que não era correto fazer sinal de igualdade entre Dilma e Temer. A história não costuma perdoar erros desta magnitude.

46. Certamente podemos dizer que a influência do PSOL aumentou sensivelmente no último período, como provam as eleições de 2016 e o protagonismo na disputa pela Presidência da Câmara, com a candidatura de Luiza Erundina.

47. Incorporamos neste processo novos atores. A vinda de Erundina, Glauber Braga e do coletivo Muitas Pela Cidade Que Queremos, em Belo Horizonte, servem de exemplo de como a estabilidade, os acertos na condução e a boa localização partidária permitiram que a ampliação fosse qualificada e com potencial de diálogo com novas formas de organização que vivenciamos hoje no Brasil.

48. A entrada de setores da esquerda trabalhista, como o vereador Leonel Brizola Neto, e de correntes como a Esquerda Marxista e o Coletivo 4 de Novembro, na Bahia; a adesão de fundadoras da #partidA e a aproximação do MAIS, bem como da Raiz Cidadanista, demonstram que o potencial do PSOL para ancorar uma nova alternativa de poder só é viável se continuarmos abertos a acolher de forma generosa deslocamentos à esquerda.

49. No terreno eleitoral, os resultados de 2016 são frutos do enraizamento do partido e do acerto programático das campanhas, mas são também resultado do diálogo com o eleitorado progressista, que começa a ver no PSOL um espaço seguro e coerente para as suas reivindicações. Como consequência, disputamos o 2º turno em duas capitais e em uma importante cidade do interior de São Paulo. O PSOL elegeu 16 vereadores nas capitais das regiões Sul e Sudeste, enquanto o PT fez 19 (8 em São Paulo). Este resultado, apesar da diferença de recursos e tempos de TV, mostra que o eleitorado progressista começa a ver no PSOL a sua melhor alternativa de representação política.

50. Nossas candidaturas galvanizaram energias de movimentos de mulheres, LGBTs, negros e negras, segmentos que se deslocaram do petismo. Entre os 53 eleitos, nossas 11 vereadoras (sendo quatro as mais votadas em suas cidades) representam o anseio do eleitorado progressista por coerência, novas práticas e representatividade de gênero e raça. Por isso a importância da Bancada Feminista do PSOL, iniciativa para o fortalecimento da resistência ao conservadorismo nas câmaras legislativas, lançada no final de 2016 com mais de 100 mulheres em SP e apoio da Fundação Lauro Campos e das Setoriais Nacional e estadual de Mulheres.

51. O 5º Congresso consolidou duas decisões fundamentais para a vida partidária. De um lado, a constituição de direções paritárias representou um salto de qualidade na presença de mulheres nas instâncias. Aliado a isso, é importante ressaltar o trabalho profícuo realizado pela Setorial de Mulheres, que pautou o partido em questões fundamentais, como na edição de cartilha formativa para candidatas e candidatos, produção de materiais contra o ajuste fiscal e a reforma da previdência e na ADPF pela descriminalização do aborto, e promoveu ações formativas, qualificando a presença de nossa militância nas importantes movimentações de mulheres do país.

52. Também o 5º Congresso inaugurou as cotas de negros e negras nas direções e exigiu do PSOL, por conta da nova composição das direções, um novo olhar, mais classista e racial, da crise e dos seus efeitos.

53. Destacamos o verdadeiro processo de reorganização da Fundação Lauro Campos, que passou a desenvolver intensa atividade editorial, com a regularização da Revista Socialismo & Liberdade em edições bimestrais, publicação de livros de grande apelo para o pensamento crítico no Brasil e participação no preparo dos debates programáticos do partido. Hoje temos uma Fundação que é referência para a intelectualidade crítica, um espaço aberto e à serviço do partido e não de uma força política. Igualmente vale destacar a grande qualidade dos nossos programas nacionais na TV, ampliando muito a audiência do nosso partido, sobretudo entre a juventude.

54. É necessário superar divisões artificiais e desenvolver esforços para aproximar posições. Distensionar o debate interno torna-se cada vez mais necessário à medida que o peso social e a responsabilidade do PSOL aumentam. É possível fazer um Congresso com debate político qualificado, que prepare o partido para as lutas vindouras e possibilite a melhor formação de nossa base.

