quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ECOSSOCIALISMO: Candidatos ao Governo do Amazonas sem Projeto Sustentável para o Interior

ELSON DE MELO*
QUARTA, 12 DE SETEMBRO DE 218

Acompanhei o debate na TV Em Tempo realizado na noite desta terça-feira (11/09) onde os candidatos foram sabatinados entre eles sobre os temas educação; saúde; emprego, segurança e interior e outros, se não bastasse suas divagações  sobre os temas urbanos, quando o assunto era o interior, eles só se limitaram em afirmar que está parte do Estado do Amazonas está abandonada e nada mais.

Alguns tentaram desenvolver um retorica sobre legalização das terras, turismo, zoneamento ecológico, credito através dos bancos oficiais, incentivo as empresas que queiram investir no interior e um grande engodo de incentivar o agronegócio para produzirem alimentos em escala.

Nenhum candidato mencionou a necessidade de respeitar as culturas tradicionais, em agregar valor humano as pessoas que habitam o interior, de implementar politicas publicas que consiga envolver as pessoas em projeto  autossustentável priorizando o acumulo histórico dessa população seja em relação a pesca, como no extrativismo e na agricultura. Todos só pensaram em grande projetos vindo de fora para devastar a floresta e escravizar as pessoas do interior amazonense. Grifo nosso.

Teve um candidato que teve a insensatez de afirmar que quando governador, já deliberou verbas e incentivos para o cultivo de soja em uma região do Estado, esse é um dos piores engôdos que um governante pode oferecer aos caboclos do nosso Estado, é uma real tentativa de expulsar as pessoas de suas terras, sejam elas caboclos,índios ou ribeirinhos, e, por outro lado, colocar a juventude do interior como escravos das grandes empresas que detêm omonopólio da produção de soja.

A produção de alimentos no Amazonas, passa primeiro pela proteção de seus lagos, rios e a floresta, segundo, pelo envolvimento de toda a população em grande projetos de tecnologia social que oriente a produção coletiva para a criação de peixe, pesca artesanal, turismo ecológico, agricultura sustentável e orgânica, onde asvárzeas com a sua sazonalidade sejam o motor dessa produção deproteia vegetal e animal.

Outro candidato afirmou que pretende trazer empresas para montar uma agroindústria de beneficiamento do abacaxi produzido no Paraná da Eva município de Itacoatiara. Veja quanto desprezo eles nutrem pelo caboclo que com seu esforço pessoal conseguiu identificar no abaxi uma fonte de renda para sua família e agora vem um governante, mal intencionado, oferecer uma empresa de fora para sufocar o pequeno produtor de abacaxi.

A legalização fundiária sempre está presente em todos os debates há cada quatro anos em época de campanha eleitoral, passado esseperíodo, nem os eleitos implementam e os não eleitos cobram a suaimplementação. No entanto, ela é fundamental para a vida de quem precisa de credito para fazer a sua roça produzir no interior do Amazonas, uma vez que credito implica em garantias e aval e os dois só virão com as terras legalizadas.

Depois desse debate, é possível concluir que todos os candidatos, não procuraram entender a complexidade da região Amazônica, todos preferem tratar esse bioma como objeto de exploração pura esimplesmente assim.

Não senhores e senhoras candidatos, nossa Amazônia não precisa de exploração, ela precisa de preservação, de carinho e muita tecnologia social que agregue valor nas pessoas e na sua produção.

Precisamos de um modelo social voltado para a Permacultura e o cooperativismo, onde as pessoas possam produzir coletivamente o suficiente para garantir a elas uma qualidade de vida digna e comercializar o seu excesso.

Não senhoras e senhores candidatos, nossa território não pode ser tratado no chute politico, onde os diagnósticos e projetos, são gestados nos bastidores das campanhas sem o menor rigor cientifico que possa dar a eles um minimo de legitimidade e base cientifica de sua realização, ou certeza se vai de fato servir para o povo que moram nesses beiradões no Estado do Amazonas.

