terça-feira, 2 de julho de 2019

Manifesto: Convite ao Futuro


MANIFESTO: CONVITE AO FUTURO

"...há gente que acredita numa mudança, que praticou a mudança, que fez triunfar a mudança, que fez florescer a mudança... Caramba!... A Primavera é inexorável!"
- Os comunistas, Pablo Neruda

O mundo está, novamente, diante de uma encruzilhada histórica. Se, por um lado, a crise da globalização neoliberal colocou a democracia das elites em xeque, fazendo surgir movimentos anti-establishment em todo o planeta, por outro, jogou milhões de pessoas na mais absoluta miséria, enquanto inflamou o populismo de extrema-direita e seu discurso de ódio, violência e intolerância.

Os donos do poder não conseguem produzir saídas para a crise que sua própria ganância criou. A instabilidade econômica produziu a maior crise de legitimidade da democracia liberal em décadas, abrindo a oportunidade histórica de apresentar uma saída que supere o sistema do capital. O capitalismo se expressa enquanto forma de opressão e exploração social de classes, e por mais que, como escreveu Marx, “tudo que é sólido se desmanche no ar”, as relações capitalistas perpetuam essa desfiguração humana e da natureza que é a exploração econômica e a crescente diferença de renda entre os 1% que controlam os meios de produção de riquezas e os 99% que são subordinados em diversos níveis às formas de exploração e alienação as mais degradantes possíveis.

No Brasil, essa crise chegou a níveis alarmantes. O golpe de abril de 2016 não só destituiu uma presidenta legitimamente eleita, como deu início a um ciclo de ataques aos direitos sociais e à democracia sem precedentes. Na escalada de violência da extrema-direita, lutadores e lutadoras do povo continuaram tombando, como nossa companheira Marielle Franco. O já frágil Estado de Direito foi sistematicamente atacado pelo pacto conservador, com reiteradas arbitrariedades produzidas pela Operação Lava Jato, sendo a principal delas a prisão política do ex-presidente Lula.

A vitória de Jair Bolsonaro representa a maior ameaça aos direitos do povo brasileiro desde a redemocratização. Além de atacar os direitos sociais e a soberania nacional, subordinando o Brasil a uma agenda econômica ultraneoliberal, Bolsonaro é inimigo da democracia, como atestam a tutela militar exercida pelas Forças Armadas sobre seu governo e a nomeação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Como comprovam os vazamentos das conversações entre o ex-juiz Moro e os membros do Ministério Público, através do site Intercept, a Lava Jato representou uma construção midiático-jurídica com o objetivo de estabelecer uma crescente escalada repressiva e autoritária.

Nesse contexto, os desafios da esquerda socialista mudaram de qualidade. Já não são suficientes a luta parlamentar e a disputa eleitoral. Embora fundamentais, elas devem vir acompanhadas de um novo ciclo de lutas sociais. A esquerda socialista está diante do enorme desafio de se conectar com o mal-estar que a crise da globalização neoliberal e seus efeitos produziram sobre a classe trabalhadora e os excluídos, e transformá-lo em combustível para incendiar a ordem burguesa e estabelecer uma agenda de futuro para construção do Socialismo.

Para isso, é preciso apostar na unidade das forças populares e antineoliberais, construindo uma ampla frente social e política contra Bolsonaro e seus aliados. Mas também é necessário fortalecer os instrumentos independentes da classe trabalhadora, como o Partido Socialismo e Liberdade. Apesar de seus limites, o PSOL se consolidou como o partido das novas lutas sociais e portador da bandeira de uma nova esquerda socialista, combativa e revolucionária, mas conectada às novas dinâmicas de resistência das mulheres, da juventude, de LGBTs, movimentos culturais, de negros e negras. Um partido que reconhece que o racismo, o machismo, as diversas discriminações sexistas e racistas são elementos estruturais do capitalismo dependente brasileiro; e capaz de unir uma plataforma socialista – por salário, emprego, democracia e soberania – a uma plataforma radicalmente libertária.

A responsabilidade histórica do PSOL é, portanto, gigantesca. E é por essa razão que devemos aprofundar a aliança construída com os movimentos sociais nas eleições de 2018, ao mesmo tempo em que oferecemos aos militantes do PSOL um novo instrumento de organização política que una o passado de lutas que está em nossas origens com o futuro de um socialismo democrático e libertário. Construir um presente de lutas para garantir um amanhã socialista!

As diversas tendências reunidas no histórico Encontro de Junho de 2019, após longo processo de debate e interação críticos, coordenadas pela perspectiva histórica da luta revolucionária em defesa do socialismo e da liberdade do povo brasileiro, da qual alguns dos agrupamentos participantes são herdeiros há quase meio século, expressamos a disposição de dar ao PSOL as condições necessárias para liderar o processo de reorganização da esquerda brasileira, estabelecendo a construção de uma nova tendência nacional.