55. No momento em que escrevemos essa tese, é forte a possibilidade de ser aprovada a cláusula de barreira, que visa nos colocar na clandestinidade. Em 2018, devemos ter como prioridade garantir a superação desse risco, elegendo uma forte chapa federal e alcançando os coeficientes exigidos. Isso deve estar à frente de qualquer interesse local e demanda do partido unidade e responsabilidade nas definições eleitorais.

56. Em 2018, não somente vamos apresentar um programa de mudanças radicais, mas também encarnar a mudança em um nome. Este nome deve unificar ao máximo o partido, representar o acúmulo da condução partidária no último período, e ser capaz de dialogar com o eleitorado progressista e setores organizados que gradualmente se descolam do petismo. Por sua trajetória e dedicação a essa construção, o nome do companheiro Chico Alencar é aquele que hoje reúne todas as condições acima para nos representar.

MEDIDAS POLÍTICAS DE REORGANIZAÇÃO

57. O próximo período será de intensa reorganização da esquerda, partidária e programaticamente. O PSOL tem importante papel no processo, mas para isso precisa se preparar para cumprir essa tarefa.

58. O 6º Congresso deve aprovar nossa disposição para contribuir de forma generosa com todos e todas que queiram reconstruir um projeto de esquerda no país e colocar o PSOL a serviço desse projeto. Devemos buscar expressá-lo no programa que apresentaremos e nos esforços de reaglutinar forças de esquerda.

59. Não consideramos que reorganizar a esquerda seja somente a simples adesão de descontentes de outros partidos e organizações ao PSOL - o espaço privilegiado para florescer o processo de reorganização. Precisamos estar abertos a arranjos que apontem para uma nova síntese partidária no longo prazo, cujo formato é cedo para definir, mas que se apresenta como uma necessidade para os que sonham com o socialismo.

60. Reorganização se faz a quente. É na luta contra os ataques aos direitos e por uma alternativa que iremos forjar a necessária unidade e exprimir pontos comuns de acordo capazes de definir que setores se somarão a esse esforço.

61. A reorganização deve ser feita repensando métodos, assimiliando novas formas de militância e estabelecendo novos paradigmas de análise e ação, como vem sendo expresso na grande relevância de coletivos e articulações com centralidade da luta das mulheres, negras e negros e LGBTs no confronto ao capitalismo, que no Brasil se estruturou a partir do escravismo e do patriarcado. Esses coletivos trazem em suas narrativas e organizações novas dinâmicas que devem ser incorporadas por nós.

62. A reorganização é feita também nas eleições de 2018, onde o PSOL lançará sua candidatura a presidente, buscando congregar lutadores e lutadoras que ajudem a formular um programa e a construir esta alternativa. Quanto mais ampla for a construção, maior será a colaboração para a reunificação da esquerda num projeto de massas.

63. Temos que ter a humildade de olhar nossos erros, inclusive na forma de funcionamento. Uma geração de jovens e assalariados enxerga os partidos com desconfiança. Isso é fruto do desgaste e dos escândalos, mas também porque não nos reinventamos em termos de funcionamento. O PSOL deve se repensar, tornando-se mais atrativo para as novas gerações que surgem.

64. Devemos recadastrar todos os filiados e filiadas, para confirmar o desejo de construir o partido e viabilizar formas mais efetivas de comunicação direta com mais de 150 mil brasileiros e brasileiras que optaram por fortalecer este projeto.

65. Tornar nossas setoriais cada vez mais espaços coletivos e atraentes para participação de muitos e muitas, abertos para a construção programática e a organização das lutas, respeitando a base partidária e assegurando mecanismos que permitam que eles alcancem todas as pessoas filiadas.

66. Total transparência das ações partidárias, desde os posicionamentos políticos até o uso dos recursos, regra que deve valer para todos os mandatos. Não podemos querer democratizar o país sem democratizar o partido.

67. Fortalecimento das instâncias. Para dentro, toda a democracia e debate das divergências. Para fora, cada vez mais unidade, fortalecendo um sentimento de corpo e voz coerentes e unificados nos posicionamentos.

68. Rigor nas questões éticas. A formação do novo homem e da nova mulher passa por construir normas éticas que sejam cumpridas. Temos que separar os problemas éticos dos políticos, criar comissões de ética em todas as instâncias de decisão e aprovar um código de ética partidário debatido com a base.

69. Aprofundar o papel da FLC como espaço privilegiado de formação política da militância, aumentar a integração com as setoriais e manter diálogo amplo na construção de formulações, tal como temos feito nos últimos dois anos.