O que esperamos de um governante comprometido com a nossa terra é, primeiro, respeitar a nossa inteligência, segundo, respeitar as nossas tradições e cultura, terceiro é ser comprometido com politicas publicas básicas que garantam ao nosso povo saúde, educação, renda, segurança e prosperidade para todos.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL

sábado, 8 de setembro de 2018

Movimento de Oposição Sindical e a Reforma Trabalhista


ELSON DE MELO*
SÁBADO, 08 DE SETEMBRO DE 2018

Coma a abertura democrática no final da década de 70 do século passado, o Movimento Sindical era controlado majoritariamente por dirigentes sindicais fieis ao regime militar. Os sindicatos eram controlados pelo governo através do Ministério do Trabalho que por qualquer motivo, intervia nas direções dos mesmos. Surge então um Movimento de Oposição Sindical construído dentro do local de trabalho, sua organização era clandestina, suas reuniões eram geralmente nos locais de moradias, nos salões paroquiais das igrejas progressistas, quase não havia publicação direta, quem cumpria essa função de comunicação eram estudantes, religiosos e intelectuais comprometidos com a causa da classe trabalhadora.

Hoje com a Reforma Trabalhista e, com a não obrigatoriedade da Contribuição Sindical, os patrões estão tripudiando as direções sindicais na hora das negociações das Convenções ou Acordos Coletivos. É uma forma de compelir os dirigentes sindicais a abrirem mão de direitos em troca de algum auxilio financeiro aos sindicatos. Por outro lado, a maioria da classe trabalhadora não vê nas direções sindicais uma representatividade capaz de liderar um movimento mais contundente para garantir alguma conquista nessas negociações. O Estado através do Ministério Público do Trabalho – MPT cumpre o papel de feitor dos patrões para enfraquecer ainda mais o Movimento Sindical.

A maioria das direções dos sindicatos ainda aguardam o resultado da eleição presidencial com a esperança de ver a Contribuição Sindical voltar a ser obrigatória. Acontece que o prejuízo da classe trabalhadora com a nova legislação, ganha proporções incalculáveis não só no aspecto econômico, mas também no direito e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.

A falta de atitude mais contundente contra essa legislação abusiva por parte das direções dos sindicatos que, não oferecem a classe trabalhadora um plano de enfrentamento ao avanço da superexploração do trabalho pelos empregadores, abre caminho para um novo Movimento de Oposição Sindical, cuja organização dever se dar dentro dos locais de trabalho para retomar as direções dos sindicatos que estão vacilando ou aceitando inertes essa legislação que oprime a classe trabalhadora.

No final da década de 70 e inicio da de oitenta, as primeiras conquistas dessa forma de organização no local de trabalho, foram as Comissões de Fábricas. A reforma trabalhista instituiu que as empresas com mais de duzentos funcionários, podem organizar uma Comissão para negociar direitos e condições de trabalho. É esse espaço que o Movimento de Oposição Sindical precisa ocupar com a máxima urgência.

Assim, é importante que todo trabalhador interessado em retomar a luta histórica da classe trabalhadora, reúna seus amigos e comecem a definir estratégias para promover a organização no local de trabalho e disputar com as direções pelegas o controle da direção dos seus sindicatos.

Por um Movimento de Oposição Sindical de Luta.
Ousar lutar sempre!

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ecossocialismo: Dia da Amazônia


ELSON DE MELO*
QUARTA, 05 DE SETEMBRO DE 2018

“A floresta amazônica deverá ser o ciclópico divã psicanalítico da espécie humana, onde ela se deitará para repensar e analisar todos os conflitos de seu destino cósmico.”
– Evandro Carreira, em Amazônia Usina de Alimentos para o Terceiro Milênio

Hoje, dia 5 de setembro é celebrado o Dia da Amazônia. A necessidade de preservar esse ecossistema implica em definirmos uma nova civilização que entenda a complexidade que envolve a floresta, os rios, que comandam a vida na Amazônia – a nova civilização que propomos é o Ecossocialismo.

Nossa Amazônia é a maior reserva natural do planeta e, uma das maiores riquezas da humanidade. Nossa hileia possui o entorno de cinco milhões e meio de quilômetros de floresta e abrange nove países, ocupa 26% de área do território brasileiro que precisa ser protegida pelo seu povo, uma vez que o futuro da floresta está em constante perigo.

O Senador Evandro Carreira em seu Manifesto Ecológico afirma que:

“Somente o Índio por estar em sintonia cósmica, entendeu ciberneticamente a Amazônia. Ele a penetrou nu e na ponta do pé, assim como o passarinho constrói o ninho sem aprendizado e o peixe migra de um oceano para o outro, obediente à cibernética.”