Nos orgulhamos imensamente de nossa trajetória. Somos lutadores da revolução socialista no Brasil. Trabalhamos para que o PSOL, juntamente com outros partidos, frentes e movimentos sociais, se torne um dos protagonistas deste processo revolucionário. Consideramos que a contradição central da sociedade é aquela que opõe capital e trabalho, mas sem jamais ignorar que o capitalismo no Brasil foi montado com base no extermínio de nações, na escravização de africanos e povos originais e na opressão das mulheres. Por isso, a Revolução Brasileira é necessariamente popular, indígena, negra e feminista.

Combatemos o colonialismo e o imperialismo, somos defensores do sonho bolivariano da Pátria Grande, a ser composta pela unidade dos povos latino-americanos. Lutamos para que as múltiplas formas de organização dos povos do Brasil, inclusive suas representações partidárias e institucionais, sejam capazes de instalar, defender e desenvolver um Governo Democrático e Popular, que através de suas medidas antimonopolistas, antilatifundiárias e anti-imperialistas abra o caminho para o Socialismo.

Praticamos a solidariedade internacional com povos e países que enfrentam a agressão imperialista e a barbárie capitalista. Lutamos contra todas as formas de opressão para que todos e todas possam viver, amar e desejar com plena liberdade e respeito. Abraçamos a equidade de gênero e as causas da população LGBT. Acreditamos no futuro e reivindicamos tradições. Somos filhos e filhas das lutas operárias, das resistências camponesas, da Cabanagem, Balaiada, Canudos, Contestado, Caldeirão e de tantas outras rebeliões populares. Nosso campo de luta é a fábrica, o bairro, o quilombo, a aldeia, o sindicato, a escola, os lares, as redes sociais e a rua.

Ao nos unirmos e unirmos nossas histórias, coletivos, mandatos, lideranças partidárias e sociais, tomamos parte em um novo ciclo de lutas e organização da esquerda revolucionária brasileira.

O Brasil está gestando o futuro e precisa de um instrumento partidário capaz de trazê-lo à luz da história. Uma nova tendência que trabalhe para fortalecer o caráter amplo, popular e socialista do PSOL é urgente e necessária. Nos colocamos esse desafio e convidamos todos e todas que partilham desse sonho para dar início ao novo.

Viva o povo brasileiro!
Viva a revolução brasileira!
Viva o PSOL!
Viva a PRIMAVERA SOCIALISTA.


Valinhos/SP, 30 de junho de 2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

A Teoria do PSOL e a Renuncia do Deputado Jean Wyllys


POR ELSON DE MELO
MANAUS, 26/01/2019        

Camaradas do PSOL, a renúncia do camarada Jean Wyllys-PSOL/RJ ao novo mandato de Deputado Federal e o seu exílio no exterior, além de revelar a onda de homofobia e violência contra a população LGBT no Brasil, também mostrou que no âmbito do PSOL Amazonas, existem alguns filiados que estão alinhados com a politica de violência contra a população LGBT imposta pela campanha do governo Bolsonaro.

O PSOL é um dos poucos partidos políticos do Brasil que dedicam nas suas resoluções e no seu programa, a definição da politica de combate a homofobia, ao preconceito de raça, religião, condição social e gênero, no entanto, ainda não foi capaz de popularizar no âmbito das suas instância partidária, uma teoria sobre esses princípios, promover um exercício que eduque a militância para o respeito a diversidade e a defesa dessa política.

No Amazonas, a direção estadual do partido desde as eleições de 2018 até a presente data, não se reuni para definir uma politica de atuação no Estado. Essa inercia dessa importante instância do partido, deixa toda a militância sem orientação de como organizar a luta politica que a conjuntura está nos impondo e prevenir que militantes se comportem de forma preconceituosa e homofóbica como as ocorridas no episódio da renuncia do camarada Jean Wyllys.

Na manhã de sexta-feira (25/01/2019) o ex-candidato a senador na eleição de 2018 e então membro da executiva estadual do PSOL/AM Rondinely Fonseca, em seu perfil pessoal no Facebook declarou o seguinte: “Devido ao fechamento de inúmeras padarias no Brasil, e pelo fato de não terem mais sonhos e rosquinhas queimadas, Jean Willys deixará o país em Paz. Interprete o texto. Por favor. Se tiver maldade, não está neste texto.”, isso nos leva a fazer uma profunda reflexão sobre o projeto político do partido em todas as suas infâncias e um estudo das resoluções do partido que privilegia a luta pelos direitos da classe trabalhadora, a defesa das demarcações das terras indígenas e seus direitos, a luta pela terra para quem dela precisa para trabalhar - os Sem-Terra -, o direito a habitação para os Sem-Teto, a luta pelos direitos das mulheres e contra a violência as mulheres e a população LGBTs, dentre tantas outras políticas de inclusão social que o PSOL defende como políticas públicas a serem impulsionadas pelo estado e de modo particular a defesa de um estado laico, onde todas as pessoas sejam livres para expressarem a sua fé através da religião que melhor lhes representa, sem preconceito ou medo.