70. É nessas tarefas que nos ancoramos para transformar o PSOL, cada vez mais, em um polo de luta para derrotar os retrocessos, reorganizar a esquerda e transformar do Brasil.

Nesse contexto, temos a missão desafiadora de consolidar o PSOL em todo território amazonense, organizando diretórios, fazendo formação política, articulando os movimentos sociais, promover novas lideranças e preparar candidaturas competitivas para 2018.

As eleições de 2018 e 2020, serão decisivas para a consolidação do PSOL como alternativa real de poder no Amazonas e em todo o território brasileiro, para tanto, precisamos de uma estrutura de comunicação muito bem organizada, de preferência profissionalizada.

O PSOL será do tamanho do nosso empenho, ou seja, quanto mais nos dedicarmos na sua construção, menor serão os desafios.

Bom Congresso camaradas!

Elson de Melo é Secretário de Comunicação do PSOL Manaus


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Unidade socialista: um campo do PSOL para novas lideranças

ELSON DE MELO
Sexta, 25 de agosto de 2017

A nova presidente municipal do PSOL Manaus, Thayná Amoedo que foi eleita no 6º Congresso do partido no dia 19 de agosto, é o início da renovação das lideranças do partido, que a Unidade Socialista está promovendo.

A política está carente de novas lideranças, principalmente no campo da esquerda, já do lado da direita, existe uma acirrada disputa por déspotas, cuja a popularidade, é forjada à custa de muito dinheiro!

Um dos fatores que não permite emergirem novas lideranças no campo da esquerda, é a falta de ousadia dos jovens socialistas, das mulheres, dos adultos. Um líder popular, orgânico e protagonista, no campo da esquerda, não se faz dentro de um laboratório, eles são forjados na luta cotidiana do povo.

Historicamente, os lideres populares de esquerda, se destacaram quando foram desafiados à assumirem em determinado momento da vida, tarefas de difícil execução; assumir o comando de uma mobilização popular, comandar uma greve, liderar uma invasão de terras, disputar uma eleição do grêmio estudantil, uma eleição sindical, da associação de moradores, do DCE da universidade. Esse é lado prático que forja uma liderança popular. O lado teórico, vem com a disposição de aprender o verdadeiro sentido das lutas populares, é o exercício de teoria e pratica.

O líder não é um condottiere, mas ele necessariamente, tem que ter iniciativa, assumir posições firmes, apontar caminhos, ajudar o grupo a definir prioridades, delegar tarefas, aferir resultados, unir o grupo e estar sempre atento aos acontecimentos, é o método de liderar. Che Guevara definiu o papel do líder com essa frase; “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura".

Na esquerda, a juventude precisa ser mais protagonista, mais ousada e menos burocrática, infelizmente, o excesso de controle ideológico no início da militância, inibe e até desconstrói potenciais lideranças.

Não são poucos os jovens simpatizantes do socialismo, que se decepcionam com as exigências absurdas de militantes mais antigos que se julgam acima do bem e do mal, donos das verdades absolutas.

No ano passado (2016), acompanhei o dilema de um jovem filiado do PSOL Manaus, ele teve a iniciativa de promover um evento partidário, com a presença de lideranças nacional do partido, o mesmo foi execrado pela direção estadual, ameaçado de expulsão e teve que aturar uma serie de desaforos. Conclusão, ele desistiu do evento.  

A esquerda precisa entender que, podemos até nascer socialista, mas essa consciência, só será possível constatar, quando formos capazes de enfrentar a realidade adversa, com o desejo, força e a disposição de lutar para transforma-la e com o estudo da teoria socialista. É a pratica que forja a liderança e, é a teoria que dá consistência a pratica consequente.

A Unidade Socialista está garantindo a juventude, o espaço de formação das novas lideranças que o movimento socialista necessita.

BEM-VINDOS!
VIVA O SOCIALISMO!
SOMO O PSOL À ALTURA DOS DESAFIOS

Elson de Melo, é militante do PSOL


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Vitória do PSOL

ELSON DE MELO
Manaus, 21 de agosto de 2017

Aconteceu no 6º Congresso Municipal do PSOL Manaus, o que já havíamos previsto em escritos anteriores – o debate principal foi em torno da concepção e pratica partidária e a estratégia de organização do partido, no final, prevaleceu a tese da Unidade Socialista que majoritariamente vai dirigir o Diretório Municipal de Manaus no biênio 2017/2018. Vitoria do PSOL!