O Dia da Amazônia é uma forma encontrada de chamar a atenção da população para a necessidade de preservar esse bioma, a data universal é o dia 5 de setembro quando se comemora a criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. O objetivo principal é alertar a população a respeito da destruição da floresta sua fauna e flora, é também um dia para refletirmos sobre o futuro da nossa Região, como devemos conviver harmonicamente homem e a floresta, sem destruir essa importante fonte de biodiversidade.

O desmatamento há cada ano avança sobre a floresta Amazônica, o principal motivo é a plantações de soja e da pecuária, extração ilegal de madeiras nobres, a criação de grandes hidrelétricas e a exploração mineral por mineradoras, ou seja, quanto mais o capital avança com seus grandes projetos de exploração da riquezas naturais, maior vai sendo a devastação das florestas e o aumento da dificuldade dos povos tradicionais sobreviverem na Amazônia.

Para nós Ecossocialistas, a vida na Amazônia precisa ser entendida a partir das experiências dos nossos ancestrais, dos povos originários, que vivem há séculos preservando e protegendo o nosso território sem a necessidade depredar esse patrimônio natural e ecológico da humanidade.

A vida na floresta é comandada pelos rios, lagos, paranás e igarapés, a relação homem e natureza foi sempre uma relação de interdependência, onde o homem preserva para tirar o seu sustento. É conforme essa convivência, que precisamos organizar essa nova civilização, uma civilização que valorize o ser e não o ter (ser parte e não ter parte) onde o todo é mais importante que individualidade, a coletividade é mais importante que a cobiça, a ganancia e o egoísmo individualista.

A civilização ecossocialista valoriza o homem como preservador e parte do Bioma Amazônico, não como explorador das suas riquezas.

No dia da Amazônia, é importante denunciar a fúria do capital que avança diariamente sobre o nosso território, visando extrair do bioma apenas as riquezas em detrimento da vida dos povos que aqui habitam.

Amazônia para os seus povos!
Preservar é preciso.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.





segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu em chamas

ELSON DE MELO
SEGUNDA, 03 DE SETEMBRO DE 2018

Nenhum texto alternativo automático disponível.Domingo o Brasil perdeu 200 anos de memória, milhões de pesquisas, outros milhões de itens de peças que esclareciam a origem da nossa vida. As 19 horas um incêndio criminoso, promovido pelo descaso do Governo Temer que em dois anos promoveu o mair desmonte da nossa memória e da da nossa história em todos os campos da relação humana. 





A PEC dos gastos públicos aprovado pelo Centrão com apoio decisivo do PMDB/PSDB, diariamente faz mais vitimas na saúde, na educação, na segurança, na ciência, na tecnologia, na qualidade de vida do nosso povo. Esse governo queima diariamente a vida do nosso povo!

Recorremos a poesia para, registrar o nosso protesto contra Temer e todos os seus aliados no governo mais corrupto de todos os tempos que, são os principais responsáveis desse incêndio criminoso no Museu Nacional do Rios de Janeiro. Confira...  


MUSEU EM CHAMAS 


(Elson de Melo)



Labaredas de fogo acesas
tragedia anunciada
lagrimas nos olhos
alma estraçalhada
chora o povo brasileiro
a destruição da sua memória
o cancioneiro canta 
seu tributo em gloria
a ciência esquecida 
por um governo sem vitória
grita poeta, grita...!
protesta cientista, protesta...!
chama o povo brasileiro
para destrava toda indignação
contra um governo sem expressão
e um presidente sem alma, coração e noção!

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Um desabafo! "Aos inimigos dos Trabalhadores"

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e sapatosAOS INIMIGOS DOS TRABALHADORES
(Elson de Melo)

Sendo o mundo uma bola
ela gira sem parar
hoje nós choramos

amanhã tu vai chorar.


Nosso choro tem consolo
nossa vida tem solidariedade
tua queda será festejada 
com todas as formalidades.

Somos o povo que luta
por terra trabalho e liberdade
tu é uma pessoa escrota 
amante da crueldade.

Fica o nosso desabafo
nosso repúdio total
tua vida vai ser de desprezo
como nunca antes igual!

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

ECOSSOCIALISMO: Autogestão coletiva no campo

ELSON DE MELO*
QUARTA, 29 DE AGOSTO DE 2018

Na Amazônia não existe nenhum diagnostico que aponte a prosperidade individual da maioria da sua população que moram nos rincões da Região.