A questão LGBTs dentro do PSOL tem um capítulo especial nas suas resoluções, isso é fato e toda a nossa militância deve estar ciente desse compromisso do partido. O PSOL é para todos, no entanto, não é um partido qualquer! Devemos acolher todos que busquem o PSOL, no entanto, é dever das Direções municipais, estaduais, nacional e núcleos de base de, esclarecer a politica de atuação do partido e dentre as quais, a defesa intransigente da população LGBTs. 

É natural que o PSOL venha receber muitos filiados nos próximos períodos, muitos apenas com objetivo eleitoral e todos devem serem bem-vindos, porém, é importante esclarecer que em casos de expressões homofóbicas, discriminatórias e preconceituosas contra negros, índios, gênero, condição social e principalmente contra a população LGBT, saibam que estaremos sempre atentos para num primeiro momento, ajudar cada camarada a entender que a sociedade é plural e que o respeito as diferenças, é o melhor caminho para vivermos felizes.

É dever das instâncias do partido, esclarecer aos filiados toda a teoria do PSOL que está contida nos seus documentos internos, Manifesto, Programa e Estatuto, nas Resoluções dos Congressos municipais, estaduais e nacional, nas cartilhas, revistas e livros produzidos pela Fundação Lauro Campos, nos materiais pedagógicos divulgados pelas setoriais e outras instâncias do partido. É esse conjunto de publicações que fazem parte da literatura interna do PSOL que toda militância precisa fazer uma leitura para entender o plano de lutas do PSOL e a sua forma de atuação na sociedade. 

Compartilho da deia dos que defendem que, antes de punir militantes desavisados que usam expressões homofóbicas, preconceituosas e discriminatórias, as instancias do PSOL, de oficio, devem convida-los para um dialogo educativo que leve os envolvidos a refletirem, sobre uma pratica libertadora, onde o respeito a diversidade é fundamental para transformar essa realidade violenta que está sendo permeada na sociedade brasileira. 

Toda solidariedade ao camarada Jean Wyllys.

P.S. O ex-candidato a senador e então dirigente do PSOL Amazonas Rondinely Fonseca, depois da declaração acima citada, divulgou uma nota de desfiliação do partido. 

Elson de Melo, é militante do PSOL


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Parabéns camaradas Guilherme Boulos e Sônia Guajajara


ELSON DE MELO
MANAUS, 06 DE NOVEMBRO DE 2018

Pela primeira vez uma candidatura a presidente da Republica do PSOL conseguiu articular uma aliança com setores onde o partido nunca conseguiu chegar - os movimentos sociais da periferia, a mídia alternativa, os indígenas e parte significativa dos movimentos culturais. Essa mobilização de forças vivas da sociedade foi determinante para que o PSOL conseguisse superar a Cláusula de Barreira e dobrar a sua bancada federal na Câmara dos Deputados. Boulos e Sônia foram a voz da periferia que ecoou pelo Brasil e no mundo apresentando ao povo brasileiro um novo projeto de nação onde o operário, a mulher, os índios, a negritude, a comunidade LGBT, os Sem-teto, os Sem-terra são os verdadeiros protagonistas da grande mudança que haveremos de fazer.

No próximo dia 8 de novembro, a Direção Nacional do PSOL vai reunir e fazer uma avaliação criteriosa sobre o resultado eleitoral, a conjuntura nacional e principalmente definir a estratégia do partido para os próximos períodos.

Na questão eleitoral, não podemos considerar apenas o resultado da votação nominal na nossa candidatura Boulos & Sônia, mas sim, o conjunto da obra. Não é novidade para ninguém que enfrentamos uma das eleições mais polarizada ainda no primeiro turno, onde a direita e o centro se uniram para realmente derrotar a esquerda ainda na primeira etapa da eleição, para isso, a onda do voto útil impediu que uma candidatura alternativa no campo da esquerda (Boulos &Sônia) conseguisse avançar eleitoralmente, pessoalmente assisti camaradas do próprio PSOL na véspera da eleição em duvida se votaria em Boulos, Haddad ou Ciro, não foram poucos que tiveram esse comportamento, felizmente a candidatura Boulos & Sônia realmente conseguiu dialogar  para ‘fora da bolha’ e conquistar a fidelidade dos movimentos sociais da periferia que foram determinante para assegurar os mais de 600 mil votos na chapa majoritária e a conquista da superação da cláusula de barreira.