A esquerda socialista no Amazonas, ao longo dos tempos, não conseguiu ainda se firmar como uma alternativa atraente ao povo amazonense. A história registra muitos movimentos de resistência, mas nenhum com grandes resultados político partidário, desde o início do século XIX até os dias atuais, esses movimentos pontuais tinham muitas convicções ideológicas, porém, com pouca ou quase nada de orientação partidária, primeiro com os anarquistas, depois com os comunistas e mais recente com os socialistas abrigados no PT/PCdoB/PSTU e há um pouco mais de dez anos o PSOL.

Em 1924, o movimento tenentista, liderado por Ribeiro Junior, conseguiram depor um governador e governar o Estado por 36 dias, depois o movimento foi sufocado.  Na era Vargas, o PTB, aglutinou no Amazonas parte importante do movimento sindical, o resultado foi a eleição do advogado trabalhista Plínio Ramos Coelho governador do Estado, porém o único legado que ficou para a classe trabalhador, é a histórica Casa do Trabalhador no centro de Manaus que fora doada por Plínio aos Sindicatos da época.

Com o golpe militar de 1964, os principais ativistas ligados ao PCB e PTB, ao movimento sindical CGT – Comando Geral dos Trabalhadores e estudantil, foram presos, outros assassinados o que levou a um imenso refluxo do movimento de esquerda socialista no Amazonas. Nesse período, é implantado em Manaus, a Zona Franca, a economia do Amazonas, passa por uma transformação radical, deixa de ser comercial/extrativista para se tornar comercial/ industrial.

A Zona Franca provoca uma onda migratória para Manaus, a cidade passou de 200 mil habitantes para mais de 2 milhões de habitantes atualmente. O comercio era intenso, as indústrias se instalaram, a população cresceu e qualidade de vida do povo ficou mais precária. Somente no final da década de 70, os movimentos partidários, estudantil e sindical voltaram a se organizar.

A criação do PT, propiciou aos trabalhadores, se interessarem pelas suas entidades de classe, surge então os movimentos de oposição sindical. A principal oposição sindical em Manaus, foi a dos metalúrgicos, essa articulação tomou força depois do 1º Encontro Sindical do PT realizado no bairro do Alvorada, em seguida a oposição passou a ser chamada de “OPOSIÇÃO SINDICAL METALURGICA PUXIRUM”, o nome foi escolhido em uma reunião num sábado a tarde na escolinha da professora Valeriana no bairro do Coroado. Em 1983 é fundado a CUT – Central Única dos Trabalhadores, este escrevente estava lá no velho prédio da companhia de cinema Vera Cruz em São Bernardo do Campo (SP) como delegado de base do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus.

Em fevereiro de 1983 a chapa PUXIRUM é eleita para direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, em 1985 os trabalhadores metalúrgicos fazem a primeira greve geral da categoria, em 1986 foi feito uma outra greve geral. Com esse movimento dos trabalhadores, o PT passa a comandar o movimento da esquerda socialista no Amazonas.

Com a chegado do PT ao governo Federal, logo em seguida a fundação do PSOL, o PT deixa de ser o referencial da esquerda socialista no Amazonas, ficando esse papel para o PSOL/PSTU/PCB, porém, o PT segue sendo o principal partido de massa no estado e continua sendo até agora.

O PSOL durante mais de uma década, não conseguiu sair do isolamento político, os motivos são diversos, mas o que mais emperrou o crescimento do partido até agora, é o excesso de burocracia, a seletividade para acolher novos filiados em Manaus, para esclarecer essa afirmação, veja a evolução do número de filiados em Manaus: 2010 – 55, 2011 – 55, 2012 – 77, 2013 –  76, 2014 – 217, 2015 – 222 – 2016 – 319 e 2017 – 500 (fonte-TSE, estatística do eleitorado – mês base, abril de cada ano). Dos 500 filiados, apenas 95 participaram do 6º Congresso realizado no sábado (19/08). Isso mostra a falta de motivação dos filiados em participar das atividades do partido, na nossa modesta opinião, a burocracia da direção desmotiva os filiados.

O 6º Congresso, se dividiu em dois blocos, O campo popular Unidade Socialista com maioria de um lado e as tendências APS-NOVA ERA/MÊS/CRZ/LRP/ESQUERDA MARXISTA de outro. Onde está a divergência? Teoricamente está na concepção e pratica partidária.