A principal atividade que pode gerar prosperidade para essa população é a produção de alimentos, para que isso aconteça de forma ordenada, precisa de gestão coletiva, seja através de Cooperativas de Produção Rural, ou outros tipos de associações ou organizações coletivas que organize a produção e a comercialização dos produtos.

No interior da Amazônia as famílias se auxiliam mutuamente através do ‘puxirum’ uma pratica comum de trabalho coletivo, esse é o primeiro caminho para a organização de um projeto sustentável envolvendo grupos de famílias, é através do trabalho coletivo que podemos organizar a produção e a comercialização dos produtos sem a figura do atravessador.

Um grupo autogerido, é capaz de dividir tarefas de produção, logística e comercialização. Em uma cooperativa podemos chamar isso de organizar departamentos que cuidem da produção; buscando inovar em tecnologias que facilite uma boa colheita, diversificar produtos, agregar valor e organizar o trabalho coletivo, departamento de logística; para dar suporte tanto na produção como na comercialização, departamento comercial; para organizar as compras, formular preços, identificar mercados, fechar negócios e promover vendas.

Como temos afirmados em outros textos, “não existe na Amazônia, outra forma de trabalho que consiga promover a prosperidade que não seja a coletiva”.

Autogestão é a administração de um organismo pelos seus participantes, em regime de democracia direta. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os membros envolvidos no negócio participam das decisões administrativas em igualdade de condições.
  
“Autogestão é uma forma de organização e orientação do trabalho coletivo que surgiu historicamente decorrente da necessidade da classe trabalhadora superar as crises de desemprego oriunda das crises cíclicas do capitalismo, os princípios ideológicos são o socialismo libertário, cuja a definição de algumas características fundamentais da autogestão ajuda a entender melhor essa forma de produção em grupo:

1.     A livre associação;
2.     As lideranças emergentes, hierarquia situacional, democracia;
3.     Decisão preferencialmente por consenso;
4.     possibilidade de secessão.

Livre Associação

Livre associação acontece (falando em primeira pessoa) quando estou participando de um grupo no qual meu interesse sobre os resultados, consequências e influência do trabalho coletivo realizado coincide com meus objetivos pessoais, ou seja, é direto, é meu, é primário.

Um grupo ao qual estou unido porque quero e do qual posso sair quando bem entender.

O termo interesse direto serve para distingui-lo do interesse indireto ou secundário que se estabelece na relação de trabalho denominada emprego. “Emprego” é sinônimo de uso, utilização de um meio para algum fim: emprego de uma ferramenta, emprego de uma metáfora, emprego de uma tecnologia, emprego da força de trabalho de pessoas em empreendimentos cujo interesse pelos resultados, consequências e influência do trabalho coletivo realizado é de quem emprega. Esse interesse pode ou não ser também de quem é empregado, mas o interesse comum primário entre empregado e empregador se estabelece pela via monetária.

Em autogestão o interesse por ganhar dinheiro pode existir. Acontece que, quando existe, é secundário ao interesse pelo resultado ou influência do trabalho em si.

Para quem quer ganhar dinheiro em primeiro lugar, serve juntar-se a qualquer empresa que pague bem e melhor é o emprego que paga mais.

Para quem quer realizar uma obra coletiva por interesse pessoal em primeiro lugar, só serve aquela produção específica e é através dela que se vai ganhar dinheiro.

Consenso

Consenso significa discutir os pontos que necessitam de decisão coletiva até que todos concordem com a mesma ideia. Seja essa ideia uma mudança na forma de produção, a data de uma reunião, o custo de um produto, uma propaganda, a escolha de um representante do grupo ou qualquer outra decisão ou escolha coletiva.

Todos concordarem com a mesma ideia não significa que não há necessidade de algumas pessoas cederem para chegar a um acordo. Nesse contexto, no entanto, ceder significa abrir mão de opiniões iniciais sobre a questão, por transformação durante a discussão sobre as diversas diferentes ideias do grupo.

Consenso é diferente da chamada “votação democrática”.
O consenso leva a discussão das diferentes partes até o fim enquanto que a votação é um congelamento da discussão no tempo, o retrato do momento em que se vota.