No Amazonas a campanha Boulos & Sônia na pratica não existiu, a direção estadual do partido não encaminhou nenhuma ação coordenada que possibilitasse alcançar um melhor resultado, os 11090 votos foram resultado da campanha nacional sem nenhuma influencia de mobilização local uma vez que não existiu. A eleição do PSOL no Amazonas que a direção estadual encaminhou, limitou-se apenas na de governador, não existe registro de pelo menos a menção do nome do Boulos e Sônia pelos candidatos sejam eles majoritários ou proporcionais nos seus materiais de campanha. Não sei o motivo, mas o fato é que a direção estadual não encaminhou a campanha Boulos & Sônia no Amazonas.

Se considerarmos que a candidatura Boulos & Sônia mesmo sem nenhuma campanha organizada pla direção estadual conseguiu 11090 (onze mil e noventa) votos no Amazonas e a candidatura a governado da camarada Berg  conseguiu apenas 5433 (cinco mil quatrocentos e trinta e três) votos, foi um equivoco da direção estadual não organizar e dar a devida atenção a candidatura a presidente da Republica do partido, se houvesse um mínimo de vontade politica ou mesmo de discernimento sobre a importância do projeto nacional do PSOL, certamente, tanto a votação do Boulos como do camarada Berg seriam bem melhor no Amazonas, infelizmente a ausência de visão dos dirigentes local, nos levou a um resultado muito tímido diante da grandeza do projeto do PSOL.

Faço esse recorte sobre o resultado eleitoral no Amazonas, para chamar atenção dos nossos dirigentes, tanto local como nacional, da importância que devemos dar ao projeto nacional do partido. O PSOL é um partido que pela sua coerência politica, desperta muitos interesses particulares de pessoas, de grupos e até mesmo dos nossos adversários. Portanto, é preciso que a direção nacional atente para a qualificação politica das nossas direções estaduais e municipais, não podemos cair no senso comum da politica, precisamos afirmar e reafirma que o PSOL não é um partido qualquer.   

Sobre a coligação com o PCB. No Amazonas a direção estadual do PSOL resolveu por não fazer essa aliança a nível local, fato que eu particularmente acho lamentável, é fato que o PCB no Amazonas está passando por uma reformulação na sua direção, porém era muito importante que o partido fosse pelo menos convidado a participar da aliança, porém, os dirigentes locais vetaram peremptoriamente essa aliança. Achei isso um absurdo!

Os fatos ocorridos no Amazonas, ilustram o grau de dificuldade que a direção nacional teve que administrar desde a concepção da candidatura Boulos & Sônia até este momento de avaliação que certamente vai definir muitos encaminhamentos visando o fortalecimento do partido e a organização da resistência aos ataques que o novo governo e a direita já estão fazendo ao PSOL e os Movimento Sociais.

Já observei diversas avaliações sobre o resultado eleitoral do partido, os saudosistas da politica voltada para dentro da bolha, chegam afirmar que o resultado de 2014 foi mais relevante que os de 2018, isso é simplesmente uma leitura de quem não é capaz de avaliar com responsabilidade a conjuntura, de quem por diversas vezes flertou com a movimentação da direita, que deu asas a pedagogia politica da direita principalmente nas mobilizações pós-junho de 2013, movimento que até hoje eles usam como referencia para todas as suas analises.

Os partidos da esquerda socialista estão hoje na mira do autoritarismo, não foi uma simples ameaça as palavras do então candidato Bolsonaro e reafirmado depois de eleito que a sua preocupação principal é criminalizar o PSOL e os movimentos sociais MST e MTST, o fundamentalismo religioso tende a se acentuar, os direitos sociais sofrerão um grande retrocesso, a classe trabalhadora vai sofrer mais restrições nos seus direitos e a democracia está realmente na UTI.

Não é hora para brincarmos de analises inconsequentes, não temos tempo para o amadorismo, é preciso reconhecer que estamos entrando num ciclo de restrições do estado de direitos, onde não podemos negligenciar com a segurança da nossa militância, onde realmente ninguém pode soltar da mão do outro.

Chegou a hora em que os mais experientes contribuam com a nossa militância jovem para municia-las com informações sobre o que significa um regime de exceção, de como se comportar para não colocar todo o movimento em perigo, parece até um exagero da minha parte, mas é preciso se preparar para o pior. As maiorias das nossas direções estaduais e municipais ainda vejam o PSOL como mais uns partidos da ordem não entendem a complexidade de um partido da esquerda socialista que está exposto aos ataques da direita sanguinária.