A US defende um partido que trabalhe uma política mais ampla no campo popular, um PSOL que fortaleça a Frente Povo Sem Medo, um diálogo positivo com os setores progressista da esquerda popular e avance na defesa das putas históricas da classe trabalhadora, que consiga dar mais ênfase ao empoderamento das mulheres na política, que potencialize as pautas transversais dos movimentos de direitos humanos e construa na pratica um PSOL popular.

As outras tendências, que no 5º Congresso foram vencedores, defendem um partido seletivo, onde para se filiar no PSOL precisa no mínimo ter decorado o “Programa de Transição de Trotsky ” ou pelo menos “O Capital de Marx”., ou seja, excluem quem simpatiza com o partido que não preenchem essas exigencia, defendem que o PSOL seja apenas um partido de quadro dirigentes iluminados, que só tem o que ensinar e nada a aprender com os demais filiados, os discursos foram o mais maniqueísta possível e todos atirando pedras na Unidade Socialista.

A Unidade Socialista começou a se organizar dentro do PSOL Amazonas em 2013 quando vencemos a disputa pelo diretório estadual do partido, em 2015 fomos vencidos na disputa pelo diretório Municipal de Manaus e empatamos na disputa pelo diretório estadual, motivo que levou a direção nacional dividir o mandato da estadual em um ano de gestão para cada bloco, coube ao MÊS dirigir o ano de 2016 e a US o ano atual [2017]. Já abordamos em outras oportunidades que, o período de 2016, ano que o bloco liderado pelo MÊS, ficou a frente do diretório estadual, o partido ficou até sem sede, portanto, a gestão foi um desastre. 

Nestes pouco mais de seis meses a frente do diretório estadual, a US já conseguiu recuperar a sede, organizar uma eleição, ajudar diretamente na organização das manifestações das mulheres, organizar e mobilizar a greve geral de abril e as outras manifestações contra as reformas do temer, manter assistência a maioria dos diretórios municipais...tudo isso, se virando nos trinta para articular a logística.

Por essas e outras razões que afirmamos, a vitória é do PSOL! O resultado do 6º Congresso do PSOL Manaus, é uma etapa muito importante para a consolidação do PSOL em Manaus, conforme o nosso relato acima, a história de um partido da esquerda socialista, só tem sentido, se ele for capaz de ser protagonista da organização da luta da classe trabalhadora, fora isso, tudo mais é retórica sem compromissos práticos.

O novo PSOL em Manaus começa agora!
Em defesa dos direitos, reorganizar a esquerda e transformar o Brasil
Somos um PSOL à altura dos desafios 

Elson de Melo é militante do PSOL   



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Por um novo PSOL para Manaus

Elson de Melo
Manaus, 17 de agosto de 2017
Dai-nos uma organização de revolucionários e nós revolucionaremos a Rússia
 Vladimir Ilitch Ulianov – Lênin

 1. Lênin quando proferiu a frase acima, ele ainda não conhecia o marxismo, mas o interesse dele por essa teoria revolucionária foi tão expressivo que depois de conhece-la, ele foi capaz de organizar um partido político revolucionário e fazer a revolução socialista na Rússia em 1917 do século XX, esse fato, tornou-se referências para todos os socialistas do mundo.

2. Nós socialistas revolucionários, neste ano de 2017, estamos celebrando o centésimo aniversário da Revolução Russa. Todas as tendências internas do PSOL reivindicam o socialismo, portanto, o referencial histórico principal, é a grande revolução proletária do mundo, construída e realizada pelo partido criado por Lênin na Rússia. O PSOL é fruto dessa construção, e nós que acreditamos nas transformações, somos os precussores da agitação popular e da organização das classes subalternas.

3.    Mas, o que isso tem a ver com o 6º Congresso Municipal do PSOL Manaus?

4. É evidente que a intenção inicial desta reflexão, é desmistificar a palavra “revolução” trazendo para o debate, a sua real força política como processo de transformação social, econômica e política da realidade objetiva da cidade de Manaus, dentro das possibilidades percebidas que, no caso especifico do PSOL Manaus, ainda inexiste estudos aprofundados que oriente uma pratica mais consequente dos nossos filiados.