Na votação, as pessoas defendem os diferentes pontos de vista sobre a questão, buscando convencer umas às outras durante algum tempo. Em determinado ponto cessam as discussões, encerram-se os debates, vota-se e descobre-se a vontade da maioria numérica e a minoria é obrigada a aceitá-la. Por isso a votação também pode ser entendida como uma ditadura da maioria.

No consenso as pessoas debatem a questão até que todas concordem com a mesma decisão. Quem cede, cede porque se transforma, porque entende a necessidade de haver um acordo para que o grupo realize coletivamente um trabalho que interessa também a pessoa que cede. A busca do consenso faz com que a minoria tenha tanta força quanto a maioria. Uma pessoa que não concorde com todo o grupo tem a oportunidade de virar um consenso a seu favor e essa decisão pode realmente ser a melhor para todo grupo.

O consenso pode exigir mais tempo e energia dedicados ao debate entre as diferentes partes do que a votação, mas o consenso gera uma ordem de nível superior que se estabelece sem imposição e com corresponsabilidade. Não uma ordem perpétua e definitiva, mas uma ordem mutante, situacional, racional e passional, que mantém sempre aberta a possibilidade de revisão do pré-estabelecido.

Falso consenso

Quando esse ato de ceder para que haja um consenso não é autêntico, não acontece por transformação, mas por autoimposição, quando há dificuldade ou preguiça de se exporem as divergências, ocorre o que chamamos em autogestão de “falso consenso”. Há um acordo onde externamente todos parecem concordar, mas a discussão deveria ter prosseguido porque internamente algumas pessoas ainda não concordam.

Em ambiente autogerido, todo falso consenso se revela com o tempo.

Um exemplo simples: uma pessoa pode ceder, em nome de um consenso, sobre o horário marcado coletivamente para uma próxima reunião de trabalho concordando em chegar mais cedo e, depois, nessa ocasião futura, chegar atrasado. Houve um falso consenso que se revelou e o resultado foi que a reunião começou efetivamente mais tarde. No momento da discussão talvez o consenso estivesse em todo grupo ceder àquela pessoa e chegar mais tarde, aproveitando o tempo para outras coisas. Esse acordo poderia ter surgido se a pessoa em questão tivesse deixado clara o quanto não estava disposto a chegar cedo. Ou ainda a revelação da inconformidade com chegar mais cedo poderia ter prolongado a discussão até que essa pessoa estivesse realmente convencida de que era preciso chegar mais cedo.

Todo falso consenso prejudica e boicota o trabalho coletivo.

Liderança emergente – hierarquia situacional

Isso significa dizer que não existe a figura do gerente, chefe, patrão, dono, professor, diretor, grande líder, etc.

Todos podem e precisam exercer esses papéis de liderança conforme a necessidade do grupo nas diferentes situações que vão surgindo no decorrer do trabalho coletivo.

A liderança surge da situação, é situacional, emergente, temporária. Quem tem maior experiência prática e/ou teórica sobre os assuntos que envolvem o trabalho coletivo fala, ensina, orienta, lidera.

Quem tem menos experiência e conhecimento, mas tem interesse em que o trabalho se realize da melhor forma possível, obedece, segue, escuta. Isso significa que existe hierarquia na autogestão.

A hierarquização é natural no processo de trabalho coletivo. Não fere os princípios da Autogestão quando pessoas do grupo seguem comandos dados por quem tem mais autoridade construindo uma estrutura hierárquica situacional.

O problema está em cristalizar essa situação, congelar os papéis daquele que comanda e daqueles que obedecem. A melhor solução para um momento não é a melhor solução para todos os momentos. Autogestão significa um grupo permanecer aberto para alterar sua estrutura hierárquica a qualquer momento.

Quem comanda deve estar aberto para dividir ou abrir mão desse papel assim que surge uma nova liderança no grupo. Quem obedece deve estar aberto ao salto para liderança. Para isso é importante perceber que aquele que obedece não tem menor responsabilidade pelo trabalho do que aquele que comanda.

Em Autogestão, se o resultado do trabalho é bom ou ruim a responsabilidade é de todos. Os méritos ou deméritos são para todos. Esse entendimento nos impulsiona a assumir responsabilidade de liderar uma situação quando percebemos que, por nossa experiência ou conhecimento no assunto, o grupo necessita de nossa orientação, de nossa opinião, da ideia que surgiu em nossa mente que pode melhorar a rotina de trabalho, etc.