Espero que o PSOL consiga dar continuidade ao projeto de reorganização da esquerda, onde o camarada Boulos e a camarada Sônia são as figuras publicas do partido que devem percorrer o Brasil juntos com a direção nacional debatendo o nosso projeto e consequentemente organizando o PSOL para os atuais e futuros desafios políticos.

Parabéns camaradas Guherme Boulos e Sônia Gujajara pelo excelente cumprimento da tarefa de apresentar o projeto de reorganização da esquerda na eleição de 2018, nossa tarefa não termina com as eleições, a luta está apenas no começo e é nossa responsabilidade fortalece-la até conquistarmos novas vitorias.

A luta Continua!

Elson de Melo, é militante do PSOL


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Considerações sobre o PSOL Amazonas e as eleições 2018


MANAUS, 31/10/2018
ELSON DE MELO

Por motivos de saúde fiquei impossibilitado de participar ativamente das discussões e dos encaminhamentos sobre o processo eleitoral do PSOL Amazonas, porém, acompanhei as decisões resultadas dos debates no interior do partido (se é que houveram debates) que levaram o partido mais uma vez a não obter um resultado eleitoral  mais expressivo que particularmente eu esperava que acontecesse.

Os motivos do insucesso são muitos; primeiro uma total ausência de planejamento estratégico que fosse capaz de envolver todo o conjunto do partido nas ações eleitorais, que motivasse a militância a se doarem em defesa de um objetivo; segundo a falta de debate interno e transparência na condução do processo; terceiro as contendas internas que levaram mais uma vez o partido a sair para um processo eleitoral todo dividido, com discursos diferentes, com estratégias inconsequentes, com um total descaso a ética partidária, ou seja, o partido virou uma torre de babel onde ninguém se entendia.

O PSOL não foi capaz de organizar um plano de governo que observasse com clareza todos os objetivos a serem propostos, tudo foi na base do improviso, de frases feitas, de formatação enlatadas feito por iluminados sem o menor cuidado de inserir os principais pontos da plataforma e projeto estratégico do partido a nível nacional.

As candidaturas em todos os níveis foram muito limitadas seja na perspectiva de voto, como no conteúdo politico, teve candidatos que recorreram a uma linguagem rebuscada e não se fizeram entender pelos eleitores, outros abusaram da linguagem chula e levaram o partido para o lado folclórico da politica, outros sequer conseguiram definir uma linguagem, já no conteúdo, cada um disse o que pensava e a maioria sem nenhum nexo com o programa do partido ou mesmo do fragilizado plano de governo da candidatura majoritária, se hoje perguntarmos a um ex-candidato qual foi a melhor proposta do PSOL Amazonas na eleição, possivelmente não saberão responder.

Diante de toda desse excesso de muvuca, o resultado só poderia ser de total insucesso. A direção do partido e as tendências internas se comportaram de forma tão amadora que não foram capazes de buscar um entendimento mínimo para viabilizar um projeto para o partido, o que ficou patente, foi que cada tendência, atuou no processo politico eleitoral, como se estivessem disputando o Congresso do PSOL e não os votos dos eleitores do Amazonas. Não posso qualificar isso de infantilidade, mas sim, de uma total inconsequência para com o partido.

O marketing dos nossos candidatos não existiu, todos se limitaram a sobreviver em uma campanha eleitoral com o minguado recurso vindo do fundo eleitoral, ninguém organizou campanhas arrecadação, não montaram equipes de trabalho, não se apresentaram para o eleitorado com convicção, foram apáticos o tempo todo, cada um limitou o menor território possível, uma campanha sem planejamento, nunca terá resultado positivo, confesso que não sei se é culpa da direção, mas se não for, pelo menos ela foi incapaz de conduzir o processo, portanto negligenciou. 

Pela primeira vez o PSOL teve como candidato majoritário uma liderança sindical reconhecida, também pela primeira vez o partido teve todas as portas da mídia local a sua disposição, para um bom marqueteiro não existe candidatura ruim, também não sei se houve marqueteiro na campanha, mas seu houve, ele foi de uma mediocridade exemplar, primeiro abandonou o candidato a própria sorte, não foi capaz de fazer o candidato superar as suas limitações com o mundo da comunicação, ou seja, não fez o candidato se comunicar com os eleitores, isso não é falha do candidato e sim de quem estava lhe orientando, mas como eu disse, não sei se houve marqueteiro. Para piorar ainda mais, resolveram limitar a candidatura ao adotarem "Berg da UGT" como nome oficial do candidato, isso causou constrangimento interno uma vez que no interior do PSOL existe uma pluralidade sindical como também no próprio apoio sindical fora do partido. 