5.   Sem esses elementos de investigação científicos, a palavra “revolução” é apenas um palavrão, um dogma, uma subjetividade e até motivo de desconfiança dos que apenas ouvem, sem aprofundar o seu verdadeiro sentido. O 6º Congresso do PSOL, recebeu doze teses para serem debatidas pela militância, todas apontam uma realidade objetiva, porém, com diferentes percepções. Na lógica das interpretações da realidade, é claro que os encaminhamentos das ações e tarefas a serem mobilizadas, também são diferentes.

6.   São essas interpretações da realidade, que define a concepção de partido que cada tendência reivindica como a ideal para o PSOL. Sem entrar no mérito das concepções partidária defendida por cada tendência como forma instituída do PSOL, mas observando as suas análises da realidade, é possível constatar que o debate gira em torno de duas concepções revolucionarias, um bloco defende que o PSOL seja um partido socialista restrito a uma vanguarda iluminada de dirigente, com critérios rígidos de recepção de novos filiados, o outro bloco, defende que o PSOL seja um partido socialista popular e de massa, com forte ligação orgânica com a classe trabalhadora, respeitando os limites das suas organizações. Nós da US – Unidade Socialista, somos o bloco que defende um PSOL popular e de massa.
  
7.    Para contribuir com o debate revolucionário proposto por diversas tendências, nós da US – Unidade Socialista Amazonas, entendemos que é possível o PSOL em Manaus, ser um partido protagonista das transformações que a população do Município tanto necessita. Para tanto, precisamos construir um novo PSOL em Manaus a partir do 6º Congresso Municipal.

8.    O novo PSOL deve ser um partido instituinte que promova a educação política, criativo, dinâmico, propositivo, orgânico, receptível, protagonista das lutas do povo e principalmente, um partido capaz de dialogar com a sociedade com linguagem acessível ao entendimento das nossas propostas. Queremos um partido aglutinador de tod@s @s lutadores sociais, que prese pela organização e mobilização da sua militância, que motive os movimentos sociais, que se oriente pela defesa das demandas do proletariado. Um partido verdadeiramente socialista revolucionário popular e das massas.       

9.  Manaus é a única cidade industrial da Região Norte, o polo industrial da Zona Franca de Manaus e o comercio são as principais atividades econômica do município, o seu PIB – Produto Interno Bruto é de R$ 64,1 bilhões referência o ano de 2013, renda per capita de R$ 32.300,00 ano base 2013, possui um território com Área de 11.401,092 km², sua população é de 2.094.391 habitantes (estimativa 2016 - IBGE), o IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é 0,737 - alto (PNUD - 2010).

10. Os dados acima, mostram uma cidade com uma economia robusta, porém, com uma enorme desigualdade social, embora a renda per capta seja de R$ 32.300,00, não representa a realidade percebida da maioria das pessoas que aqui habitam, uma vez que essa maioria da população, sobrevivem com renda fixa inferior ao salário mínimo. Manaus ainda possui um analfabetismo que atinge mais de 6% da população, na cidade ainda morrem 14,2 crianças, por cada 1000 crianças nascida vivas, antes de completar um ano.

11. Manaus é composta por uma população majoritariamente de migrantes, são retirantes dos Estados vizinhos do Norte, do Nordeste e do interior do Amazonas, essa complexa mistura populacional, dificulta a formação da verdadeira identidade dos habitantes da cidade, talvez por isso, os operários, ainda não se reconheçam enquanto força política transformadora, são trabalhadores que diariamente são submetidos ao rigoroso controle industrial, mas não se consideram operários, falta-lhes uma identidade de classe.

12.  O PSOL Manaus, precisa aprofundar esses estudos cientificamente, identificar a verdadeira fisiologia e ecologia da cidade e suas complicações, bem como, a sua formação populacional, as origens, identidade, cultura e perspectivas dos seus habitantes. Na política, não existe espaço para o empirismo, precisamos de trabalhos sérios de comprovada investigação cientifica para que o partido venha definir com precisão as suas intervenções para transformar essa realidade. Portanto, é preciso não banalizar a palavra “revolução”, precisamos, sim, dar o devido sentido a esse processo de transformação social.

13. A US – Unidade Socialista, não medirá esforços para viabilizar esse processo de transformação, para tanto, precisamos definir no 6° Congresso Municipal do PSOL Manaus, uma direção aberta a desafios, uma direção que tenha coragem de ousar, de construir mecanismos de organização partidária, capaz de impulsionar e intensificar as tarefas de mobilização e organização das classes subalternas.