Possibilidade de Secessão

Secessão significa a possibilidade de qualquer um propor a saída de qualquer outro do grupo. Reunir o grupo e colocar esse assunto como pauta de discussão. Expor os motivos pelos quais entende que deve haver uma secessão.

Visto que as decisões em autogestão são consensuais, para ocorrer a secessão de alguém é preciso, primeiro, que a pessoa que a propôs exponha abertamente seus motivos e convença todo grupo que também será melhor para todos que aquela(s) pessoa(s) não faça(m) mais parte daquele grupo de trabalho e, segundo, que a(s) própria(s) pessoa(s) secessionada(s) concorde(m) com sua saída do grupo.

Perceba que assim como não há "emprego" em Autogestão, também não há "demissão".

A livre secessão é a outra face da moeda da livre associação. Ambas ajudam a fazer a constante renovação e afirmação dos interesses pessoais com o trabalho coletivo.”
(...)site: abcpsigma

Esses princípios básicos da organização coletiva, são essenciais para o sucesso da Autogestão, portanto, todo grupo autogerido, deve se preocupar sempre com a educação formal de seus membros, com a formação politica pra que todos seja capazes de entender cada processo dentro da gestão, como afirmamos acima, mesmo que cada pessoa exerça uma função especifica na Autogestão, todos são importante na engrenagem do negocio, caso um não cumpra corretamente a sua função, coloca em risco toda organização e o resultado final do negocio, ou seja, se o responsável, da logística não manter abastecido as frentes de trabalho, todo o processo fica parado e o prejuízo é eminente, portanto, é importante que cada pessoa agarre a sua tarefa com entusiasmo e dedicação.

Na Autogestão, se não houver organização, não existe produção coletiva e nem resultado final positivo.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Tributo ao Senador Evandro Carreira

ELSON DE MELO*
MANAUS, 24 DE AGOSTO DE 2018

         “Partiu para o além, deixando um vazio no viver, que a gente às vezes disfarçar esquecer. Dele guardamos a trajetória. Que fica gravada indelével na memoria.”

Hoje 24 de agosto de 2018, o saudoso Senador Evandro das Neves Carreira, se vivo fosse, completaria 91 anos de vida.

Como certa vez o Senador Jefferson Peres afirmou; “Evandro Carreira foi o profeta da Amazônia que pregou no deserto”, incompreendido pelo povo, ignorado pelos políticos locais, Evandro viveu seus últimos dias de vida, mantendo uma rotina diária entre a sua residência, o café do Pina na Praça da Policia e o Amazonas Shopping. Sua tribuna era o Projeto Jaraqui aos sábados pela manhã no Centro de Manaus. 

Evandro Carreira, é filho do desembargador Tocandira Balbi Carreira e Ignácia das Neves Carreira, nascido no dia 24 de agosto de 1927 em  Alvarães município do Estado do Amazonas. Era advogado e foi vereador em Manaus, eleito em 1959 e reeleito em 1963 e Senador da República em 1974, tendo exercido o mandato por 8 anos. Amazonólogo, Expositor e Conferencista sobre a Temática Amazônica em Seminários, Ciclos de Debates, Conferências e Simpósios em Universidades, Diretórios Estudantis e outros organismos, tendo proferido palestras na Escola Superior de Guerra dos E.U.A., na National Defense University e National War College - Forte Mc Mer, Washington, D.C., em 1981. A sua Principal obra literária é “Recado Amazônico”, em 10 volumes, publicados pelo Senado Federal, onde está contida suas atividades como Senador da República pelo Amazonas e a genial afirmação que se constituiu um verdadeiro axioma: “A vocação hidrohelio-fitozoológica da Amazônia”, valendo todos os corolários que decorrem deste axioma, como soem ser as vocações varzeana, ictiológica, ribeirinha, hidroviária, extrativista, fotossintética e pomicultora.

Evandro Carrera faleceu no dia 22 de dezembro de 2015, deixou um legado importante para a vida na Amazônia que ficou registrado em suas obras literárias.

Na qualidade de amigo do grande Amazonologo, faço hoje um esforço para manter viva a memoria do mais brilhante Senador da Republica pelo Amazonas, de todos os tempos.

Que a memoria de Evandro carreira, seja lembrada por todas as gerações, que o futuro encontre nos seus escritos, referencias para manter a nossa floresta viva como viva é, todas as suas ideias.

Evandro das Neves Carreira, presente!

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.