A programação visual foi outro desastre, tivemos uns banners que espremeu os candidatos, a combinação de cores não combinavam com nada, principalmente no que se refere a propaganda na internet, por falar em internet, o PSOL Amazonas foi o partido mais amador nesse quesito, não tinha pagina própria, a pagina do candidato não foi administrada corretamente, as dos demais candidatos nem se conta, foi um desastre.

Mas vamos falar do período pré-eleitoral, desde a conferência eleitoral estadual, deu para perceber que a direção do partido queria levar o partido para a candidatura David Almeida, ou seja, abriu mão da candidatura própria para fazer um projeto estranho a todos os princípios que o PSOL defende isso se confirmou com a presença do partido no lançamento da candidatura do mesmo. Depois não sei por que cargas d’agua as coisas não deram certo, resolveram convencer o camarada Berg a deixar o projeto dos sindicalistas que o apoiavam para deputado federal e lança-lo a uma aventura para a qual ele não havia se preparado, isso foi ruim para ele que perdeu o apoio dos sindicalistas e para o PSOL que não assegurou ao Berg um ambiente saudável para viabilizar com sucesso a candidatura majoritária.

Por tudo que foi possível eu observar, foi uma campanha tensa internamente, contaminada pela disputa da estrutura partidária, sem o menor respeito entre os membros da direção, prevaleceu o divisionismo, a prepotência, a arrogância e o autoritarismo das partes envolvidas, para os grupos envolvidos, o que menos importou foi o futuro do PSOL seja no Amazonas, como na sua estratégia de superar a cláusula de barreira a nível nacional.

Sobre o período pós primeiro turno. Acho um equivoco imensurável a direção do partido não se preocupar em fazer um debate transparente dentro da própria direção sobe que caminho seguir e sugerir aos filiados e militantes no segundo turno da eleição no Amazonas, não sei se foi proposital, mas os fatos deixam evidencias que fora, principalmente quando dirigentes e ex-candidatos do partido, sem a menor preocupação com o conjunto de militantes e filiados do PSOL declinam apoio a uma candidatura ligada diretamente a estrutura politica do Bolsonaro, cujo o partido é vetado pela resolução que orienta as alianças do PSOL e outros ao outro candidato que não titubeou em declarar imediatamente apoio a candidatura Bolsonaro, mas o pior é, se a direção estadual não foi capaz de reunir seus membros para avaliar o quadro apresentado e se fosse o caso deliberar a favor de uma das duas candidaturas, ou mesmo, diante da complexidade liberar os dirigentes, filiados e militantes a votarem conforme a sua consciência, não houve nada disso, e tudo leva crer que por conveniência, a direção do PSOL Amazonas preferiu formalizar sem deliberar na sua instância apoio a candidatura Wilson Lima do PSC/PRTB/REDE. Confesso que eu nunca tinha visto algo semelhante antes, mas deixo os esclarecimentos para a direção do PSOL Amazonas. Particularmente, entendo que atitudes como essas, precisam ser evitadas, no âmbito do PSOL, afinal, o PSOL não é um partido qualquer, por pior que sejam os debates internos, prefiro enfrenta-los que afrontar a democracia interna e a confiança dos filiados.

Espero que a direção do PSOL Amazonas tenha a maturidade suficiente para fazer uma avaliação criteriosa sobre mais esse processo eleitoral, no momento, não vejo nada a ser comemorado, só consegui identificar retrocesso e muito autoritarismo entre as tendências que compõem o PSOL Amazonas.

Viva a luta por democracia!

Elson de Melo, é militante do PSOL Amazonas.

   


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ECOSSOCIALISMO: Candidatos ao Governo do Amazonas sem Projeto Sustentável para o Interior

ELSON DE MELO*
QUARTA, 12 DE SETEMBRO DE 218

Acompanhei o debate na TV Em Tempo realizado na noite desta terça-feira (11/09) onde os candidatos foram sabatinados entre eles sobre os temas educação; saúde; emprego, segurança e interior e outros, se não bastasse suas divagações  sobre os temas urbanos, quando o assunto era o interior, eles só se limitaram em afirmar que está parte do Estado do Amazonas está abandonada e nada mais.

Alguns tentaram desenvolver um retorica sobre legalização das terras, turismo, zoneamento ecológico, credito através dos bancos oficiais, incentivo as empresas que queiram investir no interior e um grande engodo de incentivar o agronegócio para produzirem alimentos em escala.

Nenhum candidato mencionou a necessidade de respeitar as culturas tradicionais, em agregar valor humano as pessoas que habitam o interior, de implementar politicas publicas que consiga envolver as pessoas em projeto  autossustentável priorizando o acumulo histórico dessa população seja em relação a pesca, como no extrativismo e na agricultura. Todos só pensaram em grande projetos vindo de fora para devastar a floresta e escravizar as pessoas do interior amazonense. Grifo nosso.