14. Uma direção dinâmica, com métodos de ação claros, comprometida em viabilizar as políticas definidas nos órgãos de deliberação do partido, cumprindo fielmente as resoluções dos Congressos, municipal, estadual e nacional. Uma direção que não confunda a disputa pela hegemonia dos aparelhos partidários, com a imposição das orientações particular da tendencia e que respeite as divergências sem se sobrepor as diretrizes do partido. Cada tendência tem o direito de divergir, porém, não lhes é dado o direito de denegrir a imagem do partido, da militância e das suas lideranças.

15. É tempo de construção e afirmação do PSOL. Nós da US – Unidade Socialista, chamamos todas as tendências, a priorizarem externamente as tarefas do partido - unidade na luta, sem prejuízo das tarefas estratégicas de cada tendência ou campo político interno. Nesse sentido, as atuações de toda militância do partido, deve estar voltada prioritariamente para a organização da resistência popular ao golpe promovido por Temer e sua curriola, inserindo-se nas atividades das suas entidades de classe, na militância comunitária, na organização das oposições sindicais, na organização dos núcleos de Base. O processo eleitoral é um outro fator que merece da direção municipal uma atenção especial, tanto na organização das candidaturas, como na elaboração de um plano de governo que reflita a esperança do nosso povo.

16. Voltando a Lênin, precisamos inovar na política, percorrer novos caminhos, combatendo o oportunismo, seja dos reformistas como do esquerdismo, sem com isso, inviabilizar o projeto político do partido. Para isso, precisamos radicalizar na organização, trabalhar com respeito e a paciência necessária a nova militância, oferecendo a ela, um plano de atuação pratica, que seja possível de estimular novas lideranças que reafirme o programa do partido no seio das organizações econômicas e sociais do nosso povo.

17. Como Lênin, entendemos que a educação política é o passo fundamental para a formação de uma militância consequente e comprometida com as transformações que o partido propõem - “Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária.”. Mesmo com os tempos difíceis da conjuntura nacional, o PSOL é o partido com uma grande aceitação popular, no entanto, não podemos nos acomodar com essa feliz constatação, pelo contrário, precisamos empoderar o partido, mantendo firme a nossa autonomia e conquistar o entusiasmo da sociedade.

18. Queremos um novo PSOL para Manaus, para que o partido seja em breve o maior referencial positivo das classes subalternas, que seguem órfãos de um partido verdadeiramente transformador. Com esses propósitos, saudamos toda militância do PSOL presentes ao 6º Congresso do partido em Manaus.

Saudações Socialista!
Viva a Revolução Proletária!
Salve o novo PSOL em Manaus!

Elson de Melo, é militante do PSOL



sábado, 12 de agosto de 2017

6º Congresso do PSOL Manaus e o futuro do partido no Amazonas

Elson de Melo
12/08/2017

Desde a sua fundação até 2013, o PSOL Amazonas teve suas atividades restritas a capital Manaus. Nesse período, estiveram a frente do Diretório de Manaus, as tendências de orientação Trotskistas CST – Corrente Socialista dos Trabalhadores e o MÊS – Movimento Esquerda Socialista.  A partir do ano de 2015 até os dias atuais, o diretório municipal de Manaus é dirigido por um bloco de tendências composto majoritariamente pelo MÊS (trotskista) e as tendências de orientação Marxistas Leninistas APS-NOVA ERA – Ação Popular Socialista e CRZ – Coletivo Rosa Zumbi. Recentemente o CRZ, anunciou a sua desvinculação com o bloco de tendências que dirige o partido na capital.

É evidente que a capital Manaus, é um território estratégico para o avanço do PSOL no Estado, no entanto, as práticas burocráticas e em certos aspectos extremamente sectárias dessas tendências homogenias na direção municipal de Manaus, tem inviabilizado a organização do partido na capital e a formação de novas lideranças do partido, como expressão popular capaz de vincular o partido as lutas do povo.

Por outro lado, o PSOL vem acumulando avanços significativos no interior, onde a presença dessas tendências é praticamente inexistente. Esse avanço teve início em 2013 com a organização da US – Unidade Socialista no Amazonas, naquele ano, a US assumiu a direção estadual do PSOL e passou a organizar as finanças do partido, estruturou a sede e reorganizou o partido nos municípios onde já haviam filiados, em 2014, lançou a candidatura do ex-deputado estadual Abel Alves, cujo desempenho foi o melhor da história do partido em eleições majoritárias no Estado, esse fator, deu visibilidade ao PSOL e impulsionou a organização do partido no interior.

Em 2015 o 5º Congresso do PSOL Amazonas, terminou empatado na disputa pela direção estadual, a solução foi dividir o mandato, o bloco de tendências MÊS/APS/CRZ dirigiram o partido no ano de 2016 e a US o ano de 2017 (atualmente no exercício do mandato).

Com a hegemonia na direção estadual e na municipal de Manaus, o bloco de tendências MÊS/APS/CRZ, priorizaram a eleição de prefeito na capital, para tanto, promoveram o desmonte da sede do partido, ignoraram os diretórios municipais do interior e se lançaram em uma aventura suicida de lançar uma candidatura sem expressão popular que mais uma vez, só gerou depressão a muitos militantes no final da eleição devido o fracasso do resultado. Para tentar salvar alguma coisa da eleição, a US embora sem estrutura, se engajou na campanha da capital e socorreu como pode as candidaturas do partido nos municípios do interior, com muito sacrifício elegemos um vereador em Benjamin Constant.

No início deste ano, janeiro de 2017, a US assumiu a direção estadual do PSOL. Para surpresa, a direção anterior não promoveu a transição. Sem informação e sem recursos financeiros, a nova direção foi atrás das informações e do material físico do partido, para complicar, a direção anterior não prestou conta com a nova direção e muito menos com a Justiça Eleitoral no tempo hábil. Mesmo sem recursos do fundo partidário, a nova direção reorganizou a sede do partido e deu prosseguimento ao apoio as direções municipais do interior. Hoje o PSOL voltou a ter sede onde em parceria com outras Entidades desenvolve atividades de formação profissional.

Já em plena organização da estrutura física do partido, veio a convocação da eleição suplementar no Amazonas. A nova direção resolveu encaminhar o debate para o conjunto do partido em todo o Estado. Em Manaus todas as tendências participaram dos debates e no interior a maioria dos diretórios discutiram e encaminharam os seus posicionamentos que, na Convenção, o conjunto do partido por maioria absoluta resolveu pela coligação com a Rede Sustentabilidade que indicou o candidato a governador – Luiz Castro e o PSOL lançou o candidato a vice – João Victor Tayah.

Sem entrar no mérito de uma avaliação mais detalhada sobre o resultado, é unanime que foi acertada a decisão do PSOL de coligar com a REDE, não só pelo resultado eleitoral, mas pelo desempenho pessoal dos dois candidatos, pela forma solidária como os dois partidos se comportaram, o envolvimento da imensa maioria da militância do PSOL na campanha e, principalmente pela conquista de novos militantes e o alto índice de solicitação de novas filiações ao partido em todo o Estado. Ao final da campanha, a militância saiu vibrante e entusiasmada para enfrentar novos desafios, talvez esse fato, seja o melhor resultado para o PSOL.

O 6º Congresso do PSOL Manaus, precisa debater com profundidade, temas importantes para o crescimento do partido na capital e os reflexos desse crescimento nos demais Municípios do Estado. Essa temática envolve dentre outros; a presença da militância nos movimentos sociais, a organização das lutas do povo, uma educação política voltada para formação de novas lideranças, o engajamento dos/as filiados/as nas suas entidades de classe (sindicatos e associações), o financiamento da estrutura do partido, a massificação da comunicação do partido junto a sociedade, o exercício da democracia interna como instrumento de controle da disciplina partidária, e principalmente  a organização e funcionamento dos núcleos de base e setoriais do partido.

A Unidade socialista entende que a direção municipal do PSOL na capital, deve ser o principal instrumento agitador do partido, responsável pela organização das manifestações do povo, da propaganda do partido na capital, do encorajamento e mobilização da militância, da formação política, da organização dos núcleos de base, da organização das oposições sindicais...para isso, precisamos de uma direção desburocratizada, sem sectarismo, que não confunda esquerda com esquerdismo e seja capaz de priorizar a política estratégica do partido.

Uma direção aberta a recepcionar e se responsabilizar pelos novos filiados, entendendo que o PSOL pela expressão popular que adquiriu nos últimos tempos, sua principal tarefa é ampliar o seu quadro de filiados/militantes e a sua inserção no seio da sociedade como um partido socialista de massa e popular.

O futuro do PSOL no Amazonas, passa por uma direção menos dogmática burocrática, mais dinâmica e comprometida com o projeto estratégico do partido.

Por um PSOL socialista de massa e popular!

Eelson de Melo é militante do PSOL.