Teve um candidato que teve a insensatez de afirmar que quando governador, já deliberou verbas e incentivos para o cultivo de soja em uma região do Estado, esse é um dos piores engôdos que um governante pode oferecer aos caboclos do nosso Estado, é uma real tentativa de expulsar as pessoas de suas terras, sejam elas caboclos,índios ou ribeirinhos, e, por outro lado, colocar a juventude do interior como escravos das grandes empresas que detêm omonopólio da produção de soja.

A produção de alimentos no Amazonas, passa primeiro pela proteção de seus lagos, rios e a floresta, segundo, pelo envolvimento de toda a população em grande projetos de tecnologia social que oriente a produção coletiva para a criação de peixe, pesca artesanal, turismo ecológico, agricultura sustentável e orgânica, onde asvárzeas com a sua sazonalidade sejam o motor dessa produção deproteia vegetal e animal.

Outro candidato afirmou que pretende trazer empresas para montar uma agroindústria de beneficiamento do abacaxi produzido no Paraná da Eva município de Itacoatiara. Veja quanto desprezo eles nutrem pelo caboclo que com seu esforço pessoal conseguiu identificar no abaxi uma fonte de renda para sua família e agora vem um governante, mal intencionado, oferecer uma empresa de fora para sufocar o pequeno produtor de abacaxi.

A legalização fundiária sempre está presente em todos os debates há cada quatro anos em época de campanha eleitoral, passado esseperíodo, nem os eleitos implementam e os não eleitos cobram a suaimplementação. No entanto, ela é fundamental para a vida de quem precisa de credito para fazer a sua roça produzir no interior do Amazonas, uma vez que credito implica em garantias e aval e os dois só virão com as terras legalizadas.

Depois desse debate, é possível concluir que todos os candidatos, não procuraram entender a complexidade da região Amazônica, todos preferem tratar esse bioma como objeto de exploração pura esimplesmente assim.

Não senhores e senhoras candidatos, nossa Amazônia não precisa de exploração, ela precisa de preservação, de carinho e muita tecnologia social que agregue valor nas pessoas e na sua produção.

Precisamos de um modelo social voltado para a Permacultura e o cooperativismo, onde as pessoas possam produzir coletivamente o suficiente para garantir a elas uma qualidade de vida digna e comercializar o seu excesso.

Não senhoras e senhores candidatos, nossa território não pode ser tratado no chute politico, onde os diagnósticos e projetos, são gestados nos bastidores das campanhas sem o menor rigor cientifico que possa dar a eles um minimo de legitimidade e base cientifica de sua realização, ou certeza se vai de fato servir para o povo que moram nesses beiradões no Estado do Amazonas.

O que esperamos de um governante comprometido com a nossa terra é, primeiro, respeitar a nossa inteligência, segundo, respeitar as nossas tradições e cultura, terceiro é ser comprometido com politicas publicas básicas que garantam ao nosso povo saúde, educação, renda, segurança e prosperidade para todos.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL

sábado, 8 de setembro de 2018

Movimento de Oposição Sindical e a Reforma Trabalhista


ELSON DE MELO*
SÁBADO, 08 DE SETEMBRO DE 2018

Coma a abertura democrática no final da década de 70 do século passado, o Movimento Sindical era controlado majoritariamente por dirigentes sindicais fieis ao regime militar. Os sindicatos eram controlados pelo governo através do Ministério do Trabalho que por qualquer motivo, intervia nas direções dos mesmos. Surge então um Movimento de Oposição Sindical construído dentro do local de trabalho, sua organização era clandestina, suas reuniões eram geralmente nos locais de moradias, nos salões paroquiais das igrejas progressistas, quase não havia publicação direta, quem cumpria essa função de comunicação eram estudantes, religiosos e intelectuais comprometidos com a causa da classe trabalhadora.

Hoje com a Reforma Trabalhista e, com a não obrigatoriedade da Contribuição Sindical, os patrões estão tripudiando as direções sindicais na hora das negociações das Convenções ou Acordos Coletivos. É uma forma de compelir os dirigentes sindicais a abrirem mão de direitos em troca de algum auxilio financeiro aos sindicatos. Por outro lado, a maioria da classe trabalhadora não vê nas direções sindicais uma representatividade capaz de liderar um movimento mais contundente para garantir alguma conquista nessas negociações. O Estado através do Ministério Público do Trabalho – MPT cumpre o papel de feitor dos patrões para enfraquecer ainda mais o Movimento Sindical.

A maioria das direções dos sindicatos ainda aguardam o resultado da eleição presidencial com a esperança de ver a Contribuição Sindical voltar a ser obrigatória. Acontece que o prejuízo da classe trabalhadora com a nova legislação, ganha proporções incalculáveis não só no aspecto econômico, mas também no direito e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.

A falta de atitude mais contundente contra essa legislação abusiva por parte das direções dos sindicatos que, não oferecem a classe trabalhadora um plano de enfrentamento ao avanço da superexploração do trabalho pelos empregadores, abre caminho para um novo Movimento de Oposição Sindical, cuja organização dever se dar dentro dos locais de trabalho para retomar as direções dos sindicatos que estão vacilando ou aceitando inertes essa legislação que oprime a classe trabalhadora.

No final da década de 70 e inicio da de oitenta, as primeiras conquistas dessa forma de organização no local de trabalho, foram as Comissões de Fábricas. A reforma trabalhista instituiu que as empresas com mais de duzentos funcionários, podem organizar uma Comissão para negociar direitos e condições de trabalho. É esse espaço que o Movimento de Oposição Sindical precisa ocupar com a máxima urgência.

Assim, é importante que todo trabalhador interessado em retomar a luta histórica da classe trabalhadora, reúna seus amigos e comecem a definir estratégias para promover a organização no local de trabalho e disputar com as direções pelegas o controle da direção dos seus sindicatos.

Por um Movimento de Oposição Sindical de Luta.
Ousar lutar sempre!

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ecossocialismo: Dia da Amazônia


ELSON DE MELO*
QUARTA, 05 DE SETEMBRO DE 2018

“A floresta amazônica deverá ser o ciclópico divã psicanalítico da espécie humana, onde ela se deitará para repensar e analisar todos os conflitos de seu destino cósmico.”
– Evandro Carreira, em Amazônia Usina de Alimentos para o Terceiro Milênio

Hoje, dia 5 de setembro é celebrado o Dia da Amazônia. A necessidade de preservar esse ecossistema implica em definirmos uma nova civilização que entenda a complexidade que envolve a floresta, os rios, que comandam a vida na Amazônia – a nova civilização que propomos é o Ecossocialismo.

Nossa Amazônia é a maior reserva natural do planeta e, uma das maiores riquezas da humanidade. Nossa hileia possui o entorno de cinco milhões e meio de quilômetros de floresta e abrange nove países, ocupa 26% de área do território brasileiro que precisa ser protegida pelo seu povo, uma vez que o futuro da floresta está em constante perigo.

O Senador Evandro Carreira em seu Manifesto Ecológico afirma que:

“Somente o Índio por estar em sintonia cósmica, entendeu ciberneticamente a Amazônia. Ele a penetrou nu e na ponta do pé, assim como o passarinho constrói o ninho sem aprendizado e o peixe migra de um oceano para o outro, obediente à cibernética.”

O Dia da Amazônia é uma forma encontrada de chamar a atenção da população para a necessidade de preservar esse bioma, a data universal é o dia 5 de setembro quando se comemora a criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. O objetivo principal é alertar a população a respeito da destruição da floresta sua fauna e flora, é também um dia para refletirmos sobre o futuro da nossa Região, como devemos conviver harmonicamente homem e a floresta, sem destruir essa importante fonte de biodiversidade.

O desmatamento há cada ano avança sobre a floresta Amazônica, o principal motivo é a plantações de soja e da pecuária, extração ilegal de madeiras nobres, a criação de grandes hidrelétricas e a exploração mineral por mineradoras, ou seja, quanto mais o capital avança com seus grandes projetos de exploração da riquezas naturais, maior vai sendo a devastação das florestas e o aumento da dificuldade dos povos tradicionais sobreviverem na Amazônia.

Para nós Ecossocialistas, a vida na Amazônia precisa ser entendida a partir das experiências dos nossos ancestrais, dos povos originários, que vivem há séculos preservando e protegendo o nosso território sem a necessidade depredar esse patrimônio natural e ecológico da humanidade.

A vida na floresta é comandada pelos rios, lagos, paranás e igarapés, a relação homem e natureza foi sempre uma relação de interdependência, onde o homem preserva para tirar o seu sustento. É conforme essa convivência, que precisamos organizar essa nova civilização, uma civilização que valorize o ser e não o ter (ser parte e não ter parte) onde o todo é mais importante que individualidade, a coletividade é mais importante que a cobiça, a ganancia e o egoísmo individualista.

A civilização ecossocialista valoriza o homem como preservador e parte do Bioma Amazônico, não como explorador das suas riquezas.

No dia da Amazônia, é importante denunciar a fúria do capital que avança diariamente sobre o nosso território, visando extrair do bioma apenas as riquezas em detrimento da vida dos povos que aqui habitam.

Amazônia para os seus povos!
Preservar é preciso.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.